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História Quem dera ser um peixe - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


antes de começarem a leitura, preciso dar alguns recados e é de extrema importância que não ignorem isso!

1º: essa fanfic é minha (@agustrdk) em parceria com a isadora (@stigxma). todos os créditos são reservados a nós duas pela obra.

2º: é uma shortfic, onde vai conter 11 capítulos e 1 bônus. a história já está terminada e postaremos todos os sábados até o seu final.

3º: o jimin é um menino trans gay e jungkook um menino cis bissexual.

4º: a história vai conter cenas de transfobia, bifobia e bullying, carregando diálogos ofensivos. quem se sentir desconfortável com isso, por favor não leia.

5º: desde já, nos desculpamos se houver algum erro tanto em pesquisas quanto em gramática, estamos sujeitas a isso.

6º: e, finalmente, obrigada por se interessarem por nossa obra. espero que aproveitem a leitura!

podem mergulhar.

Capítulo 1 - Time de natação


Mesmo que tentasse não pensar nisso, Jungkook não conseguia deixar de achar que se tivesse ficado calado, nada disso estaria acontecendo.

Não calado para sempre mas, pelo menos, ter esperado até ter terminado o ensino médio para se assumir aos pais. A mãe dizia que nada disso tinha a ver com a mudança de escola, mas o filho sentia que ela mentia. E agora, ele tinha que caminhar por corredores desconhecidos enquanto toda a comunicação com seus amigos estava presa no celular em seu bolso da calça.

Não que Jeon tivesse muitos amigos, mas tinha alguns e nenhum deles estava com ele.

— Vai para a Ung-Yong? Sabe quantos atletas gostosos deve ter por lá? Você é um sortudo fodido, óbvio que vamos te visitar. — foi o que Yoongi falou quando soube.

A escola era conhecida por formar inúmeros atletas. Haviam muitos esportes sendo praticados lá, e pelo menos dois tipos ganhavam prêmios todos os anos, o que o deixava muito nervoso pois imaginava caras maiores que seus 1,77 de altura. O máximo de contato com o atletismo que Jungkook tinha era uma vez por semana na academia, o que não contava muito pois ele tinha muitas faltas, às vezes, até se esquecia de pagar. Eles iriam esmagá-lo.

Andando pelos corredores estreitos sentia suas pernas praticamente cederem, as mãos estavam firmes nas alças da mochila em suas costas para disfarçar a possível tremedeira. Sentia que estava exagerando, mas era a primeira vez que trocava de escola desde o ensino fundamental. Todos por quem passava pareciam o julgar de cima a baixo e saber exatamente o motivo pelo qual estava ali, e aquilo o aterrorizava.

Há uma semana atrás sua mãe o fizera memorizar todas as aulas do primeiro dia, o que não significava que ele soubesse onde eram as salas e ele definitivamente não estava disposto a falar com qualquer atleta metidinho que podia o intimidar com um mísero olhar, então o plano era procurar até achar. Não era um bom plano, mas era o que tinha no momento.

Enquanto olhava para dentro de todas as portas por onde passava sentiu o celular vibrar no bolso. Era uma mensagem de sua mãe: "Amor, não esqueça de se inscrever em algum time! Eu e seu pai estamos ansiosos. Te amo." revirou os olhos e a respondeu rapidamente com um "ok, te amo". Não iria discutir por mensagens com a mãe e já nem adiantava mais tentar fazê-la mudar de ideia.

Mesmo que ele odiasse esportes desde que se entendia por gente, os pais passaram a o pressionar a fazer qualquer coisa que o distanciasse do grande mundo LGBT desde que se assumiu. Claro, porque fazia total sentido o colocar em um lugar cheio de homens suados, que não se importavam nem um pouco em ficar nu na frente dele, para o fazer gostar menos de homens.

