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História Quem são vocês? - Capítulo 2


Escrita por: vivianuzumaki14

Notas do Autor


Já vim postando logo o primeiro cap. O segundo postarei talvez amanhã. Espero que gostem.

Capítulo 2 - Capítulo um. - Coma


Fanfic / Fanfiction Quem são vocês? - Capítulo 2 - Capítulo um. - Coma

Capítulo um. - Coma.

 

Fiquei esperando alguém me responder e não foi aquele rapaz que segurava a menina que se manifestou, mas foi o homem que andou até onde eu estava me abraçando com carinho e dizendo “Filha” perto da minha orelha. Ele estava diferente, usando uma calça jeans, camisa polo listrada, cabelos grisalhos e uma barba ainda esperando para ser feita, mas aquela voz... Só em escuta-lo eu soube que era realmente meu pai, então algo em mim me fez começar a chorar e eu não sabia o motivo. Lágrimas transbordavam e desciam pelo meu rosto e foi minha mãe que veio ao socorro para enxuga-las. Um sorriso que queria dizer que estava tudo bem, um cabelo em um corte mais curto e um óculos, era assim que minha mãe que eu estava enxergando agora. Os dois me abraçaram com ternura e depois olharam preocupados para o rapaz e para as crianças.

- Vou chamar o médico. – disse o rapaz.

    Minha mãe foi para o outro lado e puxou o menino que ainda chorava ao meu lado, ele quase não largava minha mão, mas com mais umas tentativas minha mãe conseguiu retira-lo e sair com ele de onde estávamos. Olhei em volta analisando as paredes, janelas, sofá, TV na parede... Estava em uma sala de um hospital? Decidi ficar calada, se iam chamar o médico, então eu devia estar mesmo em um hospital, mas por que eu estava aqui?

    Depois de alguns minutos o doutor entrou na sala, ele tinha um cabelo escuro e era alto e eu chutaria que ele teria uns 35 anos, e ele era realmente bonito com aquelas covinhas. O médico perguntou se eu estava bem e também se eu me lembrava da razão de estar aqui, eu respondi que não fazia ideia do motivo, mas me sentia bem. Ele disse que faria alguns exames em mim e depois de feitos ele contaria sobre o que havia acontecido, eu concordei com o que ele havia dito e então ele se aproximou.

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    Alguns exames acabaram demorando, pois eram vários e tive que responder várias perguntas, o doutor que havia se apresentado como RM se sentou em uma cadeira ao lado da minha cama e disse que iria me contar tudo, mas que era para eu respirar e ter cuidado para não ficar estressada com toda a história, eu assenti e esperei ele começar. Quando ele abriu a boca e iniciou a explicação, eu pude sentir meu mundo se afundar cada vez mais... Eu estava em coma há dez dias, havia recebido uma pancada muito forte na cabeça e isso desencadeou além do coma, deletar dez anos da minha vida toda e além disso, ele acrescentou que não tinha certeza que aquela memória poderia ser recuperada. Com a voz falhando pelo choque eu perguntei como eu recebi aquela pancada, se foi alguém que me bateu ou se eu caí. O médico passou a mão pelos cabelos e antes de responder o que eu havia perguntado, ele achou melhor dizer algumas informações antes! RM disse que eu não tinha vinte anos, coisa que eu afirmava com clareza nas perguntas que ele havia feito durante os exames, o médico disse que eu tinha trinta anos e por ter todos aqueles anos apagados eu achava que eu tinha vinte anos. Isso fazia sentido do porque ver para os meus pais e achar eles velhos, mas quem eram aquelas outras pessoas na sala?

    O médico se levantou e encheu um copo com água e depois entregou a mim, e após deixar em minhas mãos o copo ele voltou a falar. Eu era casada com aquele homem, seu nome era Jin e aquelas duas crianças eram meus filhos, Lisa e Taehyung.  Minha cabeça começou a girar após aquela revelação, agora entendi o porquê daquela menina se jogar em meus braços, o menino chorar agarrado a minha mão e aquele rapaz que teve sua fisionomia mudada depois de perguntar quem era ele... Eu devo ter o machucado, era sem intensão obviamente, mas na posição em que ele estava não deve ter sido fácil. Voltando para a minha história, o médico disse que eu estava passeando com Taehyung e um ladrão apareceu e exigiu que eu entregasse tudo o que eu tinha, no desespero eu peguei minha bolsa e joguei para ele ainda mais quando ele estava armado com um cano de ferro grosso, mas parece que no calor do momento Taehyung que estava com um celular na mão, se agarrou a ele com seus bracinhos e balançou a cabeça negando que não entregaria. O homem se enfureceu e partiu para cima com sua arma, eu me joguei na frente do meu filho e fui atingida na cabeça, acabei desmaiando e o ladrão arrancou das mãos do Taehyung seu celular e saiu correndo. Meu filho começou a chorar e a gritar, algumas pessoas apareceram e chamaram uma ambulância e dessa forma acabei vindo até esse hospital.

