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História Queening - Capítulo 1


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Notas do Autor


Feliz aniversário, Juliana S2

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Queening - Capítulo 1 - Prólogo

Mal costumava passar a manhã inteira nos bosques de Asfos. Por mais que o sol mudasse sua posição lá fora, ela não notava a diferença. As árvores eram próximas e não era possível distinguir onde a copa de uma terminava de onde a de outra começava. No coração daquela floresta de carvalhos acinzentados e arbustos densos, Mal se sentia acolhida e, ao mesmo tempo, intimidada. Ao somar a escuridão natural daquele lugar com o clima sempre nublado da ilha de Hades, o resultado era um estado de noite eterna que causava calafrios na maior parte das pessoas. Menos em Mal.

Mesmo frequentando a região com frequência diária desde a infância, a garota não conseguia evitar os sentimentos de incompreensão e deslumbramento. Ela era consciente de duas coisas: primeiro, não precisava esconder seu verdadeiro eu quando estava no interior do bosque e, segundo, nas sombras aconteciam eventos estranhos.

Naquele lugar, Mal despertou sua magia pela primeira vez, aos 13 anos, quando foi perseguida por uma estranha figura disforme. Naquele dia, enquanto procurava frutas silvestres para levar para seus pais adotivos, a garota viu pela visão periférica algo preto como piche e com o dobro do seu tamanho se aproximar com passos lentos e cautelosos. Em um ímpeto repentino para salvar sua vida, ela correu desesperadamente para se distanciar da criatura, mas o ser sempre estava no seu encalço. Após quase metade de hora, quando já estava ciente que iria desmaiar de tanto correr, a garota sentiu um calor irradiar de suas mãos. Em seguida, uma explosão de chamas roxas irrompeu de maneira furiosa e, então, não havia mais nenhum vestígio do ser sombrio e sem forma que a perseguia — nada, além do cheiro forte de algo podre e queimado.

No entanto, a garota não conseguia evitar o seu retorno para aqueles bosques. Diariamente, ela saía do chalé no qual morava com os camponeses que a adotaram e andava alguns quilômetros até chegar nos primeiros carvalhos. Uma vez ali, Mal se dirigia silenciosa para a beira de um lago de águas claras para ler o livro que sua mãe havia deixado com ela quando a abandonou. Até os treze anos, Mal achava que aquilo era um caderno, por suas folhas estarem completamente em branco. Mas, após o incidente com a estranha criatura, palavras em uma língua desconhecida passaram a ocupar as páginas do livro.

Quando ia aos bosques de Asfos, Mal nunca esquecia do pequeno livreto, que comprovou ser um livro de magia. Aquela era sua arma, sua proteção. Ao mesmo tempo que era uma dádiva, era também um peso, pois representava a prova irrefutável que Malévola era mesmo sua mãe.

Por nunca ter tido pais presentes, ela via na estranha e acolhedora floresta sombria, uma figura materna. Sua mãe, Malévola, era mantida presa em um dos níveis mais profundos da prisão subterrânea de Asfódelos. Malévola era nitidamente a vilã mais perversa que assolou Auradon. Sua maldade era tamanha que atraiu a atenção do próprio Hades, por quem Malévola nutria uma admiração especial. Juntos, eles construíram seu próprio império de trevas. Não havia ninguém nas sete ilhas que ousasse desafiá-los. Só que, como todo império, esse também ruiu.

Na época, o rei Fera controlava apenas a ilha de Auradon. Mas, ao ver o sofrimento do povo das seis outras, o rei se uniu às autoridades dessas ilhas na Primeira Conferência de Combate às Forças Sombrias. Nessa reunião, todos juraram fidelidade ao Fera e prometeram entregar seu exército ao serviço do líder de Auradon.

Em poucos meses, milhares de homens já estavam treinados e dispostos a morrer lutando para derrotar Malévola e Hades. Um combate longo e sangrento foi travado na ilha de Asfódelos, porém a paz pôde voltar a reinar quando o casal tirano foi finalmente derrotado.

Como resposta à maldade dos dois, Fera transformou Asfódelos em uma ilha prisão, construindo um sofisticado sistema de segurança no subterrâneo para manter trancafiada a escória mais maléfica do reino das sete ilhas. O rei também, para hierarquizar o arquipélago e centralizar o poder, insituiu um patronato. Nesse novo sistema, cada ilha passou a ter um deus patrono, de acordo com alguma característica histórica, populacional ou geográfica.

Mal nasceu um pouco antes do desfecho da guerra. Ao saber do poderoso exército do rei, Malévola soube da derrota iminente e, então, deixou a garota ainda bebê em um cesto de palha elegantemente trançado para que fosse encontrada e criada por camponeses.

O casal que encontrou a criança cuidou dela gentilmente até os 13 anos, quando Mal descobriu seus poderes e os revelou para os pais de criação.

A partir dali, eles souberam que aquela era a filha perdida da Malévola. Mas, para que o guardas não prendessem a garota por ser uma ameaça, os dois juraram nunca mencionar a existência de poderes a ninguém. Mesmo com esse detalhe devidamente guardado, Mal continuava sendo a filha da Malévola, porque o motivo da saída da garota havia se espalhado e confirmado a suspeita de todos da ilha. Porém, ela era ignorada na maior parte do tempo, por se manter quieta e por, aparentemte, não ter nenhum poder.

O dia em que o casal de velhos camponeses gentilmente pediu para que ela fosse embora pela segurança deles e dela marcou o início da autonomia de Mal, de sua batalha por sobrevivência. Daquele momento em diante, a garota passou a cuidar de si mesma, morando sozinha em um chalé que encontrou abandonado na periferia da pequena cidade no litoral de Asfos.

Conforme crescia, a jovem ia diariamente à floresta para treinar magia e encontrar sossego. Ela passava toda a manhã dos seus dias ali, na natureza selvagem e implacável. Ao sentar na beira do lago, Mal se sentia reconfortada, mas, ali, tudo devia ser feito com extrema cautela, porque a ameaça de criaturas sombrias era real e constante.

Só que uma cartada do destino tinha bem mais poder que todas aquelas criaturas.



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