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História Queening - Capítulo 4


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Capítulo 4 - - Fúria, Vestidos e Torta de Morango


Fanfic / Fanfiction Queening - Capítulo 4 - - Fúria, Vestidos e Torta de Morango

Você pode ouvir as batidas do meu coração?
– History Maker

Mal da ilha de Hades? Você está bem? — Uma voz feminina chamou Mal em seu torpor de fúria. Estava de pé no corredor das acomodações. Sua conversa com a garota de cabelos cacheados a fez ficar paralisada na frente da porta com a placa que indicava Morféia, a ilha de Hipnos. Mal estava ali, mas seus pensamentos não estavam presentes.

Ela divagava sobre a conversa, repassando-a em sua cabeça, mas, dessa vez, conseguindo responder a garota à altura. Imaginava-se se impondo diante da jovem da ilha beta.

— Senhorita? — Outra voz a chamou no fim do corredor.

Mal finalmente voltou à realidade, percebendo que estava em uma postura rígida com a garganta aperta e os punhos cerrados. Ela abriu as mãos e inspirou fundo. Não podia deixar-se derrubar tão imediatamente.

Virou-se na direção das vozes femininas que a chamavam. Vinham do seu quarto. Ao olhar naquela direção viu duas cabeças surgirem em uma festa da porta semiaberta.

— Você é Mal, da ilha ômega? — Uma mulher de pele pálida e cabelos negros presos em um coque perguntou em tom de dúvida.

— Sim — Mal respondeu com uma voz engasgada. Não percebera que ainda não conseguia falar direito devido ao acesso recente de fúria — Sou eu — Ela reiterou após limpar a garganta.

— Senhorita precisamos prepará-la para o jantar. Estamos atrasadas, rápido — A outra mulher, essa uma jovem de cabelos castanhos e um bronzeado saudável, falou num tom apressado.

Antes de terminar sua fala, ela atravessou o corredor em agilmente, pegou Mal pelo pulso e a puxou. Ao ser arrastada, a garota ficou atônita, mas não resistiu. Foi conduzida bruscamente até a porta do seu quarto. Ao atravessar a abertura, Mal percebeu que o rosto da outra mulher empalidecera.

A mulher de cabelos pretos, mais madura, continuava pálida e muda quando fechou a porta com uma batida. Ao se virar, um rubor rosa assumiu sua face e ela foi até a outra.

— Mary, o que estava fazendo? — Ela se aproximou da jovem de cabelos castanhos e perguntou num tom ríspido e baixo — Isso são modos de uma criada? Não repita isso, jamais. Essa não é a forma de tratar a senhorita. Se a vissem assim, não exitariam em lhe redirencionarem aos trabalhos no estábulo.

Mal percebeu a surpresa nas feições da garota, que encarou-a atônita. A jovem desviou o olhar do rosto de Mal e se recompôs.

— Perdão senhorita Jennie, não irá voltar a acontecer — Ela falou curvando-se em uma reverência enquanto levantava levemente a saia do vestido desbotado. Ela repetiu o mesmo gesto para Mal.

— Certo, tudo bem, tudo bem — Jennie falou agitando a mão direita no ar como se dissesse "agora esqueça isso" — Desculpe a falta de cortesia da Mary, senhorita, ela ainda está aprendendo a se portar corretamente no cargo — Falou voltada para Mal e, ao final, curvou-se em uma reverência educada.

— Não, a culpa é minha. Eu estava lá parada no corredor, não estava nesse mundo. Devia ter ouvido vocês antes — Mal falou, tentando soar descontraída.

Não sabia o que Jennie e Mary tinham que a atraiu tanto, mas, ainda assim, sentiu nelas algo acolhedor, genuíno. Talvez fosse a naturalidade com a qual as duas se tratavam ou como nenhuma a encarou da cabeça aos pés para uma análise crítica. Isso fazia com que Mal se sentisse menos deslocada ali.

— Certo, agora precisamos nos apressar — Jennie bateu palmas levemente duas vezes para chamar a atenção das garotas.

— Você não precisa fazer isso, não estamos na cozinha, só há nós três aqui — Mary afirmou, interrompendo a mais velha.

