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História Quatro: "A Sombra da Guerra" - Capítulo 6


Escrita por: e ColinCipher


Notas do Autor


Aviso: refiz esse CP de um jeito mais agradável. Eu acho.
( ͡~ ͜ʖ ͡°)

Capítulo 6 - "Ecos na Escuridão"


Fanfic / Fanfiction Quatro: "A Sombra da Guerra" - Capítulo 6 - "Ecos na Escuridão"

Wave esgueirou-se pela cerca estropiada com as botas raspando no concreto. Não descobrira muitas outras coisas com Rias ao fim da tarde. Mas até que a garota fora fiel à palavra. Ambas as vítimas se conheciam. Eram melhores amigas. Na verdade. Eram como irmãs. Por isso ele voltou à casa dos Tanaka sem o total conceito de Samael. De início decidiu correr de volta ao café e buscar Sombra Assassina para o caso de se meter em encrencas. Depois entrou pela porta da frente da casa da família morta. Com a maleta presa ás costas por um cinto leve de malha de metal lavrado de forma inteligente. Tentou não olhar para os estragos que o assassino tinha feito. Até aí tinha visto processos grotescos do local onde as mortes tinham ocorrido e os cadáveres largados no chão como se fossem sacos de batatas.

Tudo muito depois das coisas terem acontecido. Já sabia muita coisa sobre o modo como tinham morrido. Hoje ele tinha programado em tentar saber quais eram os seus hábitos de vida. Tratava-se portanto de uma inspeção. Mas tudo o que ele encontrou fora uma caminhonete com bastante uso na garagem. Muito bem conservada. Havia também tacos de golfe e uma bicicleta de exercício. Brinquedos de adultos. Mas o equipamento de ginástica praticamente não tinha uso. Wave voltou sua atenção aos tacos de golfe. Tirou um dos tacos do saco e quase se desequilibrou ao ensaiar um remate longo. Quando voltou a encostar o saco dos tacos de golfe à parede. Sentiu o cheiro de couro que evolava dele. Eram os objetos pessoais do Sr. Tanaka. 

Wav - Nada aqui. 

Continuou a investigação de forma vaga. Procurando em toda a casa. Até encontrar um pequeno quarto de vestir no alto das escadas. Wave conseguiu chegar lá sem que tivesse de olhar à sua volta. Mas se não fosse o fato do espelho por cima do toucador se encontrar quebrado. Podia se dizer que o local se encontrava intacto. 

Wav - Hum. Ele esteve aqui também. 

Observou o garoto. Algum tipo de roupão encontrava-se pendurado e o armário revelava a leve desorganização característica de uma mulher que tinha muitos outros armários para organizar. Lá dentro havia uma máquina fotográfica e um diário em uma caixa de veludo cor-de-ameixa. Sua chave estava colada á tampa com fita adesiva. Juntamente com um talão de verificação do departamento de polícia. Wave se sentou em uma frágil cadeira branca e abriu o diário á sorte. 

Wav - Querido diário, era 23 de Dezembro, terça-feira. Fomos à casa da vovó. Até que foi legal comemorar o Natal e tudo mais, mas quando a vovó envidraçou a varanda dos fundos, detestei o modo como alterou o aspecto da casa. Mas tenho que concordar que afinal é muito agradável poder ficar sentada aqui com uma temperatura amena olhando para a neve que cai lá fora. Quantos outros Natais ela será capaz de aguentar com uma casa cheia de netos? Espero que ainda sejam muitos. 

Leu as palavras que estavam ali escritas. Mas o resto da página estava suja da cinza de charuto do detetive que já tinha passado por ali. Wave leu até já não ter luz. Passando por episódios como a operação de amígdalas da filha e um susto que a mãe tinha tido no último Junho quando tinha lhe aparecido com um caroço em um dos seios. Três páginas depois o caroço já era um quisto benigno que tinha sido facilmente removido. Wave esfregou os olhos por um instante. Passou uma página e mais outra. Até encontrar um assunto significativo no dia 29 de Abril. 

Wav - Ontem á noite eu tive um sonho bem perturbador... tão estranho que achei que fosse real. Algo ou alguém me perseguiu a noite toda. Chegou até mim e me puxou com força, a dor que eu senti era tão real que parecia que queriam me "matar", mas consegui escapar e vi a luz no fim do caminho. Não consigo me lembrar de mais nada. Porém, tenho certeza de que nada era mais assustador do que aquilo. O que foi que eu vi? Está tudo bem? Hana? 

