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História Queemdom and Kingdom - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Leiam a introdução do projeto: https://www.spiritfanfiction.com/jornais/novo-projeto--queendom-and-kingdom-19620631

Coisinhas que os leitores precisam saber:
- Estamos na era Joseon pessoal! Pesquisem que vocês irão entender do que estou falando.
- Xamã é uma espécie de bruxa!
- A planta/estrutura de um castelo na era Joseon era mais ou menos assim: https://imgur.com/XQpvXMp, não é como os castelos normais da Disney, existiam muitas mini casas, corredores, jardins e etc.
- Hanbok era o tipo de roupa que usavam: https://imgur.com/aUunJfS
- Hanji é uma espécie de papel usado na época.
- Kisaeng: são artistas femininas coreanas que trabalham para entreter os homens. E elas viviam nessas em Casas de Kisaeng. (Eu sei o que isso parece, mas se vocês pesquisarem mais sobre o assunto, vão ver que é algo bem diferente).
- Hyungnim é a mesma coisa que Hyung, que significa Irmão mais velho.
- Yang, era a moeda da época.

Capítulo 1 - Start?


Im Yeojin corria pela floresta escura, com os galhos das árvores fazendo pequenos cortes em seu rosto e suas roupas. Ela olhou para trás apenas para confirmar o que já sabia, os soldados estavam atrás dela, com suas espadas e tochas, procurando pela garota que havia escapado.

Essa olhada para trás não foi de grande ajuda, pois quando olhou novamente para frente não havia mais caminho para continuar correndo. Yeojin caiu morro abaixo. Durante a queda ela pensou que aquele era realmente o seu fim, mas não queria acreditar nisso, tinha conseguido fugir, e despistado todos até aquele momento, não podia ser o fim.

Quando percebeu a noite ficou ainda mais escura, Yeojin estava inconsciente, em uma floresta desconhecida. Seus últimos pensamentos foram de que não queria morrer ali...

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- Mais uma.

- Você não tem coração?

- Coisas como nós não precisam desse órgão, porém não quer dizer que não tenhamos sentimentos. Mas, você tem sentimentos até demais. Realmente precisava nocautear todos os guardas?

- Eles iam acha-la de qualquer jeito. E você ouviu ela pedindo por ajuda! Eu tinha que fazer alguma coisa.

- E agora? Pretende cria-la?

- Para sua informação eu adoraria fazer isso, mas não posso. Porém conheço alguém que seria perfeita para isso!

- No nosso povoado?

- Claro! Estamos perto dele, é só atravessarmos a floresta, e se alguém tentar ir atrás dela podemos protege-la!

- Você vai protege-la, eu tenho mais o que fazer. Em todo caso, o que vamos fazer? Ela parecesse gravemente ferida.

- Nada que eu não possa consertar.

A garota que vestia um vestido branco chegou perto de Yeojin, colocou a mão sobre a cabeça dela e recitou algumas palavras irreconhecíveis. Automaticamente os ferimentos da menor melhoraram. A terceira garota, que vestia um vestido preto, se virou para a garota de vestido branco e disse:

- Mesmo assim, existem consequências. Ela não vai lembrar de nada.

- Melhor assim, não acha? – a garota de vestido branco respondeu.

- Bom, não importa. Vamos leva-la para o lugar que você falou.

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O sol estava nascendo e Jo Haseul estava saindo da sua casa com um cesto cheio de roupas para lavar no lago da floresta. Mas de repente quatro garotos passaram correndo por ela, fazendo com que a mesma caísse e derrubasse todas as roupas do cesto.

“Esses jovens de hoje em dia, sem educação alguma” ela pensou enquanto olhava para os quatro jovens ao longe que corriam como se fugissem de algo, “Olhando para as suas roupas parecessem ser nobres. Bom, não me admira, como sempre esse tipo de pessoa é sempre incompetente. ” foi seu pensamento enquanto estava agachada juntando suas roupas para colocar no cesto.

- A senhorita precisa de ajuda?

Haseul olhou para cima e seus olhos se encontraram com os de um belo jovem. No mesmo momento ela o reconheceu, e se arrumou para uma profunda reverência, afinal o príncipe herdeiro Sangyeon estava diante de seus olhos.

- Não se preocupe vossa majestade, posso fazer isso sozinha.

- Deixe-me ajuda-la, afinal é o mínimo que posso fazer, além de dar uma bronca nos meus irmãos mais novos mais tarde.- ele disse enquanto se agachava para ajudar a garota.

Sangyeon estava segurando uma peça de roupa quando sua mão foi agarrada por Haseul.

- Quem sou eu majestade para merecer sua ajuda? Deixe-me fazer isso, porque sua majestade não continua seguindo o seu caminho?

Haseul arrancou a peça de roupa da mão dele e rapidamente juntou todas as outras roupas no cesto e continuou seu caminho para a floresta, deixando o príncipe sem saber o que pensar. Por que aquela garota que ele nunca havia visto antes (ele nunca a havia visto, certo?) tinha agido tão friamente com ele? Sem falar naqueles olhos. Aqueles olhos que traziam um grande rancor, um olhar tão afiado que podiam causar desconforto no guerreiro mais corajoso.

Ele nunca iria esquecer aquele olhar. Sangyeon estava curioso.

- Ei! O que você está fazendo aí sentado no chão? Temos que ir, se não vamos nos atrasar. – Young Hoon disse se aproximando do irmão mais velho.

O jovem príncipe saiu de seu transe e sorriu para o irmão:

- Todos já foram?

- Sim.

- Bom – com um longo suspiro ele continuou – vamos lá então!

Young o ajudou a se levantar, deu um tapinha nas costas do irmão e começaram a caminhar para o seu destino.

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Haseul finalmente havia chegado ao lago. Ufa! Encontrar com tantos príncipes logo no início da manhã só podia ser um mal presságio.

Ela pegou a primeira peça de roupa e começou a lava-la, mas durante esse processo, olhando de relance para o lado viu algo brilhante em um arbusto próximo que chamou a sua atenção. Largou a roupa e caminhou na direção do objeto brilhante. Chegando no arbusto afastou os galhos e folhas até encontrar...

- Aaaahhh!!!

Haseul gritou surpresa, ela havia encontrado um corpo! E a coisa brilhante que ela tinha visto era uma joia que a garota desacordada segurava em sua mão direita. A Jo depois de se recuperar do choque se aproximou da menor.

- Ela ainda está respirando.

Yeojin começou a se mexer, e então abriu os olhos deixando Haseul surpresa novamente. A menor piscou algumas vezes, olhou para os lados e também para si mesma, até finalmente olhar para sua mão e encontrar a joia. Analisou atentamente até encontrar impresso um nome: “Im Yeojin”.

- Esse deve ser o seu nome, Yeojinie. O que aconteceu com você? Está se sentindo bem? Por acaso se lembra de alguma coisa?

Ela tirou os olhos da joia e pareceu finalmente notar a presença de Haseul.

- Eu...não sei. Não me lembro. Quem é você? Você me conhece?

- Eu sou a Jo Haseul. Não te conheço, mas, não precisa se preocupar eu vou cuidar de você.

A mais velha se levantou e estendeu a mão para a garota. Yeojin pensou por um momento, por alguma razão sentia que não devia confiar em qualquer um, sentia que estava em perigo, mas ela não sabia porque, sentia também que precisava fugir para ainda mais longe, mas não tinha como fazer isso agora, afinal ela nem sabia quem ela era! Então por mais desconfiada que estivesse ela também estendeu a mão para a garota na sua frente e se levantou. Quem sabe Haseul poderia ser a única pessoa em quem ela poderia confiar agora.

- Eu só preciso lavar algumas roupas. Depois disso, nós vamos para casa, está bem?

Yeojin apenas acenou com a cabeça. Haseul sorria, claro que seria difícil ter mais alguém para cuidar e também mais uma boca para comer, mas não podia simplesmente deixar a garota ali, ou larga-la com qualquer um por aí, em todo caso teria uma ajuda com as tarefas de casa e com o trabalho né?

- Viu eu falei. A pessoa perfeita para cuidar dela.

A garota de vestido branco sorria, observando de longe a dupla que ela havia juntado.

- Bom, mas isso não quer dizer que vai ter um bom destino.

A garota de vestido preto disse mal-humorada.

- Você é sempre tão pessimista! Por que está com essa cara?

- Porque ele está chegando. Hum, não na verdade muitas pessoas estão chegando. Yeojin apenas foi a primeira.

- O que você quer dizer?

- Que isso apenas está começando, vai ser complicado.

A garota de vestido preto começou a caminhar para longe, em meio as árvores da floresta de volta para seu esconderijo.

- Ei! Aonde você vai? Me explica isso direito! – a garota de vestido branco começou a segui-la.

- Não me siga! Volte para o seu lago!

As garotas misteriosas desapareceram no meio da floresta, enquanto a outra dupla caminhava de volta para o povoado.

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- Seja bem-vindo de volta meu filho!

Taejo o rei, se levantou de seu trono e caminhou até seu 11º filho de braços abertos para abraça-lo. Hwall queria desviar de seu pai, mas ele era mais ágil, então não teve como fugir do abraço de urso dele.

