História Sprinterkombi: Que se chama amor - Capítulo 1


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Categorias Choque de Cultura
Personagens Julinho da Van, Maurílio dos Anjos, Renan, Rogerinho do Ingá, Simone
Tags Choque De Cultura, Ingátowner, Sprinterkombi
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Palavras 5.417
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Opa, oi!
Essa aqui é a primeira fic Sprinterkombi que eu posto, foi escrita com muito carinho pra esse vandom lindo.
E, bem, ela é uma mistura de uns headcanons meus hahahah
Enfim, espero que gostem <3
Ah! Meu arroba no tt é o mesmo daqui, @infalliblejam! Se quiserem bater um papo sobre a fic (ou sei lá) é só chamar!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Já passavam das duas da tarde, aquele sol escaldante parecia atravessar a lataria da Sprinter Azul e Vermelha que, mesmo com seu escapamento soltando fumaça, continuava parada. Rogerinho batia as pontas dos dedos de sua mão direita furiosamente contra o couro desgastado do volante enquanto, com as costas da outra mão, tentava enxugar sua testa, que começava a suar. Ele praguejava mentalmente (e verbalmente também) o fato de estar vestindo uma blusa de manga comprida branca (por baixo de sua camiseta azul da Seleção Brasileira, é claro) em plenos quarenta graus que faziam hoje.

Mas, como piloto conscientíssimo que era, Rogerinho tinha plena noção de que não havia sido sua culpa sair de casa daquele jeito: ele foi obrigado a engolir seu café quente e cantar pneus o mais rápido que pôde, tão rápido que acabou por vestir a primeira roupa que viu na sua frente. Consequentemente, a sua não escolha da roupa acabou se transformando, acidentalmente, em um preço que Rogerinho teve de pagar por ter um guarda roupas repleto de peças da última moda, que não necessariamente condiziam com o clima da Cidade Maravilhosa. Na verdade, a culpa de toda aquela situação era — como já se podia esperar — do moreno cabisbaixo sentado no banco de carona.

Inclusive, para Rogerinho, a pior parte de estar em um engarrafamento na ponte Rio—Niterói, num calor extremo, era certamente o motivo: Maurílio. Na verdade, motivo pior: um Maurílio de ressaca, com fones de ouvido no último volume, quase se contorcendo de tanto chorar. Era possível sentir a quilômetros de distância que, extremamente transtornado pela mistura de um sol infernal adentrando a van e uma situação escrota, o piloto da Sprinter se sentia no seu limite.

— Desliga essa porra! Anda, desliga esse cacete! — Rogerinho finalmente gritou, tirando ambas as mãos do volante e, em seguida, tirando os fones de Maurílio — Já te disse que música é droga, só piora as coisas.

— Mas que merda, Rogerinho. Me deixa ouvir meu Jorge Aragão em paz! — retrucou o moreno em meio a um soluço, tomando os fones da mão do outro e os colocando novamente.

— Ah, mas não na minha Sprinter! Já é a décima vez que eu tenho que ouvir "Eu e você sempre" porque tu não teve a decência de abaixar essa porra! — falou o mais velho, retirando os fones de Maurílio mais uma vez — Se colocar essa merda no ouvido mais uma vez eu juro que te dou um motivo real pra tu chorar.

— Para onde você está me levando? — disse dos Anjos em meio a outro soluço — E você realmente precisava ter pegado passageiro? É muita humilhação, Rogerinho... Eu tô um bagaço.

Além de Maurílio e do calor desgraçado, estavam também na Sprinter uma mãe e sua criança de colo que não parava de chorar, uma velhinha que já devia estar narrando a sexta história sobre a vida dela e um vendedor ambulante. Obviamente, após uma pergunta tão idiota como a do moreno, o piloto que já se encontrava no auge de sua irritação, precisou se segurar para não agredir Maurílio e a senhorinha que contava, pela segunda vez, a história de seu casamento no Período Neolítico. Então, Rogerinho respirou fundo, segurou com força o volante e respondeu:

— Primeiro: não interessa para onde estou te levando, otário. Segundo: tu tá sempre um bagaço, ô Maurílio. E terceiro: é claro que tinha que pegar passageiro né, porra?! Tá achando que eu tô com dinheiro sobrando pra bancar teus ataques de pelanca?

— Que ataque de pelanca, Rogerinho?! Tu foi me buscar lá no bar porque quis. — Maurílio respondeu, cruzando os braços.

