História Quatro Estrelas - Capítulo 69


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Deuses, Drama, Família, Guerra, Historia De Amor, Magia, Misticismo, Mitologia, Religião, Romance, Wicca
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Palavras 3.811
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Estamos no final dessa aventura!
Continuem lendo, pois muitas emoções estão por vir...

Capítulo 69 - O Decreto Maldito


Fanfic / Fanfiction Quatro Estrelas - Capítulo 69 - O Decreto Maldito

Margarida chorava, algo que detestava e tentava evitar a todo o custo, mas não conseguia, era mais forte que ela, uma emoção que era capaz de ser semelhante a uma locomotiva cheia de sentimentos e aflições, pois minutos antes subia as escadas, mas ouviu Miguel perguntando se Peter iria arriscar a vida se infiltrando no Reino de Lara e mesmo não olhando a sala, desconfiou do interesse de Rodrigo que foi correndo ao quarto logo depois, ora, o motivo era óbvio.

— Não faz isso comigo, Margarida, eu não consigo vê-la chorar...

O tom de Rodrigo era desolador, pois percebia que fazia sofrer aquela flor de esmeralda, uma parte de seu coração, mas a resposta de sua amada foi muito dura entre as lágrimas de tristeza e desespero:

— Não me peça para eu ver você se matar por outra mulher!

Rodrigo se ajoelhou diante da moça e abraçou sua cintura protegendo o rosto em seu ventre, pois ele estava chorando e evitava que Margarida o visse assim, mas ao mesmo tempo queria que ela entendesse o que sentia por dentro, todas as emoções que guardava no peito e por isso disse em fortes palavras:

— Se soubesse que seu sofrimento para mim é a morte…

— Mas a morte dela também é a sua morte, não é?

— Eu nunca menti a você.

— Não disse que fui enganada... — de repente perguntou — Ora, por quê? Por que você a ama tanto ao ponto de arriscar a sua vida por ela? Diga-me o porquê disso!

— Também arriscaria a minha vida por você, Margarida, não duvide disso!

Margarida se desvencilhou do rapaz e foi em direção a janela, onde a Cordilheira dos Andes brilhava ao amanhecer, onde as flores secas do jardim pareciam encontrar nova esperança em meio ao sol que surgia e onde os ventos continuavam tentando passar pelas frestas da janela.

— Por que você demorou tantos anos para me enxergar? Por que deixou que eu me envolvesse com Calebe ao ponto de iludi-lo? Por que você se apaixonou por outra mulher antes de mim, Rodrigo?

A moça chorava diante da janela de costas para o rapaz, pois não queria que ele a visse naquele estado e fazia de tudo para secar as lágrimas.

— Eu só queria entender!

— Eu não tenho a resposta, mas não duvide do meu amor por você.

— Exatamente! Quantas vezes eu ouvi você dizendo que a ama, quantas declarações de amor fez a ela, mas a mim nunca disse algo assim, a mim nenhuma declaração...

O rapaz se ergueu e olhou nos fundos dos olhos da moça. Os olhos negros e profundos miravam os olhos de mel que dissecavam os olhos de Rodrigo, um rapaz pediu com toda a sinceridade numa tentativa para que ela entendesse o seu sentimento:

— Olhe para mim e diga que o que sinto não é amor!

— Por favor, Rodrigo, você quer se entregar ao seu tio para salvar a vida de Belinda, não há prova de amor maior que essa, não há o que diga que mudará esse fato. Quando Calebe cruzou o oceano para me encontrar eu vi nele uma oportunidade de tirar você da minha vida, mas eu não consegui porque você é uma maldição que me fez sofrer a vida toda e eu sou a maldição que faz o pobre do Calebe sofrer por amar você, que triste destino...

O coração de Rodrigo era partido pelas lágrimas de Margarida, pois dela só queria ver sorrisos e alegrias, mas ele não conseguia...

— Não diga essas coisas, eu morria de ciúmes quando via os dois juntos naquela ilha, mas na época eu não entendia o que sentia por você, o amor por você estava escondido, mas hoje sei que não consigo viver sem você.

