História Químico-X - Capítulo 24


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Categorias Meninas Super Poderosas (The Powerpuff Girls)
Personagens Docinho, Durão, Ele, Explosão, Florzinha, Fortão, Lindinha, Macaco Louco, Personagens Originais, Princesa MaisGrana, Professor Utônio, Senhorita Keane
Tags Blossom, Blues, Boomer, Brick, Bubbles, Butch, Buttercup, Greens, Meninas Super Poderosas, Meninas Superpoderosas, Meninos Desordeiros, Powerpuff Girls, Reds, Romance, Rowdyruff Boys
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Palavras 15.044
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 24 - Você não precisa de mim


Fanfic / Fanfiction Químico-X - Capítulo 24 - Você não precisa de mim

Você não precisa de mim.

“Então, quanto tempo ele vai ficar fora de ação?” Robin perguntou com uma careta enquanto caminhava pelos corredores da Townsville High com Buttercup, Bubbles e Blossom.

“Seis semanas. Possivelmente mais depois que retirarem o gesso dele. E o show é daqui a quatro semanas. Estamos ferrados. Estamos totalmente ferrados.” Buttercup disse desesperada enquanto se aproximavam da sala de aula. “Eu poderia matar aquele filho da puta do Butch. E eu fui legal com ele!! O que eu estava pensando?!”

“Pobre Mitch.” Robin murmurou. “Ele vem hoje?”

“Não. Tendo o resto da semana de folga, se eu conheço Mitch como eu acho... Ele vai querer ficar deitado.” Buttercup respondeu.

"Bem, um menino desordeiro quebrou o braço dele.” Bubbles apontou e Blossom suspirou.

“No final, eles acabariam machucando alguém.” Ela disse com um aceno de cabeça.

“Ele jura que foi totalmente acidental.” Buttercup zombou. Contudo, sua face era muito vazia. O que aconteceu, realmente?

“E o que Mitch diz que aconteceu?” Robin perguntou, e Buttercup parecia relutante em responder quando se encostou na parede. Elas estavam na fila do lado de fora de sua sala de aula, esperando que o professor viesse e os deixasse entrar.

“Ele diz que eles estavam tocando. Diz que foi um acidente também. Mitch não está nem bravo com ele. Apenas chateado, não vamos conseguir tocar. Homens! São totalmente... Arghhh!” Buttercup murmurou e Robin deu um tapinha no ombro dela. “Que ideia foi essa de tocar com um desordeiro, sozinho?”

“Estamos todas chateadas que você não vai conseguir participar da batalha das bandas, mas parece que foi um acidente... Mitch não iria mentir pra você, certo?” Robin disse e Buttercup suspirou. Ela não sabia a verdade, mas isso não a impediu de ficar com raiva dele. O acidente não teria acontecido se Butch não estivesse andando com eles! Sentiu-se culpada.

A senhorita Pearl chegou e abriu à sala de aula, e todos se aproximaram lentamente. Buttercup sentou-se à sua mesa, inclinando a cabeça para baixo com um baque surdo.

Ela estava tão chateada. Ela realmente estava ansiosa pela batalha das bandas. Foi uma coisa grande, e poderia potencialmente levá-los ainda mais no mundo da música. Ela estava realmente falando sério sobre a banda, e realmente queria que eles fossem a lugares diferentes. E além disso, as últimas semanas tinham sido regadas com partes de merda, com Butch e seus irmãos chegando à escola e causando todos os tipos de estresse e desordem para ela e suas irmãs. Mesmo que tenha sido legal descobrir que Butch era mais que uma cabeça oca. Eles conversaram sobre animes, lutas, sangue e música. E agora não havia nada.

“Butters?”

Ela suspirou com dificuldade. Ela sabia quem era pela voz, mas ela o ignorou.

“Vamos, cara. Me desculpe! Eu não queria quebrar o braço dele!” Butch insistiu, cutucando seu braço repetidamente até que ela olhou para cima.

“Saia de perto de mim!” Ela grunhiu. “Seu grande porco-espinho de merda.”

“Butch, por favor, sente-se?” Professora instruiu, e Butch fez isso sem sequer olhar para ela. Sua mesa estava ao lado de Buttercup, então ele se sentou, mas se aproximou dela para que pudessem continuar falando.

“Como posso compensar por todos vocês?” Butch perguntou.

“Talvez não quebrar os membros das pessoas?” Buttercup propôs em voz baixa, e Butch gemeu.

“Eu aprenderei a tocar guitarra.” Butch disse de bom grado, e Buttercup lançou um olhar exasperado.

“Não.” Ela rangeu os dentes.

“Aposto que vou aprender rapidamente! Você sabe que temos habilidades musicais naturais.” Butch sorriu. Ela deu-lhe um olhar gelado em resposta. Ele tentou pensar em outra solução.

“Butch Jojo?” Professora chamou.

“Aqui.” Butch falou em voz alta. Ele então juntou os dedos quando teve uma ideia. “Brick toca!” Ele disse. “Ele poderia tocar na sua banda!”

“Eu posso o quê?” Brick murmurou, apenas ouvindo seu nome. Sua mesa era uma na frente da de Butch. Buttercup e Butch o ignoraram.

“De jeito nenhum, eu não estou perguntando a ele.” Buttercup respondeu. “Joey iria precisar de ajuda, mas... não queremos seu irmão.”

“Ah, certo. Ok.” Butch disse, lembrando que Joey era o segundo guitarrista. “Nem Boomer? Você viu que ele canta como um rockstar de verdade?!”

Buttercup olhou para ele momentaneamente. “Não. Me deixa em paz.”

Butch olhou para ela. Ele fez merda e agora estava pagando por ser um idiota.

Por que ele machucou Mitch?!

...

 

O dia estava mais escuro que o normal. Butch cutucou Buttercup a todo momento, mas a garota não estava receptiva como de costume, por causa do que ele fez. Então ele pegou o lápis de seu estojo e começou a rabiscar as margens do caderno dele. Eram posições de luta, memórias dele lutando e, na maior parte, apanhando de Buttercup. Ela admirou as tatuagens de Butch antes de encontrar o rosto dele. Ele mostrou o desenho dele recebendo um soco dela mesma.

“Você é péssimo em desenhar.” Ela observou, erguendo seus olhos com olheiras negras. “Morra.”

“Não me copie.” Ele resmungou, cutucando novamente sua pele.

A heroína queria que ele sumisse.

Em seguida, foram dispensados.

No refeitório, Butch estava frustrado.

Sua mente era muito confusa e embaralhada, alguns dias atrás observou Mitch tentando ter coragem de conversar com Buttercup e falhou miseravelmente. O garoto humano nem conseguiu dizer uma única palavra. Butch não sabia ao certo do que sentir em relação a isso; sua única oponente digna teve um namorado, um garoto comum e sem valor. Um pedaço de carne ambulante. Descrença o abateu quando ele percebeu que se importava o suficiente para pensar sobre o assunto.

Uma cura para aquilo, possivelmente, era focar em uma próxima conquista. Uma distração para sua mente.

Ele tinha passado na fila, ouvindo a conversa de Joey com Harry, que eram os únicos que tentavam aliviar o clima, pegaram as bandejas com suas refeições, sentando-se na mesa.

Butch comprou uma Coca para Buttercup, levou-a até a mesa e colocou na bandeja dela.

Ela ergueu um olhar afiado e mortal. “Não te pedi por nada.”

“Ainda... estou te devendo uma, lembra?” Ele sorriu.

Quatro garotos que estavam sentados entre eles não sabiam o que dizer.

“Uh, tanto faz.” Ela retirou a jaqueta, amarrando-a na cintura, deixando os ombros à mostra, sua pele estava levemente bronzeada e um pouco brilhante. Dezenas de coisas indecentes passou pela sua cabeça.

“De nada.” Ele cantarolou, oferecendo o melhor sorriso que tinha em seu arsenal. A expressão dela não melhorou em nada.

De longe, um cara que assistia a cena toda deu uma risada.

Emmet riu. “Agora virou o empregado da Buttercup, Butch? Não sabia que vocês viraram íntimos. Estão seguindo os conselhos de Brick e Blossom?”

Butch odiou isso. Ele estava insinuando muita coisa com aquilo, mas não estragou nenhum momento importante. Superpoderosa verde estava puta da vida com ele, e agora o desordeiro estava puto da vida com Emmet ter razão. Ele parecia patético trazendo bebida para ela.

Quando finalmente eles... Buttercup o tinha entendido completamente, e ele tinha ficado feliz, porra, era um dos melhores dias que ele já teve com ela em sua vida, agora Butch se descontrolou por causa de um garoto qualquer. Besteira.

“Caia fora daqui, Emmet, antes que fique estéril, filho da puta.” A superpoderosa sibilou com irá.

Os cinco garotos da sua turma ficaram encarando a cena por instantes.

“Desculpe, Buttercup.” Emmet ergueu as mãos em rendição.

Butch observou a raiva acesa da superpoderosa, voltando-se para o desordeiro.

“Está olhando quê?” Ela rosnou.

Butch apenas deu de ombros, olhando o antes corajoso Emmet, saindo mais rápido que uma flecha.

Por dentro, ele sentia-se raivoso e rebaixado, ou raivoso por me sentir rebaixado. O que quer que fosse o conflito dentro dele. Levantou-se depois de comer e jogou a bandeja no lixo. Butch pegou seu celular do bolso e olhou o horário, estava alguns minutos antes de voltar para a classe.

Então ele foi atrás de uma presa. Entre um grupo, as garotas deslizavam as mãos neles e se alternavam tentando conversar. Ele sorriu, tentando parecer simpático, mas só queria cair fora e socar algo. Um acesso de fúria em público seria uma demonstração de fraqueza, e ele não faria uma merda dessas.

Comer uma gostosa aleatória era o que ele fazia de melhor além de lutar, e isso ajudava a aliviar qualquer estresse. Dentro do desordeiro havia uma confusão de pensamentos e emoções conflituosas, nem se dando conta sobre o que em começo deu origem a isso.

...

 

“Não adianta cara. Eu sou péssimo!” Joey gritou, desligando o amplificador com desânimo e depois empoleirando-se em cima. “Eu não sou um guitarrista. As músicas soam mais vazias sem o ritmo. Não é bom.”

Buttercup descansou seu baixo contra o seu próprio amplificador e suspirou, passando a mão pelo cabelo preto.

Joey não estava mentindo. Ele não era guitarrista. Ritmo definitivamente não era a coisa dele, e as músicas não soavam iguais.

“Ah, vamos lá cara, faz apenas uma semana de treino. É cedo. Você vai chegar lá.” Mitch disse, seu braço engessado, usava uma faixa envolta do pescoço, sustentando seu membro encostado no peito. Ele estava sentado ao lado de Butch no canto da sala de prática. Era hora do almoço, eles pediram o cômodo durante todo o almoço, pensando que podiam obter o máximo de prática extra.

Butch pediu desculpas para Mitch, mas isso não mudou nada sua relação com uma Buttercup homicida. Quer dizer, mais homicida do que antes.

“São somente três semanas até o show! Estamos perdendo nosso tempo aqui, pessoal. É melhor termos alguém que consiga fazer o papel principal. Porque eu sou péssimo.” Joey insistiu.

