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História Quatro Semanas de Amor - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá meus amores!

Voltei com mais uma fic de Saint Seiya, e dessa vez, os protagonistas serão Camus e Shina, em um leve semi-UA.
Mas, Pq semi-UA? Porque a trama se passa 10 anos pós Hades, e Shina não faz mais parte do Santuário, como comprovarão no primeiro capítulo.

Essa fic tem uma narrativa um pouco diferente do que me acostumei a fazer, e será curtinha, com oito capítulos, que postarei quinzenalmente, e espero, de coração, que gostem!

Bem, desfrutem desse primeiro capítulo, e estarei dando mais algumas palavrinhas nas notas finais.

OBS: As artes, tanto da capa qto do capítulo são de minha autoria!

Capítulo 1 - O Reencontro


Fanfic / Fanfiction Quatro Semanas de Amor - Capítulo 1 - O Reencontro

Uma linda jovem de lisos e longos cabelos verdes estava encostada em uma das janelas de um ônibus, à caminho de seu trabalho como gerente de uma loja de departamentos no centro de Londres, quando, de repente, se pegou pensando em seu distante passado como amazona de Atena.

Dez anos haviam se passado desde que deixou o Santuário, e resolveu viver uma vida simples, como uma pessoa normal. O estopim para essa importante decisão, foi o noivado de Seiya com Saori, quando esta, depois de sua gloriosa vitória sobre Hades, conseguiu trazer toda a sua Ordem de volta à vida, e assumiu seus sentimentos pelo cavaleiro de Pégaso, se casando com ele, poucos meses depois do noivado. Shina ficou por algum tempo em dúvida, mas fez o que achou correto, e não se arrependeu por isso.  

Agora, passados todo esses anos, tinha, com muito esforço e estudo, conseguido um bom emprego, fez ótimos amigos amigos na capital inglesa, tinha um ex-marido que era seu grande amigo e confidente, enfim, ao seu modo, era feliz.

Porém, ultimamente, sentia falta de algo mais em sua vida… sentia falta de um amor. Um amor verdadeiro, pra valer, diferente da obsessão que tinha por Seiya, ou da amizade colorida que teve com seu ex-marido. Queria amar e ser amada de igual forma.

Chegou ao seu local de trabalho com um grande sorriso no rosto, e foi cumprimentada por todos os seus subordinados. Com o passar dos anos, foi amenizando a sua personalidade dura e impositiva, se tornando alguém mais maleável e sensível. Seus colegas gostavam dela e a admiravam, pois aprendeu a cobrar sem humilhar, a ouvir e ser mais solidária aos problemas alheios. Se tornou mais humana…

 

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Um lindo homem de cabelos azuis petróleo passeava pelas tradicionais ruas londrinas, entediado por não conseguir achar o que queria para dar de presente de casamento ao seu melhor amigo Milo, Cavaleiro de Escorpião, e do qual seria um dos padrinhos. Este, estava noivo há cinco anos de June, a Amazona de Camaleão, e finalmente iria levá-la ao altar, numa cerimônia que seria simples, porém com todo o encantamento e magia que qualquer mulher sonha e deseja.

O aquariano queria encontrar algo que fosse a cara dos noivos, mas que não fosse muito caro, para não parecer esnobe, nem muito barato que passasse a impressão de mesquinho.

Olhou várias vitrines, principalmente as das lojas mais badaladas, porém, nada lhe agradou. Estava frustrado, pois, o que queria mesmo, era ir à Paris, mas, um atentado terrorista na capital francesa frustrou em muito os seus planos. Não houve vítimas fatais, mas por conta disso, teria todo aquele sistema de segurança nos aeroportos, ruas e por todos os lugares transitáveis de lá, e sinceramente, não estava com saco para se submeter a passar por revistas. Por tal motivo, resolveu vir pra Londres, onde teriam lojas tão requintadas e de excelente gosto, quanto as parisienses.