O 11º príncipe finalmente havia voltado para casa, depois de ter cumprido o tempo de banimento pelo que fizera ele voltou para a sua “querida” família. Seus 11 irmãos haviam ido ao seu encontro no porto da cidade para fazer uma representação de uma família feliz para todos. Ele não tinha nada contra eles, na verdade gostava muito de seus irmãos, mas... o problema era o seu pai, suas esposas, o conselho e toda aquela besteira de reinado e do palácio. Hwall realmente odiava aquele lugar e o fato deles terem que fingir ser uma família feliz e despreocupada, quando na verdade todos naquele local estavam envoltos em mentiras. Na verdade, ele gostaria de voltar para o lugar no qual tinha ficado isolado durante todo esse tempo.

- Estou indo para o meu quarto.

Foram as suas últimas palavras antes de sair da sala do trono.

- Mal-agradecido. – resmungou Eric.

Jacob lhe deu um puxão de orelha.

- Ai!

- O que ele disse é verdade, ele nem mesmo nos agradeceu por termos ido buscar ele no porto da cidade. – Haknyeon reclamou, e recebeu um puxão de orelha de Hyunjae.

- Não falem como se soubessem de tudo. – disse Hyunjae.

- E o que você sabe? – New perguntou.

- Os irmãos mais velhos sempre tem razão e sabem de mais coisas, apenas aceite isso. – Young Hoon respondeu.

- Eu não tenho certeza se sei de tudo. – Q se questionou.

- Você pode ser uma exceção. – Juyeon disse entre risos.

- Bom, acho que a nossa presença não é mais necessária aqui, papai já foi embora também. – Sunwoo observou, fazendo com que todos notassem esse fato.

- Estou indo para o lago, para escrever. – Kevin anunciou já correndo para fora da sala do trono.

- Vamos para a floresta? – Eric perguntou.

- Sim!

New e Haknyeon responderam animados enquanto Sunwoo apenas afirmou com um aceno de cabeça. E os irmãos correram apressados para a floresta.

- Bom, eu tenho alguns afazeres. Preciso ir também. – disse Sangyeon.

- O príncipe herdeiro, sempre muito ocupado. – Juyeon disse brincando – Pensando bem nós também temos alguns afazeres na cidade, certo Young Hoon? – disse piscando para o irmão.

- Hum, vamos lá.

Assim os três também saíram da sala.

- O que aqueles dois foram aprontar? – Q perguntou.

- Não quero nem saber. – Hyunjae respondeu.

- Será que não devemos ir falar com ele?

- Com quem Jacob?

- Com o Hwall, Hyun. Será que ele estava bem?

- Você sabe que ele nunca está bem, e não tem nada que possamos fazer quanto a isso.

- Realmente não tem nada? Se pensarmos em alguma coisa quem sabe não possamos fazer algo por ele? Algo para anima-lo, como uma festa de boas-vindas por exemplo. – Q sugeriu.

- Você não lembra da última festa que comemoramos com ele? No seu aniversário? Além dele ter dado uma “espadada” no bolo, naquele dia quase que um empregado morreu de medo dele, quando o Hwall estava praticando arco e flecha livremente pelo palácio, porquê estava irritado. – Hyunjae disse se lembrando daquele dia.

- Mesmo que não tenha nada que possamos fazer para ajudá-lo... – Jacob não pode terminar de falar pois foi interrompido por Q.

- Acabei de lembrar, existe algo que podemos fazer! Podemos pedir ajuda de uma xamã!

- Uma xamã? – Jacob perguntou.

- Não sei como isso poderia ajudar. – Hyun pensou alto.

- Vamos atrás de uma agora mesmo!

Q saiu animado da sala do trono rumo a cidade com Jacob e Hyunjae a tiracolo, seus irmãos pensavam que nada no mundo ia tirar aquela ideia da cabeça do irmão mais novo, sabiam também que nada ia convence-lo de que aquilo parecia ridículo. Então apenas o seguiram sem dizer uma palavra.

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Hwall finalmente havia chegado no seu quarto, havia se perdido algumas vezes, afinal dentro dos muros do palácio do rei todos os prédios eram grandes e separados uns dos outros, existiam muitos corredores e caminhos. E ele havia passado um bom tempo longe o que havia facilitado para ele esquecer alguns detalhes do palácio.

Já no seu quarto Hwall olhou para tudo ao seu redor capturando cada detalhe, parecia que ele nunca havia visto aqueles móveis, aquelas roupas e objetos. Tirou a parte de cima de seu hanbok, revelando os músculos e as diversas cicatrizes pelo seu corpo. Lembranças de boas batalhas. Ele se olhou no espelho.

Obviamente quando nos olhamos no espelho é comum vermos o nosso reflexo, e é ainda mais comum vermos apenas o nosso reflexo quando estamos sozinhos em algum lugar. Mas não foi o que aconteceu...

Além do seu reflexo Hwall viu o reflexo de uma garota atrás dele. Ela usava roupas muito estranhas, segurava uma cereja na mão direita e com a mão esquerda cobria a boca. Por um instante ele chegou a pensar que o olho esquerdo dela tinha um círculo roxo, mas desapareceu tão rápido que ele não pode ter certeza.

Ele se virou para ela e furioso se aproximou.

- Quem é você? Como ousa entrar no meu quarto?

- E- eu ....

- Guardas!!!

- Sim vossa majestade.

O guardas que ficavam em frente a porta do quarto do príncipe entraram imediatamente.

- Levem essa intrusa daqui!

- Sim vossa majestade!

Eles agarraram a garota pelos braços e começaram a arrasta-la para longe dali, no meio disso a garota deixou cair a cereja que segurava.

- Es-espera, eu não sou uma intrusa! Eu nem sei como vim parar aqui! Me soltem!!!

Imediatamente uma força desconhecida jogou os guardas para longe. A garota olhou furiosa para o príncipe que estava pasmo por causa do que acabara de ver. Ela caminhou até Hwall e disse:

- Isso são modos de tratar alguém? Eu nem sei aonde eu estou! Como você pode ser tão grosso com uma garota?

Hwall olhava para ela com uma expressão curiosa, enquanto os guardas se levantavam do chão. Silenciosamente o jovem príncipe deu as ordens para que eles tirassem ela dali. A garota dizia coisas esquisitas, como: ‘onde está o meu celular? Espera isso aqui é a Dinastia Goryeo? Por que não prestei atenção nas aulas de história? Meu celular não vai pegar aqui, como vou viver sem ele? ‘ Hwall sorriu. Aquela garota era realmente esquisita.

- Ei!!! Me soltem!!!

Os guardas agarraram os braços dela novamente e começaram a arrasta-la para a prisão do palácio. Dessa vez como o príncipe imaginava, a magia, ou o que quer que ela havia feito antes, não havia funcionado. Quando ela estivesse mais calma iria visita-la e perguntar por que ela havia invadido o seu quarto, quais eram suas intenções, e para quem ela trabalhava.

Por enquanto ele iria apenas relaxar no seu quarto. Caminhando até sua cama, algo no chão chamou a sua atenção. A cereja. Ele sorriu maldosamente e pisou na fruta a esmagando por completo como se faria com algum inseto.

E era isso que aquela garota parecia no momento, um parasita intrometido que parecia querer mudar tudo. Ele não sabia porquê, mas era assim que ele se sentia naquele momento. E isso o deixava muito irritado.

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Kevin estava sentado perto do lago, segurando uma pena e com um hanji em uma pequena mesinha que podia ser levada para qualquer lugar.

Uma suave brisa fazia com que o lago corresse calmamente e balançava o hanbok do jovem príncipe que estava muito concentrado na escrita de seu primeiro romance, uma história de um amor proibido entre uma mulher humana e um homem que na verdade era um ser celestial.

Kevin estava sorrindo sozinho, se divertindo com o que ele mesmo escrevia, mesmo que ele soube que seus personagens teriam um final trágico, ele se divertia com os momentos felizes que criava para eles.

Aquele lugar realmente era fantástico! Literalmente. Tinha algo naquele lugar que fazia suas ideias irem além, como se fosse magia. Olhar para aquele lago também era muito inspirador, e os cisnes que nadavam nele eram encantadores. Com certeza seu lugar preferido em toda a Joseon.

Mas, como qualquer lugar público onde qualquer um pode ir, não era apenas Kevin que o conhecia, e também não era apenas ele que via aquele cantinho da floresta como seu lugar favorito.

Uma garota que vestia um vestido branco, olhava para ele por entre as árvores, esperando ansiosamente pela hora que ele iria embora. Mas mesmo que não gostasse da presença dele em seu lugar favorito, a garota ainda era muito curiosa. “O que ele escreve com tanto entusiasmo? O que é tão divertido? Eu realmente gostaria de ler o que ele escreve! ‘’ eram alguns de seus pensamentos.

Talvez ela pudesse ler! No mesmo momento em que pensou nisso ela recitou algumas palavras estranhas e depois caminhou confiantemente até o rapaz e ficou atrás dele.

Kevin obviamente não a viu, mas sentia uma presença estranha, como se alguém o observasse. Talvez ele só estivesse imaginando coisas. Enquanto isso a garota lia e se divertia. Ela se perguntava como um humano podia ter criado um universo fantástico que tivesse tanto a ver com o que ela vivia. Ele era um deus? Será que era mesmo um simples humano?

