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História Quem Vai Ficar Com Regina Mills? - Capítulo 23


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, pessoas!

Antes de tudo, esperamos que todes estejam se cuidando, cumprindo o isolamento social e usando máscaras quando precisam sair.
No mais, voltamos depois de 84 anos para atualizar uma de nossas fics e já avisamos que esse é o antepenúltimo capítulo.

Boa leitura!!!

Capítulo 23 - De volta ao começo - Pt. 1


[Emma]

A porta da sacada se fechou com um enorme barulho. Ventava muito do lado de fora naquele final de tarde, o que acabou servindo como uma espécie de reprimenda do destino. O que eu pensava que estava fazendo? Cometendo mais um erro estúpido com certeza, do qual me arrependeria no segundo seguinte. E dessa vez com consequências mais desagradáveis. As coisas já eram inevitavelmente complicadas sem isso e magoar minha irmã era algo que eu não poderia suportar.

— Sinto muito… — disse antes de deixar Regina sozinha na sala.

Desci as escadas com pressa e encontrei Mary subindo, o que me deixou mais nervosa ainda.

— Emma, Regina…

— Está lá em cima… — falei antes que ela completasse a pergunta, tentando não fazer contato visual, pois tinha certeza que naquele momento estava estampado na minha cara o que Regina e eu quase tínhamos acabado de fazer.

Continuei descendo as escadas sem olhar para trás e mamãe me puxou quase que imediatamente assim que cheguei ao fim, me dando oportunidade de respirar aliviada.

— Onde você tinha se metido? — questionou praticamente me arrastando pelo braço. — Maude acabou de chegar e quer te ver.

Eu não fazia ideia de quem fosse Maude, mas isso era o de menos, o importante é que foi o motivo perfeito para eu me afastar.

...

Sai da cozinha meio desnorteada depois de ser sabatinada pelas amigas da minha mãe. A tal de Maude era uma das que não via desde a infância, uma senhora tão típica que só faltou me perguntar pelos namoradinhos, o que só não aconteceu porque acho que já passei um pouquinho da idade.

De saída para o jardim, encontrei Cora interceptando o garçom que passava servindo uísque. Aproximei-me dela sorrindo.

— Porque todas as amigas da minha mãe não são como você? — perguntei depois de nos abraçarmos calorosamente.

Ela claramente não entendeu meu comentário, nem poderia, mas respondeu de forma espirituosa:

— Se todas fossem iguais, eu não seria a sua preferida — respondeu piscando o olho.

— É verdade...

— Pensei que você não fosse estar aqui hoje… Embora seja muito difícil fugir dos convites de Margaret, ainda mais sendo filha dela, imaginei que você fosse inventar uma desculpa qualquer — ela comentou enquanto procurávamos uma mesa para sentar.

— Por quê? — perguntei com ingenuidade.

— Porque Regina e Mary estariam aqui — foi direta.

— Ah… isso? Esquece! Estou superando — retruquei enquanto sentava de frente para ela e logo o que tinha acabado de acontecer me veio de volta à mente. Fiquei pensando em como Regina teria reagido com a chegada de Mary na sala.

— Experimente dizer isso de frente para o espelho todos os dias assim que acordar e talvez com o tempo você consiga parecer mais convincente.

Dessa vez eu fiquei calada, pois não adiantava retrucar. Cora era a pessoa depois de Regina que mais me conhecia e era inútil tentar mentir para ela.

— Que tal deixarmos de falar de mim e falarmos um pouco de você… o que foram aqueles olhares para Sarah Fisher no Irish Cafe?

Ela deu uma pequena gargalhada jogando a cabeça levemente para trás.

— Digamos que a velha Cora está de volta…

— Como assim? — Fiquei em dúvida.

— Você sabe que não foi a única mulher em minha vida, mas sabia que desde que terminamos nunca aconteceu de novo?

Eu tinha acabado de pegar um copo de bebida e parei com ele no ar, perguntando com olhos arregalados:

— Você está dizendo que não… — meneei a cabeça para que ela entendesse sem que eu precisasse falar — … desde que a gente terminou?

Cora gargalhou mais ainda me deixando um pouco confusa e algo constrangida.

— Claro que não, Emma! Você acha que eu não transo há quinze anos!? Não sou uma monja celibatária… Mas com mulher realmente nunca mais rolou. O máximo que cheguei perto foi quando encontramos aquelas mexicanas no Castro, mas não passou de uns beijinhos.

— Ah, entendi… — disse agora sorrindo com malícia. — E então, vocês estão namorando?

