História Queda Livre - Capítulo 2


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Categorias Hunter x Hunter
Personagens Kurapika, Personagens Originais
Tags Ação, Crime, Death Fic, Hunter X Hunter, Hxh, Kurapika, Máfia, Morte
Visualizações 67
Palavras 3.117
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Seinen, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Bratva


— Você nunca me falou que trabalhava com a Máfia! — Lena exclamou, incrédula e, ao mesmo tempo, entusiasmada.

Kurapika franziu os lábios de leve. Eram muitas as coisas que ele nunca tinha dito para ela. Ele não era exatamente o tipo de pessoa que abria toda a sua vida particular para alguém que conhecia havia pouco mais de vinte dias. E se arrependeu de deixar escapar o nome dos Nostrade em plena hora do almoço naquele restaurante lotado.

— Leorio também trabalhava? — ela perguntou, dessa vez abaixando o tom de voz, como se aquela pergunta fosse extremamente confidencial.

— Não. Ele nunca se envolveu em nada disso. É por isso que não entendo como…

Ele fez uma pausa, pensando no que estava prestes a dizer. Ele não entendia o que Leorio tinha a ver com tudo aquilo. Ringues clandestinos, campeonatos de lutas, endereços furtivos... todo aquele submundo de práticas ilícitas não condizia com o que ele conhecia de Leorio. Ou com o que achava que conhecia.

Mas aquela era a única pista que tinha até o momento. De alguma forma, sabia que se conseguisse se infiltrar entre os responsáveis pelo clube de lutas, chegaria até a verdade sobre a morte de Leorio e encontraria um sentido em tudo aquilo. Era, na verdade, o único fio de esperança que tinha para se agarrar.

— Eu preciso voltar pro escritório — ele disse, empurrando a cadeira para trás e se levantando — Obrigado pelo almoço.

— Espera, vou sair com você! — Lena falou, se levantando ao mesmo tempo — E não precisa agradecer. O dinheiro é o da luta de sexta, esqueceu? Tecnicamente, foi você que pagou meu almoço e não o contrário.

— Quis dizer pela companhia — Kurapika acrescentou. Fazia tempo que não dividia as refeições com alguém.

— Ah, sim…

Eles saíram do restaurante para a calçada movimentada. Kurapika parou do lado da porta e olhou para Lena, indicando que pretendia se despedir ali mesmo. Não queria que ela o acompanhasse até seu local de trabalho. Era bem reservado nesse ponto, e, apesar de não ver problema em sua ocupação atual, não queria Lena bisbilhotando seu emprego e fazendo comentários desnecessários.

— Qual o próximo passo? O que vamos fazer agora? — ela perguntou, ansiosa. E, ao ver o rosto impassível de Kurapika, acrescentou — Me deixa te ajudar, droga!

— Você já está me ajudando bastante.

— Tudo que eu fiz foi assistir você apanhar e dar uma olhada nos seus machucados, o que, vamos combinar, nem foi uma grande ajuda assim...

— Não é verdade. Você me deu a pista sobre Kenji e a ligação com Leorio.

Lena balançou a cabeça pensativa, concordando.

— Mas a gente ainda nem tem certeza se isso tem mesmo alguma coisa a ver, né? Kenji saiu da faculdade quase seis meses atrás, e só por que vi ele conversando com Leorio não necessariamente significa…

— Discutindo com Leorio — Kurapika corrigiu — E sobre esse ringue de lutas. Cinco dias antes de Kenji morrer. Duas semanas antes do próprio Leorio aparecer morto. As duas mortes foram próximas demais para não terem nenhuma ligação. Já discutimos isso.

— Tá bom, eu sei — ela disse — Só não quero ficar de braços cruzados enquanto você faz o trabalho todo sozinho. Eu não sou Hunter, mas também não sou uma inútil.

Kurapika a encarou por um instante, colocando as mãos nos bolsos da calça enquanto pensava no que dizer. Lena não iria o deixar em paz, e ele sabia disso.

— Tente descobrir mais alguma coisa sobre Kenji na Universidade. Aulas que fazia, se tinha problema com algum professor ou algum aluno. Me avise se encontrar algo.

