História Queda de Gravidade - Capítulo 1


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Categorias Gravity Falls
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Misterios, Romance, Sobrevivencia
Visualizações 4
Palavras 4.835
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ecchi, Fantasia, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - "Frey Williams"


Fanfic / Fanfiction Queda de Gravidade - Capítulo 1 - "Frey Williams"

Dipper e Mabel Pines foram a conversa de Gravity Falls por anos. Os gêmeos tinham um fundo estranho, desde o nascimento como parecia, mas a conversa começou com o fogo. Quando os gêmeos tinham cerca de quatro meses de idade, um incêndio matou seus pais, mas os gêmeos saíram ilesos. Seus parentes mais próximos, Stanford e Stanley Pines, levaram a dupla. Outros membros da família não queriam nada com as crianças peculiares que sobreviveram a um incêndio na casa. Havia rumores de que os pais dos Pines Twins começaram o incêndio porque sabiam que seus filhos se tornariam negociantes de demônios. Outros achavam que alguém havia apagado o ciúme, ou que era um acidente estranho, mas nada havia sido descoberto sobre o caso em anos. A polícia desistiu do fogo misterioso antes de começar uma investigação. Dentro da pequena população de Gravity Falls, com pouco mais de 400 pessoas, havia apenas três pessoas que não suportavam os gêmeos e seus truques de mágica; Gideon Gleeful, Pacifica Northwest e Bud Gleeful. Mas, Frey, não entendia, mesmo que a loira odiasse o moreno, ele sempre os via juntos de vez em quando; quando realmente se encontravam e Dipper jogava aquele seu charme que deixava Frey enjoado. Irritante, era a palavra que estava gravada no fundo de sua mente.

Ele estava foleando um jornal, refletindo sobre como os estranhos gêmeos haviam conquistado seus seguidores, balançando as pernas como uma criança entediada, sentada no alto da caixa-d'água da cidade de Gravity Falls. Muitos temeriam isso como um grande risco de morte, mas o garoto corria riscos que iriam além da sua compreensão humana. Além do livro estranho e velho que ele sempre carregava em sua mochila nas costas, nunca sequer saindo de perto dele. Sempre o seguindo quando Frey o deixava afastado dele, e isso era o real estranho da coisa. Ele não entendia, mas gostava da companhia mesmo assim. Falando no total estranho, o livro se agitou em sua mochila, desconfortavelmente. Frey já aprendeu a ver os sinais, sabendo que a coisa não gostava de ficar em cativeiro por muito tempo, ou simplesmente em lugares muito escuros, sozinho. Ele tirou a mochila das costas e a trouxe em seu colo, abrindo o zíper para ver o livro emergir despreocupadamente envolto por uma aura negra-avermelhada, flutuando ao lado de sua cabeça. O livro estava esfarrapado e coberto de terra, uma insígnia preta de uma cabeça de lobo com as pressas arreganhadas, que ele havia esculpido por diversão no centro da capa. Olhando fixamente para o livro, ele se lembrou das coisas constrangedoras e das quase-descobertas em que passou em público; o livro sempre se agitando e tentando sair da mochila.

Mas isso foi se acalmando com o tempo e, felizmente, Frey sentiu um elo inquebrável com a coisa que nunca havia falado antes. Talvez nunca iria dizer uma palavra, já que era apenas um livro mágico; era o que ele declarou para si mesmo. Ele voltou seus olhos para o jornal, já entediado novamente. Era... estranho; mais do que o livro que flutuava ao lado de sua cabeça. A família dos Pines era estranha, mas não da maneira habitual. Eles eram estranhos no sentido de que todos os amavam. Os gêmeos eram adorados e a maioria das pessoas da cidade bajulava a dupla. Stanford e Stanley eram respeitados por todos os homens e mulheres que viviam em Gravity Falls. Todos agiam como se aceitar gêmeos fosse a coisa mais altruísta que Stanford e Stanley haviam feito. Não era como se ser os fundadores do Pines Labs fosse suficiente. Stanford encontrara curas para alguns dos mais estranhos surtos de doenças ocorridos na cidade. Ele vendeu os medicamentos para farmácias em todo o mundo, e acabou se tornando um milionário de seu trabalho. Stanley dedicou sua vida a se tornar um agente imobiliário, fazendo com que o banco vendesse terras e alugasse propriedades. Ele poderia ter sido considerado um vigarista, se não tivesse conquistado todos os clientes que encontrou. Ninguém jamais reclamou de Stanley Pines e de sua empresa imobiliária, a Pines Housing Co. 

