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História Quem dera ser um peixe - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Artes que machucam


Assim que Jimin fechou a porta um suspiro pesado saiu de seus lábios acompanhado de um gritinho fino e pequenos pulinhos. Estava bobo. 


Sua mãe, escorada no batente da porta da cozinha com os braços cruzados em frente ao 

peito, o olhava com um sorriso travesso. Conhecia o filho melhor do que ninguém e nem era tão difícil assim de deduzir que ele estava caidinho pelo moreno que acabara de ir embora. 


— Apaixonado? — perguntou brincalhona. 


O azulado tomou um susto com a presença da mulher ali. — Não! —  exclamou. — Tchau! 


Ela riu com a situação e Jimin marchou rapidamente para seu quarto, a fim de fugir de qualquer pergunta constrangedora que pudesse receber. 


Deitado na cama, tinha o rosto virado para o aquário e revivia na cabeça os momentos de minutos atrás, causando um revirar estranho no estômago. As famosas borboletas estavam marcando presença e ele não podia deixar de sorrir.


— Jindori… —  murmurou manhoso para sua peixinha que, ironicamente, nadou para o lado onde ele estava, quase como se o entendesse. — Você gostou dele, não é? 


O animal continuou no mesmo lugar. 


—  Eu acho que eu gosto dele. Bastante. — suspirou. — E eu tô com medo. 


Jimin sentou-se na beirada da cama, apoiando os cotovelos nas pernas e a cabeça na palma das mãos, deixando um biquinho se formar nos lábios. — Eu acho que ele é bom. Quer dizer, ele parece tão bonzinho, tão bobinho. — confidenciou os pensamentos à Jinsoul. — E é todo tímido e engraçado… Ele é engraçado comigo e se importa. Você viu? Ele veio aqui hoje só pra ver como eu estava. 


Suspirou.


— Filho?! — chamou a mãe enquanto batia levemente na porta fechada, o interrompendo. — Filho, o seu amigo esqueceu um caderno. 


Jimin se levantou, abrindo a porta e vendo a mulher estender um caderno para ele. Pegou-o, agradecendo e alegando que levaria para ele no outro dia. Não podia faltar às aulas para sempre. 


Quando se deitou na cama, ainda tinha o objeto em mãos e Jungkook em seus pensamentos. Foi inundado por uma curiosidade repentina sobre o conteúdo das folhas, então não se segurou em abrir. 


Assim que viu a primeira página, estava claro que aquele era um caderno de desenhos. E Jimin se impressionou, pois Jungkook nunca havia falado nada sobre saber desenhar e muito menos que tinha tanto talento para isso. Havia traços muito bem feitos de diversos tipos de desenho. Aquarelas soltas e artes a giz, outros coloridos por lápis de cor e alguns sem cor alguma que não fosse o preto do grafite. Por um momento ficou chateado, falava tanto de amar natação mas nunca ouviu dizer o que Jeon Jungkook amava também. 


Foi folheando o caderno grosso até chegar aos desenhos mais recentes, esses ainda não finalizados e então foi com pavor que chegou em um em específico. Era um seu, reconheceu na hora. Um Park Jimin com uma cauda. Uma sereia. 


Franziu o cenho não querendo acreditar naquilo, mesmo assim caminhou até sua mochila, onde sabia que estava a folha que tinha esquecido de jogar fora. Voltou para os lençóis, comparando ambos os desenhos e levou os dedos até sua boca quando viu que eram idênticos. A única diferença, se dava ao fato de que o do caderno estava quase finalizado. 


Os sentimentos se misturavam em dor e confusão. Aquele desenho foi motivo de piadinhas para o seu lado por dias! Ele alimentou asco por isso, amaldiçoando quem quer que tenha feito aquilo para ajudar no bullying transfóbico do time. Sempre esteve claro para si que a pessoa que havia feito, fazia-o de chacota. E agora, quis não ter descoberto o autor. 