“Você não é péssimo, você está chegando lá.” Mitch disse, mas Joey sacudiu a cabeça. “Bem, então, e se encontrarmos alguém que possa tocar com você? Para preencher o som? Isso faria você se sentir melhor?”

“Eu prefiro tocar como segundo guitarrista. Eu não canto, então quem é que vai fazer suas partes vocais?” Joey perguntou, e Mitch fez uma pausa. Ele esqueceu totalmente sobre seus vocais.

“Buttercup pode fazê-los.” Ele encolheu os ombros.

“Não é uma porra simples. Talvez devêssemos esquecer isso.” Buttercup murmurou sombriamente.

Butch olhou para sua expressão sombria e a culpa quase o devorou. Merda. “Você não pode simplesmente deixar isso. Vocês são bons demais para simplesmente deixar pra lá.” Ele disse a ela, e ela lançou um olhar indignado.

“Nós não estaríamos nesta bagunça em primeiro lugar se não fosse por suas palhaçadas estúpidas.” Buttercup disse acidamente e Butch estremeceu.

“Sério, Buttercup, Brick pode tocar, ele é muito bom. Posso trazê-lo para pratica com vocês!” Butch ofereceu mais uma vez e Buttercup balançou a cabeça.

“Não.”

“Bem, e sobre Boomer? Ele já comentou que toca... baixo, eu acho, eles são a mesma coisa, certo?” Butch disse, e Buttercup olhou para ele, furiosa.

“Hã, nota para Butch: dizer que o baixo e a guitarra são a mesma coisa é uma boa maneira de irritar um baixista.” Harry murmurou, e o rosto de Butch ficou em branco.

“Oh.” Ele murmurou quando Buttercup balançou a cabeça para ele em desgosto. “Ele também toca violão. E sabe cantar...”

“Eu não estou pedindo a nenhum de seus irmãos idiotas. Se eu perguntar a alguém, eu sei quem será.” Buttercup disse, pensando profundamente.

Bubbles seria a escolha mais óbvia. Sim. Ela canta muito bem, tem um talento natural. Mas, se fosse pedir para uma de suas irmãs, teria que ser a líder! Sua voz era perfeita, além do mais, ela queria passar mais tempo com sua irmã mandona, orgulhosa e cabeça-dura. Elas podiam tentar se aproximar... ter algo em comum, porque Buttercup sempre pedia ajuda para Bubbles. Então, seria Blossom.

...

 

“Blossom?”

“Buttercup, o que você está fazendo aqui?!” Blossom indagou enquanto Buttercup olhava por cima do ombro para ver se a professora havia notado sua presença com os outros alunos que estavam entrando. Blossom e Brick já haviam se acomodado em suas mesas, uma ao lado da outra. Buttercup encostou-se à mesa de Blossom, dando o sorriso mais amigável que Brick já tinha visto em seu rosto.

“Eu sei, eu só precisava falar com você rapidamente.” Buttercup disse, ainda sorrindo por cima dela.

“Não poderia esperar até depois da escola?” Blossom perguntou, e Buttercup sacudiu a cabeça rapidamente.

“Não, não posso esperar.” Ela estendeu a mão e sacudiu um fio de cabelo ruivo que estava pendurado ao lado do rosto de Blossom. “Eu te disse como você está bonita hoje?”

Blossom olhou para a irmã com uma expressão envergonhada, e Brick simplesmente pareceu perplexo ao gesto simpático de Buttercup. “O que você quer?” Blossom questionou incisivamente.

Buttercup deixou cair o ato um pouco e começou a trabalhar. “Olha, tudo bem, é sobre a batalha das bandas...”

“O que tem isso?”

“Eu sei que você diz que o rock não é sua coisa, e você prefere tocar clássico em seu velho violino, mas por favor, por favor, por favor! Você pode ocupar o lugar de Mitch, por mim? Eu devo a você, como, por um longo tempo? Eu cozinho pra você! Por favor?" Buttercup implorou, e Blossom fez uma cara cética.

“Não Buttercup, é como você disse, eu não toco esse tipo de música...” Blossom começou, mas Buttercup a interrompeu.

“Mas eu sei que você pode! Porque eu te ensinei a tocar guitarra e em uma semana você dominou! Blossom, você seria tão boa! Será divertido! É apenas seis músicas! Seis pequenas canções! Não é nada! Mas esse show é tudo para mim, quero dizer, nós tentamos por uma semana com Joey tocando, mas ele é uma merda, e as músicas que estamos tocando não soam iguais sem a guitarra base! Por favor, Blossom! Eu seria eternamente grata! Você é mais do que capaz com guitarra! Você sabe que é! Você pode tirar Rubi do sótão!” Buttercup pressionou.

“Rubi?” Brick questionou, mas Blossom o ignorou, assim como Buttercup.

“Bloss, por favor, isso é tão importante para mim. Eu vou fazer trazer um pedaço da padaria cheia de doces sexta à noite para que você! Eu vou lavar a sua roupa, por um mês! Eu vou...”

“Pare.” Blossom disse, colocando a mão para cima.

Buttercup fez, observando sua irmã com olhos esperançosos. “Bloss, por favor. Quando é que eu imploro?”

“Por que eu? Bubbles certamente seria a escolha óbvia...”

“Eu quero você, maninha, você é muito talentosa também! Por favor. Nós três somos incríveis, mas você é a escolha que meu coração quer. Ele destacou seu nome e eu sabia que devia pedir pra minha linda e irmã sexy...”

“Quando é o show?” Blossom gemeu e perguntou baixinho, e o punho de Buttercup bombeou o ar.

“Sim! Sim! Eu sabia que você viria por mim!” Buttercup sorriu amplamente.

“Eu não disse sim! Quando é isso?” Blossom insistiu, mas Buttercup ainda estava radiante.

“Sexta-feira, 4 de junho.” Buttercup respondeu, e os olhos de Blossom se arregalaram.

“Ainda é maio...” Blossom pensou, e Buttercup assentiu ansiosamente.

“E você me diz agora?! Eu vou aprender a tocar seis músicas perfeitamente?” Ela exclamou.

“E cantar. Mitch é o segundo vocal, lembra?” O rosto de Blossom ficou ainda mais incerto. “Bloss, qual é! Vai ser um pedaço de bolo para você! Não diga a Mitch que eu disse isso, mas, tecnicamente, você é melhor guitarrista do que ele. Vai ser uma brisa! Então você está dentro? Você quer me ver de joelhos e implorar?”

“Eu a obrigaria a ficar de joelhos.” Brick entrou, e as duas irmãs lançaram um olhar sujo.

“Bem, ninguém te perguntou, Lavaboy.” Buttercup respondeu rapidamente. Brick revirou os olhos.

“Eu vou junto com algumas de suas práticas e...” Blossom fez uma pausa, enquanto o rosto de sua irmã de cabelos negros ficava cada vez mais esperançoso. “Verei o que posso fazer.”

“Ohhhh! Obrigada, Bloss, obrigada!” Buttercup disse com felicidade, agarrando o rosto da irmã e beijando-a nas bochechas repetidamente. “Uuuh! Sim! Obrigada!”

“Calma Buttercup.” Blossom murmurou, enxugando o rosto.

“Buttercup Utonium! Esta não é a sua classe!” A professora rugiu, de pé com os braços cruzados e olhando para a superpoderosa verde com uma expressão rigorosa. Mas Buttercup estava ocupada demais comemorando para notar que estava sendo repreendida.

“Woohoo! Sim!” Ela gritou, seu punho saindo da sala de aula e batendo a porta atrás dela.

Blossom cobriu o rosto com a mão. “Com o que eu acabei de concordar?” Ela murmurou.

“Pareceu que você vai fazer papel de idiota com a banda de Buttercup. Você não é a do violino?” Brick respondeu com um sorriso e Blossom olhou para ele.

“Hmph!”

Ela podia tocar guitarra tão bem quanto tocava violino, claro que não tocava guitarra igual fazia anos o seu instrumento clássico de verniz. No entanto, Brick veria. Se ele estava indo... O que provavelmente aconteceria.

...

 

“Boomer? Isso não parece trabalho retrato para mim.” A professora disse, olhando por cima do ombro do desordeiro na pasta de trabalho na qual ele estava rabiscando.

“Não, é um robô.” Boomer respondeu com naturalidade, e a professora reprimiu um revirar de olhos.

“Eu posso ver isso. Você pode começar seu trabalho de retrato como todo mundo na aula?” Ela questionou, e Boomer balançou a cabeça.

“Minha parceira não está aqui.” Boomer respondeu casualmente, quando ele começou outro rabisco no topo de sua página. “Mas eu vou desenhá-la assim mesmo.”

A professora olhou para o assento vazio em frente ao Boomer e franziu a testa. Bubbles não estava aqui.

“Senhora Clark.” Robin falou, e a professora de arte olhou em sua direção. “Bubbles e suas irmãs foram chamadas pela linha especial. Monstro gigante atacando a cidade, eu acho.”

“Entendo.” Ela respondeu, olhando de volta para o trabalho de Boomer. Ele quase terminara o desenho; era Bubbles, mas ela também era um robô. “Bem, por que você não faz um começo em suas fotos ‘de memória’ por agora, e se a Bubbles conseguir voltar no tempo, você pode começar o trabalho então?”

“Ok.” Boomer disse, começando outro desenho de Bubbles.

Foram apenas vinte minutos de aula que Bubbles voltou. Ela se aproximou da mesa da professora e pediu desculpas por seu atraso. Ela foi obviamente dispensada; ela dificilmente poderia castigá-la por salvar a cidade do mal. Ela rapidamente a contou sobre o que a turma estava fazendo, e Bubbles olhou para a esquerda, localizando Boomer sentado sozinho em uma das mesas; o restante da turma foi separada em seus parceiros de projeto. Ele estava escrevendo em seu livro de exercícios.

Silenciosamente, Bubbles se aproximou por trás dele, olhando por cima do ombro e espiando o conteúdo da pasta de trabalho aberta. Ela olhou para os vários esboços dela que ele desenhou – todos eram cômicos. Havia ela mesma como um robô, um ursinho de pelúcia, um Pikachu – eram todos muito bons, embora engraçados. No canto superior, havia uma que trazia lembranças, parecia que ela tinha 5 ou 6 anos; o cabelo dela é a assinatura de marias-chiquinhas, usando o vestido listrado preto.

Boomer notou que ele estava sendo espionado, e se mexeu em seu assento, olhando para ela.

“Oh, ei. Você não estava aqui, então eu estava, uh, apenas desenhando coisas...” Ele murmurou enquanto Bubbles sorria.

“Ursinho Bubbles é uma gracinha. Para ser justo, o robô Bubbles também.” Bubbles comentou, ela se sentou em frente a ele, e puxou sua pasta de trabalho para fora de sua mochila escolar.

Boomer sorriu quando ela empurrou a franja loira do rosto, um lápis na mão. “Eu me pergunto o quão fofo o urso de pelúcia Boomer será?” Ela questionou, quando começou a desenhar.

Ele a observou começar a rabiscar, e o sorriso bobo em seu rosto só aumentou. Não tão fofa quanto a verdadeiro Bubbles, ele adivinhou.

...

 

“O que ele está fazendo aqui?” Blossom exigiu quando ela inclinou a cabeça na direção de Butch. O supracitado estava sobre o amplificador de baixo de Buttercup, dando a Blossom um olhar desejoso.