E então de repente o rapaz se levantou, juntou suas coisas e foi embora. E assim que ele se foi a garota ficou visível para todos novamente, assustando um pequeno cisne que grasnou.

- Shh!

A garota se virou para o animal pedindo silêncio, se agachou e começou a fazer carinho nele.

- Eu sabia que você iria aparecer!

Ela se assustou, ao seu lado estava o garoto que já devia ter ido embora, ela tinha visto ele ir! Por que ele voltou?

- Desculpe, você está surpresa? Para falar a verdade eu vi você. Sempre que eu estou aqui escrevendo você está me observando por entre as árvores, e sempre que eu vou embora você vem brincar com esses cisnes.

Ele apontou para os animais e também fez carinho neles e a garota ficava chocada a cada palavra dele.

- Meu nome é Kevin, qual é o seu?

Ela estava choque, num choque tão grande que ela quase...

- Ha Soo...

... quase revelou seu nome verdadeiro! Ela quase pode ver a sua frente a garota de vestido preto cruzando os braços e balanço negativamente a cabeça indignada.

- Ha Soo?

Ela olhou nervosa para o cisne ao seu lado que grasnou em resposta, voltou-se para Kevin e tentando consertar o que havia dito antes, disse:

- Não, não meu nome é Yves. Isso! Yves.

O jovem príncipe sorriu. Finalmente ele tinha tomado coragem para conversar com a misteriosa garota do lago (nome carinhoso que ele havia dado para ela) e agora ele sabia seu nome verdadeiro. Mas agora, ele se sentia meio envergonhado. Ela era tão bonita quanto aqueles cisnes que nadavam tranquilamente no lago. Porém suas roupas eram estranhas, e ele nunca a havia visto no povoado. Isso o deixava ainda mais animado, era um mistério a ser resolvido, ele sentia como se uma história estivesse começando a ser contada. Uma história apenas deles.

Ele queria perguntar muitas coisas como: onde ela morava? Estava prometida para alguém? Por que ela apenas observava ele de longe? Ela era tímida? Mas por estar um pouco nervoso não conseguiu perguntar nada disso e a única frase que conseguiu falar foi:

- Esse lugar é realmente ótimo, não é? Tranquilo, inspirador. Hum, por acaso a senhorita, gosta de histórias?

Os olhos de Yves brilharam, ele contaria histórias para ela? Ele escrevia tão bem, e parecia tão apaixonado por suas histórias, ela ficaria encantada em escutar! Ela balançou a cabeça afirmando animadamente.

Kevin riu da expressão dela, ele se sentou e revirou os seus hanjis procurando um trecho de sua mais recente história para ler para ela.

Yves prestava atenção em cada palavra assim como seu coração que batia acelerado a cada expressão do jovem rapaz.

Espera. Coração? A expressão de Yves ficou sombria por alguns instantes, mas ela não deixou que Kevin percebesse. Algo estava errado.

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- Algo está errado.

Eric olhava para o esconderijo dos quatro príncipes, que estava todo bagunçado.

- Para mim está tudo normal. Nosso esconderijo não foi sempre assim? – Sunwoo questionou os irmãos.

- Você é bem desatento mesmo. Não está vendo que o nosso esconderijo está todo destruído? Que tipo de animal fez isso? – Haknyeon se perguntou enquanto olhava para Eric.

- Um animal? Será que é muito grande? Quais os tipos de animais que vivem aqui nesta floresta? Será que podemos caça-lo? – New estava animado sozinho com a situação.

Enquanto isso a garota de vestido preto encarava os príncipes, um pouco longe por entre as árvores. Ela havia bagunçado o esconderijo deles na esperança de que eles saíssem correndo assustados e nunca mais voltassem, e deixassem em paz seu lugar favorito da floresta. Mas não era isso que havia acontecido, na verdade eles pareciam bem animados com o fato de um animal ter destruído tudo e queriam caça-lo. A garota sorriu sarcasticamente. Príncipes, tão cheios de si.

- Como vocês sabem esse é o nosso lugar precioso. O nosso bem mais querido. Ninguém que ouse chegar perto dele e destruí-lo desse jeito saíra impune. Então vamos lá meus irmãos! Peguem seus arcos e flechas, montem em seus cavalos e vamos atrás desse animal!

Com o termino do discurso de Eric todos pegaram suas “armas” montaram em seus cavalos e começaram a cavalgar pela floresta.

A garota se surpreendeu com a reação imediata que eles tiveram. E ficou ainda mais surpresa quando viu os arcos e flechas na mão deles. Um medo que ela nunca sentiu antes percorreu todo o seu corpo. E quando ela saiu do choque começou a correr desesperadamente por entre as árvores. E enquanto ela corria dos príncipes que estavam cada vez mais perto sua aparência ia mudando...

Seus braços e pernas deram lugar a quatro patas. Seus longos cabelos negros se transformaram em pelos cinzas que tomavam conta de todo o seu corpo e as suas orelhas foram para o topo de sua cabeça. E ela tinha uma longa cauda.

- É um lobo!!! – Haknyeon gritou para seus irmãos.

- Como vamos pega-lo? – Eric perguntou.

- Ele é muito rápido! – Sunwoo disse enquanto parava o seu cavalo.

- Deixa comigo!

Ao dizer isso New apertou as rédeas de seu cavalo que relinchou e começou a correr mais rápido que a luz. Chegando cada vez mais perto do lobo.

A garota/lobo corria o mais rápido que podia, mas o príncipe estava começando a se aproximar. Ela tentava desviar, ir por caminhos difíceis, mas ainda assim ele não desistia e continuava muito próximo a ela.

New se preparou, já estava perto o suficiente. Arrumou a mira e então soltou a flecha.

Whoosh!

O lobo uivou de dor e rolou ladeira a baixo caindo na clareira da floresta, a flecha havia acertado com sucesso o seu alvo.

New chegou rapidamente no local onde o lobo havia sido acertado e desceu do seu cavalo para ir para onde o lobo havia caído, seus irmãos chegaram logo depois dele e fizeram o mesmo indo para a clareira encontrar com o intruso que havia destruído o seu esconderijo.

Mas quando chegaram no local o que eles viram não era um lobo.

- Como você pode? New seu... – Eric não conseguiu terminar de falar ele estava em choque.

Hakneyon e Sunwoo não conseguiram proferir nenhuma palavra.

- M-mas e-eu...na minha frente...era definitivamente um lobo... – New sussurrou.

Na frente dos quatro príncipes estava uma garota de longos cabelos negros usando um hanbok manchado de sangue, perto do peito estava a flecha atirada por New. A garota estava desacordada, mas a expressão em seu rosto era de dor.

E foi essa expressão que acordou New de seu choque enquanto seus irmãos continuavam em transe. Ele correu para perto dela e arrancou a flecha, rapidamente a pegou em seus braços e colocou a garota em cima de seu cavalo, montando nele logo em seguida.

- Vamos! Temos que ir para o palácio! Chamar o médico para trata-la, se não irmos logo não poderemos salva-la!!! Temos de salva-la, é minha culpa.

Ele olhou para o rosto da garota desacordada em seus braços, enquanto seus irmãos montavam em seus respectivos cavalos.

- Precisamos descobrir quem é sua família, terei de pedir desculpas a eles. Papai ficará muito bravo.

- Ei, acalme-se New, vai dar tudo certo. – Sunwoo consolou o irmão.

E assim os quatro príncipes cavalgaram o mais rápido que podiam em direção ao palácio.

New cada vez mais preocupado e arrependido pelo que fizera. Mas ele tinha certeza que ele e seus irmãos eram as únicas pessoas na floresta naquele momento, e ele tinha certeza absoluta de que quem ele havia acertado era um lobo.

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- Me chamou pai?

Sangyeon estava nos aposentos do rei. Ele estava estudando no jardim do palácio quando um servo foi avisa-lo de que seu pai o chamava para falar sobre um assunto muito importante.

- Sim meu filho. Como todos sabem você é meu primogênito, e herdeiro de tudo o que é meu, inclusive do meu trono.

- Sim, papai.

- E como todos também sabem, eu não tenho muito tempo, cof cof cof cof.

Sangyeon correu para perto de seu pai, e segurou suas mãos preocupado.

- Papai, o senhor está doente?

- Eu já estou muito velho, não acho que me resta muito tempo. Por isso meu filho, você deve estar preparado por que quando menos esperar você terá de assumir o trono.

- Eu sei papai.

- Mas não foi para isso que chamei você aqui. Eu preciso dizer algo muito importante, no momento sem a presença de seus outros irmãos, quando chegar a hora certa irei comunica-los sobre isso também.

- O que seria meu pai?

- Você sabe qual é o meu maior desejo, meu filho?

- Não pai.

- É ver os meus filhos casados, e felizes. Com uma esposa amiga, companheira. Quero ver meus filhos apaixonados e vivendo aventuras diferentes dessas que vocês vivem: aventuras cheias de teimosia e rebeldia. Quero ver meus filhos compromissados e com objetivos na vida e não passeando e vivendo despreocupadamente.

