História Querido nada - Capítulo 1


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Categorias Vocaloid
Tags Oliver
Visualizações 14
Palavras 4.580
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Musical (Songfic)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura

Capítulo 1 - Capítulo Único.


Fanfic / Fanfiction Querido nada - Capítulo 1 - Capítulo Único.

Já havia amanhecido na estrada, o sol machucava seus olhos acostumados pelo escuro, sua respiração estava em descompasso, sua garganta doía e seu rosto estava úmido pelas lágrimas, esfregou novamente as orbitas faciais, tinha feito isso tantas vezes que o local estava vermelho e ardia. 

Dentro do seu velho Rural Willys esverdeado, ele corria pela estrada vazias do Texas, como ele havia parado ali? Quando se anda sozinho perdido em busca de algo que nem mesmo você sabe o que é, a procura do invisível que te atingi, apenas segue o caminho a sua frente, no banco do passageiro da frente jazia uma garrafa de Rum aberta, e metade do liquido já circulava pelo corpo do motorista; no vagão de trás algumas caixas e mochilas que trazia consigo, lá no chão havia um retrato, um coberto, um travesseiro velho e uma lanterna quase sem bateria. 

Tentava ocupar sua mente com a vazia estrada, olhando ao seu redor vendo pequenas colinas de areia com plantas que pareciam mortas pelo local. Ocupava em trocar os pensamentos frequentemente, falhava continuamente. Os soluços voltaram, pegou a garrafa de Rum e levou o bico a boca. Passou os lábios pela ponta do vitro, sentiu o cheiro forte do liquido, cerrou nervoso a mão na garrafa e a arremessou pelo lado de fora. 

"Ele amava Rum"

O pensamento que evitara voltara em poucos segundos. Juntou o carro e pisou no acelerador, o seu celular vinha no porta luva, descarregado, armazenando em si detalhes de uma história não contada, 50Km/h. Apertou o botão do rádio e encontrou uma frequencia:

- Queridos "orvintes" - o apresentador tinha uma voz esganisada e puxava Rs inesxístentes - uma "berla" música a todos "vorcês"! Green Day - Boulevard Of Broken Dreams!

Oliver não fazia ideia de quem era aquela banda, contudo não se importava, apenas precisava de uma trilha sonora para entrar em devaneios. Abaixou e tocou a parte debaixo do banco, puxando dali uma garrafa de cachaça.

A simples frase: trilha sonora. Já lhe trazia umas das suas mais belas lembranças a tona.

" I walk a lonely road" Eu ando em uma estrada solitária.

Oliver e seu melhor amigo ruivo caminhavam pelas ruas conversando sobre um livro que estavam lendo, sorriam e riam tranquilamente:

- Não, eu acho que na próxima edição todos vão morrer - Oliver afirmou convicto. 

- ela não pode simplesmente matar todos - Fukase rebateu como se fosse obvio.

- Contudo e todavia, esse pode ser o fim - fez armas nas mãos balançando os braços. 

- de que lado você está? - indagou rindo.

Pouco a frente enquanto caminhavam no parte viram um homem com um violino cantando um música desconhecido por ambos. Fukase animado, segurou a mão de Oliver e correu até perto do cantor:

- o que está fazendo? Não precisamos ficar tão perto - Oliver disse rápido tentando se afastar. 

- não - segurou os ombros dele cantarolando - daqui fica melhor para ouvirmos. 

- por quê? - o loiro se virou confuso. 

- sabe qual é a pior parte da vida? - questionou o ruivo. 

- que vivemos numa sociedade egocêntrica que não liga quantas pessoas precisam matar para alcançar seus objetivos? - sujerio. 

- Isso também - Fukase disse acenando com a cabeça - mas estava me referindo ao fato que nos nossos melhores momentos não haverão trilhas sonoras. 

- a pior parte da vida é não ter trilha sonora? - Oliver fez uma careta.

