História Quero que você saiba - Capítulo 22


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Categorias South Park
Personagens Butters Stotch, Craig Tucker, Kenny McCormick, Kyle Broflovski, Stan Marsh, Tweek Tweak
Tags Bunny, Creek, Fake Boyfriends?, Fake Confession, One True Love, Otp, Practice Confessing, Practice Kiss, Style
Visualizações 154
Palavras 7.446
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ecchi, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oieeee!!

Essa atualização não foi tão rápido, eu sei... na verdade eu estou com o cap pronto desde domingo, mas faltava uma ceninha só que eu não conseguia amarrar... então demorei um pouquinho... mas vamos lá, 7K deveria acalmar vocês... ou deixá-los irritados, hehehe...

Espero mandar o próximo capítulo antes do final do mês... oremos!

* A fanart de capa pertence a tsubasa92, e representa um momento perdido no capítulo (não está narrado)*

Sem mais enrolações...

BOA LEITURA!!

Capítulo 22 - Objetivo


Fanfic / Fanfiction Quero que você saiba - Capítulo 22 - Objetivo

A manhã chegou, e junto com ela a neve e o frio estavam mais presentes do que nunca nas calçadas geladas de South Park, o céu cinzento estava mais escuro com a iminência de uma nova rodada de neve fresquinha que certamente cairia a qualquer momento.

O céu e o tempo de South Park só não estavam mais frios e carregados do que a força do olhar azul cinzento que encarava a janela embaçada da cozinha dos Tweak.

Um alarme ecoou do celular de Tweek e os olhos verde-avelãs encontraram o moreno.

— Craig, é melhor terminar o cereal, ou vamos nos atrasar, cara.

O moreno encarou rapidamente o loiro por cima do copo de chocolate quente, Tweek era um ótimo anfitrião no que se tratava de alimentar seus convidados, e obviamente Craig já sabia isso, porém, o que ele não sabia era qual seria sua posição na vida de Tweek... neste exato instante.

Um amigo, como se a noite passada não tivesse acontecido? Amigo com benefícios? Um potencial namorado?

Não. Tweek não queria um namorado, Craig lembrava disso, uma vez que a informação fora gritada no rosto dele eventualmente.

— Já estou terminando.

Mas ele não sabia nem quando começara... ou se começara, isso se estivesse pensando na sua relação com o loiro.

Tweek ergueu uma sobrancelha o observando, ele acabara de voltar do quarto e tinha um cachecol azul verde-oliva enrolado no pescoço, o loiro colocou de lado o celular silenciado, e apanhou a caneca vazia de Craig, juntou com a caneca de café que acabara de usar, e lavou tudo sistematicamente, Craig empurrou o restante do cereal na boca e adicionou a tigela ao pequeno grupo de utensílios que desfrutavam da atenção de Tweek.

— Vou escovar os dentes.

Distraidamente Tweek acenou enquanto Craig ia até o lavabo abaixo da escada e se olhava no espelho pensativo, a noite anterior deixou as coisas estranhas e ao mesmo tempo confortáveis entre eles, uma vez que parecia que parte da tensão sexual havia se dissipado, porém, durante a invasão ao banheiro, Tweek não falara nada sobre mudarem seus status... depois do banho eles foram para a cama e a pele de Craig ainda queimava do esfregar eventual que o corpo deles protagonizou ao dormirem sob os mesmos cobertores, mesmo que nada tenha acontecido no quarto — a brincadeira foi restrita ao banheiro —, e Craig não tinha certeza se Tweek estava envergonhado, arrependido ou definitivamente alheio, mas o fato era que o loiro não fez nenhum outro movimento até Craig.

Nada.

Quando ele acordou esta manhã, estava absolutamente sozinho na cama, com um bilhete escrito com a letra esticada e confusa de Tweek, orientando-o para se arrumar e descer para o café da manhã.

Era um bilhete um pouco frio e Craig se sentiu vagamente menosprezado, apesar da ereção absurda que reinava em sua boxer, ele passou alguns minutos pensando em todos os tipos de coisas desagradáveis para se ver livre daquele volume em sua cueca, que o lembrava ardorosamente de como as mãos de Tweek eram quentes e habilidosas...

O moreno secou as mãos e guardou a escova de dentes no estojo dentro da mochila, ele saiu do banheiro cuidadoso, tentando empurrar os pensamentos bagunçados, percebeu que Tweek terminara de limpar a louça, a bancada da pia, e até o prato do micro-ondas, ele acabava de guardar os copos que usaram para o suco, os movimentos dele eram fluídos através da cozinha, e Craig engoliu seco quando o loiro se esticou para colocar uma tigela na parte alta do armário, uma faixa de pele de cintura pálida ficou visível.

Craig queria muito poder tocar.

— Quer ajuda com isso? — Craig ofereceu de forma impessoal.

A frase era uma citação exata da eloquente infiltração de Tweek no banho de Craig na noite passada, o moreno tentou esvaziar a mente daquelas imagens que sucederam a entrada de Tweek em cena, e simplesmente deu alguns passos até onde estava o loiro, apanhou o utensílio da mão de Tweek e colocou junto aos outros, o loiro girou entre o espaço restrito que havia entre o corpo quente de Craig e o armário, os olhos avelãs brilharam e um sorriso surgiu preguiçoso no rosto de Tweek.

— Obrigado, cara, agora me deixe sair, ou vamos nos atrasar. — Tweek pediu acrescentando com um olhar indecifrável. — Costumo enlouquecer em lugares apertados.

O loiro se esgueirou e saiu por baixo dos braços de Craig, o moreno sentiu a revoada de borboletas no seu peito, ele encarou os pés tentando acalmar sua respiração, Tweek puxou a mochila de cima de uma cadeira e saiu atravessando o arco que ligava a cozinha à sala, sem opção.

Tweek acabara de flertar com ele?

O coração de Craig acelerou, mas ele ignorou e seguiu Tweek pela sala apanhando a própria mochila, o moreno dera uma olhada para trás antes de sair e puxar a porta principal atrás de si, o loiro o aguardava para fechar a porta e enquanto observava Tweek girando a chave, se perguntava se o que aconteceu entre eles fora apenas uma brincadeira adolescente e se ficaria preso àquele momento vivido na noite anterior, até o dia de sua morte.

