História Quick Musical Doodles and Sex (Imagine Min Yoongi) - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Suga
Tags Bts, Imagine Bts, Imagine Suga, Imagine Yoongi, Min Yoongi, Suga, Yoongi
Visualizações 1.456
Palavras 7.891
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Demorei como de costume mas postei, como também de costume hahahaha... Esse capítulo ficou enorme e apesar de não ser tão tenso quanto alguns anteriores, é importante pro desenvolvimento da história, então espero que vocês gostem <3

Capítulo 9 - Você é um ------, Min Yoongi.


Fanfic / Fanfiction Quick Musical Doodles and Sex (Imagine Min Yoongi) - Capítulo 9 - Você é um ------, Min Yoongi.

Sinto minha boca impregnada pelo gosto forte de soju mas, por algum motivo que está além da minha capacidade de compreensão, eu continuo virando copo atrás de copo, em uma sequência interminável. O som alto e estrondoso da batida eletrônica que reverbera pela casa noturna faz com que os copos plásticos tremam sobre o tampo da mesa, e eu perco ao menos três minutos de vida observando o líquido transparente balançar de um lado para o outro. Vez ou outra um jogo de luzes brancas cruza minha visão e nesses pequenos espaços de tempo eu penso que, se o universo for justo, essa é a famosa luz branca que devo seguir para escapar desse mundo.

Mas é claro que o universo não é justo, e que minha vida inteira foi resumida a uma grande piada de mal gosto. E que, infelizmente, se eu seguir essas luzes, vou apenas acabar na mesa de som ao lado do DJ, que certamente não é a saída de emergência que eu preciso para escapar de toda essa situação.

E é por isso que desisto de continuar encarando o líquido transparente dançar no ritmo da música e resolvo bebê-lo de uma só vez, mas nem mesmo a queimação no fundo de minha garganta e a vertigem que sinto são capazes de me fazer esquecer. Na verdade, chego a conclusão de que a voz estridente e alta de Jisoo também possui uma grande parcela de culpa, já que ela continua a tagarelar sem parar, e todas suas palavras se resumem a Yoongi.

Yoongi, Yoongi, Yoongi. O nome se repete dentro de minha cabeça como um disco arranhado, em um volume centenas de vezes mais alto que a música local.

— Eu não consigo acreditar… O vizinho que transa todos os dias é na verdade o cara nerd da biblioteca?! — Ela repete e eu tenho certeza absoluta de que já respondi a essa pergunta ao menos cinco vezes. 

— Eu já disse que sim, e ele não transa todos os dias… — Não sei porque precisamos trazer a questão da vida sexual dele para a conversa, mas Jisoo parece achar essa informação importante. 

— Bom, ele transa mais que você… Quer dizer, teoricamente, qualquer pessoa transa mais do que você — Pra que eu precisaria de um inimigo quando tenho uma melhor amiga como Jisoo, não é mesmo?

— Será que nós podemos deixar a minha vida sexual fracassada de lado e falar sobre o que importa? — Imploro, mas percebo que mesmo apesar da música, meu tom de voz alarmado consegue atingir algumas pessoas que estão por perto, e que a menção a minha vida sexual fracassada atraí atenção. 

Eu duvido que Julieta seria tão julgada assim apenas por não transar…

Antes que Jisoo tenha tempo de responder, Hoseok e Jimin aparecem novamente trazendo mais uma rodada de bebidas, e não penso duas vezes antes de avançar na direção de outra garrafa de soju. Será que se eu substituir os 70% de água do meu corpo por álcool isso vai me colocar em um estado de coma profundo, e será que assim que vou conseguir esquecer que estou apaixonada por meu vizinho irritante?

Puta merda, não.

Aceitar que Min Yoongi, o garoto da biblioteca, é na verdade também meu vizinho, o babaca do post-it malcriado e dos gemidos exagerados, é uma tarefa quase possível. Estou certa de que ainda não desenvolvi as capacidades mentais para entender essa situação, porque ela se parece com um cálculo abstrato que não consigo responder… E que grande merda, eu sou a porcaria de uma garota de humanas, e resolver equações complicadas nunca foi meu forte.

Yoongi… Meu vizinho?

Não… Esse parece o enredo de um livro literário destinado ao fracasso, e todo mundo sabe o que acontece em livros literários destinados ao fracasso… Alguém morre! Alguém sempre morre, e nesse caso eu tenho certeza total de que eu sou esse alguém. Como vou conseguir voltar pra casa sabendo que o inimigo mora ao lado?! É, é o inimigo, porque o sentimento de traição que sinto é gritante e me atinge com muito mais força que o teor alcoólico que se alastra por minha corrente sanguínea.

Eu passei a droga do meu endereço pra ele. Eu passei a droga do endereço, meu Deus!

Será que ele não pensou que seria um tanto importante me dizer que ele morava logo ao lado? Não, e não acaba aí! A questão toda que continua revirando meu estômago e fazendo com que eu me sinta um lixo e sinta vontade de arrancar todos os fios de cabelo é: desde quando ele sabe que somos vizinhos? Desde a época do post-it? Desde que me mudei? Desde quando nos vimos pela primeira vez na biblioteca, ou de quando nos tornamos colegas de literatura?

O número cada vez maior de hipóteses sobrecarrega meus neurônios e quero chorar de nervoso e de raiva, mas ainda estou sóbria demais para chorar no meio da balada. Ok, talvez não tão sóbria assim, mas meu orgulho e minha dignidade ferida ainda parecem funcionar até um certo grau, o que me deixa aliviada.

— Ah, então foi por isso que ela resolveu aparecer em cima da hora? — Ouço Hoseok perguntar para Jisoo, e seu olhar de pena, que recaí diretamente sobre mim, me faz voltar para realidade e prestar atenção na conversa. 

— Pois é, parece que as coisas saíram do controle… — Jisoo responde, bebericando a bebida colorida que Hoseok trouxe para ela.

Eu queria que Yoongi também me trouxesse uma bebida, poxa vida… Mas que merda, porque estou pensando isso?

