História Quase Mágico - Capítulo 8


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Categorias Animais Fantásticos e Onde Habitam, Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Gellert Grindelwald, Newt Scamander, Personagens Originais, Porpetina "Tina" Goldstein, Queenie Goldstein
Tags Animais Fantásticos, Harry Potter, Romace
Visualizações 12
Palavras 3.772
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Mutilação, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


já devia ter ganhado um prêmio pelo tempo q eu demoro p atualizar kk

Capítulo 8 - Desencadeando


 Você estava esperando por um metrô, mas não sabia qual nem em que estação estava. O lugar estava completamente vazio e você de repente se sentiu perdida. O que é que estou fazendo aqui? Foi quando um homem alto de aparência assustadora e dominante apareceu, ele tinha cabelos loiros muito claros e uma expressão terrível no rosto. Desceu as escadas rapidamente e parou a alguns metros de distância de você, mas você sentiu uma aura sombria vindo dele mesmo assim. Outra pessoa apareceu, uma mulher de rosto sardento e cabelos vermelhos que empunhava sua varinha e a apontava para ele, e ele automaticamente se virou para ela, porém sem aparentar se sentir ameaçado. Ele estreitou os olhos enquanto ela se colocava entre ele e você, sem nem mesmo olhar para sua figura congelada. Os dois pareciam ignorar sua presença.

— Grindelwald — a mulher disse num tom de voz firme, sua varinha ainda apontando para ele.

— Me achou bem rápido — o sujeito então pegou a própria varinha, mas fazendo pouco caso da situação. — Mas você é diferente… não é do MACUSA.

— Tenho ordens da presidente Seraphina Picquery para prender o senhor, se é o que pergunta — ela retrucou rapidamente, quase que desmentindo algo, e ele sorriu por um milésimo de segundo e voltou a ficar sério.

— Ora, ora, ora, quem diria que a Picquery se uniria com gente da sua laia pra me enfrentar — o homem tinha um tom desdenhoso na voz. — Conheço um inominável quando vejo um, e esse cheiro… de sangue de trouxa… — cuspiu entre dentes — como ousam colocar trouxas em um cargo assim?

— O senhor é acusado de diversos crimes e procurado pelo mundo inteiro, renda-se agora ou espere até os aurores chegarem — ela era fria como gelo, diferente de seus cabelos que pareciam chamas ondulando sobre seus ombros e costas.

— Hm… ficarei com a terceira opção — ele sorriu e atirou um feitiço contra ela, que o rebateu de forma tão rápida que você mal teve tempo para processar.

A mulher não saiu de sua frente em nenhum momento e os dois continuaram trocando feitiços sem dizer uma palavra sequer, mas você pôde reconhecer alguns como Estupefaça e Protego, ou algo parecido. A batalha, porém, se tornou ainda mais inesquecível quando o homem de cabelos loiros muito claros invocou um ser encapuzado de sua varinha e o fez voar na direção da mulher, aparatando dali antes de ficar para ver o final. Era um dementador. Um dementador invocado por um bruxo direto de sua varinha. Aquilo não era possível… era?

A mulher então, num piscar de olhos, lançou contra o dementador um feitiço que você conhecia muito bem; Expecto Patronum. Enquanto sua varinha emitia várias luzes que incomodavam seus olhos, os cabelos vermelhos como fogo da mulher à sua frente esvoaçavam como a capa destruída do ser fantasmagórico que parecia muito com um dementador. Um leão prateado e luminoso rugiu para o ser das trevas, que se dissipou no ar como se nunca tivesse existido, diferente de dementadores normais que simplesmente fogem quando afrontados pelo feitiço do patrono. O leão desapareceu e ela virou para você, te fitando com aqueles misteriosos olhos cinzentos novamente.

Ela te encarou por alguns segundos, como se estivesse se perguntando o que deveria fazer com você, e depois saiu andando rapidamente, te deixando plantada na estação subterrânea. Quem era ela? E o homem que ela atacou, Grindelwald, o que ele havia feito de tão grave? O que era um inominável?

