História Quão longe você pode matar? - Capítulo 1


Escrita por:

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Categorias Girls' Generation
Personagens Taeyeon, Tiffany
Tags Navi, Taeny
Visualizações 172
Palavras 3.659
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Yuri (Lésbica)
Avisos: Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Se você é sensível a morte, não leia. Eu nem sei porque decidi escrever esse mangá mas eu gosto de coisa estranha e temas assim, então aqui está hehe.

Capítulo 1 - Único


— Phany-ah.

— Hm…?

— Quão longe você pode matar?

Tiffany parou de fazer seu castelo de areia imediatamente. Tiffany tinha dez anos, sua vizinha Taeyeon, tinha onze e apesar de serem totalmente diferentes uma da outra, elas gostavam de brincar na areia do parque na quadra da casa delas. Taeyeon sempre levava seus carrinhos e ia de bermuda e camiseta azul, Tiffany sempre ia vestindo rosa, mas não usava vestidos para não sujar. Apesar de Taeyeon preferir Skate, bonecos e carrinhos e Tiffany gostar de bonecas, e brincar de tomar chá, a brincadeira favorita das duas era construir castelos de areia, para Tiffany ser a princesa dele e Taeyeon o Godzilla que o destruiria. Era o acordo que fizeram.

Taeyeon era estranha, sempre foi, quando um inseto aparecia e Tiffany ficava com medo, Taeyeon o matava, mas ela não jogava o bicho morto fora, ela colocava dentro de um caixa. Uma vez Taeyeon matou um rato para Tiffany e fez a mesma coisa, mas Tiffany conseguiu convence-la de jogar fora. Taeyeon também tinha um temperamento difícil, não se importava com outras pessoas e quando elas praticavam bullying, Taeyeon revidava de uma maneira três vezes pior, por isso não tinha amigo algum além de sua vizinha Tiffany. As pessoas tinham medo de Taeyeon, mas Tiffany não tinha, porque Taeyeon, apesar de louquinha, nunca... — com meses de amizade e mais de cinquenta castelos de areia feitos — tinha feito perguntas assim.

Tiffany olhou para Taeyeon que estava de frente para ela segurando uma pequena pá de plástico amarela. Taeyeon tinha o olhar sereno como sempre, mas um pequeno sorriso nos lábios, não parecia ser brincadeira.

— Como assim Taetae?

A garota se remexeu, chegando mais perto de Tiffany, se abaixou na frente da garota com um balde de areia na mão e com a pá começou a desenhar no chão.

— Coisas como formigas, aranhas e outros insetos, nós esmagamos sem nem pensar, certo? — a garotinha parou de desenhar e olhou para Tiffany sorrindo. Tiffany concordou, tinha medo de insetos, mas não pensava muito quando a questão era matá-los. Ela não os matava na verdade, era sempre outra pessoa — Se fosse um peixe, ficaríamos um pouco mais relutantes em matar, porque começaríamos a sentir a pressão de tirar uma vida.

— Sim — Tiffany respondeu sem saber muito onde Taeyeon queria chegar com aquele assunto estranho.

— Isso piora se o peixe for trocado por um anfíbio — desenhou um sapo — e ainda mais se o anfíbio se tornar um réptil — desenhou uns rabiscos que Tiffany entendeu como uma cobra — A pressão piora se o réptil se tornar um pássaro e ainda mais se o pássaro se tornar um mamífero. Quanto mais a cadeia se estender, criaturas maiores vão aparecendo e mais vamos odiar matá-los. — Taeyeon desenhou mais alguns animais — Eventualmente, vamos bater em um obstáculo muito alto para ser superado e não seremos capazes de matar nada além desse ponto — Desenhou um ser humano, com seus traços infantis na areia, voltando a olhar para Tiffany de frente com o olhar sereno e um sorriso divertido. O jeito que Taeyeon falava deixava Tiffany confusa por não entender algumas palavras. — Eu acho que o obstáculo maior seria… outras pessoas.

