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História .quando um tigre e uma raposa se encontram - Capítulo 9


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Notas do Autor


tá acabando!

Capítulo 9 - Primeiro encontro


 

É um dia estranho, daqueles quando o céu está nublado, uma chuva grossa cai, mas os raios do Sol poente ainda conseguem se espreitar pelas nuvens e pintam de dourado o concreto da cidade. 

Ilsoon consegue ouvir The Scientist tocando no sistema de som antes mesmo de entrar na loja de instrumentos, e é um pouco angustiante saber que Changsub não estava exagerando. Depois de muito pensamento crítico, é angustiante saber que Changsub estava certo em várias coisas.

Ela enxerga Hyunsik através das portas de vidro, sendo educado com os clientes o procuram por informações, sorrindo sem mostrar os dentes, apenas por obrigação. O coração dela pareceu bater mais forte, mais rápido. “É isso”, ela determina para si mesma antes de adentrar a loja.

— Oi. — Ela cumprimenta Hyunsik, sendo recebida com um olhar surpreso. — Você pode dar uma pausa agora?

— Sim, sim, claro. — Ele responde, sem nem perguntar para seu supervisor se de fato poderia.

Ela sabe que esse não é o melhor horário. Sabe que Minhyuk vai querer tirar satisfações, entender porque sua funcionária saiu no meio do expediente sem mais nem menos. Sabe que deveria ter avisado a Hyunsik que queria conversar bem antes. Mas, de todas as pessoas, Hyunsik deve entender que não se desperdiça um momento de epifania assim.

Ilsoon o direciona até um banquinho de concreto que há por perto, e junta coragem para começar a falar, mas é surpreendida pelo comentário espontâneo de Hyunsik.

— Você tá deixando a franja crescer.

Ela sorri, porque ninguém havia percebido senão ele.

— Sim, eu tô.

— Tá ficando bonito. — Ele também sorri, um sorriso doce que Ilsoon sabe ser genuíno. — Mas eu acho que você não veio aqui só pra que eu comentasse sobre sua franja.

— Sou narcisista, mas não a esse ponto. — Eles riem. — Eu tô aqui porque preciso te falar uma coisa. Eu pensei bastante antes de vir, pra ser honesta, mas acho que é hora.

Hyunsik assente com a cabeça, receoso, esperando o fim que parece inevitável.

— Eu pensei muito sobre o motivo de ter reagido da forma como reagi ao fato de você não ter me contado da situação com sua ex. E, enquanto é justo que eu me sinta machucada porque você omitiu uma informação tão importante assim de mim, eu também entendo que minha reação foi desproporcional porque eu tava tentando compensar o fato de ter omitido meu próprio passado pra você também.

Hyunsik se remexe ao lado de Ilsoon, e agora ela não tem coragem de encará-lo.

— No meu primeiro semestre da faculdade, eu fui parte de uma relação de traição. Eu era a “amante”, e sabia disso. Mas eu acreditava que um dia ela ia me assumir, sabe? Eu realmente gostava dela e achava que a gente era pra ser, que só precisávamos do tempo certo pra isso acontecer. Esse tempo certo nunca chegou.

“Pra ser honesta, na época eu não me importava com o fato de ela ter uma namorada, nem com a traição. O que me machucava era o fato de não ser eu quem ela assumia. Hoje eu vejo como isso foi egoísta e sujo. Se na época eu não soubesse, se eu me sentisse mal pelo que tava fazendo, talvez a Ilsoon do passado tivesse alguma redenção. Mas ela não tem.

“E talvez esse seja o motivo de eu ter surtado com você, sabe? Porque eu nunca me perdoei pelo que eu fiz, então como eu poderia te perdoar? Mas depois de refletir muito, eu vejo que nós somos pessoas diferentes das que fizeram isso. E eu não deveria te castigar por um pecado que eu também cometi, especialmente quando nós dois já sofremos as consequências dele.”

Ilsoon hesita antes de fazer isso por medo de rejeição, mas sentiu tanta falta de Hyunsik que decide correr o risco; ela toma a mão de Hyunsik na sua, percebe que ela tem mais calos que da última vez que se tocaram, mas ele está quente como sempre. 

— Eu não sei muito bem como eu deveria estar me sentindo agora. — Hyunsik finalmente se pronuncia, retribuindo o toque, trazendo uma brisa de paz ao coração de Ilsoon.

— Você pode dizer se estiver bravo comigo.

— Não, não é isso. Eu tô… aliviado. Quer dizer, a situação toda é horrível, mas pelo menos você sabe como eu me sinto. Eu não queria te contar, não porque fiquei com medo de você ficar chateada, ou de me julgar. Eu consigo lidar com isso. Eu fiquei com medo de você sentir por mim o que eu senti por mim mesmo. Saber que você passou pelo mesmo processo… eu sei que é muito fodido dizer isso mas, sei lá, me conforta. 

— Às vezes, a gente encontra conforto em lugares esquisitos.

Hyunsik concorda.

— E perdão? Você conseguiu se perdoar, Soonie?

