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História Quiéreme a Rabiar - Capítulo 8


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Capítulo 8 - No te pido perdón


As aulas do quarto ano começavam às sete e meia da manhã. Os alunos tinham oito disciplinas por dia. Pela manhã, eles assistiam a seis tempos de aula, intercalados por alguns minutos de intervalo depois de três disciplinas. À tarde, após o almoço, tinham de comparecer a mais dois tempos de aulas e, depois disso, os alunos eram por fim liberados para realizarem suas atividades extracurriculares ou então para aproveitarem o restante do dia como lhe era conveniente, desde que não deixassem de seguir estritamente todas as regras de conduta do colégio, que eram fiscalizadas por um número considerável de inspetores presentes em todos os cantos do Elite Way School.

Na manhã do primeiro dia de aula, as horas passaram com uma rapidez incomum. Para começar o ano letivo com leveza, os professores optaram por fazer apenas breves introduções às suas disciplinas. No entanto, todos eles, sem exceção, ao lerem a lista de presença, pediram aos alunos novos que se levantassem e se apresentassem em poucas palavras para os demais. 

Já na terceira vez em que ouvia o nome “Roberta Pardo-Rey” só naquela manhã, Mía revirava os olhos e fingia discretamente expressões de nojo para as amigas, que riam baixinho em suas carteiras. Se antes a loira estava em dúvida sobre quem era a garota misteriosa que avistara no dia anterior no saguão principal do colégio, agora já não suportava mais ouvir seu nome e sobrenome, especialmente depois do que a ruiva havia aprontado com seu grupo de dança.

Ao soar o sinal do intervalo, os alunos se levantaram e saíram de sala varados, ávidos por uma descontração. Mía demorou um pouco mais para levantar da carteira e logo já estava cercada por suas amigas.

-Nós temos que divulgar as seletivas pro grupo de dança essa semana. Celina, você já imprimiu os cartazes? -Perguntou Vick.

-Já, amiga, só falta pendurar no mural. Pensei em colocar dois aqui no corredor, um lá na sala de jogos, na cantina…

-E já tá bom. Não temos muitas vagas, então é melhor nem chamarmos tanta gente. O que você acha, Mía?

-Vocês que sabem. -Ela respondeu sem prestar atenção ao assunto. Mía fitava através da janela de vidro da sala de aula Roberta, Josy e Lupita juntas, conversando trivialidades em um canto do corredor.

-O que você tem, hein? Esse é o momento mais importante do ano! -Falou Vick com certo exagero. -Nós vamos escolher as meninas que vão dançar com a gente até o ano que vem, você devia estar mais animada.

-As pessoas estão rindo do nosso grupo, Victoria. -A irritação na voz de Mía era nítida. -Já me encaminharam pelo menos uns três vídeos da apresentação de ontem. Um idiota até fez uma montagem com outras gravações nossas e aquele maldito áudio...

-E daí? -Vick interrompeu. -A gente vai limpar o nosso nome fazendo um grupo muito mais foda nesse ano. As pessoas desse colégio amam a gente, logo mais essa piadinha vai ser esquecida.

-Nem todas as pessoas.

Vick revirou os olhos imaginando o grupinho a que Mía se referia. Depois do ocorrido, Colucci havia explicado aos amigos sua suspeita de que todo o incidente fora arquitetado pela aluna nova Pardo. Porém, seus amigos permaneciam incrédulos e sem querer dar mais importância ao episódio. Eles haviam defendido a loira na hora em que o alvoroço se alastrou, mas não queriam nutrir uma guerra com os novos logo no primeiro dia de aula.

-Já te falei pra esquecer isso. Foi uma merda, eu sei, eu tava lá tanto quanto você. -Disse Vick cautelosa, olhando a amiga nos olhos. -Mas não vale a pena abaixar seu nível pra brigar com a filha da vedete. Tá na cara que aquela garota não tem classe, não tem boa índole. Se você retribuir e comprar briga com ela, com certeza ela vai montar um barraco e falar todo tipo de mentira só pra te atingir.

-Eu quero entender porquê ela fez isso, pra começo de conversa.

-Para bancar a engraçadinha, óbvio! -Vick insistia de todas as formas para manter Mía afastada de qualquer possibilidade de conversa com Roberta que pudesse revelar sua traição da confiança da amiga.

Mía balançou a cabeça de leve concordando com o raciocínio de Victoria, uma das poucas que havia acreditado sem pestanejar na acusação de que havia sido Roberta quem sabotou a apresentação de dança no dia anterior. A loira voltou novamente sua atenção para a janela e reparou que Roberta se afastava do grupo de amigos e se dirigia ao banheiro sozinha.