E então você acordou.

 

Foi o sonho mais estranho e real que você já teve, e as cenas que você viu se repetiam nitidamente em sua cabeça. Aquilo não poderia ser normal.

Você sentou na cama e olhou ao redor, o dormitório ainda estava escuro e nem mesmo Evie estava acordada. Uma sensação estranha te preenchia, algo como um déjà vu, como se você estivesse revivendo aquele momento, e como se o sonho fosse na verdade uma memória há muito tempo esquecida… mas não seria possível… o que havia de errado com você naquela manhã?

Você tentou a voltar a dormir, mas demorou longas horas para finalmente pegar no sono. Não sonhou com nada depois daquilo, ou pelo menos não lembrou de ter sonhado, e aquilo só reforçou o sentimento de que havia algo muito bizarro com aquele sonho que mais parecia uma lembrança.

×·×·×

— Não deveríamos estar na seção restrita — Newt não parava de olhar para os lados, inquieto.

— Você sabe que não vamos achar nada tão útil quanto os livros daqui — sua voz era baixa enquanto você procurava pelo livro certo entre os vários livros de História da Magia, em especial os que falavam sobre o Ministério.

Aquele sonho te atormentou pelo resto do dia, desde o café da manhã até o jantar, e nem mesmo a aula de Trato das Criaturas Mágicas chamou sua atenção. Newt concordou em ir até a biblioteca com você enquanto os outros terminavam o jantar, e você destrancou a porta com Alohomora depois de azarar a Prof.ª Clive por baixo da mesa e obrigá-la a ir para a ala hospitalar com inofensivas, porém incômodas bolinhas roxas espalhadas pelo corpo.

— Achei — você chamou a atenção dele, que baixou a cabeça para o livro aberto em suas mãos. Você pulava de página em página de forma frenética até chegar naquela palavra, a palavra que teria então um significado totalmente novo para você. — “Inomináveis encontrados mortos após missão na França, o Ministério da Magia não se pronunciou sobre o caso. Grogan Stump diz que medidas de segurança contra supostos adeptos das Artes das Trevas serão tomadas assim que ele chegar à Inglaterra, onde correrá uma…” — você mudou a página, mas as duas páginas seguintes que deveriam estar ali haviam sido completamente rasgadas. — Mas o quê… por que alguém rasgaria páginas de um livro velho como esse? — você voltou a procurar pela palavra-chave, mas não havia mais nada ali sobre os inomináveis.

— O que são inomináveis? — o garoto parado ao seu lado perguntou e você voltou a procurar por livros, guardando Vexames do Ministério de Jenny Summers no lugar onde o encontrou.

— Era isso o que eu pretendia descobrir — nenhum dos livros que você folheava citavam os tais dos inomináveis, embora aurores pouco conhecidos tivessem até fotos espelhadas por suas folhas.

O garoto estava prestes a dizer algo quando a porta da seção restrita abriu e vocês viram, pelo vão dos livros da estante, que Davina Clive estava de volta com uma caneca cheia fumegando e sua varinha em mãos. Não haviam mais bolinhas em sua pele.

— Tem alguém aí? — ela se aproximou de onde vocês estavam, mas quando chegou lá, vocês evaporaram. Isso é, correram o mais silenciosamente possível para trás da última estante de livros e se esconderam ali, no espaço entre a estante e a parede, torcendo para que ela fosse embora.

Ela continuou procurando por alguns segundos, mas uma batidinha na porta a fez mudar de direção antes de chegar à última estante. Você ouviu ela trancar a porta mais uma vez e expirou, aliviada.

— Temos que dar o fora daqui — Newt te olhou, mas baixou os olhos rapidamente quando percebeu o quão perto estava de você, de costas para a estante de livros e o encarando com alguns centímetros de distância. — Logo temos que estar nos dormitórios e… e-e já tivemos muitas encrencas nesse mês.

