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História .quando um tigre e uma raposa se encontram - Capítulo 2


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Notas do Autor


(os títulos são versos da música 'official' da charli xcx, que me inspirou bastante quando eu tava bolando essa história)

Capítulo 2 - As coisas que a fazem rir


 

Às vezes, Ilsoon explica a matéria da semana para os amigos que não entenderam muito bem. Hyunsik gosta de ficar por perto quando tem a oportunidade, assistí-la gesticulando, formulando pensamentos, cerrando os olhos para poder enxergar melhor suas próprias anotações desleixadas; talvez mais apaixonada pelo assunto que qualquer professor daquela faculdade. Ele sorri, com cara de bobo toda vez. E é um sorriso que dura mais que ele gostaria. Então, quando a “aula” termina e os amigos dispersam, ela o observa de longe, e caminha em sua direção.

— O que foi? — Ela pergunta, braços cruzados sobre o peito.

— Como assim?

— Que cara é essa? Parece que você tá tirando onda comigo.

É o sorriso bobo que Hyunsik não sabia que mantinha.

— Eu só gosto de ouvir você falar. Você fala com tanta paixão que me faz querer ir pro jornalismo.

— Você seria devorado vivo. Te falta ódio. — Ela brinca, tocando a testa de Hyunsik que sorri mais abertamente. Em seu olhar, passa um pensamento que Hyunsik não sabe desvendar ainda. Não é necessariamente ruim. Há uma doçura ali que Hyunsik aprendeu a reconhecer, mas em que ele ainda não é fluente o suficiente para compreender o que Ilsoon pensa para transmití-la. O que quer que seja, faz seu coração se exaltar no peito.

 

 

 

Não é incomum ver Hyunsik atravessar a porta do café onde Ilsoon trabalha durante o fim das tardes de quinta e terça-feira. Antes, ele sempre aparecia com Changsub, sob a justificativa de estar somente acompanhando-o, e talvez no começo, fosse só por isso mesmo.

 Mas um dia ele apareceu numa quarta, sozinho, porque queria qualquer bebida do cardápio e pelo menos 5 minutos jogando conversa fora com Ilsoon depois de um dia cansativo entre a faculdade e seu expediente na loja de instrumentos há duas quadras. Naquele dia, ela pediu que Hyunsik a acompanhasse no caminho até seu apartamento, porque o inverno ainda estava dando seus últimos suspiros gelados, o vento frio ainda parecia penetrar-lhe os ossos, e ela poderia se aquecer se andasse agarrada ao seu braço. “Você é quentinho!”, ela exclamou, e não precisava de muito debate pra que Hyunsik concordasse, mesmo que seu dormitório fosse no caminho contrário.

Agora a primavera faz o nariz de Ilsoon coçar com alergias, e o costume de ser acompanhada por Hyunsik pelo menos uma vez por semana permanece.

Ele espera encostado no balcão enquanto Ilsoon entrega um pedido numa mesa, e o cliente tenta puxar assunto sem perceber sua inconveniência.

—Olha isso: todos esses caras pedindo um monte de bebidas complicadas só pra ficarem de olho você. — Ele fala quando ela se aproxima, e recebe um soquinho pouco vigoroso no braço, assim como um riso nasal.

— Pelo menos eles pedem as bebidas caras. Já você ficou confortável em vir só pra me encher o saco e não compra nem uma balinha. 

Eles riem um pro outro, e Hyunsik sempre se surpreende com o quão confortável é estar na companhia de Ilsoon, apesar disso já ser território comum depois de tanto tempo. Mas quando ele pensa em todas as vezes em que pediu por uma chance, um encontro, todas as vezes em que seu olhar se demorou demais sobre o dela, sobre o sorriso se agarrou ao seu rosto só porque ele sentiu o cheiro do perfume cítrico de Ilsoon em sua jaqueta… Isso deveria ser o suficiente para arruinar tudo, mas ainda assim as coisas não são constrangedoras entre os dois, como ele tinha certeza que seriam. Ilsoon sempre ri irreverente e faz piada com o fato de Hyunsik estar interessado (ele ainda não teve a coragem de usar a palavra “paixão” na frente de Ilsoon nem de ninguém), então ele acha que, independente do resultado, tudo vai ficar bem entre os dois.

