História Quando Ela Estava e Quando Ela Foi - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 437
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Os temas para este capítulo são "Alzheimer" e "Suicídio" e foram sugeridos por Rafael Toledo e Julia Nascimento.

Capítulo 1 - Capítulo 1- Ponto de Ônibus


   Um chapéu marrom, jaqueta de couro combinando, uma calça de moletom e sapatos limpinhos que parecem ter saído há pouco da loja, carrega nas mãos rosas muito belas e caminha com um sorriso sob seu bigode grisalho.
   Em frente a uma praça redonda, há um ponto de ônibus. Lá passa o ônibus que vai pro terminal. Jorge encontra sua namorada Gisele todos os dias neste ponto de desde duas semanas atrás, quando começaram a namorar. Ele está muito feliz, depois dos 50 é dificil achar alguém, principalmente sendo um tipo romântico como ele.
   Todos os dias eles se abraçam, se olham e, antes que Gisele suba no ônibus, Jorge lhe diz “Eu te amo e nunca vou te esquecer”, ela sorri, diz o mesmo e entra no ônibus.
   E passam quatro, cinco, seis semanas e Jorge a dizer “Eu te amo e nunca vou te esquecer”.
   Pouco a pouco, o sorriso de Gisele começa a sumir, ela começa a se atrasar para vê-lo, até que um dia, Jorge não a encontra. No banco do ponto: um bilhete de Gisele que dizia “Eu já sei: você me ama e nunca vai me esquecer”. Ela havia se cansado de ouvir Jorge a prometer.
   Ela não conhecia Jorge o suficiente para saber o motivo de suas palavras repetidas todos os dias.
   Jorge estava no primeiro estágio do Alzheimer... Sempre que prometia era a primeira vez.

...

   Em frente a uma praça redonda, há um ponto de ônibus, agora é possivel ver o ponto do alto do prédio, onde Jorge está sentado, se preparando pra pular. Os carros passando lá em baixo são tão pequenos... Jorge está ansioso para ir na direção deles.

Seus braços colados ao corpo o apoiam enaquanto suas mãos estão grudadas ao murinho da sacada. Os dois falam:


   -A opção de morrer nunca pareceu tão boa quanto agora.


   Jorge olha para o lado: Henrique está a fitá-lo:


   -Outra namorada, pai? Com quantas ainda vai tentar? - Henrique lhe pergunta. Ao que Jorge responde:


   -Já nem sei qual era o nome dela.- E volta a olhar pra baixo.


   - Esquecer... Por que acha tão ruim? Muitas noites fiquei sem dormir... E não foi porque havia esquecido. Eu queria esquecer.


   -Por que quer esquecer, se lembranças é só o que nos resta no fim?


   -Lamento, pai. Peço desculpas pelo mal que te acomete, mas não vejo desvantagem. Bom... Por que não esquece essa ideia maluca e entra pra comer? A Edite fez uma comida ótima.- Eles se olham sorrindo, Henrique levanta e ajuda Jorge a se levantar.


...



   Eles entram.


...


   E mais um dia se passa longe dela.




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