— Ah, sim — você concordou, desanimada. Tinha que descobrir algo sobre os inomináveis, de alguma forma. — Bom, você pode ir se quiser, posso pensar em alguma outra azaração e--

— Espera, e você? Você vai ficar? — ele te interrompeu, coisa que nunca fazia. Estava bem nervoso mas você não entendeu bem o porquê.

— Tenho que ficar — você deu de ombros. — É que… eu sei que parece bizarro, mas eu tive um sonho muito estranho com esses inomináveis hoje, e… não te disse antes porque pensei que não iria querer vir comigo caso eu dissesse.

— Mas é claro que eu viria — os olhos verdes dele encontraram os seus novamente. — Olha, talvez o Dumbledore saiba de algo, e ele não mentiria pra gente.

— Mas e se ele não puder falar nada? — você questionou rapidamente. — Quero dizer, você não acha estranho que não exista nada sobre esses caras, os inomináveis? Será que são tipo um segredo do Ministério, como a CIA para os trouxas?

— O que é CIA? — Newt perguntou.

— Ah, deixa pra lá — você sacudiu a cabeça e voltou a encará-lo. — Bom, se você acha que o Dumbledore falaria, podemos tentar.

— Ótimo — ele sorriu sem graça e encarou o chão.

E então um silêncio constrangedor se instalou entre vocês dois como sempre ocorria quando ficavam sozinhos. Tantas possibilidades.

De forma espontânea, porém sem querer, seu rosto se aproximou do dele. Ele não recuou, mas seus olhos verdes quase gritavam “o que você está fazendo?” e era claro que ele estava confuso. Muitos atos seus o deixavam confuso. Honestamente, de todas as coisas você era o que mais o deixava confuso, mas de uma forma boa que ele não sabia descrever. Seus olhos estavam fechados e os dele, fitando seus lábios perigosamente próximos. Tantas possibilidades.

— Davina, tem visto Madame Abbey? — uma voz aparentemente irritada ecoou na livraria, que já estava vazia, e você se afastou do garoto no mesmo instante. Pegou a mão de Newt e olhou o relógio de pulso dele, que indicava 22:45 h. Deveriam estar na Sala Comunal. Não soltou a mão dele.

— Ela foi visitar uma irmã hospedada em Hogsmeade, que eu saiba — a professora respondeu no tom educado de sempre. — Mas a Srta. Dalton é uma substituta muitíssimo competente.

— Claro, claro, mas tem um assunto… que precisamos tratar sobre a outra, a outra enfermeira — a outra voz, masculina e rouca, parecia apressada. Você demorou para reconhecer que era o Prof. Conrad, de História da Magia.

— Caldwell? Araminta Caldwell? Ela nunca causou confusão por aqui — a mulher afirmou.

— Eu sei, mas é que… você não acha suspeito o fato de que os documentos dela são os únicos que nós, os professores, não podemos ler? — o tom de Conrad passou a ser quase acusatório. — Tem algo errado com aquela moça, eu tenho certeza, desde que ela chegou aqui--

— Ouça aqui, Richard — Clive ficou irritada de repente. — Muita gente implicou com ela por ter vindo da Grécia logo naquela época, tempos difíceis, mas ela não tem nada a ver com aquela confusão toda, eu garanto. Araminta é uma menina muito gentil, só teve uma infância difícil, deixe a menina em paz.

Antes de o professor insistir, ela continuou rispidamente:

— E se me der licença, eu vou ir dormir agora. Boa noite.

Passos foram ouvidos, depois um suspiro frustrado e mais passos, as luzes se apagaram e uma porta se fechou.

— É a nossa deixa — você saiu de trás da estante e reparou que ainda segurava a mão de Newt, soltando-a rapidamente e agradecendo à escuridão por ele não poder ver seu rosto vermelho. A porta da biblioteca foi destrancada com um rápido Alohomora e trancada novamente antes de vocês saírem correndo nas pontas dos pés pelos corredores, tinham que descer quatro escadas para chegar à Sala Comunal, no porão próximo das cozinhas.

— O que será que tem de errado com Araminta? — você perguntou baixinho para não acordar os retratos adormecidos roncando em todo lugar.