Um grupo de clientes passa, alguns rapazes da faculdade, e eles cumpriementam Ilsoon entusiasmadamente quando passam pelos dois. Para Hyunsik, eles reservam um acenar de cabeça cauteloso, como se estivessem ou intimidados pela sua presença ou tentando intimidá-lo (sendo mais provável a primeira opção). 

— Esses caras são lobos. — Ele murmura quando o último integrante grupo sai da loja.

— E você não é?

Hyunsik balança a cabeça.

— Se fosse pra eu ser um animal, eu seria um tigre. — Ilsoon arqueia a sobrancelha, indicando que ele prossiga. — Um lobo tem que esconder suas intenções e fingir que é algo que não é pra capturar a sua presa. O tigre é honesto em seu objetivo.

— Então eu sou uma presa pra você?

Hyunsik não consegue articular uma resposta, apenas olha pra Ilsoon com os olhos ligeiramente arregalados e a boca entreaberta, enquanto ela sorri triunfante.

— Te peguei no pulo. Ah, Hyunsik, você não tem ideia de quantos caras falam “Eu sou diferente!” porque acham que isso vai me ganhar. — Ela fala baixinho olhando nos olhos dele. Então suspira, e estala a língua no céu da boca, como geralmente faz quando desapontada, mas há um ar de bom humor em sua fala. — Vocês me perdem desse jeito, seria muito mais fácil só pedir.

Antes que Hyunsik tente argumentar, dizer que “Não foi isso que eu quis dizer!”, ela olha as horas e ajeita a postura.

— Acabou o expediente. Só vou trocar de roupa e já volto.

Ele fica ali, marinando em seus próprios pensamentos e reflexões até que Ilsoon retorne sem o avental e a boina cor vinho, nem a camisa polo rosa — apenas uma camiseta azul-claro com algum escrito genérico em inglês, as calças jeans que ela já usava e uma jaqueta preta de couro.

— Vamos.

Enquanto eles se encaminham pra rua, Hyunsik ainda está pensando sobre o que ele disse e sobre o que Ilsoon respondeu. Antes de ele abrir a boca para falar, seu rosto parece intransponível como uma pedra, da forma que Ilsoon está familiarizada mas nunca vai se acostumar de fato.

— Você tem razão. — Ele interrompe o silêncio familiar enquanto eles descem uma ladeira, deixando Ilsoon confusa com suas palavras tão vagas. — É errado que eu te veja como uma presa. É como se eu estivesse reforçando uma visão de que tudo aquilo que é feminino é fraco e não-autônomo, portanto as mulheres, que na nossa sociedade são as maiores performadoras de feminilidade, são vítimas de tudo que ocorre e não partes iguais da equação, e—

— Cara, eu assisto às mesmas aulas de Antropologia do Gênero que você, relaxa! — Eles riem, e Hyunsik suspira parcialmente aliviado e bastante constrangido. — É só que quanto mais você tenta me convencer de como é diferente dos outros caras, mais você acaba soando como eles. E se você fosse como eles, não ia estar me acompanhando até em casa. Só seja você mesmo, ok?

— Isso significa que você vai me dar uma chance se eu for eu mesmo?

— Isso significa que eu vou considerar te dar uma chance. Mas você não deveria levantar essa expectativa tão cedo.

Hyunsik dá de ombros, quase blasé, mas ainda existe um sorriso insistente tentando tomar conta dos lábios apertados.

— Acho justo.

 

 

 

Ilsoon dá a primeira tacada e já consegue encaçapar duas bolas, ambas listradas. Então é a vez dela novamente, e novamente, e novamente.

— Você é boa demais nisso pra ter sido uma adolescente comportada. — Hyunsik comenta enquanto mira, e acerta.

— Posso dizer o mesmo de você. — Ela responde, esperando sua vez. — Não vai me contar sua história de delinquência juvenil?

— Mais de “idiotice” que de “delinquência”, eu diria. É que eu sempre fui um cara popular, o cara maneiro. Aí o tempo passou, isso foi subindo à minha cabeça e quando menos percebi, estava cercado de caras babacas. Acabei me tornando um cara babaca também. Mas me livrei deles rápido, assim que percebi isso. — Ele acerta uma bola, mas ela não entra. — Merda.

— Que tipo de cara você é hoje? — Ilsoon pergunta, procurando um bom ângulo.

— Só um cara.

