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História Quase sem Querer - Capítulo 4


Escrita por: e Anakirian


Notas do Autor


Eu atraso mas não esqueço!
Senhoras, senhores e não-binários, aqui está o primeiro dos três extras finais de Quase Sem Querer 👏👏
Todos sabem que eu tenho um apego muito grande por essa história, por isso decidi dar um desfecho real para o relacionamento desses dois boiolas desbocados que eu tanto amo. Quero agradecer primeiramente a todos os que leem e comentam aqui (são tantos de vocês que eu não consigo citar user, desculpa) e dizer que todos vocês fazem parte dessa história tanto (ou mais) do que eu. Eu não teria tido tanto prazer em continuar com esse plot se não fosse por todos os comentários e favoritos que a fic recebe diariamente.

Enfim, o bagulho não foi betado e talvez o final esteja meio ruizinho, mas espero que gostem 💘

Capítulo 4 - Extra 02: Fora de controle



Quase Sem Querer
por Anakirian

 

Quando esse lance todo de me pegar com Seonghwa começou, eu não esperava, sinceramente, que as coisas fossem ir tão longe. Uma mamadinha aqui, um dedinho no rabo acolá, foder na parceria algumas vezes por semana... qual era o problema? Não tinha nada demais, éramos apenas amigos que se aliviavam juntos. Não tinha porque ser complicado, tampouco precisávamos levar tão a sério — não era essa a graça de ser jovem, levar a vida numa boa?

Esse foi o pensamento que eu passei a ter depois da nossa primeira vez, naquela noite incrível, excitante e gloriosa, onde transamos até cansar e depois maratonamos a sexta temporada de Game of Thrones, enquanto nos entupíamos de besteira. As coisas pareciam simples na época, repletas de diversão e sem qualquer compromisso, como a relação entre melhores amigos deveria ser — mas dois meses depois, a situação começou a complicar.

Eu adorava Seonghwa, ele era meu amigo mais próximo, seria estranho se eu não o adorasse. Mal haviam lembranças minhas em que ele não estivesse por perto, como um desses espíritos malignos saídos do inferno justamente para atazanar pobres almas inocentes. Ele apenas estava lá, o tempo todo, e isso se tornou ainda pior depois que passamos a transar.

A ideia era manter as coisas no casual e preservar a amizade ao máximo para que aquele desconforto nunca mais desse as caras. E funcionou, de verdade dessa vez. A gente ia juntos para a escola, jogávamos videogame a tarde inteira, nos zoávamos por igual e, de quebra, ainda rolava uns amassos sempre que possível.

É fascinante como o ser humano — sempre fodido — se acostuma rápido com o que é bom.

Isso foi o que tornou as coisas tão mais... complicadas. Manter minhas mãos longe de Seonghwa era como uma provação divina, cada vez se tornava mais difícil fingir que não queria me atracar com ele em todos os cantos possíveis, em todas as horas do dia. E isso começou a se tornar óbvio de um jeito perigoso demais, não por causa de Seonghwa — que estava mais do que ciente do efeito que tinha em mim e fazia bom uso dele, o desgraçado —, mas por causa dos nossos outros amigos.

Éramos um grupo pequeno, mas nos conhecíamos ao que pareciam séculos — para o meu desespero — e sabíamos ler um ao outro como ninguém mais conseguia. Eu, por exemplo, era mestre em saber quando Wooyoung mentia, ou quando Hongjoong estava afim de alguma garota, ou quando Yunho estava prestes a soltar uma de suas bombas atômicas — o que me livrou de muitos episódios de tortura naqueles anos escolares.

E quando se tratava de me ler, o maldito Choi San era quase um mestre, perdendo só para Seonghwa — que nem ao menos contava, pois era meu melhor amigo e me conhecer como ninguém era uma obrigação de seu cargo. San era, sem sombra de dúvidas, a pior pessoa no mundo para descobrir sobre o que rolava entre o Park e eu, pelo simples motivo de que: ele era um fofoqueiro do caralho! Sabe aquela pessoa que não consegue guardar as coisas para si mesmo? Essa era Choi San.

