História Quatro Estrelas - Capítulo 67


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Deuses, Drama, Família, Guerra, Historia De Amor, Magia, Misticismo, Mitologia, Religião, Romance, Wicca
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Palavras 4.104
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Estamos chegando ao fim dessa aventura, continuem lendo, muitas emoções estão por vir...

Capítulo 67 - O Homem de Alma Impura


Fanfic / Fanfiction Quatro Estrelas - Capítulo 67 - O Homem de Alma Impura

Azenate estava apreensiva desde que havia sido atacada por Ernest Sullivan duas noites antes, já imaginava que ele era uma pessoa diferente do que conhecia e até suspeitava que fingia este tempo todo ser louco, no entanto, mesmo assim tomou coragem para entrar na sua sala de trabalho para anunciar uma visita.

— Senhor Ernest, a senhorita Belinda Beninne está aqui para vê-lo!

Ele deu um sorriso e levantou-se de imediato logo mandando trazer sua mais nova visita para dentro, assim, Belinda surgiu lindíssima como sempre trajando o tom vermelho do Reino de Lara, talvez um pouco cansada da viagem e pronta para saber o que Ernest Sullivan tinha para lhe contar, uma razão que deveria ser forte, afinal, a mensagem que havia recebido era de urgência, mas ao entrar naquela sala apenas encontrou um sorriso de felicidade.

— Às vezes me esqueço o quanto se assemelha a Afrodite, minha cara, mas é só vê-la novamente que relembro que o seu apelido faz justiça a sua imagem.

Belinda desconfiou, pois Ernest Sullivan jamais tinha sido tão cortês com ela dessa forma, talvez porque quase sempre parecia um louco, no entanto, naquele dia até lhe ofereceu uma cadeira para sentar e lhe ofereceu uma taça de vinho.

— Não quero vinho, Ernest, quero saber o que aconteceu.

Belinda enfrentou uma viagem muito atribulada e apreensiva, pois a carta dizia que Rodrigo corria um grande perigo e ela ao lê-la teve que dissimular convincentemente para não assustar Dona Úrsula, apenas pensou em chegar imediatamente no Reino.

— Minha cara, não precisa se preocupar, Rodrigo está bem e até demais para o meu gosto, inclusive fugiu com os seus irmãos e estão todos tranquilamente ao lado de Max Millian agora, provavelmente ao lado de Úrsula da Maia também — Ernest bebeu um gole de seu vinho — Me emociono ao pensar o quanto eles estão felizes agora, todos juntos, é realmente cativante, não acha, Belinda?

Belinda percebeu que algo estava errado. Ou Ernest tinha enlouquecido de vez, ou estava demonstrando um lado obscuro que ninguém conhecia. Sem saber o que ocorria e o porquê de tanta cordialidade, a bela penas pensou em perguntar:

— Fugiram de quem?

Ernest Sullivan sorriu após beber novamente um gole de seu vinho.

— De mim, acredite, de nada adiantou matar Leocádia para impedi-la de ensinar vidência a Miguel e por fim deu nisso, oh, e em pensar que até convenci uma interesseira a acabar com o seu romance com Eva para que ele tivesse mais com o que se preocupar, sabe, um vidente deve ter tranquilidade em seu espírito e os ciúmes de uma mulher pode ser bem estressante, mas nem isso foi capaz de impedi-lo de descobrir quem é aquele que fez tanto mal a sua família e por fim estou aqui diante de você.

Já estava bem claro que Belinda tinha caído numa cilada e a própria já deslumbrava isso, pois logo tentou sacar uma arma, mas antes que pudesse fazer isso já havia outra apontada ma sua cabeça. Ernest Sullivan foi mais rápido demonstrando um sorriso de escárnio enquanto a ameaçava com o revólver erguido, não havia mais o que ela pudesse fazer, apenas entregar a sua arma tentando descobrir uma saída para aquela situação, mas qual saída?

— Acredite, Belinda, eu sempre estou um passo na frente de todos vocês, é muito difícil me deter por mais que queiram e é exatamente por isso que te trouxe até aqui, ora, sabe muito bem que a forma mais fácil de matar o rei é capturando a sua rainha.