— Naquela época você vivia feliz com Bela, não é? Vocês viviam juntos como se estivessem casados, oh, como não aceitei antes que ela era a mulher de sua vida!

Rodrigo abraçou Margarida o mais forte que conseguia naquele momento, até ao ponto de machucá-la sem perceber, pois queria tê-la mais perto de si e provar que ela também era a mulher de sua vida, no entanto, sentiu a repulsa daquela moça que o empurrava por um desprezo que foi expressado em duras palavras:

— Eu não o impedirei de ir e nem falarei nada ao Max e desejo que tenha muita sorte nessa missão, por favor, tenha ótima viagem.

Margarida destrancou a porta e abandonou um Rodrigo despedaçado porque uma parte de seu coração tinha ido embora, afinal, Margarida ocupava uma metade muito importante e Belinda ocupava outra metade de suma importância, um dilema que nunca teve fim, uma dúvida sem explicação...

 

****

 

Úrsula bateu na porta de Rodrigo aquela manhã e o rapaz tomou todo o cuidado para que a mãe não percebesse o seu plano de fugir para Lara e tentar salvar Belinda das loucuras do Sullivan, mas aquela senhora percebia que o filho estava com uma tristeza no olhar e tentou consolá-lo mesmo sabendo que seria uma difícil tarefa, pois estava acontecendo muitas coisas ao mesmo tempo e a juventude do rapaz o impedia de ter boa sensibilidade para pensar com a calma que devia.

— Rodrigo, eu vim aqui para dizer que estou muito confiante de que Belinda será salva e depois do ritual tive mais certeza ainda, entretanto, eu tenho uma pergunta a fazer a você que deverá me responder com sinceridade.

Rodrigo a encarava placidamente, tentava disfarçar a todo o custo o seu plano de fuga, mas ficou curioso com pergunta que ela faria.

— Tem toda a liberdade para perguntar o que quiser, minha mãe.

— Pois bem, quando Belinda for libertada como ficará a relação entre você e Margarida? … Antes que responda quero que saiba que fiquei surpresa quando soube do amor de vocês, mas entendi que era o destino quem ditava essa história, sei que seu coração está dividido e isso me preocupa de forma tamanha que nem imagina.

Não havia resposta naquele momento e Úrsula, com sensibilidade que só uma pessoa de bom coração poderia ter, entendeu que a divisão que fazia o coração do rapaz sofrer era devastadoramente grande, maior que imaginava. Só tinha um conselho a dar.

— Rodrigo, eu disse uma vez a Belinda o que direi agora e quero que ouça com atenção: siga o coração, só isso, pois Deus o livre de viver o resto da vida perguntando como seria se tivesse agido diferente, ora, se seu coração mandar faça sem medo...

O conselho de Úrsula era muito pertinente ao caso, pois o coração do rapaz pedia desesperadamente para que fosse a Lara e por isso, ao início da tarde, se dirigiu sorrateiramente a pista de avião nas montanhas para quebrar um pedaço de pau na cabeça de um copeiro fazendo que ele desmaiasse. Enfim, foi fácil colocar o seu uniforme e lá entrar sem que ninguém percebesse...

Onde estava Rodrigo? Dentro de um compartimento de bagagens, encolhido, escondido do mundo... a viagem duraria horas e aquele buraco era maçante, mas o rapaz estava obstinado a salvar sua amada custasse o que fosse, até a vida se fosse preciso e quando o avião sobrevoava o oceano, Peter conversava com os seus amigos.

— Diremos para Ernest Sullivan que temos informações valiosas de Max Millian, com isso ganhamos tempo para descobrir em que lugar do palácio encontra-se Belinda e os dois líderes do Vale da Terra, o ideal é que conhecêssemos algum criado que pudesse nos ajudar lá dentro, mas não devemos confiar em ninguém a princípio...

