História Quem disse que a vida é fácil, Lily Evans? - Capítulo 3


Escrita por: e LimaumAzedah

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Alice Longbottom, Emmeline Vance, Euphemia Potter, Lílian Evans, Marlene Mckinnon, Pedro Pettigrew, Remo Lupin, Sirius Black, Tiago Potter
Tags James Potter, Jily, Lilían Evans, Lily Evans, Londres, Marauders, Marlene Mckinnon, Remus Lupin, Sirius Black
Visualizações 64
Palavras 2.078
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Comentários pedindo continuação foram finalmente atendidos. Espero que gostem.

Capítulo 3 - Tente se erguer.


                Mexeu-se incomodada mais uma vez. Aquele armário estava matando-a. Quando pediu para se esconder na casa de Sev, não pensava que ele iria levar a sério a parte do “esconder”. Pois bem, estava sentada, toda encolhida, no guarda-roupa dele há pelo menos seis horas. Aquele ser que ela chamava de amigo foi para escola e deixou-a ali apenas com um pacote de bolacha água e sal que conseguira contrabandear no café da manhã! Sério, nem mesmo uma nutella!

             Puxou um casaco do cabide, e colocou-o atrás de sua cabeça. Tentou dormir, e eventualmente conseguiu. Só não esperava que três horas depois fosse cair no chão quando Karla abrisse o guarda-roupa.

                — Ai — murmurou com a cabeça latejando, e percebeu que estava com as pernas para cima, encarando o teto.

                — Minha nossa! Próxima vez não se encoste à porta e tire uma soneca!— Karla culpou-a enquanto Lílian levantava-se.

                — Ai, Jesa Cristã! Foi mesmo um erro muito grande cochilar de tédio depois que Sev me largou aqui por horas, sem ter nada para fazer! — disse entre dentes pulando na cama do menino, massageando a cabeça. — E falando nisso, para que você disse a elas?

                Severus, sentado na cadeira de sua mesa de estudos, pareceu culpado.

                — Ei! Pegue leve com ele. Somos suas melhores amigas — Mel pediu, encostada na parede.

                — Seus pais foram na escola hoje — Sev começou a se explicar. — Estavam na diretoria para ver se você estava na escola, e sua mãe me viu pelo vidro. Ela veio perguntar se eu sabia onde você estava e eu não consigo mentir muito bem! Karla viu meu desconforto e disse não por mim. Depois eu fui forçado a falar!

                — Puf! — Lílian suspirou diante tamanha fraqueza do menino.

                — Sua mãe estava bem preocupada — Mel falou.

                — Bom que esteja mesmo. Ela quer que eu vá morar com Charles! Em Londres, onde aparentemente ele tem se escondido esse tempo todo.

                — Severus falou. E eu acho que talvez fosse bom para você — Karla sugeriu, sentada ao lado da ruiva.

                — Como seria bom? Sério, agora me explica em que universo eu morando com Charles seria bom?

                — Talvez eu esteja errada, mas seu pai pareceu estar com uma boa condição financeira.  Você iria estudar em uma escola melhor.

                — Isso não compensaria o fato de ter que respirar o mesmo ar que Charles!

                — Talvez não — Karla suspirou. Era tão difícil tentar argumentar com Lílian.

                — Lily, você devia ver isso como uma oportunidade de melhorar de vida — Mel tentou.

                — Melhorar? Só por que eu vivo em um subúrbio? — Lílian pareceu exasperada. — Tem outras maneiras de subir na vida, como trabalhando e estudando. Não sendo dependente de homem. Principalmente quando esse homem é o Charles.

                — Claro que têm, não disse o contrário. Só que sempre tivemos planos de termos e sermos mais do que somos hoje. Você está tendo essa oportunidade agora, no presente, sendo adolescente e não aos 20 ou 30 anos — Mel falou.

                — Não quero viver com Charles, ele me abandonou! Ele não achou que eu era o suficiente para ele, aquele bosta.

                — Mas ele é seu pai — Karla disse.

                — Não, não é!

                — Eu sei que foi uma merda ele ter te largado, mas isso não anula tudo de bom que ele já fez por você nesses outros dezesseis anos da sua vida, não é mesmo? — Mel perguntou.

                — Anula sim. Vocês não entendem. Não foram vocês que tiveram que dormir nos dois primeiros meses ao som das lágrimas de sua mãe. Ou que pedia todas as noites antes de dormir, como uma garotinha ridícula, que Deus o trouxesse de volta porque não sabia por quanto tempo mais conseguiria ser a adulta da casa.

                — E agora você não tem que ser. Deus atendeu suas preces — os olhos de Karla estavam cheios de lágrimas.