A única vez em que eu o vi guardar um segredo, foi quando descobriu uma carta de amor para Kim Sihyeon, escrita por Yunho na oitava-serie, sendo que Hongjoong também era apaixonado por ela na época. Parecia que San teria uma síncope toda vez que via Yunho e Hongjoong juntos, e era ainda pior quando ficava a sós com algum dos dois. Seu desespero por guardar o segredo foi tanto que ele adquiria uma gagueira inexplicável sempre que o assunto “amor” vinha à tona, o que deixava todo mundo confuso já que San falava até pelos cotovelos.

Ao fim de tudo, ele acabou soltando a informação da forma mais aleatória possível, enquanto a gente lanchava uns hamburgões do BK e falávamos sobre basquete.

— Yunho era apaixonado por Kim Sihyeon na oitava série e escreveu uma carta de amor bem gay, mas nunca entregou porque sabia que o Joong era afim dela também! — Ele soltou assim, bem de repente e em um fôlego só, para logo em seguida respirar fundo, relaxar os ombros e voltar a comer seu Mega Stacker 3.0 como se nada tivesse acontecido.

A informação não tinha mais valor algum, pois já estávamos no segundo ano do ensino médio e nenhum dos dois panacas tiveram qualquer chance com Sihyeon. Além do mais, Hongjoong já sabia da tal carta, pois ele mesmo havia a descoberto um ano antes de San — e a única questão em aberto foi: por que Yunho ainda mantinha uma carta de amor nunca entregue, cujo a remetente era claramente sapatão?

— Eu tenho guardada a tatuagem adesiva do meu primeiro chiclete. Eu não tive coragem de colar porque achei que ficaria no meu braço para sempre. — Ele se justificou, encolhendo os ombros e sorrindo sem graça.

E, conhecendo Yunho como a gente conhecia, todo mundo acreditou.

Mas sabem, eu não era um bom mentiroso e muito menos um bom ator, então caso San descobrisse a relação complicada e indefinida entre mim e Seonghwa, eu não saberia contornar a situação. San me leria como uma cartomante fajuta lê o futuro alheio — com perspicácia e falta de vergonha na cara —, e então seria uma questão de tempo até que todos os nossos amigos ficassem sabendo, também.

E eu estaria fodido, assim como Seonghwa.

Envolver outras pessoas no nosso lance era algo inimaginável, não apenas por eu ainda estar no armário e o Park nunca ter deixado claro se gostava de homens ou não — por mais que para mim estivesse óbvio que sim —, mas por esse tal lance ser algo só nosso. Estava bom do jeito que estava, sem ninguém fazendo perguntas, sem ninguém se intrometendo, sem ninguém dando palpites do que deveríamos ou não fazer. Era bom do jeito que era exatamente por nós dois sermos os únicos a saber, pois nós sabíamos lidar um com o outro sem envolver qualquer drama desnecessário.

E tem algo mais dramático do que contar para os amigos heterossexuais que você está transando com outro amigo da roda, sendo que todos pensam que você e esse amigo também são héteros? Honestamente, só de imaginar tal situação eu já sentia a dor de cabeça que ela traria. Mas como dito, eu não conseguia manter minhas mãos fora de Seonghwa e isso começava a ficar meio na cara.

— Por que você encara tanto o Seong? — perguntou San em um almoço qualquer, quando todos estávamos reunidos no refeitório e o Park havia recém saído do treino de futebol, o que implicava em uma pele suada e cabelos úmidos jogados para trás. Em outras palavras, ele estava um puta gostoso.

— ‘Tá doido moleque, ‘tô encarando ninguém não — respondi, voltando a comer meu espaguete à carbonara que mais parecia “macarrão seco à farinha e leite”.

— Vocês dois estão escondendo algo, eu sinto. — San tinha essa expressão no rosto que sempre usava quando estava desconfiado, seus olhos se estreitavam tanto que quase se fechavam e sua boca formava uma linha fina e apertada que fazia as covinhas em suas bochechas aparecerem.

