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História Quarentena em Nova York - Capítulo 1


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Notas do Autor


Ai gente, como seria bom poder passar a quarentena com o crush né? hahahah já que eu não tenho nenhum, vai outra fic fofinha pra vcs, dessa vez com a minha musa Cate Blanchett. Espero que gostem! 🥰

Capítulo 1 - Capítulo 1


O inverno estava terminando, mas Nova York ainda estava bem fria naquela noite de início de março. Elizabeth e Phillip tomavam vinho na varanda do apartamento dela quando a campainha tocou. Ela pediu que ele fosse atender, enquanto virava os palitinhos de queijo na pequena churrasqueira.

- Boa noite, em que posso ajudar? – o rapaz bronzeado, de barba rala e olhar bondoso, perguntou à mulher loura e alta a sua frente.

- Elizabeth Lins está? O Simon me disse pra vim aqui... – ela respondeu, hesitante.

Percebendo o estado da intrusa, Phillip chamou a noiva até a porta para que atendesse a mulher de meia idade e sotaque estranho e foi ele mesmo cuidar dos queijos.

- Pois não?

- Oi, eu sou Cate Blachford, amiga do Simon. Eu acabei de chegar de viagem e vou ficar uns dias no apartamento dele, mas as chaves não estão no vasinho onde ele disse que iria deixar... eu liguei pra ele e ele disse pra eu vir até o seu apartamento.

- Ah sim, prazer Cate. Eu sou Elizabeth Lins, o Simon comentou mesmo de uma amiga australiana que passaria uns dias no apartamento dele. Vamos lá, talvez ele tenha deixado embaixo do tapete ou em algum lugar no umbral da porta.

As duas mulheres saíram, não sem que antes Cate deixasse suas malas no apartamento, e subiram o elevador. Simon Bates era um playboy de sessenta anos que adorava pegar garotões. Gay assumido, ele fazia parte da elite de NYC, e estava sempre viajando pelo mundo, tirando fotos para revistas famosas e aproveitando o melhor da vida. Apesar de popular, Simon tinha um seleto grupo de amigos, e isso meio que era um sinal verde para que as mulheres pudessem confiar uma na outra.

- Não está aqui. – Confirmou Elizabeth depois de procurar por todos os lugares possível diante da porta caríssima de Simon.

- Mas ele disse que estaria... Meu Deus Simon!

- Bom, é possível que um dos rapazes tenha vindo aqui e levado a chave.

- Rapazes, que rapazes?

- Melhor você perguntar pro Simon. Vem, vamos tomar um chá e você liga pra ele lá de casa.

Elas desceram novamente e ao chegar ao apartamento, Cate se sentou no sofá e começou a fazer inúmeras ligações, morrendo de vergonha por sentir que tinha interrompido um momento romântico entre o jovem casal.

- Ele não atende... e pra piorar os hotéis estão lotados com esses surtos dessa nova doença, não vou conseguir nenhum bom hotel sem reserva.

- Calma, você pode ficar aqui essa noite. Tenho certeza que até amanhã alguém vai aparecer com essa chave e você pode ir lá pra cima.

- Mas... eu não quero incomodar – Cate gostou da oferta, ela estava realmente muito cansada, mas ao mesmo tempo ela não queria dar trabalho àquelas pessoas desconhecidas.

- Tudo bem, eu tenho um quarto vago aqui e você pode ficar o tempo que precisar – insistiu Elizabeth, que não era nenhuma boa samaritana, mas podia imaginar o quanto a outra mulher estava cansada.

- Tudo bem, mas amanhã eu procuro um hotel.

- Sem problemas.

Liz, como gostava de ser chamada, encaminhou a loura por um corredor pequeno até chegar ao quarto. Nesse meio tempo as duas mulheres haviam se estudado e tiveram uma admiração mútua. Cate viu em Liz uma mulher jovem, bonita e decidida, imperiosa por seus gestos e ações. Enquanto para Liz, Cate era uma mulher madura, elegante e ainda muito bela, o tipo de beleza clássica que poucas mulheres conseguiam manter com a idade.

- Você já jantou? Pode se juntar a nós na varanda assim que se acomodar.

- Ah, muito obrigada. Eu comi alguma coisa no aeroporto e detestaria atrapalhar mais do que já atrapalhei.

- Imagina, o Phil passou a tarde aqui e daqui a pouco ele volta pra casa dele.

- Pensei que ele morasse aqui, vocês não são... um casal.

- Noivos, mas cada um em sua casa por enquanto. – Liz respondeu num tom bem humorado e espontâneo, tentando fazer a estranha se sentir à vontade no quarto de seu melhor amigo Alef, que ela ocuparia naquela noite.