O avião sobrevoava cortando o ar enquanto Rodrigo tinha a certeza que teria ajuda nessa empreitada que parecia ser a cada momento mais eminente, pois ele conhecia o palácio e também muitos criados... os joelhos doíam enquanto ele estava encolhido naquele compartimento de bagagem, mas tinha esperança que tudo daria certo. Todavia, muito longe, Miguel batia na mesa em meio ao furor da ira quando o pai contava como Rodrigo havia conseguido fugir do Monte do Ar.

— Como eu não previ que isso ocorreria!

— Eu já disse, Miguel, você não conseguirá ver tudo o que acontece por mais que queira, até porque você só vê o que os deuses querem que você veja.

Miguel encarou o pai, talvez entendendo o que ele dizia, mas não admitindo que fosse assim que tivesse que ser.

— Meu pai, acreditar que os deuses querem que Rodrigo vá para Lara é o mesmo que acreditar que os deuses querem que ele encontre a morte!

Max Millian olhou fixamente para Miguel, o seu rosto demonstrava muita calma e serenidade a ponto de amansar a mais desesperada criatura.

— O pessimismo é uma péssima pedida, meu filho, saiba esperar e descobrir o que os deuses têm a revelar. O fato é que Rodrigo e Ernest têm muitas contas um com o outro e talvez os deuses considerem bom para ambos que essas contas seja acertadas logo de uma vez, o importante é que sabemos que o seu irmão é protegido por uma força muito maior e poderosa que a de Ernest e nada mudará isso.

O tempo passava rapidamente e o avião aterrissava na cidade de Lara, onde o sol brilhava de forma selvagem num final de tarde avermelhada. Rodrigo não esperou duas vezes ao abrir o compartimento de bagabem e cair diante de Peter que arregalava os olhos ao ver o rapaz mais maluco que já tinha encontrado na vida.

— Você sabe que foi ao encontro da morte, não é garoto? — Peter sabia que deveria voltar imediatamente — Ernest quer a sua cabeça!

— Não me importo, pois eu sei que conheço o palácio muito melhor que você e sei de criados que podem nos ajudar a descobrir onde estão os reféns!

— Não! Você voltará para a proteção de Max Millian imediatamente, vamos, peguem o garoto!

Peter e os dois homens que estavam ao seu lado fizeram menção de agarrar Rodrigo, mas o jovem sabia se defender e entre chutes e socos o rapaz havia conseguido se desvencilhar para escapar do avião em direção a cidade, correndo feito um ladrão pronto para pensar em um plano que deveria seguir sozinho, um plano que não conseguia formar a sua mente, pois só corria pelas margens do lago enquanto o sol ia embora e o vulcão formava uma sombra de tristeza.

A cidade continuava agitada como sempre e ele sabia que não podia ser reconhecido, exatamente por isso usou o pouco do dinheiro que possuía para comprar uma capa vermelha com um capuz que cobrisse o rosto, um traje nada peculiar que era muito comum entre os mais pobres, portanto, era apenas um na sociedade.

Rodrigo sabia que deveria procurar Indira no Vale dos Templos, pois ela era a única que conseguiria pensar em algo para ajudá-lo, mas qual foi a surpresa de encontrá-la amarrada a um poste em plena praça principal da cidade? A surpresa foi ainda maior ao perceber Ananda e Azenate inflando o povo contra a barbaridade que iria ocorrer, afinal, os dois criados que demonstravam fervorosa lealdade ao regente de Lara estavam insatisfeitos com suas ordens de desgraças.

— Ouça, Reino de Fogo! — bradava Ananda — Ernest Sullivan traz sangue as nossas vidas, nos despreza com suas ameaças, mas demonstraremos a ele que um rei sem povo nada mais é que um rei deposto em sua insignificância!

— Temos apenas um único rei enviado pelos deuses! — gritava Azenate diante dos revoltosos — O nome dele é Rodrigo, o filho de Magnus Sullivan que foi assassinado pelo tirano que quer matar a sacerdotisa da terra por ter ajudado as quatro estrelas a fugirem de suas ameaças, mas demonstraremos ao terrível Ernest que nós não nos iludiremos mais com sua falsa bondade e falsa loucura.