— Nada, na minha opinião — Newt respondeu de forma breve. — Se ela fosse problemática, Josh teria nos avisado.

— É, acho que sim — você concordou, mas algo te dizia que Araminta não era o que aparentava ser – não que ela fosse perigosa, mas apenas... diferente.

Vocês não se falaram mais até chegar na Sala Comunal, ofegantes por causa da corrida e gratos por não terem esbarrado em ninguém.

— Falamos com o Dumbledore amanhã, então — você disse. A lareira não estava mais acesa, e a sala estava bem escura.

— Olha, se você não quiser a gente não precisa falar nada pra ele — o garoto falou alguns passos à sua frente.

— Não, tudo bem, eu confio nele — você afirmou. — Só não quero que ele me ache maluca, sabe, se eu tiver que falar sobre o meu sonho…

— Ele não vai, não — Newt disse como se conhecesse bem o professor. — E você não é maluca. Nem um pouco.

— Que bom que pensa assim — um sorriso era quase audível em sua voz. — Bom, então eu… acho que já vou indo, Evie deve estar preocupada…

— Sim, claro — ele concordou, nervoso. — Temos que parar de chegar aqui tão tarde.

— Temos sim — você não acreditava realmente em suas palavras. — Boa noite, Newt.

— Boa noite.

Os segundos passaram tortuosamente por vocês dois até você conseguir caminhar para o dormitório, hesitante e com um crescente nervosismo em seu peito. Não queria ir dormir, mas mesmo que quisesse, naquela noite, você não conseguiria.

×·×·×

— Animada para hoje, Terry? — Lisa questionou toda radiante no corredor.

— Para quê? — você revirou sua memória em busca de algo que estivesse marcado para aquele dia, mas não lembrava de nada mesmo.

— Hoje é o dia da orientação profissional! — ela disse, indignada por você não ter lembrado.

— Ah, é mesmo… eu nem pensei nisso hoje. Vai ser que horas?

— Em uma hora, caramba, você não lembrou mesmo? Colocaram um aviso no quado do Salão Comunal esses dias.

— Ah, é mesmo… acho que não prestei atenção — você falou, desanimada. Não tinha ideia do que queria fazer no futuro, e o pensamento de falar sobre isso não era exatamente alegre.

— Ei, olha lá o Newt vindo com a Leta! — Lisa disse de repente e você procurou pelo meio ruivo, o encontrando logo em seguida. Ele estava vindo na sua direção com Leta, ambos absortos em uma conversa. Ele sorriu quando te viu.

— Oi, Newt — você sorriu de volta.

— Indo para a orientação? — ele perguntou.

— Na verdade não, estávamos indo para a biblioteca… vocês vão lá agora? — você disse.

— Leta vai, mas eu vou falar com o Dumbledore. Ah, isso me lembra de uma coisa… você queria falar com ele, não é? — Newt estava te convidando para ir junto daquela forma tímida dele.

— É, mas posso ir mais tarde se você quiser — você quase gaguejou. Leta lançava um olhar desgostoso para você, mas você não conseguia encará-la.

— Pode vir comigo se quiser — ele disse com rapidez, tentando parecer natural e falhando miseravelmente.

— Certo, se você não se importar — você olhou para Lisa e ela deu de ombros, sorrindo como sempre.

— Eu posso acompanhar Leta — a lufana sugeriu. Leta pareceu levemente decepcionada, mas não disse nada.

Então você e Newt seguiram para a direção oposta de Leta e Lisa. Você se sentia estranha, mas não entendia a razão… por que estar com Newt estava te deixando cada vez mais bizarra?

— Você sabe onde encontrar Dumbledore? — você perguntou a fim de puxar assunto.

— Ah, claro, ele sempre vai conversar com a Madame Abbey nesse horário. Deve estar voltando para a sala dele neste exato momento.

— Onde fica a sala dele? — você tornou a perguntar.

— Quase ninguém sabe, na verdade — Newt parecia mais confortável. — É um dos mistérios de Hogwarts.