Na última rua em que passou, decidido a voltar para o hotel depois disso, ele parou em seco de frente a vitrine de uma grande loja de departamentos, ao ver uma longa cabeleira esverdeada, bastante lisa, presa  num rabo de cavalo baixo, usando um tailleur azul marinho bem sóbrio, sapatos de saltos médios pretos, e pequenos brincos de água-marinha que lhe chamaram bastante a atenção.

Ela estava de lado, quase de costas, por isso, não dava para ver o seu rosto, mas tinha certeza de que a conhecia. Aliás, não tinha dúvidas disso.

Entrou na loja, e disfarçou vendo alguns produtos, enquanto se aproximava da intrigante jovem, que estava atendendo uma senhorinha, que queria comprar alguns utensílios domésticos.

Foi ficando ainda mais perto daquela fascinante desconhecida, quando ela repentinamente vira-se em sua direção, e arregala os verdes olhos surpresa.

- Camus…?

Ele também se surpreende. Era Shina, a ex-Amazona de Ofiúco, que havia deixado o Santuário há anos, e nunca mais, ninguém daquele lugar teve notícias dela.

- Shina...

Ela pede licença à senhora a qual atendia, e chama uma de suas colegas para auxiliá-la. Foi em direção ao Cavaleiro e falou gentilmente.

- Olá Camus! Há quanto tempo! - estende a mão para cumprimentá-lo.

Ele retribui o gesto, e sente algo estranho ao apertar a mão dela. Sente seu estômago revolto, parecia que borboletas fervilhavam aos montes dentro dele. Era algo esquisito, pois não costumava se sentir desse jeito, quanto mais com uma mulher que conhecia há anos.

Sai de seus pensamentos, e fala igualmente gentil.

- É verdade… faz muitos anos que não nos vemos. Me diga, tem muito tempo que mora aqui?

- Eu vivo em Londres desde que saí do Santuário, deve ter quase uns dez anos.

- E gosta daqui? - indaga curioso.

- Gosto… gosto muito! Mas, o que faz aqui? Está a passeio ou em missão? - questiona a esverdeada.

- À passeio… mais ou menos. - sorri de canto - Eu estou de férias e ia à Paris, mas, como houve aquele atentado anteontem…

- Eu soube… sinto muito… por isso está aqui… e então? Está gostando? Já conheceu o Palácio de Buckingham? O Big Bang? - se arrepende de sua curiosidade, pois lembrou-se de que o francês é discreto e de pouca conversa - Me desculpe a indiscrição…

- Não tem que se desculpar. Eu ainda não fui à nenhum ponto turístico, pois estou concentrado em achar um presente de casamento para Milo e June. - fala normalmente.

- June? E Milo? - dá uma risada gostosa, que faz o homem sorrir de volta, contagiado pela beleza daquele simples gesto - É sério isso? Nunca imaginei um dia saber que June iria se casar! E justo com quem!?

- É… as coisas mudam… eles estão juntos fazem cinco anos, e vão se casar daqui há um mês. - suspira desanimado - O que está me deixando irritado é o fato de até agora não ter encontrado nada que combinasse com eles, que tivesse a ver com os dois…

- Talvez eu possa te ajudar! - diz cheia de ânimo - No quinto andar, temos quadros, tapeçarias, cristais, porcelanas finas… quem sabe encontre alguma coisa que te agrade e a eles também?

Ele ficou admirando aquela mulher, com aquele sorriso encantador, e se rendeu à sua proposta. Acenou positivamente, e a seguiu até o elevador, onde foram direto para o andar em questão, e iria conferir se ali teria o presente ideal para seus amigos.

Olhou com cuidado vários itens, mas estava difícil escolher. Tinha muita coisa belíssima, mas que não combinavam com o casal de amigos. Shina, sempre solícita e simpática, mostrava ao belo homem tudo o que achava interessante, e aproveitava para observá-lo. Nunca tinha reparado no quanto ele era bonito, charmoso e viril. Seus cabelos compridos naquele tom tão peculiar lhe davam um ar de nobreza, e por alguns instantes se perdeu em seu olhar. Parecia frio, mas algo em seu íntimo lhe dizia que não o era.

