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História Quando Eu Conheci Você - Capítulo 17


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Notas do Autor


Oi monamores, tudo bem?
Espero que estejam bem e muito obrigada pelo carinho de vocês nos comentários, é um grande estimulo para nós.
Boa leitura e espero que gostem.

Capítulo 17 - Capítulo XVII


Capítulo XVII – Que sorte nós temos.

 

Naruto

Dar algumas voltas pela cidade foi uma precaução que tomei, além de ser uma forma de ganhar um tempo para pensar e descobrir o que estava acontecendo. Tinha pelo menos dez minutos que, literalmente, tinha fugido de uma espécie de clínica com uma Hinata desesperada e um homem correndo atrás de nós. Ela não havia dito uma palavra desde que subiu na moto, mas senti o soluço do seu corpo contra minhas costas e indicava que estava chorando.

Havia chegado a duas conclusões: ela estava sendo mantida ali contra sua vontade e sendo vigiada. Mas por quê? Isso eu só saberia ouvindo dela. Entretanto, se aquilo era coisa do pai dela e se ele sabia onde eu trabalhava, provavelmente, também sabia onde eu morava. Minha casa não era um local seguro no momento.

Segui em direção a um lugar que faria Hinata sentir segura e pilotei em direção ao parque de Konoha. Ao chegarmos, Hinata desceu retirando o capacete e percebi que ela estranhou o local, contudo, não perguntou. Seu rosto estava vermelho e marcado de lágrimas secas. Ainda segurando o capacete, cruzou os braços acima do peito e saiu andando em silêncio sem fazer questão de me esperar.

Apertei o passo para acompanhá-la avaliando seus movimentos. Hinata parecia ter emagrecido; usava um estranho conjunto de hospital que pouco escondia as marcas vermelhas em seus braços. Apertei os punhos irritado por perceber que ela havia sido segurada com força. Abri a boca para perguntar, mas estávamos no meio de outras pessoas e ela ainda não me dirigiu o olhar.

Continuamos em silêncio até as mesas, o mesmo local onde havíamos tido um dos nossos primeiros encontros e, finalmente Hinata escolheu um lugar e se sentou. Permaneci de pé com medo de assustá-la e com a mente há um milhão, pensando em várias maneiras de iniciar uma conversa. Entretanto, foi Hinata que quebrou o silêncio.

- Preciso falar com a Sakura – disse com a voz rouca, olhando para o chão. Abri a boca, indignado que essa foi sua primeira frase. Depois de alguns segundos finalmente consegui falar.

- An? Você não vai me explicar o que aconteceu? – foi difícil não gritar, mas minha voz saiu um pouco mais alto do que eu gostaria e isso fez com que ela me encarasse. – Porque eu tô vendo que acabei de te resgatar – indiquei seus braços e ela automaticamente colocou as mãos, tentando, inutilmente, encobrir. – E nem sei por que, então é bom que você comece a falar comigo, antes de querer falar com mais alguém.

Hinata corou e abaixou a cabeça. Longos segundos se passaram antes dela voltar a falar.

- Você tem razão – respirei pesado quando escutei um pouco de sensatez. – Ia acabar te contando mesmo – disse e franzi a testa sem entender.

- Me contar o quê?

- Eu fui obrigada a ir fazer um aborto.

Fitei Hinata por algum tempo assimilando o que ela tinha acabado de falar. Aborto?

- O quê? – finalmente consegui dizer, me ajoelhando aos seus pés, largando o capacete no chão com um baque. – Você está grávida? – praticamente gritei e algumas pessoas em volta nos encararam. – Você está grávida? – repeti, um pouco mais baixo, ainda sem acreditar. – Como assim? A gente sempre usou camisinha.

- Menos a primeira vez.

Minha mente voltou imediatamente para as lembranças daquele final de semana constatando o que ela havia dito.

- Mas eu nunca... – olhei em volta. Ali não era o lugar que eu queria ter essa conversa. – Você sabe... eu nunca gozei...

Hinata me encarou como se estivesse falando a maior besteira.

- Mesmo fazendo coito interrompido ainda tem chances de engravidar – sua voz saiu irritada. – E mesmo sabendo disso, fizemos – ela esfregou o rosto, visivelmente brava. – Acho que nem pensei no risco de uma única vez.

- Ei – chamei sua atenção e me sentei ao seu lado. – Eu também não pensei nisso – quis segurar sua mão, contudo tive medo dela se afastar. – Já ouvi de alguns conhecidos que tiravam antes de gozar e que nunca tinha dado problema – Hinata riu sem humor.

- Que sorte nós temos, hein? – eu ri da sua ironia. Por alguns segundos o clima entre nós ficou mais leve, porém eu consegui estragar fazendo a pergunta errada:

 – Por que você não me disse antes? – me arrependi no mesmo instante em vi sua expressão a indignação. Eu sabia o porquê. – De quanto tempo você tá? – mudei o foco, mas percebi que havia algo mais importante. – Você chegou a fazer?  

- Não – Hinata respondeu quando entendeu o que eu queria saber. – Convenci uma enfermeira a me ajudar a fugir e foi assim que consegui falar com você – disse laconicamente como se estivesse contando uma história de uma amiga.