— Eu achei que ele já tivesse contado — Jimin se junta a conversa, e sua expressão confusa acende um sinal de alerta em meu cérebro. Como assim Jimin achou que ele já tivesse contado? 

Salto de minha banqueta e espero alguns segundos para ter certeza de que meus pés ainda estão tocando o chão. Pés, chão, ok. Dou um passo torto e bastante inseguro até parar na frente da banqueta de Jimin e o vejo arregalar os olhos, surpreso com minha aproximação. O cabelo colorido dele rouba minha atenção por alguns segundos, e preciso me concentrar para manter minha linha de raciocínio.

— Como assim você achou que ele já tivesse contado? — Termino minha bebida e bato o copo plástico contra o tampo da mesa, voltando a encarar Jimin com seriedade. Vejo ele franzir o cenho e olhar para Hoseok e Jisoo antes de responder. 

— Ele comentou que estava fazendo um trabalho de literatura com uma garota que morava no mesmo prédio que ele… — Jimin fala na defensiva, hesitando em todas as palavras, como se estivesse tentando transmitir a informação do jeito mais suave o possível — Quando ele te apresentou na última festa, achei que você já estivesse sabendo… 

Ah, puta que o pariu! Eu juro por Deus que eu vou esganar esse desgraçado! Eu vou colocar as minhas mãos naquele pescoço lindo e vou enforcá-lo até deixar aquela boca gostosa e carnuda implorar por ar, mas que inferno!

— Eu não acredito que ele sabia! — Grito, e dessa vez não consigo me importar com o novo conjunto de olhares que minha voz alta atrai. Espero que todas as pessoas ao meu redor explodam para que o caminho fique livre para que eu possa sair correndo - ou tropeçando - atrás de Yoongi. 

Ele sabia e não me contou! Ele. Simplesmente. Sabia.

— Então ele sabia que vocês eram vizinhos?! — Jisoo parece tão surpresa quanto eu e seu olhar furioso me faz ter certeza de que ela aceitaria me ajudar a sumir com um corpo. E eu poderia me aproveitar disso, eu realmente poderia… Quem é que iria descobrir?!

— Por que ele não disse nada?! — Pergunto para Jimin, dando outro passo em sua direção, apesar de já não haver distância alguma. Ele inclina o corpo para trás, procurando ficar a uma distância segura, e eu sigo seu movimento, inclinando o tronco para frente e me arrependendo amargamente, já que meu equilíbrio desaparece e a única coisa que me impede de cair sobre Jimin são os braços de Hoseok. 

— Calma aí, você precisa se acalmar… — Ele pede gentilmente, parecendo preocupado. 

Eu também queria que Yoongi se preocupasse comigo… E com esse pensamento eu tenho certeza de que preciso, urgentemente, dar um jeito de calar meu cérebro.

— Como é que ela vai se acalmar? O cara por quem ela está apaixonada é um babaca que escuta música alta de madrugada e transa mais do que ela! — Jisoo também grita, compartilhando de minha raiva. 

— Ele transar mais do que ela é um problema? — Jimin pergunta, parecendo confuso novamente. Talvez eu até sentisse pena de seu olhar de cachorrinho confuso e perdido se o álcool não estivesse começando a mostrar sua força. No momento, só consigo sentir pena de mim, e o álcool parece estar tornando isso pior. 

— Eu vou matá-lo — Digo por fim, me afastando de Jimin e do apoio de Hoseok e buscando meu celular no bolso de trás de meu jeans. Assim que Jisoo me vê pegando meu celular, sua mão livre avança depressa na direção do aparelho e ela se aproveita de meu reflexo comprometido pela bebida para tomá-lo de minhas mãos. Metade de sua bebida acaba voando durante o processo e atingindo a barra de minha camisa branca, deixando uma macha no tecido. 

— Jisoo! — Protesto, tanto pelo celular quanto pela camisa, e a risadinha histérica que ela dá denuncia que ela já está completamente bêbada — Você precisa me deixar ligar pra ele! Eu vou dizer que ele é um idiota! — Digo choramingando e tentando recuperar meu celular, mas Jisoo se aproveita de sua altura e ergue a mão, dificultando minha missão.

— Você não pode fazer isso! — Ela rebate, nossas vozes cada vez mais altas, e Hoseok e Jimin observam a cena toda com um misto de confusão e diversão em seus olhares. 

— Por que não?! Ele fodeu comigo, e nem foi de um jeito bom! 

— Porque você precisa pensar em uma palavra melhor que idiota, amiga! Você precisa ligar e dizer que ele é um… Ele é um… — Ela pausa e faz um biquinho pensativo, até que seu rosto finalmente se ilumina e ela volta a falar, transbordando segurança — Panaca! Você tem que chamar ele de panaca! — Por algum motivo, a palavra panaca faz com que um ataque de riso tome conta de Jisoo, e nem mesmo quando ela percebe que eu e os dois garotos estamos a encarando sem entender, ela para — Panaca é bem pior que idiota, desculpa. 

— Jisoo — Digo séria, mas toda minha seriedade é na verdade uma caricatura forçada por causa do álcool — Devolve o celular.

Meu tom ameaçador parece surtir efeito e ela finalmente parece se cansar de sua brincadeira e começa a abaixar o braço. Mas, então, vejo as mãos pequenas de Jimin agarrarem o aparelho e em um piscar de olhos meu celular some de minha visão e vai parar embaixo da camada de roupas pretas que o ruivo veste. Com o canto dos olhos consigo ver Hoseok fazer um sinal de positivo para o amigo, e chego a conclusão de que todas as pessoas estão oficialmente contra mim, é sério. Será que eu não posso nem mesmo me dar ao luxo de fazer uma ligação?!