— Ah... Mas aí ele tem razão, meu filho. O menino já é crescido, já sabe resolver os problemas sozinho. — disse a senhorinha se intrometendo na conversa dos pilotos.

— CALA A BOCA! — o trânsito finalmente havia começado a fluir quando Rogerinho freou bruscamente a Sprinter e virou seu corpo para melhor encarar a velhinha — Cala a tua boca, minha senhora! Tu não sabe do que se trata! E você! — apontou para o bebê de colo que havia começado a chorar devido a gritaria — Trata de calar a tua boca também! Fica com esse "cunhé, cunhé", cresce porra!

Um Honda que estava atrás da Sprinter começou a buzinar fazendo o piloto interromper o esporro coletivo para virar-se para frente e colocar a cabeça para fora da janela.

— Passa por cima, filha da puta! — Rogerinho retornou (inteiramente) ao seu banco e continuou, dessa vez, olhando através do retrovisor para o vendedor ambulante — Você! Se tentar me vender paçoca de novo eu te jogo pra fora da Sprinter, tá achando o que? Que aqui é Uber?! E tu, Maurílio — o mais velho fez uma pausa fitando mortalmente o moreno — Eu saí correndo da minha casa pra te poupar de passar mais vergonha do que tu já passa tando sóbrio... Mas pode deixar, da próxima vez eu te deixo sozinho dando pt no bar... E com prazer!

O restante do caminho foi tranquilo até. O bebê não chorou mais, a velhinha e o vendedor estavam satisfatoriamente quietos. Apenas Maurílio vez ou outra fungava. Não tardou muito para que só estivessem os dois pilotos na Sprinter e tardou bem menos para que dos Anjos percebesse Rogerinho o estar levando para o bar perto da casa de Renan, onde os pilotos costumavam se encontrar.
— Rogerinho... Eu não acho que seja uma boa ideia encontrar o... bem, os... outros pilotos. — Maurílio gaguejou — Eu estou mal, prefiro ir para casa. — ele tentou pela primeira e última vez adiar o encontro, mas, pelo olhar resposta que obteve do mais velho percebeu que não haveriam desculpas que fizessem Rogerinho voltar atrás.

Ambos desceram da Sprinter e caminharam uns dois minutos em silêncio até o bar. Logo, Maurílio pôde avistar o estabelecimento meio largado, que se encontrava na esquina da rua de Renan. Conforme se aproximavam do local, dos Anjos pôde ver aquela Jukebox antiga que o trazia lembranças de noites mal dormidas e danças que, bem, nunca poderiam ser esquecidas. Também reparou em Renan, que acenava e fazia sinal para os dois motoristas se juntarem a ele numa das mesinhas de plástico do local. E, para a felicidade de Maurílio, não havia nenhum sinal de Julinho.

— Renan, meu querido! Como tá Renanzinho? — Rogerinho se sentou ao lado de Renan, mas antes, o deu um breve abraço.

— Tá no hospital com a mãe. Quebrou a perna naquelas barras de metal da seção de frios do mercado. — disse Renan calmamente.

— E tá tudo bem com nosso menino?! — o piloto da Sprinter perguntou, parecendo preocupado.

— Rogerinho, pelo amor de Deus, né? Óbvio que tá tudo bem. Eu que incentivei. Que tipo de criança nunca quebrou um membro do corpo se equilibrando naquelas barrinhas? — o motorista da Towner deu um gole em sua cerveja — Faz parte da infância de qualquer criança saudável isso. Daqui é pouco ele sai do hospital novinho em folha, tinindo! Quem me preocupa mesmo é esse menino aí. — Renan apontou com a cabeça para Maurílio.

— Me vejo obrigado a concordar contigo! — dessa vez foi Rogerinho quem tomou um gole de cerveja — Não acreditei quando me ligaram ontem lá da Globo falando que Maurílio tava querendo armar barraca lá no Projac porque tava sem casa. E hoje, como se não bastasse, recebi outra ligação falando que ele tava vomitando num bar em Niterói, na orla de Itaipu...

— Em minha defesa- — Maurílio tentou justificar-se, mas, foi interrompido.

— Em tua defesa o cacete que tu não tem defesa! Todo mundo aqui sabe que tu tá querendo evitar o climão com Amanda e tentando manter só o profissional com Julinho! — Renan desferiu um soco na mesa, derrubando um pouco de sua cerveja e abrindo mais uma fresta na antiga mesa de plástico.