Tiffany sentiu seu coração acelerar e seu pescoço suar de nervoso com o olhar sombrio que tomou conta do rosto de Taeyeon quando ela olhou para o desenho. Taeyeon era estranha, muito estranha, várias vezes os outros amiguinhos de Tiffany se recusaram a brincar com ela por ela andar com Taeyeon, mas até aquele momento, sua vizinha não tinha sido estranha daquele jeito.

— Ahn… M-mas e você Taetae? — perguntou para se esquivar do questionamento — Quão longe você pode matar?

Taeyeon voltou a olhar para Tiffany com um sorriso radiante no rosto, como das vezes que ganhava pirulito dos pais de Tiffany. Ou nas vezes que destruía o castelo de areia rugindo.

— Eu? — Tiffany assentiu — Eu… Eu poderia matar um cachorro.

 

Teria sido mais fácil aceitar como piada pela estranheza de Taeyeon se ela tivesse dito que poderia matar um macaco. Talvez Tiffany pudesse apenas ter rido disso, não ter levado a sério, mas Tiffany não conseguiu. Não foi por conta dessa conversa em específico, mas Taeyeon e ela se afastaram depois disso. Tiffany foi para os Estados Unidos e nunca mais teve contato com a sua vizinha esquisita e agora, anos depois, não fazia idéia do porque diabos estava lembrando disso.

— Estou saindo — Tiffany gritou para os moradores da casa em que estava de favor. Ajeitou sua pasta tiracolo que estava com todas as cópias de seu currículo dentro, colocou os fones cor-de-rosa no ouvido e saiu da casa.

Jeonju estava tranquila como sempre, carros passavam de um lado para o outro, pessoas andavam tranquilas sem se preocupar com os arredores. O tempo não estava frio, muito menos quente e a poluição do ar que continham partículas perigosas era quase inexistente, de forma que muita pouca gente usava máscara naquele dia. Parecia um dia perfeito e Tiffany tentou manter o otimismo que iria dar tudo certo, bateu o pé no chão para ajeitar seu calçado e deu umas batidas na blusa. Já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha saído para arrumar emprego aquele ano e voltou de mãos vazias. Se sentia triste por isso, mas não só por isso.

A lembrança de sua vizinha esquisita veio junto de uma onda de melancolia.

Quanto tempo tinha passado desde aquele dia? Dezessete anos? Tiffany mal podia se lembrar, fazia tanto tempo. Tanta coisa tinha acontecido desde então que ela não sabia porque, tão de repente tinha se lembrado de sua vizinha estranha e das perguntas esquisitas que ela fazia, aliás:

Por que Taeyeon lhe perguntava essas coisas?

Era tão estranho, Taeyeon era tão esquisita e perturbadora, mas também era doce, taeyeon sempre parecia empolgada em mostrar algo antigamente, uma pena que fazia tanto tempo e que ela tinha feito aquela pergunta esquisita.

Talvez Tiffany devesse parar em algum bar e beber para tirar essa sensação de melancoli-

— Phany-ah? — Tiffany levou um susto quando ouviu a dita cujo lhe chamar. — Nossa, a quanto tempo não?

Tiffany paralisou, olhando para frente, onde sua antiga vizinha estava de pé. Taeyeon se encontrava muito diferente, parecia outra pessoa, mas Tiffany sabia que era ela pelo olhar sereno e o sorriso no rosto, eles continuavam iguais. O rosto que antes era mais cheio estava em perfeita v-line, com o maxilar, e que maxilar, delineado perfeitamente, os olhos com certeza tinham passado por cirurgia, mas tinha ficado tão natural que Tiffany poderia facilmente dizer que Taeyeon nasceu daquele jeito. Taeyeon emagreceu muito, mas nada tão exagerado; quando costumavam brincar, Taeyeon era bem gordinha, agora ela estava ali, linda — não que não fosse antes — com o rosto maduro, a expressão quase séria com um leve ar de surpresa. Os cabelos continuava no mesmo tom castanho escuro e o vestido de manga preto e azul lhe encobria perfeitamente, deixando explícito as curvas de Taeyeon. Sua antiga vizinha carregava uma caixa grande e uma pá com bastante dificuldade, na mão esquerda ela tinha uma luva verde.