Ernest Sullivan pegou um sininho no canto da mesa e o balançou para que imediatamente aparecesse Azenate que se assustou com a arma apontada para aquela mulher. De fato, Ernest estava louco, foi o que pensou a criada enquanto ouvia uma ordem:

— Traga a guarda que preparei para esta dama — ordenou sabendo que Azenate o obedeceria da forma mais rápida possível, pois se não fosse pelo amor recolhido, seria por medo que crescia a cada dia mais.

— Vai me prender, então? — perguntou Belinda fingindo frieza, mas por dentro sentia uma mistura de medo e raiva que cresciam incessantemente.

Ernest Sullivan bebeu mais um gole de seu vinho enquanto apontava a arma para ela, muito ansioso para dizer as seguintes palavras:

— Mas é claro que será presa.

— Posso saber o crime?

— Claro, imagine, o Reino de Lara obedece todas as normas condizentes com os direitos humanos, ninguém é preso arbitrariamente neste país.

— Então, qual o crime?

Ernest Sullivan suspirou como se estivesse pensando no sol da manhã e por fim terminou o cálice de seu vinho de forma lenta para que a mulher na sua frente se irritasse mais ainda com a demora da resposta, ora, estava se divertindo muito com isso.

— São tantos crimes, até podemos pensar em traição a pátria, afinal, como deve perceber todos os aliados de Max Millian serão presos e fuzilados em praça pública, mas eu prefiro outro com a pena um pouco menos gravosa, afinal, gosto muito de você, assim, eu pensei em sedução de menores, não é melhor? O príncipe do Reino de Lara viu sua inocência ser perdida aos dezesseis anos, imagine, eu devo proteger o meu sobrinho de mulheres devassas como você, Belinda, portanto será presa!

Belinda sorriu desdenhosamente quando os guardas entraram na sala.

— Entendo, então, por favor, podem me levar para minha cela, vamos acabar com esta situação maçante de uma vez, não?

Belinda se ergueu da cadeira e juntou os pulsos para ser algemada pelos guardas.

— Sim, mas fique tranquila, você terá um julgamento em pouco tempo, não quero que ninguém diga que Lara não respeita os direitos humanos, muito pelo contrário, nós o propagamos ao mundo!

Belinda foi levada aos calabouços de cabeça erguida. Passava pelos corredores pronta para o que pudesse ocorrer, se possuía algo dentro de si além de medo era coragem e nada poderia abatê-la, só se preocupava com a possibilidade de Rodrigo se arriscar por ela, era algo impensável para aquela bela mulher.

A cela foi aberta e Belinda foi jogada em meio a escuridão e umidade do recinto, imaginava que havia ninguém ali dentro, até que surpreendeu de uma vela ser acesa num canto, justamente onde viu um homem imundo e com a barba por fazer, pálido como quem não vê o sol há anos ao lado de uma mulher no mesmo estado, com os cabelos já brancos e com o rosto e aparência doentia e assustadora.

— Quem é? — perguntou o homem segurando a vela.

Belinda respondeu tentando mirar melhor aqueles rostos, mas talvez a imundice impedisse de deslumbrar melhor quem eram.

— Sou Belinda, estou presa também...

— Maldito Ernest! — bradou o homem sentando-se no chão após pôr a vela ao alto de forma que ficasse em pé, sabia que esta era uma das últimas e devia preservá-la dos ratos que gostavam de roer a cera.

A mulher imunda se aproximou de Belinda e disse:

— Não parece criminosa, imagino que está aqui injustamente, não é?

Belinda olhou a sua volta e se assustou, pois era um local indigno para qualquer ser humano e tinha certeza que Max Millian não sabia de sua existência e o pior é que sabia que ficaria ali por muito tempo.

— Sim, estou presa porque o regente de Lara assim determinou.

— Foi assim conosco, eu e meu marido fomos trazidos à força alguns dias atrás e fomos afastados de nossa filha ainda bebê!

Belinda se surpreendia de como Ernest Sullivan podia ser cruel e em pensar que era fiel a ele até pouco tempo atrás jamais imaginando os horrores que ele era capaz de cometer. Sem nem pensar, ela perguntou:

— Porque ele fez isso?

A estranha mulher olhou ao seu redor temendo que não pudesse confiar na outra, mas ela parecia ser muito atenciosa e também não tinha muito que perder, apenas tinha em seu peito a vontade de desabafar sua tristeza sem fim.