Era o tipo de expressão que dizia “tô de olho em vocês, seus putos” e eu me arrepiava todo só de ver. Aquele garoto tinha um pacto com o capiroto, era o único jeito dele descobrir tudo de todo mundo, sempre.

 

[...]

 

Para vocês terem uma ideia, a merda toda estourou em uma segunda-feira, apenas para comprovar que aquele era, de fato, o pior dia da semana. Foi durante uma aula que Seonghwa e eu tínhamos em turmas separadas, logo era a melhor deixa para nós dois escarpamos sem que alguém percebesse que nos encontraríamos. Já tínhamos até um padrão: ele me mandaria uma mensagem dizendo “bora” e eu pediria para ir ao banheiro assim que a lesse, então nós nos encontraríamos no sanitário masculino do andar térreo, que tinha uma janela baixa o bastante para nós a pularmos e ficava perto da quadra de futebol, onde a gente se pegava atrás da arquibancada de madeira.

Era apertado e um tanto desconfortável, mas era escondida e só isso importava.

Naquele dia, porém, estava chovendo — leia-se, desabando a porra do mundo — e por isso eu já tinha aceitado que não iriamos nos encontrar, mas Seonghwa parecia ter um plano diferente quando me mandou a maldita mensagem, me dizendo para lhe encontrar no banheiro do quarto andar. Era o menos usado da escola, já que tinham apenas três salas de aula lá e ninguém subiria tantos lances de escada apenas para ir ao banheiro — não quando havia um em cada andar. Ainda assim, era muito arriscado se agarrar em uma das cabines, então eu, ingenuamente, pensei que ele só precisava me falar alguma coisa.

— Seong? — O chamei baixinho quando entrei no sanitário, caminhando em frente as cabines e vendo que duas delas estavam fechadas. — Cadê você cara?

— Finalmente, hein — disse ele, abrindo a mais próxima de mim e já me puxando pelo pulso.

Mal tive tempo de admirar seu sorriso retangular antes dele fechar a porta de madeira atrás de mim e me encostar contra ela, seus lábios se juntando aos meus logo em seguida. Ofeguei, surpreso, quando sua língua invadiu minha boca e seu quadril se colou ao meu, suas mãos geladas invadindo meu uniforme e subindo pelo meu abdômen, causando arrepios descontrolados em minha pele.

Sem pensar muito, abracei seu pescoço e mergulhei os dedos em seu cabelo, suspirando quando ele chupou minha língua, o que fez meu quadril ondular contra o seu. Eu já podia sentir meu pau endurecendo dentro das calças, assim como sentia o volume duro no próprio Seonghwa. Ele já estava excitado quando cheguei e eu não tinha ideia do que havia causado toda aquela fome nele, mas eu adorei. Eu sempre adorava quando ele ficava descontrolado daquele jeito.

Quando sua mão entrou na minha calça, porém, eu percebi que estávamos indo longe demais.

— Seong, aqui não. — Ofeguei ao quebrar o beijo, mas ao invés de parar, ele apenas direcionou seus lábios para o meu pescoço. Um puta covarde, isso é o que ele era. — É arriscado demais aqui.

— Melhor ainda. — Foi sua resposta antes de arrastar a língua quente desde a minha clavícula até o lóbulo da minha orelha, que ele mordiscou com força o bastante para causar uma ardência gostosa demais. — Eu vou te comer contra essa porta e você vai ter que ficar bem quietinho, para ninguém nos descobrir.

Porra, só a ideia já deixou meu pau todo babado.

Gemi quando ele usou a mão em minha calça para apertar minha ereção, incapaz de fazer qualquer coisa além de puxar os cabelos de sua nuca e trazê-lo para um novo beijo. Ele tinha gosto de cereja quando nossas línguas se enrolaram e o contato já estava uma bagunça pelos ofegos que eu soltava toda vez que ele esfregava meu pau. Por não tê-lo visto naquele final de semana, eu estava morrendo de saudade de sentir suas mãos em mim, sua boca em minha pele, seus cabelos sedosos entre meus dedos. Parecia até que, quanto mais o tempo passava, mais viciado em Seonghwa eu me tornava.