— Nós queremos justiça! — gritou Ananda — gritem o mais alto de seus pulmões: Justiça! Justiça! Justiça!...

O grito dos revoltosos foi ouvido ao mais longe do palácio quando Ernest Sullivan recebia Peter que se ajoelhava aos seus pés jurando lealdade. O regente de Lara ouvia a falsa comoção do fiel agente de Max Millian quando perguntou impacientemente ao guarda o que acontecia na praça, onde deveria estar sendo queimada Indira.

— O povo se rebelou contra o senhor — respondeu o militar — lamento, mas o povo não quer deixar que se queime a sacerdotisa.

Ernest Sullivan mirou o fogo sagrado diante da imagem de Riddan, sua mente estava muito longe, aliás, parecia que o espírito nem habitava aquele corpo.

— Quando você diz povo, você está se referindo aos pobres do outro lado do vulcão ou os nobres do lago, sabe, a diferença entre os dois é como diferenciar o alvo cavalo com os porcos da lama...

Peter tremeu ao ouvir essas palavras, mas fingiu olhar para Ernest Sullivan com admiração, até que finalmente ouvisse a resposta do militar:

— Quem se revolta são os moradores da vila, inclusive há criados do senhor entre eles, uma delas é Azenate, logo ela que demonstrava tanta devoção...

Ernest Sullivan sorria, estava muito satisfeito com o protesto, até já imaginava que sem o anel de ilusão não conseguiria controlá-los por muito tempo, por isso ordenou algo que já imaginava há tempos em devaneios sem fim.

— Então, o momento de limpar o Reino de Fogo das imundices que empesteiam Lara chegou, não é mesmo? Peter, anote o meu decreto, na falta de um escriba você serve: no dia 21 de novembro de 1948, o regente de Lara, irmão do falecido monarca, Magnus Sullivan, tutor do príncipe Rodrigo, ordena que todos aqueles que se revoltaram na praça principal da capital sejam fuzilados sem piedade e suas cabeças sejam estendidas nas quatro cidades do reino para que sirvam de exemplo a todos que lá passarem. Ademais, a vila do outro lado do vulcão deverá ser queimada e as crianças, filhos dos revoltosos, deverão tornar-se escravos dos nobres desde cedo para que aprendam a servir e conheçam o seu lugar nessa terra. Os revoltosos que por acaso sobrevivam ao fuzilamento, por desobedecerem morrer sujeitando-se as normas de sua majestade deverão ter os olhos arrancados e serão acorrentados para que morram de inanição numa gaiola diante de todos na praça principal, eis o decreto e ele é eterno!

Peter entregou o decreto já datilografado ao Ernest que o leu com um grande sorriso no rosto, até mesmo porque finalmente uma peste seria banida de suas vistas, assim, após ler cada detalhe de suas palavras mirou o militar a sua frente e ordenou:

— Queime Indira e fuzile todos os revoltosos, agora, quero que a praça principal se transforme em um lago de sangue ainda hoje!

O jovem militar assentiu sua devoção ao regente de Lara.

— Sim, majestade, a guarda real é devota ao senhor e aos ensinamentos dos deuses elementares, eles são o caminho!

Ernest Sullivan sorriu com tamanha devoção, afinal, mesmo sem o anel sabia que tinha conseguido convencer muita gente que ele era a salvação do mundo, um enviado pela divindade para que apenas o bem prosperasse. Por fim, ele disse:

— A minha vontade é a vontade dos deuses que saberão recompensar todos os militares de Lara que se aliarem a mim, pois eu os guiarei para que se livrem da roda das encarnações, sim, quem me segue não precisará reencarnar e enfrentar os terríveis acontecimentos desse planeta infernal...