— Ernest Sullivan queria que nos juntássemos a ele, pois somos os líderes de um povoado muito distante e ele queria desvendar os nossos segredos e a nossa magia quanto a natureza, mas o pior era que ele queria que entregássemos nossa filha a ele, imagine, minha filhinha!

Belinda se assustou quando percebeu quem estava ao seu lado, de fato era impensável que pudesse ser eles depois de tanto tempo, mas a história dela era muito parecida com outra que tinha escutado.

— Há quantos anos estão aqui? — perguntou Belinda.

— Somente alguns dias, — respondeu a mulher sem entender a empolgação da outra — minha filha é apenas uma bebezinha, mas sei que está protegida pelo tio, por isso estou tranquila e plácida.

Belinda não entendeu o que ela dizia, até teve dúvida se eram realmente eles, mas as semelhanças eram enormes, não podia ser simples coincidência, por isso perguntou tentando conter a emoção:

— A filha de vocês se chama Maria Margarida?

O homem se levantou de imediato, ao mesmo tempo assustado pensando que ela pudesse ter más notícias para lhe trazer e logo perguntou:

— Como sabe disso?

Bartô estava a sua frente esperando uma resposta ao lado de Florina, ambos apreensivos, mas Belinda só imaginava como poderiam ter passados dezoito anos naquele buraco e pensarem que fossem apenas dias, talvez, quem sabe, iludidos por uma magia oculta que só Ernest possuía, a mesma que impedia Leocádia de vê-lo no tabuleiro e que fez Miguel penar dias para desvendar...

 

****

 

Era uma nova manhã raiando pelas montanhas dos Andes e os ventos uivavam quando Max ouviu o telefone tocar no escritório e logo foi atender surpreendendo-se que pudesse ser Ernest Sullivan lhe desejando bom dia.

—… Ou ao menos imagino ser bom dia, pois aqui em Lara está uma noite negra e sem estrelas, até imagino que os deuses se ofenderam pelos jovens terem ido embora, afinal, os encantos de certa forma se perderam sem eles.

— O que quer?

— Apenas conversar, meu amigo, onde estão seus modos? — quem ouvisse o tom de Ernest Sullivan poderia pensar que ele era um homem bom.

Max Millian sabia que conversar com ele de nada adiantaria, mas devia dialogar mesmo imaginando que fosse inútil, afinal, ao menos poderia conhecer melhor seus próximos passos e intuitos para o futuro.

— Há sempre um caminho de volta, Ernest, saiba disso, ainda há tempo para você se arrepender!

Ernest, inesperadamente, demonstrou apreensão ao responder:

— Talvez eu já esteja mudando, Max, por favor, traga o meu sobrinho até mim porque eu sei que ele, sendo o que resta de minha família, me fará curar! — fingia imensa tristeza ao dizer essas palavras — Meu irmão morreu por conta dessa guerra, meus pais morreram de desgosto e eu fiquei aqui neste reino falido, não tem piedade! — riu do outro lado da linha já mudando o tom, tripudiando e pisando nos inimigos como bem sabia fazer — Lembra como eu dissimulava bem, Max? Até sinto pena que não poderei fazer mais essas coisas dos tempos de outrora, mas, enfim, um telefonema até a América do Sul é algo bastante importante para fazer piada, afinal, o tempo é precioso, por isso, pergunto o quanto vale Belinda Beninne?

Max suspirou profundamente porque estava lidando com uma pessoa capaz de tudo e queria apenas que ele dissesse o que pretendia e talvez encontrar alguma forma de defender Belinda, sua confiável amiga.

— Belinda vale muito, todo o ouro do mundo, mas não creio que é isto que você queira como resgate, Ernest, portanto, não acho que podemos negociar.

Ernest suspirou irritado, verdadeiramente impaciente de como o Max era um velho previsível, ora, era capaz de adivinhar o que ele iria dizer. Por fim, continuou:

— Imaginava que não, você não me entregaria os quatro assim tão facilmente, por isso eu sempre me dediquei a possuir trunfos ao meu redor e como Úrsula estava sendo bem protegida por você, eu me cerquei de todas as formas para que tivesse armas que você nunca possuirá, Max, e as melhores armas que alguém como eu pode possuir é o afeto, pois o afeto move a humanidade...