Suspirei aliviado. 

- Meu Deus, Hinata – passei a mão nos cabelos, bagunçando-os mais. Estava me sentindo desconectado de toda aquela história; ainda sem acreditar que eu seria pai.

- O que vamos fazer? – perguntei em voz alta, porém, era mais uma pergunta para mim.

Hinata respondeu depois de um longo silêncio:

- Bom, eu vou ter essa criança e você... – ela fez uma pausa – o mínimo que espero é que você faça parte da vida dele, mas se você não quiser, como muitos por aí, eu... – a olhei irritado.

- Você sabe que não sou esse tipo de homem.

- Eu não sei nada de você – respondeu rispidamente.

- Eu não te contei que lutava porque era uma coisa que estava parando e não queria que você soubesse dessa sujeira. Eu realmente queria deixar isso no passado.

- Tá, tá, Naruto. Eu não quero falar disso agora – disse Hinata me interrompendo. - Posso falar com a Sakura ou vou ter que pedir para outra pessoa? – falou rispidamente.

- Caralho Hinata, você pode ao menos conversar comigo? – rosnei apertando os punhos.

- O que mais você quer de mim? – seu tom se elevou e seus olhos se encheram de lágrimas.

- Quero que você converse comigo – sussurrei, deixando os ombros caírem. – Quero saber como você e o nosso filho estão.

Parecia tão surreal que eu ia ter um filho, mas disse mesmo assim.

- Estamos bem, apesar de tudo – revirei os olhos. – Olha, só quero ir para algum lugar e – ela passou a mão pelos cabelos desfazendo o coque malfeito – tomar um banho e deitar e tentar esquecer o desespero que passei.

- Claro – respondi, compreendendo, eu mesmo estava assustado com toda a carga de informação. – Mas pense um pouco, meu amor – consegui sua atenção. – Sakura vai ser o primeiro lugar que seu pai vai te procurar – Hinata arqueou as sobrancelhas se dando conta. – Talvez nem mesmo minha casa seja um bom lugar, mas é melhor que temos no momento e lá você pode descansar e depois pensamos no que fazer – percebi seu dilema. – Eu posso proteger vocês. – Lancei meu argumento final.

- Tudo bem – finalmente concordou. –, mas só hoje. Amanhã eu vou embora.

- Como você quiser – concordei, mas era claro que não ia deixar minha família longe da minha supervisão.

Sorri ao pensar na palavra família. Agora não eu estava mais sozinho; duas outras pessoas estavam comigo e isso me deu forças que nunca imaginei ter. Ninguém mexeria com eles enquanto eu estivesse ali.

Peguei o capacete do chão e assisti Hinata se levantar procurando algum sinal da gravidez, porém não encontrei nada. Porém, isso não importa. Eu já estava começando a sentir a ansiedade de saber que eu ia ser pai.

Pilotei direto para meu apartamento, contudo, mesmo que eu já tivesse pensado na possibilidade, me assustei quando vi o Mercedes preto parado em frente ao prédio, junto com outro carro preto e dois homens do lado de fora. Eles haviam chegado cedo demais. Hinata também viu e me apertou.

- E agora? – Hinata questionou com medo. Apertei seu joelho.

- Vou dar um jeito – falei, mas sem ter ideia do que fazer.

Enquanto estacionava o mais perto possível do portão da garagem, analisei a situação. Eu poderia dar conta dos dois homens do lado de fora; eu ia apanhar, mas eu poderia ganhar, contudo, isso deixaria Hinata sem supervisão e se houvesse mais homens, poderiam facilmente pegá-la e enfiá-la dentro de um dos carros. Outra possibilidade era fazer Hinata correr para segurança do prédio ao mesmo tempo que eu ganharia um tempo para ela, segurando quem fizesse o primeiro movimento.

Descemos da moto e discretamente coloquei minhas chaves nas mãos frias da minha morena.

- Corra para o prédio quando eu mandar – sussurrei sem tirar os olhos dos meus alvos.

- Ok – Hinata concordou atrás de mim.

Todavia, ninguém se mexeu. A porta de traseira do Mercedes de abriu e Hiashi Hyuuga saiu ajeitando o terno e andando tranquilamente até nós. Escutei Hinata arfar e segurar meu braço, mas Hiashi parou somente alguns passos de nós.

 - Você correu para esse rato sujo – disse direcionado a ela. Notei Hinata se mover um pouco entrando em seu campo de visão.

- E por que será? – vociferou. – Eu nunca vou te perdoar.

- Não vim em busca de perdão – cortou. – Estou aqui para te dar uma segunda chance. Talvez o modo como você saiu de casa tenha lhe assustado. Vamos voltar e você poderá pensar melhor e perceber que estou certo. – Hiashi estendeu a mão e senti meu estômago se revirar.

O que eu poderia fazer se Hinata quisesse voltar com ele? Eu teria algum modo de impedi-la? Eu também era o pai e eu devia ter algum direito. Havia pensando em como proteger Hinata e o bebê dele, contudo, em nenhum momento me veio a mente de que ela poderia mudar de ideia e ir embora com pai. Seu silêncio me apavorou.