— Mary, não me interrompa — Jennie repreendeu a mais nova e se encaminhou ao lado oposto do quarto, onde havia um grande guarda-roupa. Mal não conseguiu reter um sorriso quando Mary, discretamente, revirou os olhos após Jennie se virar.

— Certo, essas são nossas opções — Jennie falou firme enquanto abria o guarda-roupa de madeira nobre que ficava no canto direito do quarto, após uma ampla janela de vidro que se estendia do chão ao teto.

Antes de pegar qualquer um dos belos vestidos ali pendurados em cabides, Jennie se virou pra Mal.

— A senhorita trouxe alguma roupa? Algum objeto pessoal ou produto de beleza?

Mal ergueu o saco que segurava com a mão esquerda e sentiu-se envergonhada por ter trazido tão pouca coisa. Encarou o chão, sem vontade de olhar para Jennie à sua frente ou para Mary, que atravessara o cômodo e estava de pé ao lado de Jennie.

— Querida, nos mostre o que há com você — Jennie falou apressada com a testa franzida, esperando que Mal fosse mais rápida.

Mal ficou surpresa com a reação da mulher. Não sentiu nenhum julgamento em sua voz ou em seu olhar. Rapidamente, ela tirou uma calça velha azul e duas blusas do fundo do saco de pano.

— Hmm, isso é o que tenho — Mal falou envergonhada forçando um sorriso — Ah! Também tenho isso — Ela colocou a mão no saco até o cotovelo para pegar um pequeno vidrinho que trouxera consigo do barco.

— Creio que podemos nos desfazer dessas roupas, já que vamos lhe dar peças totalmente novas. Belos vestidos! Vamos fazer de você uma lady! — Jennie falou em uma tom empolgado enquanto ia até Mal para pegar as roupas da mão da garota.

Um amplo espaço separava a porta de entrada do quarto e o guarda-roupa. Ocupando-o havia uma penteadadeira branca com um espelho oval e uma bela cama de casal com lençóis de tons claros. Ao vasculhar o quarto com o olhar, Mal também viu um espelho que ia do chão ao teto no lado oposto ao da janela. Na paredes, ela viu as mesmas videiras que havia no corredor, dessa vez em tons de roxo e esmeralda.

Jennie pegou as roupas e colocou-as debaixo do braço. No encalço da mulher veio Mary que educadamente pegou o vidrinho da mão de Mal. Ela o abriu e, em seguida, o cheirou.

— Nossa, é uma ótima frangância — Mary falou — mas você não o usou? — Ela encarou os os braços ressecados de Mal.

— Claro, veja só meu cabelo — Mal pegou uma mecha para mostrar como ele estava hidratado.

Mary colocou a mão na boca e soltou uma risadinha.

— Err, desculpe — Ela olhou para Mal rindo com o olhar — Mas aqui há hidratante de pele.

— De... pele...? — Mal sentiu o rubor se espalhar pelo seu rosto — Ah, minha nossa.

Mary não conseguiu mais se conter e soltou uma gargalhada alta. Mal, estimulada pela risada da jovem, também desatou a rir. Até mesmo Jennie soltou uma risadinha da situação.

— Meninas, meninas, vamos voltar. Estamos atrasadas — Jennie falou em voz alta após as risadas gradativamente se reduzirem — Precisamos ser rápidas! Temos duas horas para preparar a senhorita Mal. Mary, a leve até o banheiro e a oriente com os produtos. Senhoria, tome um banho eficiente o mais rápido possível. A mim cabe preparar o vestido e os devidos acessórios.

Então tudo finalmente foi colocado nos trilhos. Rapidamente, Mal foi acompanhada até o banheiro por Mary, onde aprendeu os devidos usos de todos aqueles potes, vidros e garrafas. Logo em seguida, Mal foi deixada sozinha para tomar banho na grande banheira com água quente. Uma vez ali, a garota afundou no líquido e em seus próprios pensamentos.

Mal sentiu-se estranha no vestido volumoso roxo que estava usando. Ela se sentia bonita, mas não estava acostumada com aqueles trajes. Por si só, o vestido era deslumbrante e combinava com os os cabelos e olhos de Mal. Era roxo e com minúsculas pedras de esmeralda distribuídas na parte final da saia. Tudo era perfeito. O modelo com mangas curtas caídas e uma camada de babados macios de um roxo quase transparente. Também o corte e as medidas serviam exatamente nela. Foi preciso fazer apenas um pequeno ajuste na cintura para estar, enfim, finalizado.