Os gêmeos e seu programa de telepatia foram apenas a cereja do bolo, criando uma família perfeita. Frey passou as mãos no cabelo branco, antes de puxá-lo para trás e prendê-lo em um rabo-de-cavalo solto. O livro girou ao seu lado, parecendo mais agitado do que o normal. Talvez pelo fato de ele não gostar que seu cabelo ficasse preso deste jeito, ou simplesmente por que ele havia pintado o seu preto original para um branco. Ele viu as horas e percebeu que estava quase na hora do jantar, ele teria que correr para casa bem rápido. A rachadura de um galho lá embaixo o assustou, fazendo-o saltar e interromper seus pensamentos. Encarando mais uma vez o presente, ele não conseguia afastar o sentimento assombrado que acompanhava os imensos pinheiros que os rodeavam. De certa forma, quase parecia que estavam sendo observados. Os bosques eram sempre tão assustadores? Ele não conseguia se lembrar da Califórnia alguma vez dando-lhe vibrações tão arrepiantes. Outro barulho de um galho se quebrando o interrompeu, fazendo-o olhar para baixo rapidamente. Ele piscou surpreso e escondeu o livro em sua mochila rapidamente antes que ela o visse. Mabel Pines, ele jurou.

Frey - O que ela está fazendo aqui, a essa hora da noite?

Ele perguntou baixinho para o livro escondido em suas costas. Ele voltou seus olhos para a morena e notou imediatamente que ela estava olhando para cima, seus olhos azuis e curiosos pousando diretamente nele. Frey permaneceu calmo e quieto, sabendo que ainda não havia falado com a garota ou nenhuma outra pessoa da cidade além da dona da lanchonete que ele já havia se esquecido do nome. Ele ainda era novo na cidade e a maior parte da atenção para olhos curiosos. Provavelmente isso não era bom, mas Frey gostava de acreditar que, pelo menos, ninguém estranhasse o seu comportamento com a mochila. Olhando novamente para baixo, ele percebeu que Mabel estava indo embora, mas o menino não queria arriscar, ficou ali por mais alguns minutos. Já estava dando a hora do jantar e ele não conseguiu segurar-se mais ali, dando de ombros e deslizando pela escada até o chão, ele correu. Quando chegou perto do parque, fracamente ele pôde ver um prédio de apartamento de dois andares com paredes cinzas, de tijolos vermelhos ao redor das janelas verdes do prédio e nos cantos. Ele rapidamente mergulhou suas mãos nos bolsos e puxou as chaves do prédio, abriu a porta e entrou. 

Sua sala principal era bastante grande, incluindo alguns móveis, como uma escrivaninha no canto da sala, estante, cômoda, uma poltrona e um sofá grande. Frey também continha um grande número de livros, mas eles ficavam todos em seu quarto no andar de cima. Ele seguiu diretamente para a cozinha e se apresentou aos mistérios da culinária: descascar e picar cebolas, escolher uma peça de carne, limpá-la e cortá-la em pedaços iguais, cortar legumes, refogar a carne na panela quente e finalmente acrescentar uma boa dose de vinho tinto e alguns de seus “ingredientes secretos”. O resultado foi um cozido cheiroso. Enquanto esperava o jantar ficar pronto, ele subiu para o seu quarto. No andar de cima, Frey encontrou o quarto seu quarto e começou a desembalar levemente. Ele já havia tirado todas as roupas de sua bolsa e pendurado em algum lugar no armário, ficando completamente em casa quando tinham estado aqui por um total de cerca de três horas. No momento em que ele terminou, ele tinha certeza de que não havia espaço para mais nada com o quanto ele insistia em trazer. Relaxando, ele aproveitou a oportunidade para realmente absorver o quarto que o proprietário atribuía a ele. 