(E, felizmente, parecia também que o sentimento era mútuo).

Já pouco me fodendo para sermos descobertos ou não, empurrei meu melhor amigo até ele sentar sobre a tampa fechada do vaso sanitário, não demorando nem meio segundo até montar seu quadril e voltar a beijá-lo. Querendo tocar sua pele tanto quanto ele tocava a minha, comecei a desabotoar seu uniforme, me arrepiando a cada suspiro que ele deixava escapar entre o beijo ao me ter rebolando contra o seu pau.

— Eu ‘tava com tanta saudade... — Ele murmurou, enquanto abria minha calça e descia meu zíper. — Nunca mais vamos ficar tanto tempo longe, entendeu?

— Foram só dois dias — respondi, rindo ao que meu peito se aquecia com aquele sentimento que eu, definitivamente, não estava pronto para nomear. — E a culpa é sua por jogar futebol.

— No próximo jogo você vai comigo. — Suas mãos, já nem tão frias assim, agarraram minha bunda com força. Aproveitando que sua camisa já estava aberta, a empurrei para fora de seus ombros antes de morder um deles. Só eu sei o quanto amava aqueles ombros largos. — Vamos dividir quarto com os outros jogadores, mas a gente pode dar uma escapadinha.

— Ou — sugeri. — Você pode voltar de viagem e ir direto para minha casa, e a gente transa no banho como da última vez. Foi tão gostoso, lembra?

— Como eu posso esquecer?

Apressado, Seonghwa largou uma de minhas bandas para enfiar a mão em minha cueca e puxar meu pau para fora, o masturbando em um ritmo lento enquanto encarava a gota perolada que vazava pela cabecinha sensível. Também afobado, abri sua calça com pressa apenas para imitá-lo, tirando seu pau duro para fora. Minha boca se encheu de água ao vê-lo tão vermelho e brilhante, inchado e quente contra minha mão. Eu queria tanto chupá-lo, senti-lo fundo em minha garganta enquanto meu melhor amigo agarrava meus cabelos com força e fodia minha boca com estocadas firmes e duras.

Era sempre uma delícia quando meus olhos se enchiam de lágrimas e ele sorria, quase como a porra de um sádico, ao me ver todo bagunçando com seu pau em mim. E era uma merda do caralho a gente ter tão pouco tempo.

Me ajeitando melhor em seu colo, juntei nossas ereções, prendendo um gemido quando Seonghwa as segurou uma contra a outra de um jeito tão apertado que quase doeu. Com seus dentes cravados na pele de meu ombro, no pouco espaço exposto pela forma torta em que a gola do meu uniforme se via, ele largou de vez minha bunda, apenas para trazer dois de seus dedos contra meus lábios.

— Chupa. — Ele mandou, e eu obedeci na mesma hora.

Sem controle, segurei sua mão no lugar enquanto lambia ambos os dígitos, minha língua se enrolando em um de cada vez, da forma mais molhada possível, enquanto sentia a outra mão dele se mover em nossas ereções, nos masturbando de um jeito um tanto torpe por não conseguir segurar sozinho os dois paus. Recebi uma mordida fraca no pescoço quando enfim liberei seus dedos e segurei nossas ereções junto dele, minha mão cobrindo parte da dele.

Com nossas bocas unidas outra vez em um beijo bagunçado, Seonghwa engoliu meu suspiro quando seus dedos babados invadiram minha cueca, deslizando pelo meio da minha bunda até chegarem onde ele queria. Com o corpo inteiro tremendo, senti a pontinha de seu digito alargar minha entrada, esfregando em círculos o musculo tenso e fazendo meu pau expelir ainda mais pré-gozo. Apesar de estarmos no banheiro da escola, aquela cena era um tanto nostálgica e eu nem podia acreditar que já faziam tantos meses desde a primeira vez que eu tive meu melhor amigo dedilhando meu rabo.  Era um tanto surreal, para ser sincero. Eu era um puta cara de sorte.

