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História Quero ser vilão - Capítulo 1


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Notas do Autor


Quando vcs vão editar uma imagem ou pegar alguma foto vcs tbm se sentem observados pela imagem e ficam com vergonha?

Sei lá, é como se eles dissessem “Eu sei que tu está editado minha foto”.

É paranoia minha?
Okay então ;-;

Mais uma One do Nv.

Se vc é novo e não sabe o que é o Nv, vou deixar o link de Acidente de trabalho nas notas finais.

Espero que gostem e boa leitura.

Capítulo 1 - Capítulo único


Era mais um dia de trabalho para Nathalie. Novamente a mansão estava quieta, não só por ser deveras cedo mas também por ser daquele jeito durante os últimos anos.

Gabriel ainda estava dormindo aquela hora e como seu trabalho administrativo também não havia começado, aproveitou para organizar as coisas pendentes da casa, que não eram muitas mas ocupariam o tempo necessário até seu turno em frente ao computador começar.

Entrou no quarto de Gabriel com cuidado para não acorda-lo, deixou o café de sempre no criado mudo ao lado dele. Costumava fazer o café em uma temperatura alta para que quando Gabriel acordasse estivesse no ponto perfeito de sua preferência. Nem tão quente e nem tão frio, mas também não era morno, era a temperatura perfeita como costumava dizer e apenas Nathalie tinha o dom para fazer a bebida alcançar o equilíbrio correto.

Mas do que adiantava ela ocultar sua presença no quarto se quando terminou de colocar o copo ao lado do chefe, um certo alguém derrubou uma caixa cheia de tecidos no quarto.

 

– Nathan! – Seu tom foi baixo porém repreensivo com o causador do barulho.

 

O garotinho mostrou as mãos como forma de redenção e correu para fora antes de ser punido verbalmente com um sermão que ele já conhecia como um mantra sobre ser um bom menino.

Por sorte Gabriel não acordou — Ele era bastante rabugento se acordasse antes do seu horário habitual.

Nathan tinha a habilidade de ser quase imperceptível quando queria e graças a isso conseguia entrar em lugares que não eram para ele entrar. Esse “dom” algumas vezes colocava sua vida em risco como quando ele quase se afogou no vaso sanitário pois Gabriel esqueceu a porta do banheiro aberta, quando ele entrou no carro sem que Gorila visse e quase morreu sufocado ou quando Nathalie estava arrumando o guarda roupa e quase prendeu ele lá dentro.

Ao sair do quarto encontrou o causador de suas várias dores de cabeça, mas que ela amava muito.

 

– O que já falei sobre entrar no quarto? – Repreendeu-o.

 

– Não pode – Repetiu o que sempre ouvia ela dizer – Não sem autorização.

 

Sua feição era neutra e mostrava o quanto ele não estava se importando — ou não conhecia — os perigos do seu “dom”.

 

– Você me parece bem – Colocou a mão na testa dele medindo a temperatura – Porque acordou cedo, está com alguma dor?

 

Nathan estava febril alguns dias atrás, se recuperava de uma virose que pegou de um dos coleguinhas da escola mas ele parecia bem já que estava fora da cama e aprontando suas peripécias pela mansão.

 

– Minha cabeça ainda dói – Respondeu manhoso.

 

– Coitado do meu bebê, acho que vou deixar você em casa só por precaução – Tirou a mão da testa dele – Se a febre voltar, vamos para o hospital.

 

– Não gosto de hospital.

 

– Eu também não mas é necessário. É para lá que vamos quando estamos doentes. Vou preparar seu café – Ela caminhou rumo a cozinha e precisou olhar para trás para saber que estava sendo seguida.

 

Nathan estava com seis anos e não parecia mais ter problemas para se comunicar. Sua fala foi destravada aos cinco e só foi preciso esperar o tempo certo com alguns exercícios de estimulação vocal, desde então não parava mais de falar. 

 

– O que é acidente de trabalho? – Nathan olhou curioso para a mãe.

 

A pergunta deixou Nathalie um tanto desconcertada. Havia deixado o apelido secreto vazar?