Havia algumas caixas com itens diversos, empoeirados e aparentemente esquecidos, uma série de livros e uma grande pintura emoldurada de um veleiro pendurado na parede. E a única janela, era uma forma quadricular de dados com um interior oval. Fora isso, era um quarto padrão, quase mundano demais para pertencer a um criminoso. Continha alguns móveis, prateleiras, mesinhas de cabeceira, um abajur, uma luz suave no alto, envolto por uma tigela de vitral, mas o quarto ainda parecia estar intocado. Mais como uma área de armazenamento, se Frey tivesse que adivinhar. Ele havia feito uma bela faxina antes de sequer decidir trazer todas as suas coisas para o prédio. A imagem de Mabel não saia de sua cabeça. Apesar da garota ser bonita e misteriosa, era realmente interessante para o seu gosto. O som estranho de uma batida balançou no andar de baixo, surpreendendo o jovem adolescente em relaxamento. Ele correu pelas escadas, apenas para encontrar sua mochila se agitando descontroladamente com o livro dentro. Ele correu para pegá-los, mas a coisa era rápida e teimosa, como sempre. Sabendo que não tinha escolha, ele ergueu a mão em forma de uma garra berta, pronta para pegar algo e, felizmente, a mochila pareceu congelar no ar. Não só isso, mas ela brilhou em uma aura negra-avermelhada.

Surpreendido pelo barulho da campainha repentina, Frey abaixou a mão e a mochila caiu no piso de madeira. Ele correu imediatamente em direção a mochila, pegando-a e chutando-a para o andar de cima, escondendo-a no corredor. Ele se virou e olhou pelas janelas, abrindo as cortinas que estavam fechadas; estava chovendo. Mas ele não havia sentido uma gota de chuva enquanto corria para casa. Realmente, esta cidade é estranha. E ele jurou, dirigindo-se até a porta enquanto lançava olhares para a mochila escondida no corredor do alto da escada. Ele podia ouvir fracamente o som de uma garota falando. Sem perder o ritmo, ele abriu a porta, e ele notou por que ela geralmente não usava maquiagem, pois não precisava. Assim como seu gêmeo, ela geralmente usava azul e preto, tendo um cabelo muito longo, ondulado e sedoso, que chegava até os joelhos, contendo um par de olhos azuis. Ela vestia um vestido preto com um painel largo azul brilhante na frente com as alças da manga na mesma sombra. No entanto, como seu irmão, ela sempre usa seu amuleto, sendo dela na forma de uma decoração de cabeça. Frey sempre estranhou aquilo, mas logo deixou de lado quando se lembrou que eles eram gêmeos. Não era da conta dele.

Mabel - Eu seria bem-vinda em sua casa, só até que a chuva pare? Eu já bati em muitas outras portas, mas nenhuma havia se abrido, além desta.

Mabel Pines perguntou com a voz chata, mas com uma ponta de ansiedade, enquanto ela puxava o vestido encharcado em sua forma ainda mais apertada. Culpa roendo na boca do estômago, ele se remexeu para tirar a jaqueta de couro preto, oferecendo-a a Mabel com um pequeno sorriso nos lábios.

Frey - Aqui, parece que você precisa mais do que eu.

Ele argumentou.

Mabel - Eu...

Ela hesitou antes de aceitar a jaqueta, descruzando os braços para que ela pudesse entrar no calor relativo do casaco leve.

Mabel - Obrigada... Você é o melhor.

Frey soltou uma risada silenciosa, usando uma das mãos para esfregar a parte de trás de sua própria cabeça, sem saber como responder ao elogio genuíno.

Frey - Eu não sei sobre isso, mas, obrigado.

O ruído de sua mochila redirecionou sua atenção para a escada. Mabel também seguiu seu olhar, mas não viu nada.

Mabel - O que houve?

Frey - Nada. Entre.

Ele disse, ainda olhando para o alto da escada.

Frey - Deve ser algum gato de rua, entrando por uma janela que devo ter esquecido aberta.

Frey quase podia ouvir sua mente zumbir, certamente tentando entender o que a menina estava testemunhando ao olhar ao redor da casa. Ela parecia intrigada e hesitante, como se mentalmente brincando com a possibilidade de girar em seus calcanhares e sair correndo de volta para a chuva sem uma palavra.

Frey - Vamos ver..

Frey olhou para Mabel, mas ainda mantendo um ouvido atento á sua mochila. A garota parecia totalmente perdida, mas suas sobrancelhas estavam franzidas em profunda contemplação.

Mabel - Ah, eu não entendo.

Frey - Frey, como Deus, mas é apenas um nome.

Ele disse rapidamente enquanto se dirigia para a cozinha.

Frey - Se precisar, eu lhe darei algumas roupas secas.

Ele disse enquanto preparava o jantar.