— Enfia logo, porra — implorei baixinho, quebrando nosso beijo, minha respiração ofegante não me deixando levantar a voz. Rebolando contra seus dígitos, investi meu pau contra o dele. As cabecinhas inchadas resvalaram com facilidade, ambas brilhando pelas porras expelidas. — Eu amo quando você me come com os dedos.

— Ama é? — Ele questionou, finalmente rompendo a resistência dos meus músculos quando seu indicador afundou lentamente no meu rabo. — E o que mais você ama?

Aquela era, com certeza, uma pergunta muito perigosa a ser feita quando eu estava com a mente tão nublada de tesão. As três palavrinhas que nunca deveriam ser pronunciadas estavam na ponta da minha língua, o que me obrigou a beijar Seonghwa outra vez só para fazê-lo calar a maldita boca. Investindo ainda mais meu pau contra o dele, sua boca abafou meu gemido arrastado quando todo seu dedo estava dentro de mim, resvalando na minha próstata com tão pouca pressão que era torturante. Eu queria muito estar montando nele como se fosse o próprio Xerife Woody, cavalgando seu pau como nós dois gostávamos, o sentindo ir fundo onde só ele havia chego.

Sinceramente, transar com Seonghwa era a melhor coisa do mundo inteirinho.

Seu dedo pressionando minha próstata e nossas mãos juntas masturbando nossos paus estavam me levando ao limite rápido demais. Quebrado o beijo, apoiei a testa em seu ombro, ofegante, sentindo minha pele formigar de tão sensível. Eu sei que não tinha transado com ninguém além do Park, mas eu duvidava que alguém, em algum momento, me fizesse sentir tudo o que ele fazia. Tremi em seus braços quando senti um beijo na ponta da minha orelha, carinhoso demais para quem estava fodendo no banheiro da escola. Abraçando seu pescoço com o braço livre, mordi sua pele para abafar meu gemido quando finalmente gozei, um clarão envolvendo minha mente e minha porra tornando tudo ainda mais escorregadio.

Com um suspiro final, me deixei relaxar em cima do corpo firme de Seonghwa, só percebendo que ele gozava quando senti um novo liquido quente escorrer pela minha mão. Continuei parado quando ele tirou seu dedo de dentro de mim com cuidado, limpando em minha perna antes de espalmar a mão em minhas costas, acariciando em movimentos circulares. Ele estava tão ofegante quanto eu, sua respiração rápida bagunçando os fios do meu cabelo.

— Você ‘tá uma bagunça — comentei ao me afastar de seu ombro, afastando os fios escuros grudados em sua testa. — Vai ser difícil disfarçar dessa vez.

— Não se preocupe comigo, você ‘tá bem pior.

Rindo e corando ao mesmo tempo, voltei me esconder em seu ombro. Nossas mãos ainda seguravam nossas ereções murchas, evitando que as porras escorressem até nossas calças. Atrapalhado, beijei a base de seu pescoço antes de me afastar outra vez e me esticar para pegar o rolo de papel higiênico da cabine. Nos limpamos em meio a carinhos e risadas discretas, e toda vez que Seonghwa beijava alguma parte do meu rosto eu me sentia ainda mais tímido. Eu não sabia dizer quando nos tornamos tão carinhosos sendo que, antes de tudo isso começar, a gente só trocava socos e alguns pontapés. Parecia impossível para mim voltar a ser como éramos, a nova fase da nossa amizade era gostosa demais para ser ignorada.

Eu estava, definitivamente, apaixonado.

E ninguém mais precisava saber além de mim mesmo.

 

[...]

 

Como a pessoa naturalmente inteligente que eu sempre fui, esperei o sinal de troca de períodos tocar para entrar na sala de aula — já arrumado como se nada tivesse acontecido —, evitando ser repreendido pela professora por ficar vinte minutos no banheiro. Sentei ao lado de San como sempre fazia, esperançoso de que, ao me ver fuçar no celular, o Choi não fizesse perguntas. E ele realmente não fez, o que foi mais estranho ainda porque era impossível fugir da curiosidade do moleque.

