História Quarto dos Segredos - Capítulo 17


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Personagens Originais
Tags Baekyeol, Brotheragem, Brotp, Chanbaek, Chanyeol Pov, Depressão Psicótica, Exo!pais, Muçulmanos!au, Tensão Sexual
Visualizações 81
Palavras 3.370
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Adivinhem: Ramadão começou ontem :D
boa leitura!!!

Capítulo 17 - 16 - Confiar um segredo


 

 

Era um espetáculo de dança chinesa. Ao meu lado, estava Baekhyun com sua câmera, pronto para registrar boas imagens à Beatnik; disse que seu irmão Yixing, sino-afegão, adoraria vir, porém tinha crianças para cuidar. Do outro, estava Yaiza, com o rosto pintado por uma maquiagem levíssima que a dava um semblante mais... Saudável. Fileiras a frente, estava Kyungsoo desavergonhadamente sentado entre sua esposa e Irene. Não sei como ele conseguia lidar com ambas as mulheres no mesmo ambiente.

As moças de glamourosas roupas vermelhas balançavam suas mangas alongadas no ar com uma sincronia incrível, como se tivessem sido programadas para acompanhar os passos umas das outras, e sorriam com as bochechas exageradamente rosadas, olhos pintados até as sobrancelhas e rostos pálidos de pó de arroz. Os movimentos eram poéticos, meigos, e as expressões dos rostos que, pasmem!, eram iguais transmitiam toda a graça que havia num jardim florido.

As mangas esvoaçavam ao mesmo tempo, seguindo o que o instrumento de sopro de som agudo ditava enquanto as saias rodopiavam. A sincronia dos corpos era perfeita, como se fossem bonecas programadas a se moverem de tal forma; entretanto, não era nada robótico, e sim natural. A meiguice era trespassada pelos sorrisos enquanto o instrumento de sopro irritante soava; havia meninice em cada movimento, que até me lembrava um pouco de Rosana e sua suavidade.

Meus olhos estavam perplexos diante do espetáculo, enquanto os de Yaiza assistia-o a partir da tela do celular, filmando a dança para mostrar às amigas. Eu não piscava um segundo sequer, temendo perder algum dos riquíssimos passos de dança. As garotas se assemelhavam a flores a desabrocharem quando rodopiavam as saias, chegando ao ápice de suas belezas no palco do Teatro do Palácio. Estávamos no Outono, mas aquele recital fazia-me sentir em plena Primavera novamente, deixando-me nostálgico.

Logo as flores davam lugar a moças vestidas de roupas brancas azuladas, mangas não tão grandiosas, plumas nos rostos pálidos e véus brancos. A melodia que passou a tocar era de um instrumento de corda somado ao canto de pássaros. Todos aplaudiram quando o segundo espetáculo se iniciou. Eram garças andando nas pontas dos pés encobertos por sapatilhas pretas e mãos para cima. Não sorriam, mas quando o faziam, era ao mesmo tempo: céus!, até a expressão facial ensaiaram! Os braços se moviam com graciosidade junto às pernas que iam ao céu e, então, as moças caíam no chão, rolavam com classe e voltavam, fazendo movimentos com as mãos que seguia o ritmo do canto das aves.

 

Masha’Allah! – Yaiza exclamou ao meu lado.

 

Os saltos enchiam-nos de emoção: as meninas possuíam destreza para cair no chão em pose. Havia tanta leveza nos movimentos que era como se elas patinassem no palco e flutuassem ao saltitarem. Eu nunca imaginei que fosse me encantar tanto por dançarinas chinesas se Baekhyun, que as fotografava sem parar, não tivesse me convidado ao espetáculo com Yaiza. A dança era magnífica e tirava todo o meu fôlego. O talento era tamanho que eu não conseguia imaginar como mulheres tão magricelas conseguiam se mover com tanta poesia. Eu podia enxergar arabescos sendo desenhados no ar quando acompanhava as mãos se movendo.

Quando todas as moçoilas, de vermelho e branco, juntaram-se na frente do palco e se curvaram no fim da apresentação, todos nós nos levantamos dos assentos e aplaudimo-las por um bom tempo. Vendo-as um pouco mais de perto, pareciam-me todas bonitas apesar da maquiagem carregada. E o figurino era excêntrico, ainda que carregado de traços do tradicionalismo chinês.

 

– Estava tudo tão bonito que vai ficar difícil escolher quais fotos vão ser publicadas. – o pequeno brincou enquanto deixávamos o auditório.