— Tá bom… — falou, um pouco desapontada. Parecia saber que Kurapika estava arrumando incumbências desnecessárias apenas para a manter ocupada.

Antes que ela falasse mais alguma coisa, Kurapika encerrou a conversa com uma despedida. Se virou para ir embora e deixou Lena na porta do restaurante.

— E coloque um gelo nessa cara! Você tá mais inchado que um balão! — ela gritou antes que ele se distanciasse demais.

Kurapika parou de andar e olhou para ela. Lena sorriu. Em seguida deu meia volta e se afastou. Sem se dar conta, Kurapika acabou sorrindo discretamente também.

Se dirigiu para sua sala assim que chegou no escritório. Como Chefe de Segurança da Família Nostrade, Kurapika gozava de um certo prestígio entre os outros funcionários, que atendiam sem questionar as solicitações que ele comumente fazia para ser deixado em paz. Era incomodado apenas quando necessário, essa era a regra. E ninguém ousava contrariar.

Por isso, ninguém também perguntou detalhes sobre como havia conseguido os machucados no rosto. E ele não fez questão de contar ou sequer mencionar que havia decidido averiguar a morte de Leorio por conta própria. Aquele era um assunto seu e não queria envolver a equipe dos Nostrade nisso. Já bastava que soubessem sobre sua busca incessante aos olhos do seu clã.

Já em sua sala, Kurapika tirou duas pastas de dentro de um arquivo de metal acomodado atrás de sua mesa. Uma estava abarrotada. A outra, parecia vazia.

A portas fechadas, ele espalhou o conteúdo da primeira sobre a mesa. Varreu os olhos pelo amontoado de papel que acabara de despejar, recortes de jornais que já tinha lido tantas vezes que podia recitar palavra por palavra. Era quase um ritual reler minuciosamente cada uma daquelas matérias para ter certeza de que não havia deixado passar nada despercebido. Todas traçavam um perfil positivo do Hunter aspirante a médico encontrado morto após um acidente fatal na piscina da Universidade. A morte não teria trazido tanta mídia para o caso se Leorio não tivesse subitamente sido alçado a uma fama passageira durante as recentes eleições da Associação Hunter. Ainda assim, haviam poucos detalhes das circunstâncias do acidente. A Universidade deveria estar fazendo um enorme esforço para abafar a história o máximo possível: morte em suas dependências era o pior tipo de publicidade que uma instituição pode querer.

Kurapika empurrou os recortes para o lado e abriu a segunda pasta. Tirou novos pedaços de jornal, dessa vez em número bem mais reduzido. Em sua maioria, eram apenas notas sobre o falecimento de Kenji, um jovem achado morto nos arredores da cidade. Segundo os jornais, Kenji era de origem humilde e havia sido encontrado com altas doses de substâncias tóxicas no sangue. Descrição perfeita de um junkie. Não havia menção à Universidade, e Kurapika nunca encontrou nenhuma repercussão sobre o caso nas semanas seguintes à morte do rapaz. Se não fosse Lena, ele nunca nem teria tido conhecimento sobre Kenji.

Kurapika suspirou. Fechou os olhos enquanto largava o corpo cansado no encosto da cadeira. Tinha que ser justo: Lena tinha sido realmente fundamental. E parecia ser a única que desconfiava tanto quanto ele de que a morte de Leorio não havia sido tão acidental assim.

— Leorio sabia nadar e nunca seria estúpido o bastante para morrer assim — ela tinha dito uma vez — Muito menos teria se matado, como algumas pessoas andaram sugerindo.

Kurapika concordou com cada palavra.

Gostaria de não precisar a manter tanto por perto, mas ela se mostrou uma excelente informante, se é que podia a chamar disso. E era incrivelmente observadora, apesar do jeito espalhafatoso. Lena providenciou insights valiosos sobre Leorio e detalhes sobre seu óbito que ele não encontrou em nenhum outro lugar. Contou sobre o hábito noturno que ele tinha desenvolvido de praticar natação depois do horário de funcionamento da piscina da Universidade, e como o corpo foi encontrado boiando nessa mesma piscina numa quarta-feira de manhã. E só não tinha mais a falar sobre Kenji — o suposto aluno-problema que ela pegou em uma conversa acalorada com Leorio certa vez — pois ele havia deixado a faculdade de Medicina pouco depois de ela ter ingressado.