 

– Onde você ouviu isso? – Nathalie manteve-se neutra.

 

– Na escola – Voltou sua atenção para o pote de cereal.

 

Estavam tomando café no balcão da cozinha, apesar dos dois poderem usar a mesa de refeições. Era mais rápido ficar ali, não querendo dizer que eles nunca usavam a mesa mas naquela manhã ela quis ficar ali.

 

– É quando alguém se machuca ou algo inesperado acontece, só que no trabalho – Tomou um gole do café – Como você.

 

– Eu fui um acidente de trabalho? – Parou a colher que levava a boca.

 

– Você é um acidente de trabalho ambulante. Principalmente quando mexe em coisas que não deve dentro do ateliê.

 

Nathan comeu o cereal da colher pensativo.

 

– Meu amigo Jordan disse que os pais dele disseram que ele foi um acidente de banheira.

 

Nathalie se engasgando com o café e começou a tossir. Aquela conversa estava indo para um caminho diferente do esperado e não queria ter que explicar certas coisas antes do tempo.

 

– Já terminou seu cereal? – Mudou de assunto – Ainda precisa estudar piano hoje.

 

– Eu não quero estudar piano, eu nem sei ler direito – Nathan deixou a colher dentro da vasilha que já estava vazia.

 

– Você sabe identificar as notas – Nathalie recolheu seu copo e a vasilha do menino.

 

– Eu não estava falando das notas – Nathan fez um pequeno bico.

 

Talvez ele estivesse ficando um pouco mimado, mas Nathalie insistia em dizer que era sensibilidade infantil. 

Ela foi até a pia e começou a lavar os pratos que sujara.

 

– Todo Agreste precisa aprender piano – Sua atenção estava na louça que lavava.

 

– A senhora sabe?

 

Nathalie suspirou. Quando queria Nathan era bem convincente com seus argumentos

 

– Não. Eu não sou uma Agreste, sou uma Sancoeur – Respondeu cabisbaixa.

 

Na verdade nem ela mesmo sabia direito o que tinha com Gabriel. As vezes eles ficavam, mas nunca tocaram no assunto de compromisso, não possuíam exatamente um relacionamento e essa enrolação toda existe desde que Nathan era bebê.

 

– Porque não vai para seu quarto treinar leitura, a tarde você tem piano e eu já estou indo trabalhar.

 

– Me conta uma história, aquela do tempo dos heróis – Nathan desceu do balcão.

 

– O tempo dos heróis terminou e você sabe disso.

 

– Queria ter vivido no tempo deles – Nathan cruzou os braços inconformado.

 

– Não queira era horrível – Terminou de lavar a louça e pôs os pratos no escorredor.

 

Apesar da cozinha possuir uma máquina para isso ela preferia o modo tradicional, apenas em momento muito raros usava a máquina.

 

– Porque o tempo dos heróis terminou? 

 

Nathalie parou e olhou para o menino. Era por causa dele, para que sua segurança fosse prezada, mas nunca poderia dizer a ele.

Ladybug e Chat Noir nunca poderiam saber que Hawk Moth e Mayura tinham um filho.

 

– Eu não sei, não faz perguntas difíceis – Nathalie abaixou o olhar – Talvez um dia você consiga vê-los, mas só se for obediente.

 

– Não estava falando dos heróis – Franziu a testa.

 

Nathalie riu. Por algum motivo Nathan gostava mais dos vilões do que dos heróis e não tinha exatamente um motivo, ele só gostava e nem se podia dizer que era influência pois ele era educado para ser uma pessoa boa.

 

– Eu deixo você pesquisar sobre eles, mas só hoje.

 

– É sério? – Nathan animou-se – Obrigado.

 

Assim como Adrien, Nathan também tinha uma rotina cheia de regras e uma delas era não poder mexer em eletrônicos durante a semana.

Já no quarto de Nathan, Nathalie colocou a senha e desbloqueou o computador.

 

– Anota o nome deles para mim? – Entregou um papel para ela.

 

Como o próprio havia mencionado, ele não sabia ler direito mas conseguia identificar o que estava escrito no papel — Nathalie escrevia em letra de forma para que fosse mais fácil para ele — e passava para o computador.