Mal se sentia estranha naquele vestido, mas ao mesmo tempo estava feliz por estar usando-o. Era algo totalmente novo.

Mary estava terminando de fazer cachos abertos nos cabelos de Mal. Ela fazia com cuidado e precisão, demonstrando técnica.

— Seus cabelos são lindos — Mary falou encarando as madeixas — Se me permite dizer — Ela acrescentou.

— Ah, obrigado — Mal agradeceu meio envergonhada.

— Eu amei a cor dele. Roxo. Como você tingiu?

— Ah, não, não. É natural.

Mary ficou surpresa e continuou olhando atenta os cabelos de Mal.

— Pronto, acabei — Jennie interrompeu Mary enquanto se levantava. Tinha finalmente encontrado e colocado em Mal um par de sapatilhas com um salto quase imperceptível. Havia tentado oferecer sandálias com saltos agulha para a garota, mas a experiência de andar com eles pela primeira vez foi quase um desastre.

— Tudo pronto Mary? — Jennie perguntou olhando para os cabelos de Mal perfeitamente modelados.

— Sim, acabei de finalizar — Mary deu um passo para trás e observou o fruto de seu esforço — Maquiagem e cabelo prontos. Acabamos de criar uma estrela.

Mal deu um sorriso envergonhado enquanto ficava de pé para se ver de corpo interio no espelho. Sentia-se alegre, mas continuava com um frio na barriga devido a tantas novidades.

Admirou a garota que viu no reflexo. O vestido tinha se ajustava ao seu corpo e tinha um caimento natural e belo. A maquiagem era leve e apenas ressaltava seus grandes cílios negros e sua boca.

— Agora devo ir para a sala de jantar certo? — Mal perguntou enquanto passava a mão pelo tecido macio da saia volumosa de seu vestido.

— Sim, mas antes espere — Jennie ficou de frente para Mal e tirou uma fina pulseira dourada com um pingente de rubi em forma de coração — Esse é nosso presente para você. Não é uma jóia verdadeira, você tem coisas bem melhores à sua disposição. Mas queremos que aceite.

— É... é lindo! — Mal falou enquanto Jennie colocava a pulseira — Não sei como agradecer. Muito obrigado mesmo, de verdade.

— Ah, querida, não é nada — Jennie falou meio encabulada — Agora você precisa ir. Um guarda já te espera na porta. Ele irá te conduzir até a sala de jantar.

— Certo — Mal falou enquanto se dirigia até a saída. Ao abrí-la, viu o mesmo soldado que a conduziu mais cedo a esperando.

Ele a encarou com um olhar surpreso e fez uma mesura.

— Senhorita, permita-me acompanhá-la — Ele estedeu o braço pra que ela o pegasse e eles seguissem juntos.

Mal o encarou sem fazer nada até que o guarda finalmente começou a andar sozinho em um passo lento

— Siga-me.

Ela o acompanhou um pouco atrás até a porta que usara para entrar no corredor das acomodações mais cedo. Antes de fechar a porta Mal escutou um grito vindo de seu quarto.

— Boa sorte! — Mary falou para que Mal a ouvísse.

Mal encarou a porta da sala de jantar. Era de uma madeira clara com algumas pedras preciosas encrustadas. Ela respirou fundo até que o guarda abriu a porta para ela.

Mal entrou na sala de jantar com um passo lento e de cabeça baixa. Todos já estavam ali. O Rei, a Rainha, O Príncipe e as outras cinco selecionadas. Todos já ocupavam suas devidas cadeiras e, aparentemente, a esperavam para servir o jantar.

A chegada de Mal interrompeu a conversa que se seguia ali. Em um ato rápido, ela baixou a cabeça e se dirigiu à seu assento. Era uma cadeira acolchoada e confortável. Ao sentar, engueu o olhos para os outros na mesa, sussurrando um quase inaudível "boa noite". Ao varrer a mesa com o olhar, ela viu que, de perto do rei, o príncipe Ben a encarava.

— Quem bom que chegou — Ele falou com um sorriso honesto — Teremos torta de morango.



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