— Não… — ela afastou a ideia com um gesto de mão. — Ainda estamos nos conhecendo melhor. Mas sinto que pode dar certo. Temos muito em comum, sabia? Ela também gosta de bolero — completou piscando o olho.

Era muito divertido estar com Cora, ela era tão leve e nossas conversas sempre tão agradáveis. Ultimamente vinha pensando se quando nos envolvemos eu estava projetando Regina de alguma forma e não sei se algum dia terei essa resposta, mas me sinto tão bem quando estou perto dela que fica fácil pensar que poderíamos ter ficado juntas, mesmo que ela não parecesse tanto com a filha.

Nossa conversa foi bruscamente interrompida com a chegada intempestiva de Ruby, muito eufórica parecendo que trazia uma grande notícia.

— Oi, Emms! Oi, Cora! — saudou muito animada. — Jamie e Aurora vão fazer um anúncio maravilhoso. Elas estão esperando vocês, vão indo para lá, que eu vou entrar para chamar as outras. — e apontou na direção da piscina.

Nós nos levantamos e seguimos no sentido indicado, sabia que elas tinham ficado na mesa onde havia conversado com Tina mais cedo. Estavam todos lá, Belle, Jefferson, Zelena… Faltavam apenas Mary e Regina que chegaram acompanhadas por Ruby.

Eu não poderia ter ficado mais sem jeito diante delas e procurei a proteção de Cora, sem sair de perto. Não, não era uma covarde, apenas não sabia como agir, principalmente porque achava que Regina devia estar me odiando ainda mais naquele momento, porém inesperadamente, ela parecia muito serena quando finalmente ousei fitá-la. Mary também parecia tão normal quanto antes e aquilo me deixou um pouco incomodada. Será que eu enxergava as coisas de uma forma tão diferente assim?

Mas não pude pensar muito sobre isso porque logo Jamie e Aurora começaram seu anúncio que todos deviam ter certeza do que era.

Jamie foi a primeira a falar:

— Vamos aproveitar que vocês, todos os nossos melhores amigos estão aqui reunidos para contar uma novidade, que espero os deixe tão felizes quanto nós estamos.

Aurora sorriu para a namorada e continuou:

— Todos aqui sabem que recentemente passamos por uma pequena crise, que graças a força do nosso amor, conseguimos superar…

— Exatamente — Jamie continuou — e devemos agradecer muito a vocês por isso também. O apoio, o carinho e os conselhos de cada um aqui foi primordial para que não desistíssemos uma da outra.

Olhamos emocionados para as duas.

— Acho que todos sabem que o que temos a dizer é que vamos nos casar. Marcamos a data para mês que vem — Aurora revelou procurando a mão da agora futura esposa, arrancando risos de felicidades de todos nós. — Mas não é só isso. Como agradecimento e para comemorarmos tudo de bom que tem acontecido em nossas vidas, temos uma outra surpresa especial para vocês.

Jamie continuou quase sem se caber em si de tão feliz:

— Consegui um desconto mais do que especial para hospedagem na filial de Las Vegas do hotel em que trabalho e queremos convidar vocês para um final de semana por nossa conta.

Seguiram-se aplausos e gritos de alegria. Jefferson se ofereceu para apanhar o champanhe que o momento merecia. Eu obviamente estava muito feliz por minhas amigas, mas logo depois que as abracei e parabenizei pelas boas novas, só uma coisa passava pela minha cabeça: lá vamos nós de novo. Mas dessa vez nada seria igual.

...

— Será que você poderia ir um pouco mais rápido com essas malas? —  perguntei sem o mínimo de paciência com a lentidão de Oberlin. —  Aliás, por que você trouxe tanta bagagem? Passaremos só um final de semana em Vegas, não o resto das nossas existências.

Ela bufou em resposta, puxando com dificuldade o que parecia ser a última valise.

—  Teria sido bem mais rápido caso vossa senhoria tivesse se dignado a me ajudar.

Fechei o porta-malas e finalmente pudemos entrar no hotel para fazer o check-in. Meu grau de animação com a viagem e a festa estava no nível “quanto mais rápido começar, mais rápido terminará”.

Enquanto esperávamos a checagem de nossas reservas pelo recepcionista do hotel, Chanel me olhou de uma forma estranha, como se nunca tivesse me visto.

— O que foi agora? —  falei revirando os olhos.

—  Não sei como não tinha reparado antes, mas você está péssima, chefe.