Novamente o loiro caminhou a frente e Craig ficou um segundo parado, logo deu alguns passos com suas longas pernas, alcançando Tweek, o loiro começou a falar sobre a série que assistiram na noite anterior, e sobre o quanto ele precisava ver os próximos episódios.

— Você pode vir depois da aula. — Craig falou quase automaticamente, em seguida pigarreou para esconder qualquer fragmento de emoção. — Você tem algo para fazer?

Tweek ficou em silêncio pensativo por alguns instantes, Craig sabia que o loiro estava listando suas atividades e seu tempo, contabilizando tudo mentalmente.

— Tudo bem, podemos adiantar alguma lição de casa e assistir um ou dois episódios antes do jantar. — Ele falou e apertou a alça da mochila entre os dedos, sua expressão era impenetrável. — Preciso estar em casa antes das 21hs.

— Okay. — Craig falou enfiando as mãos nos bolsos. — Ou ao invés de lição de casa poderíamos tentar vencer a Baronesa Von Bon Bon... você não venceu ela ainda, Tweek...

A voz estoica de Craig tinha um leve tom de escárnio, Tweek o encarou rapidamente pensando no game que ficara totalmente incompleto, porque ele simplesmente desmaiou e adormeceu na cama do moreno.

— Foda-se, Craig, eu estava muito cansado aquele dia! — Tweek disse fingindo ofensa, Craig riu pelo nariz. — Posso muito bem chutar a sua bunda nesse jogo, okay?

— Aham...

Craig sorriu um pouco, Tweek ainda escondia algo dele, e doía ter certeza sobre isso, doía saber que havia algo que Tweek não confiava a ele... mas aproveitaria o tempo que tivesse com o loiro, para vê-lo sorrir e relaxar...

Eles seguiram para a escola, hoje teriam aulas em salas diferentes o dia inteiro, seriam longas horas para Craig pirar sobre as várias questões que enchiam sua cabeça.

Em algum ponto a caminho da escola, enquanto Tweek falava sobre assuntos aleatórios, Craig prestava pouca atenção, ocupado em formular teorias sobre o que estava acontecendo entre os dois, quem diria que ele seria o único a enlouquecer a respeito de sua possível relação.

Quando chegaram na escola, Clyde já estava lá parado nas escadas conversando com alguns alunos do primeiro ano, Jimmy estava por ali também, mas parecia calado apenas observando Clyde se vangloriar do jogo do dia anterior.

— Vai ser um longo dia. — Craig declarou quando Clyde acenou e já corria para eles.

Tweek sorriu e mordeu os lábios, o ato fez o coração de Craig acelerar quando os olhos verdes avelãs voltaram-se para ele.

— Pelo menos temos um bom plano para finalizar ele, não é? — A voz do loiro era totalmente indecifrável, e Craig se perguntou quando foi que Tweek ficou tão bom em esconder suas emoções, ou exibir esse sorriso tão encantador, ou quando foi que ele ficou tão sedutor.

 

 

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

 

 

 

No primeiro horário da manhã Kyle saiu tropeçando em um banco de neve que se acumulara na frente de sua porta, a neve que caíra na noite anterior ainda ameaçava voltar à cena, mas o ruivo estava contente por poder sair de casa por algumas horas, sua mãe o obrigara a comer um café da manhã completo e até mesmo o fez carregar consigo uma barra de cereal extra, uma vez que hoje ele tinha treino depois da escola.

— Kye... graças a deus, pensei que eu congelaria antes de você sair! — Stan falou, hoje vestia a jaqueta do time de futebol por baixo do casaco de nylon preto e verde mais forrado. — Você conseguiu fugir? Tive que comer três torradas francesas e chocolate quente... mamãe achou que estou me alimentando mal!

— Minha mãe também, cara... ela me fez comer um café da manhã de hotel... Ugh, ainda temos treino hoje... esse dia nem começou e já estou meio exausto... — Kyle disse frustrado, seus olhos verdes varrendo as expressões de Stan. — Você dormiu bem, cara?

Stan ainda estava parado na calçada na frente da casa dos Broflovski, a touca azul com a bola avermelhada hoje dera lugar ao capuz do casaco que escondia seus cabelos escuros, Kyle poderia apostar que o gorro de estimação e marca registrada do moreno estava na mochila.

— Sim... — Stan respondeu quando Kyle se aproximou o bastante para estar quase na sua bolha de calor, os olhos azuis brilhantes e as bochechas meio coradas do frio. — Sonhei com você a noite todinha, Lindo...

Kyle quase escorregou, ele perdeu o equilíbrio por um nanossegundo e em seguida se aprumou outra vez, seu rosto ardendo quando Stan o puxou pelo cachecol vermelho e o beijou nos lábios com ardor.

— S-Stan... ­— O ruivo sussurrou assim que o moreno liberou sua boca. — Cara... minha mãe pode estar na janela... é meio constrangedor, cara...

— Desculpa, cara... simplesmente vi você lá e... não resisti... — Stan empurrou o nariz na mínima faixa de pele exposta entre o queixo e o cachecol de Kyle. — Você está tão cheiroso hoje...

Kyle soltou um riso contido, as mãos ainda sem luvas do ruivo correram pela face de Stan, acariciando as maçãs do rosto avermelhadas do moreno.

— Pare com isso, cara... ou não vou responder por mim... — Ele sussurrou rente à boca de Stan, o moreno separou os lábios para dizer algo, mas Kyle o calou com um beijo demorado. — Agora vamos, cara... não quero chegar muito tarde.

Ele agarrou a mão enluvada de Stan, mas o moreno a puxou de volta e se livrou da luva, em seguida eles trocaram um olhar cúmplice quando o calor da pele deles se misturou, a forma como a mão de Stan sempre estava quente mesmo estando parado há alguns minutos no frio negativo, era uma incógnita para o ruivo.

— Kyle... ontem depois que vocês foram embora, conversei com meus pais sobre a coisa das festas do pijama... — Stan falou enquanto caminhavam, Kyle jogou um olhar para ele atento, o ruivo entortou os lábios. — Sabe, esse negócio de você dormir no porão... é loucura e eles estão muito cientes que não vai adiantar nos separar muito.

