História QUATRO ESTRELAS - Original - Capítulo 15


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Deuses, Drama, Família, Historia De Amor, Magia, Mitologia, Religião, Romance
Visualizações 5
Palavras 2.165
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Compartilhe essa história e favorite para receber os capítulos...
QUATRO ESTRELAS mudará sua vida para sempre!

Capítulo 15 - Adeus ao Vale da Terra


Fanfic / Fanfiction QUATRO ESTRELAS - Original - Capítulo 15 - Adeus ao Vale da Terra

Maria Margarida percebeu que estava dentro de um avião. O mesmo que a levou para o Vale da Terra e finalmente ficou aliviada depois de muitas horas por saber que estava com amigos. A moça estava deitada numa maca e viu Belinda ao seu lado sorrindo e usando um vestido vermelho já sem a capa de antes.

— Você está bem, Margarida?

A pergunta não foi respondida. A moça tentou se levantar, mas Bela logo disse que não podia, pois ainda estava se recuperando da fumaça que engoliu.

— Você deve repousar por algum tempo, entendeu?

— Mas o que aconteceu, Bela?

Belinda se perguntava se deveria contar tudo assim tão de repente, porém, em uma breve reflexão imaginou que um esclarecimento poderia acalmá-la em seu repouso.

— Você desapareceu ontem. Procuramos por todo lugar, mas não se encontrava em canto algum e o pobre do Lindalvo pensou que iria ocorrer o mesmo que houve com seus pais. Seus irmãos também se desesperaram junto com ele. Mas por sorte eu tenho um amigo muito antigo que ajudou seus tios no passado, Ernest Sullivan, ele tem muitos conhecidos em muitos outros povoados diferentes e não foi difícil para ele descobrir que o inútil do Rafael, que se autodenomina rei de Mufassa, havia lhe raptado e te mandado para a torre onde ele vive. Sabe por que ele fez isso, Margarida?

A moça respondeu em um sussurro audível.

— Ele achava que tendo a minha posse, poderia ser o dono do Vale da Terra.

— Sim, ele tinha razão. Você é a flor de esmeralda daquele povoado e é você quem decide o futuro daquela floresta e de todos os seus moradores, ora, não te dizemos nada antes porque esperávamos o momento certo e é justamente por isso que tantos inimigos te procuravam quando você era apenas uma criança.

A cabeça de Margarida ficou muito mais embaralhada. Só pensou em fazer uma pergunta para acalentar sua alma e sua curiosidade.

— Como vim parar aqui?

— Bom, depois que Ordem dos Millians e eu conseguimos entrar na torre e te tirar de lá houve um grande tiroteio, isso não estava nos planos. O Rafael fugiu e mandou seus homens para nos enfrentar. Após isso, aconteceu um terremoto muito rápido, o tremor durou menos de um minuto, mas a pedreira se desmoronou e se não fosse o terremoto, aqueles homens não teriam fugido e nós poderíamos estar mortas agora. Nós tivemos muita sorte, Margarida.

A moça, em seus pensamentos bagunçados, se perguntava se era certo ter sorte em meio a tragédia que foi responsável pela morte de pessoas, sejam boas ou não, eram vidas que não podiam ser dissipadas assim de forma tão cruel. No fundo, Margarida era como Úrsula, a sua mãe de criação, que ao ver uma cena triste logo imaginava um mau pressentimento como um futuro amargo.

— Eu e meus amigos conseguimos tirar você de toda aquela poeira e fomos para um médico próximo que nos examinou. Eu engoli um pouco de fumaça, mas você ficou mais debilitada que a gente...

Não demorou para Margarida voltar a dormir por causa do cansaço e sonhar com a acácia amarela que embelezava a Praça Central de Rosenbach, uma recordação que queria guardar por toda a vida. O avião cruzava o ar mais rápido que podia indo o mais distante que a própria Margarida poderia imaginar. Horas foram passando com uma grande rapidez naquele domingo e o magnífico transporte se encontrava sobrevoando magníficas montanhas com neves mais brancas que o algodão em cima da Cordilheira dos Andes entre o Chile e a Argentina.

Pousaram finalmente em uma pista plana, já haviam pessoas esperando por Belinda que desceu em meio ao grande frio e o vento que a arrepiava. Seus cabelos estavam despenteados com a expressão da natureza que estava forte e inquieta. Depois, os dois pilotos desceram também carregando a maca que continha Margarida desacordada com tanto trauma em pouco tempo.