- Pensa nos momentos de terror, no qual os tambores não tocam de fundo - falou girando pelo loiro - nos momentos de alegria em que não há um piano ao fundo - com os indicadores desenhou um sorriso no rosto - e nos momentos de romance, seria perfeito um fundo de violino -cutucou o outro com o ombro e apontou para o homem tocando.

- O que está insinuando, Senhor Satoshi? - Oliver brincou usando o sobrenome do ruivo. 

- Exatamente o que está pensando, Senhor Satoshi - estendeu a mão.

- O que? Por que não usou... - seu olhos se arregalaram quando entendera o que Fukase dissera - idiota - riu lhe pegando a mão.

 "The only one that I have ever known" A única que eu já conheci.

Bateu a cabeça contra o volante cansado. Sua cabeça girava sem parar, estendeu a mão para o porta luvas e viu comprimidos contra a dor ali, os pegou. Com os joelhos segurando o volante, abriu a cachaça e tirou dois pílulas, não se importava o bastante. Bebeu sentindo o alivio percorrer por alguns instantes seu corpo. 

Balançou a cabeça se lembrando que costumava ser bem menos aberto a coisas que prejudicassem a saúde:

- pessoas mudam! - estendeu para o nada a garrafa com um sorriso triste. 

"Don't know where it goes" Não sei para onde ir. 

- pessoas podem vir e ir - Fukase falava lendo um livro - porém apenas aquelas que voltarem serão as que ficarão. 

-Muito poético - Oliver disse entediado segurando o rosto com a mão, cuja ainda agarrava um lapis. 

- Claro - o ruivo disse sorrindo, contudo gemeu e massageou os olhos. 

- Você deveria usar óculos, faz tempo que se sente assim - preocupado, o loiro insistia para o amigo. 

-Eu não vou usar óculos - rebateu - as pessoas já falam demais da minha aparência, não preciso de outro apelido. 

-Você não deveria dar ouvidos as pessoas, assim elas vencem - disse se ajeitando na cadeira e apontando o lapis para Fukase. 

-Desculpa, senhor perfeitinho - fez uma referencia. - Claramente você nunca sofreu disso.

- Primeiro: não sou perfeito - Fukase contorceu o rosto em uma careta que praticamente gritava "jura? Acho que você não vê um palmo a sua frente". - Segundo: Todos já sofreram algum tipo de bullying da mesma forma que todas as mulheres um dia foram assediadas ou serão.

- Então me diga, "Senhor eu não sou perfeito" - pronunciou em um claro deboche - pelo que já passou? - entrelaçou os dedos e pôs sobre a mesa encarando Oliver. 

"But it's only me, and I walk alone" mas isso é apenas eu e eu ando sozinho. 

Olhou no retrovisor do carro  e viu apenas o vazio atrás de si, ao seu redor o vazio permanecia presente consideravelmente. Em sua mente risadas de seus amigos, os sorrisos dos seus mais íntimos conhecidos e o rosto da pessoas mais próxima; flutuavam. 

Colocou o braço para fora, balançando ele fracamente, movia os dedos gelados e machucados enquanto o vento os tocava. Olhou para os dedos machucados, eram agora apenas cicatrizes que seu passado custava o lembrar diariamente, era a marca eterna de uma lição nunca aprendida. 

"I walk this empty street" Eu caminho nessa estrada vazia. 

Oliver caminhava pela casa estressado. O dinheiro que havia ganhado no mês por seu emprego havia sumido. O local não era grande, havia a cozinha: checado, seu quarto: checado, banheiro: checado(?); e por fim a sala. Entrou no local e viu sua mãe, ela estava sentada fumando como sempre com um pacote ao lado dela e uma carta:

- Meu pagamento - Oliver disse indiferente.

-Filhote, mãe precisa dele esse mês - a moça disse apagando um cigarro na perna. 

-Como do mês passado? Retrasado? Antecessor? - falou avançando com os braços abertos - ei espera, talvez seja essa a razão de eu estar com cinco meses de aluguel atrasado, com eles prestes a me despejar! 

-Bebe, calma, eu sei que vai conseguir - fingiu falsa simpatia - lamento por isso, mas estou velha e sabe como os anos de aposentadoria e desemprego me pegam de jeito.

