História Quatro Estrelas - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Deuses, Drama, Família, Guerra, Historia De Amor, Magia, Misticismo, Mitologia, Religião, Romance, Wicca
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Palavras 2.071
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Trata-se de uma história maravilhosa que apenas melhora com o passar da leitura...
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Capítulo 16 - Max Millian


Fanfic / Fanfiction Quatro Estrelas - Capítulo 16 - Max Millian

As horas da viagem pareceram incontáveis. Lá em cima, nem as turbulências e nem o medo de altura os assustavam mais e a única coisa que queriam era chegar logo ao fim do destino. Bela dormia lindamente, pois ficou muito fatigada com as últimas emoções e Rodrigo a olhava de longe tristemente sentindo culpa por tê-la transtornado.

— Por que está tão triste, Rodrigo? — Eva sentou ao seu lado. Estava visível que ela percebeu um clima diferente entre o irmão e Belinda.

— Porque acha que eu estou triste?

— Ora, fazem quase vinte e quatro horas que não diz algo tolo, que não faz uma piada e não ri. Pensei que fosse preocupação por Margarida, mas como já sabemos que ela está bem, não vejo mais motivo para tanta tristeza.

Eva pôs a mão no ombro de Rodrigo tentando reconfortá-lo. A verdade era que Eva da Maia tinha um amadurecimento de mãe para cuidar daqueles que amava, pois sentia que na falta de Úrsula deveria reconfortar os seus irmãos.

— Tenho nada a dizer, apenas não estou num bom dia. — Rodrigo respondeu seriamente.

Eva sorriu para ele tentando confortá-lo e não parecer intrometida.

— Você não tem maus dias, Rodrigo. Você é como o sol, brilha em todo o momento, tanto que todo o mundo gosta de ti e não há um ser que não acabe como seu amigo... — ela olhou para a janelinha do avião — Eu é que sou como a lua, apenas brilho completamente em determinados dias como a lua cheia que estamos vendo e há dias em que a felicidade só vem pela metade e outros que me encontro sem um pingo de luz feito uma lua nova...

— Está exagerando, Eva. Apenas diz isso porque ficou três semanas sem ver o piano e as aulas de música.

— É claro que é por isso, mas também é muito difícil imaginar que algo que eu sonhei durante tantos anos pode nunca acontecer. Percebi quando perguntei o meu passado para Belinda e ela hesitou em responder... Sabe, olhe para o Miguel, se eu fosse ele nesse momento seria o verdadeiro sol, ou a própria Margarida que reencontrou os tios, deve ser uma maravilha conhecer o passado!

— Não diga isso, Eva, sabe muito bem que Margarida ficou arrasada por não saber o paradeiro dos pais verdadeiros.

— Existem prós e contras. Ela sabe quem eles são e a sua história. Tudo pela boca de Lindalvo. Quem pode falar sobre o meu passado?

Rodrigo se irritou como sempre se irritava quando era tocado nesse assunto.

— E por que quer saber? A minha mãe é Úrsula e meus irmãos são vocês. Essa é a minha família e eu não quero saber o motivo da outra ter me abandonado quando eu tinha apenas dois anos. Para mim não faz a menor diferença.

Eva o olhou com repreendimento. Como podia dizer algo assim? Se o que Bela disse fosse verdade, seus pais não teriam a menor culpa do que aconteceu. Disse isso para ele, mas a resposta foi mais desagradável:

— Será que o que Bela diz é verdade? É difícil acreditar. Olha, eu gosto muito dela, mas nesse assunto a razão é muito mais forte que a emoção!

Rodrigo queria que fosse assim em todos os sentidos... Eva foi para a cabine perguntar ao piloto quanto tempo demoraria a chegarem ao destino da viagem. Ele respondeu uma hora. A moça foi dizer ao Miguel que estava num canto lendo “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Brontë. Apenas um romance para esquecer a iminência de uma decepção futura ou uma felicidade duradoura.

Amanhecia no Monte do Ar. Ficaram sabendo do nome do povoado quando perguntaram ao piloto que respondeu prontamente. Miguel guardou o livro e pegou sua mala, estava disposto a sair do avião de cabeça erguida para o que pudesse acontecer. Ele estava muito curioso, mas não perguntou a Belinda detalhes de seu possível pai porque expectativa é a maior cilada para quem quer evitar decepções.