— Olha pra mim! — Rogerinho segurou com as duas mãos o rosto do piloto da Towner — Se acalma! Acalmou?! Lembra? Nova fase, Renan! Autocontrole!

— Obrigado, Rogerinho... — Renan pôde sentir suas bochechas esquentarem mas, logo retomou o que estava falando  — Eu vim te aconselhar, Maurílio! E você me trata assim? Olha bem no que você se transformou. Presta atenção! E tudo isso por causa de homem! Único homem que eu poderia pensar em vomitar nove da manhã num bar na orla de Itaipu é Adam Sandler, mas só porque é o Adam!

Maurílio pôde sentir o restinho de bebida, que por acaso não havia sido vomitada hoje cedo com o restante, voltar em sua garganta e seu estômago embrulhar. Para o moreno, era impossível os outros dois pilotos perceberem seus confusos sentimentos por Julinho. Aquilo só podia ser um engano. Se nem o próprio Maurílio tinha certeza do que se passava dentro de si como eles poderiam? Sim, Renan e Rogerinho sabiam do beijo. Da mesma forma que todo o Brasil sabia, pois, foi ao ar em um dos programas. Mas, aquele beijo se tratou apenas e unicamente de fanservice, é claro. Do que mais poderia se tratar?

O moreno sentiu-se arrepiar. Foi atingido pela lembrança do dia em que Julinho sugeriu o beijo. A proposta aconteceu após passados dias inteiros de brincadeiras feitas por da Van sobre as fanarts e fanfics ''Sprinterkombi" que os fãs do programa andaram fazendo. Julinho parecia tão tranquilo com aquilo. Dos Anjos, por outro lado, parecia um Pinscher de tanto que se tremia quando qualquer piada sugestiva era feita. Mas, obviamente, o beijo em si havia sido profissional, oras. Da parte de Julinho, pelo menos.

Sim, Renan e Rogerinho sabiam do beijo. Porém, não sabiam de todos eles. Não haviam sido muitos, mas eram de quantidade necessária para acabar com o sono de Maurílio. Não haviam significado nada, dos Anjos pensava. Tanto não significaram que que Julinho sequer, alguma vez, os mencionou. Haviam bebido todas as vezes que os outros beijos aconteceram? Sim. Mas, não estavam bêbados ao ponto de esquecerem o que fizeram, nem ao ponto de perderem a noção do que queriam. Estavam, no máximo, ao ponto de fazerem coisas que não teriam coragem de fazer sóbrios. Bem, esse era o caso de Maurílio, pelo menos.

— Maurílio! — o piloto da Spinter Azul e Vermelha estalava os dedos próximo aos orbes do moreno. Dos Anjos ainda se encontrava disperso em seus pensamentos — Maurílio, cacete!

— Ele tá enlouquecendo, Rogerinho! — disse Renan, enquanto se preparava para desferir um tapa no rosto do motorista da Kombi — Maurílio!

— Oi! Que foi?! — Maurílio despertou e Rogerinho segurou a tempo o pulso do motorista da Towner — Renan?! Que porra é essa?

— Quer saber? Vou ser direto. Veja bem, não adianta você não demonstrar os seus sentimentos e depois ficar lamentando pelos cantos! Cadê a tua consciência?! Cê ta sendo inocente, ô Maurílio... — disse Renan.

— Eu não estou entendendo vocês dois... — o moreno desconversou.

— Não se faz de idiota que não vai adiantar de nada tu ficar nesse jogo de quem liga menos com Julinho. Só vai afastar ele! — o motorista da Sprinter disse.

Maurílio estremeceu. Ele poderia até continuar desconversando, mas não aguentava mais guardar tudo para si.

— Ah, então vocês querem dar pitaco, é? Me deixa explicar a história direito então: é, a gente deu uns beijos, sim, eu confundi as coisas. E foi isso! Só isso! Inclusive, vocês dois estão tão preocupados e Julinho não está nem aqui! Foi tudo coisa da minha cabeça... — dos Anjos, por fim, disse.

— Às vezes a tua capacidade de ser burro me assusta, sabia Maurílio? Julinho não está aqui simplesmente porque ele consegue ser mais lento que você. Não percebeu as coisas ainda. — Renan retrucou.

— Vocês dois estão viajando... — Maurílio estava começando a armar sua defensiva quando algum bêbado, que havia acabado de levar um pé na bunda, colocou para tocar naquela, mais pra lá do que pra cá, Jukebox do bar "Essa tal liberdade". Dos Anjos deu um longo suspiro e continuou — Olha, só me dá um gole da tua cerveja, Renan...