Sai de seus pensamentos, e o leva para ver alguns quadros. Alguns eram gravuras de obras famosas, outros eram telas à óleo, outros tinham um estilo mais moderno, mas o que Camus gostou mesmo, foi do último quadro que estava pendurado em um extenso corredor. A italiana o levou mais pra perto para poder apreciá-lo e decidir se era realmente o que queria.

Esse quadro chegou no início da semana. É de um artista novato que entrou no circuito de exposições faz pouco tempo. Ele possui um estilo neoclássico, e o pintor usou uma técnica mais apurada em suas pinceladas. É uma belíssima obra!

Ele ficou analisando o quadro, que era uma pintura à óleo, com o Big Bang ao fundo, uma rua à beira do rio Tâmisa, com um casal de jovens se beijando apaixonados, num lindo entardecer no outono londrino. Ele gostou muito da pintura. Achou que de fato, esse clima romântico e a simplicidade das pinceladas, combinavam com o casal de noivos.

Ficou avaliando as palavras de Shina, e pensou em como ela estava mudada. Não era só no físico, mas, em seu jeito de falar, de se expressar. Estava… refinada, delicada e segura de si ao mesmo tempo. E ele gostou muito disso…

Sai de seus pensamentos e fala decidido.

- Vou levar! Achei muito bonito e bem parecido com o estilo deles.

- Ótima aquisição, Camus! Vou mandar embrulhar!

- Onde é o caixa?

- Fica no térreo. Eu te acompanho.

Novamente entraram no elevador, e rapidamente chegam ao térreo. O aquariano efetua a compra no caixa e pega um grande embrulho, se dirigindo junto com Shina à saída da loja.

- Fico feliz em ter conseguido te ajudar com a escolha do presente! Transmita meus votos de felicidade aos noivos! - diz com um singelo sorriso.

- Eu direi! Muito obrigado por tudo, e foi um prazer rever você! - sente um nó na garganta, pois provavelmente não iria vê-la mais.

- Igualmente Camus! - chega um pouco mais perto, e deposita um terno beijo na bochecha do rapaz, que fica corado com o ato da garota - Adeus! - se vira pra poder entrar de volta na loja, quando ouve aquela máscula e misteriosa voz lhe chamar.

- Shina, espere! - se aproxima da ariana, e fala um pouco nervoso - Não sei se já tem planos pra essa noite, mas… que tal sairmos para jantar? - pensa “Que está fazendo? Parece um adolescente bobo! E se ela já for noiva? Ou casada? Não lembro de ter visto alguma aliança em sua mão mas…”

- Acho uma ótima ideia! - sorri docemente e o aquariano suspira aliviado - Podemos conversar sobre como passamos esses dez anos sem nos ver, e quem sabe visitar algumas galerias que estão com ótimas exposições? - fica empolgada, pois sabia que o rapaz apreciava muito as belas artes, assim como ela própria.

- É realmente um programa excelente para se fazer. - pega de leve a mão da moça, que se arrepia inteira com o suave contato - Te pego aonde e a que horas?

Ela pegou um cartão de dentro do bolso do tailleur e uma pequena caneta, anotou o endereço, entregando logo em seguida ao francês.

- Esse é o meu endereço e pode me pegar às oito. Eu… vou te aguardar e saber se continua tão pontual como há dez anos, na época em que eu ainda vivia na Grécia. - sorri divertida.

- Às oito em ponto estarei lhe esperando. - fala sedutor (o que ele mesmo estranha, pois não costumava agir assim), e retribui o beijo que ela deu, o depositando devagar no rosto feminino.

Ela fica corada, mas gosta desse gesto pouco usual do rapaz, que sempre teve a fama de ser o mais frio do Santuário.

Sorri amplamente e se despede dele.

- Até mais tarde Camus!

- Até mais tarde Shina… - a vê entrando devagar na loja e suspira feliz. Iria vê-la outra vez e estava… ansioso?

Sim, estava ansioso e expectante com esse encontro. Porque se sentia assim? Porque ela agora o atraia tanto, se a conhecia ela desde pequeno e nunca nutriu esse tipo de sentimentos por ela?