Kyle apertou os dedos de Stan nos seus, ele lançou um olhar descontente para o moreno, ambos os pais dos garotos tomaram medidas provisórias sobre as tradicionais Festas do Pijama, e nem Stan, muito menos Kyle ficaram satisfeitos com as decisões, a mais polêmica era de que os garotos dormiriam separados, e cada pai se responsabilizou por deixar o porão de suas residências habitáveis para que o visitante dormisse lá.

Obviamente Kyle levantou todos os pontos falhos desse plano, os mais contundentes foram: A asma de Stan, que poderia atacar frente a uma exposição tão irresponsável, depois de anos controlada; e por fim, Kyle apontou que nenhum dos porões tinha aquecimento, o que condenaria o hóspede a congelar até ser premiado com uma pneumonia.

Mesmo Sheila Broflovski não conseguiu rebater a isso, o que resultou em um murmurado “conversaremos depois”.

— Também conversei com os meus pais... todas as desculpas que minha mãe expôs no jantar foram rebatidas, então ela perdeu a compostura, sinto muito por ter provocado ela assim... — Kyle lamentou pois discutira com sua mãe na frente de todos, ao contrário de Stan que foi calmo e apaziguador, Kyle mais parecia que estava em um evento do Clube de Debates. — Falei para ela que podemos diminuir os encontros, mas teve algo que realmente a acalmou.

Stan o observou concentrado, o ruivo em nada lembrava o filho rebelde e fervoroso, porém cordato apontando fatos e discursando para sua mãe na noite anterior, neste exato momento o sorriso tímido de Kyle crescia aos poucos e o moreno sentia seu coração acelerando, Kyle era totalmente um dois em um, senão mais do que dois.

— Você rompeu a defesa da sua mãe?

— Não exatamente. — Kyle avisou. — Usei argumentação defensiva apelando para fatos e psicologia reversa.

— Você se fez de vítima, Kyle? — Stan questionou sorrindo. — Você se fez de vítima e usou o raciocínio da sua mãe contra ela mesma?

O ruivo mostrou um sorriso humilde, olhou para os lados e apertou a mão de Stan na dele.

— Apenas disse a ela que “estudos comprovam que adolescentes são mais felizes se puderem expressar seus sentimentos”, e que “relações físicas controlam o nível de stress, e adolescentes não estressados não usarão drogas, e vão sempre buscar satisfação física”, o que nos leva a relação sexual.

— Cara... você debateu sobre sexo com a sua mãe? — Stan gemeu mortificado apertando a ponte do nariz, Kyle desviou o olhar, estava corado demais para esconder seu embaraço.

— Eh... continuando... expus que relações sexuais em casa são mais seguras, e o sexo em si libera endorfinas e serotoninas, que controlam os níveis de açúcar no sangue e especialmente agem positivamente no cérebro descarregando uma avalanche de hormônios que vão desde prevenir o câncer de próstata como também auxiliar inclusive no crescimento. — Kyle encarou Stan, altivo outra vez. — E disse a ela que não esperava que uma mulher tão moderna e uma mãe que ama tanto seus filhos pudesse privá-los de tantos instrumentos para o desenvolvimento como seres humanos saudáveis.

— Jesus Cristo, Kyle! Você reivindicou o direito de fazer sexo debaixo do mesmo teto que seus pais, apresentando dados sobre o resultado de um orgasmo no sistema nervoso central? — Stan gargalhou. — Mas, espera, essa parte do açúcar no sangue é verdade?

Kyle deu de ombros, estavam quase na escola.

— Ela disse que conversaria com seus pais! — Kyle declarou. — O que você conversou com eles?

— Falei que se não transássemos em casa, transaríamos em outro lugar, e poderíamos ser presos por ataque ao pudor. — Stan riu. — Mamãe concordou comigo, ela e o papai transavam no armário debaixo da escada na casa do vovô quando eram namorados.

O ruivo colocou a mão sob o queixo pensativo, Stan sabia ser direto em seus argumentos, por isso ele era inútil no Clube de Debates.

— Sim, isso é um dado inegável, todos eles fizeram isso, então não adianta bancarem os hipócritas agora. — Kyle respondeu. — E tecnicamente eles estão fazendo sexo debaixo do mesmo teto que nós há muito mais tempo, cara!

Stan puxou o ruivo para um beijo longo, a boca dele se abriu quando mordeu e lambeu os lábios vermelhos de Kyle.

— Você é fantástico, Kye... fantástico... e meu namorado...

— Cara... estamos quase na escola...

Stan riu quando Kyle gemeu, o moreno se afastou um pouco, as mãos, no entanto, continuaram conectadas.

 

Quando eles chegaram na escola, várias cabeças os acompanharam, inclusive a Gang de Craig que estava reunida antes da porta, Craig os enviou um olhar gelado, Tweek sorriu um pouco, Clyde e Token estavam ouvindo atentos alguma coisa que Jimmy falava e apenas acenaram para seus colegas de times.

Kyle parecia muito tranquilo, já Stan estava com as mãos suadas, o ruivo as soltou por um instante para passar as palmas na calça jeans larga que usava, o que gerou um olhar de desespero no rosto do moreno, Kyle rapidamente apanhou a mão de Stan de volta enquanto subiam as escadas e entravam pelo corredor.

— Hey, Marsh!! — Um garoto do primeiro ano gritou, Stan voltou seus olhos para ele, mas Kyle continuou caminhando e arrastando Stan consigo. — Ótimo jogo ontem! Esse ano o estadual vai ser nosso!

Kyle simplesmente sabia por experiência, que se parassem a cada congratulação sobre o jogo, só chegariam na sala de aula no dia seguinte.

— Estamos trabalhando nisso! — Stan respondeu acenando, enquanto cruzavam o corredor. — O primeiro obstáculo já foi derrubado!

Stan fazia um sinal de “vitória” com os dedos sorrindo enormemente para seu , Kyle rodou os olhos, mas tinha um sorriso no rosto, eles chegaram ao armário do ruivo primeiro, pois ficava no corredor mais perto, Kyle soltou a mão de Stan para abrir a porta do armário, Bridon Guermo e Bradley Biggle estavam lá, o loiro apanhando seus próprios livros, enquanto o outro conversava com ele.

Token chegou logo em seguida, enquanto Kyle conferia o horário fixado na porta do seu armário.