Belinda pegou casacos bem fortes e deu a cada um de seus pupilos, todos eram brancos como a luz da lua ou da neve acima da montanha.

— Aqui é necessário sair com casacos, pois faz um frio sufocante...

Saíram seguidos do piloto e viram pela pouca luz do amanhecer gelado o homem já velho de longa barba branca usando um sobretudo branco de rosto altivo e lívido. Atrás dele seus empregados prontos para pegarem as bagagens dos visitantes. Belinda se apressou, abraçou o amigo e disse a ele em voz elevada por causa dos uivos do vento que de certa forma sufocava a sua voz:

— Max, esses são os meus pupilos: Rodrigo, Eva e Miguel...

O homem se adiantou a frente e beijou a mão de Eva como um cavalheiro, depois apertou a mão de Rodrigo como um grande amigo e abraçou Miguel como se faz um pai. Foi um acontecimento inesperado para o rapaz, porém a partir desse momento teve a certeza que ele era realmente seu pai. Como seria diferente?

— A saudade que devastou minha alma todos esses anos não foi capaz de destruir as lembranças que tinha de você — Max sussurrou, mas nem os uivos do vento conseguiram calar a sua voz.

Eles andaram por uma estrada que desciam a montanha vendo lá em baixo o povoado cheio de casinhas bonitinhas acompanhada por belas ruas de paralelepípedos, lá embaixo não havia neve como no alto da montanha. Entraram logo depois em um carro que desceu ao povoado e parou em frente a uma enorme casa branca com amplas janelas de vidro. Entraram após o Max Millian e inesperadamente ouviram um grito lá de dentro. Era Margarida muito feliz por ter reencontrado os seus irmãos de criação. Abraçou cada um e os beijou muito. Disse que sentia muitas saudades, afinal, um dia inteiro sem vê-los era com uma vida sem alegrias e viços. Já ia falando que foi muito bem recebida no Monte e que começava a esquecer seus tormentos na torre tenebrosa.

— Margarida, — interrompeu Belinda — acho que Miguel e Max precisam conversar agora, não é melhor deixá-los irem...

— Mas é claro que sim. — e a moça dos olhos de mel continuou contando o que passou apenas para Rodrigo e Eva.

Max puxou o rapaz e o levou para um escritório. O velho iluminou o ambiente e acendeu a lareira rapidamente para deixar o lugar mais aconchegante. Miguel percebeu que estava numa sala cheia de estantes contendo vários livros em diversos idiomas. Ao fundo da sala havia uma mesa de escrivaninha a frente de uma grande porta de vidro com vista a um jardim sem vida pelo frio sufocante.

Miguel sentou em frente ao Max com a mesa de escrivaninha no centro, era muito estranha aquela situação que ele não imaginava ter tão cedo. O rosto daquele velho era bondoso por trás daquela longa e bela barba de gente sábia.

— O senhor é de fato meu pai?

Max respondeu tentando consolar tantos anos perdidos.

— Eu sou o seu pai, Miguel. Não queria te deixar, mas imagine o temor que eu passava naquela época, com gente desaparecendo, com loucos te procurando!

Miguel, o rapaz com seu rosto sereno, mostrava certa severidade por trás dos óculos quadriculados. Eram muitos dizeres engasgados em sua garganta que precisava sair imediatamente:

— Que temor é esse? Meu Deus, não sabe o que é viver sem ter passado. Vejo o exemplo de Eva que é a que mais sofre com essas ocultações.

— Queriam ter você, Miguel. Para te matarem ou coisa pior. Foi necessário o abandono para que você vivesse em segurança sem nenhum risco fatal.

O rapaz não conteve a desconfiança. A história contada por Belinda e emendada por Max Millian era muito absurda para ser acreditada facilmente.

— Por que acreditaria no senhor?

— Porque é a verdade e você pode reconhecê-la ao longe que eu sei. Miguel, há muitas pessoas de mau coração no mundo e elas conseguiram fazer muito mal a nossa família e também aos seus irmãos de criação. Tudo pelo Vale da Terra que é uma floresta valiosíssima e pelo Monte do Ar, um povoado também de imensa riqueza.