- Eu entendo meu pai. E estou disposto ao casamento, mas não sei qual seria a reação de meus irmãos mais novos sobre isso.

O rei ficou furioso, ele queria ter netinhos e queria vê-los antes de morrer, então meio alterado disse:

- Pois que eles deixem de serem tão teimosos, é uma ordem do rei! Eles irão se casar querendo ou não.

Sangyeon sorriu para seu pai que continuou falando o que achava e caminhando pelos seus aposentos:

- Duas princesas de um reino próximo irão chegar nos próximos dias, não importa quem elas irão escolher, mas quem quer que seja irá se casar. Também tem as três garotas que sua mãe e minha outra esposa tratam como princesas, são filhas de três homens do meu conselho em quem eu mais confio, já estou planejando com eles o casamento delas. E você!

O rei se aproximou de Sangyeon.

- Sua noiva é uma princesa da china, que também está prestes a chegar então se prepare para o casamento.

- Sim, meu pai.

Sangyeon apenas concordou, ele nunca ousou discordar de seu pai.

- E quanto aos seus outros irmãos, não me importa a classe social da jovem, ou o que quer que ela faça, contanto que goste do meu filho o casamento já começará a ser planejado. Nenhum de vocês irá fugir. Eu definitivamente verei todos vocês casados!

- Sim papai.

O rei olhou para Sangyeon, talvez ele tivesse exagerado um pouco. Se aproximou de seu filho e segurando as suas mãos disse:

- Eu sei que algumas coisas são difíceis e sei que seus irmãos vão bater o pé, mas eu só quero ver os meus doze filhos felizes. Você não imagina o quão feliz eu fiquei quando depois de tantas dificuldades eu pude me casar com a sua mãe, eu só quero que vocês vivam algo ainda mais fantástico do que o que eu vivi.

- Eu sei pai. – Sangyeon disse com um sorriso amoroso no rosto.

O rei então teve um acesso de tosse. Sangyeon o ajudou a se deitar em sua cama.

- Descanse papai. Até logo.

Ele fez uma última reverência para seu pai e saiu de seus aposentos caminhando em direção ao jardim para continuar seus estudos. Enquanto isso ele pensava em como seus irmãos reagiriam a decisão do pai. Ele não se importava com o casamento, era algo que o príncipe herdeiro precisava fazer para se tornar rei, e para não contrariar o pai, que confiava muito nele, era o que ele faria, mas seus irmãos reagiriam muito diferente dele, ele até conseguia imaginar alguns deles fugindo do palácio e consequentemente fugindo do casamento.

Em meio aos muitos pensamentos que rondavam sua cabeça depois da notícia de seu pai, a imagem do olhar afiado da camponesa que ele havia conhecido naquela manhã invadiu de repente seus pensamentos.

O que ela estaria fazendo agora? Por que aqueles olhos tão bonitos carregavam tanto ódio? Sangyeon estava ficando cada vez mais curioso.

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- Juyeon sério isso? De novo esse lugar?

- Não vejo qual é o problema Younghoon, você fala como se não gostasse daqui e nunca tivesse vindo aqui também.

- Desculpe, mas é que eu acho que a sua noiva não iria gostar nada disso.

- E eu lá tenho noiva? Sou um príncipe totalmente descompromissado e livre, não sei de onde você tirou essa ideia.

Younghoon apontou para uma das “lojas” de tecidos da cidade, onde uma garota se escondeu rapidamente enquanto a outra foi puxada pela primeira em meio aos tecidos. Juyeon soltou um suspiro profundo.

- Vamos entrar.

- Mas e a Heejin?

- Quem liga? Vem.

Juyeon puxou o seu irmão para o estabelecimento da frente, e sumiram lá dentro, enquanto isso a garota que parecia um coelho rangia os dentes de raiva.

- Você viu Hyunjin? Viu? Olha o lugar que eles entraram, o rei ficaria furioso com isso.

A garota que se assemelhava a um gato tanto na aparência como na personalidade, olhou sem interesse para o lugar e disse:

- É uma Casa de Kisaeng.

Heejin ficou vermelha de vergonha e raiva.

- Por isso mesmo! Nossos príncipes estão lá dentro precisamos tira-los de lá.

Hyunjin colheu uma pequena flor que crescia perto da loja de tecidos, andou até Heejin e colocou a flor em seus cabelos enquanto dizia:

- Primeiro: Nenhum príncipe ali é meu. Segundo: Você realmente quer entrar em uma Casa de Kisaeng?

- Para de dizer Casa de Kisaeng. E sim são nossos príncipes, eu vou me casar com Juyeon, e todos sabem que Younghoon gosta muito de você! Com certeza seu pai e o rei já estão planejando o seu casamento. Você em breve vai se tornar uma princesa! Nós duas vamos!

Heejin dizia tudo isso com uma expressão sonhadora em seu rosto e dando pulinhos animados. Enquanto isso Hyunjin percebia que sobre aquele assunto era melhor não discutir, sabia que a amiga arranjaria desculpas e que se tornar uma princesa estava acima de qualquer coisa, mesmo que para ela esse não fosse o seu objetivo.

- Vamos! Vamos entrar!

Heejin pegou Hyunjin pelo braço e a arrastou até a Casa de Kisaeng, onde os príncipes estavam completamente despreocupados, sentados tomando um chá cada um com uma kisaeng os servindo ao lado.

- O que você achou do Hwall hoje? – Younghoon perguntou.

- A mesma coisa de sempre, acho que viver exilado por um tempo não foi de grande ajuda. Parece que ele não mudou nada.

- Eu as vezes me pergunto o que fazer como irmão mais velho, como posso ajudá-lo.

- Se o Sangyeon hyungnim não sabe o que fazer imagina o que sobra para nós. – Juyeon disse.

- Príncipe Juyeon o chá está bom? – perguntou a kisaeng ao lado dele.

- Sim, do jeito que eu gosto. – ele respondeu com um sorriso.

- Eu me pergunto do que mais os príncipes Juyeon e Younghoon gostam. Qual é o tipo ideal de garota de vocês? – perguntou a outra Kisaeng.

- Eu gosto de todas.

Juyeon disse piscando enquanto as kisaeng soltavam risinhos tímidos.

- Mas o meu irmão tem um tipo ideal. O tipo dele é: garota bonita que nem liga para a existência dele, um tipo que tem nome e sobrenome Kim Hyunjin.

Juyeon sorriu brincalhão para o irmão mais velho enquanto Younghoon apenas balançou a cabeça, ele já estava acostumado com isso. Uma das kisaeng segurou o braço dele:

- Ela é mais bonita do que eu príncipe Younghoon?

A outra vez o mesmo:

- O que ela tem que nós não temos?

- Bem...

Ele tentava afastar as duas quando de repente ouviu-se um barulho de coisas quebrando do lado de fora do estabelecimento e um choro.

- Heejin!

Juyeon se levantou furioso e foi correndo para o lado de fora com Younghoon e as kisaengs atrás dele e eles presenciaram a seguinte cena: Heejin estava atrás de Hyunjin chorando desesperadamente enquanto a outra estava com um pedaço de madeira apontado para um homem (que pelos machucados claramente havia sido espancado por ela). O homem gritava com a dona da casa de kisaengs dizendo que ia chamar a família de mais influência da cidade (que era quem depois do rei administrava tudo o que acontecia, como as leis, economia e os guardas).

Hyunjin não estava aguentando mais aquele papo e acertou o homem com o pedaço de madeira na cabeça. Ele se virou para ataca-la, mas Younghoon se pôs no meio dos dois. O homem se assustou e imediatamente vez uma reverência para o príncipe.

- Levante-se.

- Sim majestade.

- O que aconteceu aqui? – Younghoon perguntou virando-se para Hyunjin.

- Majestade essas duas garotas...

- Eu não falei com você. – ele vociferou para o homem – O que houve Hyunjin?

A garota se apoiou no pedaço de madeira e olhou de relance para Heejin, que agora não estava mais chorando, pois Juyeon estava ao seu lado limpando suas lágrimas, na verdade o príncipe queria ir para cima do homem e bater nele até ele chorar, mas a garota não deixou. Hyunjin olhou para Younghoon e explicou a situação:

- Nós entramos aqui porquê a Heejin insistiu em ir atrás de vocês, quando já estávamos nos corredores da casa esse homem bêbado, confundiu ela com uma kisaeng e tentou tocar nela. Eu só fiz o que tinha que ser feito.

- O que?

- Bati nele oras! Aprendi artes marciais no castelo por um motivo certo?

Younghoon riu. Aquela era a Hyunjin que ele conhecia, forte, determinada e que não levava desaforo para casa. Ele se virou para o homem.

- Como pudemos ver pela história dessa dama, o real culpado da história é você certo? Realmente é preciso chamar o comandante da cidade? Você realmente quer arranjar problemas com membros do palácio?

- N-não m-majestade! Eu imploro poupe a minha vida!

O homem se jogou ao chão e agarrou a perna de Younghoon suplicando.

- Não sei não, eu estava afim de ver uma execução hoje.

Juyeon disse com fogo nos olhos, lançando olhares furiosos para o homem que chorava desesperadamente.

- Por favor majestades! Tenham piedade da minha pobre vida!

