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História Quatro expressões de um amor outonal - Capítulo 1


Escrita por: e Evyne


Notas do Autor


Evy: Foi muito divertido trabalhar com a Sam e gritar com ela no docs por escrever com arial. Aproveitem o surto.

yoru: muito obrigada por ter aceitado o meu pedido de fazer a categoria de haikyuu sofrer com esse shipp aclamado; ainda não creio que você foi doida de aceitar trabalhar comigo, apesar de você estar errada sobre o arial. no mais, tenham uma boa leitura!

Capítulo 1 - Sobre floresceres, outonos e outras dores


Assim como o outono, a beleza de Shimizu era trágica, tempestuosa, emoldurada por um sorriso que mal alcançava os olhos.

—Você foi bem na prova? — O som das pedras chutadas por Yachi enquanto caminhavam pontuou cada sílaba.

Shimizu a encarou, bolsas roxas nas pálpebras sob o óculos de grau.

— Acho que fui… normal. — A resposta era embriagada com a casualidade cotidiana, e seu olhar, mais uma vez, não estava mais sobre Hitoka, que não soube dizer se a pressão havia ido embora com o ato ou se havia dado lugar ao frio da indiferença. — Mas fui melhor que na última, biologia ainda não é o meu forte.

Yachi não soube mais o que dizer de volta para preencher o ar entre as duas, pensava demais nas possibilidades de resposta, mas nenhuma parecia ser suficiente para estender o assunto. Até tentou uma ou duas vezes dizer algo, mas o medo da voz falhar e entregar todo o nervosismo de seu sistema a impediu. Sentiu as borboletas de seu estômago subirem em seu corpo e embaralharem a sua mente.

Perguntas sobre a família eram muito invasivas? Falar sobre trabalho e, por conseguinte, do time a incomodaria? Shimizu era uma inundação de austeridade e equilíbrio, Yachi tinha medo da gravidade dos eventos que poderiam desestabilizá-la. Apesar disso, havia algo no sorriso daquela garota. Era um arquear de lábios soturno, mas, quando sussurrava que tudo daria certo, todos em volta dela se arriscavam na corda bamba de querer agradá-la e sentir arrepios na espinha pela possibilidade de falharem.

 

Quando Yachi notou que Shimizu mexia consigo, não conseguia mais olhar direito para ela sem sentir que a reciprocidade do ato fazia seu peito quase estourar. Não sabia ao certo quando que esse broto de sentimento havia sido plantado no seu coração, mas, quando notou que florescia, ele parecia espalhar suas vinhas por todo o seu ser.

Foi em uma noite de sexta, ela e Shimizu ficaram responsáveis por organizar e fechar o ginásio. Yachi esquecia informações importantes, tropeçava nos próprios pés, logo, se ficou responsável pela chave do ginásio, fora porque Daichi havia acordado bondoso e confiara que ela não a perderia (ou porque ela estava com Shimizu, e essa sim nunca perderia um objeto importante).

De primeira, nem Yachi notou como estava falando bem mais rápido que o comum ou como parecia ter esquecido de andar quando Shimizu olhava para si, mas a sensação de ter o local inteiro para elas parecia ter despertado algo em Hitoka. Shimizu parecia confortável com a presença da amiga, e isso, de certa forma, lisonjeava Yachi. Quando foram trancar a quadra, Yachi sentiu o calor dos dedos de Kiyoko ao pegar as chaves da mão dela e, só então, notou o quão profundas eram as raízes dos sentimentos que estavam em seu peito.

Seus amigos falavam sobre isso, toques e olhares com uma descarga elétrica capaz de iluminar o país inteiro. Então ficou ali, anestesiada e confusa. Shimizu passou por Yachi e não olhou para trás, mas as luzes da cidade brilharam mais forte aquela noite.

 

Quando as primeiras folhas atingiram o chão, Yachi e Shimizu saíram juntas no final de semana. Shimizu disse que queria poder comemorar que as avaliações haviam acabado, e Yachi não conseguiria dizer não.

Fora uma surpresa.