Nathalie deixou-o e foi até o ateliê para trabalhar.

Algumas horas depois ela e Gabriel já estavam no ateliê trabalhando. Ela no serviço administrativo e ele em suas criações.

Verificou o relógio e percebeu que estava quase na hora de começar a preparar o almoço, também veria como Nathan estava nas pesquisas.

 

– Desenha pra mim? – Nathan apareceu ao lado de Gabriel mostrando um desenho e acabou assustando o homem com a sua presença.

 

Como Nathan havia chegado ali ninguém sabia. Nathalie tirou sua atenção do computador para olhar o susto do chefe.

 

– Nathan! – Nathalie foi até ele.

 

– O que é isso? – Gabriel pegou o papel – Ficou bem bonito, foi você que fez?

 

No papel era apenas um boneco palito “fantasiado” — Na verdade riscado com outras cores.

 

– Meu traje de super vilão.

 

Os adultos trocaram olhares assustados.

 

– Você quis dizer herói? – Nathalie já estava atrás do menino.

 

– Super vilão mesmo. Quero ser parceiro do Hawk Moth e da Mayura.

 

– Eles se aposentaram – Gabriel não sabia direito como responder ao filho – E eles são do mal, não vai querer ser aliado deles.

 

– Vou sim, vai fazer o meu traje de super vilão? – Nathan estava empolgado.

 

Gabriel olhou suplicante para Nathalie.

 

– Porque exatamente você quer ser vilão? – Ela afastou um pouco Nathan de Gabriel.

 

– Ser herói é chato, tem que seguir um monte de regras.

 

– Você não gosta de seguir regras? – Nathalie olhou-o.

 

– Algumas são chatas – Cruzou os braços.

 

– Elas são necessárias – Nathalie franziu a testa.

 

– Tudo bem, se não querem me ajudar, farei minha fantasia sozinho – Saiu emburrado.

 

Quando Nathan ficava emburrado era definitivamente o dia todo de cara fechada. Ele não quis almoçar e passou boa parte do tempo tentando montar uma fantasia de papelão — que Nathalie queria muito saber de onde ele tinha conseguido — no fim ele acabou dormindo sobre a pseudofantasia.

Nathalie colocou ele na cama e o deixou dormir. Já Gabriel acabou tendo uma ideia para fazer o filho desistir de vez de querer ser vilão.

Pela noite ele se transformou em Hawk Moth depois de seis anos. Entrou no quarto de Nathan e deu algumas batidas na janela para acordar o garoto.

Nathan abriu os olhos e sentou na cama sonolento.

 

– Olá meu jo...

 

– Pai? – Coçou os olhos.

 

– Que? – Hawk Moth ficou desorientado – Eu não sou seu pai garoto!

 

– Tem certeza? Ele é costureiro e consegue fazer fantasias bem reais.

 

– O certo é Design – Hawk Moth franziu a testa – Mas eu não sou seu pai, eu vim aqui porque sentir uma forte emoção negativa de você e também me disseram que você está interessado em ser meu aprendiz.

 

– Como posso saber se não estou sendo enganado? – Arqueou a sobrancelha.

 

Hawk Moth abriu s cápsula do seu cajado e a borboleta branca saiu, ele pegou o animal e transformou em um akuma.

 

– Uou! Você é mesmo o Hawk Moth!? Aquele que dá poderes para as pessoas – Nathan ficou bastante entusiasmado.

 

– O próprio – Descorrompeu o akuma e pôs a borboleta dentro do cajado novamente – Agora me diga o porque quer ser vilão?

 

– Minha mãe me contou que o senhor dava poderes para as pessoas, poderes do mal, mas ainda eram poderes. Eu quero ter poder também mas parece que eu tenho que ser do mal.

 

– E que tipo de poderes você quer ter? – Hawk Moth suspirou.

 

Nathan estava confundindo as coisas. Ele achava que para ter poderes precisava ser mal, mas não era exatamente daquele jeito.