— Bom dia, caras! — Token tinha um sorriso enorme. — Ótimo jogo, hein, Stan! Vocês mandaram muito bem, Clyde não cala a boca a respeito! Assisti ao jogo, mas Clyde recontou tantas vezes que já estou sabendo até a cor dos olhos do Center adversário... duas cores, na verdade!

— É, imagino, Clyde arrasou, ele segurou toda a linha ofensiva do Springs! — Stan concordou quando Kyle terminou de apanhar os livros que precisava. — Agora é a vez de vocês, o jogo de sábado não vai ser fácil.

Token ergueu a sobrancelha arrogantemente.

— Meu time está preparado, temos várias jogadas ensaiadas com o armador e os lançadores, para todos os efeitos estarei no meu lugar como pivô cuidando para todas as jogadas darem certo!

— Não dá pra se preocupar, Butters se infiltra como ninguém! — Kyle ofereceu. — Não estou apreensivo, mas acho que na sexta vou maratonar uma série nova pra relaxar.

— Oh, estou assistindo “Chewing Gum”, é muito bom! — Bradley ofereceu, os garotos o encararam por um momento, educado, Kyle sorriu para ele.

— Eu e o Stan já escolhemos “The End of The Fucking World” para essa semana, depois tem algumas outras coisas na minha lista e na do Stan, mas vamos anotar sua sugestão, Bradley!

O garoto loiro sorriu.

— Nem terminamos “Eyewitness” ainda! — Stan falou decepcionado. — Vamos ter que baixar de algum lugar, eu tava tão ocupado nas noites das semanas anteriores que não assisti aos reprises, e essa série nem tem na Netflix.

Kyle puxou a mão de Stan na dele.

— Ocupado nas semanas anteriores, né? — O ruivo lhe enviou um sorriso secreto, se virando e encarando o moreno. — Vamos dar um jeito de colocar em dia essa série, um episódio por dia não mata ninguém, certo?

Ele piscou brincalhão, Stan riu e mordeu o lábio inferior, ele tratou de olhar por cima do ombro para os amigos, os três ficaram lá fingindo que não existiam.

— É... então, caras, eu e o Kyle temos Inglês na primeira aula, nos vemos depois!

Eles caminharam pelo corredor, ainda precisavam chegar ao armário de Stan, e foi lá que eles viram algo que fez Kyle bufar.

— Kenny, você não pode manter um pouco de decoro na escola? — O ruivo falou enquanto Butters muito corado o encarava como se tivesse sido pego roubando o pirulito de uma criança, ele na verdade apenas tinha a mão pousada na virilha de Kenny. — Esperem até o intervalo, pelo menos.

Kenny colocou Butters para o lado, o pequeno Stotch era quem estava o pressionando contra a porta do armário de Stan, mas Kenny nem reclamou da injustiça de Kyle acusando-o.

— Sim, mamãe... vamos nos comportar. — Kenny girou os olhos, enquanto terminava de apanhar mais um livro e colocá-lo na mochila surrada. — E aí, como foi ontem? Soube que os caras fizeram uma festinha no Whistlin' Willy's...

— Ah? — Stan perguntou um pouco perdido. — Clyde estava nisso?

— Cara, você também não foi? — Kenny riu.

— Eu tinha... — Stan olhou para Kyle que tinha um sorriso travesso no rosto. — ... assuntos mais importantes pra tratar... e você?

Kenny abriu a boca para falar quando Fosse McDonald estourou entre eles alcançando o próprio armário.

— Clyde não foi, mas fizemos uma boa comemoração, foi uma festa de solteiros. — Ele disse olhando para Kenny e Stan com olhos apertados. — Parece que todo mundo começou a namorar nesse jogo de domingo, vou ter que arranjar uma namoradinha também, ugh! Vocês sabiam que até o Bradley, que se dizia gay está com a Lexus? Aquela super gostosa do time de vôlei?

Butters jogou um olhar para Kenny que encolheu os ombros, eles ouviram Kyle falando.

— Interessante, agora vamos pra aula, vemos vocês depois, caras...— O ruivo falou, puxando Stan pela mão em direção à sala de Inglês. — Ainda preciso revisar meu trabalho sobre Shakespeare... Você escolheu Hamlet, não foi, cara?

— Foi, só terminei ontem à noite, abordei a depressão. — Stan comentou, eles dobraram o corredor e alguns alunos já estavam na porta da sala de aula. —Não vejo aquilo como melancolia...

 

Mas Kenny não estava mais ouvindo, porque Butters o puxara e eles correram pelo outro corredor, Butters o empurrou dentro do banheiro e a próxima coisa que Kenny sabia era que suas costas bateram contra a porta.

— Leo... o quê... mhfnm?

A boca de Butters já estava colada na de Kenny outra vez, Kenny sorriu contra os lábios do pequeno Stotch um instante antes de sua boca ser invadida pela língua faminta.

— Ahhhh... não faça isso... — Kenny gemeu quando sentiu a mão suave apanhando sua ereção sensível. — Estou... estamos... mffgnnn...

Butters empurrou a língua na boca de Kenny o calando por alguns segundos.

— Shhh... vai ser rapidinho, Ken... — Butters falou assim que conseguiu abandonar os lábios de Kenny.

— Sério... vamos nos atrasar... — Kenny falou quase sem fôlego. — Leo...

Mas Butters tinha um sorriso doce no rosto quando ele se abaixou puxando um pacote de lenços de papel que trazia no bolso da jaqueta canguru que usava hoje, ele tirou a jaqueta, colocou a peça para o lado, e encarou o pênis ereto de Kenny que quase tocava seu nariz...

E riu...

— Não vai levar nem dois minutos. — Butters piscou.

Kenny mordeu os lábios para não gritar quando a boca quente se fechou ao seu redor, o beijo trocado no armário o deixara aceso e alerta da presença de Butters.

— Ooooh, porra...

A língua aveludada de Butters rodopiou na ponta da cabeça dele e Kenny achou que gozaria no mesmo instante, ele vacilou sentindo as pernas fracas e Butters o segurou pela cintura, prendendo-o contra a porta com segurança, Kenny não podia fechar os olhos, mas o ápice estava tão perto...

— Hmmmm... — Butters murmurou e o som reverberou através da espinha de Kenny enviando ondas de prazer direto ao seu membro. — Ah, Ken... goza na minha boca... eu quero tanto sentir o seu gosto...