- Claro, não esta velha para fumar e encher a cara de droga - falou acido - tem certeza que são só os problemas que te pegam de jeito? Se virasse prostituta, se já não é, conseguiria mais.

-Como ousa falar assim com sua mãe? - ela se levantou apontando o dedo para ele - eu te carreguei por nove meses!

- Apenas para conseguir dinheiro do governo, você acha que eu sou burro ou o que? - bateu na mão dela. 

-Eu cuidei de você! - falou com um tom dramático. 

-Por que se eu morresse, talvez, o dinheiro parasse de vir? Ou espera - ele abriu as mãos com um sorriso cínico - eu acho que me lembro de começar a andar de metro ou ônibus sozinho aos meus cinco anos pedindo dinheiro. 

-Eu nunca fiz isso - mentiu fingindo choro. 

- Como da mesma vez que você me estapeou por comer o que restava da comida, porque - riu ironicamente - passar um dia todo sem comer não é nada. 

- Nunca deixei você passar fome - limpava as lagrimas do rosto segurando firme o pacote e a carta com o dinheiro. 

-Sai da minha casa, vadia - falou serio olhando-a.

- Eu nunca fiz isso - estremeceu - sempre te tratei bem, nunca deixei te faltar nada e fiz de tudo para te proteger! Sempre assegurei do seu melhor! - se abanava chorando fazendo um escanda-lo. 

- Da mesma forma que você me obrigou a fumar? - caminhou pela casa com os braços erguidos - ou como me fez dormir na rua? Da mesma forma que me ameaçou jogar da janela se não ficasse quieto? E aquela vez que você me mandou roubar comida? 

- Eu nunca - começou. 

- Cala boca! - gritou socando um quadro que tinha proteção de vidro furando sua mão.

Gritou de dor caindo no chão e olhando para o sangue que escorria pelo local junto ao vidro encravado ali. A mulher se assustou e disse algo como "vá para o medico" enquanto saiu pela casa correndo com o pacote e o dinheiro. 

Os vizinhos ouviram o grito de dor de Oliver e alguns minutos depois com o loiro preste a desmaiar fora levado ao hospital. O corte foi próximo a umas das veias principais, ele poderia ter morrido.

"On the boulevard of broken dreams" Na avenida dos sonhos desfeitos.

Batia, com a outra mão, no volante conforme o ritmo da música tocava. Aquela  história sobre seus dedos e sua experiencia de morte não haviam ocorrido a tanto tempo, a continuação da sua situação até que é próxima. 

Depois de cinco meses, foi despejado. Fukase ofereceu dinheiro tanto como local para ficar, mas o loiro recusara, aquilo já era pedir demais. Havia conseguido achar um ferro velho que vendia carros sem registros, resumindo roubados. Da mesma forma que se vende, se paga, Oliver roubou o carro, pegou aquele que parecia que ninguém gostaria de comprar. Agora que tinha um 'teto' podia tenta prosseguir com a sua vida, fedendo? Um pouco. 

"Where the city sleeps" Onde a cidade dorme.

Uns dos piores sentimentos que Oliver já sentira, fora quando Fukase arrumara uma namorada. Ele nunca havia falsificado um sorriso tão bem, mesmo que dentro de si ele gritava e chorava ao mesmo tempo. 

"And I'm the only one, and I walk alone" E eu sou o único, e caminho sozinho. 

Como na maioria dos seus encontros eles iam a biblioteca ou ao parque, aqueles não eram lugares cheios ou barulhentos, resultando no local perfeito. Oliver esperava o ruivo ansioso sentado no banco de bambu. Levantava suas pernas e balançava fingindo ainda não alcançar o chão, sentia falta de não tocar o solo. Parte de si agradecia por ter chegado aos 1,73cm. 

Em poucos minutos Fukase se aproximou aparentemente sozinho sorrindo. Oliver se levantou e acenou para ele como sempre faziam:

-Tenho algo para te contar - Fukase disse animado. 