Largando o celular sobre a mesa, encarei San, que estava sentado tão reto que parecia ter uma espada enfiada no cu. Franzindo a sobrancelha em confusão, perguntei:

— ‘Tá tudo bem, cara?

Com os olhos pequenos esbugalhados igual um lambari, ele deu uma risada mais forçada do que as comédias de Jim Carrey, me encarando com uma cara esquisita para um caralho ao sacudir o corpo de um jeito meio afobado.

—‘Tá tudo ótimo, cara. Ótimo, ótimo. Ótimo mesmo. — Com uma última risada bizarra, ele suspirou e então ficou quieto outra vez, olhando para frente sem nem mesmo piscar.

— Então ‘tá. — Um San agindo estranho era mil vezes melhor do que um San curioso, então só dei de ombros.

Pelo resto da aula, ele falou um total de dez frases, todas envolvendo a matéria fodida de álgebra. Eu tentava prestar atenção no professor, pois mesmo não planejando prestar vestibular eu precisava saber aquela porra chata para me formar no ensino médio, dali poucos meses, então o silêncio raro do Choi foi muito bem-vindo. No horário de almoço, o garoto praticamente fugiu da sala, guardando seus materiais de qualquer jeito no armário e resmungando um “tô morto de fome” quando eu estranhei sua atitude. Guardando meus próprios materiais ali, peguei o celular e a carteira antes de sair da sala de aula, encontrando Seonghwa me esperando na saída junto de Yunho e Hongjoong.

— O que deu no San? — Enganchando o braço em meu ombro, meu melhor amigo perguntou ao me guiar pelo corredor. — Ele passou correndo pela gente, esse cuzão.

— Eu vou saber — respondi. — Ele ‘tá agindo estranho a manhã toda.

— Será que ele ‘tá com dor de barriga ainda? — perguntou Hongjoong.

— Como assim?

— Mais cedo ele disse no grupo do Kakao que estava quase se cagando na aula, mas você estava demorando demais no banheiro. — Yunho explicou quando chegamos ao refeitório. Parei de caminhar sem nem perceber, minhas mãos suando com um mal pressentimento. — Eu disse para ele pedir para ir na enfermaria e então ir no banheiro do quarto andar, já que ninguém usa.

Porra, caralho, cu, buceta e todos os palavrões conhecidos pela língua coreana.

Fodido não chegava nem aos pés da minha — nossa — situação.

Forçando um sorriso, segurei o pulso de Seonghwa, jogado sobre o meu ombro.

— Acho que esqueci minha carteira na sala — menti, já arrastando meu melhor amigo de volta ao corredor que havíamos acabado de sair. — Vão para a fila, a gente alcança vocês.

Em silencio, Seonghwa me deixou arrastá-lo por aí, todo seu peso colocado sobre mim, seus passos ocilavam e ele mordia os nós da outra mão. Estava em estado de choque, o vacilão, logo quando eu precisava que ele estivesse com a cabeça no lugar para a gente pensar em um plano juntos. Conhecendo San como conhecíamos, era óbvio que em pouco tempo ele daria com a língua nos dentes — com sorte não seria quando eu tivesse um Whopper Furioso na boca, senão eu morreria engasgado.

— Isso é tudo culpa sua! — O acusei assim que encontrei uma sala de aula vazia, tirando seu braço de cima de mim com mais irritação do que bom senso.

— Minha?! — Bufando, ele segurou os quadris daquele jeito que parecia destacar seu peito definido. Em outro momento eu até repararia no quão gostoso ele ficava com aquela camisa social do uniforme escolar, mas eu estava era puto de ódio. — Eu não ouvi você reclamar enquanto quicava na minha mão!

— Fala baixo, ô cacete! — Tapando sua boca com minhas duas mãos, suspirei, tentando manter a calma para não quebrar aquele rostinho bonito no soco. — Não importa de quem é a culpa, a gente precisa resolver isso.

— Mas foi você que me acusou!

MaS fOi vOcÊ qUe Me AcUsOu. — Recebendo uma careta nada agradável de Seonghwa, decidi parar com a provocação, se não quem levaria um soco na cara seria eu. — Enfim, o que a gente faz?