- Juyeon, deixe o homem ir, apenas avisem os guardas para ficarem de olho, se ele arrumar mais problemas então ele será preso. Eu só quero ir embora daqui.

Heejin disse fazendo cara de choro enquanto estava envolvida pelo braço de Juyeon que a segurava.

Ele a olhou preocupado, será que esse acontecimento se tornaria um trauma para ela? Ele não gostava quando Heejin o seguia para todo lado, mas ela era como uma irmãzinha para ele. Ninguém sairia impune se a fizesse chorar.

- Bom, então vamos voltar para casa.

Os dois caminharam para longe da Casa de Kisaeng, com Younghoon e Hyunjin logo atrás, enquanto o homem gritava da casa agradecendo por terem poupado a sua vida.

- Você não vai largar isso? – Younghoon perguntou para Hyunjin.

- Não. – ela apontou o pedaço de madeira para ele – Nunca se sabe o que pode aparecer no meio do caminho.

Ele riu de nervoso, ela não o acertaria com aquilo certo?

Chegando ao castelo, os príncipes foram se encontrar com seus outros irmãos deixando as garotas sozinhas.

No mesmo momento Heejin abriu um sorriso de orelha a orelha, muito feliz!

- Você viu Hyunjin? Viu? Ele limpou as minhas lágrimas, me consolou e me abraçou forte. Juyeon está caindo na minha armadilha.

- Como um ratinho. Você é uma boa atriz, hein?

- Como assim?

- Você fez um escândalo só porquê o cara tocou na sua mão levemente, qualquer um acharia que ele tinha feito mais do que isso, pelo jeito como você estava chorando.

- O caminho para o coração do Juyeon é através da delicadeza e fraqueza. Se eu aparentar estar indefesa ele virá ao meu socorro.

- Arrg, não conte comigo para esses seus planos malucos! Prefiro treinar minha mira com o arco e a flecha.

- Se você treinar assim Hyunjin nenhum príncipe vai te querer e sua beleza vai sumir!

- Vai procurar a GoWon para conversar sobre essas besteiras de princesas, vai Heejin! Eu tenho mais o que fazer.

- Pois eu vou mesmo! Hunf.

E assim as garotas foram cada uma para uma direção.

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- Você tem certeza Q?

- Claro Hyunjae hyungnim, essa é a nossa melhor opção.

Jacob apenas balançou negativamente a cabeça.

Os três príncipes estavam em frente à casa da única xamã da cidade. Q estava certo que tudo seria resolvido com a visita até a casa dela, já Hyunjae e Jacob tinham suas dúvidas, mas não queriam contrariar o irmão que parecia muito empolgado com o fato de que algo místico resolvesse todos os problemas do irmão mais novo Hwall, como já havia sido dito os irmãos mais velhos sabiam de muita coisa, mas Q parecia não saber tanto assim, os problemas de Hwall não seriam resolvidos através de mágica. Mas, mesmo com pensamentos contrários os três irmãos entraram na casa da xamã.

Era uma casa comum, para pessoas que estavam acostumadas com um castelo grandioso, era dessa forma como imaginavam uma casa comum: quase nenhum móvel, com um pouco de poeira aqui e ali, pequena, um quintal igualmente pequeno. Era acolhedor na verdade.

Assim que viu os jovens príncipes entrando pelo portão de sua humilde casa a xamã imediatamente curvou-se:

- A que devo a honra majestades?

- Pode se levantar. Nós viemos em busca de uma resposta sobre um assunto realmente sério, sobre o nosso irmão. – disse Q.

Jacob teve que conter uma risada, o irmão estava levando aquilo a sério demais, e as roupas da xamã também eram muito engraçadas, muito coloridas. Q continuou falando, contando sobre Hwall, sua personalidade e as coisas que ele fizera. Então ela levou os três para dentro, falou para eles se sentarem e ela também se sentou fechando os olhos, para se comunicar com os espíritos.

- Oh! Eu vejo, seu irmão. Sim ele sujou muito suas mãos com sangue. Ele foi exilado, e agora está de volta mais violento e com mais raiva do que antes.

- Sim, sim! Isso mesmo, o que devemos fazer? – Q perguntou.

Hyunjae e Jacob colocaram a mão na testa, a xamã só estava repetindo o que o próprio Q lhe contara, aquilo era claramente uma farsa, apenas o irmão não percebia isso.

- O que vocês devem fazer? Seu irmão está rodeado de muitos maus espíritos que o induzem a fazer cada vez mais coisas ruins. Só há uma solução.

- O que?

- Ele precisa de amuletos de proteção. Muitos deles.

- E aonde conseguimos esses amuletos? – Q perguntou curioso.

A xamã mudou a sua expressão séria para sua cara de negócios:

- Por 10 yang’s você leva esses doze amuletos de proteção.

Ela disse isso mostrando os objetos para Q que tinha uma expressão desconfiada no rosto, ele então disse:

- Você quer que eu acredite nisso?

Seus irmãos acharam que ele tinha percebido a farsa daquela velha bruxa, ela também achava que tinha sido descoberta, mas...

- Isso tudo claramente vale 20 yang’s, tome.

Q estendeu com uma mão as moedas para ela e com a outra pegou os amuletos, se levantou e saiu feliz da casa da xamã, deixando todos chocados.

- Ele é sempre burro assim? – ela perguntou para os dois príncipes.

- Infelizmente sim. – disse Hyunjae.

Jacob virou-se para a xamã:

- Por hoje passa, não tente passar a perna em nós de novo, e também – ele preocupado, olhou bem no fundo dos olhos dela – Se você não consegue mais se comunicar com os espíritos, se você perdeu os seus poderes... você pode trabalhar com outra coisa. Se precisar da nossa ajuda, não vamos poupar esforços para ajudá-la.

Ao terminar de falar Jacob sorriu e foi embora com Hyunjae, deixando a xamã completamente derretida com o seu sorriso e pensando que um anjo tinha descido a terra. Quem dera sua filha se cassasse com um rapaz tão angelical e gentil quanto aquele.

Falando na sua filha, onde aquela desajeitada estava?

Ela se levantou e saiu de casa gritando o nome de sua filha:

- Jinsoul! Jinsoul! Jinsoul! Ah! Aí está você garota, o que está fazendo?

A menina estava parada na rua, olhando para longe e com uma expressão vazia, segurando nas mãos um balde de cerâmica cheio de água do lago. Quando a xamã chegou perto de sua filha viu que a garota encarava os três príncipes que tinham acabado de sair de sua casa, e além disso ela estava com aquela cara de quando suas visões e seus poderes vinham à tona, seu olho direito tinha um círculo azul. Era a terceira vez que aquilo acontecia só naquele dia. A xamã já estava começando a se preocupar com sua filha, ela então gritou:

- JINSOUL!!!!!

- AAAAAHHHH!

BLAM!

A garota acordou de sua paralisia em um susto, assim derrubando o balde de água.

- Minha filha, como você pode ser tão desastrada.

A xamã se abaixou para pegar o balde que ainda continha um pouco de água.

- Desculpa mamãe, quer que eu vá buscar mais?

- Não, não será necessário. Vamos entrar.

- Sim.

Enquanto caminhavam para dentro de casa a mulher olhou atentamente a sua filha.

- Assim como das outras vezes hoje, você não vai me contar o que viu?

- Desculpa mãe, eu já me esqueci o que eu vi, hihi.

- Hunf, quando você se lembrar me conte, está bem? Não me esconda nada.

- Tudo bem mãe.

A garota abaixou a cabeça. Na verdade, Jinsoul se lembrava de tudo, e as três visões que ela havia visto naquele dia, principalmente a última enquanto olhava para os príncipes, não tinham sido nada boas. Talvez, pela primeira vez na vida Jinsoul precisasse contrariar a mãe e até mesmo contrariar a si mesma, e colocar em risco a sua vida. Talvez não tivesse jeito mesmo. Ela tinha que achar um jeito de entrar no palácio.

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- Ei!!! Alguém! Me tirem daqui!!!

- Ahh! Você é muito barulhenta.

A garota que invadira o quarto de Hwall estava na prisão particular do palácio. Com as mãos segurando as barras da prisão e com a cabeça entre elas, a garota gritava a plenos pulmões a muitos minutos. A gritaria era tanta que mesmo tentando ignorar a princesa, bem quer dizer, a filha do ministro de finanças, se incomodou tanto que foi pessoalmente até a cela para parar com aquilo ela mesma, já que ninguém estava fazendo nada.

- Você poderia parar de gritar por favor? Eu estava pensando em algo muito sério, e sua gritaria estava me atrapalhando.

“Estava pensando em qual dos príncipes será o meu noivo! “ pensou a filha do ministro.

- Desculpe, mas é totalmente injusto que eu fique presa aqui. Eu nem mesmo sei como voltar para casa e principalmente não sei como vim parar aqui.

A garota fez uma expressão triste, e a outra teve pena dela.

- Qual é o seu nome garota esquisita?

- Eu sou uma garota esquisita?

- Sim, suas roupas são estranhas, nunca vi nada parecido, seu jeito de falar e a maneira como se comporta perante a alguém nobre, também são estranhas. Nem mesmo um escravo sem educação se comportaria dessa maneira perante ao seu superior. Você com certeza não foi criada da maneira correta.