Ela levanta o olhar para ele, um olhar acompanhado de seu sorriso comum, antes de acertar a bola branca. Ela faz um zigue-zague na mesa até acertar uma bola num ângulo aparentemente impossível. Bola dentro.

— Acho você um cara maneiro. Mas não deixe isso subir à sua cabeça.

— Não deixarei. — Hyunsik promete, o dedinho mindinho levantado quando ela passa, e é somente instintivo que ela entrelace seu próprio no dele. — E você? Como ficou tão boa nisso?

Ela demora alguns instantes pra responder, se debruçando sobre a mesa na medida do possível para acertar essa tacada. Ela erra.

— Eu transei com todo o time de futebol da escola e as meninas mais velhas e problemáticas me acharam maneira por isso.

— Wow! Eu tô há muitos níveis abaixo de você. — Hyunsik brinca circundando a mesa de sinuca, e Ilsoon ri.

— Na verdade, o que aconteceu é que eu fiquei com dois garotos do time em momentos completamente diferentes, mas os outros me procuravam achando que eu ia ser fácil. Aí quando foram dispensados, começaram a circular esses rumores de que eu era uma vagabunda e fiquei com todos eles. Talvez eu tenha até participado de um gangbang; só não fui informada.

— E o que você fez? — Ele pergunta, depois de errar.

— Eu soube que tentar desmentir ia ser impossível. Quem ia tomar partido de uma menina contra onze caras? Então endossei os rumores, mas do meu jeitinho. “Sim, eu tentei transar com o Yuhan, mas não consegui achar o pinto dele”, “Pensei que tinha um tofu no pinto do Mijung, mas era só esperma que ele nunca limpou”, “O Daejung só consegue se excitar assistindo Two Girls One Cup”. Foi rápido até que o foco saísse de mim e passasse pros meninos.

— Você é genial. Malvada e genial. Mas não ficou com medo deles revidarem? Caras com ego ferido geralmente perdem a razão e fazem coisas horríveis.

— Sim, mas— VENCI! Na sua cara, Im Hyunsik! — Ela comemorou mais alto que o necessário, mas isso não incomodou Hyunsik, que apenas riu, orgulhoso. — E sim, eu fiquei com medo, mas as meninas mais velhas já tinham me adotado pra gangue delas. E elas eram barra pesada, andavam com canivetes e tudo. “Ilsoonie, a gente vai cortar qualquer filho da puta que olhar atravessado pra você”. Elas nunca precisaram fazer isso, mas eu não duvido que fariam. Mas elas me ensinaram como fumar, como esconder um canivete e sacar ele, e como jogar isso aqui — Ela se refere à mesa de sinuca, limpa de bolas listradas. — E agora você me deve um doce.

 

 

 

Às vezes, Hyunsik passa na cafeteria só pra que ele e Ilsoon possam fumar juntos durante os dez minutos de pausa que ela tem quando o movimento está baixo. Ele imagina como teria sido se tivessem se conhecido na adolescência, dois jovens rebeldes, beirando os limites da delinquência, reclamando dos pais, da escola, de tudo. Também fumariam juntos, ele presume, mas com uma euforia maior por ser proibido. Talvez as coisas tivessem sido mais fáceis se tivessem se conhecido nessa época.

Às vezes, ele passa na frente da sala de aula dela, acena para que ela veja a mensagem que ele lhe enviou, apesar de sempre ser só a foto de um guaxinim em situações bizarras. Ele adora capturar os sorrisos que ela dá quando abre a imagem, principalmente aqueles que escapam dos lábios e resistem às tentativas de contenção.

Às vezes, quando eles andam lado a lado, ela pressiona os braços juntos, cambaleia na sua direção, e quando eles chegam em seu prédio, ela olha nos olhos de Hyunsik e hesita por alguns instantes antes de se despedir. Mas a expectativa de um pedido nunca é concretizada.

Nessa noite, Ilsoon convidou Hyunsik para entrar; embora não tenha sido um pedido muito solene. 

A primavera se aproxima do seu fim, e uma chuva bem forte estava prevista nos portais de notícia, eles sabiam disso, mas não sabiam que ela chegaria justamente no meio da sua caminhada. Estavam perto demais para pedir um táxi ou algo assim, mas longe demais para que pudessem chegar secos até o condomínio, e nenhum dos dois teve a ideia iluminada de carregar um guarda-chuva na mochila.