Frey - O banheiro fica lá em cima, segunda porta á esquerda.

Ele parou de repente, lembrando-se do que havia lá em cima. Mabel assentiu em resposta, não dizendo mais uma palavra enquanto subia as escadas. Frey correu, afundando seus pensamentos para o livro e mandando-o ir para seu quarto o quanto antes. Ele também conseguia fazer isso, mandar na coisa com a mente; útil, na verdade. O livro conseguiu chegar em seu quarto, mas apenas ficou no chão do lado de fora, já que a porta estava fechada. Nem tudo era um mar de rosas para ele também, claro. Ele ouviu a porta do banheiro se fechar e correu para o andar de cima, pegando sua mochila na porta do quarto e abrindo a porta para jogá-la lá dentro. Mas a coisa era teimosa demais para ficar sozinha, chacoalhando-se sem parar até que Frey ouviu a porta do banheiro se abrir e a cabeça de Mabel aparecer nela. O menino imediatamente escondeu a mochila atrás das cotas, tentando esconder seu estado constrangedor.

Frey - Algum problema?

Ele conseguiu perguntar, disfarçando a voz fraca. Infelizmente, Mabel ergueu uma sobrancelha, parecendo notar, mas ela apenas respondeu.

Mabel - Não, é que, as roupas.

Frey - Oh.

Ele se adiantou para dentro do quarto e pegou uma peça de suas roupas limpas e secas, saindo em seguida e entregando-as a Mabel.

Mabel - Obrigada.

Ela voltou para dentro com um pequeno sorriso. Mas havia outro problema, a mochila não conseguia ficar longe dele, e garota não podia ver o livro estranho que ele carregava. Só lhe renderia mais perguntas e uma grande dor de cabeça. Frey já sabia o que ele tinha feito de errado, mas ele não queria pensar sobre isso. Liberando um pesado suspiro, ele voltou para a escada, mas não desceu os degraus. Em vez disso, ele saltou do corrimão até o andar de baixo, aterrissando com os pés juntos em um silêncio sem descrição. Jogando sua mochila no sofá, ele voltou para o seu trabalho na cozinha. Passou-se alguns minutos antes que Mabel descesse, vestindo uma camisa preta com calças pretas e ainda usando a jaqueta de couro preto. Ela se dirigiu até a cozinha enquanto secava o cabelo molhado com uma toalha, olhando de vez em quando para o garoto diante dela.

Mabel - Só... não mencione isso a ninguém, ok?

Ela implorou, um tom de vermelho rastejando em seu rosto. Frey assentiu em concordância, também não querendo se tornar atenção dos noticiários. Se eles soubessem que Mabel Pines estava em sua casa em um temporal de chuva, haveria um escândalo.

Frey - Eu fiz a coisa certa. Você estaria congelando em uma tempestade.

Mabel engoliu e suspirou, deixando-o ter isso em mente.

Mabel - Sua ideia foi melhor.

Ela concordou sinceramente.

Frey - Mas eu quero a minha jaqueta de volta.

Mabel empurrou a jaqueta úmida e jogou para ele. Para sua surpresa, ele pegou a peça de roupa de costas, como se já soubesse onde ela estaria antes mesmo de se movimentar. Ele era rápido. Ele dobrou-a antes de coloca-la no canto da mesa e servir o jantar. Ela não respondeu de imediato, sentindo-se esgotada dos eventos do dia e agora isso, ela estava pronta para entrar em colapso.

Frey - Nós podemos lidar com isso amanhã.

Ele notou antes de se virar novamente.

Frey - Colocarei suas roupas na secadora para que você possa usá-las amanhã.

Mabel - Por que você está sendo tão gentil comigo?

Ela quis saber, fazendo Frey olhar para ela com uma sobrancelha erguida.

Frey - Como assim, você é a minha convidada, não é?

Mabel - Sim, mas... não é isso.

Mabel afundou na cadeira algum tempo depois de terminar de secar o cabelo.

Frey - Eu não iria escrever tão rápido.

Frey respondeu, virando a cabeça para lançar um leve sorriso em sua direção. O semblante calmo surpreendeu a garota, de alguma forma, fazendo-a desviar o olhar.

Mabel - Então, Frey, como Deus, você é novo por aqui?

Ela perguntou, voltando-se a olhar para ele, ligeiramente interessada.

Frey - Sim. Aqui, eu vou te alimentar.