Repetiu-se aquele nome em sua mente mais uma vez. Até que ele ouviu o telefone tocar no quarto. Ouviu-se um click e o zumbido de uma secretária eletrônica. 

Han - Alô? Quem fala é a Hana Tanaka. Peço desculpas por não poder atender neste momento, mas se após o sinal me deixar o seu nome e número de telefone, ligo o mais rápido possível. Obrigada. 

Soou a voz da garota. Wave esperava ouvir a voz de Samael depois do sinal de certo modo. Mas só distinguiu o ruído de fundo da ligação. Tinham desligado. 

Wav - Tudo bem.

Murmurou o garoto. Sem saber muito bem o que dizer. Voltou os olhos para o diário. 

Wav - Querido diário, eu sentia estar ficando pior, sempre vendo coisas que não existiam! Era o tempo todo e, uma vez, eu pensei que tivesse alguém dentro de casa. Ás vezes sentia que alguém estava me vigiando. Tinha uma sensação estranha perto do armário da escada, também. Caramba, você não está melhorando, Hana. Cuide-se, pelo Tim. Não, espera, estou falando comigo mesma pelo diário? Haha, sua louca... 

Estas últimas palavras estavam escritas num rabisco irregular. Como se a garota estivesse com pressa. Wave folheou até o começo para ver se havia um nome. Nada. Não havia nada ali. Nem um rabisco. Mas o garoto não se importou. Ouvira a voz dela. Agora queria vê-la. 

Wav - É hora de reavivar os mortos. 

Voltou à sala de estar. Trazia no bolso uma bobina de filme que tinha pertencido a garota. Três semanas antes da sua morte. Hana deixara o filme em uma loja para revelar. Nunca chegou a pegá-lo. Samael e um de seus contatos encontraram o talão na bolsa da garota. Tinham levantado o filme na loja e os detetives viram o filme caseiro. Juntamente com algumas fotografias reveladas ao mesmo tempo. Mas não encontraram nada de seu interesse. Wave queria ver os Tanaka em vida. Por isso ele vagou pela sala até encontrar o projetor dentro de um armário. Contudo. Não precisava fazer isso de forma alguma. Samael já pusera um projetor à sua disposição. Mas o garoto recusou porque queria ver o filme na casa. Queria estar preparado para o pior dos momentos. 

Wav - Tá bem. Vamos lá. 

Encontrou a tela e o projetor no armário da sala. Montou-os e sentou-se em um grande sofá de couro para ver o filme. Sentiu que havia alguma coisa no braço da cadeira que se colava à palma da mão. Marcas dos dedos de uma criança lambuzados com hortelã-pimenta. Wave angustiou-se porque sua mão ficou cheirando a bala. Deu de ombros e voltou sua atenção á tela e o projetor. Era um pequeno filme mudo bastante agradável. Muito mais imaginativo do que a maioria dos que costumava ver. Começava com as imagens de um cão que mais parecia uma minúscula bola de pelo cinza-escuro dormindo no carpete da sala.

Tinha ficado perturbado momentaneamente pelo zumbido e tinha levantado o focinho para olhar para a máquina. Mas aconchegou-se de novo e voltou a dormir. Segundos mais tarde as orelhas se arrepiaram de repente. Ergue-se e começou a latir. Wave viu a câmera seguindo-o enquanto se dirigia para a cozinha. Correndo para a porta onde parou expectante. Tremendo de excitação ao mesmo tempo que abanava o toco da cauda. Wave mordeu o lábio enquanto também aguardava. Até que a tela da porta se abriu e uma mulher entrou carregando sacos de supermercado.

Pestanejou para logo em seguida rir surpreendida ao mesmo tempo que compunha com a mão que tinha livre uma madeixa de cabelo que lhe caía sobre os olhos. Mas enquanto ela desaparecia da imagem. Notava-se o mover dos lábios. Logo em seguida surgiram as crianças com sacos menores. Eram os irmãos de oito e dez anos de Hana. Wave olhou-os mais atentamente. Foi então que o pai de um metro e noventa de altura surgiu na tela. Fez uma careta na direção da câmera como se fosse um veterano dos filmes feitos pela família. 

Wav - Estava tudo normal até aí. 