                — Não, não atendeu. Eu pedi para ele voltar, não para me levar embora. E mesmo assim, eu não quero mais isso. Eu pensei que se ele voltasse tudo iria ser como antes, mas não seria. Eu percebi que eu não o conheço e que não quero conhecer.

                — Lily...— Mel começou.

                — Por favor, eu prefiro que vocês não se intrometam tanto assim na minha vida — Lily pediu, enxugando os olhos com as costas de uma mão e com a outra apontando para a porta do quarto.       

                Suas amigas se entreolharam e deixaram o recinto sem discutirem.       

                — E você, Sev, quer que eu vá embora também? — olhou para o amigo, que permanecera em silêncio durante toda a discussão.

                — Não acho que suas amigas estão te mandando embora, Lil’s. Acho que todos nós queremos o melhor para você. A verdade é que você vive em um local muito perigoso e está tendo uma oportunidade única. — Sev se ajoelhou de frente para ela e parou para pensar no que diria a seguir: — Eu não quero que você vá.

                — Eu também não quero ir.

                — Mas vou entender caso você decida ir — ele sorriu de lado. — Olha, eu sei que ele não passa de titica de passarinho e que você o odeia. Mas também sei que não vêm sendo fácil aguentar os trampos na sua casa e que você merece ser uma menina de dezesseis anos feliz, o que você não tem sido há muito tempo.

                — Mas eu iria morrer de saudades de todos vocês — Lily segurou a mão de Severus e olhou no fundo dos olhos do menino para confirmar o que dizia. Não queria largar toda a sua vida. Sabia que não tinha quase nada material que a prendesse em New York, mas tinha pessoas.

                Conhecia Severus desde os dez anos. Mel e Karla desde os treze. Sempre foram inseparáveis e agora deveria largar aqueles que ela amava para ir viver com um cara de meia idade que ela não suportava?

                Sev aproximou-se lentamente, olhando fixamente para os lábios de Lílian. Lily sabia o que ele iria fazer, e mesmo estando confusa se queria aquilo, permitiu. Eles trocaram um beijo lento e melancólico. Uma despedida. Um gesto do carinho que ambos sentiam.

                Separaram-se lentamente. Severus estava corado como uma pimenta.

                — Desculpa — disse. — Mas eu amo você e por isso tive que fazer isso antes de você me odiar.

                — Por que eu te odiaria? — ela percebeu o olhar culpado dele. — O que você fez?

                Severus se levantou e olhou para a porta. Cynthia, ladeada por suas amigas, encarava os dois.

[...]

                Focou seu olhar para além da janela do quarto de Severus, de braços cruzados. Tentou contar o número de folhas acumuladas ao redor de uma árvore do outro lado da rua. Qualquer coisa em vez de conversar com sua mãe.

                Todos tinham saído do quarto a pedido de Cynthia, mas isso não queria dizer que Lily iria falar com ela.

                — Lilica — ela usou o apelido de infância, e isso só deixou Lílian com mais raiva. — Por favor, querida!

                Ignorou-a.

                — Vamos conversar... — ela pediu.

                — Um pouco tarde para isso não acha? — perguntou virando-se lentamente. — Quando você e ele decidiram me levar para o lugar onde Judas perdeu as botas ninguém quis conversar, não é?         

                — Eu sei que é difícil para você entender...

                — Difícil é eufemismo, é impossível. Você que me jogar nas mãos dele? Largar-me? — fez uma pergunta que metralhara seu pensamento a noite toda: — Você, como ele, não sentiria falta de mim?

                Os olhos de sua mãe se enchem de lágrimas.

                — Claro que vou, querida — ela sorriu docemente. — Vou sentir sua falta todos os dias que estiver fora!

                — Então por quê...? — sussurrou sem entender, uma lágrima rolando pela bochecha.

                — Fui demitida, Lílian — ela continuou. Quando isso aconteceu? — Faz algumas semanas, e eu não te disse nada. Convenci a mim mesma que iria conseguir resolver as coisas, mas não vou! Procurei emprego todos os dias de tarde e não acho nada.

                — Mas e a minha pensão? – Quer dizer, você disse que ele estava enviando dinheiro... Pode ajudar nas despesas.

                — O que não uso dela para suas necessidades individuais, guardo em sua poupança — ela sorriu. — Nunca iria usar o dinheiro dele para resolver meus problemas.

                — E o que seu emprego tem a ver com me enviar pelo SEDEX até Londres?