 

Na calçada da fachada do Teatro, estava Kyungsoo aos risos descarados com Irene e senhorita Kim, que sorriam uma para outra como amigas. Será que havia ciúme dentro daquele triângulo amoroso? De qualquer forma, era asqueroso assistir àquilo. Quando meu melhor amigo nos avistou, deixou suas duas mulheres de lado e veio até nós três, dando-me um abraço frouxo primeiramente, então deixou uma bagunçada de cabelos em Baekhyun e acenou para Yaiza. Ambos os rapazes trocaram poucas palavras até o fotógrafo avistar um conhecido e sair correndo em direção do rapaz de camisa quadriculada e boina feito um hipster americano. Com certeza, trabalhavam juntos.

 

– Chanyeol, o que você acha do Baekhyun? – perguntou com o rosto próximo ao meu.

– Ele é especial para mim tanto quanto você, apesar de nos conhecermos há uns seis meses.

 

Kyungsoo estreitou os olhos.

 

– Tem certeza? Você sabe que não precisa esconder nada de mim. – abaixou o tom de voz gradativamente.

 

Engoli em seco. Estava tão evidente assim que sinto coisas por aquele homem? E por que ele vinha com aquele assunto num momento tão... Tão?

 

– O que você está insinuando?

– Nada. – estendeu as palmas em rendimento antes de dar as costas.

 

Franzi o cenho. Eu o deveria perguntar sobre sua proximidade asquerosa com Irene? Suspirei, arejando-me.

 

– Vamos, habibt. – peguei na mão de Yaiza.

 

Dirigi em nirvana até chegar à casa amarela, tomei um belo banho, rezei e, ao deitar, o nirvana foi embora. Não sei explicar, mas um vazio se abriu em meu peito tão dolorosamente que era como se uma adaga tivesse me espetado e deixado uma cratera no lugar do coração, a qual esfriara pela sua falta. Eu estava encolhido sobre a cama como um filhote a buscar refúgio em si mesmo. Eu estava violentamente triste, sentindo-me desolado comigo e por mim mesmo.

Olhando para a minha vida, foi como se tudo tivesse sido em vão. Não havia nada do qual eu pudesse me orgulhar. Nem de Yaiza eu poderia me orgulhar, visto que a largo pelo mundo como se fosse um gato e faço vistas grossas ao perigo que corre na rua por me queixar à minha própria consciência sobre dores mentais. E doía. Doía também o peito. Estava forte, lancinante. Vi-me envergonhado por mim mesmo; eu não deveria ter saído, e saí para enganar a minha própria cabeça de que em minha vida, vez ou outra, existe alguma emoção.

Eu era tão miserável que estava tentando abandonar a mim mesmo mais uma vez; eu queria pular para fora do barco, mas o mar se resumia às minhas próprias decepções e estratagemas mentais. Não havia para onde escapar. Eu era eu. Eu sou eu. Eu serei eu. Não posso fugir de mim mesmo. E dói. Estava sozinho numa poça de lágrimas, chorando pelo vazio, por me sentir um nada mais uma vez.

E doía..

 

+++

 

Chuva, chá de abacaxi e cafunés: era a tarde perfeita. Com a cabeça deitada em seu regaço, eu tinha os fios enrolados em seus dedos, que pareciam se divertir em me cofiar. Não havia nada mais aconchegante, nos últimos tempos, do que estar ao lado de Baekhyun, ou sob os mimos de seus dígitos carinhosos, que brincavam com os meus cabelos. Sentia-me como um gato em suas mãos, que me tornavam manhoso como um filho único e sanavam minhas dores com carícias. Ali, eu tinha toda a paz do mundo, escutando seus suspiros junto ao som da chuva de vento que baqueava contra a porta de vidro da varanda.

Eu precisava apenas de seu dengo para voltar a me sentir pleno após uma péssima noite. Era uma questão de tempo para começarmos a nos beijar fervorosamente e, talvez, brincar com nossos falos pelas roupas como nas outras duas vezes; confesso que foi tão gostoso quanto sexo. Aliás, era como sexo, pois havia quem considerasse sexo qualquer toque íntimo trocado por duas — ou mais — pessoas e assim posso dizer que fodemos vestidos. Meu corpo estava aprendendo a lidar com as ereções de Baekhyun, que, a cada dia, tornavam-se menos incomodativas; eram os avanços, a confiança. Eu estava aprendendo a reconhecer que ele não era como Namjoon e talvez jamais seria.

Todavia, a líbido não tirava a ternura de nossos momentos sagrados, que eram os mais esperados por mim pela semana.

 

– Senti uma tristeza ontem... – choraminguei num fio de voz.

– Que horas? – colocava os cabelos atrás de minha orelha.