— Dá nada para ele não, ô Renan. Ele vai ficar sóbrio, sóbrio. Sabe por qual motivo? Bem, porque Julinho tá dando uma festa lá na casa dele. E é pra lá que a gente vai. — disse Rogerinho, se levantando.

— Pois é. E já que tu disse, Maurílio, que não tem nada a ver essa história toda, não vai ter problema nenhum te levarmos com a gente, não é? E não adianta dizer que "não", com as atitudes de pessoa retardada que você tomou hoje, eu e Rogerinho vamos ficar de babá tua. — completou o piloto da Towner.

Por Maurílio, ele teria continuado sentado naquele bar mal iluminado e cheio de mosquitos sozinho. Aceitando o fato de ter virado um baita de um gado enquanto a voz do Alexandre Pires, um pouco falhada devido a velhice da Jukebox, ecoaria em seus ouvidos. Mas, o piloto da Kombi foi basicamente arrastado por Renan e Rogerinho, que o enfiaram na Sprinter, obrigando dos Anjos a passar os exatos quinze minutos do trajeto (do bar até a casa de Julinho) praguejando o fato de Júlio Cesar morar tão perto.

Na verdade, o moreno nem sabia o porquê de tanto nervosismo. Está bem, agora os outros pilotos tinham conhecimento dos possíveis sentimentos Maurílio, mas não era como se isso fosse mudar algo. Ele só chegaria na festa, cumprimentaria o dito cujo, tomaria algumas cervejas e dançaria. E foi exatamente o que ele fez quando por fim chegaram: apertou a mão de Julinho e foi para o quintal (que ficava aos fundos da casa), seguido pelos olhares irritados do piloto da Towner e do piloto da Sprinter Azul e Vermelha.

— Mas tu é um fraco mesmo, hein Maurílio?! — Renan sussurrou para o moreno enquanto atravessava os corredores da casa para chegar no quintal.

A tal festa era, na verdade, um churrasco. Havia, inclusive, bastante gente no não tão grande espaço. Maurílio se esforçou para recordar de alguma data comemorativa, algum aniversário que pudesse ser a motivação do festejo, todavia, não conseguiu lembrar-se de nada. Seguiu para a churrasqueira e começou a beliscar alguns petiscos. A caixa de som estava tocando algum forró no último volume quando dos Anjos avistou um isopor cercado por uma poça de água e deduziu que ali se encontravam as bebidas. Maurílio já estava colocando suas mãos no gelo derretido quando foi interrompido.

— Vai beber hoje não, meu querido. Me pediram para ficar de olho. — a moça de cabelos cacheados deu um tapinha na mão do piloto, a tirando de dentro do isopor. E, depois, tomou a latinha de Maurílio.

— Simone?! Não acredito que você compactuou com isso. Anda, me dá essa cerveja. — Maurílio estendeu a mão para que a moça lhe devolvesse a bebida.

— Deixa de ser folgado, ô Maurílio. Não me faça chamar o Rogerinho. — ela pôs as duas mãos na cintura.

Dos Anjos deu as costas e caminhou transtornado para o outro lado do quintal até uma das mesinhas de metal da Skol, castigadas pela ferrugem, que estavam dispostas pelo local. Sentou-se, e pegou um cigarro. Tateou seus bolsos procurando por sua caixa de fósforos, porém, não obteve êxito em acha-la. Devia ter esquecido a caixinha naquele bar maldito. Já estava se levantando para pedir emprestado um isqueiro a alguém quando sentiu uma mão pesar em seu ombro.

— Quer fogo, Maurílio? — o moreno se assustou, acabando por dar um pequeno salto na cadeira que fez Julinho rir — Ih, dodói, tá devendo, é?

— Idiota... Aceito o isqueiro sim, preciso desestressar... — dos Anjos disse, fingindo a fonte de todo seu estresse não estar bem na sua frente. Seus olhos acompanhavam a figura de Julinho sentar-se, apoiado em uma das pernas, na cadeira ao seu lado. Ele estava com sua regata do Vin Diesel, seus cachos loiros bagunçados.

— Tem algo te incomodando? O que aconteceu? — Júlio disse, com o cigarro entre os lábios, passando o isqueiro para o mais novo.

— Ah, bem... — Maurílio, que tentava ao máximo não manter contato visual, acendeu o cigarro — É esse negócio de ficar sem casa, né. Tô com as costas acabadas por causa do banco da Kombi... Dormindo mal...