-Decidam aí as coisas da seleção que eu já volto, tá? Vou ao banheiro. -Ela levantou-se rapidamente da carteira, sem dar tempo de resposta às amigas.

O banheiro que havia no corredor das salas de aula era pequeno. Tinha apenas três cabines e um espaço apertado entre elas e a bancada com as pias. Mía abriu a porta do banheiro e reparou que apenas a cabine em que Roberta se encontrava estava ocupada. Então fechou a porta pelo lado de dentro e se posicionou na frente da mesma, aguardando a saída da ruiva. Roberta saiu de sua cabine e lavou as mãos sem perceber de imediato a presença da loira. Quando finalmente reparou em Colucci fuzilando-a com seus olhos azuis, sentiu o coração acelerar, mas se controlou para não entregar nenhum sentimento indesejado através de sua expressão. Roberta indagou com secura:

-Pode sair da frente?

Mía estendeu o braço esquerdo bloqueando ainda mais a passagem, ao que Roberta respondeu com um sorriso cínico. 

-Tá tentando me intimidar?

Mía então tirou do bolso da saia um pequeno papel, que ela desdobrou e ergueu com a sua mão livre, deixando à mostra para Roberta o que nele estava escrito: “ADVERTÊNCIA”, assinado embaixo por Pascoal e Colucci.

-Tá vendo o que sua palhaçada me custou? -Seu tom não dava espaço para brincadeiras. Roberta cruzou os braços.

-Você cismou comigo, né, Barbie? Por que está tão certa de que fui eu?

-Eu sei que foi você. E eu ainda vou conseguir provar isso. -Ela retrucou. Roberta mantinha-se impassível, disfarçando o calor que invadia seu corpo contra sua vontade. -Eu vi que você caiu em Celina e depois foi deixar o celular dela lá perto da caixa de som, onde encontraram ele mais tarde.

-Tava de olho em mim, é? -Roberta provocou, chegando mais perto de Mía e se divertindo ao ver a loira enrubescer e sua expressão mudar de “intimidadora” para “intimidada”. As palavras faltaram à Mía, cujo pensamento agora estava mais ocupado notando o espaço entre ela e Roberta diminuir do que lembrando qual era o objetivo que a fizera abordar a novata naquele banheiro. De um modo nada convincente, Mía balançou a cabeça negativamente, enquanto Roberta apoiou uma de suas mãos na porta, ao lado do rosto de Mía.

-Você quer um pedido de desculpas? -A ruiva indagou com a voz mansa. Suas cabeças estavam involuntariamente inclinadas em direção uma à outra e as duas alternavam os olhares dos olhos para os lábios da outra.

-Quero. -Mía respondeu em um fio de voz.

-Eu sinto muito… por você achar que vai conseguir algo de mim.

Mía empurrou Roberta com uma das mãos, irritada com a insolência da ruiva. Roberta riu com a sua reação.

-Não vale a pena. -Mía disse para si mesma, redobrando sua advertência e guardando-a de volta no bolso. -Vick tem razão, essa garota é um grosseira, estúpida.

-Por falar na loirinha. -Roberta agora já havia amarrado a cara, sentindo sua paciência ir embora diante dos insultos de Colucci. -Se eu fosse você, abriria o olho com certas amizades. Algumas pessoas não sabem manter segredos, se é que você me entende.

-No dia em que eu pedir conselho sobre amizade pra você, pode mandar me internar, porque eu vou estar louca, varrida! -Mía falava alto, com o dedo em riste apontado para o rosto de Roberta. -Fique longe de mim, do meu grupo e das minhas amigas. Entendeu?

-Não fui eu quem veio até o banheiro pra tirar satisfações contigo.

-Mas foi você que me prensou contra a parede!

-E faço de novo se você não abaixar a voz.

-Me obriga! -Desafiou Colucci.

Roberta deu dois passos em direção à garota, mas, antes que a discussão pudesse evoluir para algum contato físico, Celina abriu a porta com um solavanco, acertando as costas de Mía e empurrando-a em cima de Roberta. Roberta levou um susto e, em um reflexo, segurou Mía pela cintura. As duas se encararam com proximidade por um milésimo de segundo, quando a voz de Celina chamou por Mía e fez as duas se lembrarem que ainda estavam na escola e que tinham uma grade horária para cumprir. 

Roberta então soltou Mía bruscamente e abriu espaço entre as duas amigas, empurrando-as com rudeza e ignorando as reclamações que recebeu em retorno.

-Mía, o Diego tá chamando todo mundo pra sala de aula. -Disse Celina devagar, sem entender muito bem a cena que interrompera. Mía consertava suas roupas e ajeitava o cabelo com as mãos. -Ele pediu pra gente voltar pra lá antes do sinal bater.

-Por que?

-Parece que ele tem alguma coisa importante pra falar com toda a turma.



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