Max temia o que ele iria dizer, mas mesmo assim perguntou:

— Quem mais você tem como refém?

— Ora, utilize a sua sabedoria, Max, se Belinda é a isca que trará Rodrigo até a mim, quem mais poderia trazer Margarida ao meu lado senão os seus pais desaparecidos? Imagine, Max, a própria flor de esmeralda virá ao meu alcance mais cedo ou mais tarde e você não pode fazer nada para impedir porque se ela não vier acabará se corroendo de culpa por toda a eternidade juntamente com o meu sobrinho e os dois serão infelizes para sempre. Por favor, Max, terá tanta maldade para apreciar isso? Irá amarrá-los? Irá amordaçá-los para que o meu sobrinho não salve a sua amada e aquela menina não salve os pais?

Max Millian não podia acreditar em suas palavras. Como pode um homem prender um casal por dezessete anos o separando da filha recém-nascida? Trata-se de algo desumano e impensável até para alguém tão terrível como aquele sujeito.

— Você não fez isso?

— Ah, eu fiz! — Ernest mudou o tom cavalheiro para algo mais grave — Muito pior até, Max Millian, eu matei o meu irmão e minha cunhada para dominar este reino, eu matei os pais de Eva porque eles resistiram em me entregar a filha, cheguei até ao ponto de destruir o Reino de Maya para roubar todo o seu ouro e o anel de ilusão que seu filho me furtou e talvez o pior de tudo foi que eu afastei Miguel de você por anos sem fim, não é verdade? Você o deixou com Úrsula para protegê-lo de mim, mas eu sempre soube onde ele estava, eu também o protegia como bem pode perceber, então, você não viu o seu filho crescer por minha causa, percebe como sou capaz de tudo?

Max sabia que tudo o que ele dizia era verdade, mas não se abateu, pois sabia que deveria ter confiança para enfrentar o inimigo e deveria acumular forças para vencer esta batalha pessoal que já durava muito tempo.

— Você sofrerá muito, Ernest, a lei do retorno é certa, pois cada ato e cada pensamento voltam três vezes em nossa direção, então, ao menos tenha medo do carma que carregará na próxima vida, pense que no futuro nada valerá a pena, pelos deuses, mude enquanto há tempo!

Ernest riu, pois se Max achava que poderia fazê-lo mudar de ideia e até de caráter com simples palavras ele estava muito enganado, enfim, ele disse com toda a sua emoção, quase chorando ao anunciar:

— Eu faço as vontades dos deuses, Max, eles estão há séculos vendo a filosofia que criaram ser deturpada por pessoas como você, mas hoje enxergo que Riddan me pôs no mundo e me instruiu com sua sabedoria para que eu propagasse ao mundo os seus reais ideais, assim, Max, é da vontade dos deuses que eu me torne um deus na Terra e no futuro serei infinitamente melhor que você.

Max apenas pensou em dizer:

— Riddan é o deus da luz, um espírito que guia a humanidade junto com os outros deuses elementares e você deturpa a sua imagem, Ernest, acorde enquanto há tempo, você interpretou a profecia de forma equivocada, ela é completamente diferente do que pensa, por isso, seu fim será tenebroso e nem eu poderei ajudá-lo.

Ernest sorriu por dentro, estava adorando aquele telefonema como se estivesse ganhando um jogo que o rival jamais poderia vencê-lo.

— Então a roda da vida será jogada e veremos quem terá razão, só quero dizer que eu terei os jovens em minhas mãos e eles me darão o que quero, não há nada que possa fazer quanto a isso, mas vamos continuar de onde estávamos, pois bem, os alemães têm uma sabedoria que só pode ser um presente dos deuses, acredita que me apoderei de uma arma muito utilizada por eles?

— O que quer dizer?

— Quero dizer apenas que há um navio próximo a Ilha das Águas e que este navio tripulado por homens de minha confiança irá acionar um míssil diretamente as terras da deusa da Lua destruindo tudo o que Eva tem para lembrar de seu povo e de seus pais que nem chegou a conhecer, pois é, a lua de safira também está em minhas mãos e a pergunta que fica para o final é se não pensei em Miguel…

— Por favor, Ernest…

Max o interrompeu buscando de alguma forma interceder, mesmo acreditando que nada poderia detê-lo por fim. Já Ernest gozava aquele momento de forma insana porque finalmente estava acima de seu inimigo que mesmo tendo todo o poder e riqueza do mundo não conseguiria jamais vencê-lo naquela guerra pessoal.