— Como eu vou saber, Yeosang?

— E se a gente chantagear ele?

— Com o quê? — perguntou Seonghwa. — Ele não consegue guardar nem os próprios segredos, não há nada sobre ele que a gente não saiba.

— Será? Deve ter alguma coisa.

— Que diferença faria? — Correndo a mão pelos cabelos escuros, ele batia o pé contra o piso de madeira. — Até a gente descobrir algum podre dele, ele já vai ter contato pra todo mundo sobre nós.

Sinceramente, eu senti pena dele, mais do que de mim até. Eu já havia aceitado minha sexualidade, sabia que gostava de homens e mais cedo ou mais tarde eu iria contar aos meus amigos. Queria que eles soubessem, queria ser sincero com aqueles que tiveram comigo durante todos esses anos. Aqueles garotos intrometidos e sem noção eram como uma família para mim, eram os irmãos que eu tanto queria quando criança e meus pais nunca chegaram a me dar. Então sim, aquela situação era uma merda, mas devia ser mil vezes pior para Seonghwa, que talvez não tivesse admitido nem para si mesmo que gostava de macho.

 

— Hey... — Tocando seu braço, arrastei meus dedos até acariciar seu pulso, só para perder uma batida no peito quando ele girou a mão e uniu nossos dígitos. — Vai dar tudo certo, ‘tá bom? Vamos falar com San, explicar tudo e pedir para ele não contar a ninguém.

— E se não funcionar?

— Vai funcionar. — Sem me conter, abracei sua cintura, tentando passar o máximo de confiança possível ao encarar seus olhos sem hesitar. — Confia em mim.

O único problema é que, secretamente, nem eu confiava.

Ainda naquela mesma tarde, nós dois fomos até a casa dos Choi implorar para que San guardasse nosso segredo. Ele odiou a ideia, pois sabia tão bem quanto nós que era um lixo em ficar de boca fechada. Ainda assim, depois de muita insistência nossa e uma pequena dose de tortura física, ele prometeu que daria seu melhor parar calar a matraca. Seonghwa e eu saímos de lá ainda inseguros, mas um tanto aliviados, também.

Mas a questão é que San ficou ainda mais estranho depois de fazer a promessa. Além de perguntar o tempo todo — o tempo todo mesmo — quem que liberava o rabo (o que eu, obviamente, respondia com um “vai se foder”), ele ainda evitava ficar comigo e Seonghwa ao mesmo tempo. Se nós entrássemos juntos em algum lugar, ele dava um jeito de sair de fininho. Se sentávamos do lado dele no refeitório, ele ficava quieto como um cadáver fedido e corria para longe na primeira oportunidade que surgisse.

Ou seja, o palhaço estava dando mais na cara do que devia.

Até mesmo nossos outros amigos, que — até onde a gente sabia — nem desconfiavam de mim e Seonghwa, já estavam desconfiando que havia algo errado com San. Era tão óbvio que ele estava escondendo algo que me dava vontade de matar o filho da mãe com uma colher. Ele estava prestes a explodir, eu sentia isso lá no fundo do meu cu, onde eu iria tomar bonito caso ele abrisse a boca. Por isso eu decidi conversar com meu melhor amigo sobre o assunto.

Eu sabia que terminar o que a gente tinha não ajudaria em nada, afinal, que diferença faria se eles soubessem que a gente se pegava, mas não mais? Isso não mudaria o fato de eu ser bissexual e nem o fato de ter transado com Seonghwa em segredo muitas e muitas vezes. Se eles fossem se sentir incomodado com a minha sexualidade ou com a do Park, o fato de estarmos sozinhos não tornaria menos incômodo; e se eles fossem se irritar por nós dois nos envolvermos dessa forma pelas costas deles, ser passado ou presente também não mudaria nada.

De toda forma, terminar nosso lance não era o que eu queria, mas não era só minha a escolha.

— E você acha que eu quero? — Foi o que Seonghwa perguntou quando eu sugeri que terminássemos o que tínhamos, mesmo que eu não quisesse isso. — Eu gosto do que a gente tem, Yeosang. Eu gosto de ficar com você desse jeito e eu não quero terminar só porque nossos amigos podem descobrir.