 

– Antes de dormir.

– Por quê?

 

– Surto depressivo, eu acho.

– Você não toma remédio?

 

Eu nem sequer lembrava que já o havia contado sobre o remédio porque, claro, o efeito colateral é este.

 

– Antipsicótico não ajuda muito no humor. Só de vez em quando.

– Por que o psiquiatra não te receitou um antidepressivo ainda?

 

Então, lentamente, ergui-me de seu regaço, permanecendo sentado como ele no sofá.

 

– Porque... Porque eu voltei ao psiquiatra por querer te esquecer. – engoli em seco.

 

Confessar aquilo me fazia ter noção do quão ridiculamente agi ao ter a ideia de colocar em primeiro lugar no tratamento uma paixão incomum ao invés de minha doença. Não era uma afeição que estava fodendo meu psicológico, e sim Namjoon e o seu mal plantado em mim, que frutificou em estresse, ansiedade e tristeza.

 

– Por que logo num psiquiatra? Não é doença. – proferiu com puerilidade.

 

Ouvir aquilo, de certo modo, ajudou-me a relaxar em relação a mim mesmo. Por mais que eu soubesse que não estava adoecido por desejar um rapaz, faltava-me muito para reconhecer isso. Algo ainda me dizia que eu poderia encontrar a luz em algum profissional que me ajudaria a esquecê-lo; algo ainda me dizia que não, não era natural.

 

– Acha mesmo que eu sou normal? – abaixei a cabeça.

– Deus cria pessoas de todos os tipos, por que não criaria você? – pousou a mão sobre o meu ombro. – O que exatamente sente por mim?

 

– Muita coisa, muita coisa forte. – evitei fitá-lo diretamente, voltando-me ao seu reflexo na televisão desligada.

– Como amor?

 

Como amor...

Era tão difícil confessar. Parecia haver um tribunal diante de mim, pressionando-me com cochichos e olhares tensos a falar o que havia em meu peito. A verdade é que eu já não sentia mais por ele o que senti por Sehun, e sim o que senti por Rosana. Engoli em seco.

 

– Como amor. – respondi.

 

O silêncio se instaurou.

Quantas vezes o desejei ao meu lado quando estávamos distantes? Quantas vezes o desejei em minha cama, nem que fosse apenas para deitar em meu peito enquanto eu o estivesse acariciando as omoplatas? Quantas vezes o desejei me dando boa noite com os lábios rentes aos meus? E quantas vezes me masturbei imaginando seu peito colado ao meu enquanto nos beijávamos como se nossas vidas dependessem de nossas salivas? Inúmeras, infinitas!

 

– Você sabe que amo Suzy, não sabe?

 

Suspirei triste por ter me lembrado da beleza da moça.

 

– E vi como ela é linda. – revelei frustrado.

– Mas eu não sei se ela beija bem como você.

 

Então me voltei ao menor, que sorria amigavelmente. Logo, eu não sabia se ele disse aquilo porque queria encerrar aquele assunto com um beijo ou se a intenção era apenas me consolar.

Quiçá fosse pela primeira hipótese, pois seu indicador se colocou sobre os meus lábios numa breve carícia e riu alegre. Ou não. Para confirmar, segurei seu queixo e, com o polegar, afaguei seu beiço inferior. Baekhyun sorria ao meu flerte, mas não flertava de volta: para ele, não passava de uma brincadeira. E nossas línguas brincaram no ar por alguns instantes antes dos beiços se juntarem.

Ali, mais uma vez, foi como se o mundo tivesse parado para que nos beijássemos. Como sempre, éramos lentos e sedentos. Meus lábios apertavam os seus e minha mão segurava o seu rosto, afagando sua bochecha com o polegar. Estalos provenientes do beijo se misturavam ao som da chuva lá fora e preenchiam o ambiente. Sua boca estava com o deleitoso sabor do café que bebera há certos minutos.

Em sua boca, eu me via completamente em amores por sua pessoa inteira; na ponta de sua língua, eu sentia a certeza de que já o estava amando; em sua saliva, eu encontrava as emoções que tive com Rosana. E estava emocionado naquele beijo, enroscando meu músculo bucal ao dele devagar, aproveitando cada milímetro de sua boca. Minhas mãos ansiosas foram de encontro à sua cintura, trazendo-o para mais perto; estava um tanto frio, eu almejava o calor de seu corpo inteiro a abrasar o meu. E abrasou, pois ele subiu classicamente em meu regaço para, então, retornarmos ao beijo aos risos imaculados.