Dúvidas… eram muitas, mas poderia sanar algumas delas essa noite, e alguma coisa lhe dizia que essa seria uma ótima noite…

 

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Vestido impecavelmente com blusa social num xadrez discreto azul e branco, com um suéter cinza por cima, calça jeans de lavagem escura e sapatênis caramelo, um lindo Rolex no pulso, e os cabelos presos num rabo-de-cavalo baixo, Camus esperava às 20:00 em ponto na porta do prédio onde Shina morava.

Estava um pouco apreensivo, nervoso, e não sabia bem o porque se sentia assim. Porém, quando a viu linda, estonteante, vindo em sua direção, ele soube o porquê estava desse jeito: se sentia terrivelmente atraído por ela.

Ela usava um vestido preto de alças grossas, decote em u, cintura marcada e saia rodada, feito de um tecido leve e esvoaçante, que combinava perfeitamente com um peep toe preto tipo verniz que tinha nos pés, e um cardigã preto com pedrarias bem discretas, e pequenos brincos de rubi, que lhe davam um ar ainda mais despojado e jovial.

Ele sorri. Mas não era um sorriso qualquer ou forçado como estava acostumado a fazer. Era um sorriso amplo, sincero, de quem estava realmente encantado ao vê-la tão fascinante.

Ela sorri de volta, e o observa com cuidado. Estava lindo, perfeito. E aquele sorriso mexeu com ela de um jeito que há muito não se sentia, mais precisamente, desde que era casada com Rupert, seu ex-marido. Porém, era ainda mais profundo o torpor em que Camus lhe deixava, e essa sensação a amedrontou um pouco.

Disfarçou o seu estado de espírito, e sorriu singelamente pra ele, que enlaçou sua mão à dela e falou tranquilo.

- Hoje será minha guia, pois não conheço praticamente nada aqui.

Ela observa sua mão unida à dele, e sente seu corpo esquentar. Olha pra ele e sorri ao ver os olhos azuis do rapaz brilhando com a expectativa de que, aquela noite seria especial. No fundo, ela também se sentia assim.

- Fique tranquilo! - responde amável - Vamos à um ótimo restaurante aqui perto, e depois vamos ao Barbican Centre ver as últimas novidades do mundo das artes! Preparado? - pisca com picardia.

- Sim, preparado.

 

Em pouco mais de dez minutos de caminhada, chegaram à um restaurante muito aconchegante e ao mesmo tempo sofisticado, no bairro de Chelsea, onde a esverdeada também morava, e que era um dos melhores de Londres, pois tinha uma excelente comida e ótimo atendimento.

Como Shina havia feito as reservas mais cedo, não tiveram que enfrentar a fila na porta, e foram direto para uma mesa que ficava perto de uma grande janela de vidro transparente, de onde viam a bucólica rua e seus transeuntes.

O garçom traz os cardápios, e Camus deixa a cargo da italiana a escolha dos pratos, enquanto ele escolhe o vinho que irá acompanhar o agradável jantar.

Depois de escolherem tudo, fazem os pedidos ao garçom, e ficam conversando animados enquanto a comida não chega.

- Porque Londres? - indaga o rapaz curioso.

- Não sei bem… quando saí do Santuário, somente levava uma mochila, meus documentos e poucas economias de toda uma vida. Estava parada no aeroporto, literalmente sem destino, quando ouvi um chamado de um vôo para Londres, que iria sair dali à uma hora. Não sei porquê, mas tive um estalo, e fui ao guichê pra ver se ainda tinha alguma passagem disponível para aquele vôo. Eu dei muita sorte, pois tinha somente uma, e subi naquele avião com destino à um lugar que jamais havia posto os pés na vida, e que eu mal sabia arranhar algumas palavras em inglês… mas aqui, nesse lugar, eu posso dizer, que de certo modo, eu sou feliz.

- Interessante… não sei se teria essa coragem. Largar tudo, e vir me aventurar numa terra totalmente desconhecida…- fala reticente.

- Eu também nunca me imaginei fazendo isso, mas… eu não poderia suportar ver Seiya junto à Saori, pelo menos não naquela época. - sorri sincera.

