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História Querido confidente - Capítulo 4


Escrita por: pequena_poetisa

Capítulo 4 - Cortem-lhe a cabeça!


Fanfic / Fanfiction Querido confidente - Capítulo 4 - Cortem-lhe a cabeça!

Meu Deus... Onde eu estava com a cabeça? Passara a minha vida toda aprendendo a ser uma dama digna de 1897 e então eu faço isso?! Reflito e percebo que apenas berrei... APENAS berrei?
Tive vontade de fechar os olhos e sumir, para não ver o vexame que eu acabara de causar. Eu me mostrara patética e psicologicamente descontrolada.
E então voltei do meu remoto devaneio e ao invés de fechar meus olhos, olhei para os de meu pai e rezei para que os meus não transparecessem os medrosos sentimentos que eu acabara de sentir e assim eu seria firme e forte uma vez na vida. Mas não, eu juro por tudo que é mais sagrada que eu faria de tudo para nunca mais ver aquela expressão do Sr. Basilio, que mesmo sendo meu pai, parecia mais um patrão, o qual eu deveria obedecer a qualquer custo. Então deixei-me sucumbir e transparecer meu medo e arrependimento, mas então era tarde:
- Mas o que é isso, Victa? Que liberdade você tem pra falar comigo ou com qualquer um dessa mesa, desse jeito? Você não passa de uma criança mimada e exigente- Disse em voz alta e brava, mas não chegou a gritar, enquanto se levantava. Aquelas palavras me atingiram em cheio.
- Me desculpem- Eu disse.Todos estavam perplexos, afinal parecia que aquela sala iria explodir.
- Nos deem licença- meu pai disse olhando para todos e finalmente olhou para mim- Victa e eu vamos conversar em seu quarto!
Pela primeira vez em anos eu me senti alegre e com uma pequena sensação de ligação com o meu pai, porque por pior que seja nossa conversa, estaríamos conversando sobre algo não superficial.
Caminhamos em silencio até o meu quarto, eu entrei primeiro e depois meu pai, logo atrás de mim. Quando a porta se fechou,eu estava de costas para ele e levei um susto com seu grito:
-O QUE DEU EM VOCÊ? NÃO PERCEBE QUE É UM MOMENTO IMPORTANTE? 
-POR QUE? POR QUE É IMPORTANTE? O QUE DE IMPORTANTE TEM EM TRÊS ESTRANHOS ESTAREM EM SUA CASA SEM NENHUM MOTIVO? - Disse, me virando e o encarando.
- VOCÊ... NÃO... ENTENDE...
- ENTÃO EXPLICA!
Um silêncio paira sobre nós e então em voz baixa meu pai diz, se virando e caminhando até a porta:
-Realmente não da para conversar com você...
- SABE QUE VOCÊ FALOU A PRIMEIRA COISA SENSATA DESTA CONVERSA... PORQUE EU DEVO SER MUITO INCOMPREENSÍVEL PARA NÃO CONSEGUIR TAL PROEZA, JÁ QUE AS ÚNICAS COISAS QUE VOCÊ FALA COMIGO SÃO: "OLÁ". "BOM DIA" E "BOA NOITE"...
- O QUE VOCÊ SABE SOBRE A VIDA? O QUE VOCÊ SABE SOBRE QUALQUER TIPO DE RELAÇÃO?
- VOCÊ SE ACHA NO DIREITO DE SE AFASTAR DE TODOS, POR TER SOFRIDO, POR TER SIDO TRAÍDO PELA MULHER, QUE VOCÊ AMOU E AMA ATÉ HOJE, DENTRO DA SUA PRÓPRIA CASA E DEPOIS TER SIDO ABANDONADO.
- CALE ESSA SUA BOCA, VICTA!
- NÃO.... QUEM NÃO ENTENDE É VOCÊ! EU TERIA O DIREITO DE ME DEIXAR ABATER E ME TORNAR UMA PESSOA FRIA E CRUEL, AFINAL EU PERDI UMA MÃE, EU PERDI A ALEGRIA DE UMA CASA E DE UMA FAMÍLIA, EU TENTEI ME MATAR... E SE VOCÊ QUER SABER, EU PERDI UMA MÃE E TAMBÉM PERDI UM PAI! E DE ALGUMA FORMA VOCÊ DESCONTA ESSA DOR EM MIM, PORQUE VOCÊ NÃO FOI CAPAZ DE MANTER UM AMOR SÓLIDO COM UM ORDINÁRIA FEITO A MINHA MÃ...- E meu discurso foi finalmente cortado por uma bofetada no rosto, as mãos pesadas do meu pai  machucaram mais a alma do que a minha própria pele! Aquele ato foi seu modo de concretizar seu desprezo, por mim e por todos. Então com a voz trêmula eu disse: -Pelo menos você fez alguma coisa que se relacione a mim, mesmo que seja um tapa como esse. Obrigada, pai...- E então eu o ouvi suspirando e correndo para fora do meu quarto, rumo ao seu. 

 

Não sei por quanto tempo fiquei parada, sentada na beirada da cama, olhando para a janela e pensando longe. Tive muita inveja dos pássaros, eles sim teriam motivos para ser felizes: eram livres! 
Eu estava cansada e exausta, mas ao mesmo tempo aliviada. Naquele instante meu rosto já parara de doer e as lágrimas ainda não haviam conseguido rolar pelo meu rosto. Estava mais chocada do que triste. 
A grama, as uvas, era tudo tão calmo do lado de fora e tão perfeitamente colocado e composto, a Toscana parecia uma pintura, uma pintura de pinceladas frágeis e de uma sutileza admirável. Então meu momento de paz foi interrompido pela minha vó. Ela pediu licença e se sentou do meu lado da cama. Sua presença era confortável e seu perfume era familiarmente bom:
- Ouvimos tudo lá de baixo, os convidados e seus tios foram discretos, indo todos para a varanda. Agora eles estão na cidade, fazendo compras. Como você está, minha principessa?
Sem conseguir responder nada, abracei-a tão forte e assim as lágrimas se livraram dos meus olhos. 

 

Quando já havia escurecido e todos já haviam jantado (eu e meu pai fizemos nossas refeições em nossos quartos) e se dirigiram aos respectivos aposentos, fui até a varanda e então deitei no grande gramado verde, olhei para cima e na janela do quarto de Basilio estava sua silhueta, seus olhos fitaram os meus e ele estava com sua mais nova expressão, como quem diria: Cortem-lhe a cabeça!
Mas um segundo depois, seu rosto muda e posso ver uma faixa de profundo drama e ARREPENDIMENTO.
As cortinas se fecham lentamente e eu fico esticada no grande "tapete" verde até pegar no sono...

 



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