- Desculpe, mas as vezes eu esqueço completamente onde eu estou.

- O que você disse?

- Meu nome é Choi Yerim, mas todos me chamam de Choerry. Qual é o seu nome?

- GoWon.

- É um prazer conhece-la.

Choerry estendeu a sua mão para GoWon, que hesitou em apertar. Quando ela estava prestes a fazê-lo...

- O que você faz aqui? Essa prisioneira é minha, não converse com ela.

Hwall estava caminhando em direção as duas garotas. Apenas um movimento de cabeça dele indicando a saída foi o suficiente para GoWon entender o recado e sair correndo dali.

- Não! Não me deixe sozinha com esse cara maluco.

- Quem você está chamando de maluco?

O príncipe bateu nas barras da cela o que produziu um barulho alto assustando Choerry, ele parecia ser muito forte, talvez não fosse bom mexer com ele, ela precisava tomar cuidado, mas...

- Muito bem, acho que depois de ter tido um tempo para pensar, você pode me dar respostas mais claras agora certo?

- O que você quer de mim?

- O que você fazia no meu quarto?

- Não sei, de repente apareci lá.

Hwall levantou uma sobrancelha, impossível acreditar naquilo.

- Para quem você trabalha?

- Sou apenas uma estudante ainda.

Ele apertava com tanta força suas próprias mãos, que elas já estavam ficando vermelhas, e ele começava a tremer de raiva.

- Quais são suas intenções?

- Não sei, me diga quais são as suas.

Hwall havia chegado no limite. Abriu a cela e pegou a garota pelos ombros.

- Você não tem medo do perigo, não é? Então está bem.

O príncipe arrastou uma Choerry aos gritos para longe daquele lugar, ele estava indo em direção a sala de trono do rei.

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- Então meu filho, você está me dizendo que essa pobre garota, sem recurso e sem qualquer disposição física, entrou furtivamente no meu palácio, para invadir especificamente o seu quarto?

O rei deu um longo suspiro, em sua frente estava seu 11º filho Hwall, com uma garota a tiracolo, e diferente do que ele tinha pensado no início, não era nenhum interesse romântico e sim uma prisioneira. Nada podia piorar.

- Sim majestade. Por favor, puna-a da forma como pede a lei. – ele olhou para ela – Com a morte.

Choerry levou a mão ao pescoço assustada e tentou se lembrar de situações parecidas como essa que ela tinha visto em doramas, o que ela devia fazer?

- Por favor eu imploro majestade, eu não quero fazer nada de mal, eu só quero voltar para casa.

Bom, implorar e chorar desesperadamente parecia uma boa opção.

- Meu filho, solte essa jovem.

- Mas pai...

- Sem “mas” Hwall, apenas faça o que eu mando.

Meio contrariado o príncipe a soltou, fazendo Choerry cair, mas imediatamente uma criada veio para ajudá-la.

- Por favor, cuide dela. – o rei disse para a serva – E não se preocupe, depois que repararmos o que meu filho lhe fez, a mandaremos de volta para casa. Até lá você pode desfrutar de quanto tempo você quiser aqui no meu palácio, e também se desejar ou precisar de algo é só falar.

- Obrigada, majestade.

Choerry agradeceu ao rei e foi levada para fora da sala do trono pela criada. Hwall também foi embora, mas não sem antes lançar um olhar furioso para seu pai, aquela garota tinha algo suspeito e ele iria descobrir o que era e ela passaria pela punição necessária.

O rei Taejo deu outro longo suspiro, aquele estava sendo um longo dia. Ter doze filhos não era fácil e sim extremamente imprevisível, afinal todos já estavam bem grandinhos, mas isso parecia trazer ainda mais problemas. Problemas maiores e complicados. E com doze pessoas correndo soltas por aí as situações e os acontecimentos eram imprevisíveis. Será que ele teria sossego no resto do dia? Ele se sentia cansado e queria relaxar nos jardins do palácio com sua esposa.

- PAI!!!!!

Tarde demais.

- O que houve Haknyeon?

O príncipe estava ofegante, ele tinha corrido até ali.

- Nós...na floresta...

- O que aconteceu?

- PAI!!!!

Sunwoo, New e Eric vinham correndo e gritando. Nada muito fora do comum, pensou o rei, se não fosse pela garota nos braços de New. Será que dessa vez era um possível interesse romântico? Não...esquece, a garota estava desacordada e tinha sangue em suas roupas. Imediatamente o rei olhou para Eric:

- O que você fez dessa vez?

- Não é culpa minha pai foi o...

- Fui eu pai.

O rei olhou para New. Aquilo realmente era surpreendente, normalmente era o 12º príncipe Eric que aprontava por aí. O rei deu mais um de seus longos suspiros.

- O que aconteceu?

- Pai, depois nós contamos o que aconteceu. Agora, o mais importante é salvarmos ela. – disse Sunwoo.

O rei concordou e mandou um criado chamar o médico real e outro para guiar seus filhos até um quarto vazio onde a garota poderia ficar para ser tratada. Imediatamente todos que estavam na sala do trono se dispersaram. O rei teve um descontrolado acesso de tosse. Ele esperava que finalmente aquele longo dia tivesse finalmente acabado.

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Mais tarde naquele dia, quando a garota já havia sido tratada pelo médico, New ainda continuava no quarto ao lado da jovem desacordada:

- Sinto muito. – ele sussurrou.

O jovem príncipe já estava indo embora quando, algo na garota lhe chamou a atenção. Era um círculo desenhado em seu pulso e abaixo os caracteres que significavam:

- Olivia Hye? Esse é seu nome? – ele olhou para o rosto dela – Sinto muito Olivia Hye, mas não se preocupe, eu vou cuidar de você e te compensar por tudo o que eu fiz. Eu prometo.

Ele se inclinou e beijou a testa da garota e saiu do quarto.

Era noite, e a lua brilhava intensamente lá fora, os lobos uivavam para ela preocupados. Enquanto isso no quarto de Olivia Hye as flores, que os príncipes tinham levado para enfeitar o quarto dela, murcharam e morreram.

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Duas semanas depois...

- Uau! Como esse lugar é lindo!

- Estamos saindo do navio, e estamos no porto. O que tem de tão bonito aqui?

- A atmosfera.

- Qual? Eu não estou sentindo nada de diferente.

- O romance está no ar.

Chuu sorria enquanto dizia isso, ela estava feliz por finalmente ter chegado ao reino do rei Taejo, finalmente ela iria se casar. Kim Lip revirou os olhos com a fala da irmã, sempre tão otimista e sonhadora, como Chuu podia ser assim? Lip estava de saco cheio daquele assunto sobre casamento e romance que parecia ser a única coisa da qual a irmã falava nos últimos dias.

- Por favor nem me fale sobre isso.

- Ah Lip, você fala como se não se importasse com isso.

- E eu não me importo.

- E se os príncipes forem tão bonitos a ponto de você se apaixonar por todos eles e não saber com quem você quer se casar?

- Isso faz mais o seu estilo Chuu.

- Hehe, verdade. Ei! Olha aquela garota.

Chuu apontou para longe e Lip olhou naquela direção. Uma garota, usando um hanbok muito bonito, e muitas joias, parecia estar com muitos problemas.

- Vamos ajuda-la.

- Chuu volte aqui, não se meta nos assuntos dos outros.

Tarde demais ela já estava ao lado daquela garota que olhando com um pouco mais de atenção, parecia ser parte da nobreza assim como as duas irmãs.

- Por favor, eu poderia saber do que se trata essa confusão?

Chuu perguntou ao guarda que discutia com a garota. Ele olhando para ela, logo percebeu que ela era uma princesa e então:

- Majestade, desculpe por incomoda-la. Mas eu não entendo nada do que essa senhorita está falando.

A garota desconhecida suspirou, ela estava fazendo o seu melhor para ser entendida, mas não estava funcionando. E então ela olhou com atenção para Chuu, nas mãos da princesa estava uma carta com o carimbo do rei Taejo. Ela apontou para a carta animada.

Chuu ficou um pouco confusa, por que aquela a garota apontava tão desesperadamente para a sua querida carta, que ela não havia soltado desde que a havia recebido, a sua tão querida carta que chamava ela e sua irmã para uma visita com o objetivo de se casar com um dos 12 lindos príncipes?

- Irmã o que você está fazendo?

Kim Lip finalmente havia chegado ao lado da irmã, e nesse mesmo momento a garota desconhecida mostrou uma carta para as irmãs. Uma carta idêntica à carta de Chuu. Endereçada a:

- Princesa Vivi. – Lip leu.

- Então ela é uma princesa como nós, e estamos indo para o mesmo lugar! Que coincidência! – Chuu disse animada já enganchando o seu braço no de Vivi – Vamos juntas até o palácio! Você também está ansiosa para conhecer os príncipes e se casar?

Chuu já ia caminhando para longe com Vivi e com os servos de ambas correndo atrás delas. Lip revirou os olhos mais uma vez, mais uma para falar sobre romance e casamento. O rei Taejo parecia desesperado para casar seus filhos. Ela foi atrás das duas.