“É só ignorar que a vida fica fácil.” Buttercup murmurou, empurrando-o fora de seu amplificador de baixo. Ele caiu no chão com um baque, não tendo sido tão consciente do empurrão vindo de Buttercup; ele estava ocupado demais olhando para sua irmã ruiva.

Blossom deu a Butch um olhar fixo.

“Eu ouvi que uma deusa da guitarra iria enfeitar a garagem de Joey com sua presença.” Butch comentou, ainda sentado no chão olhando para Blossom com os olhos arregalados. “Então, eu estou aqui para lugares na primeira fila.”

Blossom revirou os olhos. “Eu não estou aqui para enfeitar. Estou aqui para ouvir. E eu não sou uma ‘deusa da guitarra’. Pare de ser assim, ou eu vou embora.”

“Sendo como o que?” Butch perguntou curiosamente.

“Como um, como... como você normalmente é!” Blossom respondeu irritada.

“Se alguém está saindo, é você Butch. Então, reveja seu comportamento.” Buttercup grunhiu, e Butch levantou as mãos inocentemente.

“Apenas aqui para observar.” Ele sorriu, enquanto Blossom olhou para ele e Buttercup lhe deu um olhar levemente desajeitado.

“Bem, eu também. Então, comece o show, para que eu possa ver o que você planejou.” Blossom disse, empoleirando-se no amplificador de Mitch – o que agora era redundante, com Mitch não sendo capaz de tocar.

“Ok, doçura.” Buttercup disse, ligando o amplificador e passando os dedos pelas cordas do baixo.

Butch tirou um papel do seu jeans, entregando para uma Blossom atordoada, ela aceitou aquilo com relutância, e abismada, pensando no que ele tinha escrito ou desenhado.

Guardou aquilo em seu bolso. “Vou ver depois.” Avisou. Ele deu de ombros, acenando com a cabeça.

“Apenas lembre-se de que isso não soará normalmente vazio. E também, não soa assim normalmente, claro que falta alguma coisa. Como... calda de chocolate no sorvete. Eu sou um merda.” Joey explicou apressadamente, enquanto Buttercup e Harry reviravam os olhos.

“Cale a boca, Joey, pare de se colocar no chão. Tudo bem, apenas toque para que ela possa ouvir!” Buttercup berrou e Joey assentiu levemente nervosamente.

“Então eu escrevi os acordes para as músicas para você, e abordei o solo, para ajudá-la a aprender.” Mitch disse, empoleirando-se ao lado de Blossom em seu amplificador e entregando-lhe os seis pedaços de papel com os rabiscos dele. “Eles são bastante complicados, então isso deve ajudá-la a ter sua cabeça em torno deles.”

Blossom franziu a testa para os papéis enquanto os pegava. “Oh, obrigada. Tenho certeza de que vou conseguir.”

“Ela nem viu o que escrevi.” Butch reclamou, mas todos decidiram ignorar.

“Eu sei que batendo solo não é realmente o seu forte, quero dizer, uma banda de rock não é, e nem sempre é fácil apenas pegar alguma coisa, ouvindo algumas vezes.” Mitch disse com um encolher de ombros, e Blossom olhou para ele, irritada.

Como Buttercup namorou alguém feito ele?!

Buttercup deu uma risadinha, sabendo que tipo de reação vinha de sua irmã quando Blossom examinou as anotações que Mitch fizera para ela.

“Bem, se eu usar suas anotações, e me concentrar muito com minha mente, talvez eu consiga.” Ela comentou, e Mitch sentiu suas bochechas corarem um pouco quando Buttercup riu mais um pouco. Esqueceu por um segundo que estavam sem falar um com o outro.

“Confie em mim cara, ela vai ser capaz. Ok, vamos começar com Vagante sem Objetivo.” Buttercup instruiu e Harry contou.

Ao final da sessão, Blossom pegou a guitarra de Mitch, tocou, sem que ela fosse conectada. Ela pegou o solo e a estrutura das músicas rapidamente, e para a surpresa de Mitch, olhou suas anotações apenas uma vez.

“Eu te disse que ela iria pegar o ritmo.” Buttercup sorriu quando ela colocou o baixo no estojo. “Então você vai fazer, certo, Blossom?”

Blossom cruzou os braços sobre o peito, inclinando a cabeça para o lado por um momento antes de falar. “Precisamos nos reunir para treinar pelo menos 3 ou 4 vezes por semana. Talvez tenhamos que fazer muito disso nos fins de semana, já que tenho deveres e outros compromissos para encaixar também. Vamos nos encontrar novamente para outro treino amanhã, e eu vou trazer a minha guitarra e ligá-la para que possamos tocar corretamente.”

“Sim!” Buttercup disse, socando o punho no ar.

“Se eu estou fazendo isso, estou fazendo isso corretamente e perfeitamente.” Blossom disse. Buttercup ainda estava comemorando, mas Harry e Joey sentiram que estavam prestes a trabalhar como cachorros. Eles não estavam errados.

Quando Blossom pegou o bilhete de Butch e leu, ela seguiu em direção do mesmo, com um olhar irritante.

“O que você está fazendo, Bloss?” Buttercup indagou, querendo ir embora.

“Um minuto.” Disse, sem tirar os olhos do desordeiro. Levantou o papel com uma mão e entregou para ele.

“Tudo bem, mas anda logo.” Sua irmã gritou antes de entrar na casa de Joey com os dois garotos restantes.

“Então...?” Butch perguntou, tentando sorrir.

“Não quero saber de um pedido de desculpas.” Ela jogou e pisou no papel dobrado, usando sua sapatilha. “Não consegue falar na minha cara?”

“Me desculpe... por aquele dia na escola, pelos nanobots.”

“E por que você está se desculpando?”

“Buttercup ficou chateada com que eu fiz e eu pensei...”

“O que... você está falando?” Ela riu, desacreditando. A superpoderosa fitou os olhos confusos dele. “Está se desculpando porque minha irmã disse que estava chateada?”

“Não é só isso...” Ele suspirou, não sabendo o que dizer. “Eu só pensei que foi engraçado na hora. Mas, você não merecia ser tratada assim. Nunca fez. Costumo agir sem pensar, e eu percebi que você nunca fez nada para merecer ser degradada em público. Mesmo se tivesse feito, não era da minha conta. Sinto muito.”

Butch parou de falar, e esperou um pouco, mas ela parecia não acreditar em suas palavras.

“Por que eu aceitaria suas desculpas?” Debochou. “Acha que sou tão estúpida de pensar que você virou um cara legal e de repente quebrou o braço de Mitch? Não ache que conheça Buttercup. Ela nunca vai confiar em você.”

As palavras frias de Blossom o fizeram sorrir.

“Tudo bem, eu tentei.” Deu de ombros e foi embora. Parou antes de dizer. “Pensa que sabe de tudo sobre mim, Blossom? Não pense que você conhece Brick também.”

Sua voz macabra enviou um arrepio sinistro e horrível pela espinha da heroína.

...

 

“Sim, é isso, e então é direto para o refrão novamente – veja, eu te disse que você poderia fazer isso sem esforço.” Buttercup disse quando Blossom tocou levemente a guitarra acústica. Buttercup então começou a cantar o refrão em voz baixa. Os dois estavam sentados no final de uma mesa no refeitório; o resto da banda e Butch, Elmer e Mike estavam sentados lá também, comendo seu almoço.

“Sim, bem, não pense que todos esses elogios me farão esquecer o fato de que você me deve, irmã.” Blossom disse, em seguida, começou a cantar o refrão calmamente em uma harmonia superior sobre Buttercup.

Buttercup revirou os olhos. “Devidamente anotado.” Ela disse no meio da música.

O som de um alto escárnio interrompeu o horário de almoço, e os dois se viraram para ver de onde, ou de quem, o som estava vindo.

Princesa estava lá, algumas de suas lacaias em volta dela; um olhar malicioso no rosto.

“Então, eu ouço que uma imbecil acha que pode se juntar a uma banda de rock?” Princesa disse, suas seguidoras rindo atrás dela.

“Se perca, Princesa.” Buttercup murmurou, virando as costas para ela novamente.

“Eu só acho que a coisa toda é risível. Você também pode ter pedido a um bode para assumir o lugar de Mitch.” Princesa continuou, e suas amigas explodiram em gargalhadas mais uma vez.

“Foda-se.” Buttercup estava pronta para atacar, e Blossom balançou a cabeça para a irmã, indicando para ela não se incomodar em ficar irritada com ela. Ela não valia a pena.

“De todas as pessoas para perguntar, justo a sua irmã que toca música de gente velha?! Há toneladas de guitarristas, verdadeiros guitarristas na música em nossa classe! Brick é um deles! Ele é muito melhor do que Blossom! Boomer é um cantor muito melhor que Blossom. Melhor do que ela jamais será! Mas acho que eles nunca fariam parte do seu grupinho.” Princesa encolheu os ombros, olhando para Blossom, tentando obter uma reação de algum tipo.

Mas Blossom não pegou a isca. Em vez de contra-atacar com algum retorno espirituoso, ela começou a tocar uma música bem conhecida na guitarra. Ela sabia que sua irmã pegaria imediatamente, e assim como ela havia previsto, ela sabia. A música Stupid Girls da Pink.

Os olhos de Buttercup se arregalaram em compreensão e ela riu alto, antes de começar a cantar.

Ela riu então, quando Princesa fez beicinho e saiu, seu bando a seguindo, e Blossom parou de brincar, sorrindo presunçosamente enquanto Buttercup continuou. “Se eu agir assim, jogando meus cabelos loiros para trás. Levantar meus peitos assim, eu não quero ser uma garota estúpida!!” Cantou através do riso, enquanto os outros riam.

 

Brick entrou no refeitório ao som de risos, vindo principalmente da mesa de onde vinham seu irmão verde e seus amigos. Foi estranho isso. Butch e seus amigos. Ele não estava acostumado a nenhum de seus irmãos ter amigos. As únicas pessoas com quem conversavam regularmente eram os bandidos que ele interagia na época (uma ocorrência que já não era normal), o traficante ou a entregadora de pizza que vinha de vez em quando.

Certamente foi estranho, seus irmãos se ramificaram em grupos de amizade. Mas Brick estava feliz sozinho.

Quando notou Blossom sentada à mesma mesa que a irmã, em vez de Regina e Julie, com a guitarra nas mãos enquanto sorria, ele arqueou uma sobrancelha. Ela parecia fora de lugar naquela mesa, independentemente de estar sentada ao lado de Buttercup. Deve ter algo a ver com ela ajudando sua banda.

Boomer estava sentado a algumas mesas de distância; na mesa que ele tomou como sua. Ele estava sozinho, metade de seu almoço na bandeja ao lado dele – ele estava ocupado demais rabiscando em seu caderno para terminar tudo.

Brick ficou atrás dele, observando-o por cima do ombro. A página em que ele estava rabiscando era toda sobre Bubbles. A página inteira estava cheia de desenhos diferentes do superpoderosa azul. Brick franziu a testa e crispou os lábios.

“Ei, maninho.” Boomer resmungou e Brick se jogou no assento em frente a ele.