Largou tudo de lado, se enfiando debaixo do cobertor e se concentrando na respiração para não chorar. Só percebeu que havia caído no sono, quando seu celular despertou no outro dia. Desligou o alarme com uma dor de cabeça profunda, vendo que havia algumas mensagens e que sua bateria estava quase no final. 


Levantou-se e foi direto para o banho. O chuveiro despejando aquela água quente nos seus ombros o fazia sentir — um pouco — mais leve e, gradativamente, aliviava a dor de cabeça, mas quando seu cérebro voltava a trabalhar passavam mil pensamentos por segundo por ali, voltando a o deixar tenso. 


Demorou mais tempo do que o normal debaixo da ducha e quase perdeu a hora. Saiu de casa apressado, sem nem tomar café-da-manhã, com seu uniforme um tanto quanto desajeitado, a mochila nas costas e aquele (maldito) caderno surrado dentro. Suas mãos suavam mais do que o normal e seu corpo começava a fazer a mesma coisa, o que o irritou mais do que já estava pois já havia tomado banho e, pior do que estar bravo, é estar bravo e fedendo. 


Sua pernas eram movidas através da mágoa disfarçada de irritação dentro de si, então quando chegou até o prédio de Ung-Yong, elas se tornaram ainda mais ágeis. Assim que dobrou o corredor, viu seu melhor amigo ao lado daquele canalha mentiroso. 


  Ei Jimin! — saudou Taehyung, com um sorriso no rosto, resultado de uma conversa provavelmente agradável que ele não queria nem saber. Mas ao notar a expressão do amigo, seus lábios se fecharam. 


O azulado pegou o pulso de Jungkook, que se surpreendeu ao ser puxado para a sala de aula mais perto deles. Eles não podiam entrar lá, mas Jimin pareceu não ligar para isso. Ao fechar a porta, o moreno se aproximou dele parecendo entender errado sua intenção quando tentou beijar sua bochecha e ganhou um empurrão. 


— Qual é a sua, Jungkook? — bradou furioso apontando o indicador para o peito do maior. — Você é todo carinhoso comigo, faz eu me sentir especial pela primeira vez em tanto tempo, pra quê?


— Como assim, Jimin? — perguntou Jungkook, confuso. — Você sabe que eu gosto de você. Q-Quer dizer, eu achei que soubesse-


— Eu também achei que soubesse, mas parece que eu tava enganado. — o respondeu com os olhos marejados, se forçando a não chorar. Odiava aquela situação mais do que tudo. 


O peito de Jeon sofria um aperto extremamente pesado, latejando cada vez que uma palavra magoada saía da boca do menor. Achou que pararia de respirar quando viu água em seus olhos. 


— Bebê… Pode me explicar o que tá acontecendo? 


A garganta do azulado formou um nó, tornando difícil respondê-lo. 


— Não me chama assim! — a voz saiu num fio. — Eu achei que você fosse diferente… Eu realmente achei que fosse dar certo, mas você esqueceu seu caderninho na minha casa. — passou a mão no rosto impaciente e nervoso. — O que tem de tão engraçado em me desenhar assim? Tudo isso é pra se enturmar com aqueles babacas? 


Respirou fundo mas não deixou nem o moreno se defender, pois assim que ele abriu a boca Jimin retornou a falar. — Você é tão podre quanto eles… Não! Você é pior! 


Aquilo o atingiu em cheio. Desenhar era sua coisa favorita no mundo, saber que isso tinha ofendido o garoto que gostava fazia tudo lhe machucar ainda mais. Ia respondê-lo com mais perguntas, mas o sinal tocou estridente, fazendo Jimin empurrar o caderno contra o peito do maior.


— Tchau, Jeon. — falou duro, saindo da sala antes que a figura fraca de Jungkook pudesse impedir. 


Notas Finais


que tristeza :/ votem e comentem!


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