Foi um momento só que Butters o abandonou e Kenny respirava rapidamente, seu rosto aquecido pela proximidade do orgasmo, as duas mãos de Butters o circularam pela cintura e desceram para as nádegas, pressionando-o contra sua boca pequena e rosada, o calor era tão intenso que Kenny achou que seu corpo incendiaria.

— Hmmmhumm... — Ele ecoou outra vez e Kenny enfiou o próprio punho na boca para não gritar quando a cabeça de seu pênis tocou o céu da boca de Butters e escorregou até quase a garganta, o loiro o chupou mais forte e então Kenny sabia que ia desmaiar.

— Ahhhh... ah... — Kenny estremeceu, ele abriu os olhos para ver os olhos cristalinos de Butters brilhando abaixo dele.

E foi quando ele sentiu seu corpo ardendo inteiro, torceu os dedos dos pés e mordeu os lábios, Butters continuava chupando-o com afinco e decididamente quando os primeiros jorros se lançaram dentro da boca do loiro, não tão gentilmente Kenny apanhou os cabelos muito claros de Butters e os segurou, como se fosse a única maneira de manter-se de pé, tentou forçosamente não manipular a cabeça do loiro que fazia um ótimo trabalho sozinho, então se sentiu esvaziando, ondas de prazer arrebatando-o enquanto ele observava as bochechas de Butters ficando cada vez mais vermelhas, então os espasmos de Kenny pararam e ele notou que Butters estremeceu e apertou as nádegas de Kenny com todos os dedos, certamente ficariam hematomas absurdos ali, mas Kenny achou a sensação maravilhosa.

— Ahhhhhh... Ken...

Quando Butters soltou seu membro, Kenny então notou que mesmo sem usar as mãos Butters se derramava aos seus pés, em um suave e contínuo fio de líquido branco que partia da ponta de seu membro perfeito, ele fizera uma camada de lenços de papel no espaço entre os dois e era ali que o esperma dele caía aos poucos, lentamente, como um vulcão em erupção, transbordante e quente.

— Caralho, Leo...

Butters beijou a coxa esquerda de Kenny enquanto sentia os últimos jatos abandonando seus corpo, os espasmos pararam e ele apertou os olhos, apanhou mais lenços do pacotinho que trouxera já com esta finalidade, e limpou tudo o que conseguiu, limpou Kenny que ainda estava estático contra a porta, limpou a si mesmo e ajeitou sua calça de moletom, se levantou puxando os jeans de Kenny e fechando-o, então como bom jogador de basquete, acertou dali mesmo os lenços usados na cesta de lixo abaixo da pia do banheiro.

Kenny sorriu ainda se sentindo meio perplexo, eles ouviram o sinal marcando a última chamada para a sala de aula, Butters sorriu de volta e plantou um beijinho nos lábios de Kenny, suas mãos macias alcançaram o rosto do outro loiro e Butters escorregou as mãos para a nuca de Kenny subindo para seus cabelos, bagunçando-os.

Os dois lavaram as mãos e o rosto, Kenny ainda sentia as pernas bambas e esperava que a água fria o ajudasse, mas Butters sorrindo para ele com alegria depois de chupá-lo até a alma só tornava a tarefa ainda mais impossível.

— Agora sim, precisamos ir! — Os olhos azuis árticos brilharam quando Butters apanhou os livros dos dois nas mãos e puxou Kenny pela porta.

 

 

Assim que Stan e Kyle se afastaram de Kenny e Butters, o ruivo ouvia atentamente a interessante abordagem de Stan sobre Hamlet e a depressão, quando uma voz os interrompeu.

— Hey, por que os dois bichas cruzaram o corredor de mãos dadas? — A voz embotada de Eric Cartman foi ouvida, ele caminhou até eles encarando os dois amigos com olhos castanhos escarnecedores.  — Já pode soltar o Stan, ô judeu, não estamos mais no pré para andar de mãos dadas com o coleguinha.

Stan e Kyle trocaram um olhar, Stan estava um pouco apreensivo, e Kyle apertou a maxilar ao mesmo tempo que Wendy surgiu com Bebe por trás de Cartman.

— Olá, garotos! — A morena cumprimentou, seus olhos automaticamente correram para as mãos atadas. — Oh.

Ela olhou para Bebe com olhar interrogativo, mas a loira sorria lindamente observando as atitudes de Kyle, que corava um pouco perante toda a atenção.

— Larga ele, ô! — Cartman insistiu.

— Cartman, qual é o seu problema? — Stan perguntou ativamente curioso. — Dois caras andando de mãos dadas afeta você tanto assim, cara?

Kyle suspirou, inicialmente ficara com raiva, mas agora estava tão contente segurando a mão de Stan que era ridículo.

— Estou te fazendo um favor, Stan, os germes ruivos podem pegar em você irreversivelmente. — Cartman zombou.

— Você não entendeu, gordão. — Kyle falou baixo.

— O quê? Tem cola bonder na sua mão ou foi do troca-troca que fizeram da última vez? — Ele apertou os olhinhos porcinos observando os dois amigos. — Grudou a porra toda, literalmente?

— Não. — Kyle respondeu calmamente. — Você não estava no jogo ontem?

Eric Cartman corou um pouco, seus olhos correram para o lado onde estavam Wendy e Bebe, a morena estranhamente desviou os olhos violetas, mas continuou parada ali.

— Pra que eu precisava vir nesse jogo estúpido? — Ele declarou, e seu rosto ganhou uma coloração avermelhada mais intensa. — Eu tinha coisa melhor para fazer.

Stan limpou a garganta, alguém abriu a porta da sala e ele puxou Kyle pela mão, mas o ruivo continuava encarando Cartman com expressão séria, o moreno olhou de um para o outro.

— Cartman, eu e o Kyle estamos namorando, todo mundo está sabendo disso desde ontem no intervalo do jogo. — Stan informou, seus olhos alcançaram Bebe e Wendy, depois voltaram-se para Cartman. — Onde você estava que não teve acesso às notícias?

Cartman arregalou os olhos imensamente, o sinal ecoou no corredor marcando o início das aulas, novamente ele jogou um olhar para o lado, onde Wendy tinha o rosto um pouco corado, mas não parecia tão surpresa quanto ele.

— Foda-se, agora vocês são gays oficialmente? — Ele perguntou.

— É, cara. — Stan respondeu simplesmente.

