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História Querido confidente - Capítulo 6


Escrita por: pequena_poetisa

Capítulo 6 - Uma viagem bem longa...


Fanfic / Fanfiction Querido confidente - Capítulo 6 - Uma viagem bem longa...

Quando tinha cinco anos, meu pai me colocara nas aulas de hipismo, eu sempre gostava de montar no pônei que minha mãe havia me dado quando eu nasci, na esperança que eu tivesse aulas. Quando minha mãe saiu de casa, eu fiquei com raiva de tudo que me fazia lembrar ela e então parei com os treinos. Ela também me colocara na aula de ballet, quando tinha quatro anos, mas minha paixão e apego com tal arte foi maior que a mágoa, por isso continuei.

Eu sempre fui calma e tímida, mas sempre tive ataques de coragem e confiança, mas naquele momento eu não sabia como estava, um turbilhão de sentimentos passava pela minha cabeça. 
Quando anoiteceu e já era bem tarde da noite, eu estava faminta, cansada e com frio. Parei com o meu cavalo em uma esquina, do lado de uma fonte, bebi água, o cavalo também. Em pânico e perdida, sentei no chão e caí no choro. 
Alguns minutos depois, um grupo de homens e mulheres (cada um com seu cavalo, um mais bonito que o outro) se depararam com uma menina aos prantos, do lado de seu cavalo.
Eram eles! Aqueles de origem indiana! Eu já ouvira falar deles, haviam várias histórias estreladas por eles, mas elas não eram lá muito legais. Já ouvira meu pai reclamar de tal "minoria étnica" e os reconheci pela aparência. Os ciganos eram lindos, os homens extremamente atraentes e as mulheres muito sensuais. 
Eles me levaram para um bar, deram comida, um cobertor, já que cada um estava com o seu e aos poucos foram se apresentando.Por um momento me lembrei do conforto do castelo e dos cumprimentos dos três convidados, logo no começo da festa.
Aquele grupo estava viajando e descobrindo novos lugares. Depois que acabei de comer, estavam todos envolta da mesa do simples bar. Estavam em vinte pessoas: 
-Então, qual seu nome menina?E o que fazia chorando ao lado de uma fonte?- Perguntou uma das moças, que parecia ser a mais velha.
-Victa! Eu moro na Toscana, em Firenze e hoje de manhã fugi da casa do meu pai.
-Mio Dio! Firenze! Somos da Sicilia!- Disse um dos homens, com um tom animado. 
- Onde estamos?-Perguntei- Em Verona, menina!- Isso me fez gelar, já que eu poderia ser encontrada a qualquer momento pela minha tia Giuseppina. 
-Firenze fica muito, muito longe daqui! Quando você saiu da sua casa?- Perguntou uma moça arrogante.
- Foi bem cedinho, não parei nenhum segundo de cavalgar- respondi com delicadeza. 
- Tem sorte pelo seu cavalo aguentar- comentou o homem, novamente com o tom animado. 
- O que seu pai fez de tão errado para você sair de casa?- Perguntou um outro rapaz.
- Digamos que ele não foi tão fiel!- Expliquei. 

Depois de sair do bar, cavalgamos até  um prédio abandonado. Dormimos ali e na manhã seguinte continuamos a jornada, eu e meu cavalo andávamos no meio do grupo, para ter total segurança. No final daquele dia, eu já era considerada a mascote da turma.
Os ciganos passaram a ser uma família, nem sempre muito legal, mas passaram a ser. As mulheres sempre se envolviam com outros homens, sem ser do grupo, e elas sempre me envolviam nos casos delas, fazendo eu ajudar a concordar com suas desculpas inventadas, fazendo de mim cúmplice de tais atos. Elas eram extremamente sensuais e isso era algo para se competir quando o assunto era homem e mesmo eu não tendo a sensualidade delas, elas me olhavam como inimiga. Eu não me envolvi com nenhum dos homens, mas a partir do momento que eu entrei no grupo, eu era vista como mulher. Mas eles eram legais e alegres, cavalgavam livremente, ganhavam dinheiro levando mercadorias de uma cidade para outra, o que ganhavam garantia à alimentação. Cozinhavam em abrigos e a noite, procuravam algum lugar abandonado para dormir. No começo, quando eu não sabia negociar e estava aprendendo, lavava as roupas de todos, isso ocupava minha mente e não me fazia pensar muito no passado. Depois de aprender todo o procedimento do trabalho deles,  eu comecei a ganhar dinheiro fazendo as mesmas coisas. Conhecíamos os lugares mais lindos do mundo! 
Todas as noites, eu pensava na minha avó, que sempre me contava as histórias de como ela brilhava nos palcos, dançando ballet, como ela largou sua carreira após conhecer meu avô, como eles ficaram felizes quando souberam que Bibiana teria uma filha, o casamento perfeito deles e raramente me contava da morte trágica do seu amado que adoecera aos poucos.  Lembro até hoje, de ouvir uma história dela, a qual contava de um filho que tivera, mas fora roubado de seus braços, por bandidos, enquanto andava em uma rua movimentada. A criança tinha apenas um ano e minha avó me contara essa história uma vez só. 
Lembrara também da tia Giuseppina, que por ser solteira, grande parte da sua vida, amava cuidar de mim, do meu pai e até mesmo da minha avó Bibiana, ela a considerava como uma mãe, já que meus avós paternos já haviam falecido. Gostaria de ter conhecido meus quatro avós, mas infelizmente só conheço uma.
Tentara lembrar de minha mãe, até que percebi que não conseguia mais lembrar dela, não lembrava do seu rosto (já que não tinha foto dela no castelo, apenas uma embaçada na cabeceira de Bibiana), não lembrara mais do seu jeito e da sua postura. Minha avó contara que ela também era apaixonada por dança.
E mais uma vez estava pegando no sono, em mais uma cidade recentemente conhecida por nós, em um lugar qualquer, onde poderíamos dormir com segurança.
Antes de dormir senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, estava com saudades de quem me amava e quem era amado por mim, mas não tinha vontade de voltar ao castelo e ter a vida de antes.Mas e depois? O que seria da minha vida futuramente?  



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