“Que porra é essa?” Brick questionou, e Boomer respondeu-lhe casualmente, sem sequer tirar os olhos da página em seu caderno.

“Para o meu projeto de arte. Eu falei sobre isso no outro dia.”

Brick o estudou por um momento. Ele ainda não olhou para ele. “Você tem uma queda por ela, Boomer?”

Boomer fechou o rosto em confusão, finalmente olhando para Brick. “O quê? Não! É um projeto de arte!”

“Eu não gosto de ver você tão próximo dela.” Brick instruiu em voz baixa.

“Eu tinha que ter uma parceira!” Boomer quase gaguejou, o volume de sua voz subindo ligeiramente.

“Cale-se.” Brick comandou. Boomer fez careta para ele. “Eu sei o que você é obrigado a fazer, então apenas acalme-se. Só não fique assim.”

“Ficar assim como?” Boomer perguntou, ficando irritado com ele.

“Super entusiasmado.” Brick respondeu. “Você e Butch estão ficando muito perto, você se deixa levar. Butch violentamente e você, com entusiasmo.”

“Você às vezes tem ideias idiotas em sua cabeça, Brick.” Boomer respondeu, voltando ao seu desenho.

“Sim, é uma ideia estúpida. Começar algo assim com ela, não é apenas estranho, você não pode e não vai.”

“Eu sei disso...” Boomer começou, mas Brick cortou.

“Certo, não venha me falar que você está afim dela, ok?” Brick quase rosnou e Boomer revirou os olhos.

“Seja como for, Brick. Você está ficando maluco.”

“Maluco?” Seus olhos se aproximaram do rosto do irmão, um vermelho igual a um redemoinho de sanidade difusa e enlouquecida. Boomer perdeu o ar e a cor do rosto quando um demônio negro apareceu atrás de seu líder. “Não é você que está maluco? Boomer, você esteve no inferno, pare de agir como se estivesse tudo normal.”

Ele piscou, encontrando o refeitório abandonado, completamente aos pedaços e destroços. Sua cabeça se ergueu ao mesmo tempo em que o sangue congelou em seu corpo. Era a risada do Ele. Cadê seu irmão? Levantou-se devagar e olhou para os lados, para as mesas, com os dedos segurando os desenhos ensanguentados de Bubbles. Procurou pela fonte da gargalhada...

“Boomer?”

Ele piscou novamente e tudo estava normal. Com o corpo suando abundantemente, voltou ao seu assento e olhou para seu irmão, sua expressão mórbida.

“Eu entendi.” Sussurrou.

“Você está bem?!” Brick questionou, seus olhos semicerrados. Era como se ele estivesse preso em outro mundo por poucos segundos, e voltou como se tivesse despertado. “Eu te chamei, você ficou todo estranho. Quero dizer, mais estranho que o normal.”

“Não estou me sentindo bem.”

“O que comeu?”

“Nada anormal.” Recuperou o fôlego antes de forçar um sorriso.

Boomer fugiu depois do interrogatório de seu líder, guardou seus desenhos em seu armário, rapidamente voou sobre as escadas até a beira do pátio e parou numa cerca que dividia com um terreno baldio enorme. Refugiou-se ali no canto, as árvores elevavam-se acima da escola, deixando um prédio inteiro à sombra. O pio de um pássaro perfurou o ar pausado. Tudo ali parecia ser uma pintura congelado no tempo.

Boomer estava vivendo uma espécie de pesadelo, definitivamente, a escola era o lugar que mais o assombrava.

As alucinações não eram tão frequentes no começo, mas, atualmente... Um caroço subiu até a sua garganta. Recostou-se na cerca gradeada, o metal querendo marcar sua pele através do tecido fino de sua camisa, e ele fechou os olhos, derrotado.

“Socorro.” Uma garotinha gritou, em pânico.

Era a voz de...

“Socorro... Alguém... Não. Não, pare.”

Bubbles?!

Ele abriu os olhos, mas não viu nada além do normal. Havia árvores, mas nenhum sinal de Bubbles. Ele teve medo de fechar os olhos e o ambiente mudar totalmente. Nada bom. Mais uma vez?! Por quê? Tinha dia em que ele estava livre destes episódios de insanidade, porém, certos dias, sem nenhum aviso prévio, ficava aterrorizado. Sentiu às lágrimas arderem em seus olhos.

Decidiu voltar para o campus. Estava vazio. Totalmente, sem ninguém.

Boomer olhou o horário no celular e o pânico se instaurou. Ele escutou o grito de Bubbles de novo e isso o fez sentir expelir um líquido com força pela boca o conteúdo do estômago, tendo o cuidado de não sujar seus sapatos. Ele caiu de joelhos e vomitou.

Conforme seu estômago se esvaziou o conteúdo minguado para o gramado, imagens de um evento horrível passava diante de seus olhos.

Ela – pequena, bagunçada e sem nenhuma força, contusões amarelas e hematomas abertos, o sangue pingando e fazendo uma pequena poça no chão que estava – parecendo que poderia ser morta a qualquer instante, estava sendo... Ela... seus ferimentos. Era culpa dele.

Sua culpa.

Ele tinha pequenos fragmentos de lembranças e não parecia nem ser reais.

Quando finalmente acabou, limpou a boca e cuspiu muita saliva. Seu rosto tinha uma cor verde e doentia. Pelo menos sua camisa escapou de seus fluidos corporais.

Engoliu em seco, pegou o celular e correu até o prédio, mas se virou e conferiu o que estava atrás dele, aterrorizado. Bubbles, uma pequena e maltratada Bubbles, estava mais ou menos 15 metros de distância. Sabia que ela não poderia estar ali, e que não estava. Ela não tinha aquela idade! Era falsa! Mas ela estava, nada amigável, suas marias-chiquinhas embebidas de vermelho vivo. Bubbles queria conversar.

“Socorro.” Ela pediu. Oh, aquele rosto o assombrou.

Virou de costas e se apressou. Olhou por cima do ombro uma vez, só para ver se ela ainda estava lá. E estava. Bem perto.

Ele tinha que ir à um médico.

 

Bubbles avistou tudo aquilo, e sem dizer nada, assistiu ao episódio de um Boomer alucinado, ela decidiu decolar em um forte salto ao lado de um Boomer devastado, com um cheiro forte. Suas feições bonitas se contorceram ao vê-lo e cheira-lo. Ele estava se abraçando no chão, choramingando entre fortes respirações.

“Boomer?!” Ela o tocou, e ele se retesou, levantando o rosto, acabou que ele a empurrou violentamente para trás, incapaz de saber se ela era real ou não. Ela caiu no gramado, em choque, desacreditando.

O garoto com uma expressão de puro horror tampou a boca, querendo vomitar. “Me deixe em paz!” Puxou os fios do cabelo.

“Boomer?” Ele deu uma de louco, batendo os próprios punhos cerrados contra a cabeça. Ela olhou para ele, muito assustada. “Para!” Urrou, pulando para apanhar seus pulsos, tentando controlá-lo. Sua força absurda a deixa aos berros. Nada conseguia pará-lo. “Você está louco? Para de se bater!”

“Não foi minha culpa... Eu sinto muito.”

Devia ser doloroso o impacto contra seu crânio ferido, mas ele não dava à mínima. Sua expressão; raivosa, dolorosa, medonha e escarlate a feriram no peito. Sentia-se afogando em um mar de sangue e agulhadas de espinhos. Como se provocar a própria dor o fizesse se acalmar, quando o sinal da escola bateu ele se liberou de um transe maníaco de ficar se machucando, bufou, sai em passadas longas da sua frente e nem a esperou. E saiu, voando. Sem dar explicações, sem contar o que tinha acontecido, sem se desculpar.

Qual era o maldito problema dele?

 

Boomer se atrasou para a próxima aula, porque ele tinha resolvido voltado para sua e tomar um banho frio. No quarto de Butch ele encontrou remédios que o desordeiro verde usava para relaxar. E ele tomou cinco comprimidos com água e foi para a escola. Sentiu-se mais... leve.

A porta da sala de aula se abriu, Bubbles e Harry ergueram o olhar no instante que o desordeiro entrou vestindo uma camisa branca e jeans, com o cabelo recém lavado. Assim que Bubbles o viu, o a doença intestinal veio de volta com uma onda de calor e frio na barriga.

“Merda.” Ela murmurou. Depois de um ataque maníaco, o mesmo voltou, parecendo que estava normal.

“Desculpe o atraso.” 

O loiro foi até a escrivaninha e se desculpou com a professora de inglês e seguiu para o fundo da sala. Ele se sentou ao lado vazio de Bubbles, sem notar sua presença.

A superpoderosa estava chocada demais para dialogar com o garoto que aparentemente estava tendo um sério problema de comportamento.

Ela estou me sentindo muito aborrecida.

O que ele tinha? Ela nem sabia no que pensar!

Durante a aula Bubbles conversou com Robin e Kim e pareciam encantadas com a presença de Harry. Quem era Mike comparado a Harry? Sua beleza ofuscava todas as meninas, menos a superpoderosa.

Bubbles observara Boomer mudar de posição da carteira e rabiscar algumas coisas. A professora tinha dado atividades e todos já tinham acabado.

“Todo mundo acabou as questões?!”

Boomer foi o único que levantou a mão. “Eu não terminei, professora.”

“Precisa de ajuda?”

“Ah, não. Deixa-me ser claro, eu não fiz nada, porque eu não quis mesmo.”

Bubbles ficou boquiaberta. Ele parecia ter voltado para o colégio completamente diferente, e Bubbles deveria ajudá-lo, talvez sua próxima lição deva ser ensinar a Boomer respeitar as autoridades. A professora inclinou o queixo para trás e fulminou o desordeiro com o olhar.

“Boomer Jojo. Por que não vem para a frente da sala e peça desculpa aos seus amigos? Sua atitude não é nada amigável. É muito desrespeitosa comigo, sendo sua professora. Vamos, eu quero te ouvir.”

O loiro não reclamou, o que com certeza era o que todos pensavam e esperavam que fizesse. Em vez disso, ele praticamente saltou da cadeira e foi depressa até a frente da sala. O movimento brusco e repleto de energia fez com que todos dessem uma estremecida, até a própria professora deu alguns passos para trás. Boomer virou-se, ficando de frente para a turma, sem um pingo de insegurança ou hesitação. As feridas em seu couro cabeludo e seu rosto estavam curadas.

“Com prazer.” Disse boomer, lançando um olhar para a mulher. “Eu gostaria de pedir desculpas.” Ele desviou o olhar dela para a sala. “Estou bem... instável hoje. Vomitei, tomei um banho e agora voltei pra escola. Então, vou fazer o possível para não ser mais desrespeitoso.”

Alguns alunos riram do comentário, mas a superpoderosa não entendeu qual foi a graça, já estava duvidando dele por causa de tudo que presenciou, e agora ele estava mostrando quem realmente era pela maneira como estava agindo – um desordeiro. Boomer abriu a boca para continuar a se desculpar, mas um sorriso de canto surgiu em seu rosto quando viu o rosto perplexo da loira que usava um vestido florido. Ele deu uma piscadela, e imediatamente ela teve vontade de se esconder debaixo da carteira.

Ele tem sérios problemas. Que diabos deu nele?

Ela saiu da sala de aula e foi direto até o armário e trocar os livros.

“Bubbles.”