— Ahn, o-oi Tae… Taeyeon… sshi — Tiffany se praguejou por ter falado informalmente, fazia tanto tempo que ela não sabia se ainda tinham intimidade para tal.

A sua antiga vizinha soltou uma gargalhada perfeita, não tão escandalosa, nem tão baixa, parecia perfeita e ao mesmo tempo muito natural. Tiffany se lembrava que Taeyeon ria escandalosamente, será que ela tinha mudado assim?

— Pode me chamar de Taetae, Phany-ah — Taeyeon se aproximou com a caixa de papelão na mão — Nossa, seu timing é perfeito será que você…? — apontou para a caixa com a cabeça se mexendo desconfortavelmente.

— Ah, claro — Tiffany pegou a caixa das mãos de Taeyeon e suspirou ao perceber que estava pesada.

Taeyeon deve ter sofrido para carregar isso sozinha.

— Tá ocupada? — a ex-vizinha perguntou sorrindo de um jeito torto que mostrou a covinha no canto do queixo. Tiffany não se lembrava dela, mas vendo-a ali percebeu que dava a Taeyeon um charme a mais.

— Na verdade, não.

Taeyeon sorriu mais abertamente.

— Ótimo, me ajuda?

Tiffany olhou para a pasta onde estava seu currículo e depois para Taeyeon, sabia que deveria arrumar um emprego, mas sabia mais ainda que ninguém daria um emprego para ela, nem o ensino médio ela tinha direito, seu coreano estava bem arranhado pelo tempo que passou nos Estados Unidos e ela não levava jeito para nada. Um dia sem procurar não faria diferença, faria? Ela poderia retomar amanhã a busca.

— Sim, claro — Taeyeon colocou a pá sobre o ombro e começou a andar pela rua. Tiffany ajeitou a caixa nas mãos com dificuldade pelo peso — Isso tá um chumbo o que tem aqui dentro?

Taeyeon parou e olhou para Tiffany por cima do ombro.

— Um cachorro morto.

Puta merda.

Tiffany quase deixou a caixa cair no chão ao mesmo tempo que seu cérebro se lembrava daquele dia no parque, há dezessete anos atrás. Eu poderia matar um cachorro. Não era possível, era? Taeyeon teria matado um cachorro? Tiffany sabia que Taeyeon era esquisita e fazia tanto tempo que não conhecia mais Taeyeon e mesmo que continuasse a mesma de dezessete anos, Tiffany concluiu que sim, Taeyeon poderia ter matado o cachorro que ela estava carregando agora. Tiffany ficou branca e seus pés quase não obedeceram quando Taeyeon voltou a andar pelas ruas vazias de Jeonju.

— Meu cachorro de estimação morreu ontem, o Ginger — Taeyeon não olhou para Tiffany, mas diminuiu o passo para que ela conseguisse acompanhar e escutar — Você sabe… Eu sou estranha e você era minha única amiga? Bem, meus pais estavam preocupados e compraram um cachorro para mim dezessete anos atrás, para ser meu amigo — Tiffany tentou olhar para o rosto de Taeyeon, mas ela tinha a cabeça baixa e não conseguiu ver muito pelo cabelo cobrir seu rosto — Desde então nós éramos inseparáveis em casa… Mas noite passada ele morreu dormindo.

— Nossa, eu não fazia idéia de que você tem um cachorro.

Isso significava que Taeyeon tinha dito a Tiffany que poderia matar um cachorro mesmo que tivesse um de estimação… Isso não era só um pouco estranho, isso é totalmente estranho e perturbador. Levemente psicótico.

— Não tenho, ele morreu.

Tiffany engoliu em seco com o tom de voz seco que Taeyeon usou.

— De qualquer forma... — Tiffany começou e Taeyeon olhou para ela com a expressão impassível — D-dezessete anos é muito para um cachorro, não é? — sorriu de nervoso.