Quando finalmente alcançam o destino final, gargalhando, estão completamente encharcados; o cabelo de Hyunsik grudado a sua testa, a camiseta de Ilsoon marcando o seu corpo, e ele tenta não encarar em respeito a ela, mas há um momento de fraqueza em que ele se visualiza tocando o corpo demarcado pelo pano, e se ela percebe, não se opõe.

— Se você quiser, eu tenho umas roupas secas lá em cima que podem caber em você. — Ela sugere, porque ela também estava olhando olhando para ele.

— Ah, eu duvido que elas vão caber em mim de fato, mas aceito. 

Ilsoon sorri, e Hyunsik tem vontade de arrastá-la de volta pra chuva, confessar um amor estacológico de tão intenso e beijá-la ali, porque ele é brega desse tanto. Mas isso fica só na imaginação.

O apartamento que Ilsoon divide com mais três amigas é o que pode ser definido como charmoso, apesar de Hyunsik se surpreender com a quantidade de peças aleatórias de roupas jogadas pelos cômodos, ou pelas latas de cervejas encostadas ao lado do sofá. Apenas uma das amigas está em casa, a estrangeira chamada Penny, e eles não trocam muitas palavras além de cumprimentos básicos, porque Penny ainda está aprendendo coreano e Hyunsik tem vergonha do seu inglês. Ilsoon indica o caminho do seu quarto e vai em direção ao guarda-roupas enquanto se treme de frio.

— Tem uma camiseta aqui… E um moletom caso você esteja com frio. — Ela murmura quase que pra si mesma, enquanto revira suas roupas e entrega o que acha que é apropriado para Hyunsik. — Não sei se tenho uma calça… Talvez uma bermuda… Tem uma cueca!

Ela entrega para Hyunsik o pano vermelho, e em seus olhos dá para ver a expectativa de alguma reação da parte de Hyunsik, mas ele não expressa nada além de:

— Eu acho que vai ficar meio apertado. — É sua fala baixinha, o sorriso quase que envergonhado por ela não caber. — Mas tudo bem, acho que a que eu tô usando não chegou a molhar.

— Ok. Você pode usar o banheiro pra se trocar. Vou ver com a Penny se ela tem alguma roupa do namorado aqui.

Hyunsik assente e se retira para o banheiro. Ele não pensa em muita coisa enquanto se troca, e por isso é fácil ouvir Ilsoon conversando com Penny lá fora.

— Esse não é o Hyunggu. — A mais velha constata.

— Ele é outro amigo. — É a resposta curta e grossa de Ilsoon, apesar de Hyunsik suspeitar da natureza da amizade de Ilsoon com Hyunggu. — Unnie, você tem alguma coisa ou não?

— Tem uma bermuda que eu roubei do Eunkwang, calma.

Alguns minutos depois, Ilsoon bate na porta do banheiro e entrega para Hyunsik uma bermuda de futebol azul marinho.

— Espero que sirva. — Ela deseja antes de fechar a porta; a bermuda é um pouco justa demais, mas cabe, e Hyunsik se sente aliviado em estar usando roupas secas.

Ao sair do banheiro e voltar para o quarto, encontra Ilsoon secando o cabelo em frente a um espelho, já com roupas de dormir. Ao perceber a presença de Hyunsik, ela desliga o aparelho e se vira para ele.

— Deu certo?

— Aham.

Por alguns instantes, a atmosfera fica a um passo de se tornar constrangedora.

— Você quer dormir aqui? Parece que a chuva não vai passar tão cedo, o céu tá alaranjado pra caramba.

— Não quero incomodar.

— Não é incômodo. Tem um colchonete aqui. E você pode finalmente cozinhar pra mim aquele ramen que cê se gaba tanto de fazer.

Hyunsik considera por alguns instantes antes de assentir com a cabeça.

— Aceito.

Eles sorriem um pro outro, um sorriso tão tenro que Hyunsik sente as borboletas em seu estômago entrarem em caos, quando achava que já tinha aprendido a lidar com elas. Mas então a expressão de Ilsoon se fecha, e ela fala com gravidade, enquanto aponta o secador na direção de Hyunsik como se fosse uma arma:

— Mas é só isso, ok?! Não é pra você tentar nenhuma gracinha comigo.