Um silêncio ficou entre eles, Kyle encarava Cartman o desafiando a falar alguma coisa, mas o outro apenas parecia perdido por um momento, logo a voz de Bebe quebrou o gelo.

— Foi um anúncio muito lindo, aliás, digno do Stan! — Ela falou olhando de um para o outro depois para Wendy. — Eu sei que você não pôde ir ao jogo, Wends... e como fiquei com o Clyde até agora não tive tempo de contar a você...

Wendy acenou com a cabeça, ela tinha um pequeno sorriso no rosto.

— Tudo bem. — Seus olhos encontraram os de Stan, depois ela voltou-se para Kyle também, sorrindo amigavelmente. — Isso aconteceria eventualmente. Estou feliz por vocês, meninos. É legal que ainda há rapazes que assumam seus sentimentos publicamente.

E foi assim que ela deu as costas, Bebe acenou e a seguiu para dentro da sala, Stan ficou observando as costas dela, não eram namorados a muito tempo, mas Wendy sempre acusara Stan de se concentrar mais em Kyle do que nela, consequentemente, só agora ele notou que ela sempre estivera certa.

— Vamos. — Kyle o puxou.

Cartman ficou um instante com a sobrancelha franzida e uma expressão de total perplexidade no rosto, ele seguiu para dentro da sala e sentou atrás de Wendy, Stan notou estranhamente que os dois foram os únicos que não estavam naquele jogo.

 

 

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

 

 

As aulas da manhã passaram calmamente, Tweek sentia que havia um par de olhos nele a manhã inteira, ele aproveitou a aula de Geografia para conversar aos sussurros com Butters sobre os ajustes que estariam fazendo sobre o Clube de Artes, aparentemente a escola inventara uma grande exposição para a Classe Especial na semana do Halloween, e no meio da manhã Tweek recebera um aviso do Diretor PC a respeito.

Perto da hora do almoço, um bilhete foi colocado por Louis na mesa de Tweek, ele ergueu os olhos para o colega do Clube de Artes.

— O que é isso? — Tweek perguntou juntando seu material e se levantando.

O moreno brincou com o cachecol listrado, observando Butters logo ao lado de Tweek, só havia os três na sala.

— Alguém passou isso para a Nancy e ela pediu para que eu entregasse a você. — Ele falou já dando as costas para a dupla de loiros.

— Certo. — Tweek respondeu e enfiou o bilhete no bolso, Louis acenava com a mão por cima da cabeça saindo da sala.

Butters curioso tinha as duas sobrancelhas franzidas.

— O que você acha que é?

— Não faço a menor ideia, vou ver depois do almoço.

— O quê? Não, você tem que ver isso agora, Tweek!

— Pra quê? — O outro loiro suspirou. — Vamos sair daqui, preciso lavar o rosto e pedir um café ou vou dormir de pé.

— Noite difícil? Você bocejou a aula inteira.

— Relevos do Colorado é a merda mais chata já inventada na porra do mundo. — Tweek declarou um pouco irritado. — Podemos apenas pular para a parte humana da coisa?

Butters riu, eles alcançaram o corredor, seus amigos estavam em maioria do outro lado da escola, Kenny tivera aulas com Clyde, Token e Craig, então só se encontrariam no refeitório.

— Tweek, eu vou na frente e você abre esse bilhete, é melhor resolver isso logo e ter o resto do dia livre dessa questão. — Butters aconselhou e saiu em direção ao refeitório.

Tweek se dirigiu ao banheiro, primeiro ele colocou fora direto no vaso sanitário o resultado dos 50 litros de café que tomara pela manhã (diferente de Butters, Tweek evitava o mictório como se fosse uma peste), e depois lavou as mãos e o rosto, não dava para dizer que estava com olheiras, apesar da noite bagunçada, ele dormira bem e confortável no calor da própria cama e envolvido no cheiro de Craig.

Ah... Craig...

A noite anterior e tudo o que aconteceu era algo que Tweek estava tentando manter fora de sua mente, ele sabia que Craig poderia estar confuso, e Tweek pensou no segredo que continuava guardando, ainda não se achava pronto para isso... ainda não achava que era a hora certa...

Mas ele sabia que não poderia mais viver sem tocar em Craig e sem ser tocado por ele, só o vago pensamento já fizera seu membro se contorcer e o coração disparar.

A porta abriu e fechou atrás dele, mas Tweek estava tão perdido em pensamentos que não viu, ele respirou fundo e lavou o rosto outra vez para acalmar o rubor que subia eventualmente quando sua mente navegava para os acontecimentos da noite anterior, precisava acalmar, tudo o que ele não queria era uma ereção estúpida o constrangendo em plena escola.

Como distração ele empurrou a mão no bolso e apanhou o bilhete, quando abriu viu uma letra desconhecida.

 

“Encontre-me no final da aula no pátio externo atrás do estacionamento.

Assunto de extrema importância.

Venha sozinho.”

 

Tweek ergueu os olhos quando ouviu a porta do banheiro fechar novamente, por um momento ele se sentiu exposto e observado, mas sacudiu a cabeça e enfiou o bilhete no fundo do bolso frontal da sua calça.

Ele saiu do banheiro e deu de cara com Craig vindo em sua direção, não valia muito a pena pirar com teorias investigando quem escrevera aquele bilhete, mesmo que o cérebro de Tweek quisesse ficar nisso e ele já tivesse elegido opções, em um instante Craig o puxou para um canto onde ficavam os bebedores, os dedos frios do moreno rodearam o pulso de Tweek e então eles já estavam parados, olhando um para o outro.

— C-Craig? — O loiro perguntou nervosamente.

Craig achatou Tweek na parede ao lado dele, ambos com as costas coladas na superfície fria, o moreno parecia preocupado e desconfiado.

— Assustei você? — Ele perguntou. — Desculpe, acabei de ver uns caras do seu clube.

— Ah? — Tweek tentou olhar por cima do ombro de Craig, para ver quem estava no corredor, mas o moreno interceptou a visão dele. — Quem?

— Não importa. — Craig encolheu os ombros desviando o olhar e afastando seu corpo de Tweek. — Eles vão conseguir falar com você na aula. Eu só queria almoçar sem interrupção.

Ele ergueu dois pacotes pardos mostrando a Tweek.