Observou o garoto. Logo ficou convencido de que esta parte do filme devia ter sido feita no início da Primavera. Já que a Sra. Tanaka tinha um aspecto pálido. Wave sabia que pela sua última visita ao necrotério o corpo dela se apresentava bronzeado e viam-se as marcas do traje de banho. Sem dúvida resultado da recente viagem aos trópicos. 

Wav - Espanha, talvez? 

Arriscou por um momento. Até pensou que ela fora para o Carine nas férias do verão passado. Mas logo desistiu do pensamento infrutífero. Voltou seus olhos para a tela á tempo de ver cenas breves dos meninos jogando pingue-pongue na garagem e de Hana desembrulhando um presente no quarto. Sua a língua ficara dobrada sobre o lábio superior em um esforço de concentração enquanto um farrapo de cabelo lhe caía sobre os olhos. Empurrou o cabelo para trás com a mãozinha gorducha como a mãe tinha feito na cozinha.

Outra cena mostrava a garota em um banho de espuma. Agachada como uma pequena rã. Com uma enorme touca de banho na cabeça. Mas o ângulo da câmera era mais baixo. Seu foco não se mantinha estável. Contudo a cena terminou com ela gritando para a câmera sem que se ouvisse qualquer som. Cobrindo o peito enquanto a touca de banho lhe escorregava para os olhos. Nitidamente o resultado do trabalho de um dos irmãos. 

Wav - Alguém queria dar o troco nas férias de verão.

Observou o garoto por um bom momento. Só então o filme terminou com uma cena de um repórter falando na televisão. Com um grande plano do pai da família ressonando na cadeira onde o exorcista se encontrava sentado agora. Mas depois do filme ter acabado. Wave ficou olhando para o retângulo de luz projetado na tela. Gostava dos Tanaka lamentava ter estado no necrotério. Lembrou-se de que o lunático que os tinha visitado também devia ter gostado deles. Mas o lunático gostava deles mais da maneira como se encontravam agora. Por isso Wave sentia-se incapaz de raciocinar. Sua cabeça fervilhava de idéias. 

Wav - Onde estava o cão? 

Perguntou a si mesmo talvez pela décima vez naquele dia. Antes de se levantar e começar a guardar o projetor. Pegou o celular em seu bolso. Discou número que Fiona lhe dera enquanto pensava em duas coisas ao mesmo tempo. Mas agora ele só tinha um pensamento. Isso não acabaria ali. Nem em um milhão de anos. Wave pegaria o assassino. Na verdade. Precisava. 

Wav - Alô, Fiona? É o Wave. 

Apertou silenciosamente a tecla do telefone. Ouviu um zumbido mudo do outro lado da linha. Depois a voz da garota rompeu na noite como fogo de canhão. 

Fio - W-Wave?! Eu te procurei durante o fim da aula e não o encontrei em lugar algum. Onde você está? 

Wav - Você sabe onde, na casa dos Tanaka. Mas não conta pro tio, tá bem? Ele não sabe que eu saí escondido. 

Fio - Ah, que maravilha! Qual é a sua emergência?

Wav - Onde está o cão?

Falou o garoto ao telefone. Sem rodeios. Indo direto ao assunto que ele gostaria de perscrutar. Ouviu-se um suspiro profundo da garota do outro lado da linha. Fiona parecia estar tentando controlar a raiva. Pelo menos. Isso era bom. Já que na última vez que Wave comentara que havia falado com Rias. Fiona ficou uma fera mesmo. 

Fio - Rias? Uma Gremory?

Arquejara a governanta sem rodeios. Tinha encarado o garoto sem conseguir acreditar. Tremendo de raiva e indignação. 

Fio - Você faz ideia de quem ela é? 

Avançara para ele com um olhar mortal que sempre parecia estar presente em seu rostinho bonito. Wave acabou recuando. Sabendo por experiência própria que uma vida de trabalho duro tinha dado àquela garota um braço muito forte. Mas parte do assunto era uma meia verdade. Wave não fazia ideia de quem Rias era. Não sabia nada sobre ela. Na verdade. Não sabia nada sobre a sua família. Mas quando Fiona lhe dissera que a ruiva pertencia a uma família próspera do inferno. Wave ficou pasmo. 

Wav - Genevieve vai me matar. 

Pensou durante a perda se seus sentidos. Certamente Genevieve o mataria agora. Mas primeiro ela teria ido à igreja. Acendido uma vela e rezado por ele. Teria dito a que aos olhos de Deus ele era perfeito. Wave só se perguntava como ela podia saber disso. 