As duas ainda conversaram algumas amenidades, como as horas de voo, os cuidados nos aeroportos pelo mundo, o clima frio em Nova York e coisas do tipo. Por fim, Liz a deixou descansar e voltou para a varanda, onde um emburrado Phillip tomava mais uma taça de vinho.

- De onde saiu essa mulher Liz?

- Amiga do Simon. Ela vai passar a noite aqui e amanhã resolve.

- Resolve o que?

- Aonde vai ficar. – Ela tinha a péssima mania de falar as coisas pela metade.

- E você confia nela?

- O Simon confia, além do mais é só por uma noite.

- Por que você não a mandou para um hotel?

- Phill, a coitada viajou mais de vinte horas, você pode dar um desconto? – Liz usou aquele tom de superioridade que ele odiava.

- Okay Elizabeth. Só saiba que tem uma pandemia no mundo. Essa é uma péssima hora para receber pessoas de fora!

- Phil não tá na sua hora?

Ele revirou os olhos e resolveu que era melhor mesmo ir embora. Os dois estavam juntos a mais de dois anos e já tinham passado da sua melhor fase de relacionamento. Agora discutiam e se alfinetavam como um velho casal, às vezes não concordavam em nada. Ainda assim, cofiavam um no outro e se conheciam bem, e era por isso que ele tinha certeza de que iria se casar com ela.

- Tudo bem, só toma cuidado com ela tá. Me leva até a porta?

Ela levou e eles trocaram um longo beijo de despedida.

- Eu te vejo amanhã? – Liz perguntou carinhosa, já esquecendo que ele a tinha contrariado minutos antes (e ela odiava ser contrariada).

- Amanhã eu trabalho até tarde, mas passo aqui na terça à noite ok?!

- Te espero então.

- Tudo bem.

********************************

Cate acordou sem saber onde estava. O despertador tocou marcando sete horas da manhã e ela sentiu o corpo pesado e a mente confusa. Aos poucos se lembrou de onde estava e do porque fora parar ali. Seis meses depois de ter se candidatado a uma vaga para dar aula de literatura na Universidade de Colúmbia, na semana anterior ela fora convocada finalmente para uma entrevista. Não houve tempo para preparar uma viagem, ela só comprou as passagens e perguntou se o convite para ficar no apartamento em Nova York, que Simon lhe fizera quando ela se divorciou, ainda estava de pé.

Então ela deixou os dois filhos adolescentes com a avó e voou de Melbourne até NYC, para descobrir que Simon era um filho da mãe irresponsável. E fora assim que ela foi parar ali, na casa daquela hospitaleira estranha, num quarto repleto de pôsteres de cantores do anos 80 e naquela cama macia, que a convidava para mais dez minutos de cochilo.

Ela já estava pronta para voltar a dormir, sua parte semiconsciente fingindo que havia uma negociação em jogo para mais dez minutos deitada, quando na verdade ela logo estaria em sono profundo e atrasada para a entrevista. Foi quando ouviu um toc toc na porta.

- Cate, bom dia. Eu já estou saindo okay? Tem café na garrafa e alguns cookies em cima da mesa. Também deixei uma chave extra pra você levar e o cartão do meu trabalho, caso você precise de alguma coisa.... Cate?

- Certo... obrigada – ela se forçou a responder.

Liz saiu para mais um dia de trabalho numa cidade fria e estranhamente calma para uma manhã de segunda-feira. Enquanto Cate se arrastou até o banheiro, sentindo outro tipo de frio – aquele que dá na barriga quando algo desagradável está para acontecer.

O dia correu normalmente na galeria de arte onde Liz trabalhava como gerente. Poucos clientes, mas ela não notou isso porque passou o dia em seu escritório preenchendo planilhas e emitindo notas.

- Chefe? – chamou Roy, um dos vendedores. Ela levantou a cabeça, deixando uma mecha do cabelo preto cair sobre seus óculos. – Tem uma mulher querendo falar com você, ela disse que se chamava Cate.

Liz já havia se esquecido completamente que abrigara uma turista australiana na sua casa, que a essa altura poderia até ter roubado todos os seus bens ou, sei lá, rasgado suas roupas e destruído seus móveis. Phillip tinha razão em criticar a credulidade que ela depositava nas pessoas.

- Pode deixar ela entrar.

Cate parecia nervosa, mesmo depois de uma noite inteira de sono ela ainda se mostrava tensa, cheia de olheiras e pálida. Uma mulher bonita a beira de um colapso, Liz pensou.