Estávamos em meu quarto, deitados lado a lado sobre a cama, encarando as estrelas neons coladas no teto enquanto tentávamos pensar no que faríamos. Ele sentia, assim como eu, que San iria contar aos outros de qualquer forma, mesmo que nós implorássemos.

— Mas se eles descobrirem — perguntei. — O que você vai fazer? Eu sei o que eu sou, Seong, e mais cedo ou mais tarde eu iria me assumir para eles assim como fiz contigo. Mas você...

— Eu também sei o que eu sou, Yeosang. — Ele respondeu, sua mão segurando a minha largada entre nossos corpos. — Eu sei que me sinto atraído por você, e você é um garoto, então é óbvio que eu gosto de garotos. Eu posso nunca ter gostado de nenhum além de você e talvez eu não goste no futuro também, mas eu sei que não posso ser chamado de heterossexual depois de tudo que nós fizemos. E eu gostei mesmo de tudo o que a gente já fez.

Me sentindo tímido de repente, escondi meu sorriso em seu ombro. “Eu gosto de você”, era o que estava na ponta da minha língua, a declaração prontinha para ser dita. Ainda assim, não tive coragem. Meu peito estava quente com as palavras alheias e meu estomago parecia borbulhar de euforia, então apenas apertei mais sua mão na minha e me mantive quietinho.

Eu esperava que, de alguma forma milagrosa, Seonghwa pudesse ler as entrelinhas do meu silêncio e entendesse o que eu não tinha coragem de dizer. Porque eu gostava dele, mais do que havia gostado de qualquer outra pessoa em meus curtos dezoito anos. Eu amava Park Seonghwa, da forma mais boiola e não-fraterna possível, e cada dia o sentimento ficava mais e mais óbvio parar mim.

 

[...]

 

Como já esperávamos, Choi San deu mesmo com a língua nos dentes, duas semanas depois de Seonghwa e eu decidirmos que não deixaríamos as opiniões de nossos amigos interferirem em nosso lance — e, felizmente, eu já havia engolido meu refrigerante quando ele jogou a informação da forma mais aleatória possível para cima de nós.

— Eu ouvi o Yeosang e o Seonghwa transando no banheiro do quarto andar da escola e eles pareciam dois coelhos no cio! — E alheio ao meu olhar de quem está prestes a arrancar uma cabeça, ele continuou de boca cheia, como se nada tivesse acontecido. — Nossa, esse novo hambúrguer é bonzão, né?

— Mas de que porra tu ‘tá falando, irmão? — perguntou Hongjoon, seu olhar correndo entre San, Seonghwa e eu com o queixo caído, a mesma expressão que os outros caras tinham.

Bem, nós poderíamos ter desmentido, não era como se o Choi pudesse provar a merda que dizia. Porém, após uma insegura troca de olhares e de darmos as mãos embaixo da mesa de madeira do Burger King, nós decidimos enfrentar de cabeça erguida a situação. Não era como se fizéssemos algo de errado, afinal.

— É, a gente ‘tá ficando — confirmei. — Mas se alguém perguntar quem dá a bunda, eu juro que quebro no soco!

E a reação deles? Bem, isso não é tão relevante assim.

 

 


Notas Finais


Antes de mais nada: https://www.spiritfanfiction.com/historia/operacao-caca-mingi-19910023

Choi San as Joey Tribbiani = TUDO PRA MIM.
Gente eu juro, JURO MESMO, que tentei não colocar putaria nesse capítulo mas foi impossível??? (eu olho esses personagens e só consigo pensar nisso, pelamor). Provável que o próximo não tenha, espero que gostem dele mesmo assim haha.
(spoiler do próximo extra: *baile de formatura*)

Enfim, espero que tenham gostado do capítulo e tenham achado tão engraçado quanto eu achei.
Beijos da tia Mari e até o próximo 💖

(ps: já votaram em #INCEPTION hoje? Nossos meninos merecem o #3 win ♥)


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