— Olha, se tu quiser, pode dormir aqui... Algum dia desses. Mas não se acostuma não, no primeiro surto que tu der eu te ponho pra fora. — da Van desviou o olhar — Tem outro? — ele apontou para o cigarro — Meu maço acabou...

— Tenho sim. Aqui. — estendeu um cigarro para Julinho fingindo não ter ouvido a sugestão do mesmo e mudando de assunto — Não sabia que tu fumava em casa.

— Só quando vovó não está. — o de cabelos cacheados sorriu, se levantando — Vou pegar uma cerveja.

— Traz pra mim também! — o moreno pediu e ouviu Julinho responder um "Se aproveita não, dodói" de longe.

Maurílio não pôde evitar sorrir tontamente enquanto terminava de tragar seu cigarro e via o outro se afastar. Continuou sentado e esperou um pouco para ver se Julinho voltava, porém, como não aconteceu, ele resolveu ir para perto da caixa de som e dançar um pouco. Levantou-se e quando chegou lá, se deu conta de que não conhecia a maior parte das pessoas ali, então, acabou por só observar os convidados sambando, ao som de alguma música do Exalta, por um tempinho e voltou a beliscar algumas carnes.

Todavia, as músicas lentas começaram a tocar, fazendo o eu-meloso de Maurílio despertar. Dos Anjos sentiu-se invadir por uma falta de ânimo e acabou por lembrar-se de tudo o que havia rolado naquela semana e de como ele havia parado ali, naquele churrasco. Varreu com o olhar aquele bando de gente, não encontrou Renan. Nem Rogerinho. Sentia-se triste e deslocado. Era impressionante como, ao mesmo tempo em que Julinho o podia fazer sentir-se sem chão, também conseguia o fazer esquecer todo aquele drama com uma simples conversa boba. Então, sem nada melhor para fazer, Maurílio tornou a sentar-se na mesma mesinha de metal da Skol de antes. Apoiou sua testa em uma das mãos e xingou mentalmente quando ouviu a voz de Alexandre Pires mais uma vez, mas agora, em "Que se chama amor".

— Só pode ser sacanagem... — dos Anjos sussurrou para si mesmo.

— O que? — disse Clayton, assustando Maurílio, que novamente deu um pulo.

— Puta merda... Ciclista Clayton? O que tu tá fazendo aqui? — o piloto da Kombi indagou.

— Tá devendo, é Maurílio? — Clayton riu enquanto o moreno revirava os olhos por estar ouvindo aquilo pela segunda vez hoje — E o que eu estou fazendo aqui?! Oras, vim dar uma olhada no que estava acontecendo, agora que sou presidente do sindicato preciso estar a par de tudo...

— Clayton... — Maurílio até pensou em começar um barraco mas não estava com cabeça para aquilo — Vai embora, irmão...

— Brother, que falta de educação do caralho, viu?

O ciclista mal havia acabado de se levantar e deixar a mesa quando Maurílio se virou para distrair-se da melancolia de seus pensamentos olhando as pessoas dançando. Ele finalmente encontrou Rogerinho e Renan. Estavam sentados em uma mesa no outro extremo do local com Evandro. Olhou mais um pouco e encontrou Simone dançando com Amanda perto da caixa de som. O moreno nem havia notado a presença de sua irmã na festa, até pensou dar um “alô”, entretanto, preferiu deixa-la terminar de dançar. Ele já estava até se animando para ir dançar também, mesmo que fosse sem par, quando seus olhos encontraram um Julinho agarradinho a uma mulher que dos Anjos nunca havia visto.

O coração do moreno apertou. Maurílio só conseguia pensar no quão idiota era tudo aquilo, no quanto que ele parecia um adolescente besta e em como preferiria mil vezes regravar o episódio Top Socão Na Cara do que continuar a assistir o que havia acabado de ver. Julinho beijou a tal moça. O olhar de Maurílio se encontrou com o de Renan, que parecia arrependido de o ter levado até ali. O piloto da Towner cochichou algo ao pé do ouvido de Rogerinho, que por sua vez falou com Evandro, e, por fim, todos os três foram ao encontro do moreno, que mais uma vez se encontrava cabisbaixo e, que daria de tudo para voltar para o bar em Itaipu. Evandro o estendeu uma cerveja.

— Tu quer uma, irmão?

— Eu quero ir para minha casa... minha Kombi... Sei lá, Evandro — Maurílio disse quase num sussurro.