— Eu realmente estava pensando em matá-lo. — Tiffany se engasgou com a saliva e uma expressão incrédula tomou conta de seu rosto. Taeyeon não se importou, ou se se importou não demonstrou, e voltou a olhar para o chão — Ginger estava tão velho que suas pernas não podiam mais andar — suspirou — Ele perdeu todos os dentes, então só se alimentava de comida líquida e toda vez que ele bebia água parecia doer. — a voz de Taeyeon embargou um pouco — Ele não conseguia mais ver, então ele não me reconhecia mais…

Tiffany se sentiu mal por pensar que Taeyeon teria matado o próprio cachorro quando ela falava dele com bastante amor e carinho.

— Eu ficava repetindo a mim mesma que deveria sacrificá-lo para acabar com a sua dor, sabe? Talvez eu não o amava o suficiente? — olhou para Tiffany como se esperasse uma resposta que a garota não soube dar — Eu entendo a razão para mata-lo, mas eu não queria fazer isso, eu não conseguia.

Tiffany soltou um suspiro desejando colocar ginger no chão e abraçar Taeyeon para consola-la. Sua ex-vizinha parecia muito abalada pela morte do cachorro e não parecia ter chorado por isso, mas Tiffany se lembrava que quando a mulher se machucava antigamente ela também não chorava. Talvez Taeyeon fosse do tipo que guarda a dor para si? Aquilo fazia sentido. Taeyeon nunca tinha chorado para Tiffany, nem quando um cachorro a mordeu e ela teve que tomar injeção.

O silêncio predominou depois disso.

Continuaram andando até Tiffany reconhecer a antiga praça que brincavam juntas, se sua lembrança daquele lugar não fosse boa para reconhecer as mesas de cimento que os idosos jogavam damas, ela não teria dito que era o mesmo lugar, estava tudo diferente e não existia mais a grande caixa de areia, ao invés disso era um chafariz ali. Tiffany olhou para as costas de Taeyeon, que andava com a pá sobre os ombros guiando caminho. Será que ela lembrava que costumavam brincar no lugar onde tinha aquele chafariz? Taeyeon não pareceu se importar com nada enquanto passava pelo lugar, sua expressão corporal não mudou em nada.

Talvez ela não associasse.

Entraram em um pequeno bosque até parar perto de uma árvore que tinha alguns brinquedos velhos para cachorro. Taeyeon se abaixou para pegar uma bolinha de plástico e a apertou, antes de deixar no chão de novo.

— Pode deixar ele aí — Taeyeon soltou em um tom baixo — Aqui é onde Ginger e eu brincávamos muito quando ele conseguia se mover. Não lembrava que tinha deixado essas coisas aqui.

Tiffany olhou em volta depois de colocar a caixa com Ginger no chão. Aquilo era propriedade pública, poderia dar muita merda se elas fossem pegas ali enterrando um cachorro, aquilo era errado afinal, deveriam dar para cremação. Além de que escavar praça pública era crime, elas realmente poderiam ser presas.

— Você tem certeza? Alguém pode ficar com muita raiva se formos pegos enterrando ele.

Taeyeon suspirou, colocando a pá no chão e a empurrando com o pé, sem nem se importar com o que Tiffany disse, sem nem se importar de que poderia ser presa.

— Por mais de dez anos Ginger foi o meu único amigo. Tenho certeza que consigo superar esse pequeno obstáculo. — soltou um pouco frustrada.

“Eu acho que o obstáculo maior seria… outras pessoas.”

Tiffany balançou a cabeça para afastar aquelas lembranças. Taeyeon não era uma louca, ela era alguém que estava triste por ter que enterrar o próprio cachorro. Tiffany se lembrou de sua mãe dentro de um caixão no enterro. Enquanto ela se despedia de sua mãe, outra pessoa terminava de cavar o buraco. Não conseguiria imaginar o quão doloroso era cavar a cova de quem ama, mas não queria que Taeyeon passasse por aquilo.

— Deixa que eu faço — colocou a mão sobre a luva verde limão de Taeyeon, a que segurava a ponta da pá — Fica com o Ginger, deixa que eu faço isso.