Ela apertou os olhos, fechando-os, apreensiva com o que falar, sem querer se virar e ver ele parado com toda sua boa aparência.

“Boomer.” Ela ajeitou os livros no armário e se virou para ele, que sorriu e se apoiou no armário ao lado do dela.

“Você está... bonita hoje.” Ele disse, olhando-a de cima a baixo. Boomer tentou amenizar um pouco seu jeito tenso, mas parecia que não havia conseguido.

Ele parecia outra pessoa falado assim, e olhando-a assim.

“Que foi?”

“Você está bem?”

O garotou deu um sorriso malicioso e tamborilou os dedos no armário.

“Por que não estaria... Uh, a história de eu vomitar? Sim. Eu vomitei e fui para casa. Estava fedendo.”

“Eu sei que você vomitou.”

O loiro ergueu as sobrancelhas. “Sabe?”

“Não é engraçado! Pare com essas piadinhas.”

Boomer não respondeu, então ela resolveu ficar longe.

“Bem, o corredor está se esvaziando. Preciso ir.”

Ele estreitou os olhos para ela, percebendo como ela estava irritada e algo mais.

“Eu não entendi... Como sabe que eu vomitei?”

Ela revirou os olhos. Era suposto a ser uma piada? Voltou a olhar seu armário e tentou disfarçar os verdadeiros pensamentos que explicariam o quanto estava querendo ajuda-lo, mas o mesmo não ajudava sendo enigmático.

Ela tinha tantas perguntas. Por que ele está tão diferente? Qual a razão das mudanças de comportamento? Ele tem alguma doença ou algo assim? Por que está gastando tanta energia em ficar ao lado dela? Por que está tão interessado nela? Em vez de admitir que essas perguntas estavam em sua cabeça, ela deu de ombros.

“Nada. Esqueça.”

Ele apoiou o ombro no armário ao lado do dela e balançou a cabeça, negando.

“Não. É alguma outra coisa.” Seu rosto ficou sombrio. “O que há de errado?”

Ela suspirou e encostou no armário. “Quer que eu seja sincera?”

“Eu quero que você sempre seja sincera comigo, señorita.”

Ela meio que riu, em seguida apertando os lábios em linha reta, e concordando com a cabeça.

“Eu vou ser sincera.” Ficou de frente para ele. “Eu assisti você agindo como um maluco... e então fugindo de alguma coisa que eu não vi... Você vomitou, em seguida, parecia tão assustado, ficou agachado e se abraçou, eu fiquei apavorada e tentei te ajudar, e o que eu ganho? Um empurrão e você me dizendo pra ficar longe...”

Ele parou de respirar. Ela viu aquilo tudo?! Porra... ele tentou parecer indiferente, porque ele não queria que ninguém soubesse.

“...Agora, agora você dá em cima de mim e diz coisas como se tivesse certas intenções comigo, só que não posso isso! Não posso... Você é...” Para de falar. Não tinha palavras corretas.

Como é que é? Ele pensou, surpreso. Quem era essa garota e o que ela fez com a linda loira que estava flertando comigo? Boomer estreitou o olhar na sua direção.

“Eu sou o quê, Bubbles?” Ele questionou, analisando-a atentamente.

“Você é outra pessoa neste momento! É como se eu não te conhecesse... porque eu não te conheço! Está sendo um pouco assustador pra mim. E tem mais uma coisa.”

“Me conte.” Exigiu ele, como se soubesse exatamente o que ela estava se referindo, mas quisesse desafia-la a dizê-lo em voz alta.

Ela soltou o ar e pressionou as costas no armário, encarando suas sapatilhas.

“Você sabe... desordeiro.” Disse, mencionando o nome que significou o passado dele.

Boomer se aproximou, colocou a mão no armário ao lado da cabeça da loira, inclinando-se para perto dela.

“Me conte...”

Seus olhos se arregalam e ele se arrependeu imediatamente de ser tão duro com ela. É que ele estava muito frustrado por acreditar que ela era uma ilusão.

Bubbles ergueu o olhar e viu que ele estava a encarando, a menos de dez centímetros de seu rosto.

“Fale logo.” Boomer não deixou sua voz estremecer, nem um pouquinho.

Bubbles sentiu encurralada, o mesmo pânico de quando ele ressuscitou dos mortos, após a primeira vez que se encontraram, aparece em seu peito. O mesmo olhar de quando ele era malvado.

“Boomer, você está escondendo algo.” Disse abruptamente. “Sei o que você passou na alucinação fez você... mudar. Você parece o Boomer que só causou confusão e eu não gosto disso. Sei que, nestes meses que estamos sendo amigos, me deixou feliz e agora estou preocupada.”

Ele se aproximou muito dela, tão perto a ponto de se beijarem. E isso assustou os dois. Principalmente, a heroína que uma vez tinha tentado o mesmo, mas havia falhado. Eles não podiam!

“Mas...!” Ela sussurrou com sinceridade. “Não pense que pode ficar tão íntimo de mim. Não quero que fique achando que vai acontecer algo entre nós além do que já está acontecendo. Tudo bem?!”

Caramba. Quer dizer, não o entendam mal. Não estava dizendo que ele não pensou nisso. Mas, não era assim. Quando pensou que alguém poderia tentar se aproximar dela, ele ficou furioso. Ele tinha que se redimir de algum jeito...

Ele abaixou o braço e deu um passo para trás, dando espaço para que ela recuperasse o fôlego.

Ela não entendia como ficava sem ar toda vez que ele entrava no seu espaço pessoal. E entendia menos ainda por que ela gostava dessa sensação. Ela pressionou os livros no peito e ia passando por ele, mas um braço cercou seu ombro e a puxou para longe de Boomer. Ela olhou e viu Harry observando o desordeiro com curiosidade, segurando o ombro dela com força.

Agora Harry estava parado ao seu lado, o que não ajudou em nada. De onde foi que apareceu? E por que diabos estava com o braço ao redor dela? Será que ele seguiu seu conselho sobre pedir a ela sobre sair?

“Quê?” Ela murmurou, constrangida.

“Boomer?” Harry diz friamente. “Estou atrapalhando algo?”

Boomer nem percebeu a presença do baterista da banda de Buttercup e amigo de Bubbles. Ele continuou encarando a loira por muito tempo, desviando o olhar apenas para a mão de Harry agarrada a seu ombro. Ele balançou um pouco a cabeça e sorriu.

“Não.” Sua resposta foi seca. “Te vejo depois, Bubbles.”

Bubbles sentiu-se muito confusa. O que foi isso? Agora ele achou que podia tocar nela, por causa de sua reputação de puta? Harry segurando em volta dela como se fosse seu direito? Boomer desviou o olhar e se virou, indo embora.

Quando o viu virar o corredor, Bubbles empurrou o peito de Harry e se afastou de seu pescoço. “Não me toque assim.” Disse, irritada. “Quem você pensa que é?”

Harry arqueou uma sobrancelha. “Eu estava com saudade.”

Sua resposta foi gemer de frustração, afastou-se dele e foi embora.

...

 

“Então.” Disse Brick, olhando Blossom do outro lado da pequena sala. “Quem é Rubi?”

Os olhos rosas de Blossom giraram de seu iPod para Brick, uma expressão agravada em seu rosto. “Por que isso é da sua conta?”

“Não é.” Brick respondeu, e Blossom olhou para ele por alguns segundos antes de retornar à sua lista de músicas.

“Ela é minha guitarra elétrica.” Ela murmurou.

“Deu um nome a sua guitarra?” Brick perguntou, não sendo capaz de disfarçar o sorriso que automaticamente apareceu em seu rosto nessa revelação.

Blossom olhou para ele. Ela não conseguia decidir se ele estava zombando dela ou não. Mas ela, claro, sabia o que era, afinal, era Brick.

“Sim. Não me olhe assim, a maioria das pessoas nomeia seus instrumentos.” Ela retrucou e Brick riu rapidamente, balançando a cabeça. Sim, isso era verdade, ele só não esperava que ela fosse uma dessas pessoas. Mas então, ele não esperava que ela tocasse um instrumento como guitarra. Ela era boa em violino, mas, guitarra? Blossom tocando guitarra? Cristo, e ele pensando que já tinha visto de tudo.

“Certo... Bem, esse violino tem um nome também?” Ele disse, apontando para o que estava de pé contra a parede em frente a ela. Ela franziu o cenho para ele.

“O que isso importa? Claramente você está acima de nomear seu instrumento.” Ela brincou.

“Você acha?” Ele pressionou com um sorriso provocador e o rosto dela se transformou em uma carranca.

“Cale-se.”

“Qual é o nome? Estou assumindo que é um garoto.” Ele perguntou, e Blossom lançou um olhar gelado. Ela podia dizer que ele estava fingindo interesse e isso a irritou.

“N-não é bem assim.” Ela disse, gaguejando e corando. “Meu violino não tem nome... Esteve comigo por tanto tempo.”

Antes que Brick pudesse enviar qualquer tipo de resposta de volta, Buttercup abriu a porta da sala de prática, olhando para Blossom.

“Você vem para praticar?” Ela perguntou, e Blossom franziu a testa.

“Nós não podemos praticar para o seu show na aula de música.” Blossom disse, e Buttercup franziu o cenho para ela.

“Vamos lá, o professor nunca vai saber.” Buttercup insistiu. “É uma chance extra de praticar antes do show que está ficando cada vez mais perto!”

Blossom parou por um minuto para pensar, depois se pôs de pé para seguir Buttercup para fora da pequena sala.

“Aguarde um minuto.” Brick disse, olhando para as duas; ele estava sentado no chão encostado na parede como normalmente fazia durante a música. “Você não pode levá-la assim, nós temos nossas próprias coisas para fazer! Peça final, lembra?”

Blossom ergueu uma sobrancelha para ele, surpresa, e Buttercup cruzou os braços sobre o peito, a carranca habitual aparecendo em seu rosto enquanto ela olhava para ele.

“Toda vez que eu venho aqui você nunca está trabalhando. Na verdade, eu nunca escutei você tocando aqui. Agora eu preciso de Blossom, depois se preocupem sobre sua peça final.” Buttercup argumentou.

Brick piscou, perplexo. Bem, ela estava certa. Era verdade. Eles não haviam trabalhado juntos nessa aula. O diretor havia dito a eles que trabalhassem juntos, até agora tudo o que eles fizeram foi sentar-se desajeitadamente e irritadamente na sala de treinamento, evitar falar ou olhar um para o outro, ouvir música em seus próprios dispositivos pessoais e Blossom tocando seu violino de vez em quando. Mas eles não fizeram nenhum trabalho na última peça juntos. Brick nem tinha concordado com a sonata escolhida.

Blossom nem ouvira Brick tocar.

“Venha, Blossom. Venha e faça algo produtivo.” Buttercup disse virando-se para sair. Brick olhou para ela recuando.

Blossom segurou a porta aberta, olhando de volta para Brick momentaneamente. “Ela está certa, você sabe. Eu nunca ouvi você tocar.” Ela comentou, antes de seguir sua irmã de cabelos negros para fora da porta, deixando-a fechar atrás dela.

Brick olhou para a porta um pouquinho, antes de escarnecer, depois desviou o olhar.