Eu só quero gritar no telefone e dizer que Yoongi vai ter que dar um jeito de se dividir em duas pessoas para que eu possa continuar apaixonada pelo garoto da biblioteca sem que o vizinho chato e barulhento venha no pacote. Isso é possível não é? Tem que ser possível. Como é que posso estar apaixonada por um se odeio o outro? Como é que isso vai fazer sentido na minha cabeça e no meu coração e no mundo?! Não não não, isso não faz sentido, isso é contra as leis da natureza, da física, da química…

— Jimin, por favor! Por que vocês estão fazendo isso comigo? — Faço manha e tento encontrar uma nova garrafa de soju sobre a mesa já completamente tomada por garrafas vazias, mas Hoseok toma o cuidado de esconder qualquer vestígio de bebida. 

— Você vai agradecer a gente depois, eu juro — O quase-namorado de Jisoo afirma, dando um sorrisinho simpático que me faz chegar a acreditar em suas palavras — Sabe o que você precisa fazer agora? — Faço que não com a cabeça, porque não sei mesmo… Não faço a menor ideia do que preciso fazer agora, porque as únicas opções que minha cabeça problemática produz tem bastante a ver com morrer ou fugir para marte, e nenhuma das opções parece viável. 

— Você precisa deixar isso pra lá e se divertir — Jimin completa, mas não me convence. 

Quero só ir para casa e chorar no meu travesseiro. Por que foi mesmo que eu achei que seria uma boa ideia sair e beber para esquecer dessa ironia toda do destino?! Nem mesmo o álcool consegue me fazer esquecer de Yoongi, e de tudo que o envolve. O ambiente ao meu redor tem o cheiro denso de suor e bebida, mas eu consigo lembrar perfeitamente do perfume de Yoongi… E como é que vou esquecê-lo se todo cabelo descolorido que surge em meu campo de visão me faz lembrar dele?! Parece mais fácil esquecer do meu próprio nome do que do dele, e a constatação disso me deixa frustrada.

— Isso mesmo, você precisa se divertir agora e deixar para resolver essa situação toda amanhã, quando estiver sóbria, combinado? — Hoseok pergunta, esperando por minha resposta. 

— Viu só, é por isso que eu te amo, porque você é o lado sensato e racional da nossa relação — Jisoo afirma de modo bastante enfático e vejo Hoseok arregalar os olhos no mesmo segundo, sendo pego de surpresa. Minha amiga não se dá conta de suas palavras, mas a julgar pela reação de Hoseok, as palavras ‘eu te amo’ não devem aparecer com muita frequência quando se trata de Jisoo — Por isso você precisa seguir o conselho dos meninos e se divertir! Eu voto por isso! — Ela concluí, sorridente e erguendo seu copo vazio em um brinde solitário. 

— Não acho que eu consigo fazer isso… — Confesso, porque o álcool parece ter me deixado dopada e cansada ao invés de ter colaborado para que eu ficasse um pouco mais animada. 

Eu não posso acreditar que até mesmo o soju resolveu se voltar contra mim em um momento como esse! Olho para as garrafas vazias com tristeza, culpando-as por não terem melhorado meu humor, e no mesmo segundo em que ergo o olhar para voltar a fitar meus amigos, algo chama minha atenção.

Assisto um par de pernas longas e de coxas musculosas e bem definidas, marcadas pelo jeans escuro e justo, se aproximar a passos largos porém calmos e seguros, se é que isso faz sentido… Conforme a figura se aproxima um pouco mais, consigo reparar na camisa branca parcialmente pela jaqueta de couro também negra, e não demora para que meus olhos curiosos encontrem o dono daquele corpo, que por um motivo bastante claro já estava gravado em alguma parte de minha memória. O olhar de Jungkook se encontra com o meu sem dificuldade e vejo seus lábios avermelhados se abrirem em um sorriso caloroso e receptivo, que cresce ainda mais quando ele finalmente acaba com a distância entre nós.

— Achei que nunca fosse encontrar vocês! — Ele exclama aliviado, dando uma risadinha curta antes de dar um beijo demorado em minha bochecha e se afastar para cumprimentar os outros.

Observo suas costas largas e seu cabelo escuro, e tudo que o diferencia de Yoongi, desde o sorriso fácil até corpo esguio e forte, mas puta merda, porque estou pensando em Yoongi para prestar atenção em Jungkook?! E porque me sinto terrivelmente culpada assim que ele se vira outra vez para mim, e eu sinto como se tivesse sido pega no flagra, cometendo alguma espécie de pecado?

— Então, sobre o que vocês estavam falando? — Ele pergunta, dando um gole em seu copo cheio, e sinto minha garganta se tornar ainda mais seca, me fazendo ter certeza de que preciso urgentemente beber algo. 

— Só estamos tentando fazer minha melhor amiga aqui se divertir um pouco… — Jisoo brinca, passando um braço em volta de meus ombros e me puxando para um abraço de lado. 

— Noite ruim? — Jungkook pergunta e sinto vontade de responder que a semana, o mês, o ano, a vida toda está ruim, mas isso seria dramático demais e preciso controlar meu lado estudante de literatura e viciada em clichês para não assustá-lo. Resolvo apenas balançar a cabeça em um sinal afirmativo, e não demora quase nada para que ele estenda a mão livre em minha direção, aparentemente esperando para que eu a segure. Olho de sua mão estendida para ele, deixando transparecer minha confusão, e recebo um sorrisinho tímido em resposta.

— Posso tentar ajudar? — Não tenho certeza se é uma pergunta ou uma afirmação, porque há algo em suas palavras que se parece com insegurança, mas o brilho intenso de seu olhar demonstra uma determinação quase tangível. 

— Sim, é claro! Ela aceita ir dançar com você — Jisoo responde por mim, me empurrando na direção de Jungkook e fazendo com que eu acabe esbarrando em seu copo de bebida, e pela segunda vez na noite sinto minha camisa ser atingida por álcool. Jungkook, de modo involuntário, passa os braços em torno de minha cintura para me segurar e consigo sentir o aroma de seu perfume amadeirado. Mas não é esse o perfume que quero sentir…

Eu tento me afastar depressa, ignorando minha visão turva, e ele hesita antes de me soltar, como se estivesse tentando ter certeza de que estou bem. Eu preciso acreditar que isso seja um sinal do universo, não é? Primeiro o karma resolve me zoar fazendo com que meu vizinho e o garoto de quem gosto sejam a mesma pessoa, o que é uma brincadeira péssima e bastante nociva… Mas então, na mesma noite, o destino parece sentir pena de minha desgraça acumulada e coloca Jungkook em meu caminho.