- Está tudo bem Cate?

- Sim, quer dizer, mais ou menos. Eu consegui resolver o que vim fazer em Nova York, mas acabei de saber que os voos para Austrália foram cancelados devido ao coronavírus.

- Sério? Eu passei o dia inteiro aqui. Nem sei o que está acontecendo lá fora.

- Você conseguiu falar com o Simon? Porque eu tentei o dia todo e só dá caixa postal.

- Ah... não. Eu deixei uma mensagem pra ele, pra informar que estava tudo bem com você, mas ele também não respondeu. Acho que ele também deve estar tentando voltar pra casa.

- O pior é que os hotéis não estão mais aceitando novos hospedes... eu não sei o que fazer... deixei meus filhos em Melbourne, eles devem estar preocupados comigo. – Cate não conseguia conter as lágrimas, os últimos meses foram duros para ela e agora a incerteza fazia com que ela sucumbisse finalmente ao desespero.

- Calma, você pode ficar lá em casa, ok?!  Pode ficar o quanto precisar. Tenho certeza que em breve o governo australiano vai mandar um avião pra buscar os cidadãos. – Liz estendeu suas mãos e tocou o pulso de Cate, tentando confortar a sua mais nova “colega de quarto”.

- Obrigada, mas eu juro que não quero dar trabalho.

- Imagina! Vamos pra casa tá, vai ficar tudo bem!

Cate se sentiu um pouco melhor, embora seu coração ainda estivesse apertado. Ela esperou do lado de fora até que Liz acabasse com o trabalho e aproveitou para ligar para os garotos, Ted, de 16 e Marcos, de 12. Eles estavam bem e falar com a família a deixou mais tranquila. Às seis da tarde, elas voltaram ao apartamento, parando antes para fazer algumas compras, já que muitas pessoas começavam a estocar comida.

Liz preparou uma massa para o jantar e elas comeram tomando vinho, tentando entender a estranheza e a gravidade da situação.

- Eu expus você ao risco, me desculpe. – disse Cate, rompendo o silêncio.

- Não... eu sabia que você estava vindo de outro país, eu aceitei o risco. Além do mais, eu trabalho em uma galeria e lido com turistas do mundo todo.

- Obrigada, você está sendo muito generosa comigo.

- Eu não poderia fazer diferente, querida. – Liz falou isso e as duas trocaram um olhar sincero e terno – Então, mas você não enfrentou o coronavirus só pra fazer turismo no Brooklyn né? O que te trouxe aqui?

- Eu vim para uma entrevista de emprego, já estava a seis meses esperando por essa chance.

- Sério? E deu certo?

- Sim, eu vou começar a dar aulas na Universidade de Columbia no próximo semestre.

Liz abriu um sorriso e bateu palmas, empolgada pelo vinho. Cate notou a beleza daquele sorriso e sorriu de volta, corando um pouco diante de uma mulher tão bonita.

- Mas e a sua família? Seu marido concordou com isso?

- Ah não, eu sou divorciada – A loura levantou a mão e mostrou o lugar onde durante vinte anos ela usou a aliança de casada. – E os meus filhos vem sim, o meu mais velho sonha em estudar na Juliard, então daqui a alguns meses a família toda vai estar aqui.

- Vou ter prazer em mostrar tudo da cidade pra vocês. – Liz disse, pegando mais uma vez no pulso de Cate, deliberadamente ignorando as restrições de contato físico.

- Eu vou adorar.

Enquanto compartilhavam outro olhar acolhedor, alguém mexeu na fechadura e a porta se abriu. Um homem magro, de estatura mediana e traços finos entrou com uma mala e uma mochila nas costas.

-Alef? O que está fazendo aqui?

- Eu moro aqui, esqueceu? – ele disse sorrindo e foi logo abraçar Liz.

- Sai... você não sabe que abraços são proibidos? – ela respondeu entre risinhos. – Cate, esse é Alef Sheffer. Alex, essa é minha amiga Cate, da Austrália.

Ele se cumprimentaram e Cate disse que logo sairia do quarto dele, ao que Alef disse que não precisava, mas ela insistiu. Liz tinha um sofá que se transformava numa confortável cama e eles arrumaram ali na sala mesmo, perto da varanda, um cantinho aconchegante para ela dormir até que fosse possível voltar pra casa.

O que eles não sabiam é que no dia seguinte Nova York entraria em quarentena. As lojas seriam fechadas, incluindo a galeria onde Liz trabalhava. As visitas não eram mais recomendadas e as pessoas deveriam ficar confinadas em casa - por tempo indeterminado.



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