Isso não me surpreendia nenhum pouco. Dormira muito tarde na noite anterior e nem sabia como tinha conseguido dirigir por tantos quilômetros sem sofrermos um acidente. Porém não precisava ser lembrada do quanto devia estar deprimente. Fingi que não tinha ouvido, focando minha atenção no rapaz atrás do balcão que digitava as informações com movimentos ágeis.

— Mas também depois daquele porre de ontem… —  Oberlin continuou debochada —  seria de admirar se não estivesse assim. —  riu de forma exagerada. — Você falou tanto, Emma, acho que nunca na vida tinha te visto tão disposta a conversar.

O que será que eu tinha dito àquela maluca? Não lembrava de muita coisa... Mary havia deixado os meninos com mamãe e saiu avisando que dormiria na casa de Regina. Logo depois comecei a beber e o resto se tornou um grande borrão na minha memória. Levei um baita susto quando acordei e percebi que a minha secretária estava com um dos meus pijamas zanzando pela minha cozinha e me dando a notícia que eu a tinha convidado para viajar comigo.

—  Nós não…? —  perguntei com olhos arregalados sem querer acreditar que chegara a esse ponto.

—  Não, Emma! —  Chanel respondeu divertida para meu alívio. —  Você só precisava de companhia. Dormi a noite toda no sofá.

Voltando ao presente, tirei a atenção do trabalho do atendente parando de fingir que ela não existia.

— O que foi tanto que eu falei? — estava algo entre curiosa e realmente preocupada.

—  Relaxa! Não foi nada que eu já não desconfiasse - deu de ombros.

— Tipo o quê, “oráculo-que-tudo sabe”? — retruquei com desdém.

—  Que você está mortinha de ciúmes com o namoro da sua irmã com a Regina… — revelou em um tom meio cantado.

Oberlin tinha o dom de me aborrecer, mas dessa vez fiquei muito mais irritada comigo mesma.

— Fala baixo! —  Limitei-me a pedir, olhando em volta para checar se alguma das nossas amigas, ou mesmo Mary ou Regina, não estariam no saguão ouvindo tudo.

— Elas vieram de avião, já estão muito bem instaladas em seus quartos — Chanel comentou ao perceber meu movimento de cabeça. —  E não se preocupe que o seu segredo está muito bem guardado comigo. —  beijou os dedos em cruz. — Embora eu não saiba exatamente por que é um segredo. Você sempre foi apaixonada pela Regina. Só um cego para não enxergar isso.

Um cego ou uma idiota como eu que fui perceber tarde demais, poderia ter dito, mas achei que era melhor encerrar logo o assunto.

— Tenho certeza que estará bem guardado, porque na verdade eu nunca te disse nada, a noite de ontem não existiu e para todos os efeitos você nunca dormiu na minha casa.

Meu tom ameaçador não passou nem perto de assustá-la. Eu não tinha mesmo a menor moral naquela relação, fato. Só me restava confiar que ela não saísse tagarelando aos quatro ventos.

...

Tomei um relaxante banho e consegui dormir um pouco na suíte antes de subir para a piscina do hotel. Na verdade teria descansado mais se Tina não aparecesse no quarto para visitar Oberlin e as duas não tivessem ficado se agarrando na cama a poucos metros da minha me fazendo despertar precocemente.

Foi surpreendente. Não sabia desde quando estava acontecendo, mas confesso que fiquei aliviada em descobrir que estavam juntas. Isso significava que a promessa de Tina de não me causar mais problemas era verdadeira. Fiquei tão satisfeita que não me importei em sair do quarto para dar privacidade às duas. Pensando bem elas formavam um casal até que bonitinho, seria bom se realmente desse certo.

Era cerca de quatro horas da tarde, mas o sol ainda estava bastante convidativo. Espalhei protetor solar pelas partes que o biquíni não cobria e deitei em uma esteira para aproveitar. Estava branca como um papel, por isso não me faria nada mal pegar uma cor.

— Que falta de educação, Emma Swan! Não te ensinei assim... — demorou muito pouco para que ouvisse a voz inconfundível de Ruby vindo acabar com a minha paz. — Sobe para curtir a piscina e nem chama as amigas.

Abri os olhos por debaixo dos óculos escuros e a fitei sem muita disposição.

— Você está na frente do sol, Lucas — respondi simplesmente.

Notei que Mary e Regina, as agora inseparáveis, vinham logo atrás dela. As três sentaram nas esteiras que ladeavam a minha. Regina e Mary dividiram uma. Tentava a todo custo evitar esses pensamentos, mas o grude delas chegava a me dar enjoos.