— O que é isso? — Tweek perguntou, só agora vira que Craig tinha algo em mãos.

— Café, suco, sanduíche, cupcakes. — O moreno respondeu enumerando. — Você pode escolher sabores, mas são as opções do refeitório, não me responsabilizo.

Tweek ficou sem fala por um tempo, observando o rosto de Craig corar gradualmente.

— Você pegou lanche para nós dois? — Ele perguntou com a voz em um sussurro. — E quer comer comigo, fora do refeitório?

Craig desviou o rosto corado, incapaz de reunir uma frase por conta da surpresa estampada no sorriso de Tweek.

— É. — Ele falou estoico, apesar de seu rosto em chamas. — Não é como se eu nunca tivesse feito isso.

— Você não faz isso desde... — Tweek começou, mas Craig o interrompeu.

— Vamos comer embaixo das arquibancadas do ginásio, tenho certeza que está aberto e não deve haver ninguém lá.

E falando isso Craig saiu com Tweek no seu encalço, eles chegaram rapidamente ao ginásio, e fora os vampiros que se reuniam em um canto bem longe e isolado, havia a promessa no ar de passarem o horário de almoço totalmente tranquilos.

Eles sentaram tão confortavelmente quanto poderiam com apenas metade dos refletores do ginásio ligados e uma atmosfera de promissora intimidade, Craig deixou Tweek escolher o que queria primeiro, e o loiro era bem seletivo, Craig sabia.

O moreno intercalou olhadelas para Tweek e mordidas em seu sanduíche de presunto, ele tomou seu suco de maçã e assistiu o loiro comendo um sanduíche de queijo picante e depois devorar um cupcake de chocolate com café.

— Esse sanduíche está muito bom, qual será o ingrediente picante? — Tweek questionou aleatoriamente, seus olhos não deixavam a comida.

Craig o observou, depois de secar a caixinha de suco de maçã, o moreno observou a cobertura de baunilha formando um ponto doce logo acima do lábio esquerdo de Tweek, a vontade de lamber era quase incontrolável, mas Tweek o observava com olhos abertos em expectativa, claramente aguardando uma resposta.

— Pimenta...? — Ele falou com a voz rouca. — ...Provavelmente...?

Então Craig fechou os olhos, pois Tweek quebrou o contato visual deles e balançou a cabeça, os lábios do loiro se fecharam em torno do canudo, sugando com ênfase o líquido roxo do suco de uva.

— Não seja bobo, deve ser de queijo roquefort ou gorgonzola. — Tweek sorriu com os lábios esticados no canudo, e Craig não tinha certeza se ele realmente não o estava seduzindo.

— Meio sofisticado demais para o refeitório da escola, não?

Assim Craig aproveitou o momento de hesitação de Tweek e pressionou o polegar contra o canto dos lábios do loiro, o toque pairou um momento pressionando a pele quente enquanto Craig assistia as maçãs do rosto de Tweek corarem aos poucos, um calor alarmante começou a subir pelo rosto do moreno, os olhos verde-avelãs de Tweek brilhavam e Craig separou os lábios em expectativa, se inclinando levemente, agindo de forma instintiva e hipnótica, como se uma força simplesmente o puxasse para gravitar em torno do calor do loiro.

— Ahh... cara...

Eles ouviram, seguido de um baque que ecoou no ginásio arrancando Tweek e Craig do momento de estupor, na parede próxima a eles os cabelos ruivos, indiscutivelmente encaracolados de Kyle estavam sendo puxados por uma mão, alguém suspirou em busca de ar e a voz soou novamente, sussurrando.

— Se acalme, porra...

— Deus, Stan, não aguento mais...

Craig trocou um olhar alarmado com Tweek, o moreno se colocou de pé imediatamente.

— Hey! — A voz anasalada ressoou no espaço, mas estavam tão perto da cena que Stan quase desmaiou de susto. — Não estraguem meu almoço com essa cena deprimente.

Kyle atirou um olhar feroz para Craig, mas o ruivo corava lindamente, Tweek sufocou um risinho ao mesmo tempo que Craig continuou impávido, Stan que estava ainda coberto pelo corpo do ruivo gemeu.

— Merda, eu avisei, Kye... — O Capitão do time de Futebol murmurou, era uma pena para ele que a acústica de um ginásio vazio era perfeita para tornar sua voz dez volumes mais alta.

— Okay... — Kyle se afastou ainda cobrindo Stan atrás dele. — Vamos sair.

Ele apanhou a mão de Stan, mas Tweek rapidamente pensou em algo, e ficou de pé, a visão deixou Craig totalmente confuso.

— Hey, Kyle! — Tweek chamou, Kyle voltou o rosto para ele com uma sobrancelha arqueada. — Espere, cara! Eu... preciso falar sobre uma coisa com você...

— Ah. Bem, cara, então... — Stan e Kyle trocaram um olhar.

O loiro desceu os degraus da arquibancada, estavam muito perto e ele apenas enviou um olhar suplicante para os dois.

— É só... é sobre a coisa da Classe Especial. — Tweek continuou, Craig já estava ao seu lado, mas virou-se para desprezar o lixo do almoço num cesto gigante, o loiro apertou os lábios encarando as costas de Craig. — Acho que você pode me ajudar, mas precisamos ir lá na Sala do Clube de Artes.

Tanto Stan quanto Kyle jogaram um olhar para Craig e depois voltaram os olhos para Tweek, eles se entreolharam mais uma vez e isso estava matando Tweek de ansiedade.

— Tudo bem, cara. Legal... — Kyle falou devagar, em seguida olhou para Stan. — Stan... eu... vou ali com o Tweek... você não queria achar o Clyde? Talvez o Craig possa ajudar nisso.

— Sim! — Tweek quase aplaudiu a capacidade de Kyle. — Craig ajude o Stan, nos vemos na aula!

Stan olhou de um para o outro, e acenou com a cabeça sem ter a chance de responder verbalmente, Tweek praticamente correu para a saída do ginásio com Kyle no seu encalço, heroicamente o ruivo não olhou para trás, Craig os observava se afastar sem expressão.

— Ah, Craig, você... — Stan começou, meio desajeitado, ainda frustrado e inevitavelmente desconfortável perante o olhar frio do outro.

— Não que eu queira ajudar você, Marsh. — A voz anasalado soou plana e resoluta. — Só vou fazer isso porque o idiota do Clyde está com meu trabalho de Física.