                — Olhe para mim, Lílian — ela abriu os braços. — Estou acabada! Estou fumando cinco cigarros por dia, dormindo com um homem diferente por noite para tentar ganhar dinheiro para nos dar de comer! — Cynthia disse o que Lily achava que ela disse? Lílian sabia que ela ia vadiar algumas noites, não que ela era uma prostituta, e muito menos que por sua causa. — E eu tento compensar a falta que ele te faz, mas eu não consigo! — soluçou. — Eu não sou forte o bastante. Não estou em condições de te criar. E suas notas comprovam.

                Lílian finalmente viu sua mãe. Ver de verdade. Ela sempre fora bonita e até jovem para sua idade, nunca se maquiava. Agora? Tinha olheiras tão profundas em baixo dos olhos, que Lily se perguntou há quanto tempo estavam ali. Estava mais magra. Magra do tipo doente-magra. Seu cabelo castanho tinha mais fios brancos do que Lily se lembrava. Lily tinha evitado contato direto com sua mãe desde que Charles deixara-as e Cynthia começou a ser a adolescente da casa enquanto Lílian cuidava de tudo. Mas agora, vendo o quão frágil ela estava, Lily viu que devia ter sido mais presente.

                Queria ter dito alguma coisa, mas só ficou fitando Cynthia.

                — Lily, a verdade é que ontem não decidimos que você deveria ir morar com ele. A justiça o fez.

                — Quê? — Lílian arregalou os olhos, assimilando o que ouvira.

                — Ele entrou na justiça e deram a guarda provisória para ele, o que é compreensivo. Eu sou obrigada, por lei, a dar você a ele. Se eu disser não, posso ser presa. Enquanto você estiver lá tentarei juntar dinheiro para arrumar um advogado e recorrer. Preciso que me entenda, querida...

                — Mamãe — abraçou-a, respirando fundo. Sua mãe tinha sido tão forte, tão mais forte do que ela pensara. — Eu vou com ele, mas por você, não por ele.

[...]

                Despedir-se de sua mãe, suas amigas e Sev no outro dia foi a pior parte.

Ainda estava um pouco irritada com seus amigos, não por eles terem a entregado e por isso ela estar indo embora, mas por eles não terem ­­respeitado a vontade dela. Ignorou isso quando abraçou cada um deles. Seria a última vez que se veriam em um longo período, não era hora de orgulho. Ao abraçar Sev de início foi estranho, mas depois caloroso.

                — Se comporte — sua mãe disse ao seu ouvido ao abraçá-la — E não me substitua pelas mulheres com quem seu pai deve estar saindo.

                — Vou odiá-las com todas as minhas forças. Ninguém é melhor que você — garantiu e ela riu.

                Ela então deixou as risadas de lado e secou lágrimas recentes dos olhos.

                — Vou sentir tanto sua falta, minha princesa.

                — Ei — segurou suas mãos. — Prometa que não vai vender meu quarto para um entranho, nem tocar fogo na casa.

                — Não vou — ela riu.

                Lily ficou séria:

                — Tenta se erguer— pediu e Cynthia segurou ao ar, diante o rumo do assunto. — Quero te ver lá no topo quando eu voltar. Você tem sei meses para me ter de volta, se não conseguir eu tenho certeza que ele vai pegar minha guarda para sempre.

                Não gostava de ter que dar um ultimato para sua própria mãe, principalmente quando essa seria a última vez que a veria pelo resto do ano, mas precisava fazer isso. Senão ela nunca iria ter um motivo para continuar a lutar e Lílian precisava que ela lutasse.

                — Se você me ama, tente — pediu e entrou no carro sem dizer mais uma palavra.

                Acenou pela janela do carro enquanto esse acelerava pela pista, levando Lílian cada vez mais longe de sua antiga vida.

                — Se comporte aí atrás, chegaremos ao aeroporto em pouco tempo — Charles falou do banco do motorista.

                Algo disse a Lílian que ela não aguentaria muito tempo em Londres. Mas teria que se sacrificar, senão pensariam que sua mãe não deu educação suficiente para ela e com certeza isso poderia ser usado no processo de guarda.

[...]

                — O senhor tem um jatinho? – Lílian perguntou ao entrarem no avião particular.

                — Não eu, a empresa que eu trabalho — Charles disse, sentando-se e aceitando o uísque que uma aeromoça deu a ele.

                — O jatinho tem o nome Evans nele.

                — A empresa que eu trabalho se chama Evans. Agora se sente, vamos decolar.

                Muito esclarecedor! “A empresa que eu trabalho se chama Evans”. O que isso significava? Mesmo sem entender a frase dita por Charles, Lílian Evans obedeceu à ordem e sentou-se. O inferno estava só começando.

 

 


Notas Finais


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