— Não é uma coisa que acontece do dia pra noite, né. Às vezes eu me pergunto se até mereço me perdoar, parece muito egocêntrico. Mas a vida tem que seguir em frente, e pra isso a gente não pode temer o passado, nem ter ressentimento contra as pessoas que costumávamos ser. Caso contrário, a gente fica preso a isso. Então não, eu não consegui me perdoar completamente, mas é um processo. Tudo na vida é.

Ela percebe o olhar compenetrado de Hyunsik, seu meio sorriso satisfeito.

— O que foi?

— Senti falta de escutar você falando.

Ilsoon encosta sua cabeça contra o ombro de Hyunsik, e seu peito se aquece quando ela recebe um beijo tenro na testa.

— Eu quero seguir em frente. — Hyunsik constata, sua voz alta o suficiente para que apenas Ilsoon ouça e mais ninguém. — Com você, se possível.

Ela levanta a cabeça, e toma o rosto de Hyunsik com uma das mãos, olhando no fundo dos seus olhos. Ilsoon nunca conseguiria colocar em palavras o quanto sentiu falta de ter Hyunsik tão pertinho assim. E ela não precisa dizer nenhuma palavra antes beijá-lo, não motivado por desejo, mas por afeto.

— Eu senti sua falta. — Ilsoon finalmente consegue confessar quando eles se abraçam apertado. —  Mas vamos fazer tudo certo dessa vez. Sem inseguranças, sem desonestidade. — É seu pedido sincero; Hyunsik assente sorrindo.

 

 

 

Seul ainda se recupera de um dia de chuvas fortes de fim de verão quando Ilsoon se recupera de sua própria manancial. Hyunsik sabe que é o suficiente de ação quando ela fecha as pernas e deita de lado, os olhos fechados, a respiração pesada. Ele se deita atrás dela, beija seu ombro, seu pescoço, e sussura em seu ouvido:

— Tô com fome.

Então Ilsoon desperta num riso, e promete que vão descer para comer assim que tomarem um bom banho.

Não há nenhum resquício da luz do Sol quando eles descem para a rua, exceto pela luz refletida pela Lua crescente no céu. Hyunsik e Ilsoon caminham de mãos dadas, e não têm muita pressa para chegar na barraquinha de comida tradicional da Tia Goh. Eles entram, gritam seus pedidos e esperam conversando até a comida ficar pronta.

— Im Hyunsik, não dá resto de comida pra eles. Vai fazer mal. — Ilsoon reclama ao ver Hyunsik deixando alguns ossinhos do frango no chão para os gatos que andam pelo local.

— Só dessa vez não faz mal não.

— Mas você provavelmente não deve ser o único a dar comida pra eles.

— Deixa os bichinho’. — Hyunsik resmunga com um bico, e Ilsoon não tem coragem de continuar com sua repreensão. 

Na metade da refeição, Ilsoon para tudo o que está fazendo e se põe a pensar profundamente. Hyunsik percebe.

— O que foi?

— Nós nunca fomos num encontro.

— Você nunca deixou que eu te levasse num encontro. — Hyunsik lhe refresca a memória, um acento de malícia em seu olhar.

— Você consideraria esse nosso primeiro, então? — Ilsoon pergunta, e se surpreende quando Hyunsik balança a cabeça negativamente.

— Não, a gente só tá comendo.

— E qual é a diferença?

Ela precisa esperar alguns segundos até que Hyunsik termine de engolir sua comida e dê uma resposta.

— Pra ser um encontro é necessário algum nível de planejamento. E consentimento; que é o que separa um encontro de um sequestro.

— Obviamente.

Eles trocam um riso. Ilsoon se vê obrigada a admitir para si mesma que não há nada no mundo que ela trocaria por estar com Hyunsik, o que é um tanto exagerado em sua opinião, mas é o que ela sente.

— Oppa, você tem alguma coisa pra fazer agora de noite? — Ela pergunta quando eles terminam a refeição e andam de volta para o prédio de Ilsoon com ainda menos pressa que quando estavam indo.

— Vamos no centro então.

— Fazer o quê?

— Andar, ver as lojas, sei lá. Eu realmente não sei muito sobre o que se faz em encontros.

— Soonie. — Hyunsik chama, sua voz grave, apesar de seus esforços em suprimir um sorriso. — Você pulou a parte do consentimento, então isso virou um sequestro, oficialmente.

— Você é ridículo, Im Hyunsik. — Ilsoon riu, empurrando o namorado, que se desfazia em em gargalhadas. Então ela para de caminhar, e puxa Hyunsik. Em sua melhor tentativa de parecer solene, Ilsoon pergunta: — Você aceita ir num encontro comigo?

Hyunsik hesita, não porque não quer, mas porque sente vontade de implicar com Ilsoon, pelo menos mais um pouquinho. No entanto, a luz da Lua se reflete nos olhos, seus cabelos meio ondulados estão presos atrás de suas orelhas e ela sustenta no rosto o sorriso mais lindo que Hyunsik já viu.

— Eu vou num encontro com você, Jung Ilsoon.



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