    Após ouvir tudo, minhas mãos tremiam eu tentava processar tudo, marido, filhos, roubo, coma, memórias... Fui pega pelo medo do futuro, do que podia acontecer e ainda mais eu sentia falta, um pedaço de mim estava faltando, não sabia se havia terminado minha faculdade, se estava trabalhando, como eu me apaixonei pelo Jin, como foram minhas gestações, como foram meus partos, os chás de bebes, as escolhas de decorações de quarto... Tudo aquilo havia sumido e eu não fazia ideia de como reagir de frente a aqueles que estavam à espera de (S/N) de trinta anos.

    O médico disse para eu digerir tudo aquilo com calma, os resultados da maioria dos exames sairiam em alguns dias, para sabemos como estava minha saúde e antes de sair do quarto ele aconselhou que eu conversasse com meu marido, para que eu tirar as duvidas do meu passado apagado e como era que iriamos dirigir aquele novo futuro incerto. Assenti para o médico e deitei minha cabeça no travesseiro, pessoas normalmente tem medo do seu passado, eu estava com mais medo do meu futuro.

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    Pela noite eu escutei a porta ser batida e depois ser aberta, era Jin. Fiquei um pouco desconfortável, não sabia como agir perto dele, para mim naquele momento ele era um estranho que conhecia pela primeira vez, mas ele era meu marido ao mesmo tempo, alguém que havia passado vários anos ao meu lado. Observei com mais cuidado, certamente ele era meu tipo, aparentava ser alguém calmo e era muito bonito, pelo jeito havia tido sorte nesse quesito.

- Oi, eu trouxe umas flores para você e uns chocolates, sei que não está na sua dieta hospitalar, mas comer alguns não deve fazer mal né. – falou entregando-me uma caixa recheada de chocolates de vários sabores junto com um buque de lírios.

    Achei super fofo da parte dele, eu amava aquelas flores e não podia me surpreender sobre ele saber daquilo e o mesmo se aplicava aos sabores dos chocolates. Senti o cheiro dos lírios e deixei um sorriso passar pelos menos lábios, eu sempre quis plantar lírios no jardim da minha casa, será que eu havia feito aquilo?

- Obrigada, são lindas e agradeço também pela caixa, prometo comer todos e esconder dos enfermeiros para não encontrarem as embalagens já vazias.

   Jin riu com o meu comentário, fiquei feliz de ver que aquele clima de incomodo estava se dissipando no ar. Entreguei o buque a ele para que pudesse colocar no vaso que ficava na cômoda ao lado da minha cama, enquanto ele arrumava as flores eu me lembrei do conselho que o RM havia dito a mim e achei melhor seguir o que ele havia dito, só não sabia por onde.

- Eu posso... Fazer algumas perguntas sobre esses anos?

    Meu marido se virou para mim e sorriu, eu vi naquele sorriso o quanto seu rosto se iluminava, ele era tão lindo e agora mostrou ser também paciente e compreensível. Jin puxou uma cadeira para perto da minha cama e se sentou, eu tentei me sentar e subitamente eu senti sua mão nas minhas costas me ajudando com cuidado a me sentar sem que eu me esforçasse muito, sorri e agradeci pela sua ajuda. Ele apenas se sentou e olhou para mim, esperando por minhas perguntas.

    Bombardeei-o com várias dúvidas e ele respondeu todas com paciência, tinha terminado minha faculdade de psicologia e estava já trabalhando, antes de me graduar eu pensei em atuar em escolas, mas havia decidido abrir meu próprio negócio, minha própria clinica. Minha casa era enorme e eu tinha um jardim de lírios e eles compartilhavam aquele vasto jardim com alguns brinquedos das crianças. Quando indaguei como havíamos nos conhecido ele deu uma pequena pausa de silêncio antes de começar a divagar. Ele e eu fazíamos a mesma faculdade e éramos da mesma sala, após alguns trabalhos em dupla, Jin me chamou para sair e depois disso tivemos outros encontros até o momento em que nos apaixonamos um pelo outro e começamos a namorar.