- E o que foi que mudou? - pressiona sutilmente.

- Eu descobri, depois de muito sofrer, é claro, que o que sentia por ele não era amor. Era… uma espécie de obsessão… de cisma…

- E como chegou a essa conclusão? - se arrepende de ter perguntado. Não sabia bem o porquê, mas tinha necessidade de fazê-lo - Me desculpe! Não quero ser invasivo.

- Tudo bem… - dá uma gostosa risada - Não me incomoda falar sobre isso! Eu cheguei à essa conclusão, quando eu me apaixonei de verdade, na época em que conheci Rupert, meu ex-marido.

- Já foi casada? - levanta uma de suas sobrancelhas. Por essa ele não esperava.

- Sim. Por cinco anos… nos amávamos e acho que até hoje o amo… - Camus suspira desanimado - Mas… como um amigo querido, e não mais como homem.

O azulado volta a sorrir discretamente. Gostou de saber que era só amizade o que ela nutria por seu ex.

- Me desculpe novamente a curiosidade, porém, se o ama, mesmo que somente como amigo, porque se separou? - se repreendeu mentalmente por isso: “Camus… se controla…”

- Porque tínhamos objetivos diferentes… ele queria se aventurar pelo mundo, escalar montanhas, andar por geleiras, se embrenhar por florestas… enfim, ser uma dessas pessoas que não perdem uma boa dose de adrenalina. - dá um sorriso triste - Eu queria sossego, tranquilidade… viver uma vida comum e corriqueira…

- Entendi… mas parece que sente a falta dele... - “Merda Camus! Cala essa maldita boca! Tá dando muita bandeira!” pensa irritado consigo mesmo.

- Não é bem dele em si. Eu… sinto falta de companhia, de alguém pra conversar, dividir as alegrias, tristezas… de amor… - fala com muita melancolia.

Ele ia falar mais, porém, o garçom chega com os pedidos, e a italiana abre um largo sorriso.

Camus nota a face feliz da garota e fala divertido.

- Pelo seu sorriso, a comida daqui deve ser excelente.

- Deve não. É! Maravilhosa! Vamos! Experimente! - o inventiva a dar a primeira garfada.

Ele leva o garfo a boca com um pouco do vistoso alimento, e suas papilas gustativas dançam com o suave e delicioso sabor do mesmo. Era um bife à Wellington com legumes salteados como acompanhamento, e estava simplesmente divino. Mais uma vez, a esverdeada acertava na mosca em suas recomendações, e isso fez com que o aquariano ficasse ainda mais encantado por ela. Era difícil explicar o que nem ele mesmo conseguia, mas, estava relaxado, solto, e aproveitou para degustar com calma aquela saborosa refeição, que era acompanhado de um encorpado vinho tinto.

Shina o vê comendo com gosto e fica intimamente contente. Olhava pra ele com certo carinho, e não sabia bem o porquê. Talvez fosse pela nostalgia que a presença dele lhe trazia da época em que viveu na Grécia, ou talvez não fosse nada disso. Só sabia que não conseguia tirar seus verdes orbes de cima dele.

Logo acabaram de jantar, e experimentaram um trifle, que era uma das especialidades da casa em termos de sobremesa. Se deleitaram com o doce de sabor delicado, e com um sorriso nos lábios, Camus pediu ao garçom a conta.

A ariana, prontamente pegou sua bolsa e iria tirar sua carteira de dentro dela, quando o rapaz lhe fez um sinal de negativo com a cabeça. Ela o olhou enternecida com o seu cavalheiresco gesto, porém iria insistir em ajudar na despesa, pois estava mais do que acostumada a fazer desse jeito quando saia com seus amigos para se divertir,

- Não Camus! Eu pago a minha parte, pode deixar!

- Jamais a deixaria fazer isso. Eu a convidei, e como diz o ditado: quem convida, dá banquete. - diz piscando o olho com picardia, e ela sorri agradecida. Ele era mesmo um gentleman, como poucos nesse mundo,

O azulado pagou a conta, puxou a cadeira para ela poder se levantar, ofereceu-lhe o braço, onde ela o enlaçou sem questionar, e saíram do restaurante rumo a estação de metrô, onde, em menos de quinze minutos de viagem, estavam em Barbican Center, onde teriam todo um circuito de variadas exposições noturnas para explorarem.