Mas acima de tudo, Lena o fazia se sentir um pouco menos neurótico, o que era um alívio para sua saúde mental.

Seu único medo era que ela desse com a língua nos dentes. A garota adorava conversar e puxava assunto com praticamente todo mundo — não fosse por isso, jamais teriam se conhecido no dia em que ele decidiu visitar a Universidade em busca de informações sobre a morte de Leorio. Kurapika havia reforçado incontáveis vezes a importância de ficar calada sobre a investigação que ele decidira conduzir. Em todas as vezes, Lena concordou e prometeu não compartilhar nenhuma informação com ninguém. Mas ele tinha sérias dificuldades em confiar na capacidade dela de segurar a língua e por isso, pensava duas vezes antes de compartilhar algo realmente importante com ela.

Uma batida na porta fez Kurapika abrir os olhos e voltar para o presente. Olhou para a mesa, coberta pelos recortes de jornais. Jogou tudo para as respectivas pastas e deu uma ordem para que a pessoa entrasse.

Melody abriu a porta.

— Está tudo bem com srta. Neon? — ele perguntou ao vê-la entrar na sala.

— Sim, a viagem foi tranquila. Ela já está em casa.

— Que bom. Obrigado, Melody. É bom poder contar com você.

Melody sorriu em retorno.

— Pode me contactar de novo se precisar — ela disse.

— Eu sei. O sr. Nostrade continua fazendo questão que um guarda-costas acompanhe a filha nessas excursões para fora da cidade, então provavelmente manteremos contato.

— Tudo bem — Melody respondeu — E você? Está tudo bem com você?

Kurapika olhou para ela, notando pequenas rugas que denunciavam a apreensão em seu rosto. Era difícil esconder certas coisas de Melody. Ele então levantou da mesa, caminhou até a janela e olhou para fora.

— É o Leorio, não é? — ela perguntou antes mesmo que Kurapika dissesse alguma coisa.

— É difícil evitar certos sentimentos. Leorio era meu amigo.

— Eu sei, foi lamentável. Ele seria um excelente médico. Tinha a batida de coração mais gentil que eu já tinha ouvido.

Kurapika sorriu para si mesmo com aquela informação. Melody estava certa: ele seria mesmo um ótimo médico.

— A sua está mais descompassada do que nunca — ela continuou, a voz carregada de preocupação — Não vou perguntar o que aconteceu com seu rosto, mas se o que você procura tem te deixado assim, talvez fosse melhor reavaliar essa busca.

— Eu vou ficar bem.

— Não sei se Leorio aprovaria isso.

Ele pensou um pouco e se virou para Melody, a encarando em silêncio.

— Você está enganada. No meu lugar, Leorio faria exatamente a mesma coisa.

(...)

Kurapika desceu as escadas para o subsolo com Lena a seus calcanhares. Ela vestia os mesmos trajes discretos que da última vez, e era provavelmente a única, dentre o público feminino do local, preocupada em manter o corpo coberto.

Do lado de fora, o lugar passava despercebido pelos transeuntes, e até mesmo o som que vinha de baixo era abafado pela grossa porta com isolamento acústico. No momento em que a abriam e se aprofundavam degraus abaixo, no entanto, todo o barulho ensurdecedor da torcida os engolfava.

O ringue, localizado bem no centro do salão pouco iluminado, era ocupado por dois desafiantes. A luta já estava avançada, e um deles levava a pior, com o sangue que escorria da testa manchando quase todo seu rosto e pingando sobre o calção.

Kurapika e Lena se embrenharam na multidão, buscando alcançar o outro lado. Conseguiram encontrar um canto um pouco menos apertado perto da parede — a esmagadora maioria se reunia mesmo em torno do ringue, ansiosos para fazer valer o dinheiro das apostas.