-Diga - Oliver sorriu esperando por algo. 

- Seeu - chamou a garota que andava um pouco distânte.

- Uma amiga - sorriu a cumprimentando.

- Não - segurou a mão dela - minha namorada  - a garota riu constrangida. 

Por um segundo o sorriso de Oliver desmanchou e um nada saiu da sua boca, logo e contorceu tentando voltar ao normal:

- Meus parabéns - sorriu com um certo aperto - Céu?

- Com S - Fukase começou olhando nos olhos dela.

- Com dois Es - ela riu o olhando de volta. 

- Ah, céu - sorriu fingindo, sentiu algo cutucar sua bochecha tentando faze-lo parar de sorrir.

-Acho que ele não entendeu - a garota loira falou olhando para o namorado. 

- É porque você é meu anjo - Fukase a animou. 

- Que fofo - Oliver disse tentando contornar o enjoo que o atingia. 

- De qualquer forma estou feliz que tenham se conhecido - Fukase falou rápido - pensei que você ficaria surpreso ou qualquer outra coisa - gesticulou. 

- Não estou, estou muito feliz por vocês - Oliver sentia os dentes tremerem. 

- Claro, por que não estariam? São amigos, não é? - a versão feminina do Oliver disse gesticulando. 

- Sim, amigos, os melhores - Oliver enfatizou a parte dos amigos para si mesmo. 

- Bem, podemos nós sentar? -Fukase optou. 

- Vamos - Seeu disse animada. 

- Então, onde se conheceram, nunca a vi conversando com o Fukase - tentou não soar acusador. 

- Amigos virtuais a muito tempo - apertaram os mindinhos sorrindo. 

- Claro - falou apertando a barra da blusa. 

"I walk alone, I walk alone, I walk alone and I walk a" Eu ando sozinho, eu ando sozinho, eu ando sozinho, eu ando...

Pegou a  garrafa e bebeu um grosso gole da bebida que descia queimando pela sua garganta a baixo. Tossiu forte colocando a mão sobre a boca. Sua visão estava um tanto turva, mas não se importava, não é como se tivesse algo que pudesse bater ali.

"My shadow's the only one that walks beside me" Minha sombra é a única que anda ao meu lado. 

- Então, agora eu tenho uma namorada - Fukase disse olhando o amigo dentro do carro, havia alguns dias que Oliver não tomava banho, mesmo com o ruivo perguntando o que estava acontecendo o loiro se recusava a preocupa-lo. 

- Eu sei - bateu as costas contra o estofado do banco - tudo bem, vai - disse sem se importar. 

- Desculpa, Oliver - o olhou com pena, o que enfureceu o menor - fica para a próxima, e para a depois - ligou o carro - até que você me pare e diga "hum essa não dá vou ta casando".

- Oliver não é isso - tentou explicar.

- Quer saber? - se virou para o ruivo - vai pedir um boquete pro anjo -mostrou a língua e saiu com seu carro. 

Fukase tentou o segui-lo, contudo Oliver acelerava tentando se afastar. 

Oliver dirigiu a maior parte da noite depois da conversa com Fukase, murmurava sobre ele ter o trocado por dois buracos. Xingava a garota que odiava sem motivo, porque ela era realmente incrível, divertida, bonita e simpática, ela nunca se importou quando percebia o quanto Oliver era "penoso". O loiro odiava isso também, aquela pena inútil que as pessoas sentiam, era como querer dar casas aos sem teto, você não vai construir para eles. Quando viu o dia amanhecendo no seu carro, uma lagrima vazia desceu pelo seu rosto sujo. 

"My shallow heart's the only thing that's beating" Meu coração superficial é o único que esta batendo. 

Esfregou os cabelos sujos e cheios de nós com a mão livre. Puxou a camisa para perto do nariz e teve vontade de vomitar, mal se lembrava de como era tomar um banho. Esses era uns dos motivos para perder o emprego, sem contar as suas faltas frequentes sem razões. 