Taeyeon parou e olhou para a ex-vizinha com a expressão indecifrável, Tiffany porém viu gratidão ali, uma coisa mínima, quase imperceptível. Tiffany começou a cavar o buraco enquanto Taeyeon abriu a caixa de papelão e ficou olhando dentro com um olhar perdido. Tiffany viu o pelo negro e enrolado de um poodle, mas não se atentou a isso e continuou cavando em silêncio, um pouco incomodada pelo clima mórbido.

— Phany-ah — Taeyeon chamou, Tiffany olhou ela nos olhos dois segundos antes de voltar a cavar — Você se lembra do que eu disse? O “quão longe você pode matar?” Você parou de brincar comigo depois daquilo. — a voz de Taeyeon saiu um pouco ressentida.

O que ela deveria responder? Aquilo tinha assustado Tiffany pra caralho e ainda assustava, pra falar a verdade Tiffany não gostaria de tocar no assunto, era estranho demais para que ela conseguisse aguentar. Ela não queria enxergar de Taeyeon era um pouco mais que estranha e aquele assunto não ajudava nisso. Ela não esperava que Taeyeon fosse voltar nele, ela não queria voltar nele.

— Não lembro, desculpa — mentiu.

— Bem, de qualquer forma eu tenho que dizer… — Tiffany viu pelo canto dos olhos Taeyeon suspirar com um sorriso  triste e envergonhado — Aquilo era só uma brincadeira. Você sabe, eu gostava muito de você na época então eu fiquei um pouco desesperada para chamar a sua atenção e acabei falando coisas estranhas.

Tiffany soltou a pá encarando Taeyeon incrédula.

— Não foi uma brincadeira engraçada. — vociferou, Taeyeon sorriu envergonhada, seu rosto ficou um pouco vermelho até e Tiffany achou fofo.

Se Tiffany soubesse que toda aquela conversa era só uma brincadeira ela não teria se afastado de Taeyeon, teria ficado morando com a avó como os pais tinham sugerido, continuaria amiga da garota mesmo ela sendo esquisita. E que droga, Taeyeon gostava dela e agora estava um puta mulherão.

Ficou tudo em silêncio de novo, Tiffany pegou a pá e voltou a cavar.

Taeyeon riu.

— É estranho — soltou baixinho a ex-vizinha de Tiffany.

— O quê?

— Eu estava aqui pensando que eu realmente não o amava o suficiente. — Taeyeon suspirou colocando a mão sobre o pelo do animal em um carinho de despedida — Em termos de amor, eu realmente amava o Ginger. Eu o amei tanto que cuidei dele, protegi ele e provavelmente fiz ele viver muito mais do que deveria… Mas mesmo que eu pudesse ajuda-lo a viver, me pergunto porque fui incapaz de ajuda-lo a morrer.

Tiffany suspirou assim que terminou o buraco.

— Isso é normal, normalmente as pessoas não saem por aí matando o que amam.

Taeyeon olhou para Tiffany e voltou a abaixar a cabeça na direção do animal, Tiffany viu a lágrima solitária que caiu do rosto de Taeyeon.

— Entendo. Normal. — Taeyeon se ajeitou para tirar o cachorro da caixa — Acho que sou um pouco mais decente do que pensei. Isso é um pouco perturbador.

Taeyeon ergueu o bicho com zelo e o colocou com cuidado na cova que Tiffany abriu. Era de se partir o coração, Taeyeon tinha a expressão sofrida no rosto e Tiffany respeitou o tempo de luto dela, vendo algumas lágrimas descerem do rosto da amiga em silêncio. Não falou nada, não fez nada, apenas ficou parada esperando por Taeyeon apoiada na pá.

Taeyeon nunca tinha chorado e agora Tiffany estava vendo ela tentar se conter pra não chorar demais. Por fim, Tiffany não conseguir não chorar também, porque aquele clima lhe lembrava o enterro de sua mãe e apostava que Taeyeon sentia uma dor levemente parecida com a que sentiu.