— Ô Maurílio, tu pode dormir lá em casa hoje, Fabíola vai passar a noite com Renanzinho no hospital... — o piloto da Towner ofereceu.

— Obrigado, Renan, mas prefiro ficar sozinho hoje... Eu só preciso ir no banheiro, e depois vou embora.

Maurílio deixou a mesinha enferrujada da Skol e os três pilotos. Atravessou o quintal cheio de gente e adentrou o corredor da casa de Julinho. Sabia o caminho até o banheiro então não demorou muito para chegar no tal cômodo. Trancou a porta, jogou uma água no rosto. Sentou-se na privada, com a tampa fechada mesmo, e começou a pensar. Pensar nessa história maluca de estar começando a aceitar uma possível paixão por seu colega de trabalho.

O moreno fechou os olhos, passou a mão pelos cabelos castanhos e sentiu sua tristeza ser, aos poucos, substituída por raiva. Quantos anos ele tinha? Quatorze? E Julinho? Pelo amor de Deus, o que o motorista da Kombi sentia não levaria a lugar nenhum. Maurílio levantou do vaso sanitário decidido a dar um basta naquele embate dentro de si.

— Chega de palhaçada. — ele sussurrou para si.

Já estava terminando de lavar suas mãos para, finalmente, deixar aquele banheiro e aquela festa quando ouviu duas batidas pesadas se chocarem contra a madeira antiga da porta.

— Já tô saindo. — o piloto disse para quem quer que fosse do lado de fora.

— Maurílio? Puta merda, hein, Palestrinha. Vai morar no meu banheiro agora?

Dos Anjos pôde ouvir a voz de Julinho ecoar em seus ouvidos e um ar gelado percorreu seu corpo inteiro.

— Muito engraçado. — o moreno abriu a porta — E, não que seja da sua conta, mas, eu só fui lavar o rosto...

— De porta fechada, Maurílio? — o de cabelos loiros arqueou as sobrancelhas e pôs uma das mãos na cintura — Precisa mentir não, dodói... Quando eu tava namorando com Amanda, soltava uns barros na sua casa também.

— Nojento. — dos Anjos disse e obteve como resposta a risada de Julinho — Agora, me dá licença que eu tenho que ir embora...

— Embora? Mas, tá cedo ainda, chuchu. — o motorista da Sprinter Branca disse, mas quando percebeu a cara fechada do outro continuou — Tu tá esquisito hoje, hein, Palestrinha. Tá meio seco, e tu costuma ser todo meloso... Tem certeza que não aconteceu alguma coisa? Digo, além da coisa lá com a Kombi...

— Não aconteceu nada. — Maurílio desviou o olhar — Dá licença.

— Não dou até tu me explicar essa parada aí. — Julinho se colocou entre a saída do banheiro e Maurílio.

— Sai da frente. — insistiu o piloto da Kombi, de cara fechada.

— Não saio, Maurílio. — Julinho fincou os pés no chão.

— Qual o teu problema?! — o moreno empurrou o motorista da Sprinter, não obtendo sucesso em o fazer mover.

— Qual é o teu problem- — Julinho foi interrompido por sua regata sendo puxada.

Maurílio havia puxado Julinho para próximo de si, mas agora se encontrava estático. Pensava no que faria, com seu corpo colado ao corpo do de cabelos cacheados. Ele provavelmente teria saído correndo se não tivesse sido interrompido pelo cochichar de Julinho.

— Problema entendido com sucesso... — ele disse e obteve como resposta a respiração descompassada de dos Anjos — Mas aqui no banheiro não, né, moreno? Vamos para um lugar mais confortável...

O piloto da Sprinter entrelaçou os dedos da mão direita aos de uma das mãos de Maurílio o conduzindo, para (se a memória do piloto da Kombi não estivesse falha) um dos quartos da casa. As luzes foram acessas, revelando um quarto não tão grande, um armário com alguns adesivos do Flamengo, uma cama de casal bagunçada, uma cômoda de madeira com um abajur em cima e um violão que descansava ao lado da mesma. Ao rever o instrumento de cordas, Maurílio pôde lembrar-se das inúmeras tardes que havia passado na casa de Julinho, onde tocaram algumas músicas, beberam, e jogaram conversa fora. Olhando desse jeito, talvez toda essa história, tudo que dos Anjos sentia, tivesse começado numa tarde de domingo. Numa dessas tardes de domingo.