Ele não tinha feito nenhum trabalho com ela porque não queria, e nenhum outro motivo. Mas ele supôs que eles provavelmente deveriam trabalhar em alguma coisa.

O violino de Blossom ainda estava apoiada no canto, no estojo, e o iPod dela havia sido colocado na mesa. Ele ficou um pouco surpreso. Blossom estava bem em deixar seus pertences pessoais com alguém como ele? Ele se levantou, tirou seu iPod da mesa e se sentou na cadeira em que ela estava sentada, percorrendo as últimas músicas que estava ouvindo e dando uma olhada em que música tinha ali. Escutou que o gosto musical dizia muito sobre uma pessoa.

O que o iPod de Blossom diz sobre ela?

Não foi muito longe, para ser honesto. Havia muitas coisas acústicas mais suaves. Mas havia pop, indie, R & B e até mesmo um pouco de hip hop lá também. Não dava muita coisa, se algo poderia confundir uma pessoa, se ele estivesse tentando lê-la através seus gostos musicais. Ele colocou de volta na mesa, as últimas músicas que ela estava ouvindo em sua mente quando ele chegou para frente e pegou seu violino. Havia avistado ela tocando tantas vezes. Muitas vezes e durante o tempo todo, ele tracejava com os olhos os dedos pálidos dela percorrendo as cordas, a sombra de seu arco sendo agraciado pela melodia.

...

 

“Não podemos apenas tocar mais uma vez?” Buttercup perguntou enquanto seguia sua irmã para fora da sala de prática do Crowstorm e de volta para a única sala que Blossom usava com Brick.

“Eu não quero ficar encrencada, Buttercup. O senhor Garmet está relaxado, mas ele não ficará feliz com a gente praticando para uma batalha das bandas ao invés de fazer o trabalho da escola. Além disso, deixei todas as minhas coisas lá dentro com o Brick. O que eu estava pensando?!” Blossom exclamou, colocando a mão na maçaneta para abrir a porta, mas Buttercup agarrou seu pulso e puxou-a para longe. “O que você está fazendo?”

“Espere, escute! Ele está tocando.” Buttercup sussurrou, e Blossom parou, piscando.

“Tocando? Tocando o que... Meu violino?! Meu violino?” Ela exclamou indignada, mas Buttercup a acalmou.

“Shh, cale a boca e ouça. Ele é muito bom. Butch disse que ele era bom tocando guitarra, o que mais sabemos sobre ele?” Buttercup disse em voz baixa, mas Blossom não tinha passado pela indignação que sentia que Brick tinha as mãos em suas coisas.

“Ele está tocando meu violino, ele está tocando meu violino sem sequer perguntar?!” Blossom reclamou, entrando na sala de prática.

“Bloss!” Buttercup chamou, seguindo-a.

“Você está tocando meu violino?”

Sua voz ácida ecoou para ele o fez levantar os olhos.

Blossom perguntou, e Brick se virou em seu assento, ficando cara a cara com sua expressão glacial.

Lentamente, ele abaixou o violino, levantando as mãos inocentemente. “Eu só estava tentando tocar...”

“Não toque nas minhas coisas! Vão toque meu violino sem perguntar!” Ela rosnou, agarrando seu violino e segurando-a protetoramente.

“Maldito inferno, eu estava apenas trabalhando em alguma coisa, só isso!” Brick gritou defensivamente, enquanto Buttercup riu.

“Ela é muito protetora sobre seus pertences.” Ela acrescentou inutilmente.

“Jura?” Brick murmurou enquanto o olhar gelado de Blossom se intensificava.

“Você poderia tê-lo quebrado!! Você poderia ter quebrado meu violino!” Ela acusou, e Brick lhe deu uma expressão perplexa.

“Por que eu quebraria seu violino?” Brick perguntou.

“Por que eu esperaria algo melhor de você?” Blossom voltou a berrar. Buttercup saiu de perto deles, deixando os dois para discutir.

Brick zombou. “Eu não tenho motivos para foder sua merda de instrumento.”

“Você não teve motivos para fazer muitas coisas, mas você ainda as fez.” Ela disse friamente, e ele olhou para ela.

“O que, como ajudá-la durante o ataque nanobot?” Ele respondeu, e ela hesitou um pouco.

“Não mude de assunto. Você, você p-poderia ter estragado ela com suas mãos de... de desordeiro!” Ela gaguejou e ele zombou de novo.

“Eu sei que nunca segurei uma porra de um violino antes. Mas eu não sou um idiota.” Ela continuou a encará-lo e ele impeliu um olhar incrédulo. “Uau, você precisa se acalmar. Você estava apenas falando sobre a nossa peça final. Então, eu estava tentando fazer alguma coisa.”

“Bem, use o piano que está ali!” Ela retrucou, apontando. Eles se encararam por alguns segundos, e o sino da escola tocou, indicando que a aula havia chegado ao fim.

“Bem.” Brick disse, quebrando o silêncio. “Talvez eu vá.”

“Como... você tocou meu violino?”

“Com as mãos?!” Ele riu.

Ela bufou. “Você me disse que nunca tocou em um antes, mas... você conseguiu tocar Kreutzer de Beethoven... Não foi?”

Ele acenou que sim. “Eu vi você tocando semana passada e... foi bom.”

Seus olhos ficaram iluminados. “Eu só toquei, como, uma vez... e eu precisava ser acompanhada pelo piano. Como... você aprendeu e conseguiu tocar?”

“Acho que vendo uma única vez, eu consigo tocar.” Deu de ombros. “Somos super-humanos, Blossom. Muita coisa é possível para nós.”

Não sabia o que dizer, porque, ele estava certo sobre isso.

...

 

“Cara, abra a janela quando estiver fumando. É como uma porra de uma caixa quente aqui.” Brick disse, abanando a mão através da fumaça enquanto abria a janela.

Quando começou a clarear, ficou surpreso ao ver não apenas seus dois irmãos sentados no sofá, mas Mitch, Joey, Elmer e Harry também estavam lá, os seis dividindo três beck entre eles.

“De quem é essa erva?” Brick gritou e Butch riu.

“Relaxa, mano, é minha. Não se preocupe, não fomos pegos nem nada.” Butch garantiu a ele, e Brick lentamente se empoleirou no braço de um dos sofás, aliviado por não precisar perder a paciência com ninguém na sala.

Ele se sentiu um pouco perplexo por sua sala estar cheia de outros caras da sua idade, que ele não estava relacionado. Não foi a primeira vez que Butch trouxe alguns amigos, ou garota aleatória, mas Brick tinha decidido em sua cabeça que não seria uma coisa normal e ocorrente – eles tendiam a se encontrar na casa de Joey onde eles iriam praticar como uma banda. Mas ainda assim, aqui estavam eles, em sua sala, fumando maconha com seus irmãos. Quem diria que um bando de maconheiros eram amigos de Buttercup?! Se a mesma sabia, deveria não se importar.

“Isso é uma merda premium.” Mitch disse, dando uma tragada e passando o baseado para Elmer. “Como, muito bom, caras.”

“Nós só fumamos bagulho de qualidade.” Butch disse com um encolher de ombros. “Só temos o melhor, certo, Brick?” Brick apenas cruzou os braços sobre o peito, mal-humorado. Butch empurrou seu baseado em seu caminho, e com relutância, Brick a pegou, dando uma longa tragada nela. Se Butch estava incendiando à sala de estar com sua presença, ele estava fumando sua erva.

“Sabia que é preciso fumar quatro vezes mais o que alguém comum para realmente nos dar uma alta brisa? É que não somos normais.” Boomer acrescentou, e Butch deu de ombros novamente.

“É bom.” Mitch disse, mentalmente dizendo a si mesmo para fazer uma pausa neste último, ele estava ficando muito alto demais.

“Então, como foi a prática da banda?” Boomer perguntou, e Mitch e Joey assentiram.

“Está realmente indo muito bem. Blossom é muito divertida de se trabalhar. Sem ofensa, Mitch, você ainda é o meu favorito homem para tocar.” Joey disse, olhando para Mitch, que levantou as mãos.

“Não se preocupe, cara, eu não te culpo. Ela é boa. E ela parecia tão gostosa pra caralho tocando minha guitarra.” Mitch argumentou.

Harry riu. “Mas sim, Blossom é muito boa. Eu não achei que seria divertido tocar com ela. Na verdade, eu estava um pouco nervoso no começo quando Buttercup nos disse que ela estava nos ajudando.”

“Eu não achei que ela seria tão boa, porra. Mas ela poderia tocar como Thurston Moore e eu não daria a mínima, contudo que continuasse com seus peitos fartos.” Butch acrescentou prestativamente, ao que todos, menos Brick, riram.

Brick apenas deu a seu irmão um olhar irritado. Isso o irritou pelo fato dela ser uma superpoderosa. Não de uma forma protetora, apenas de uma maneira esquisita e estranha.

Deve ser a porra da ligação, Brick se lembrou.

Ultimamente, com o desordeiro entendendo o por que se sentia tão bem em torno dela e com tantos fatos explicados, Brick sentiu que tinha mais controle sobre si mesmo, agora estava ficando mais perto possível dela, em uma tentativa fútil de não pensar em beija-la, toca-la ou... coisas que casais fazem. Mas, ele se pegou olhando furtivamente suas coxas, pernas, quadril, tudo nela era atrativo. Ele realmente parecia ter acordado para a puberdade, pois nunca tinha se interessado em uma mulher como estava sobre Blossom. 

“Por que você estava nervoso? Eu pensei que era Bubbles que você gostava?!” Joey perguntou, indo passar o baseado para a mão boa de Mitch novamente, mas ele balançou a cabeça negativamente.

“É, mas você sabe, garota atraente praticando com a gente na banda e nos dizendo o que fazer é estranho!” Harry zombou. “Eu fico muito nervoso.”

“Você gosta de Bubbles?” Boomer perguntou, sua pergunta dirigida a Harry.

Brick olhou para Boomer em busca. Seu rosto parecia surpreso.

As bochechas de Harry se avermelharam quando Elmer empurrou seu ombro. “Ele gosta dela desde que terminaram o lance de ficarem. Agora não tem coragem de convidá-la para sair.”

“Cala a boca, cara.” Harry murmurou. “Sabe, gente como nós nem devíamos olhar, é areia demais para nossos caminhõezinhos... Por isso se chamam superpoderosas.”

Boomer franziu a testa. Mas ele notou Brick observando-o e voltou a pensar em suas acusações de paixão no outro dia. “Você deveria apenas perguntar a ela... amigo. Ela provavelmente diria sim, ela é muito legal.” Ele encorajou e Harry encolheu os ombros, enquanto Brick continuava a estudar seu irmão loiro.

“Não, ela vai me perdoar assim. Ela é muito pra alguém como eu.”

“Como assim?” Boomer perguntou, curioso.

Os amigos se encararam, decidindo que ninguém gostaria de compartilhar seus pensamentos.

Harry resmungou. “É que, ficamos um mês inteiro e as coisas não mudavam. Ficavam na mesma base! Argh. Homens tem necessidades, entende?”

“Ele está falando de sexo.” Mitch disse, rindo.

“Cala a boca.” Harry rosnou. “É Buttercup. Ela vai me castrar se eu pedisse Bubbles para sair, sabe? E Bubbles é... muito gostosa pra não pensar em fazer, vocês sabem, então, entendem como é chato esperar algo mais e ela se recusar?”