O dinheiro que Oliver conseguia era guiando pessoas e pedindo dinheiro em troca ou pegando algumas pedras sem significado nenhum, fazendo colar com elas, e dizer que era de uma antiga tribo indígena qualquer coisa que inventava no momento. Sua barriga roncou. 

"Sometimes I wish someone out there will find me" Ás vezes eu espero que alguém lá fora me encontre.

Sentado em uma lanchonete de estrada pela manhã pediu um cafe para beber, e um prato barato. Enquanto esperava tentava enrolar o arrame na corda para fazer o colar, iria passar o dia naquela cidade até que tivesse dinheiro o suficiente. Algo que havia em comum com a mãe, que não odiava, era o poder da lábia, encantar as pessoas fazendo lixo virar ouro. 

Enquanto enrolava o arrame, a parte fina furou seu dedo fazendo com que ele o balançasse e sussurrasse um ''caralho''. Colocou o dedo na boca frustrado. Uma idosa sorrindo, tão suja quanto ele, se aproximou sorrindo se sentando a frente dele. O primeiro pensamento que Oliver teve foi "agora uma velha louca":

- Eu não sou louca - a idosa sussurrou sorrindo assustando Oliver. 

- Eu - se aproximou dela e sussurrou - disse isso em voz alta? - olhou em volta. 

- Não - ela sorriu fazendo Oliver perceber um dente faltando - eu leio mentes - ela colocou a mão na própria cabeça a balançando. 

- Lê nada - Oliver se recômpos rápido - não tenho dinheiro para vigaridade, vá incomodar outro. 

-Não, não - ela balançou os braços - faço de graça para um garotinho sujismundo e bonitinho como você!

- Me chamou de que? - falou um tanto ofendido. 

- Vamos, vamos, me de sua mão - falou animada. 

- Vai cuspir nela? - pronunciou hesitante, já haviam feito isso antes, fora desagradável. 

- Não, não, lalá promete - ela fez um X no peito.

- Oliver concorda - entrou na brincadeira. 

- Lalá vai ler sua mão, vai ela vai - a idosa disse animada. 

- O que vê? - aproximou o rosto. 

- Que eu nome é oliver! - ela sorriu.

-Estou impressionado - falou rindo internamente. 

- Tem mais! Tem mais! - continuou - você está em uma grande viajem, grande viajem! 

- Estou - Oliver começou a se interessar. 

- Auto conhecimento? Talvez, não - falou passando os dedos pelas linhas. 

- O que?

- Pobre garoto, passou por tanto - ela sorriu com empatia.

- Certo meu futuro, foda-se o passado - confessou. 

- Com o passado se aprende, com o presente se corrigi e com o futuro melhora - ela sorriu o soltando. 

- Pera, eu não quero metáforas - falou um tanto irritado. 

- O de dentro permanece, mesmo que o de fora modificasse - ela se levantou. 

- Fala minha lingua, moça - pediu vendo ela ir embora. 

"Velha loca, vou ficar também" balançou a cabeça e voltou ao colar, logo percebeu que dera a mão machucada para a mulher e onde o corte havia sido feito tinha desaparecido... Oliver assustado olhou em volta a procura dela. Havia sumido.

"Till then I walk alone" Até então eu ando sozinho.

Bocejou com sono, não sabia quanto tempo dirigia o carro. Apenas que estava se cansando rapidamente de ficar em sentado ali. E mesmo que parasse de dirigir continuaria ali, não havia muito para onde ir. 

"I'm walking down the line" Eu estou andando na linha. 

Sentado na parte de trás do carro sobre o cobertor sujo jogava uma moeda para baixo e cima. A idosa que havia encontrado a mais de um mês não sumia de sua cabeça, se perguntava se ela era apenas doida ou realmente sabia de algo. Parte do seu corpo queria fingir que aquilo não havia acontecido, mas a outra metade havia dominado. 

O velho celular, não havia quebrado ainda. Confiança pura, sentia se bem por aquela coisa ainda funcionar, havia apenas as suas músicas, já que internet e credito eram coisas de burgueses safados.