Maurílio foi tirado de seus devaneios ao ouvir a porta do quarto ser fechada e ao sentir da Van se aproximando. Seja lá o que Julinho tinha em mente não poderia acontecer, dos Anjos já estava envolvido demais com a aquela situação e provavelmente sairia machucado. Se era para esquecer aqueles sentimentos, então que fizesse direito.

— Julinho... — o de cabelos loiros já o havia tomado em seus braços e começava a beijar seu pescoço. Deus, como Maurílio queria que aquilo continuasse. Mas ele não podia, não agora que tinha certeza de seus sentimentos. Não podia embarcar numa furada dessas — Eu não... Não acho que a gente deva... Você sabe.

— Me desculpe, dodói. — o motorista da Sprinter se afastou e fitou Maurílio, suas pupilas já se encontravam dilatas — Eu achei que era isso que tu queria...

— Não acho que seja uma boa ideia, Júlio... — o moreno desviou o olhar.

— E por que não seria? — Julinho perguntou, o de orbes cor de mel não o olhava — Olha pra mim, Maurílio... — o de cabelos enrolados segurou o queixo do mais novo, gentilmente, o fazendo encara-lo. Dos Anjos sentiu seu corpo fraquejar — Por que cê tá me tratando seco assim, hein?

— Cara, não é uma boa ideia porque não é. E eu não tô te tratando de nenhum jeito. — dos Anjos começou.

— Me conta logo o que houve, Maurílio... — Julinho insistiu.

— Olha, quer saber? Mesmo? Não é uma boa ideia porque... Porque eu não sei lidar com isso tudo... — o moreno continuou.

— Maurílio- — Júlio o tentou cortar.

— Porque eu acho que tô envolvido demais... — Maurílio continuava.

— Moreno- — Júlio o tentou o interromper por uma segunda vez.

— Porque tu claramente não sente o mesmo-

— Cala a boca, Palestrinha... — o piloto da Sprinter segurou a cintura de Maurílio e o puxou para perto, roubando um selinho — Sabe qual é o teu problema? Cê acha que sua vida é igual àqueles filmes de drama da Sessão da Tarde que tu gosta. Onde tem um casal e tudo da errado...

— Ah, é? Então me explica... Como você acha que eu posso pensar que algo pode dar certo entre nós com você constantemente se atracando com um bando de gente? — o motorista da Kombi fechou o semblante.

— Porra, Maurílio. Tu nunca demonstra porra nenhuma. Então, pra mim, cê não queria nada comigo. E eu não vou ficar criando expectativa se a pessoa não me dá bola. — Julinho disse.

— E como é que eu iria saber que tu queria algo comigo? — Maurílio continuou.

— Você tá de sacanagem, né, meu mel? Porra, me pedir para deixar mais na cara do que eu já deixo que quero algo contigo é humilhação. — Maurílio pôde ver um sorriso brotar por baixo do bigode do piloto da Sprinter — E se não está acreditando, me deixa te provar então.

Julinho levou as costas de Maurílio à parede tão rapidamente que o moreno nem conseguiu pegar o duplo sentido da última frase. Da Van pressionava o corpo do outro piloto contra si, enquanto desabotoava e jogava ao chão, com certa pressa, a camisa florida do motorista da Kombi, tornando a beija-lo. Dos Anjos, a essa altura do campeonato, já havia desistido de lutar contra seus sentimentos, se entregando por completo àquela colisão de corpos, dando sinal verde para que o piloto da Sprinter continuasse. O moreno aprofundava cada vez mais o beijo, ele precisava daquilo, nunca havia sentido tanta vontade de alguém como sentira naquela última semana. E ele não poderia estar mais aliviado.

O piloto da Sprinter interrompeu o beijo, fitou Maurílio, deu um sorriso de canto por baixo do bigode e, só então, começou uma trilha de beijos pelo pescoço do Palestrinha. Julinho descia cada vez mais sua boca. Parou somente uma vez e, apenas para sentir o cheiro de perfume na nuca do moreno. Os beijos continuaram a descer, o de cabelos claros sentia a pele febril de Maurílio encontrar seus lábios e, quando passou por seu abdômen, pôde sentir cada espasmo dos músculos do piloto da Kombi. Da Van somente cessou a carícia quando sentiu seus joelhos tocarem por completo os tacos de madeira do chão seu quarto. Ao perceber tal feito, dos Anjos entrelaçou seus dedos nas mechas onduladas de Julinho e obteve como resposta seu cinto e sua calça sendo retirados por completo.

— Porra... — Maurílio disse, entre um suspiro e outro, quando sentiu a boca do motorista da Sprinter envolver seu membro por completo.