- Modo como sai de casa? – Hinata retorquiu depois de algum tempo. – Eu fui arrastada por dois homens pra fora da minha própria casa e jogada dentro de um carro – seu tom se elevou e provavelmente todos nos primeiros andares ouviriam a discussão. Hinata ficou na minha frente – Você ia me forçar a tirar o meu filho, seu neto. Nunca vou voltar com você.

O rosto Hiashi ficou vermelho e ele encurtou os passos entre nós e puxei Hinata de volta para trás de mim. O sr. Hyuuga me encarou comigo e notei seus homens se aproximarem.

- Você a ouviu – sibilei. – Fique longe da minha família.

Hiashi deu dois passos para trás e voltou a se dirigir para Hinata.

- Você pode estar feliz agora, achando que tudo o que precisa é do amor dele e que vocês vão criar essa bebê como uma linda família – ele fez uma pausa. -, mas escute o que estou te falando. Um dia você vai acordar e vai olhar o lugar onde veio parar – gesticulou para indicar o ambiente a nossa volta – e vai se arrepender. Porque você vai perceber que só amor não basta, que falta dinheiro pra sustentar uma família. Isso se ele ainda estiver com você – cuspiu as palavras como se tivesse nojo de mim. – Porque tipos como ele não são de uma mulher só; provavelmente ele vai te largar assim que os problemas surgirem. Então, eu vou falar pela última vez: entra naquele carro agora.

- Não – disse Hinata, firme.

Hashi balançou a cabeça discordando da decisão.

- Não dou seis meses pra você se arrepender e voltar para casa pedindo por minha ajuda.

Nenhum de nós respondeu ou se moveu. Hiashi percebendo isso, girou o corpo e voltou lentamente para o carro e seus homens fizeram o mesmo, saindo com seus carros e desaparecendo de nossa visão. Hinata suspirou audivelmente e encostou a cabeça nas minhas costas tentando regularizar sua respiração.

 

A tensão entre nós era palpável. Não trocamos nenhuma palavra enquanto subíamos. Hinata parou no meio da sala olhando para todos os lugares, menos para mim. Minha casa estava uma bagunça.

- Vou pegar a toalha e uma troca de roupa pra você – avisei para preencher o silêncio e a morena assentiu. – Aqui – avisei quando voltei do quarto. – Sabe onde fica o banheiro – ri, nervoso.

- Obrigada – Hinata sorriu rapidamente e sumiu dentro do banheiro.

Voltei para o quarto recolhendo a roupa jogada pelo chão e depois troquei a roupa de cama. Juntei tudo e escondi na área de serviço que eu nunca utilizei. Peguei os copos e pratos da mesa da sala, jogando tudo dentro da pia. O chuveiro foi desligado.

E se ela estivesse com fome? Abri a geladeira e encontrei restos de comida que pelo cheiro já estavam lá tempo demais e um resto de suco de caixinha. Nos armários, um resto de sucrilhos e algumas bolachas murchas. Conclusão: nada comestível. Se Hinata estiver com fome peço alguma coisa, mas teria que abastecer minha cozinha.

Hinata saiu do banheiro secando os cabelos. Ela parecia tão pequena e frágil usando minhas roupas, mas continuava a ser linda. Passei semanas querendo falar com ela que agora que ela estava ali, tão perto, esqueci tudo o que havia planejado.

Ela me olhou e seu rosto corou e percebi que ela queria falar algo. Arqueei a sobrancelha esperando que Hinata falasse.

- Naruto – começou. – Realmente preciso falar com a Sakura.

- Ah – soltei quando entendi o que ela queria. Saí de trás do balcão da cozinha, tirando o celular do bolso e lhe entregando.

- Obrigada.

- Deixa que eu cuido disso – peguei a toalha da sua mão com outro agradecimento.

Saí para lavanderia deixando Hinata ligar para amiga.

 

Hinata

Foi quase uma hora no telefone explicando tudo o que havia acontecido para a Sakura. Ela já sabia de uma parte, pois Hanabi havia falando com a rosada e contado como fui tirada de casa e que iriam me forçar a fazer um aborto. Além disso, descobri que meu pai havia mandado homens me seguirem depois que teve conhecimento sobre o Naruto e, assim, por meio deles ficou sabendo das minhas idas ao hospital e teve a confirmação da gravidez por meio da minha irmã, que apanhou por isso.

Finalmente a cena que encontrei quando cheguei ao escritório fez sentindo e senti mais raiva do meu pai pelo modo tratou minha irmã. Me despedi da Sakura com a desculpa de que precisava dormir; ela aceitou. Liguei para Hanabi, entretanto, quem atendeu foi umas empregas da casa que me avisou que minha irmã estava proibida de ter qualquer contato comigo. Encerrei a ligação chorando, extremamente horrorizada com o nível que meu pai desceu. Chorei, lágrimas pesadas que queimavam minha pele, até perder a consciência.

Pelo menos, por algumas horas, eu esqueceria esse dia. 


Notas Finais


- até a próxima.


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