Um homem já em estado de velhice com uma longa barba branca a aguardava junto de seus empregados prontos para pegar a maca com a jovem moça dos olhos de mel. Ele usava uma manta bem forte para se proteger do frio, mas ao vê-la adormecida e desprotegida da temperatura, tirou a sua manta e pôs em cima dela mirando seu colar, principalmente o pingente de esmeralda que trazia consigo.

— Belinda, como vem nesses trajes para o Monte? — foi o que ele perguntou — Vai morrer congelada.

Belinda sorriu ansiosa para voltar ao avião, ainda tinha muitas coisas para serem feitas naquele domingo que nunca terminava.

— Max, meu grande amigo, nem tive tempo de buscar um casaco. Resolvi vir há pouco tempo para cá, acho esse lugar o mais seguro do mundo para nos escondermos, pois tenho que proteger a moça do Rafael... — respondeu ela quase gritando pelo vento que uivava continuamente — Vou voltar imediatamente para o Vale e trazer os outros.

— Saiba que a partir de hoje eles serão meus pupilos junto com você.

Belinda o abraçou e sussurrou no ouvido do ancião: "seu filho é um rapaz muito inteligente''. Por fim, a bela mulher voltou ao avião e voou junto ao céu deixando Max que não se importava com o frio que sentia sem a sua manta. Mandou os empregados levarem Margarida para sua residência e ficou lá mirando o céu encoberto esperando o retorno de seu filho tão amado.

Pouco tempo passou... A florux de Belinda estava cheia de pessoas aflitíssimas, a começar por Lindalvo e Flora que tiveram de ser acalmados por Belinda que havia acabado de chegar. Depois teve de dizer ao Calebe que tudo estava bem com Margarida para depois mandá-lo gentilmente ir embora. Consequentemente, estavam em sua casa-árvore três irmãos muito preocupados com a moça dos olhos de mel.

— Como ela está? — foi a primeira pergunta de Miguel.

— O que aconteceu para ela sumir? — emendou Eva.

Bela se sentindo muito acuada diante daqueles três olhares interrogativos e muito cansada da longa viagem que fez para Mufassa, depois para o Monte e por fim para o Vale, os encarou pedindo clemência.

— É capaz dos três ficarem muito bravos com o que irei dizer, mas é preciso cooperação para chegarmos ao melhor para todos.

Ela pediu para os jovens se sentarem nas poltronas envoltas do gramofone, pois achava que a conversa seria trabalhosa. Começou direto ao ponto:

— Não foi coincidência o fato de vocês junto com a Maria Margarida serem deixados com Úrsula. Todos os quatro vieram de famílias que veneram os deuses elementares e seus pais foram perseguidos pela Ordem Elementar que tem uma visão distorcida da religião, o que gera grande horror a todos nós.

Os três jovens ficaram surpresos com o rumo da conversa, não imaginavam que Belinda falaria do passado tão desconhecido deles e começavam a perceber as ocultações que o tempo lhes distribuiu pela boca de Dona Úrsula.

Belinda começou a contar o verdadeiro passado dos jovens com medo de suas reações, pois ela sabia que em muitas vezes, uma verdade machuca mais que uma faca atravessando a carne, ainda mais quando se é um adolescente...

— Há quatorze anos os povoados onde nasceram foram ameaçados pela Ordem Elementar que tem uma visão diferente dos quatro deuses elementares e querem impor essa religião ao mundo, ora, vocês sabem o que houve com os pais de Margarida… Então, como aconteceu com ela, a família de cada um abriu mão de permanecerem com vocês para assim ficarem finalmente seguros...

Belinda suspirou calmamente para continuar com a história que mudaria a vida dos jovens a sua frente. O silêncio reinava enquanto o coração batia pelo medo de descobrir a verdade. Ela continuou:

— Não pensem que foi fácil para eles, mas estavam correndo um grande risco de perderem vocês para sempre, e esse temor aumentou com o desaparecimento dos pais de Margarida, assim os entregaram para Úrsula para que vivessem de forma comum e sem suspeitas. Numa cultura em que os deuses elementares nem são citados!

Era difícil para os três jovens acreditarem em tudo isso, porque se fosse absoluta verdade, suas vidas se resumiriam em uma grande mentira e a história narrada por Belinda parecia muito mirabolante. No entanto, a vontade de desvendar o passado renasceu e naquele momento reacendeu uma vaga esperança que primeiro se manifestou no coração da eterna pianista que perguntou:

— Sabe o que houve com meus pais?