Jungkook com seu sorriso largo e com seus ombros e braços e coxas e músculos por todos os lados, e que imploram para serem tocados. E ao mesmo tempo em que não quero ceder a esse jogo ridiculamente baixo que o destino parece querer jogar comigo, também não quero ter que aceitar o quão erradas as coisas estão, e então resolvo deixas as coisas fluírem. Finalmente me convenço de que não há nada demais em segurar a mão de Jungkook, e quando o faço sou retribuída com um sorriso animado, que me deixa confiante. Ele acena para nossos amigos e começa a me arrastar pela casa noturna, que parece estar com sua capacidade quase total.

Quando chegamos até a escadaria que leva ao andar de baixo, onde a pista de dança se encontra completamente dominada por um mar de corpos, Jungkook toma o cuidado de segurar firme em minha mão e de deixar que eu guie o ritmo de nossa descida. Levamos algum tempo para encontrar um espaço livre mas quando isso acontece não demora para que nossos corpos facilmente encontrem o ritmo da música, e eu acho engraçado como Jungkook parece se assustar e esticar as mãos em minha direção cada vez que meu equilíbrio parece vacilar.

— Eu não sei se é uma boa ideia deixar você fazer isso… — Ele se inclina em minha direção para que eu consiga ouvir sua voz mesmo no meio de todo barulho. 

Por um segundo chego a pensar que talvez ele esteja falando que talvez não seja uma boa ideia eu seguir com meu plano de matar Yoongi… Mas então lembro que 1) ele ainda não sabe sobre Yoongi e 2) EU DEFINITIVAMENTE NÃO DEVERIA ESTAR PENSANDO EM YOONGI.

Isso é magia negra… Isso é definitivamente coisa do cara lá de baixo, porque de Deus não pode ser! Yoongi deve ser um viciado em sexo satanista que faz rituais para se infiltrar na mente das pessoas e deixá-las loucas, eu tenho certeza disso!

— Isso o quê? — Pergunto um pouco desesperada, tentando urgentemente criar uma conversa para que, talvez, o rumo de meus pensamentos mude. 

— Deixar você dançar nesse estado — Jungkook sorri, dando um gole curto em seu copo ainda pela metade — Se você cair vão achar que não cuidei direito de você. 

— Então eu acho melhor você não me deixar cair, Jungkook — Digo sem pensar e sinto minha garganta arranhar. Ele para de se mover por um momento e aproveito a deixa para roubar o copo de suas mãos e dar um gole rápido na bebida, recebendo um olhar bravo dele. 

— Você só precisava ter pedido — Ele fala tombando a cabeça para o lado e entortando os lábios em uma expressão falsamente frustrada. E estou prestando atenção nas pintinhas que ele tem no pescoço, então não consigo me preocupar com sua falsa frustração. 

— E você iria me dar? — Pergunto entre um gole e outro da bebida roubada, até que o copo acaba sendo esvaziado, e sinto minha garganta agradecer ao mesmo tempo em que meu fígado protesta. 

— Provavelmente não — Ele acaba rindo, mas é oficial. A bebida não está ajudando, e ao contrário da frustração de Jungkook, a minha frustração é bastante real, e não consigo disfarçar… — Acho que alguma coisa ruim aconteceu mesmo… — Ele acrescenta, como se minha decepção estivesse estampada em meu rosto. 

E acho que está mesmo.

Eu devo estar com a palavra idiota escrita bem no meio da testa, e eu tenho certeza de que todas as pessoas ao meu redor são capazes de perceber como eu fui enganada e estúpida. Paro de me forçar a dançar e vejo Jungkook esconder as mãos nos bolsos de sua jaqueta, enquanto continua me fitando como se estivesse esperando uma resposta.

E juro que o olhar dele está mesmo me obrigando a falar sobre Yoongi! A culpa é toda do olhar dele, que implora para que eu conte o que aconteceu! Não tem nada a ver com a minha vontade doentia de falar de novo sobre meu colega de literatura… E vizinho…

E ah meu Deus, será que eu vou conseguir superar isso!?

— Eu descobri que Yoongi é meu vizinho… — Digo de uma vez, e ouvir essas palavras escapando de minha boca me faz perceber, de novo, o quão real a situação é. 

— Isso é um problema? — Ele questiona, parecendo não entender o que há de errado nisso.

— Na verdade sim… Porque… — Meu cérebro alcoolizado ainda parece capaz de pensar um pouco, e me impeço de falar que estou apaixonada por Yoongi, optando por outras palavras — Porque Yoongi é um cara legal, mas odeio meu vizinho, e agora descobri que eles na verdade são a mesma pessoa. E como é que uma pessoa pode ser legal e odiável ao mesmo tempo?! — POIS É, NÃO PODE, ESSA POSSIBILIDADE NÃO EXISTE — Você consegue entender o quão confuso isso é?! E daí agora eu não sei o que fazer, porque eu to triste, mas eu também to muito muito muito brava, e puta. Eu to puta mesmo e eu nem sabia que eu conseguia ficar tão puta assim, sabe? — Não sei porque, mas parece importante que eu afunde o rosto no ombro de Jungkook apenas para dar ênfase ao quão puta eu estou… Ou talvez isso seja importante só porque o chão parece sumir por alguns segundos e preciso de algum apoio.

— Tudo bem, eu acredito que você está puta… E entendo que você precisa sentar — Penso em protestar mas acabo cedendo e deixo que Jungkook segure em minha mão novamente e comece a me guiar pelos espaços vazios entre as pessoas. Depois do que parece ser uma eternidade finalmente encontramos um sofá vazio e um tanto isolado do aglomerado de corpos. Ele me ajuda a me sentar e desaparece por alguns minutos, retornando com um copo de água e ocupando o espaço vago ao meu lado — Você pode continuar falando sobre sua confusão se quiser, eu sou todo ouvidos.