Pegou o objeto com o que restava de bateria e ligara em uma seleção aleatória, colocou os fones que graças a força espiritual da velhinha ainda funcionavam, ambos os lados. Se deitou na dura e confortável cama e dobrou as pernas colocando uma acima da outra. Logo a música Dingo Bells - Dinossauros começou a tocar, Oliver conhecia a letra de tantas vezes que havia escutado aquela música. A música tinha uma tema que começava de modo alegre que com o tempo te levava a um breve questionamento sobre existência, introduzido pelas palavras. 

Enquanto as palavras voavam da sua boca, ele balançava a perna de modo calmo na batida do violão. Nisso ele voltava aos tempos onde tentara aprender cavaquinho, ele queria, mas é impossível se aprender a tocar algo sem o instrumento. Seu olhar fixado no teto sujo do carro, aquilo o fez rir, ele era um tipo de sem teto, apenas com um carro (a parte) e um celular; além que ele não tinha um emprego de fato. Resumindo para a sociedade ele era um tipo de vagabundo. Aquilo era de fato um tanto engraçado, já que ele não entendia o sentido da palavra em si. Pelo menos ele nunca usou nenhum tipo de droga, refletia sobre isso. 

"That divides me somewhere in my mind" Que me divide em algum lugar da minha mente.

Suspirou e pegou do um pacote com cigarros, colocou sobre o colo e guardou o pacote. Apertou o botão com forma de chama no painel do carro e esperou alguns segundos, colocou o cigarro na boca e retirou a tampa do botão. O objeto estava quente, precionou a ponta do cigarro, acendendo-o. Devolveu a tapa a seu loca e inalou a fumaça, odiava cigarros, o cheiro que deixava, as lembranças que traziam e o vicio que adguiriu com eles.

Tirando o cigarro da boca colocando entre os dedos, pegou a garrafa alcoólica e bebeu outro gole.

"On the border line of the edge" Na fronteira da beira. 

Depois de dias ignorando Fukase com sucesso sentia que não tinha mais laços pelo outro, caminhava na rua carregando um galão de gasolina que havia pego de um carro abandonado que achou. Na outra mão brincava com uma moeda. 

Suas roupas, mesmo sendo as melhores, eram consideradas as piores. Usava um sobretudo marrom esquecido, com buracos nos lugares do botão, usava uma calça moletom até que nova, tinha achado em uma doação aos necessitados, usava uma blusa 'branca' e um chapéu cinza de aba, e tinha uma luva com os dedos cortados, tinha dedos até que furaram.

Passava por uma rua conhecida, costumava ir naquele lugar com o ex-amigo. Era uma rua de restaurantes que costumava visitar. Passou por um que cantava uma música de aniversário, curioso por nada olhou pela vitrine. 

Dentro do local iluminado e aquecido Fukase se sentava no centro da mesa rodeado de possíveis amigos, que Oliver não conhecia, ao lado dele sorrindo Seeu sorria para o namorado. Todos pareciam muito felizes, contudo o único que realmente importava era o ruivo que parecia realmente alegre. Aquilo machucava. Aquilo doía. Aquilo parecia que lentamente alguém enfiava uma faca nas costas de Oliver sem ele perceber. Colocou a mão na vitrine, contudo tirou rápido como se o vidro queimasse. Coçou o nariz vermelho pelo frio e suspirou. Por um momento teve impressão que Fukase havia se virado, se virou e fugiu dali. Provavelmente o ruivo não havia percebido pelas roupas. 

Provavelmente ele não ligava mais. 

Provavelmente ele nem se lembrava dele. 

Provavelmente ele não se importava. 

"And where I walk alone" E onde eu caminho sozinho. 

Oliver fitou o cigarro por um segundo, viu sua ponta vermelha queimando, destruindo lentamente ele e o próprio cigarro. Aquilo era irônico, porque da mesma forma que ele fuma aquilo por vontade própria e se vicia, acaba se matando. 

Talvez Oliver não tenha certeza do que havia pensado. 

"Read between the lines" Leia entre as linhas. 