— A isca de Miguel é a própria Eva que virá até mim por livre e espontânea vontade junta de Rodrigo e Margarida e o prazo que lhe dou é três dias para que eles venham até o meu alcance, ou então o míssil será acionado e nunca mais haverá na face deste planeta uma ilha para Eva pensar em como seria sua vida se não fosse órfã.

Ernest Sullivan desligou o telefone e deslumbrou a vitória, pois sabia que mais cedo ou mais tarde os jovens se renderiam, talvez até se revoltassem contra Max por ele não permitir que deixassem o Monte, afinal, o afeto que possuíam estava nas suas mãos e nada poderia mudar isso, absolutamente nada!

 

****

 

Eva, a eterna pianista estava com a cabeça apoiada no colo da mãe enquanto ela acariciava sua cabeça e ambas estavam sozinhas no quarto enquanto conversavam sobre a vida, um assunto de gradativa importância que faz nascer muitos outros como o amor de Margarida pelo Rodrigo, o que de alguma forma foi uma surpresa.

— Como não desconfiamos de nada? — perguntou a moça.

— Não era para ser descoberto, minha querida, a verdade é que vocês quatro vieram a mim com um propósito muito grande e só hoje eu percebo qual é agradecendo o destino por ter sido um instrumento em suas vidas.

Eva não entendeu e ao erguer a cabeça indagando a mãe com o olhar, a resposta foi a mais serena e óbvia possível:

— Sempre esteve escrito, Eva, vocês estavam destinados a crescerem juntos para que unidos formassem uma família e enfrentassem tudo o que tivesse que enfrentar e também estava escrito que você e Miguel formariam um par da mesma forma que Margarida e Rodrigo formariam outro par, não entendo muito bem o porquê, sabe que sei muito pouco sobre os seus deuses, mas sei que foi por isso que vieram até a mim, imagine, a casa de Miguel é tão longe da casa de Rodrigo que é infinitamente longe da casa de Margarida, entenda, vocês jamais seriam uma família se não fossem unidos no início da vida para completar a missão que juntos possuem.

Eva compreendia o que a mãe queria dizer e perguntou:

— A senhora também faz parte dessa família, então, porque quando saímos de Rosenbach não veio conosco? Seria tão mais fácil com a senhora ao lado!

Úrsula sorriu enquanto acariciava os cabelos da pianista.

— Essa nunca foi a minha história, Eva, ela sempre pertenceu a vocês quatro e somente vocês deveriam trilhá-los sozinhos, por isso, a mim só cabia ficar rezando por suas vidas tendo a certeza na vitória que encontrariam.

Margarida abriu a porta do quarto para anunciar que Max queria a presença de todos no escritório e pelo tom da moça dos olhos de mel, ela havia percebido que algo terrível estava acontecendo, enfim, o velho Max teve o cuidado de separar uma poltrona para cada um se sentar e isso apenas causou mais preocupações nos jovem e na Dona Úrsula que já imaginavam o pior, mas mesmo assim foram surpreendidos quando ele anunciou da forma mais simples possível:

— Bartô e Florina estão vivos.

— Meus pais!

Margarida se levantou de imediato quase a chorar, emocionada com uma notícia que considerava perdida, tanto que Úrsula teve que acalmá-la para que voltasse a sentar.

Max Millian suspirou profundamente tendo coragem para continuar.

— Sim, Margarida, mas eu aprendi que a verdade não é uma opção que devemos nos guiar, a verdade é uma regra e ela é sempre o melhor caminho, por isso eu tenho que dizer que eles são reféns de Ernest para que você vá até ele.

— Esse homem é louco! — bradou Rodrigo se levantado a ponto de chutar alguma poltrona — ele está nos cercando de todas as maneiras para que nós nos percamos nessa batalha, até mesmo com Bela, eu sei, ele a prendeu por minha causa porque sabe que a sua morte é a minha morte!

Max Millian o olhou placidamente, pois sabia que os jovens a sua volta estavam muito abatidos com a notícia, por isso o sábio homem começava a ter medo da reação dos quatro que mal conheciam a vida, mesmo assim, enfrentavam uma chantagem tão covarde que só poderia ter sido causada pelo maldito Sullivan.