Todo ouvidos e músculos. Eu penso quando ele se encosta contra o encosto do sofá e alonga as pernas, deixando que o jeans justo marque ainda mais suas coxas. E eu poderia facilmente me concentrar apenas nisso e esquecer de todo resto, se todo esse resto não envolvesse Yoongi…

— Eu não sei o que falar… Eu queria entender porque ele não me contou isso antes — De novo, percebo que minha voz se torna manhosa e uma espécie de choramingo surge no fundo de minha garganta. E não, não posso nem me atrever a chorar na frente de Jungkook porque isso definitivamente é demais! Resolvo continuar falando sem parar, em uma tentativa de que isso me impeça de chorar — Não faz o menor sentido, porque eu sei que ele sabia! O Jimin disse que ele comentou que estava fazendo um trabalho de literatura com uma amiga, então é óbvio que ele sabia! Mas por que ele não contou? — Jungkook coloca a mão sobre meu joelho e o gesto parece surtir efeito, já que me calo de imediato.

— Você precisa se acalmar, ok? — Seus olhos escuros buscam pelos meus e tento me concentrar na cor de suas íris. Respiro fundo uma, duas, três vezes, e finalmente concordo — Ótimo… Agora, por que você não tenta falar com Namjoon? 

— Com o Namjoon? 

— É… Se o Yoongi comentou algo com o Jimin, com certeza contou muito mais coisa pro Namjoon, já que eles são bem amigos… 

Um brilho fraco mas significativo parece surgir na escuridão e, por um segundo, eu penso que talvez a chance de conseguir uma explicação coerente não esteja tão distante assim!

— Sim, sim, sim! Essa é uma ideia maravilhosa! Eu vou atrás do Namjoon agora mesmo! — Digo saltando do sofá e caindo sobre ele logo em seguida, vencida pela tontura. 

— É melhor você continuar sentada — Jungkook diz, preocupado mas dando uma risadinha discreta. Ok, eu também riria do meu estado deplorável se estivesse em condições — Não adianta ir atrás dele agora, ele não veio hoje… 

— Mas Jimin, Hoseok, ele e você não andam sempre juntos? 

— Quase — Ele enfatiza a palavra — sempre. Mas hoje ele ia sair com o Yoongi.

— E como você sabe disso? — Meu tom de voz desconfiado o faz curvar o canto dos lábios e um meio sorriso. 

— Porque eu também sou amigo do Namjoon, esqueceu? Ele disse que não ia aparecer hoje porque ia sair com o Yoongi. 

— E onde eles iam? — De repente minha curiosidade começa a ganhar força, e não tenho certeza se estou só tentando descobrir onde Namjoon está para poder ir atrás dele, ou se, na verdade, só quero descobrir mais sobre Yoongi. 

E a segunda opção me faz gritar internamente, porque será mesmo que, nessas circunstâncias, eu ainda posso dizer que estou apaixonada?! Ou me permitir estar apaixonada? Ai… Droga.

— Um encontro de músicos, ou rappers, algo assim… 

Rappers… A palavra entra por meus ouvidos e começa a ecoar dentro de meu cérebro, e é como se em um piscar de olhos todas as notas musicais que invadiam meu apartamento noite a dentro, e que fui capaz de decorar com precisão, estivessem sendo reproduzidas em minha cabeça, e percebo que estive ocupada demais surtando com tudo para pensar que as músicas que eu tanto ouvia, na verdade eram as músicas que Yoongi criava. E percebo que é por isso que ele parecia tão preocupado em eu gostar das músicas do vizinho irritante! Porque as músicas, na verdade, eram dele!

Mas que inferno!

O Yoongi apaixonante da biblioteca, estudante de música, parecia gostar de música clássica, mas o Yoongi, vizinho irritante, é na verdade um rapper? A piada parece cada vez pior, e começo a sentir um medo incontrolável do que ainda pode vir pela frente. Porque eu sei que algo vai vir… Eu consigo sentir lá no fundo que algo muito ruim ainda vai acontecer, porque não é possível, eu realmente devo estar pagando todos meus pecados em vida.

Eu tento, e tento com muita vontade mesmo imaginar Yoongi como rapper, mas essa imagem simplesmente não pode ser imaginada. Não faz sentido, e não pode ser real. A coisa toda simplesmente não se encaixa, e nem mesmo o incentivo da bebida deixa minha criatividade aflorada o suficiente para que eu seja capaz de visualizar Yoongi sendo agressivo como os rappers famosos que conheço.

— Você tá tentando me dizer que o Yoongi gosta desse tipo de música, e não que ele é um rapper, né? — Tento confirmar, em uma tentativa de tentar comprovar que estou certa, e que é impossível que ele seja um rapper. Mas o olhar divertido de Jungkook não parece ser de negação…

— Difícil de acreditar? Na verdade ele é muito bom… 

— Não, não pode ser… Não dá pra imaginar isso — Afundo o rosto em minhas mãos, me sentindo sufocada por todas as informações inesperadas que me atingem sem aviso algum. 

Agora, além de estar apaixonada pelo garoto da biblioteca, estou apaixonada por meu vizinho, e por um rapper? O que mais vai aparecer nessa lista?

E puta merda, estou bêbada demais para me importar com o pensamento recorrente de que estou, de fato, apaixonada pelo meu vizinho.

— Eu não sei se eu devia fazer isso, mas você parece precisar de algum recurso visual — Jungkook brinca enquanto retira seu celular do bolso de seu jeans escuro. Espero em silêncio enquanto ele abre o aplicativo do youtube e começa a digitar alguma coisa, até que um vídeo específico aparece — Eu não trouxe meu fone, então talvez você não consiga ouvir a música, mas pelo menos vai te convencer de que sim, Yoongi é um rapper.