- E então Vivi? Está ansiosa? – Chuu perguntou novamente.

- Sim. – Vivi disse baixinho e num coreano meio enrolado.

- Você não é daqui certo? – Lip perguntou para ela enganchando o seu braço no outro braço de Vivi.

A garota pensou um pouco, como se estivesse tentando encontrar as palavras certas.

- Eu vim da China.

- Hum, uma princesa chinesa. O rei deve estar querendo fazer negócios com a sua família. Você provavelmente vai se casar com o príncipe herdeiro. – disse Kim Lip.

- Aah! Que bom para você Vivi! Você já tem um noivo decidido. Eu ainda vou ter que escolher, isso vai ser muito difícil! – Chuu disse agindo exageradamente.

Vivi riu da fala e da expressão de sua nova amiga.

- Você ainda não sabe a nossa língua muito bem, não é? Por isso estava tendo problemas de se comunicar com o guarda do porto, certo? – Lip perguntou.

Vivi balançou a cabeça afirmando, timidamente.

- Não se preocupe, nós vamos te ajudar. – Chuu disse com um sorriso.

E assim as três princesas caminharam alegremente até o palácio, conversando e rindo. Enquanto seus servos se perguntavam porque elas não haviam subido em seus cavalos para chegarem mais rapidamente no palácio.

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New estava ao lado de Olivia Hye, assim como ele estivera naquelas últimas duas semanas.

O ferimento dela já estava quase 100% curado, e ela estava fora de risco segundo o médico real. Mas ela ainda não havia acordado, o que deixava New muito preocupado. Ele olhava para o rosto dela completamente hipnotizado e....

- New?

- Hã? Younghoon hyungnim?

Seu irmão estava encostado na parede do quarto.

- Papai está nos chamando. Vamos para a sala do trono.

New apenas concordou, e saiu do quarto junto de Younghoon.

Assim que eles saíram, Olivia mexeu sua mão e seus dedos, e abriu os olhos, piscou algumas vezes e ficou olhando ao redor. Se sentou na cama e olhou para seu corpo, seus braços, até encontrar a tatuagem em seu pulso. Um lobo uivou ao longe. E ela se levantou, pronta para sair do quarto. Ela não sabia porquê mas precisava encontrar uma filha do sol. Mesmo que ela também não soubesse o que isso significava.

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- Onde está o Eric?

O rei olhou para os seus filhos, que estavam um ao lado do outro em ordem do 1º príncipe ao 11º príncipe.

Até mesmo Hwall estava ali! Onde estava o príncipe mais novo?

- Ele deve estar aprontando uma por aí. – Juyeon sorriu.

- Sunwoo meu filho, onde está o seu irmão?

- Eu não o vi, papai.

- Bom, já que vocês estão aqui irei dizer o que preciso, outra hora falo com o seu irmão.

O rei começou a tossir.

- Você está bem pai? – Jacob perguntou preocupado.

- Sim estou ótimo.

- Papai, se o senhor está doente precisamos comunicar o médico real e.... – Hyunjae foi interrompido.

- Não é sobre isso que vim falar. É um assunto muito importante do qual já comuniquei o irmão mais velho de vocês.

Todos olharam para Sangyeon, que parecia desconfortável, ele sabia o que estava por vir. E então voltaram seus olhares para o rei.

- Do que se trata pai? – Younghoon perguntou.

- Eu decidi que está na hora, de um casamento...

- Uou! Parabéns Sangyeon hyungnim! Você vai se casar! – Q disse empolgado.

E assim todos começaram a parabenizar o irmão mais velho.

O rei pigarreou, chamando a atenção de seus filhos.

- Não apenas Sangyeon vai se casar, como todos vocês.

- O QUE?!?!

Era isso que o príncipe herdeiro esperava que acontecesse, primeiro o choque e depois a algazarra. Seus irmãos começaram a falar ao mesmo tempo e a gritar os motivos pelos quais não deviam se casar naquele momento. Os mais ativos nessa gritaria eram Juyeon e Hwall. Kevin e Jacob eram os únicos calados, eles pareciam aceitar bem essa decisão do pai, na verdade Kevin parecia feliz! O que ele estava pensando?

- JÁ CHEGA DESSA BAGUNÇA!!! – o rei gritou.

Ele olhou no olho de cada um de seus filhos. E fez um gesto para um dos servos abrirem a porta da sala do trono.

- Vocês farão isso, querendo ou não. Entrem!

Os onze príncipes se viraram para a porta que se abria. Na sala do trono entraram sete garotas:

Heejin que tinha seu olhar fixo em Juyeon.

Hyunjin que segurava uma espada em uma das mãos, com cara de poucos amigos.

GoWon que olhava para cada um dos príncipes e parando seu olhar em Sunwoo que olhava diretamente para ela.

Vivi que sorria timidamente.

Kim Lip que estava irritada com aquele plano ridículo do rei, de fazer os príncipes escolherem entre elas como se escolhessem uma roupa.

Chuu que quase desmaiou quando viu aquelas onze maravilhas do mundo na sua frente.

E por último uma Choerry, agora vestida com as roupas daquela época, que olhava para os lados confusa, se perguntando como cada vez mais ela se metia nas confusões daquela época.

O rei se aproximou de seus filhos.

- Não me importa com quem vão se casar. Apenas tenham isso em mente: vocês irão se casar querendo ou não.

Os príncipes queriam discutir, queriam bater o pé, mas isso não ia funcionar com o seu pai, ele já havia decidido. Eles tinham que achar outro jeito. Alguns deles que eram contra o casamento acabaram se reunindo em um canto para bolar um plano para convencer o seu pai de que os irmãos se casarem com aquelas moças era algo impossível de se acontecer.

Enquanto todos estavam com pensamentos conflitantes, Kevin se aproximou de seu pai.

- Meu pai eu já tenho alguém de quem gosto.

- Sério?

O rei gargalhou e disse:

- Estão vendo? É isso que eu quero! Quero vê-los apaixonados! Kevin meu filho, por favor traga ela para que eu possa conhece-la.

- Sim pai.

Kevin feliz saiu correndo até o seu lugar favorito da floresta: o lago. Enquanto o rei caminhava até as sete jovens, que fizeram uma reverência para ele.

- É um prazer finalmente conhece-las. – o rei disse olhando para Chuu, Lip e Vivi. – E também é ótimo que as filhas de meus melhores amigos possam se casar com três de meus filhos. – disse olhando para Heejin, Hyunjin e GoWon. – E eu sei que você acabou de chegar, mas você pode escolher se quer se casar, porém eu adoraria que você se apaixonasse por um deles. – ele disse para a confusa Choerry. – Claro, eu sei que meus filhos não vão tomar qualquer iniciativa, por isso que eu espero que vocês tomem a iniciativa e se apaixonem livremente e se casem com a pessoa que vocês realmente gostem.

As jovens sorriram e agradeceram o rei que saiu da sala, deixando as sete garotas e os onze príncipes sozinhos.

New estava escutando o plano de seus irmãos, até seus olhos repararem que alguém estava parado perto da porta da sala do trono. E ele paralisou. E começou a caminhar naquela direção, ele não escutava mais o que seus irmãos falavam. E quando chegou em frente da pessoa que estava parada na porta, como se estivesse hipnotizado ele estendeu a mão e tocou no rosto dela.

- Olivia Hye.

Ela olhou nos olhos dele e disse.

- Estou com fome.

New riu.

- O que você quer comer?

- Carne.

E então do choque de ver Olivia acordada depois de cuidar dela por duas semanas, ele foi a dor, porque a garota mordeu a sua mão que estava estendida e que tocava o rosto dela. Ele gritou de dor, e ela parou de morde-lo.

- Ai!

- Desculpe.

- Você realmente está com fome, hein? Bem, vamos até a cozinha.

Ele pegou a mão dela e a guiou até a cozinha real, tentando ignorar a marca da mordida dela em sua mão. Parecia que algum tipo de animal selvagem havia mordido ele e não uma garota.

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- Pois eu acho que você não consegue.

- Como você ousa duvidar de mim? Eu sou sua majestade.

- Não, você não é. Você é apenas o 12º príncipe, e nunca vai se tornar rei.

Eric encarava aquela garota, que parecia um feijão minúsculo, com a qual ele havia esbarrado a algum tempo atrás e tinha tido um tipo de afinidade instantânea com ela. Aquela camponesa chamada Im Yeojin era muito parecida com ele, adorava uma aventura, era muito teimosa e também muito arteira.

- Pois você vai ver!

Eles estavam na floresta olhando para a árvore mais alta de lá. Era assim que eles estavam passando aquele dia, apostando e se aventurando em coisas novas.

Eric começou a subir enquanto Yeojin o olhava duvidando que ele conseguisse ir até o topo, mas depois de alguns minutos, o príncipe estava lá em cima.

- Viu? Eu consegui! Agora eu quero ver se você...

Ele não conseguiu terminar de falar, Eric se desequilibrou um pouco no galho onde estava por ter se assustado com os insetos que tinham na árvore, e então um pássaro passou voando rente a cabeça dele o desequilibrando mais uma vez, e ele caiu lá do alto. Em cima de Yeojin.

- Aiii!