Quando a mulher secou o rosto com as costas da mão e olhou para ela, Tiffany secou as lágrimas e começou a fechar o buraco.

Taeyeon a observou em silêncio, se recompondo de sua própria maneira quieta e quando Tiffany terminou de colocar a terra que tinha retirado de volta, Taeyeon usou a caixa de papelão para fazer uma espécie de lápide, dobrando e rasgando para ficar quadrado. Tirou uma canetinha do bolso e escreveu simplesmente “Ginger”.

— Obrigada Phany-ah e me desculpa te fazer passar por isso.

Tiffany sorriu condolente.

— Tudo bem.

— Eu nem perguntei como você está, tem algo diferente em você, uma aura diferente.

— Obrigada pelo elogio, mas você pode falar que eu to horrível. — Tiffany entregou a pá de volta para Taeyeon que parecia prestar atenção completa em Tiffany. — Bem, muita coisa aconteceu comigo. Eu me mudei para os Estados Unidos, minha mãe morreu de câncer um tempo depois e meu pai não tinha dinheiro para pagar as contas do hospital, então eu tive que parar de estudar e trabalhar para ajudar ele. — Tiffany ajeitou o cabelo que caiu sobre o rosto. —  Não demorou muito ele se viciou em drogas, então minha avó me trouxe pra cá de volta. — riu sem humor, começando a andar de volta pelo caminho do bosque. Parando para pensar, a época que brincava com Taeyeon na caixa de areia poderia ser descrito como ponto alto da vida de Tiffany. Ela era feliz e não sabia.  — Eu estudei enquanto morava com a minha avó, mas ela morreu e eu tive que parar. Hoje eu moro de favor com os vizinhos dela e não consigo arrumar emprego por que não estudei direito.  Acho que é o que dizem do fundo do poço.

Taeyeon arfou e segurou a pá mais firme.

— Não consigo me enxergar viva por mais dez anos. Por que eu tenho que continuar vivendo se sei que só vou cair? — completou dando uma risada de humor negro e se virou para Taeyeon, ela estava um pouco distante e tremia um pouco — Taetae?

Taeyeon estava chorando, Tiffany andou apressada até ela preocupada.

— Phany-ah… — sussurrou. Tiffany soltou um ruído para que ela continuasse — Eu entendi agora… Eu pensava que matar pessoas seria o mais difícil, eu tinha feito uma suposição, mas eu estava errada — Tiffany não entendeu nada — Seres humanos não são as criaturas mais avançadas.

— Huh?

Tiffany mal viu quando Taeyeon levantou a pá e desceu com toda a força na lateral de sua cabeça, fazendo tudo ficar escuro e Tiffany sentir que seu crânio tinha sido quebrado enquanto caía no chão. Ela nem ao menos conseguiu gritar de dor, parecia que ela não estava com consciência dos atos, mas sua visão voltou um pouco para ver Taeyeon levantando a pá como se fosse um machado.

— Mesmo que eu tenha falhado com o Ginger, eu não vou falhar com você. — Taeyeon disse engolindo o choro.

Tiffany viu quando Taeyeon abaixou a pá com força para o meio de sua cabeça e antes de acertar ela riu da própria desgraça e entendeu; Taeyeon não estava brincando quando perguntou aquilo dezessete anos atrás e mais do que isso.

Os valores de vida mudam de acordo com cada um.

Quão longe você mataria não parece ser a pergunta certa, Taeyeon valorizava mais a vida de um cachorro que a de Tiffany então o certo seria…

O que você é capaz de matar?

 


Notas Finais


E aí? O que acharam?
Comentem! Favoritem! Me deem amor que eu sou carente.
Podem me xingar também pelo final, eu deixo kkkk não iria mudar ele msm

Pra quem quiser me seguir no twitter, meu user é @navidfairy

Eu nunca sei o que colocar nas notas, então eu vou colocar uma indicação de música
https://www.youtube.com/watch?v=mCHUw7ACS8o

Vejo vocês por aí, olhem minhas outras fics que não são pesadas assim \o/


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