“Buttercup não faz você cagar as calças de nervoso?” Boomer perguntou, tentando mudar de assunto. Então Harry só queria sexo? Filho da puta, bastardo. Boomer pensou em estrangulá-lo. “Ela é claramente a garota mais assustadora do mundo.”

“Ela é uma das minhas melhores amigas, é diferente.” Joey disse.

“Buttercup é legal.” Mitch comentou. “Mas, sinceramente, sabemos que elas são boas demais pra nós.”

“Eu estou com Boomer. Ela é muito assustadora quando ela quer ser.” Elmer disse, e Mitch balançou a cabeça casualmente.

“Talvez seja porque eu a conheço há tanto tempo. Namorar ela me deixou sem medo para o perigo. Agora, estou imune a seus acessos de raiva.”

“Não acho que é a erva falando, eu a conheço e sou sua amiga desde você, Mitch. Ela é assustadora quando ela quer ser.” Mike concordou.

“Ela nunca me assustou.” Butch encolheu os ombros.

“Butch, você é assustador também.” Mike acrescentou, e eles riram.

“Então, quantos oponentes conseguiram chegar à batalha das bandas?” Butch perguntou.

“Vamos foder qualquer um e a todos.” Mitch disse. “Considerando que eu não posso tocar, eu tenho estado igual a um merda.”

“Bem, eu estou indo junto com Bubbles, Robin, Kim, Regina e Julie. Oh, e Brick.” Boomer disse despreocupadamente, e Brick cerrou o rosto em confusão.

“Eu não vou.” Brick disse simplesmente, e todos na sala deram-lhe um olhar desapontado.

“Você tem que vir! Deusa da guitarra, lembra?” Butch gritou. “Não querer ir? Blossom Utonium vai estar lá, olá?”

“Oh, por favor.” Brick murmurou, exasperado.

“Independentemente disso, você está vindo. Eu tenho um ingresso que comprei pra você faz uma semana.” Boomer informou a ele, e a boca de Brick se abriu.

“Por quê?”

“Porque você precisa sair.” Boomer disse simplesmente. “Você é muito antissocial.”

“O que você acha das habilidades de guitarra de Blossom, Brick?” Mitch perguntou curioso. Ele ouvira que Brick poderia tocar, mas nunca o ouvira.

“Realmente, não a ouvi tocando guitarra.” Brick murmurou em resposta, ainda olhando para Boomer por lhe comprar um ingresso para a batalha das bandas.

“Como?” Butch perguntou em confusão. “Você não é parceiro dela agora para a peça final?”

“Nós não tocamos juntos. E estamos preparando uma peça clássica. Já assisti ela tocando no violino. Eu só fico encarando o que eu devia praticar...” Brick respondeu, passando a mão pelo cabelo. “Piano.”

“Pequeno Mozart.” Butch comentou, e Brick bufou.

“Oh. Cara, você tem que vir e pelo menos ouvi-la tocar. Ela é boa.” Mitch insistiu. “Você sabe, quanto mais adeptos houver, melhor.”

“Eu acho que posso assistir Blossom fazer papel de tola.” Brick murmurou baixinho.

“Eu não sei sobre isso, mas ela vai estar tocando com certeza. Cara, eu gostaria de poder fazer isso.” Mitch suspirou, e o rosto de Butch se contraiu em desgosto. Foi uma coisa idiota de se fazer. Por que ele machucou Mitch? “Butch, não se atreva a se desculpar de novo, eu aceitei seu um milhão de desculpas, caramba.” Butch ainda murmurou uma desculpa, soando patético. Antes ele iria rir, agora ele lamentava. Buttercup nem queria olhar para o rosto dele. “Se passarmos para a próxima rodada, eu posso tocar. Eu me sinto mal com todos os problemas que os meus ossos claramente frágeis causaram. Eu vou falar com Jack. Vamos para a festa dele depois, é o mínimo que posso fazer.”

“Quem é o Jack?” Butch perguntou.

“Meu meio-irmão. Ele é... legal, você vai gostar dele.” Mitch assegurou, um pouco irritado. “A gente está tentando se entender, sabe? Mães diferentes e tudo mais. É estranho.”

“Não tanto quanto as coisas estão estranhas com você e Buttercup.” Elmer murmurou, e Mitch revirou os olhos. “Cara, você e ela nem se falam. Só quando é preciso... É muito bizarro. Como conseguem estar numa banda?”

“Ha, sim, é verdade.” Mitch encolheu de ombros. “Eu gosto da banda. Não vou sair. Se ela querer, tudo bem, escolha dela. Mas, por enquanto, vamos levando.”

Ficou um silêncio desconfortável.

“Meu irmão está aqui na cidade por algum tempo, então eu vou ver se podemos comemorar em sua casa depois. Ou nos afogar em nossas tristezas.” Mitch propôs. “Eu preciso de álcool depois de um término.”

“Definitivamente, celebrando. Lembre-se. Não mostre que você está na fossa, mano.” Harry disse com um sorriso forçado. “Vamos ganhar!”

“Eu espero que sim.” Mitch respondeu. Mas Butch estava muito ocupado imaginando como um término de namoro afetam uma pessoa.

...

 

Os dias no colégio são parecidos com um drama. O armário da loira se tornou um espaço de bilhetes bárbaros, apesar de que manheira nenhuma viu nada sendo colocado. Não conseguiu assimilar o que as pessoas lucravam com isso se nem assumiam a autoria. Como a mensagem curta que ficou colada no seu armário hoje de manhã. Tudo o que dizia era: vadia.

Bubbles assumiu que eles ou elas não tinham nenhuma criatividade. Como artista, ela sentia que faltava muita coisa. Ela tinha que ler merdas assim todos os dias, o mínimo que eles poderiam fazer é tornar uma história fantástica ou divertida. O que tem de interessante em escrever vadia, grudar na porta e sair correndo? Chato.

Ela soltou um suspiro. Se ela fosse se rebaixar deixando um bilhete infundado no armário de uma pessoa, pelo menos faria a cortesia de entretê-lo.

Em vez de arrancar os bilhetes do armário, que provavelmente é o que uma garota sensata devia fazer, pegou uma caneta azul brilhante e os tornou originais e inovadores.

Decidiu fazer isso com frequência.

No refeitório, Kim sentou-se na frente de Bubbles e a entregou um suco natural de laranja.

“Suco natural, certo? Que bom que eles fazem na hora.”

Ela sorriu. “Obrigada.”

“Não me agradeça, superpoderosa. Tenho más intenções. Quero te subornar pra descobrir os podres da sua vida como heroína e outra garota malvada.”

Bubbles deu um pequeno gole na bebida natural.

“Bem, você vai ficar desapontada, pois minha vida malvada é inexistente.”

“E a vida amorosa?”

“Mesma coisa.”

Ela abriu o próprio refrigerante e sorriu.

“Duvido. Não com o senhor popular ali encarando você daquele jeito.” A amiga dela apontou com a cabeça para o lado.

Boomer estava a duas mesas de distância, olhando para a loia. Estava sentado com Butch e seus amigos. Buttercup estava negando a existência de Butch. Muitos garotos estavam falando ao seu redor, sem perceber que Boomer não estava participando da conversa.

O desordeiro azul tomou um gole do refrigerante sem desviar os olhos da superpoderosa. Depois de pousar a bebida de volta na mesa, apontou com a cabeça para a direita ao se levantar. Ela o olhou virar e sair do refeitório. Ele estava indo para lá, esperando que ela o seguisse.

 “Hum... Kim?”

“Ele quer que você o siga.” Sua amiga disse, maliciosamente.

“O que eu faço?” Estava em pânico.

“Vai atrás do gostoso.” Kim sorriu. Ela parecia entender que o perigo envolvia o certo loiro. “Vai ver o que ele quer, porém, venha me contar tudo o que aconteceu!! É uma ordem.”

Bubbles tomou todo o suco e colocou o copo de plástico na mesa. “Eu vou.”

O corpo de Bubbles queria correr atrás do rapaz bonito, mas ela deixou o coração trancado. Tinha certeza de que ele pulou para fora do seu pequeno peito assim que viu Boomer chamando-a. Ela podia tentar esconder, mas, seria bom se fosse capaz de controlar o embrulho do seu estômago.

Ele estava há vários metros a sua frente. Ele empurrou as portas, que se fecharam após sua passagem. Ela colocou as mãos nas portas ao alcançá-las, e ela hesitou por segundos após sua passagem.

Andou pelos corredores, procurando-o, deu passadas até chegar ao fim dos armários. Ele estava encostado em um armário qualquer, com o joelho dobrado e o pé apoiado na porta. Parecia um dos seus irmãos desordeiros, e realmente, ela tinha certeza absoluta que ele era um desordeiro.

O tom azul-escuro de seus olhos não tinha nem a bondade de disfarçar que há por trás deles. Ele sabia que não era da sua maldita conta, mas ele precisava saber a verdade para conseguir sobreviver o resto do dia sem assassinar Harry.

“Você está saindo com Harry?”

Ela revirou os olhos, foi até os armários na frente dele para se apoiar ali.

“O que isso importa?”

Boomer não devia importar, mas importava. Ele sabia o tipo de pessoa maravilhosa que ela era, Harry não a merecia. Então, sim, isso importa.

Ela iria admitir, estava curiosa para saber por que isso era de seu interesse. Boomer fez uma pausa silenciosa.

“Ele é um idiota.”

“Você consegue ser idiota quando quer.” Ela disse depressa, sem precisar de tanto tempo quanto ele para responder.

“Ele não... ele não é legal. Não vai fazer bem tê-lo por perto.”

“E você vai?” Perguntou, devolvendo o argumento dele imediatamente.

Ele abaixou os braços e se virou para os armários, batendo num deles com a palma da mão, esmagando-o. O som da pele contra o metal resplandeceu pelo corredor. Ele soltou um murmúrio. Ela estava entendendo tudo errado.

O gesto terminou sendo mais forte do que Boomer queria. Mas o desordeiro estava com raiva e odiava ficar assim, porque ele devia estar cagando para isso tudo. Por que ele se importa? Porque não queria que ela ficasse com Harry. Por isso.

“Não estou falando de mim.” Disse ele, virando-se de volta. “Estou falando de Harry. Você não devia estar com ele.”

Boomer estava zangado, viu isso quando ele encostou a cabeça no armário, sendo dominado pela frustração.

Ela se distanciou dos armários e foi até ele. “Você está muito estranho. Faz dias... e você não me conta nada. É como se houvesse dois de você. Hoje você é o Boomer desordeiro e o garoto que eu até gostava se foi. Você não tem direito de dar mandar em mim ou em minhas decisões. Somos apenas amigos.”

Inspirou pelo nariz e exalou por entre os dentes cerrados, pois estava furioso. Furioso por ela ter razão.

Ele deu um passo na direção dela. Os olhos frios e intensos e ela estava começando reconhecer a antiga pessoa furiosa, mais uma vez. Bubbles viu o seu temperamento mudar da água para o vinho mais de uma vez nesses últimos dias e ele não explicou absolutamente nada. Ela merecia uma explicação para o seu comportamento, mas, como ele iria falar?