- Eric você está bem?

- Minha perna, aiii.

- Calma, vai ficar tudo bem, vamos.

Eric gemia de dor, imediatamente Yeojin o tirou de cima dela, ajudou ele a se levantar colocou o braço dele em volta de seu ombro e o levou em direção a cidade.

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- Você quer me levar até o palácio?

- Meu pai quer te conhecer. Você vai vir, certo?

Kevin estava muito animado em finalmente mostrar para seu pai a garota por quem estava apaixonado, e ele também queria aproveitar o desespero de seu pai, que queria que seus filhos se casassem logo, para enfim se declarar, afinal ela gostava dele também certo?

Yves por outro lado estava confusa. Já fazia duas semanas que havia conhecido mais sobre o príncipe escritor e que tinha se tornado amiga dele. Seus momentos juntos as margens do lago da floresta eram incríveis e ela gostava muito dele, e seu coração batia acelerado por ele. Só que isso era o problema. Coração. Ela não devia ter um. E o pior, Olivia Hye havia sumido. Yves não tinha com quem conversar e não sabia o que fazer.

- Sim eu vou.

Mas ela também não conseguia dizer não. Kevin sorriu, pegou a mão de Yves e saiu correndo a levando em direção ao palácio.

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- Yeojin!

Haseul olhava desesperada para ela e para o jovem príncipe em seus braços.

- O que vocês fizeram? Onde vocês estavam?

- Unnie, me ajude a levar ele até o palácio.

Haseul sentiu um nó na garganta. Ir até o palácio. Não, ela não faria isso. Mas então Eric gemeu de dor, ela queria ter ignorado, mas não podia. Haseul então começou a ajudar Yeojin a carregar Eric, e foram em direção ao palácio.

Ao chegar lá, os guardas que vigiavam os portões do palácio se assustaram com o príncipe machucado e imediatamente dois deles o tiraram dos braços das meninas e outros dois agarraram elas pelas mãos e começaram a arrasta-las para dentro. Enquanto elas gritavam pedindo para que fossem soltas.

- Só após vocês falarem o que aconteceu para o rei.

- Ei! Eric, fala para eles que nós não fizemos nada. – Yeojin gritou.

Mas o príncipe não iria responder ele já havia desmaiado.

E enquanto essa comoção acontecia na frente do palácio e as meninas eram arrastadas para dentro. Uma moça mascarada, pulava os muros do palácio, mas ela nunca foi muito sortuda e sempre foi muito desastrada. Além de cair um tombo ao pular para o outro lado, ela deu de cara com um guarda. Realmente, Jinsoul era muito azarada.

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Aquele parecia ser mais um dia muito agitado no palácio. E o rei estava começando a se estressar.

De um lado estavam alguns de seus filhos reclamando sobre o casamento, do outro, algumas garotas reclamando sobre o fato de eles não quererem se casar. E como se não bastasse, um guarda havia acabado de chegar com uma intrusa, e mais guardas haviam chegado com o 12º príncipe nos braços e com duas jovens a tiracolo, alegando que elas haviam feito mal a Eric. Pelo menos isso distraiu os príncipes que reclamavam, já que eles começaram a se preocupar com o irmão mais novo.

- Majestade minha unnie não fez nada. Eu admito toda a culpa. Nós estávamos na floresta e eu o pressionei a subir na árvore mais alta, mesmo sabendo que isso poderia machuca-lo. Ele se machucou por minha culpa. – Yeojin disse aos prantos – Por favor poupe a minha unnie.

Yeojin não conseguia parar de chorar algo a assustava no fato de estar em um palácio e ser arrastada por guardas e ela também estava preocupada com Eric. Haseul estava abraçando a mais nova tentando consola-la. O rei percebendo o medo da jovem pediu para que os guardas fossem embora, a situação estava sob controle, e mandou que levassem Eric até o médico real.

Sangyeon olhava para Haseul, ela tinha novamente aquele olhar afiado, mas agora com um pouco de medo. Por que? Ele se aproximou de seu pai.

- Meu rei, eu acredito que elas não fizeram nada de mal ao meu irmão. Era uma brincadeira de criança e ele se machucou apenas por ser muito teimoso. Poupe-as.

O rei suspirou cansado.

- Compartilho da mesma opinião meu filho. Aliás você parece muito preocupada minha jovem – ele disse olhando para Yeojin – Quando meu filho acordar, você pode ir vê-lo. Não se preocupe nada vai acontecer a você e sua unnie.

Haseul se sentiu agradecida, o rei era mais benevolente do que imaginava. E aquele príncipe, era o mesmo que havia encontrado a alguns dias certo? Ele parecia diferente. Seu olhar bondoso, seu caráter justo e gentil. Ela pensou que Sangyeon seria um grande rei algum dia.

- E quanto a você? – o rei perguntou se dirigindo a Jinsoul.

- Eu a conheço meu pai! – Q gritou e se aproximou dela – Ela é a filha da xamã que me vendeu os amuletos de proteção para Hwall!

- Então aqueles malditos amuletos espalhados pelo meu quarto foi você que os colocou? – Hwall perguntou furioso para o irmão.

- Sim! Por que segundo a xamã você está cercado de maus espíritos.

- O que? – Hwall e o rei disseram juntos.

- Isso não é verdade! – Jinsoul disse em meio a discussão – Meu rei, - ela se ajoelhou em frente ao rei – Eu tenho um grande poder, seu reinado e seus filhos tem um destino cheio de escuridão, eu vi! Com o meu poder eu posso ajuda-los. Meu rei, por favor me aceite em seu palácio.

- Que tipo de destino? – o rei perguntou.

- O mais horrível de todos, meu rei, deixe-me ajuda-los, por favor.

Ele olhou no fundo dos olhos delas e concordou.

- Se o que está me dizendo é verdade, então seja bem-vinda ao palácio. Mas se estiver mentindo já sabe o que te espera.

Jinsoul sorriu e agradeceu fazendo uma reverência ao rei.

- Não irá se arrepender majestade.

- Pai aqui estou eu, essa é a garota que queria lhe apresentar.

De um lado, Kevin tinha acabado de chegar em meio àquela confusão, juntamente com Yves.

- Pai a Olivia finalmente acordou, mas ela me disse que não se lembra de nada e nem o que estava fazendo aquele dia, naquela hora lá na floresta.

Do outro lado, estava New com Olivia Hye que comia com as mãos um pedaço de carne, sem quaisquer modos ou etiqueta. Deixando algumas das meninas na cena em questão com nojinho.

O rei olhava para seus filhos e as jovens senhoritas com atenção e sorrindo, muito satisfeito. Parecia que logo, logo poderia ver todos os seus filhos casados dado o andar da carruagem, parecia que o universo estava contribuindo para que seu desejo finalmente se realizasse. Será?

Juyeon ainda protestava sobre o casamento, enquanto Heejin olhava para ele. GoWon e Sunwoo conversavam tranquilamente, mas o rei podia ver no olhar da garota que ela planejava algo. Younghoon olhava para Hyunjin que estava treinando o manejo com a espada em um canto, sem se importar com o que acontecia ao seu redor. Vivi ajudava Haseul e Yeojin a se acalmarem enquanto Hyunjae traduzia o que Vivi falava para as garotas e Sangyeon olhava atentamente Haseul. Kim Lip revirava os olhos para a conversa de Chuu com Jacob que sorria para as duas irmãs, enquanto isso Haknyeon olhava para Chuu pensando que a princesa parecia se apaixonar por qualquer coisa, até mesmo por uma árvore! Q conversava animadamente sobre coisas místicas com Jinsoul e Choerry fazia perguntas para a garota tentando achar nas entrelinhas respostas para voltar para casa, enquanto Hwall olhava desconfiado para ela. Kevin falava sobre como havia conhecido Yves para New. Enquanto isso Yves encarava Olivia Hye que nem se importou com ela e continuava comendo a sua carne, ela realmente parecia estar sem memórias e imediatamente ela lembrou a última conversa que tinham tido.

“Está começando! ” Pensou Yves.


Notas Finais


Espero que tenham gostado e até mais!


Leiam a introdução do projeto: https://www.spiritfanfiction.com/jornais/novo-projeto--queendom-and-kingdom-19620631

Coisinhas que os leitores precisam saber:
- Estamos na era Joseon pessoal! Pesquisem que vocês irão entender do que estou falando.
- Xamã é uma espécie de bruxa!
- A planta/estrutura de um castelo na era Joseon era mais ou menos assim: https://imgur.com/XQpvXMp, não é como os castelos normais da Disney, existiam muitas mini casas, corredores, jardins e etc.
- Hanbok era o tipo de roupa que usavam: https://imgur.com/aUunJfS
- Hanji é uma espécie de papel usado na época.
- Kisaeng: são artistas femininas coreanas que trabalham para entreter os homens. E elas viviam nessas em Casas de Kisaeng. (Eu sei o que isso parece, mas se vocês pesquisarem mais sobre o assunto, vão ver que é algo bem diferente).
- Hyungnim é a mesma coisa que Hyung, que significa Irmão mais velho.
- Yang, era a moeda da época.


Capa maravilhosa feita pelo: @Project_MaLu
Desing por: @Apple_Boy


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