Ficaram ali por horas vendo as lutas de longe, acompanhando as vitórias e derrotas de cada dupla. Lena subia na ponta dos pés para tentar ver melhor por cima da multidão, fazendo comentários sobre cada golpe e cada lutador que conseguia enxergar. Alguns saíam tão destruídos do ringue que ficavam irreconhecíveis, e mais de uma vez Lena perguntou se Kurapika achava que algum daqueles perdedores poderia estar morto. Ela arregalou os olhos quando ele, em uma das vezes, respondeu que provavelmente sim.

— E você? Não vai lutar de novo? — Lena perguntou quando cansou de esticar o pescoço para ver o ringue.

— Sim. Preciso ganhar a confiança dessas pessoas. Azarões sempre atraem curiosidade, principalmente quando revertem o resultado esperado.

— Tá, mas vê se não apanha tanto dessa vez, né? Você é Hunter, use seu Nen pra proteger o rosto um pouco!

Kurapika sentiu o corpo retesar. Lena gritava para se fazer ouvir naquele barulho, sem parecer se dar conta de onde estava.

— Não fale isso aqui! Não quero que as pessoas saibam — ralhou, tentando manter a voz baixa — Se a morte de Leorio tiver alguma coisa a ver com esse lugar, você não acha que eles vão desconfiar se outro Hunter decide aparecer nas lutas?

Lena fez uma careta e resmungou alguma coisa inaudível no barulho sem fim que os cercavam.

Kurapika inspirou fundo, se preparando mentalmente e tentando relaxar o corpo. Essa última parte, não conseguiu. Aquele lugar o deixava mais nervoso do que gostaria de admitir.

Enquanto isso, mais uma luta acabava de terminar. O perdedor, ensanguentado, jazia completamente desacordado no chão.

— Desafiante Kurapika! — alguém chamou em um microfone — Apresente-se no ringue! A próxima luta terá início em cinco minutos!

(...)

Kurapika venceu a luta sem muitos problemas, mas não seguiu o conselho de Lena à risca. Se deixou apanhar um pouco, ainda que menos do que da última vez. E fez questão de terminar a luta ainda no primeiro round, o que não levantou muitas suspeitas, já que seu oponente dessa vez era consideravelmente menos musculoso que o anterior.

A plateia também não pareceu tão surpresa essa semana, e muitos espontaneamente torceram por ele e gritaram seu nome. Aplaudiram efusivamente quando ele nocauteou o adversário e riram quando viram que um dos dentes do homem voou para fora da boca assim que o soco de Kurapika o acertou na mandíbula. Pareciam se divertir quanto mais machucado alguém ficava, e gritavam como animais a cada expressão de dor que encontravam no rosto dos lutadores.

Era um ambiente tão hostil que chegaria a ser intimidador para qualquer um não acostumado com batalhas corpo a corpo. Kurapika imaginava o tipo de efeito psicológico que aquilo poderia ter em algumas pessoas.

Ovacionado, Kurapika teve o braço erguido pela pessoa que fazia o papel de juiz. O anunciou como vencedor. Lembrou o público que aquela era sua segunda vitória seguida. Era estranho estar sob os holofotes dessa maneira. E ele sabia que não estava lutando de maneira justa. Mas o público, alheio a esse detalhe, apenas o vangloriava.

Ele encontrou Lena na saída do ringue. Ela pediu desculpas por ter esquecido de trazer água dessa vez, mas Kurapika disse que não tinha problema. No momento ele só tinha uma preocupação na cabeça, algo que o vinha martelando na cabeça há alguns dias.

Caminhou até a mesa no canto do salão, perto da escada. O mesmo homem de semana passada, com o cigarro entre os dedos e o sorriso frouxo, o esperava. O parabenizou pela luta e puxou o caderno para conferir o montante que Kurapika deveria receber. Mas Kurapika nem chegou a prestar atenção.

— O que eu preciso para fazer parte do Bratva? — Foi a primeira coisa que perguntou, antes mesmo de receber o dinheiro devido que o homem ainda contava nas mãos.