 

– Quero o poder de cura – Nathan abaixou o olhar – Minha mãe... Está doente. Ela fingi que está bem mas eu percebo quando ela está tossindo e ficando fraca. Eu quero o poder de cura para ajudá-la, hoje ela não tossiu mas ontem e ontem do ontem sim.

 

E mais uma vez Hawk Moth se impressionou com ele. 

 

– Eu não... Posso ajudar. Quem tem o poder de cura é a Ladybug, não posso fazer nada. Seu motivo é nobre, não teria como você ser um vilão...

 

– Eu quero o poder de sugar a vida das pessoas pela dela – Nathan franziu a testa.

 

E em menos de cinco segundos ele novamente se impressionou com o filho.

 

– Não entendi – Hawk Moth estava deveras confuso – Você quer trocar sua vida pela dela?

 

– Não. Eu quero a das pessoas pela dela, não ligo para o que possa acontecer, dane-se elas – Cruzou os braços – Não conta para os meus pais que falei dane-se.

 

– Você é um menino estranho, não vou te dar poder, tenho medo do que possa fazer a solta...

 

– Sai do meu quarto então – Apontou para a janela.

 

– É o quê!? Você está me expulsando pirralho!! – Hawk Moth levantou furioso – Não é educado fazer isso com a pessoas! Não é isso que eu... Digo, seus pais te ensinam!

 

Nathan deu de ombros e conseguiu fazer com que Hawk Moth explodisse ainda mais. Odiava quando usavam desdém contra ele e o que irritava mais era saber que o próprio filho estava fazendo isso.

 

– Eu pensei que você fosse do mal de verdade, mas é só uma fraude – Nathan saiu da cama.

 

– Como ousa moleque? – Estava tão irado que nem conseguia pensar em alguma maneira de repreende-lo sem ser expor.

 

Nathan foi até a mesa de estudo e retorno com um papel nas mãos.

 

– Toma – Estendeu o papel para o vilão.

 

Hawk Moth pegou o papel com uma certa raiva mas ao olhar toda sua ira foi embora.

 

– Eu fiz para o você, posso te chamar de você? Pode não ser tão mal quanto eu pensava mas ainda gosto de você – Nathan deu um sorriso sincero.

 

Hawk Moth olhou abaixou o papel e olhou para Nathan. Ele fez um desenho dele ao lado do vilão.

 

– Você me deixou sem palavras – Olhou novamente o desenho.

 

– Então gostou? – Nathan animou-se.

 

– Você é grande artista, tem muito talento.

 

– Posso ser seu aprendiz então? – Os olhos brilharam

 

– Não – Fechou a cara.

 

Nathan fez bico e cruzou os braços emburrado. Hawk Moth pairou a mão sobre a cabeça do filho e deu dois tapinhas leves.

 

– Você ainda tem muito que crescer, se até lá você mostrar potencial, talvez eu te aceite como aprendiz e não adianta querer desobedecer seus pais para parecer mais “malvado”.

 

– Ainda vai me dar poderes? – Nathan suspirou derrotado.

 

– Não, mas sua mãe ficará bem. Ela só deve estar resfriada ou com alguma alergia – Hawk Moth sabia que era mentira, mas tentava não só convencer o pequeno como a si mesmo também – Nós vemos uma próxima vez...

 

– Nathan. Nathan Agreste mas tem o Sancoeur de minha mãe também.

 

– Agreste está perfeito – Hawk Moth sorriu – Vou levar o desenho, posso?

 

Nathan assentiu. Hawk Moth saiu pela janela, Nathan voltou para cama e adormeceu com um sorriso no rosto.


Notas Finais


Amei a interação de Hawk Moth e Nathan.

Queria muito saber qual a reação de Nathan se ele soubesse que Hawk Moth é o pai "verdadeiro" dele. Ele ia surtar e sair espalhando pra todo mundo kkkk

Meu bebê é fofo demais.
Quem concorda respira.

Nathan me orgulha a cada dia, parece que fui eu que pari kkkk

Devo dizer que o Nathan doentinho não foi intencional, essa fic está na gaveta muito antes de toda a confusão acontecer.


Link da primeira parte dessa One.

https://www.spiritfanfiction.com/historia/acidente-de-trabalho-18709793


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