Nunca pensara que era mais próxima de Shimizu do que Hinata, Daichi, Kageyama ou qualquer outro amigo em comum delas. Em uma parte cruel de sua mente, a garota só queria um tempo dos meninos; assim sendo, Yachi teria sido escolhida não por proximidade, mas por ter sido a única opção que restara. Para se manter esperançosa, Yachi tentava evitar refletir muito sobre isso, mesmo que sua esperança fosse fraca e caísse como as folhas esmorecidas das árvores.

Shimizu soprou a fumaça da xícara de café em mãos, as lentes tão enfumaçadas quanto a vidraça ao lado delas.

— O que você vai fazer quando se formar?

A voz dela era baixa e calma, mas firme. Yachi se ajeitou na cadeira. Shimizu não costumava se incomodar com o silêncio, tampouco iniciar conversas, Hinata dizia que era porque ela só falava quando considerava importante.

— Sentir falta de vocês — murmurou e olhou para Shimizu, que limpava os óculos com um guardanapo. — Faculdade também, eu espero. — Mais alto dessa vez.

Yachi quis retribuir a pergunta, mas temia não possuir a mesma resposta. Respirou fundo algumas vezes, fingiu não poder falar por um tempo por estar concentrada na bebida que lhe aquecia o peito conflituoso, mas o silêncio a incomodava. Quando ela levantou o olhar, porém, e encontrou Shimizu sorrindo para si enquanto contemplava a quietude do local, Yachi pôde sentir por aquele breve instante como era calmo fora de sua cabeça.

— Eu também penso nisso — Seu sorriso cresceu, e Yachi, pela primeira vez, encarou-o. — Acho que vou tentar aplicar pra Tóquio, talvez experimentar um pouco a emoção da cidade grande.

Era bom ouvir ouvir Shimizu falar, havia algo de acolhedor em sua voz que se expandia em si e que a fez sentir que respirar era diferente. Naquele dia, Yachi não abaixou mais a cabeça e sentiu seu coração palpitar todas as vezes que pensava em dizer para Shimizu o quão bela era a flor que ela cultivara em seu peito, a coragem dolorida subindo pela sua garganta, mas não disse.

Passaram o resto da tarde passeando pelas ruas geladas de Miyagi, Shimizu falava mais que a Yachi, mas as duas riam juntas na mesma vibração.

 

Quando a formatura do terceiro ano chegou, os primeiranistas e segundanistas do clube de vôlei de Karasuno pareciam ser os mais emotivos de toda a cerimônia. Amizades longas cobravam o seu preço e, às vezes, ele vinha com o sabor amargo da despedida. Eles compartilharam sonhos e vontades por meses e, embora fosse inevitável, era impossível não sentir o nó na garganta ao pensar naquela cidade, naquele colégio, naquele ginásio sem parte deles. Sem Shimizu.

— Vai até lá, garota idiota, diz pra ela como você se sente — murmurou como se a externalização de um desejo fosse o bastante para torná-lo real.

Seu peito doía toda vez que tentava elaborar um plano para lhe confessar tudo que havia cultivado nos últimos meses, inchado com todas as palavras nunca ditas. Mas, quando viu Shimizu descendo do palco de cerimônias com os olhos úmidos e sorriso dolorido, sentiu todo seu sistema ficar anestesiado por um segundo, alheia demais de todo o resto ao seu redor conforme ela se aproximava. Shimizu a abraçou forte, sussurrando meio torta pelas lágrimas presas:

— Muito obrigada por tudo, Yachi.

E Yachi chorou.

Foi um choro doído, recíproco, solto depois de meses entalado. Quando elas se separaram, Shimizu tentou compensar a situação com um sorriso doce; sob o olhar dela, Yachi sentiu a dor de seu peito fisgar mais uma vez.

— Eu que agradeço — foi tudo que conseguiu responder

Yachi estreitou Shimizu em seus braços para eternizar aquele momento de inigualável proximidade. Mas ainda divisava a imagem de um futuro solitário e, junto às lágrimas tão afiadas quanto o fio de uma espada, esgarçou-se o mais alto dos soluços angustiados. Viu aquela imagem crescer em seu peito e, no ato de desespero compartilhado por todas as criaturas, implorou aos céus para que fosse grande o bastante para sobrepujar a dor de um amor sufocado.


Notas Finais


Evy: E houve boatos que samaren estava na pior

yoru: a karen que escreveu esse último parágrafo, culpem ela

https://curiouscat.me/akaiyoru


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