Mabel piscou surpresa antes de concordar. Frey fez algo que Mabel não podia ver de seu ângulo e caminhou de volta até a mesa, colocando um novo prato de um delicioso asado na frente dela. Cheirava delicioso como o feito e Mabel estava cautelosa, mas mais do que grata por ter algo para comer á noite.

Frey - O que é essa reação? Apenas coma.

Frey instruiu. Mabel se encolheu e assentiu obedientemente, pegando uma colher e pegando uma pequena quantidade de arroz. Depois de dar uma mordida, Mabel se viu tendo dificuldades para parar e começou a derrubá-lo. Ela não pôde deixar de parecer desapontada com o prato quando terminou a refeição. Não notando a expressão, Frey pegou o prato e acenou com a cabeça para o relógio no alto da parede.

Frey - Está ficando tarde.

Ele afirmou, preparando-se para lavar os pratos.

Mabel - Obrigada pela refeição, foi delicioso.

Mabel disse, praticamente sorrindo ligeiramente. Frey ficou um pouco surpreso ao ver a garota sorris e não pôde evitar um sorriso tímido.

Frey - Obrigado...

Mabel - Como você consegue cozinhar tão bem?

Ela quis saber, real interesse no garoto.

Farey - Bem, pai era um alemão; dai o nome Frey. Mas ele era um cozinheiro, na verdade, e me ensinou tudo o que ele sabia desde então.

Mabel - E sua mãe, o que ela era?

Ela perguntou para, pelo menos, tomar nota do que ele havia dito.

Frey - Uma pintora. Americana.

Ficaram quietos por um minuto, com apenas uma olhada ocasional do garoto para a escada.

Mabel - E eles... Quero dizer...

Frey - Pai, vivo. Alemanha. Mãe, morta. Apenas eu estou aqui, sozinho, na verdade.

Ele voltou a lavar os pratos com o comentário sem vergonha, mas totalmente honesto.

Mabel - Então, Frey, como era a sua mãe? O que aconteceu com ela?

Frey - Quer mesmo saber?

Mabel - Claro que quero.

Respondeu ela, acomodando as costas na cadeira e ficando o mais confortável que podia. Talvez se passassem horas até que a chuva parasse, para que ela pudesse finalmente ir. A história pavorosa do filho de uma artista era melhor do que nada.

Frey - Está bem.

Frey se virou, a expressão dele estava séria.

Frey - Prometa que não contará minha história para ninguém?

Mabel - Juro.

Ela prometeu, erguendo uma mão como se fosse uma escoteira. Frey suspirou, sabendo que seria uma história longa, mas preferiu encurtar um pouco.

Frey - Minha mãe, Justine Williams, vinha de uma das famílias que moravam no extremo norte de Washington, longe da sujeira e da violência. Era a segunda filha, bastante bonita, mas tão voluntariosa e independente que seu pai desistiu da ideia de casá-la. Ficou empolgado quando ela disse que iria se juntar a um grupo de artistas. Ele imaginava que seria apenas isso. Uma bela folga de sua menina problemática. O que ele não podia imaginar era que Justine era uma artista tremendamente talentosa e nunca mais voltaria para casa. Primeiro porque estava ocupada demais sendo a queridinha da comunidade artística do centro de Washington. E mais tarde porque estava muito doente para voltar. Não que ela teria retornado, mesmo se pudesse.

Ele fez uma pausa, esfregando um dos olhos, tentando afastar o cansaço que se apoderava dele ainda mais.

Frey - O meu pai era um cozinheiro alemão, descendente de uma longa linhagem de cozinheiros. Jamais lhe ocorreu que houvesse algum problema com sua profissão até ele conhecer uma linda artista de olhos azuis que, depois de falar com ele durante dez minutos, declarou que ia salvá-lo de sua vida de sofrimentos. Ela estava animada com a venda de um novo lote de pinturas e sua ousadia se devia ao vício recém-adquirido em especiaria coral. Levou-o para casa naquela noite e insistiu que ele abandonasse a vida no comércio de restaurantes. Ele respondeu com seu sorriso suave e caloroso e assentiu de modo afável, tão fascinado com o charme e a paixão intensa da pintora que teria feito praticamente qualquer coisa que ela pedisse. Ela pintava e ele ficava responsável pela casa, e durante um tempo foram felizes. Então, eu nasci e tudo mudou.