Miguel pôs a mão no rosto. A sua cabeça doía, talvez pela longa viagem de avião. O rapaz olhava para aquele homem de mais idade com corpo frágil, mas rosto forte e no fundo mais branco e luminoso de seu ser, queria acreditar que ele fosse seu pai de verdade. Não sabia o porquê, mas mesmo sendo adotado com já três anos de idade, época que deveria ter recordações, ele não se recordava de nada e as montanhas eram as únicas recordações que tinha. Ora, sabia que esteve naquele povoado no passado, o vento lhe era familiar!

— Eu acredito que o senhor é meu pai.

Max sorriu.

— E a minha mãe?

Max sabia que essa pergunta seria feita mais cedo ou mais tarde. Ele pegou uma fotografia na gaveta da escrivaninha e deu para o filho. Se tratava de uma mulher elegante ao lado de Max muito mais novo ao fundo de um jardim de primavera e pôde perceber que a foto era muito antiga e gasta pelo tempo.

— Se chamava Diná. Nós tivemos você já na velhice e ela morreu no parto. Fique com a foto, eu peço.

Houve um breve silêncio após a notícia que foi consolada quando o velho lhe disse muito calmamente se lembrando do passado:

— Ela escolheu o seu nome. Miguel foi o avô de minha Diná e ela o adorava, pois foi ele quem a criou quando seus pais morreram...

A conversa entre os dois durou toda a noite enquanto Miguel narrava a sua vida na pacata cidade de Rosenbach falando de suas aulas, de seus livros, de seus irmãos e também de Úrsula, sua mãe de criação.

— Não conheço Dona Úrsula, mas faço questão de conhecê-la um dia para lhe agradecer pela forma que bem te criou. — disse o Max.

— Pode ter a certeza que ela é a melhor pessoa que já conheci em minha existência. — respondeu Miguel com orgulho.

Max levantou e foi em um armário no outro canto do escritório para pegar uma caixa. Ele queria mostrar algo muito importante ao seu filho, por isso a abriu em cima da mesa e retirou muitas fotografias contendo a família de Miguel em Rosenbach. Suas recordações na infância em seus aniversários, comemoração escolar e até mesmo em situações do dia a dia, sempre ao lado de Eva, Rodrigo e Margarida...

— Úrsula mandava sempre uma cópia para Belinda que mandava diretamente para mim — pegou uma — essa é a mais recente!

Miguel olhou para a foto. Se tratava de seu aniversário de dezessete anos contendo, na sala da casa de Úrsula, ele e os seus irmãos sozinhos sorrindo para o fotógrafo. Foi a primeira vez que mirou uma foto com a imagem dele ao lado de Eva, Rodrigo e Margarida e se impressionou como era a harmonia existente entre os quatro.

Do outro lado da enorme casa de Max Millian, mais precisamente numa aconchegante sala com várias poltronas e cobertores para fugir do frio que era superado também pela lareira que ardia, a jovem Margarida narrava todos os acontecimentos que houve em Mufassa, ela estava abraçada a Eva e Rodrigo, pois queria matar as saudades.

— ... Ele me deu um tapa no rosto e me empurrou com força quando tentei sair daquele quarto...

Rodrigo ficou furioso com os dizeres da jovem e sem nem pensar exclamou:

— Se eu encontrar esse desgraçado que te agrediu, ele não sai vivo, Margarida! Prometo que ele sai sem nenhum dente!

De fato era um absurdo o que a irmã de criação havia passado nas mão do biltre do Rafael. O rosto dela ainda estava inchado e seu corpo ainda sentia dores pela forma que foi jogada na mesa de cabeceira. Margarida era uma pluma, uma moça jovem e doce que não merecia ter sido trancada naquele quarto por um dia inteiro feito uma prisioneira e ainda ameaçada de agressão.

Belinda estava sentada numa poltrona bebendo um chocolate quente e perguntou para sua pupila mais detalhes do que passou:

— Só viu o Rafael naquela torre?

— Sim, Bela. Vi ele e algumas enfermeiras que nem sei o nome.

A mulher não se conformava do fato de Rafael ter fugido sem deixar nenhuma sombra de seu paradeiro, isso era muito injusto. Eva nada ouvia naquela conversa, pois não conseguia parar de pensar em Miguel falando com o pai no escritório fechado torcendo que tudo ocorresse de forma amistosa.


Notas Finais


Continue lendo, pois muitas emoções estão por vir!


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