O Palestrinha sentia-se como em sua primeira batida de carro: com uma grande vontade de gritar com o motorista filho da puta que estava envolvido no acontecimento. Só que, neste caso, ele queria gemer o nome do motorista filho da puta que estava envolvido naquele acontecimento. Sei lá, a mente de Maurílio não fazia sentido algum agora. Mas, por outro lado, o que os olhos dele assistiam nunca pareceu ter tanto sentido. Julinho estava suado, cachos colados à testa... Ele subia e descia a boca, movimentando a língua agilmente enquanto o motorista da Kombi arfava pesadamente. Não satisfeito, da Van aumentava cada vez mais a velocidade de seus movimentos, obrigando Maurílio a abafar alguns xingamentos e gemidos com o braço que lhe estava sobrando.

— Julinho... — o Palestrinha chamou, quase em um sussurro, quando o outro piloto parou repentinamente de movimentar sua boca — Isso não se faz...

— Calma que tu vai ser recompensado... — o de cabelos cacheados disse, levantando-se — Deita na cama, dodói... Vou buscar uma coisa.

O piloto da Sprinter já podia sentir sua ereção doer por de baixo daquela bermuda que vestia. Então, a retirou seguidamente de sua camisa. Logo após, caminhou até seu armário e começou a procurar por algo. Demorou apenas um par de segundos para voltar até Maurílio. Júlio engatinhou pela cama, até estar sobre dos Anjos, com os joelhos em volta do quadril do mesmo. Ele havia voltado com um vidrinho com líquido gelatinoso consigo. Abriu o recipiente, despejou o líquido em sua mão direita, e com a outra apoiou seu corpo.

Ambos já haviam transado com homens anteriormente, todavia, nunca haviam chegado a esse nível juntos. Então, quando Julinho sugeriu preparar Maurílio, por mais que o motorista da Kombi já soubesse como seria, sentiu um frio na barriga. Da Van também estava apreensivo, não queria machucar o Palestrinha nem nada do tipo. Mas, passado a introdução dos três primeiros dedos, assim que Maurílio começou a corresponder a seus estímulos, Júlio não pôde evitar relaxar. Acabou por esquecer tudo a sua volta e apenas e unicamente prestar atenção em cada detalhe de Maurílio: ele estava com as bochechas avermelhadas e seus olhos cor âmbar nunca estiveram tão bonitos...

Julinho parou de movimentar seus dedos e ouviu Maurílio o xingar baixinho. Passou o lubrificante em volta de seu pênis, aproveitando para masturbar-se e aliviar um pouco da tensão. Então, introduziu seu membro, com cuidado, na entrada do piloto da Kombi. Começando com movimentos lentos, Julinho acariciava com uma das mãos o cabelo de Maurílio, usando o outro braço como apoio para o corpo na cama. Seus corpos estavam cada vez mais colados e da Van fazia questão de não quebrar o contato visual por se quer um segundo. E, o que tinha começado com um beijo lento, conforme as estocadas foram aumentando de velocidade, já havia se transformado em um encontro de bocas totalmente desajeitado, desta forma, precisaram interrompe-lo por um momento para recuperarem fôlego.

— Cê me deixa louco, moreno... — Julinho aproveitou o momento para sussurrar ao pé do ouvido do piloto.

Maurílio alcançava os céus todas as vezes que o piloto da Sprinter atingia sua próstata. Nem ligava mais se deixasse escapar um gemido ou outro e alguém os ouvisse, ele estava ali, com Julinho o fodendo deliciosamente e era só isso que importava. Enquanto dos Anjos se sentia próximo de seu ápice, da Van aumentava cada vez mais a velocidade, xingava baixinho, preguejava e dizia o quão gostoso Maurílio era. O som da pele se chocando ecoava pelo quarto, misturando se com os murmúrios. Não tardando muito para que ambos gozassem.

O piloto da Sprinter deitou-se ao lado de dos Anjos, ambos com a respiração completamente descompassada, os ritmos cardíacos acelerados. Julinho entrelaçou seus dedos da mão com os da mão do Palestrinha. E foi ai, exatamente neste momento, que Maurílio percebeu que, independente do que fosse acontecer, tudo aquilo havia valido a pena. As tardes de domingo valeram, os xotes que dançaram e até mesmo as discussões idiotas.

— Ju?

— Que houve, dodói?

— Percebi que te amo.

— E quando vai perceber que eu te amo também?


Notas Finais


É isso kkkkkjj


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