Uma lua iluminava a praça principal, onde Rodrigo deslumbrava a revolta, muito surpreso por centenas de pessoas gritarem justiça e impedindo que Indira fosse executada, mas ele se assustou ao ver os homens da guarda real portando armas diante de dezenas de pessoas desarmadas. O que iria acontecer?

Antes que os militares erguessem suas armas para atirar, ouviram uma explosão, um barulho tão forte que fez com que todos gritassem porque o vulcão havia explodido e uma fumaça negra, densa como a noite, subia ao céu ameaçando tudo e todos... outra explosão quando a lava começou a jorrar da montanha assustadora, o que fez com que tanto os militares como os próprios revoltosos corressem para buscar abrigo, afinal, aquela visão significava a morte.

O chão tremeu e em meio a loucura de uma multidão de pessoas procurando abrigo, Rodrigo viu Azenate e Ananda desamarrando Indira, assim, foi ao encontro de ambos e tirou o capuz para que eles o vissem tendo uma grande surpresa.

— Rodrigo, você voltou!

Azenate exclamou em alegria e Ananda dava um sorriso de felicidade ao perceber que o verdadeiro rei de Lara voltava para salvá-los da tirania de Ernest.

— Que bom, meu rapaz, agora posso ter esperanças, mas devo encontrar meus filhos e Indira virá comigo, está muito fraca!

Indira estava pálida como a morte e foi amparada pelo jardineiro para andar e assim procurar abrigo, mas Azenate continuou com o rapaz, pois já não sentia medo e sabia que Rodrigo precisava de sua ajuda.

— Depois que eu descobri que Ernest é um sádico, apenas quero que ele pague pelos seus crimes, me culpo imensamente por ter acreditado nele tantos anos, não sei como pude me iludir tanto, ah, se soubesse como o odeio!

Rodrigo sabia que ele tinha iludido a todos e qual artifício tinha usado para isso, mas naquele momento apenas pensava em uma coisa.

— Eu preciso salvar Belinda!

— Eu vi quando foi presa, coitada, te ajudarei a chegar aonde está!

Ernest Sullivan mirava o vulcão pela varanda, muito encantado com o fogo saindo daquela montanha ao longe, lágrimas eram derramadas em emoção porque Riddan, o deus do fogo, demonstrava sua máxima força, uma benção em seu infinito poder, ao menos era o que imaginava em sua loucura.

— Oh, Peter, é uma contemplação ver isso, uma dádiva, um sinal de que os deuses estão ao meu lado, o novo rei de Lara!

— Não passa de um louco!

Ernest Sullivan virou o corpo e percebeu Peter apontando uma arma em sua direção, assim, percebeu que estava sendo enganado, mas não se abateu, apenas olhou para aquele homem com desprezo fazendo um gesto negativo com a cabeça, lamentando-se como se tivesse tido uma notícia ruim.

— Que lástima, Peter, eu realmente acreditei que você era um homem inteligente, que tinha descoberto a verdadeira ordem a seguir, mas infelizmente não passa de um tolo. Não vê o vulcão? Não percebe Riddan me brindando com tanto poder? Não percebe que o meu futuro é definitivamente grandioso?

Peter percebia que Ernest estava enlouquecendo a cada palavra, haja vista que a cidade estava em polvorosa fugindo da morte, mas o seu governante estava encantado com um vulcão em chamas...

— Não percebeu que não tem povo, Ernest, que os seus súditos te desprezam? O povo sente repugnância ao seu nome e os poucos seguidores que possui fugiram atordoados pelo vulcão, nem pensaram em te proteger, você está só!

— Nunca se está só quando se está com os deuses, meu caro, nunca!

O louco inesperadamente pulou em cima de Peter lutando pela arma, ora, dizem que os loucos têm uma força absurda e talvez por isso ele tenha conseguido roubar a arma para atirar no oponente matando-o naquele momento. Por fim, sujo de sangue, Ernest Sullivan tinha a certeza que os deuses estavam do seu lado e queriam uma oferenda, sim, uma oferenda era necessário para acalmar o vulcão!