Ele apenas ficou olhando para o relógio, depois pela janela, então se voltou para Mabel que estava quase dormindo. Ele se apressou.

Frey - O bebê tinha os reveladores olhos vermelhos de uma criança viciada em coral, e os amigos declaravam que ele não duraria mais de uma semana. Mas talvez o menino tivesse alguma força escondida. Ou talvez fosse porque os pais passavam cada instante em que estavam acordados cuidando dele, fazendo todo o possível para mantê-lo vivo. Ficavam sem comida para pagar os remédios que a irmã dela trazia da botica no norte da cidade. A situação ficou tão ruim que meu pai sugeriu voltar ao próprio trabalho. Mas ela recusou e, em vez disso, pintava tanto e tão intensamente que suas mãos estavam sempre manchadas de tinta. Anos mais tarde, os críticos de arte diriam que essa foi a sua melhor fase. Assim, contra todas as chances, eu sobrevivi, e meus olhos ficaram azuis. Os médicos disseram que era impossível meus olhos ficarem azuis. Na verdade, eu também não sei o que dizer.

Ele parou quando viu que sua mochila se mexeu ligeiramente, mas ele notou aquilo como uma águia. Obrigando o livro a se acalmar, ele continuou.

Frey - Quando eles comemoraram meu primeiro aniversário, acharam que o pior havia passado. Só que as tintas da minha mãe continham uma toxina de água-viva, inofensiva em pequenas doses, mas que vinha penetrando na pele durante anos e estava começando a atacar seus nervos. Com isso e o vício em coral, ficava cada vez mais difícil pintar. Quando eu fiz 2 anos, ela não conseguia mais segurar o pincel com firmeza. De novo o meu pai se ofereceu para voltar ao trabalho. E, mais uma vez, ela recusou. Em vez disso, me ensinou a pintar para ela, usando um par de luvas de couro para que eu não tivesse o mesmo destino. Quanto eu tinha 4 anos, já era capaz de criar qualquer imagem com precisão espantosa. Eu pincelava as telas durante horas enquanto a minha mãe ficava deitada no velho sofá azul do apartamento, as mãos trêmulas cobrindo os olhos. Ela sussurrava as imagens que surgiam em sua cabeça. E eu as tornava reais. Eu adorava esse tempo que passava junto com ela e me orgulhava de ajuda-la, a grande pintora, com sua arte. Mas, à medida que o tempo passava, a coisa ficou mais difícil. Em vez de afastá-la do vício em coral, a minha doença e a subsequente enfermidade dela a levaram mais para o fundo do poço. A partir dos meus 6 anos, as descrições dela não faziam mais sentido e ele criava a maior parte das imagens. Porém, ainda que eu tivesse a destreza dala, não tinha sua visão.

Ele bocejou ligeiramente, escondendo sua reação quando a garota olhou para ele confusa.

Frey - E as pinturas deixavam isso evidente. Para os críticos, era o fim da artista. Dessa vez, meu pai não pediu permissão. Simplesmente voltou a trabalhar. Estava mais velho e a vida tinha cobrado um preço alto, mas ainda era razoavelmente habilidoso e capaz de ganhar dinheiro suficiente para comprar, no anonimato, os quadros de sua amada. Por isso ela continuava a achar que sustentava a família. Eu sabia da verdade, mas, quando juntei coragem para contar, ela estava chapada demais para entender o que eu dizia. Pelo menos foi o que pareceu. Na noite em que eu contei, ela teve uma overdose de especiaria coral e morreu. Durante um tempo, eu e meu pai continuamos a viver do mesmo modo. No fim de mais um ano, meu pai me ensinou a cozinhar, me ensinando tudo o que ele sabia. Faltando uma semana para o meu oitavo aniversário, eu descobri que o meu pai havia sumido enquanto eu dormia. Ele deve estar na Alemanha agora, possivelmente.

Mabel - Mas como você viveu nas ruas?

Perguntou Mabel.

Mabel - Como, por todos os infernos, você sobreviveu quando obviamente não sabia nada sobre o mundo?

Ele deu de ombros.

Frey - Conheci outros garotos e eles me deixaram ficar. Sou bom em pegar coisas.

Mabel - Como assim?

Frey - Minhas mãos são rápidas, talvez por ter pintado tanto e cozinhado, não sei. Mas pegar carteiras, relógios e coisas assim é fácil para mim. As pessoas nunca notam. 