Diversos tipos de manifestações artísticas estavam expostas, incluindo quadros de influência renascentistas, esculturas realistas, grafites, e muitas outras. Camus olhava as obras com muito interesse, pois apreciava com alegria tudo que era ligado às artes, e Shina também admirava tudo com um discreto entusiasmo. Os longos anos na capital inglesa, e a necessidade de desempenhar melhor sua funções em seu emprego, ela acabou adquirindo o sincero gosto pelas artes em geral, sendo uma entusiasta de todo e qualquer jovem artista que entrava nesse concorrido circuito, desde que esses tocassem o seu coração com a expressão de sua essência artística.

Num dado momento, ela parou em frente à uma grande tela, que tinha uma clara influência de Pablo Picasso em suas pinceladas. Ficou ali, quase que hipnotizada, olhando aquela flor psicodélica e retorcida, e o francês parou logo atrás dela, onde foi ele quem ficou vidrado com a visão dos longos cabelos num corte em forma de v, que estavam levemente ondulados em suas pontas.

Sem que se desse conta, estava com seu corpo bem junto ao dela, e arfou baixo ao sentir o calor do corpo feminino em seu peitoral. Ela sentiu um gostoso arrepio ao senti-lo contra si, e abafou um gemido. Porque sentia-se assim? Seria carência? Não… não era isso… era um feeling… era coisa de pele, de desejo…

E ficaram assim por alguns minutos, minutos esses que pareciam uma eternidade. Eternidade essa, que não queriam que acabasse nunca…

Ela virou-se e o olhou profundamente, e ele não desviou seu intenso olhar. Havia algo ali… algo que nenhum dos dois entendia, mas estavam sentindo latentes em seus corpos e seus espíritos.

Ambos saíram de seus ensimesmamentos, e de mãos dadas, voltaram a circular pelos amplos salões da galeria. Sorriram timidamente, mas continuaram com seu passeio cultural, aproveitando daquela noite tão agradável.

 

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Depois de algumas horas naquele inesquecível programa, os dois voltam para Chelsea, onde ele gentilmente a leva até a portaria de seu prédio.

Se olham um pouco tristonhos, pois tinham certeza de que não se veriam mais depois desse dia especial.

- Eu… - falam em uníssono, ato que arranca uma risada gostosa da parte dele.

Ela o olha admirada, pois nunca, em sua passagem pelo Santuário, o havia visto rindo desse jeito. Ele era maravilhoso, perfeito…

Ele mira o rosto angelical que lhe sorria tristemente, e sentiu algo estranho dentro de si. Queria ficar… ficar com ela…

- Acho que tem que ir, não é? - olha pra baixo entristecida - Se por um acaso não nos vermos mais, saiba que foi um prazer rever você, e conhecer esse seu lado... diferente… me sinto honrada por isso!

Shina já ia dar um terno beijo no rosto do azulado, quando este a pega pelos ombros e fala com a voz mais sexy que um homem poderia ter.

- Se me pedir pra ficar contigo hoje, eu fico…

Seus orbes verdes cintilavam de desejo, e fala num fiapo de voz.

- Então fica…

 


 


Notas Finais


Bem, o que acharam do primeiro capítulo? Sintam-se à vontade para comentarem, darem suas opiniões e deixarem suas impressões da história. Gosto de saber o que pensam!

Para quem achou Shina um pouco diferente do habitual, o próprio texto explica que passaram-se 10 anos, em que ela pôde estudar, se aprimorar para exercer seu novo ofício, então, não tem porque ela ser xucra e agressiva como nos tempos do Santuário, além de que todo esse tempo é mais que suficiente para moldar a personalidade de uma pessoa se ela assim o quiser.

Barbican Center é uma badalada galeria londrina, que funciona à noite, e ótima para quem curte fazer programas culturais noturnos.

No mais, me despeço por aq!

Até breve!!!


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