— Na verdade eu sou bissexual, pai. Não gosto só de meninos. — na noite em que se assumiu, tentou explicar. Mas parece que na conversa "gosto de garotas e garotos", eles ouviram apenas a parte dos garotos.

— Então, gostar de garotos não te faz gay? — perguntou o pai, seriamente. Era, realmente, uma pergunta séria.

— Apenas se eu gostasse só de garotos. Eu sou bi.

O casal ficou em silêncio, se entreolhando por alguns minutos até sua mãe olhar para o filho e sorrir.

— Tudo bem filho, não temos problemas com isso. Gostar de garotas deve te tornar o homem da relação, né? — ela riu. Realmente riu. E Jungkook fingiu que não escutou.

Gostava de pintos, mas não se sentia à vontade em ver tantos expostos por seus donos sem vergonha. E era exatamente isso que acontecia em vestiários masculinos. Isso era algo que Yoongi gostaria, mas ele nunca foi influenciado por seu amigo. Ser atleta da Ung-Yong tinha tantos pontos negativos para si.

Não era uma real surpresa que Jungkook não iria participar de time nenhum.

Quando finalmente encontrou a sala, sentiu que somente agora seu ano letivo havia começado. Isso o assustou um pouco, no entanto seus colegas não foram tão ruins assim. Ele tinha razão, tinham muitos caras gigantes, mas também pessoas do seu mesmo porte físico. Uma garota de cabelos curtos, que sentou ao seu lado, sorriu para ele, então seu nervosismo quase foi embora.

As aulas estavam deixando-o com a mente ocupada o suficiente para que não pensasse muito sobre desconhecidos por toda parte. Ainda assim, sentia seu corpo muito exposto a qualquer tipo de constrangimento. Até caminhar fazia o sentir envergonhado, preferia passar mais tempo sentado.

Ir até o refeitório foi, provavelmente, a parte mais difícil do dia. Comer sozinho em meio a um grande mar de gente conversando o deixava mais ansioso do que jamais estivera e a única companhia que tinha, além de uma lata de lixo a sua esquerda, era seu celular. Passou o dia trocando algumas mensagens de texto com seus amigos em qualquer intervalo que tinha e no almoço até recebeu uma ligação de Namjoon, o que o tranquilizou durante o resto da tarde.

De vez em quando sua mãe vinha a sua cabeça, e mesmo que tentasse esquecer e ignorar era mais forte que si. Podia ver ela falando, sorridente, sobre o quanto queria ver o filho praticando algo, ir em suas competições e torcer por ele como a mamãe coruja que sempre foi. Aquilo o atormentava porque sabia que não queria nada disso. Queria desenhar, não praticar esportes, mas decepcionar seus pais novamente o aterrorizava mais ainda.

Odiava lembrar dos semblantes deles quando dissera que é bissexual. E odiava ter que fingir acreditar na — também falsa — aceitação dos dois.

Numa tentativa de fugir de todas as atividades extracurriculares foi parar nas grandes piscinas cobertas. Entrou no ginásio praticamente vazio, cauteloso para não fazer nenhum barulho e sentou-se nas arquibancadas. Planejava ficar sentado ali rabiscando algo em seu caderno até poder ir para casa e mentir para os pais que estava participando de um time qualquer, mas entrou em pânico quando um grupo de 5 garotos chegaram rindo, acompanhados de um cara (consideravelmente) mais velho.

Jungkook estava na arquibancada mais alta, o que o faria passar despercebido facilmente. Mas não confiou muito quando viu o quão largo eram os ombros de todos. Talvez aquilo ajudasse em aguçar a visão deles, era uma boa teoria.

Percebeu que alguns usavam casacos personalizados. Não foi difícil concluir que eram o time masculino de natação da escola. Tudo bem, se pudesse assisti-los, teria histórias mais convincentes para contar aos pais.