Os olhos de Mabel brilharam.

Mabel - Esse é um dom raro e útil.

Frey - Sim, mas acabei me envolvendo com pessoas erradas. Então, abandonei essa vida. Construí outra, uma nova.

Ele comentou.

Mabel - Sozinho?

Frey - Provavelmente.

Mabel - Realmente, é algo que um oportunista diria!

O sorriso de Frey se alargou e ele deu uma risada suave com a resposta dela. Mabel bocejou.

Mabel - Devemos dormir, Frey.

Bocejando também, ele olhou para o relógio na parede e assentiu, dirigindo-se com a garota para o andar de cima. Esquecendo de algo, ele voltou e trancou a porta, fechou as cortinas das janelas e apagou as luzes. Frey acenou com a mão para Mabel, fazendo sinal para ela seguir e levou-a até um quarto de hóspedes. Se parecia muito com o seu quarto, se não fosse por este ter apenas uma escrivaninha.

Frey - Este é o seu quarto.

Frey disse simplesmente, olhando por cima de tudo para garantir que nada de grande importância para ele estivesse aparecendo. Uma vez que ele tinha certeza de que não havia nada, ele olhou para Mabel, notando o olhar de surpresa e um pouco de decepção em seu rosto.

Frey - Eu lhe darei lençóis limpos para a sua cama.

Mabel - Oh, uh, obrigada por tudo. É... grande.

Não notando um fantasma de um sorriso malicioso no rosto de Mabel, Frey se virou e foi em direção ao seu quarto, mas algo o atingiu. Sua mochila, claro, ele havia esquecido no sofá. Ele desceu as escadas e pegou a coisa que se agitava descontroladamente, em seguida, se virou para subir as escadas. Ele se dirigiu para seu quarto, mas parou no meio do caminho quando ouviu passos e Mabel aparecer de pé atrás dele.

Mabel - Frey.

Ela começou, de braços cruzados enquanto o olhava diretamente nos olhos.

Frey - Sim.

Mabel - Eu queria lhe perguntar se você não gostaria de trabalhar em minha casa como um cozinheiro, sabe?

Frey piscou um pouco, agora surpreso pela pergunta da garota. Ele sabia que os Pines eram ricos e tudo mais, mas ele nunca se imaginou trabalhando para eles. Ele pensou um pouco antes de decidir.

Frey - Uh... claro, ok.

Frey respondeu, quase inseguro de suas palavras.

Mabel - Eu não vou ser a única cuidando de você, se você ficar doente por ficar acordado até tarde, você entendeu?

Mabel apontou com os olhos apertados, mostrando a seriedade por trás de suas palavras. Frey assentiu, um pouco desapontado, mas sabia que Mabel tinha sua própria vida e não podia se dar ao luxo de cuidar dele. Mabel assentiu de volta e se virou, mas logo se voltou para Frey que ainda estava de pé na frente da porta.

Mabel - Eu... uh, nós... Poderíamos dormir juntos? É que...

Frey - Não, obrigado. E não se preocupe, não tem nada o que temer nesta casa.

Ele disse simplesmente, encerrando o assunto enquanto abria a porta de seu quarto. Passando por seus pertences mais uma vez, ele tirou seu pijama favorito. Uma camisa preta de mangas compridas e calças azuis. Uma vez vestido, ele apagou as luzes e se deitou em sua nova cama, esgotando rapidamente seu caminho através de seu corpo. Apesar disso, seus pensamentos ainda estavam bem acordados, retrocedendo o que acontecera hoje. Ele ainda não acreditava que Mabel Pines estava dormindo em sua casa. Estava tudo feito, menos algo que ele havia se esquecido. Ele se levantou da cama e correu para o banheiro, pegando a cesta que continha as roupas de Mabel e desceu as escadas para de encontro com a secadora, colocando-as dentro e preparando a máquina. Suspirando pesadamente, ele se virou e pegou sua jaqueta que ele também havia se esquecido, em seguida, foi diretamente para o seu quarto. Ele passou pelo quarto onde Mabel estava e a viu afundando na cama algum tempo depois, enterrando-se embaixo das cobertas.

Mabel - Boa noite, Frey.

Ela disse, fazendo-o piscar surpreso por ele não ter notado ela olhando para ele.

Frey - Durma bem, Mabel.

Ele respondeu com um pequeno sorriso antes de ir para o seu quarto.

Continua...



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