Sem dizer mais nada, Jungkook entrega o celular para mim, e antes que eu tenha tempo de respirar fundo ou de reunir a coragem necessária para dar o play, ele mesmo toma a iniciativa e coloca o vídeo para rodar, me deixado sem saída. Acabo sendo obrigada a assistir o vídeo gravado em uma espécie de ferro velho abandonado, com uma câmera com uma qualidade que deixa muito a desejar, diga-se de passagem. As primeiras cenas são um misto de tapes de carros destruídos e enferrujados, e de um trailer pequeno e então, sem aviso algum, Yoongi surge na tela do celular.

E então em um ato de puro terror e desespero, eu pauso o vídeo e bloqueio a tela. Meu coração parece estar batendo na minha garganta, e tenho certeza de que o tremor que sinto não é por causa do ar condicionado ligado… Jungkook me olha com o cenho franzido e lábios pressionados em uma linha, o que completa sua expressão confusa.

— Não quer ver? — Ele pergunta, e não sei a resposta. Quero? Não quero? 

— Acho que é melhor deixar isso pra lá — Digo, mais para mim mesma do que para ele, mas continuo segurando o celular com força. Jungkook apenas concorda e faz menção de pegar o aparelho de volta, e assim que seus dedos resvalam nos meus, buscando pelo celular, prestes a tirá-lo de mim, um desespero ainda maior se instala em meu peito — Mas que inferno, espera! — Afasto o celular dele e volto para o youtube, e acho que nunca senti tanto medo de apertar o botão play. 

— Você não precisa assistir se não quiser, eu só queria ajudar — Ele parece travar uma batalha interna, como se não soubesse se deve se sentir culpado ou não por meu estado ainda mais deplorável, mas acabo optando por não responder, e antes que o medo surja novamente, dou play. 

E Yoongi aparece.

Eu começo a repetir que não sinto nada, que não sinto a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e nada pelo garoto que aparece no vídeo, como se isso fosse uma espécie de mantra. Mas é claro que não adianta, e é claro que conforme as cenas vão se desenrolando, meu corpo vai me traindo cada vez mais. Yoongi aparece sentado sobre o tampo de um carro, vestindo um casaco escuro e usando botas militares, e seu cabelo loiro deixa parte de sua testa a mostra, e me sinto culpada por até então não ter parado pra pensar em como ele fica ridiculamente maravilhoso com esse estilo de cabelo.

E não adianta, a imagem dele em meio a carros abandonados, e a intensidade por trás de seu olhar feroz, que parece olhar para dentro de minha alma, mesmo através da tela do celular, faz meu coração se afogar na quantia exagerada de adrenalina que circula em minhas veias, misturando-se com o álcool e provocando um efeito devastador em meus sentimentos. Eu quero explodir e gritar e me debater no chão porque eu quero beijá-lo. Meu Deus, eu quero muito beijá-lo e correr os dedos pela merda do seu cabelo loiro, mas como é que eu posso querer beijar alguém que eu também me acostumei a odiar? Eu tenho certeza de que vou enlouquecer.

E enquanto meus pensamentos se movem depressa, meu olhar continua vidrado no aparelho em minhas mãos. O volume baixo me impede de ouvir a música, mas tenho certeza de que ainda que isso fosse possível, meu foco continuaria única e exclusivamente na imagem pecaminosa de Yoongi. Eu tenho certeza de que atingi o fundo do poço, mas assim que uma nova cena surge, e é acompanha por um Yoongi irônico e que exibe um sorrisinho debochado e de canto para a câmera, eu chego a conclusão de que não… o fundo do poço é bem, bem mais embaixo. E essa certeza só se torna ainda maior na cena seguinte, quando um simples gesto obsceno com o dedo do meio, e que não se parece em nada com algo que o Yoongi da biblioteca faria, faz com que eu me sinta em queda livre, sem chance de salvação.

É isso, é definitivamente isso. Não há chance de salvação.

Talvez eu devesse procurar ajuda na igreja, porque apenas um milagre parece ser capaz de me tirar dessa enrascada em que me meti.

Acho que consigo respirar de verdade apenas quando o vídeo chega ao final, e mesmo quando isso acontece, eu permaneço estática em meu lugar, agarrando o celular de Jungkook com força entre meus dedos, sem saber como reagir. Eu quero muito brigar e gritar com ele, mas eu também quero muito afundar o rosto na curva do seu pescoço e sentir seu cheiro… e eu não sei mesmo se dá pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo, por mais que eu me sinta bastante motivada a tentar.

— Ficou mais fácil agora? — Jungkook pergunta, de um jeito sincero e que me faz pensar que ele acha mesmo que me fez um grandíssimo favor me mostrando isso, mas a ironia por trás de suas palavras me faz rir. Um riso amargo e frustrado. 

É claro que não ficou mais fácil.

— Posso usar seu celular um segundo? — Digo depressa, ignorando sua questão e meio sem saber o que pretendo fazer. Mas tenho um celular em mãos, e parece besteira deixar a chance de ligar para Yoongi passar. 

— Se você prometer que não vai fazer besteira… 

— Não, eu só quero ligar pra um conhecido da faculdade que também participa desses encontros de rappers — Eu minto descaradamente, ficando orgulhosa de como minha desculpa parece bastante verdadeira e convincente — Vou fazer isso ali no banheiro, pra fugir do barulho ok? 

— Você tá bem? — Não? 

— Claro! — Minto de novo, e começo a me perguntar se sou uma mentirosa assim tão boa ou se é Jungkook que é uma desgraça na arte de ler as pessoas. Ou talvez ele só esteja começando a ficar bêbado também, a julgar pelos olhos semicerrados e pelo sorriso constante. 

Antes que ele tenha tempo de dizer mais alguma coisa, luto contra a gravidade e contra meu corpo que implora para que eu continue sentada, e caminho com cuidado até o banheiro mais próximo. Agradeço mentalmente assim que encontro uma cabine vazia e me arrasto até ela, trancando a porta depressa antes de começar a fuçar a agenda telefônica de Jungkook.