— Como foi a viagem, faz tempo que chegou? — Minha irmã quis saber.

— Foi tranquila… Saí bem cedo, o trânsito estava bom. Mas cheguei há pouco, só tive tempo de tomar banho e tirar um cochilo...

— Hum… Tem certeza que só fez isso? — Ruby me interrompeu. A pergunta vinha carregada de malícia.

Girei a cabeça de lado para olhá-la e respondi:

— Sim, foi só isso.

— Me engana que eu gosto! — Ela continuou no mesmo tom.

Regina e Mary se entreolharam. Claramente não estavam entendendo nada, mas eu menos ainda.

— Aonde você está tentando chegar?! — questionei impaciente.

Ruby ficou em silêncio por um tempo, sorrindo daquele jeito irritante, aumentando o clima de suspense.

— Para com isso, Ruby! — Regina saiu em minha defesa. Olhei-a surpresa pela intervenção. 

— Não, deixa — insisti pois não tinha nada a esconder.

Depois de outro breve silêncio, Ruby pôs-se a falar, mas sem a confiança inicial:

— Quando Zelena e eu fomos fazer o check-in, soube que o seu quarto era de frente ao nosso…

— E… — incentivei começando a entender onde aquela conversa ia dar.

— Vi a Tina entrando lá agora há pouco — revelou sem me despertar surpresa — Imaginei que talvez tivesse rolado um dèja vú…

— Imaginou errado! — falei já me levantando e puxando minha canga que cobria a esteira. — Mas sabe de uma coisa? Se tivesse acontecido algo, não tinha problema nenhum. Eu sou uma mulher livre até onde sei.

— Emma… — Mary tentou intervir ao perceber que meu tom se exaltava, enquanto as outras pareciam estupefatas com a reação explosiva.

Apesar de ter uma personalidade irritadiça, nunca fui de gritar com ninguém, ainda mais com as minhas amigas, mas estava cansada daquele tipo de comentário.

— O que foi? — virei para Mary que se encolheu no mesmo instante — Eu só não preciso de ninguém tomando conta da minha vida, já sou grandinha o suficiente para me cuidar sozinha. Vou pegar uma bebida, se ninguém se importar — finalizei e dei as costas caminhando na direção do bar da piscina.

Ainda consegui ouvi os pedidos de desculpa de Ruby, mas não parei.

Quando já estava encostada no balcão com o copo na mão, percebi Regina se acercando.

— Vim em paz! — Ela disse erguendo as mãos em rendição.

Sorri.

— Não se preocupe, não estou mordendo. Os meus rompantes de raiva são muito passageiros, passou — garanti já parecendo outra pessoa.

— Você sabe que vai ter que pedir desculpas a ela, né? As brincadeiras da Ruby são chatas, mas você não precisava ter sido tão dura.

— É, eu sei — disse levando um gole à boca — Estou arrependida, se quer saber. Então se veio aqui para garantir isso, não se preocupe…

Ela colocou a mão sobre a minha.

— Não, vim para saber como você está — falou com sinceridade.

Fechei os olhos aproveitando por um breve momento o contato, era sempre muito bom senti-la próxima.

— Já tive dias melhores — baixei totalmente a guarda. — Mas dá para ir levando — concluí sem muita convicção.

Ela apertou minha mão um pouco mais.

— Sabe que ainda pode contar comigo, né? Que pode se abrir sempre que precisar. Tem algo que queira me dizer?

“Sim, que eu te amo”, pensei. No mesmo instante avistei Mary no outro lado da piscina ainda conversando com Ruby. Lembrei que nem tudo que a gente sente pode ser falado, principalmente quando tem o potencial de magoar alguém que não merece.

— Desculpa… — verbalizei por fim.

— Pelo quê? — ela pareceu confusa.

— Por quase ter te beijado na casa da minha mãe e principalmente por ter fugido depois. Não devia ter feito uma coisa nem outra.

Regina baixou um pouco a cabeça rindo sem graça. Tive que me controlar muito para não tentar beijá-la novamente. Por um momento quando ergueu os olhos pensei ter notado algo parecido com decepção estampado neles.

— Não precisa se desculpar. Eu estava lá, também errei.

Ela fez menção de me deixar sozinha novamente, mas se virou uma vez mais antes de ir:

— Hoje à noite tem uma festa na cobertura da Jamie e da Aurora. Nos vemos lá?

— Claro!

Ela assentiu e eu a vi caminhar indo de volta para Mary.


Notas Finais


Até mais!!!


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