— Entendo — você disse. — A sala da diretora de Ilvermorny também é um mistério. Isso é bem interessante, não é?

— É de fato interessante, Srta. Foster — uma voz pegou vocês dois de surpresa.

Quando você virou para trás, encontrou ninguém menos que Dumbledore.

— Boa tarde, professor — Newt o cumprimentou com naturalidade, como se estivesse acostumado com as aparições estranhas do homem. — Estávamos procurando o senhor.

— E no entanto, eu achei vocês — Dumbledore sorriu. — Em que posso ajudar?

Você ia começar a falar, mas travou com seus pensamentos. E se fosse mesmo confidencial? E se você estivesse perguntando em vão? Você podia estar fazendo tempestade em copo d’água, mas aquilo estava estranho demais para seu gosto.

Longos segundos se passaram. Newt permaneceu calado, sem entender sua demora.

O professor continuou a te olhar, paciente. Newt te lançou um olhar questionador, como se estivesse perguntando “não vai fazer nada?”, e você inspirou fundo organizou as palavras.

— Professor, o senhor sabe algo sobre os inomináveis? — você perguntou, hesitante.

— Os inomináveis? — Dumbledore franziu o cenho, surpreso. — Quem te contou sobre eles?

— Eu… li sobre eles em um livro — você omitiu, mas o que disse não deixava de ser verdade. Você de fato os encontrou num livro, afinal, mas não foi lá que descobriu sobre eles… reparando no seu olhar de quem escondia algo, óbvio por você ser uma péssima mentirosa, o professor ergueu as sobrancelhas com aquele ar de “não me diga” e você suspirou como se estivesse prestes a confessar um crime. — Tudo bem, eu admito que estava na seção restrita. Mas mesmo assim, não encontrei quase nada sobre eles… o senhor sabe o que eles são?

— Podemos falar sobre isso no seu teste vocacional hoje, sim? Creio que os dois assuntos estão interligados — um lampejo faiscou nos olhos azuis dele. — Agora, se me permitem, o dever me chama.

Depois que Dumbledore sumiu no final da escada, você e Newt se entreolharam com a mesma expressão confusa nos rostos.

— O que ele quis dizer com aquilo? — você indagou mais para si mesma enquanto seguiam para as masmorras.

— Talvez seja uma profissão que ele acha que você pode tentar — o meio ruivo disse.

Você tentou se imaginar seguindo a carreira de inominável, mas não deu muito certo; o que quer que aquela coisa fosse, era misteriosa demais e você nunca se imaginaria em uma profissão assim. Não que você não se interessasse, mas duvidava de seu próprio potencial… se inomináveis eram um segredo do mundo bruxo, que por si só já era um segredo maior ainda, que tipos de perigo estariam à espera de quem se candidatasse àquele ao cargo? Não, você definitivamente não estaria à altura daquele emprego. Pelo menos era o que você achava.

×·×·×

— Ele disse que você seria um bom auror? Aquele cara deve ter minhoca na cabeça — Luke disse com incredulidade. — Pensei que aurores tinham que ter disciplina.

— E eu tenho disciplina — Josh retrucou. — Quando eu quero.

— Bom, sempre pensei que aurores fossem um pouco rebeldes — Kylie brincava com as unhas. — Um pouquinho só.

Evie acabara de sair da sala do Prof. Dumbledore e todos viraram para ela, esperançosos. Quando entrou lá, cerca de dez minutos atrás, ela não sabia bem que carreira escolheria, mas parecia determinada quando se sentou no chão ao lado de vocês.

— Jogadora de quadribol — ela sorriu, mas logo olhou para o chão, subitamente frustrada. — Minha mãe não vai gostar… ela é professora de feitiços, e papai era banqueiro, ela com certeza odiaria uma profissão assim…

— Mas é incrível! — a morena exclamou e suspirou em seguida. — Eu com certeza seria jogadora se tivesse talento, mas não jogo tão bem assim.

— Você é a melhor batedora que temos há anos, depois de mim, é claro. Aposto que seria uma boa jogadora se quisesse — Josh afirmou e Kylie deu um sorriso encabulado, corando levemente.