Tudo com Baekhyun me deixava com sentimentos nostálgicos: desde as palavras que me proferia até ao roçar de nossos membros através das roupas. Era como se eu estivesse a perder a minha virgindade das mínimas coisas do mundo com ele, o verdadeiro virgem entre nós dois, e não posso mentir que o ânimo não me corrói tóxico para conhecer o prazer que seu corpo tem a me apresentar. Todavia, tendo-o a rir tão nervoso enquanto trocávamos saliva era como se fosse a minha condenação à morte por desvirtuá-lo; eu me sentia responsável pelos nossos toques e por suas ereções púberes.

Se meu bom senso fosse tão forte quanto o lado animalesco, eu não o enfiaria as mãos dentro da camiseta amarela e o estaria apertando a pele para que o peito permanecesse rente ao meu. Não apenas o peito, claro, como também seus quadris, que se moviam inocentemente sobre os meus enquanto nossas línguas se envolviam em nós. Eu arquejava com os meus dentes presos ao seu lábio inferior, já com uma ereção a se formar entre as minhas pernas, que doía com seu corpo sobre esta. Aliás, ambos de nós dois estávamos excitados. Minha carne interpretava aquele beijo caloroso como parte de uma preliminar; eu não sabia como transaria com Baekhyun, mas gostaria muito.

 

– Você confia em mim? – perguntou contra os meus lábios.

 

Quando ele cessou o ósculo, sua mão caminhou pelo meu peito e desceu até o relevo nas minhas calças, fazendo-me estremecer com aquela ousadia tão típica do momento. Engoli em seco. Apesar de ser a primeira vez que ele me tocava daquela forma, eu já conhecia aquele olhar em outros rostos.

 

– Sim.

– Prove. – exigiu vazio.

 

– Como? – afastei-me minimamente para enxergá-lo melhor.

 

Silêncio.

Meus pulmões se encheram com urgência quando, lentamente, seus dedos se fecharam em torno do volume de minha ereção, eletrocutando-me em antecipação.

 

– O que você está sentindo?

– Nada. – respondi impulsivo.

 

– Posso te tocar um pouco? – seu polegar se movia sobre mim.

 

Sua voz serena me conduzia à beira do precipício.

 

– Nós somos homens. – recusei?

– Eu quero saber se você quer.

 

Eu também gostaria de saber se Chanyeol realmente queria ser masturbado por você, Baekhyun. Se toda aquela sua determinação não passava de uma armadilha, muito bem, eu mesmo faria o favor de me entregar à sua emboscada.

 

Abaixei o cós da calça e o menor, dando o espaço necessário para meu pau pular para fora, com as mãos cuidadosas, envolveu-me pela base sem fechar os dedos em torno.

 

– Posso?

– Sim.

 

Ele não hesitou. Num milésimo de segundos, a ponta de cada dedo parecia determinada a marcar todas as minhas veias, subindo até minha glande ridiculamente encharcada de pré-gozo, por onde seu polegar curioso resvalava e me fazia arquejar até a boca secar.

Apaixonei-me por suas mãos: os dedos generosos percorriam meu falo por inteiro, com o polegar a lembrar da clássica carícia na glande sem aquela pressão desnecessária. Suas palmas macias eram uma obra pecaminosa que quase desprendia gemidos confinados em meu âmago. O rapaz me aprazia melhor naquilo do que Rosana por sermos iguais e complementares da pior forma possível, tornando tudo aquilo fétido, coberto de lascívia.

Por que era tão gostoso com um homem? Porque ele conhecia o meu corpo da mesma forma que conhecia o próprio: éramos iguais. Eu evitava ao máximo desviar o meu olhar o fechar os olhos, pois o medo de que a imagem daquele que não deve ser mencionado aparecesse em minhas retinas e estragasse tudo era imenso e intenso, só não tão intenso quanto a névoa de tesão que me encobria e me desnorteava naquele momento.

Baekhyun parecia tanto confuso quanto ansioso segundo sua expressão, e sua mão me tocava num ritmo morno, subindo e descendo de uma maneira que me deixasse aproveitar o leve aperto de seus dedos em meu pau. Era como uma massagem libidinosa em meu sexo, que me arrancava arquejos tão escandalosos quanto os trovões do lado de fora. Seu rosto límpido era o meu mau caminho e suas falanges habilidosas eram a minha perdição.

Segurei sua face e percorri seus lábios com o indicador, deleitando-me com sua textura sem beijá-lo; por um instante, imaginei tal textura me agraciando em torno de meu falo, a proporcionar-me um prazer úmido, e, assim, urrei. Gozei. Melei seus dedos, então fui solto. Eu mesmo passei a me masturbar enquanto ainda jorrava sêmen entre os nossos corpos, sujando as minhas calças e a mão. Baekhyun apenas olhava, ainda com seu semblante de criança a descobrir um novo programa na televisão.