— Ernest está dominado pela inveja, meu caro, conheço uma história tão antiga quanto a criação do mundo, em que uma cobra seguia o vaga-lume incansavelmente, fazia de tudo para prendê-lo em suas garras até que um dia o vaga-lume, cansado da fuga, perguntou o porquê da cobra o seguir tanto e a resposta cabe muito bem ao caso, pois ela respondeu: “Eu não aguento te ver brilhar!”... Percebam que a luz que possuem é tão grande que Ernest se incomoda com a simples sombra de felicidade que possam sentir e isso é uma doença que me faz sentir apenas pena, entendem?

Margarida chorava no colo da mãe de criação e perguntou:

— Como eles conseguiram sobreviver por tantos anos?

— O anel! — Miguel respondeu já sabendo a resposta, pois sua intuição informava muitas coisas a sua alma — Ernest usou o anel e isso fez com que os seus pais não percebessem o tempo passar, consideram ter passado apenas poucos dias, mas depois que o anel foi roubado o feitiço se quebrou e eles despertaram para a realidade.

— Isso é terrível!

Eva exclamou sentindo repugnância ao imaginar o monstro do Ernest Sullivan a bajulando no palácio enquanto tentava fazer amizade com os jovens, algo que com o tempo infelizmente conseguiu. Pensando a mesma coisa, Margarida sussurrou:

— E em pensar que eu estive tão perto dos meus pais nos meses que passei em Lara, por favor, Max, temos que fazer alguma coisa para salvá-los!

O velho Max respondeu com serenidade:

— Concordo, Margarida, eles já sofreram muito e merecem um pouco de felicidade em suas vidas, mas antes de travarmos essa batalha temos outra um tanto iminente que os atormentará mais, no entanto, eu sei que a verdade é o melhor caminho.

O velho suspirou profundamente pedindo sabedoria aos deuses porque sabia que seria um baque terrível para a pianista e para o filho que a seguiria até a eternidade.

— Ernest telefonou e informou que há um navio próximo a Ilha das Águas e ameaçou todos os seus moradores com um míssil que lá será jogado dentro de três dias.

Eva sentiu um aperto no coração porque sabia que essa ameaça era para ela, ora, a pianista sabia que seria a mão que guiaria aquele povoado para o futuro, um povoado que tinha dado tanto amor a ela como jamais imaginava sentir, assim, sentiu lágrimas de desespero descerem por seu rosto ao bradar:

— Pelos deuses, centenas de pessoas vivem naquela ilha, muitas crianças, que horror! Ernest é um monstro!

— Como eu não percebi tanta chantagem, meu pai? — perguntou Miguel revoltando-se com o cerco que Ernest preparou para todos.

— Ah, Miguel, se engana se pensa que a vidência revelará os mínimos detalhes de seu futuro e Ernest é muito astuto, sempre arrumará uma forma de estar a nossa frente e só há uma coisa que podemos fazer.

— O quê?

— Pedir aos deuses a sua intervenção para enfrentá-lo, saiba que nos momentos de mais desespero eles estiveram com vocês, lembrem-se que Amarillys fez um terremoto para tirar sua pupila de uma armadilha e destruiu todo o reino que a aprisionava, lembrem-se que Loyar assustou os seus opressores com seus ventos ameaçadores e com isso tiveram uma chance de fuga nas montanhas e por favor, recordem-se que já estiveram perdidos em alto-mar numa tempestade e que Luna controlou as ondas e fez uma correnteza para que voltassem para casa.

Enfim, depois de uma longa pausa, Max Millian se levantou, pôs sua manta branca e informou encorajando-os a seguir com ele:

— Vamos mostrar ao Ernest o poder que as quatro estrelas possuem de se comunicar com os espíritos do ar, da água, do fogo e da terra, assim, talvez ele entenda que jamais conseguirá o que quer, jamais conseguirá vencê-los e muito menos se tornar um deus porque não passa de um homem de coração impuro.


Notas Finais


Leiam até o final...
Estamos chegando ao fim, com a graça dos deuses elementares, por isso, continuem esse caminho incrivel... QUATRO ESTRELAS mudará sua vida para sempre!


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