Então, algo captou seu olhar, como uma grande sirene ou um imenso alerta. A cabeça azul de um garoto chamou sua atenção, mesmo que quase o camuflasse pela piscina do mesmo tom dos fios. Ele era baixinho e se escondia bem por entre os corpos dos outros membros do time, mas para Jungkook era quem mais se destacava.

Não só pelo cabelo diferente. O nadador era lindo. Suas pernas eram torneadas, seu tronco fazia uma curva na cintura e, diferente do time, seus ombros não eram tão largos. Houve um momento em que sua mão passou pelos fios, os jogando para trás, o que fez Jungkook querer se matar por ver lábios tão carnudos abaixo do nariz mais adorável que já havia presenciado.

Sentia que podia explodir. Rapidamente sacou seu celular, entrando no aplicativo de mensagens.

JK:
porra de odeio atletas o que
eu definitivamente AMO atletas, por mim eu VIVERIA de atletismo

yoongi:
aposto duas semanas de salário que voce já ta afim de alguém

namj:
essa aposta já é comprada, seu desgraçado

JK:
quero me banhar na mesma água que esse anjo

Jungkook deu mais uma olhada no time, vendo que agora alguns já se preparavam. Seu preferido tomava uma garrafa d'água.

JK:
beber também

yoongi:
primeiro de tudo: que nojo, porco
segundo: fala alguma coisa coerente, caralho

namj:
coerente kkk o jungkook kkk

JK:
BOM, nao fui claro o suficiente mas acabo de ver a porra do homem mais lindo do mundo
e ele é do time de natação
 

namj:
agora faz sentido, adorei as metáforas

JK:
obrigado, reconhecimentos da minha arte são importantes

Levou um susto quando um apito foi soprado. De repente, havia três garotos nos três pódios da piscina. Extremamente concentrados, com os olhos penetrantes na água. Por sorte, um deles era seu garoto.

— A competição é no final ano, quero deixar claro para vocês que ano passado podemos ter levado o terceiro lugar, mas esse ano o primeiro lugar vai ter o nome Ung-Yong, ouviram? — um coral de forte vozes gritaram um sonoro "sim senhor". — Não vou tolerar nenhuma traição de desempenho um dos outros. Somos um time. Trabalhamos juntos para evoluirmos juntos. — mais uma vez, a concordância em conjunto foi ouvida. — Agora, vamos começar.

Jungkook assistiu à grande parte do treino tenso que a qualquer momento alguém pudesse o enxergar e mandá-lo sair dali, mas toda vez que o garoto dos cabelos azuis saia da piscina, impulsionando o corpo para cima com os braços mais fortes do que esperava, seus olhos estreitavam o máximo possível para enxergar melhor e tinha vontade de sair correndo para mais perto.

Certo momento ele começou a desenhar o garoto como um tritão. Quando se deu por conta o treinador havia se despedido de todo time e ele estava novamente sozinho.

Quando chegou em casa cumprimentou os pais e sentou-se na poltrona ao lado do sofá em que estavam sentados. Pegou seu caderno de desenhos da mochila, e foi no tempo em que percebeu que não poderia continuar seu desenho do garoto tritão pois o mesmo não estava mais lá, que surgiu uma enxurrada de perguntas sobre o primeiro dia e qual time ele havia entrado.

Ele se lembrou mais uma vez do garoto. Os cabelos azuis, mostrando o mesmo amor pela água que seu corpo tinha ao nadar. Pensou no seu rosto concentrado, seus olhos afiados e sua postura desafiadora.

— Time de natação. — quando se deu por conta, já tinha falado. — Foi onde entrei. — até os olhos do seu pai brilhavam, com uma expressão de missão cumprida. 


Notas Finais


obrigada por terem lido o primeiro capítulo do nossa bebê. esperamos que tenham gostado o bastante para acompanhar o desenvolvimento dela 🥰
por favor interajam com a fanfic! votem e comentem, nem que seja pra xingar 🥺
até o próximo sábado e lavem às mãos 🦠


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