— Funciona para mim!

Os dois morenos saíram do ginásio, Craig poderia dizer que Stan estava tenso, mas sua própria contrariedade não poderia ser batida... ele acabara de ser interrompido de um almoço tranquilo que ele compartilhava calmamente com Tweek.

Após alguns metros de silêncio tenso, Stan resolveu quebrar a defesa de Craig.

— Então... hum... você ficou sabendo da exposição de roedores em Denver nesta semana? — Stan comentou amigavelmente, isso recebeu uma meia atenção de Craig, fosse o que fosse que passava pela cabeça do moreno mais alto, ele diminuiu seus passos irritados.

— Não. — Craig respondeu superficialmente, mas fez uma nota mental para pesquisar na internet quando chegasse em casa.

— Sim. — Stan continuou, uma vez que sabia que tinha a atenção de Craig, mesmo que fosse uma atenção teimosa. — Chinchilas, coelhos, furões, hamsters, porquinhos-da-índia... Eu mesmo adoro coelhos, então pensei em dar uma passada lá com o Kyle... Não que eu queira obter um para mim, mas ainda... parece um passeio bem legal.

Craig virou a cabeça lentamente para observar o rosto aberto e honesto de Stan, ele queria bufar contrariado pelo olhar alegre que encontrou, os olhos azuis de Stan cintilaram orgulhosos de sua ideia.

— E o que eu tenho com isso? — Craig perguntou petulante, mas sentiu-se idiota automaticamente. — Não ligo para coelhos.

Stan afundou as mãos nos bolsos satisfeito, Clyde vinha surgindo com Token logo atrás de Craig.

— Sério, cara, você deveria ir lá, sabe... levar o Tweek e relaxarem com aqueles peludinhos fofos... Tem porquinhos da índia!

O cara tinha um sorriso adorável no rosto, e Craig teve certeza que Stan estava apenas zombando.

Token cautelosamente se alinhou ao lado direito de Craig, Clyde escolheu o outro lado.

— E aí, parceiros? — Clyde falou jogando um braço por cima do ombro de Craig. — E aí, Cap? Treino no horário normal hoje, né? Quero um lanche decente antes de ter que segurar aqueles sacos de areia junto ao peito.

Stan mordeu um sorriso e observou o olhar atento de Token, depois voltou para Clyde.

— Sim, horário normal, aliás, Clyde, eu estava procurando por você!

Animado, Clyde seguiu Stan, eles falaram sobre as táticas que o moreno estava pensando em usar, Craig não podia estar menos interessado, ainda tentando manter sua ira por ter sido interrompido coberta com a costumeira apatia.

— Então, onde está o Tweek? Pensei que vocês iam almoçar juntos. — Token começou olhando para Craig com olhar ilegível.

— Não sei, ele simplesmente arrastou o Broflovski para alguma merda. — Craig rosnou.

Token ergueu as sobrancelhas, ele olhou para frente conferindo a distância agradável de Clyde e Stan, e observou a expressão de Craig, os dentes cerrados e lá estava a irritação que ele sabia que Craig vinha contendo.

— Sim, e qual é o problema? — Token falou parando os passos, Craig parou também, com as mãos nos bolsos sem encontrar os olhos do amigo. — Se você não queria que ele fosse, por que não falou? Você falou? Não.

Token afirmava categoricamente, mas a voz dele era plana e sem emoção, era apenas uma sentença que caía na cabeça de Craig, o moreno sabia.

— É. Eu não falei nada. — Craig começou. — Mas não deu tempo.

— Então, faça o seu tempo, Craig. — Token deu uma palmadinha amigável no ombro do moreno. — Faça isso, mas dê espaço a ele, Tweek precisa resolver as coisas do jeito dele.

Craig engoliu uma maldição, contrariado ele seguiu Token para a aula, mesmo que ainda faltassem dez minutos para o fim do intervalo do almoço.

 

 

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

 

 

Na sala do Clube de Artes, Tweek se encostava em um cavalete, ele passou as mãos nos cabelos empurrando as mechas loiras para trás, agoniado.

— Homem, por favor, é só distrair ele por alguns malditos minutos!

Kyle caminhava em círculos, no início achara divertido a ideia, mas agora estava preocupado.

— Não vai funcionar, cara! — Kyle apontou. — E você tem certeza que vai ver isso sozinho? Quer dizer, sem testemunhas?

— Sei me defender, se for necessário, e sim, prefiro ver isso por mim mesmo e logo. — O loiro replicou. — Não vou morrer de ansiedade só porque quero confirmar as minhas suspeitas.

— Você suspeita de alguém? — Kyle parou de caminhar, a comoção deixou seu rosto para dar lugar ao entusiasmo. — Quem e por quê?

Tweek deu um passo à frente, sorrindo um pouco ele encontrou os olhos verdes brilhantes de Kyle.

— Thomas. Porque obviamente nós dois temos um mesmo objetivo.


Notas Finais


Oieeee!!

Sempre tem algo pendurado, hein?
Mas, vamos lá, se vocês estivessem apaixonadxs pelo Craig, desistiriam fácil assim?
Okay, se o rival fosse o Tweek eu desistiria também, quero mais é que se peguem djfhskjdfhsdf

Sempre lembrando que o Kyle não deixaria barato uma "penalização" por namorar, me digam o que acham disso!

Ah, eu amo o Butters, falou que ia cuidar do Ken e TÁ CUIDANDO MUITO BEM, OBRIGADA!
Vocês querem Butters anjinho? TOMA! Maior anjo não existe!

Adoro a reação do Cartman... eu acho que ele imaginou aquela cena clássica de American Pie, que o Jim está no telhado, todo colado... assistiram esse filme? Um clássico mesmo!!

ANYWAY, eu tenho uma playlist Creek no youtube... ela é super relevante quando escrevo Creek seja onde for... se quiserem experimentar... meu gosto é sempre meio duvidoso... 😆
~> https://www.youtube.com/playlist?list=PLaqiaYGYpeRyW_VndPbmF4bsXd5i2zg5k
Me avisem se não conseguirem entrar, sempre fico em dúvida sobre os links do youtube 😅

Okay, agora contem o que acharam nos comentários, PRECISO SABER TUDO!!

Mil Bjs,
Vivi


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