— Terence Foster — uma voz conhecida chamou de dentro da sala.

— É a sua deixa — Josh acenou para a porta fechada.

— Boa sorte — Luke desejou.

Lançando um último olhar apreensivo para Newt, que era o único que sabia do que você e Dumbledore estavam prestes a falar, você se levantou e foi em direção à porta. A sala estava meio escura por causa das cortinas fechando a janela, mas você até gostou do clima que a meia luz conferia ao ambiente e foi se sentar na cadeira de frente para a mesa do professor.

— Muito bem, Foster — ele se curvou para a mesa, apoiando as mãos dadas em vários papéis e pranchetas ali esparramados. — Conheci seus pais em uma visita ao Ministério, ótimos aurores, os dois… Judy inclusive recebeu uma medalha ano passado, não recebeu?

— Ela ainda se gaba por isso até hoje — você revirou os olhos e ele riu.

— Mas não é pra menos, profissão perigosa, a de aurores… já se imaginou nela?

— Na verdade não, senhor — você se sentiu tola em dizer aquilo, sabendo que ele, por educação, iria te contradizer quando você terminasse a sentença. — Não acho que tenha a capacidade pra essa profissão.

— Ah, deve ser muito desmotivador pertencer a uma família de aurores e sentir algo assim — Dumbledore disse e você se lembrou de seu irmão mais velho, Aaron, no último ano de seu curso. Ele com certeza seria o orgulho da família, seguindo a carreira dos pais… — Mas, se quer saber, eu também não acho que você deveria ser auror.

Você olhou para o professor, confusa.

— Hoje, quando você me perguntou sobre os inomináveis, uma antiga dúvida minha foi respondida — ele continuou. — Eu naturalmente não posso dividir informações sobre eles com alunos, mas você já sabe sobre eles, então… — Dumbledore sorriu de forma alegre. — Bem, os inomináveis, então. Você tem uma certa noção sobre a cultura trouxa, certo?

Você concordou, estupefata. Estava prestes a descobrir sobre os inomináveis, e algo te dizia que aquilo teria um grande significado futuramente.

— Ótimo. Os inomináveis são, essencialmente, agentes secretos. Uma mistura entre detetives e aurores, por assim dizer… como os trouxas da CIA e do FBI — Dumbledore disse e um grande esclarecimento se espalhou por sua mente, como se ele de repente estivesse falando na mesma língua que você. — Mas também são cientistas. O Ministério tem, em sua sede, alas específicas para os estudos dos inomináveis. É claro que esse tipo de informação eu não posso te dar, mas se quiser minha opinião, acho que você seria uma ótima inominável.

— Mas… por quê? Deve ser uma carreira perigosa — você protestou.

— E desde quando você tem medo do perigo? — Dumbledore indagou com um resquício de riso na voz. — Ora, Foster, pare de se subestimar. Você só está se intimidando porque acha que não é boa o bastante, mas deixa eu te dizer uma coisa — você se inclinou para mais perto da mesa à medida que a voz do professor foi abaixando. — No final, não importa quem pode ou quem deve lutar, mas sim quem quer lutar. Determinação, e você sabe que isso você tem. Estive acompanhando seu desempenho em Ilvermorny, e sempre soube que você só precisava de um empurrãozinho para mostrar do que é capaz. Um dia, quando chegar a hora, você vai levar esse empurrãozinho de novo e ter certeza do que é capaz de fazer.

Você não pôde deixar de sentir inspiração crescendo em seu peito, mas ainda haviam tantas dúvidas em sua mente… porém o essencial estava esclarecido. Você se sentiu mais aliviada.

— Muito obrigado, professor… e claro, eu não posso falar sobre os inomináveis com ninguém, não é? — você se levantou da cadeira, preparada para sair da sala.

— É confidencial, Foster. Mas sabe, às vezes não faz mal quebrar algumas regras — o bruxo sorriu e você concordou com a cabeça, saindo da sala em seguida com um peso mil vezes menor nos ombros.



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