Ernest Sullivan buscou nas gavetas da sala de trabalho a capa preta dos rituais e imediatamente a colocou diante do espelho se achando extremamente jovem. Depois disso se dirigiu a imagem de Riddan atrás do pequeno prato de ouro que ostentava o fogo sagrado e orou ao deus prometendo uma oferenda que o faria ter prazer, muito prazer... o louco andava pelo palácio percebendo que ele estava vazio, assim, imaginava as estradas da cidade cheia de pessoas e se enraivecia porque naquele momento não havia mais diferenças entre os nobres e os pobres, afinal, tinham ambos um objetivo em comum que era tão somente salvar suas vidas e seguir para uma das outras três cidades do país, mas ele ria de como todos eram tolos em não apreciar o poder tão magnífico do deus do fogo, um fenômeno que só iria trazer coisas boas, tinha certeza disso, portanto, se dirigiu a cela e apontou a arma para os prisioneiros ostentando um sorriso que era comparável ao próprio sol.

— O que quer, Ernest? — perguntou Belinda em meio ao furor da ameaça.

Florina, mãe de Margarida, se protegia atrás do marido, Bartô, que olhava ameaçadoramente para aquele monstro, mas não entendia o porquê de Ernest Sullivan ter envelhecido tanto, pois parecia que tinha passado vinte anos e não havia percebido.

— Não escutaram a explosão? Não sentiram o tremor?

— Sim! — Belinda o encarava com ódio no coração — O que quer da gente!

— Eu não quero absolutamente nada, acreditem que até ontem eu jamais faria mal a vocês porque valiam muito, mas eu percebi que Rodrigo não a ama tanto assim e a filhinha de vocês já deve ter encontrado uma outra mãe um tanto melhor, eles não sentem tanto afeto quanto eu pensei, por isso encontrei outro destino para ambos.

— O que quer dizer com isso? — perguntou Belinda temendo suas palavras.

— Ora, não sente o cheiro da lava descendo as montanhas, Riddan está em meio a sua ira e precisamos acalmá-lo, vamos, sigam a minha frente senão atiro!

Com a ameaça da arma, os três prisioneiros foram guiados ao calabouço pessoal de Ernest Sullivan, onde ele fazia os seus feitiços obscuros. Não passava de uma salinha de ouro no subterrâneo, cheio de estantes contendo frascos de poções, além de um caldeirão ao centro que fervilhava uma fumaça vermelha.

Ernest amarrava os prisioneiros e explicava os seus intuitos, falava como se estivesse cantando uma polca de felicidade:

— Uma vez a minha sobrinha ficou grávida e ela me procurou para abortar a criança porque sabia que eu tinha muitos conhecimentos e que conseguiria fazer o que queria de forma fácil, no entanto, eu percebi que essa gravidez era uma dádiva.

Ao perceber que os prisioneiros nada entendiam, ele continuou explicando:

— Enfim, eu sei que a força vital do ser humano é mais forte aos vinte anos, mas acredito que a alma de uma criança é tão pura que os deuses ficam infinitamente felizes ao recebê-los em seus braços, por isso, convenci a minha sobrinha a ter a criança e a convenci, no dia que o infeliz nasceu, em jogar o bebê diante do fogo dos deuses e eu sei que eles ficaram muito honrados com essa prova de amor.

— É isso que queria fazer com nossa filha! — bradou Bartô — Seu canalha!

Ernest Sullivan riu enquanto olhava os prisioneiros amarrados, logo após se mirou diante do espelho e sentiu-se honrado porque tinha certeza que graças ao sacrifício do filho de Aurora ele havia se tornado o novo Rei de Lara e um bruxo infinitamente poderoso.

— É exatamente isso que farei com a sua filha, seu estrupício, infelizmente eu tive que esperar o tempo certo para isso porque ela é uma alma muito especial, o seu sacrifício me trará grande sorte, mas no momento, apenas penso em sacrificar os três para acalmar o vulcão que grita imensamente lá fora...


Notas Finais


Continuem lendo, pois muitas emoções estão por vir...


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