Wav - O cão, Fioninha. Estou ficando sem tempo e gostaria que você me dissesse algo sobre isso. 

Voltou a falar ao telefone de forma teimosa. 

Fio - Já te disse, Wave, não tem nenhum cão. 

Wav - Você também viu o filme, minha cara, lembra? Tem que haver um cão. 

Fio - É verdade. Mas não parece haver um cão na casa. Talvez ele tenha fugido ou sei lá o quê. Já procurou no jardim? 

Wav - Eu não estaria ligando se tivesse tanta certeza. 

Grunhiu o garoto e foi-se pelo jardim até a rua que dava para o pátio. Ruídos desconsolados vieram do outro lado da linha. Wave quase não conseguia decifrá-los. 

Wav - Tá bem, droga. Eu procuro o bicho sozinho então. 

Fio - Posso ajudar em alguma coisa, pelo menos? 

Wav - Ainda não consegui agarrar nada de palpável, Fiona. Os dados não são suficientes. Bom, há montes de informações, mas ainda não as trabalhei o suficiente. Mas já que você perguntou, então, eu não sei bem com o que você poderia ajudar. 

Fio - Não quero te chatear pedindo que venha para casa, mas anseio que o faça. Samael está ficando preocupado. 

Wav - É ele que está preocupado ou é você? Porque minha cara, pelo que me lembro, ele não é capaz de fazer isso. 

Afirmou o exorcista de forma amena. Fez-se um clique quando a garota desligou. Wave sorriu por um instante. Guardou o telefone no bolso e examinou rede de ruas que cercavam o prédio outra vez. Nada. Não havia ninguém em um raio de quilômetros.

Wav - Está bem.

Resmungou o garoto. Pegou o celular mais uma vez e telefonou direto para o café. Deixou um recado para Samael dizendo-lhe que na manhã seguinte queria começar a ajudar com o trabalho de garçom no estabelecimento. Não havia mais nada que se pudesse fazer. Por isso ele foi-se pela rua principal noite adentro. Com um vento que agitava algumas páginas de jornais pela rua. Wave precisou correr para pegar o último ônibus da linha que passava perto da casa dos Tanaka. Mas conseguiu e logo estava olhando para as ruas através do reflexo na janela. Indo para o Café LeBlanc.

Trocou de ônibus duas vezes. Felizmente para linhas que corriam a noite toda. Depois ele andou mais de um quilômetro para chegar. Passando por conjuntos residenciais cheios de pichações e lojas escuras e trancadas. Wave procurou no bolso as chaves que Samael havia lhe dado quando se estabelecera no prédio. Mas parou ao ouvir um lamento de mulher. Sua mão segurava a alça da maleta. Incapaz de se movimentar. Incapaz de reagir. Wave ficou paralisado. Seu coração batia acelerado com o entusiasmo. Percebera que ansiava por algo assim. Percebera que ansiava por problemas.

Problemas de verdade. Por isso ele saltou da porta da entrada do café e foi-se pela rua para ganhar mais distância. Passou por alguns prédios e depois parou para ouvir. Espreitou noite adentro. Aquela área da cidade estava cheia de edifícios de apartamentos de três ou quatro andares com vielas estreitas. Wave não saberia dizer como as pessoas conseguiam viver sem nenhum espaço ao redor. Até ele teria enlouquecido. Mas não enlouqueceu. Não quando outro grito cortou a noite. Mais perto dessa vez. Wave avaliou a distância e a visibilidade. Ainda estava boa. 

Wav - Lá. 

Ouviu-se outro estalo romper o silêncio. Wave saltou para a rua e correu o mais depressa que suas pernas podiam levá-lo. Virou em uma esquina á tempo de ver uma mancha escura do tamanho de um cachorro grande. Parecia escapar como fumaça por uma janela aberta. Parou por um momento. Depois fluiu lateralmente para uma calha. Fez uma curva e subiu ainda mais um pouco. Deslizando para o telhado. 

Wav - Mas o que...? 

Indagou Wave. Pasmo. Observando boquiaberto a fumaça que se movia por vontade própria enquanto ela flutuava sobre os edifícios e desaparecia. Só então ouviu-se o grito agudo romper o silêncio outra vez. Vinha do beco á sua frente. Wave não conseguiu divisar muitos detalhes. Mas viu alguém refugiando-se atrás de uma pilha de caixas próxima à entrada do beco. Encolhido em um canto.

Wav - Ei!