    Apaixonar... Agora eu não era mais apaixonada por ele, tudo que havíamos passado agora era um branco total para mim, eu vejo o que fez gostar dele, é bonito, calmo, preocupado, paciente e devem ter mais coisas que esses meus olhos não conseguem enxergar, mas o fato que tanto eu e com ele sabemos agora é que eu não tenho nenhum sentimento por ele.

- O médico explicou para seus pais e a mim sobre sua situação pela parte da tarde e acrescentou que você também já estava ciente do ocorrido... Sei que você está muito confusa, afinal perder grande parte da sua vida assim deve fazer você ficar assustada, mas quero te pedir um favor. As crianças não fazem ideia sobre o que realmente está acontecendo e o Taehyung se culpa pelo o que houve, quando você for liberada poderia voltar para nossa casa?

    Eu entendia muito bem aquele favor, eu também não queria que meu filho se culpasse pelo que aconteceu comigo, ele é apenas uma criança! Eu sou uma adulta e também mãe dele, posso não me lembrar da minha gestação, de ter segurado ele nos meus braços, mas nunca o deixaria e nem outra criança se martirizar por aquele ocorrido. Eu só preciso me ajustar a casa e tentar conviver nela, meus filhos precisam de mim e não posso deixar eles, além disso... Vão ser novas memorias no lugar daquelas apagadas. 

- Tudo bem, eu volto sim, afinal àquelas crianças devem estar com saudade da sua mãe.

Da sua mãe de trinta anos... Não poderia oferecer a mulher que estava convivendo com eles desde seus nascimentos, mas podia me esforçar para estar presente nas suas vidas. Eu sempre gostei de crianças e um dos motivos que me fizeram entender a profissão que desejava foi a interação com crianças, gostava de escutar seus sonhos, pesadelos, o que acontecia em suas vidas, sempre procurava entender aquele labirinto de imaginação que elas tinham e tentava decifrar para elas, dizia o que aqueles sonhos queria dizer para elas e às vezes ajudava a se darem bem com seus irmão implicantes.

- Eles têm quantos anos?

Jin esboçou um sorriso em seus lábios, como se lembrasse de que o tempo estava passando rápido demais, como se tivesse sido ontem que ele segurava uma menininha enrolada em seu cobertor roxo ou um garotinho que chorava pela noite o acordando pela madrugada pedindo por comida.

- Lisa tem seis anos e Taehyung tem quatro. - respondeu.

Lembrar que Taehyung chorava há algumas horas atrás com aquela idade, se culpando por sua mãe estar na cama fazia meu coração se apertar tanto. Mordi meu lábio inferior e olhei para o meu marido que me observava ser perdida pelos meus pensamentos, acho que queria conhece-los melhor, devia pedir para que Jin os trouxesse?
Pensei por um tempo, nenhum de nós se prontificou a falar enquanto eu me perguntava inúmeras vezes se estava pronta para conversar com meus filhos. No final, achei melhor arriscar! Chamei pelo Jin e ele se assustou por eu o chamar de supetão, quando ele se acalmou eu perguntei a ele se poderia trazer as crianças para meu quarto. O rapaz disse iria fazer isso, pois desde que eu acordei, elas implorava para que pudessem me ver e começavam a gritar se ousassem levá-la a para fora do hospital. Ri daquela situação, elas eram bem teimosas e já sabia de onde elas haviam puxado aquilo.
Minutos depois os dois entraram no quarto e logo depois saíram correndo em direção da minha cama, os olhinhos de Lisa começaram a demonstrar traços de lágrimas se formando e Taehyung que ficou atrás dela, demonstrava ter um rosto inchado e olhos vermelhos.

- Mãe, desculpa por... - começou a falar Taehyung com a cabeça baixa.

- Shiii meu querido, não tem porque se desculpar por nada, eu estou bem e isso que importa, ou estou errada? - perguntei enquanto passava minha mão no seu cabelo.


Ele balançou a cabeça, agora finalmente deixou ser tomado pelas lágrimas, eu suspirei e puxei Lisa e depois o Taehyung para cima da minha cama, os dois me abraçaram e eu fiquei fazendo cafuné neles. Jin observava de longe aquela cena, talvez para ele era como se minhas memórias não tivessem sido arrancadas de mim, consolando com carinho aqueles dois que se recusavam a me largar, talvez lembrava sua esposa de fato, mas dentro dele... Jin sabia que aquela pessoa que havia se apaixonado, que havia lhe dado duas crianças lindas, não existia mais, agora ele devia se perguntar o que devia fazer de agora adiante. 

 

 

Continua........


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Não esqueçam de comentar.


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