Eu não decorei o número de Yoongi, e isso é um ótimo sinal, certo?

Mas talvez isso não seja assim tão bom, já que quando busco pela letra Y, encontro poucos nomes, e nenhum deles é o de Yoongi. Droga… Eles se conhecem, tem amigos em comum, não é possível que Jeon não tenha o celular de Yoongi. Começo a repassar toda a lista telefônica e de repente me lembro do apelido. Suga. É claro, ele disse que todos o chamavam assim! Corro para a letra ‘S’ e bingo! O número de Yoongi brilha diante de meus olhos, proibido.

Aperto o botão de discar sem pensar duas vezes, e que Deus abençoe a coragem líquida promovida pelo álcool! Começo a bater a ponta dos dedos contra a porta de madeira no mesmo ritmo do som que a ligação faz enquanto Yoongi não atende. E ele não atende mesmo… Nem na primeira, nem na segunda, ou na terceira, ou muito menos na sétima vez em que ligo, de forma quase compulsiva e que beira o total desespero.

Na oitava vez, quando há estou a ponta de arremessar um celular que não é nem mesmo meu contra a parede, algo muda, e desta vez não é o som de ocupado que escuto, e sim uma mensagem de voz. Uma mensagem de voz gravada com uma voz que não é apenas uma voz mas é a voz de todas as vozes, sabe? A típica voz que se fosse responsável por gravar audio books de temas chatos como economia ou agropecuária, iria fazer a venda dessas categorias dispararem e os livros se tornarem best-sellers, eu tenho certeza.

Estou bêbada. Estou absurdamente bêbada, e esse tipo de pensamento só comprova meu estado deplorável.

“Oi, você ligou pra mim, mas não posso atender, ou só não quero falar com você. Tenta a sorte depois, ou não.”

Até mesmo a mensagem de sua caixa postal é ridícula, e combina perfeitamente com algo que acho que o vizinho do post-it malcriado faria. Eu preciso me desapaixonar. É isso.

[02:58] porrrqiue voce e asfimm ming yoongi 

Envio a mensagem sem pensar - honestamente, acho que parei de pensar há muito tempo.

[02:59] vvoce e un iditjuoa ta idiota

Não, idiota não… Qual foi mesmo a palavra que Jisoo usou?

[02:59] voce e um ------- minh yonnhi

Qual a palavra, qual a palavra… Forço meu cérebro para lembrar e sinto que a palavra começa a surgir, até ganhar forma. Panaca! Isso! Min Yoongi é um panaca.

[02:59] nÇFOFAN ÃO não noa voce e um panca panACA

[03:00] panap papapa papapapflskf panaca

Ele não responde e isso me deixa com vontade de chorar. Por que ele não responde minhas mensagens?! Responder minhas mensagens é o mínimo que ele pode fazer depois de transformar minha vida em um verdadeiro circo, com essa palhaçada toda. E é claro que não importa o fato de eu estar enviando mensagens de um celular que não é o meu, porque é dever dele saber que sou eu! Quem mais poderia ser?! Suspiro frustrada, lembrando das cenas daquele vídeo estúpido com carros estúpidos e olhares intensos estúpidos e aquele cabelo loiro ainda mais estúpido.

[03:01] vcoce ja pen sou em pintatt o kseu cabe,oeolo e pret ??????

[03:01] acjho que iffo me ajujdaria

Parando pra pensar seriamente, talvez se ele realmente pintasse o cabelo de preto isso me ajudaria, e meu coração não precisaria mais sofrer por causa daquele cabelo descolorido com aquele undercut maldito e tão charmoso. Tão, tão, tão charmoso…

[03:02] eu vduvivivdo que romugre romeu emra vizinio a julieta e qeu ele mentira pra ela

[03:02] voce fesf tuso errado mit yoongu

Fez tudo tudinho tudo mesmo errado. E meu estado instável de humor muda novamente de entristecido e melancólico para puto e com raiva, e resolvo parar de mandar mensagens porque volto a querer que Yoongi se exploda, ao invés de querer que ele me responda pra matar a saudade infantil que já sinto de falar com ele. E então, em um lapso de consciência falsamente forjada pelo álcool, resolvo que vou sair do banheiro, vou dançar com Jungkook e então vou embora.

[03:04] vou rmebora

Por algum motivo é importante avisar para Yoongi, ou para seu celular, que vou embora.

[03:04] tchau

E também dar tchau. Ele me fodeu a vida inteira, mas isso não significa que não devo ser educada. Pessoas educadas dão tchau, né?

Saio do banheiro estranhando o chão que se move e não me preocupo em parar para me olhar no espelho, porque sei que a única coisa que meu reflexo vai mostrar é meu fracasso, e já estou exausta demais de enxergá-lo. Finalmente avisto Jungkook, ainda sentado no mesmo lugar, esperando por mim.

— Você demorou, achei que tivesse acontecido algo — Ele fala, claramente aliviado por eu estar bem. Ou aparentemente bem… Ele indica o espaço ao seu lado, esperando que eu me sente, mas ao invés disso é minha vez de estender a mão e buscar pela sua, puxando-o e o fazendo ficar em pé. 

— A gente vai dançar! — Digo alto o suficiente para que ele consiga escutar, e não dou tempo algum para que ele possa responder ou protestar. Assim que ele fica de pé, começo a arrastá-lo em direção a pista de dança, grata por ele não estar dificultando minha missão. Acabo avistando Jisoo e os garotos e resolvo me juntar a eles, e percebo que talvez o importante não seja afastar Yoongi de meus pensamentos, mas pelo menos tentar fingir que isso acontece. 

Por isso, durante quase uma hora, consigo fingir que tenho tudo sob controle e que não sou uma bomba atômica prestes a explodir. Descubro que Jungkook é um tanto controlado quando sóbrio, e um tanto cheio de carícias e toques quando bêbado. Sem contar nos risos arrastados e nos sorrisos sedutores que são sempre direcionados para mim, tenho certeza. Jisoo faz questão de esbarrar em mim o tempo todo, fazendo com que eu acabe me desequilibrando em direção a Jungkook muito mais vezes do que poderia ser considerado natural, e quando as coisas simplesmente saem do controle, resolvo que é hora de ir embora.