Por fim, suspirei, repondo o fôlego. Meu rosto enrubesceu ao ainda encontrá-lo sobre mim: eu não acreditava no que havíamos acabado de fazer. Não me lembrei de Namjoon enquanto era tocado por outro homem. Era maravilhoso. Foi maravilhoso; foi um sonho realizado que ultrapassou as minhas expectativas do que era ter prazer com meu amado rapazinho.

 

– Fiz bem? – perguntou.

– Fez. – sorri, contaminando-o. – Mais um segredo para a lista?

 

– Promete retribuir? – perguntou contra os meus lábios.

– P-Prometo. – fui impulsivo.

 

– Então prometo guardar segredo. – piscou.

 

+++

 

– Eu me sinto melhor. – foi a primeira que disse a Dawud, que sorriu.

– Com a questão do homossexualismo?

 

– Sim. – menti, pois nada podia ser feito sobre a minha paixão. – Porém há questões quanto ao humor.

– Quais?

 

– Eu me sinto deprimido e ansioso. – expressei. – Há uns dias, tive um surto depressivo. O medicamento me impede de ouvir vozes como eu escutava antes, mas continuo aflito. – relatei enquanto ele anotava.

– Sabe que isso pode ter a ver com o fato de você ter tido sentimentos homossexuais, não? – entrecruzou os dedos sobre a mesa. – Muitos pacientes que relatam estes sentimentos que você teve também se sentem angustiados.

 

Quis rolar os olhos, mas resolvi apenas contá-lo sobre a violência, já preparando os ouvidos, o psicológico e o coração para o que escutaria em seguida:

 

– Comecei a passar em psiquiatra aos dez anos porque fui abusado sexualmente. – proferi devagar.

Astaghfirullah! – franziu o cenho, anotando o que eu disse. – Acha que pode ter a ver com os sentimentos que você apresentou pelo rapaz?

 

– Não.

– Por quê?

 

– Porque antes de eu ser abusado, eu senti a mesma coisa por outro menino.

 

Crispei os lábios, desejando saber o que Dawud pensava em dizer naquele momento.

 

– Não sentia, não. – balançou o indicador erguido na minha frente. – Você diz isso sobre os sentimentos que tinha na infância porque eram intensos e porque está confuso pela violência que sofreu. O abuso também traz a abstinência do contato, então pode acabar influenciando tendências homossexuais, bem como pode te influenciar a pensar que já maliciou sobre outro garoto quando era muito novo. – explicou convicto e eu me forçava a não fitá-lo com uma careta em repúdio às suas palavras. – Crianças não sentem esse tipo de malícia a não ser que alguém coloque em seus corpos.

 

Aquilo me soou tão absurdo que quase ri. Parecia até uma fábula de velho ortodoxo. Não fazia sentido algum para mim: sempre tive certeza do que senti, eu só não sabia como rotular aquilo e, com Baekhyun, pude compreender que está na minha natureza gostar de homens.

 

– Vai me receitar algum estabilizador de humor ou antidepressivo? – perguntei, querendo sair daquele maldito assunto.

– Você está fazendo acompanhamento psicológico? – e balancei a cabeça negativamente. – Então não sei como te medicar, Chanyeol. O seu humor precisa ser trabalhado, tem a ver com suas questões pessoais e a maneira de como lida com todas estas, além de que você precisa cuidar da forma de como reage a estes momentos em que a tristeza, a ansiedade e o estresse batem. O remédio não pode trabalhar sozinho com sua angústia ou você vai se tornar um robô que depende de pílulas para funcionar. – dizia enquanto escrevia algo na caderneta. – Se quiser melhorar, vai precisar passar por um terapeuta também. Falo isso porque me responsabilizo por cada comprimido que você põe na boca.

 

Suspirei. Desta vez, eu não poderia discordar. Ele estava intrinsecamente certo.

 

– Aqui está a sua receita. – entregou-me uma folha rabiscada com o mesmo medicamento por mais um mês. – Te vejo no próximo mês? – sorriu.

JazakAllahu khayran. – apertei a sua mão.

 

Wa iyyak.

 

 


Notas Finais


O que acharam? Gostaram? Odiaram?
Essa era a dança que eles estavam assistindo: https://www.youtube.com/watch?v=HNp66LqcyFo
https://curiouscat.me/justdodoit
Ramadan kareem para quem também está de jejum <3
salam!


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