— Tudo bem. Não vou tentar.

Ilsoon balança a cabeça satisfeita, e fala para Hyunsik procurar Penny e pedir pra ela mostrar onde fica o varal de roupas enquanto ela termina de secar o cabelo. Hyunsik retorna ao quarto quando ela está na parte da franja, e demora alguns minutos até ela perceber Hyunsik encostado no portal, observando-a com um sorriso de canto de boca, a cabeça inclinada e um olhar fantasioso. Ela sorri franzindo o nariz, envergonhada, mas não fala nada.

— Vamos. — Ela chama assim que guarda a escova de cabelo e desliga o secador da tomada.

Os dois se encaminham para a cozinha, Ilsoon indica para Hyunsik onde estão os ingredientes que ele pode usar e depois se recolhe para um cantinho onde ela pode observá-lo e prestar ajuda de necessário. Eles conversam sobre coisas triviais enquanto Hyunsik prepara o ramen (“Cê já terminou o trabalho maluco que o professor de Teoria da Comunicação passou?”), até que Ilsoon se aproxima um pouco e pergunta cautelosa:

— Sei que é uma pergunta estranha, mas... o que você realmente acha sobre ter roupas de outros caras aqui em casa? 

Hyunsik franze a testa por alguns instantes, e depois ri sozinho.

— Eu acho que você tem que começar a ficar com caras que usam roupas maiores, porque essa camiseta ta apertando meu pescoço. 

A risada de Ilsoon é a risada de alguém que não acredita na cara de pau de Hyunsik, e ele ri porque gosta de implicar com ela.

— Vou ter que admitir que pelo menos você se esforça pra parecer que não se importa com o fato de eu ser uma piranha. 

— Em primeiro lugar, eu realmente não me importo. Em segundo lugar, você não deveria se chamar dessa forma

Ilsoon dá de ombros, despreocupada, enquanto observa o rosto de Hyunsik.

— Tudo bem. Se uma piranha é uma mulher que dorme com muitas pessoas, então eu me encaixo nessa definição. E se eu uso essa palavra de forma positiva, não machuca quando tentam me ofender com ela. É como.. — Ela pausa por alguns segundos, tentando achar uma boa comparação, e ri insatisfeita com a única em que conseguiu pensar — ...tentar xingar um gato de “gato”, algo assim. Não funciona.

Hyunsik olha para Ilsoon com uma adoração velada no olhar que divide lugar com curiosidade genuína. 

— O que foi? — Ela pergunta. 

— Nada. 

— Fala! — Ela exclama rindo de nervoso.

Ele hesita um pouco, antes de se virar para encará-la

— Por que você se importa com o que eu acho da sua vida sexual?

Ilsoon dá de ombros e sua voz é tão casual e contida que Hyunsik se pergunta se ela está escondendo algo por debaixo dessa pose inabalável.

— Curiosidade. O que você pensou que seria?

É a vez de Hyunsik de dar de ombros, apesar de não conseguir parecer tão blasé como de costume quando está diante de Ilsoon.

— Nada… Talvez eu só seja curioso igual a você.

 

 

 

Hyunsik deita para dormir no colchonete que Ilsoon preparou para ele ao lado de sua cama. Apesar de ela ter insistido em dormir no chão, Hyunsik havia sido mais rápido em deitar ali e se recusar a sair (“Você vai ter que me tirar daqui a força”). Então ela apenas sorriu e preparou a própria cama.

— Posso te perguntar uma coisa? — Ele pergunta quando as luzes já foram apagadas e Ilsoon mexe no seu celular antes de dormir de fato.

— Depende. — Ilsoon responde, baixando o celular para olhar Hyunsik, iluminado apenas pela luz do corredor que entra pelas frestas.

— Você iria num encontro comigo?

Ela hesita um pouco, se remexendo na cama.

— Não. Pelo menos, não antes de considerar muito o seu caso.

— Você me diria o porquê?

— Não. Pelo menos não ainda. Mas acho que que por enquanto… eu tô me divertindo em ver você tentar.

Ela consegue ouvir Hyunsik rir.

— Eu tenho alguma chance de conseguir?

É audível o sorriso na voz de Ilsoon quando ela responde: 

— Talvez. 


Notas Finais


o de sempre: espero que vocês estejam gostando, e qualquer feedback é bem vindo

até mais <3


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