Depois de pelo menos mais meia hora de discussão, sobre como eu sou perfeitamente capaz de chamar um táxi e ir sozinha para casa, acabado sendo vencida pelo cansaço e aceito a carona que Hoseok oferece. Ele só devolve meu celular assim que, com a ajuda de minha melhor amiga, me deixa na minha cama, antes de desaparecer do meu quarto e deixar que uma Jisoo risonha e agitada me ajude a me livrar de minhas roupas suadas e a vestir uma camisa velha qualquer, que não chega nem na metade de minhas coxas.

— Pronto, agora dorme e não faz besteira — Jisoo ordena, jogando o lençol sobre meu corpo e dando um beijo demorado em minha testa — A gente se fala quando eu acordar bem, daqui uns dois dias, porque tenho certeza que essa ressaca vai ser das grandes — E, por algum motivo, ela ri, achando graça nas dores de cabeça infinitas que certamente virão pela frente. 

— Obrigada por tentar me animar — Digo por fim, vendo-a ir embora e ouvindo a porta de meu apartamento sendo fechada alguns segundos depois. 

Começo a girar na cama, de um lado para o outro, tentando me aproveitar do silêncio e do meu estado alcoolizado para adormecer depressa, mas meu sono também parece ter se voltado contra mim. Pego meu celular sobre o criado mudo ao lado da cama, mas ele está sem bateria, e não consigo lembrar onde deixei a droga do carregador… Afundo a cabeça no travesseiro, e não demora para que meus pensamentos saiam do controle e o nome do Yoongi comece a ecoar por meus ouvidos, como uma canção de ninar que tem efeito contrário, e ao invés de me ajudar a dormir, só me deixa mais desperta.

Tento aguentar firme por mais alguns minutos, mas continuar deitada pensando em Yoongi é uma tortura e resolvo que preciso fazer algo. Rolo para fora da cama, descobrindo que bebida e escuro formam uma péssima combinação, e preciso praticamente me arrastar pelo quarto até encontrar o interruptor. Talvez assistir televisão ou preparar algo para comer ocupe meus pensamentos, então caminho até a sala, mas a mancha de sorvete no tapete rouba minha atenção e lá está Yoongi novamente, guiando meus pensamentos.

Solto um grunhido frustrado e me viro para ir em direção a cozinha, mas acabo tropeçando em algo esquecido pelo caminho, ao lado do sofá. Praguejo mentalmente a bagunça de meu apartamento e percebo que o que resolveu se colocar no caminho entre meu pé e a cozinha é uma edição antiga de Romeu e Julieta, que Yoongi deve ter acabado esquecendo aqui. Me abaixo para recolher o livro e percebo que o acidente fez com que uma página do livro acabasse amassando, e tento fazer com que a folha amarelada retorne ao normal, quando meus olhos embriagados de soju começam a correr por um parágrafo marcado com lápis. 

"Meu único amor, nascido de meu único ódio! Cedo demais o vi, ignorando-lhe o nome, e tarde demais fiquei sabendo quem é."

A verdade por trás do trecho lido me atinge em cheio e fecho o livro depressa, a raiva borbulhando em seu sangue, porque estou exausta. Estou simplesmente exausta do universo jogando em minha cara o quão irreal e absurda essa situação toda é. E resolvo que preciso fazer algo. Preciso tomar uma atitude, e resolver isso de uma vez por todas.

Começo então a revirar meus materiais da faculdade até que finalmente encontro um bloco de post-its amarelos, e alcanço uma caneta preta, plenamente convencida de que o que estou prestes a fazer é com certeza a melhor opção.

Preciso falar com Yoongi. Mas meu celular está sem bateria, e ele não está respondendo mensagens. E ter uma conversa pessoalmente parece arriscado demais.

Então é isso, vou enviar um bilhete.

Caminho para fora de meu apartamento e paro diante da porta de meu vizinho, recém descoberto. O silêncio penetrante no corredor só pode indicar duas coisas 1) ou ele está dormindo, o que é bastante injusto já que ele é o responsável por minha insônia, ou 2) ele não está em casa. De qualquer forma, fico em silêncio e apoio o bloquinho amarelo contra a porta, encarando o papel vazio que espera por ser preenchido por algo.

“Yoongi…”

Escrevo e travo. Talvez eu devesse ter pensando no conteúdo do bilhete primeiro.

“Por que você não me contou que sabia que éramos vizinhos?”

“Você é algum sádico que gosta de enganar e torturar as pessoas?”

“Você devia considerar a ideia de se mudar, ou de instalar alguma proteção de som nas suas paredes.”

Amasso todos os bilhetes, deixando que as bolinhas pequenas de papel fiquem caídas aos meus pés, enquanto continuo tentando encontrar a mensagem certa.

“Yoongi… Eu duvido que Romeu faria algo tão baixo assim com Julieta, você não acha? E quem é você para criticá-los por falta de comunicação, quando você mesmo não me comunicou que éramos vizinhos?! Isso é algum jogo? Porque, caso seja, não quero mais jogar…”

Releio o bilhete e acho que sou incapaz de pensar em algo que seja melhor, então me dou por satisfeita. Passo a caneta novamente sobre algumas palavras, para dar ênfase a elas, e me abaixo para conseguir passar o bilhete por debaixo da porta, mas sou paralisada pelo som indiscreto de alguém limpando a garganta.

Nessa pequena fração de segundos que levo entre prender a respiração e olhar para trás, eu me convenço de que há sempre como as coisas saírem ainda mais do controle.

— Você não prefere me entregar isso pessoalmente?


Notas Finais


Yoongi e sua mania de aparecer sempre nas horas mais inapropriadas né...
E ah, lembrem de me seguir no tumblr www.biasmut.tumblr.com porque eu normalmente lembro de postar spoiler ou coisas diferentes primeiro lá <3


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