Belinda mirou a jovem Eva que se mostrava verdadeiramente esperançosa com a possibilidade. Sentiu pena da bela moça com pele cabocla e cabelos mais bonitos do mundo, por isso, com um leve e bonito sorriso disfarçando a dor no peito pela mentira que contaria, respondeu:

— Não sei muito do seu passado, ou não tão quanto sei o de Margarida porque Lindalvo sempre foi meu amigo e conheço a história do Vale da Terra muito bem, no entanto, nunca conheci seus pais e o povoado onde nasceu, apenas sei que fica num lindo canto do Pacífico escondido dos navegadores que rondam aquele infinito azul.

Rodrigo em meio a toda a novidade que Belinda estava narrando para eles se lembrou de algo importante e se culpou por não ter indagado antes como estava sua irmã, pois as novidades foram demasiadas naquele dia.

— E Margarida? Onde está minha irmã? — perguntou o rapaz já temendo uma resposta — Que lugar é esse que ela estará protegida?

Essa pergunta fazia lembrar mais uma coisa que Belinda deveria contar para os jovens. Ela já estava se preparando para isso há dias com medo de suas reações, mas a situação não lhe dava outra escolha e mesmo cansada tanto no corpo quanto no espírito, se acumulou de forças para continuar a falar:

— Margarida está afastada porque ela não pode voltar para o Vale da Terra que se mostrou um lugar instável e muito menos para Rosenbach, que foi descoberta e oferece perigo para ela e para vocês também... Tenho que dizer que não poderemos voltar por um bom tempo para Rosenbach...

Eva se levantou exaltada de tal revelação, ela estava esperando a dias para retornar a sua cidade e encontrar a sua mãe e também o piano que já estava sentindo uma grande falta, quase insuportável!

— Eu quero voltar para Rosenbach ainda hoje, Bela!

— Mas Eva, infelizmente, não será bom para ninguém, até pode pôr a sua mãe em risco visando que ela está com você. Nós devemos ir para outro povoado.

—Não Bela! Eu não entendo esse risco! Eu tenho amigos, escola, aulas de música e o meu piano... As férias já estão acabando e eu não aguento mais ela.

Miguel se levantou e segurou as mãos de sua grande amiga de toda a vida. Apenas ele poderia acalmá-la de toda afobação que a moça passava, pois os dois tinham uma comunicação interior muito forte onde ambos se conhecem muito bem, por isso ela se acalmou até que o rapaz dissesse:

— Eva tem razão, nós devemos voltar a nossa cidade o quanto antes e Margarida também, pois o nosso lugar é em Rosenbach e nós nem sabemos o que é esse risco que tanto falam, ora, parece tudo fantasioso!

Belinda também se levantou e sorriu para o rapaz, dessa vez mais animada pela boa notícia que tinha para contar:

— Miguel, a Ordem Elementar acredita que tendo a posse de vocês terá a posse do povoado onde nasceram, enfim, sei que é difícil entender, mas talvez o seu pai explique melhor, pois seu pai é o Max Millian!

Esse argumento quebrava qualquer situação de oposição. Miguel não poderia deixar a possibilidade de encontrar seu pai verdadeiro e Eva mudou de ideia diante desta perspectiva, nunca iria deixar escapar a chance de finalmente saber onde estava sua família, ela estava preparada a seguir esse rumo que encaminhava para um novo destino. Já Rodrigo nunca quis voltar para sua cidade, ele queria estar perto de sua amada, nem que seja para estar de longe a observando sentindo seu coração bater mais forte ao mesmo tempo que sua alma se abarrotava de expectativa.

Assim, todos daquela já peculiar casa-árvore fizeram suas malas e pegaram seus pertences para seguir em uma nova viagem que não faziam ideia para onde seria, mas tinham o conhecimento que era lá que estava sua irmã Margarida e que lá nascia uma nova esperança e uma nova oportunidade para desvendar o passado que eles tanto queriam, uns mais, outros menos, mas o sentimento era uno, uma vez que os quatro jovens da Maia não eram irmãos se sangue, sim irmãos de alma.

Não houve despedidas de nenhum amigo do Vale da Terra. Saíram na calada da noite, afinal era importante que ninguém soubesse para onde iriam. As bagagens foram postas no velho automóvel e Lindalvo dirigiu em silêncio sentindo uma pontada no coração. A tristeza gemia naquela constelação de fim de domingo, principalmente quando os jovens viram a lua cheia no alto do avião e o coitado do Lindalvo os via sumir relembrando do passado quando perdeu para sempre seu irmão e do presente quando quase perdeu para sempre a sobrinha que tinha como uma filha.


Notas Finais


A história melhora com o passar dos capítulos. Portanto, continue lendo que não se arrependerá!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...