— Ora, ora, vejo que alguém fez o dever de casa — ele respondeu — É por isso que tu tá aqui então?

— Sim — disse. Um dos punhos fechou involuntariamente, tamanha sua tensão — Como faço para entrar?

— 10 vitórias ou 10 milhões de Jenny.

O homem soltou a fumaça pelos dentes e ela escureceu a vista de Kurapika por um instante. Ele sentiu seu coração acelerar. A adrenalina da luta ainda o intoxicava. A gritaria em torno do ringue continuava. Ele tentou imaginar Leorio ali. Não conseguiu. Ou conseguiu?

— Eu quero agendar oito lutas — falou. A voz havia saído sem ele perceber.

— Você ficou louco? — Lena disse, agarrando seu braço. O toque súbito em seu braço parecia queimar. Havia esquecido que ela estava do seu lado o tempo todo.

— Calma aí, meu chapa. Outras pessoas já tentaram fazer isso, marcando nove, dez lutas de uma vez. Não deu muito certo, sabe? — o homem falou.

Kurapika fechou os olhos, nauseado. Se sentiu tonto.

— Oito lutas, por favor — repetiu ao reabrir os olhos. Estariam vermelhos se ele não estivesse sob controle.

— Ok, você quem manda… Posso descontar a taxa do seu prêmio dessa noite?

— Kurapika… — Lena insistiu — O que você falou sobre não chamar a atenção?

Ele ficou parado, tentando raciocinar. Lena estava do seu lado, mas parecia distante com toda aquela fumaça ao redor. O problema era que ela estava certa, mas ao mesmo tempo, como ele poderia esperar mais?

Meditou naquilo por alguns segundos, que mais pareceram anos. Como devia agir? Ir aos poucos e demorar para conseguir o que queria? Ou arriscar tudo de uma vez na esperança de avançar na investigação?

— Não, só quatro — Kurapika falou — Mas se eu vencer as quatro, posso conseguir mais quatro na mesma noite?

— Se tu ainda tiver inteiro e ainda estiver disposto, a gente dá um jeito.

Ele assentiu e pagou o valor correspondente, apesar dos protestos de Lena continuarem. Mas aquele era o melhor que ele podia fazer. Na semana seguinte poderia avaliar melhor aquela situação e decidir se devia prosseguir ou não com aquela estratégia arriscada.

— E  o que é esse Brava que você tanto faz questão de entrar? — ela perguntou.

— Bratva. Um clube. Ainda não sei com o que eles operam. Só sei que aqui é uma das portas de entrada. A outra é o dinheiro. Mas eu não tenho como juntar 10 milhões agora.

Ele não estava mentindo. Realmente sabia pouco ou quase nada sobre o Bratva. Havia descoberto sobre o clube enquanto apurava informações sobre o ringue de lutas. Desconfiou que aquele lugar escondia algo mais do que simples torneios clandestinos e descobriu estar certo. Infelizmente, porém, não tinha ido muito além disso. Tentou coletar mais peças junto aos contatos que fizera ao longo do tempo em que trabalhava para Nostrade, mas as informações que conseguiu eram pífias demais para levarem a algum lugar concreto. No máximo, descobriu que o Bratva era comandado por dois sócios, mas Kurapika havia checado e os dois tinham os nomes limpos como cristais, tanto com a polícia quanto com a Máfia.

Já o Bratva não estava registrado em lugar algum. Legalmente falando, era como se nem existisse.

E apesar da escassez de informações, ele achou que poderia estar chegando ainda mais perto de uma resposta sobre a morte de Leorio. Tudo o que precisava agora era conseguir entrar. Vencer mais oito lutas.

— Enfim, vamos embora? Tô caindo pelas tabelas — Lena falou de repente, emendando em um bocejo.

Ele olhou no celular. Três da manhã. Seu corpo também estava cansado. Kurapika não dormia direito havia dias.

— Sim, vamos — respondeu, gesticulando para que Lena fosse na frente e subisse a escada. Ele seguiu logo atrás.

Algo o dizia que aquela seria mais uma noite em claro.



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