Sua saída da cidade. Resumindo e sendo ao mesmo tempo literal: Oliver estava cansado de dar encontrões com Fukase então pegou seu carro e fugiu dali. 

A sua primeira viagem ele parou em uma cidade pequena onde as pessoas tinham hortas em suas próprias casas, todos falavam sobre ser ecologicamente correto e que o fumo entre outras coisas eram proibidas. Oliver não aquentou ter tantas falhas e parecer que aquela cidade não tinha uma. Ele meteu o pé. 

A segunda cidade era uma versão de Las Vegas menor e com muita, muita sujeira e prostitutas, bebidas e drogas. Até que com tantas falhas ele sentia empatia por aquele lugar, até que no segundo dia ocorreu de tentarem levar eles, para até hoje Oliver não sabe onde, contudo não se mexe com alguém que perdeu tudo com 1,73cm.

A terceira cidade era... apenas uma cidade. Com seus problemas e qualidades. Não era ruim nem boa, era apenas um lugar para viver normal. Como qualquer cidade. Porém Oliver já havia criado uma queda pela estrada. Era incrivelmente solitário e tranquilo. Ele gostava. Talvez aquela fosse a resposta. A estrada seria seu lar. 

"What's fucked up and every thing's all right" Onde tudo esta fudido e onde tudo esta bem. 

Oliver olhou para a parte de trás do carro e viu dentro de uma mochila latas de spray. Isso lembrou ele que em toda a cidade que ele parou deixou seu simbolo marcado por todas elas, um V em cima de um L circulado por um O. O significado era conhecido apenas pelo loiro. O V significava viajante; o L significava livre e o O Oliver. Nas cidades que ele mais gostava colocava um olho em cima e um corpo fazendo um bonequinho. Era engraçado. 

"Check my vital signs to know I'm still alive" Cheque meus sinais vitais para saber se eu continuo vivo. 

Na última cidade que ele havia visitado até então. 

Oliver estava sentado esperando alguém parar e pedir umas das suas mais raras pedras com belos significados. Ele prometeu a si mesmo que tomaria um banho ao final do dia, já havia chegado ao seu glorioso limite. 

Poucos minutos depois um homem com uma idade parecida com a sua parou ao seu lado e olhou confuso, Oliver sorriu, o melhor jeito de comprar o freques é com simpatia:

- Você é o Oliver? - o homem disse calmo.

- Eu não roubei nada - disse se afastando assustado puxando suas coisas e as guardando.

- Não é isso - o rapaz tentou o acalmar. 

- Eu não roubei nada, eu não fiz nada qualquer acusação contra mim - se levantou e apontou o dedo para o homem - foi o mordomo.

Oliver começou a correr com o homem o seguindo. Oliver agora não sabias quais das metáforas da velha seguir:

- Oliver - o homem gritou correndo - é sobre Fukase...

- Ele - Oliver estancou no chão com o nome - está bem? - virou o rosto. 

- Ele - o rapaz começou ofegante - aqui - entregou um papel dobrado ao loiro. 

Tremulo abriu com medo de ser algo realmente ruim. No momento que viu o que era um fio de sorriso apareceu no seu rosto e uma lagrima após a outra descia. O papel era um cartaz de desaparecido com a foto do Oliver, Fukase estava o procurando. 

- Obrigada - Oliver sorriu e acenou para o homem indo embora. 

"I walk alone" Eu ando sozinho.

Nesse momento Oliver tinha que decidir entre voltar ou permanecer. Continuar andando sozinho ou encontrar Fukase. Contudo Oliver sabia o que aconteceria se voltasse. Ele apenas seria o 'amiguinho' do Fukase, ele apenas caminharia quando desce com ele, veria ele se casar com o anjo boqueteiro e veria eles tendo filhos. Oliver sabia disso. Oliver sabia se voltasse teria que sorrir e fingir que estava bem. 

A sua frente a estrada continuava, placas com números e palavras apresentavam a próxima cidade. Ele não tinha porquê voltar e não iria. 


Notas Finais


Espero que tenha gostado.


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