Adentrou o beco á passos largos. Indo até o vulto escondido. Conseguia vê-lo melhor agora. Era só uma garota. Mas ela estava com uma aparência terrível. Como um pedinte de rua que se perdera. Seus cabelos escuros foram enfiados sob um gorro. Pendiam em mechas compridas molhadas ao redor dos ombros. Seus olhos de cor lilás brilhavam no rosto com pele azeitonada. Sua boca sensual e beijável estava centralizada sobre um queixo teimoso. Sua saia comprida estava suja de lama em volta de toda a bainha e a blusa parecia estar encharcada. 

Wav - Você está bem? 

Tentou fazer uma voz reconfortante. Mas a garota se esgueirou para trás. Saindo do campo de visão dele. 

Wav - E-ei, tá tudo bem. Pode sair. 

Deu meio passo para a frente. Só então a garota fez que sim com a cabeça. Parecia abalada e temerosa. Mas fora alguns arranhões no rosto. Estava ilesa. Wave lentamente ajudou-a a se levantar. Conferindo a situação. 

- V-você veio. Obrigada mesmo.

Soltou o fôlego de repente. Sorriu por um instante. Escondeu as mãos atrás das costas e deu um último passo adiante. Só então algo cintilou no ar. Wave não vira nenhum dos braços da garota se mover. Mas ela deve ter conseguido fazer algo de alguma maneira. Porque logo depois havia algo na mão dela. Algum tipo de chicote laminado que brilhava carmesim com um emaranhado de linhas entrelaçadas enquanto o golpeava. Enrolando os tornozelos dele e fazendo com que seus pés saíssem do chão. Wave logo desabou bateu no concreto com um impacto forte.

Wav - Puta merda!

Praguejou o garoto. Tonto. Antes de rolar sobre a barriga e pôr-se de quatro. Mas quando voltou seu olhar para a garota. Sua figura feminina começou a tomar forma. Seus cabelos escuros enfiados sob o gorro ganharam um pigmento carmesim e caíram soltos ao redor dos ombros. Seus olhos de cor lilás ficaram opacos e enevoados como um céu de inverno. Agora os indícios mais óbvios de seu verdadeiro eu eram as peças de armadura escura que vestia. Contudo a mulher na frente dele era exatamente o que parecia ser. Inumana. Linda. Muito poderosa. Divina. Até Wave conseguia ver como os acontecimentos recentes colaboraram para endurecê-la. Só levou ainda mais um minuto para recuperar o fôlego. 

Wav - Você só pode estar brincando. 

Arquejou ele com voz estranhamente exausta. Pasmo. Sua dominatrix sorria agradecida. Como se ele houvesse lhe concedido um favor especial ao respondê-la. Isso só o fazia se sentir pior. 

- Te peguei.

Falou a mulher entredentes. Sorrindo maldosamente. Wave podia ver a joia vermelha centralizada em um ponto específico no meio de seus seios. Pulsando como um coração fora do peito.

Wav - É, você me pegou e tudo mais, mas eu tenho que ir. Agora.

Falou ele com uma confiança que não sentia. Tentou se soltar do chicote. Mas a arma acabou penetrando ainda mais sua pele. Wave teve a sensação de ser trespassado por uma espada. Sentiu os nervos berrarem de agonia como se a carne dentro dele fosse assada por dentro. 

- Ha! Mundano idiota, pensa que pode se livrar de mim assim tão facilmente? 

Riu a mulher de pé sobre ele. Fazendo-o se debater no chão frio do beco. Contorcendo-se e lutando para livrar-se de seu corpo. Wave queria berrar. Mas nada saiu além de um grito silencioso. Sentiu as trevas se aproximando e as recebeu de braços abertos. Qualquer coisa seria preferível àquele tormento. Até a morte. Mas conforme o alívio abençoado da inconsciência o levou. Wave ouviu a mulher gargalhando. Como se estivesse muito longe. 

Mas a conexão da arma entre eles não o soltava. Só se manteve forte e o puxou de volta do limite. Wave ergueu o queixo para ela enquanto tateava o chão á procura da maleta. Mas a mulher segurou as mãos dele com força. Curvou-se em sua direção com um olhar mortal e gelado. Abriu a boca mostrou um sorriso que brilhava como água venenosa. Sua voz murmurou uma risada malévola que ecoava com gritos sofridos dos recantos mais obscuros do mundo.

- Eu não faria isso, se fosse você, querido. 

Continua...



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