“Eu não gosto dele.” Ele levou a mão até o rosto delicado de porcelana da garota e passou o dedo delicadamente em sua bochecha corada. “E depois que o vi com o braço a seu redor? Me desculpe se fiquei me comportando como um babaca. É ridículo, eu sei. Mas, ainda sou eu aqui.” Sorriu.

As pontas de seus dedos encostando em sua maçã do rosto a deixou sem ar. Precisava de força de vontade para não fechar os olhos e se curvar-se em direção a palma de sua mão.

Depois que seus dedos encostaram em sua pele, ele não conseguiu afastá-los de sua bochecha. Ela soltou uma arfada, e ele não podia deixar de perceber a poderosa reação que ela tinha ao seu toque. Ao seu toque! 

“Você me viu... então era você?” Boomer estava descrente. Ele tinha pensando que ela era uma ilusão de seu delírio. “Me desculpe por aquilo.”

Bubbles tentou construir uma certa imunidade contra ele. Sua conexão era forte e inabalável.

Ela deu um passo para longe até a mão dele deixar de encostar o seu rosto.

Boomer sentia uma vontade dominadora de passar a mão no seu cabelo e puxar sua boca encaixar em seus lábios, mas ela se afastou.

“Como assim? É claro que fui eu.” Ela disse, confusa. “Eu tentei te ajudar, e você me empurrou. Me mandou ficar longe de você. Por que não faz isso então?”

Após mais alguns segundos observando-a, ele soltou um breve suspiro. Desviou o olhar e balançou a cabeça, segurando a nuca. Ele precisou se virar para que ela não fitasse o desapontamento no seu rosto.

Ela inclinou a cabeça para o lado e estreitou os olhos para ele.

Ficou parado nessa posição, algum tempo, de costas para ela. Ele estava pensando, bastante. Após se virar devagar, ele olhou para o chão.

“Vai me contar o que está acontecendo com você?” Ela poderia estar berrando.

“Desculpe.” Disse ele novamente, com a cabeça direcionada para o chão. “Eu não... sei se posso te contar isso sem a história completa. Não posso.”

Ela crispou os lábios em aborrecimento. “Sua escolha.”

Ficaram se encarando em total silêncio até o sinal para o segundo almoço tocar e o corredor se encher de alunos.

“Não fique brava comigo.”

“Estou só preocupada com você.” Ela respondeu com um sorriso triste.

“Você está com Harry?” Perguntou novamente.

Ela bufou. “Não... não estou.” Respondeu, indo embora e desviando o olhar.

Boomer sentia-se aliviado. Não queria que Harry namorasse com ela. E ele não queria contar o que tinha de errado, pois não iria desfazer o que houve. Nada iria ficar melhor.

...

 

Bubbles estava no refeitório, comendo uma salada em sua bandeja. Ela estava com Kim e Robin.

As garotas estavam animadas, porém a loira estava perdida em seus pensamentos.

“Bubbles.” Kim disse, interrompendo seus pensamentos. “O que é tudo aquilo no seu armário?”

Kim também resolveu falar. “Estava coberto de histórias sexuais.”

“Não sabemos quem foi as vadias que fizeram aquilo, mas vamos descobrir.

A superpoderosa riu. “Calma gente, eu demorei um tempo para escrever aquilo tudo.”

“Você escreveu?” Perguntaram em uníssono, espantadas.

“Estava tentando ser criativa. Funcionou?”

“Não acredito nisso.” Kim segurou a gargalhada. “É que eu fiquei muito surpresa quando li: Você é tão puta, que pegaram sua mãe te parindo dentro de um bordel.” 

Robin se engasgou com sua bebida e derramou em seu colo.

“Essa daí não foi meu.” Bubbles deu de ombros. “Mas o resto foi de outras pessoas. Não estão mais inéditos? Com histórias malucas e divertidas com sacanagens criativas?!”

“Buttercup estaria tão orgulhosa de você.” Robin confessou, rindo. Pegou um papel toalha e limpou sua saia.

“Ela sabe.” Bubbles murmurou. “Não contêm para Blossom. Sabe que ela daria um sermão sobre incentivar as pessoas a fazerem isso, só porque eu estou achando engraçado.”

“Eles eram engraçados. Mesmo ainda sendo uma grosseria contra você.” Kim murmurou. “Eu assisti Boomer, o delicioso fruto proibido os rasgando ainda agora pouco.”

Bubbles olhou para suas amigas, que estavam dando sorrisos maliciosos.

“Oh.” Foi o que ela disse antes de corar.

Por que ele faria uma coisa dessas? Se daria ao trabalho de algo assim, por ela?

Eles nem estavam se falando fazia alguns dias. Na verdade, nem interagiam. Agora ele se ficava ao seu lado, calado e mudo. E, mesmo assim, ele se sentava com Butch e seus amigos. Ela pensou que depois do impasse estavam se evitando, mas pelo jeito estava errada.

“Posso te perguntar uma coisa?” Disse Robin.

Bubbles deu de ombros.

“Você gosta dele?”

“Ele era meu amigo... eu acho.” Ela respondeu, sem saber.

“O que aconteceu? Antes ele vivia conosco, e do nada parou de andar com a gente.”  Robin questionou.

“Ele está guardando segredos.” Foi tudo que a superpoderosa falou.

Elas estavam loucas para fazer mais perguntas sobre seu relacionamento com o desordeiro, mas uma voz soou atrás dela. Imediatamente ssoube que era Harry, pois a voz não surtiu nenhum efeito em Bubbles. Ela se virou, Harry sentou-se ao seu lado.

“Tem planejado algo para hoje?”

Ela mordeu sua alface. “O que importa?”

“Me encontre no meu carro depois da última aula depois da escola.”

Ele se levantou e foi embora antes dela contestar. Kim deu um sorriso sarcástico.

“Vida amorosa inexistente? Sei.” Foi irônica.

 

Boomer continuou pensando em Bubbles. Não conseguia tirá-la a cabeça. No entanto, não conseguia ignorar essa vontade crescente de protegê-la. Agora que sabia como Harry era, já sabia que ela não merecia alguém como ele perto dela.

Não sabia por que, mas ela o inquietava, sim. Estava se sentindo extremamente possessivo a respeito dela.

 

Ela nem imaginava o que Harry Olsey queria falar com ela. Estava se sentindo mais que pronta a renunciar dos garotos pelo resto do ano. O garoto cumpriu sua palavra e estava esperando por ela no seu carro, encostado na porta do motorista, quando ela chegou o estacionamento.

“Lindinha.” Ele disse.

Ela estremeceu, percebendo o tom da sua voz e pelo fato de ter acabado de receber um apelido. Ela foi até ele e se apoiou no carro ao seu lado.

“Não me chame de lindinha, Harry. Nunca.”

Ele riu e deslizou o corpo para sua frente, segurando sua cintura.

“Certo. Que tal deliciosa?”

“Que tal Bubbles Utonium?!”

“Por que está com raiva? Você sempre foi a mais doce!”

Ele alongou as mãos para seu rosto, apalpando suas bochechas e a beijou. Com um revirar de olhos, ela o deixou fazer isso. Não tinha nada de bom em seu beijo. Não era justificado. Ele é um idiota e imbecil.

No entanto, ela afastou o seu rosto apenas alguns segundos depois.

“Diga o que você deseja, Harry.”

Ele colocou os braços ao redor da sua cintura e a puxou para perto.

“Bubbles Utonium.” Ele começou a beijar o pescoço pálida da loira, então ele ganhou um empurrão, e ele se afastou. “Qual o problema?”

“Eu já te disse. Eu não vou transar.”

“Não é só isso... Eu...”

Ela o interrompeu. “Harry, eu não estou fazendo jogos idiotas com sua cabeça, não estou querendo que fique correndo atrás de mim.” Deu de ombros, dizendo a verdade. “Não sou essas garotas desmioladas. Você quer mais, e eu não, então necessitamos aceitar a situação de resolução praticamente impossível e a gente precisa seguir em frente. Não acha?”

Ele ficou a encarando, suspirou e a moveu para perto de si, abraçando-a.

“Desculpe, Bubbles. Não vou insistir de novo. Está bom do jeito que estava.” Ele lançou um sorriso mais sedutor. “Agora não fique brava e venha aqui.” Ele puxou seu rosto para perto e a beijou novamente.

Alguém estava assistindo tudo aquilo...

Boomer estaria mentindo se não admitisse que ver as mãos dele no corpo dela fazia todos os meus músculos se contraírem em raiva. Ele os observou por algum motivo ridículo e masoquista. Bubbles o afastou e deu um passo para longe. Ele observou enquanto ela falava, mas Harry se aproximou e a abraçou mais uma vez. Assim que ele se inclinou para beijá-la, precisou desviar o olhar. Não a entendia. Ela é confusa demais! Não entendia o que ela viu no tal garoto e realmente não entendia por que o babaca era ele próprio, e não Harry. Porém...

Ao olhar novamente, viu ela reagindo ao que ele fazia. Seus braços ainda estavam ao redor do corpo dela, e parecia que ainda estava beijando seu pescoço. Podia jurar que ela acabou de suspirar de tédio. Agora estava olhando o celular, sem reagir a nada do que Harry fazia. Ela abaixou o braço, parada, parecendo mais incomodada do que interessada. Continuou observando os dois e ele ficou cada vez mais confuso com a falta de interesse dela. Mas o que...?!

E na mente da heroína...

Bubbles estava irritada e furiosa, não deixou de sentir um alivio assim que seus lábios encontraram os dela; é a irritação encolhendo por causa da diminuição da sensibilidade que tomou conta dela. Só por esse motivo, deixou que ele continuasse a beijando.

Patético, não era? O beijo de garotos eram como substâncias que causam entorpecimento.

Ele a apertou contra o carro, passando a mão no cabelo loiro, desfazendo o cabelo amarrado, depois beijou seu queixo e seu pescoço exposto. 

Tinha que encontrar suas irmãs. Não sabia por quanto tempo ele iria continuar tocando-a. Ela preferia estar comendo carne, que seria melhor que isso. Ugh. Ela guardou o celular, e na mesma hora, seu batimento cardíaco aumentou e seu estômago se revirou e sentiu todas as coisas que uma garota devia sentir quando os lábios de um gostoso a estavam beijando. No entanto, ela não reagiu ao cara cujo lábios estavam a beijando neste exato momento. E sim ao cara desordeiro, o loiro de cabelo bagunçado e incríveis olhos azul-escuros, que estava ferindo-a com o olhar duro do outro lado do estacionamento. Merda!

Boomer assistiu sua reação inusitada, a expressão no rosto dela era praticamente inanimada até o instante em que seus olhos encontram os dele. Seu corpo inteiro ficou tenso e os olhos se arregalam. Boomer estava parado ao lado da van de Joey, apoiado na porta, observando-os. Imediatamente, Bubbles empurrou Harry para longe dela e se virou para sair.

“Então, vamos sair amanhã?” Harry perguntou.

Ela se virou apenas para olhar para ele. “Não. Me deixa em paz!”

“Eu pensei que nós dois...”

“Não existe nós dois, Harry. Acabou tudo. Não me procure.”

Boomer escutou o que ela disse, mas o fato de estar indo embora enquanto ele mostrava os dois dedos prova que Harry não conseguiu o que queria ouvir de jeito nenhum.

Boomer ainda estava confuso. Ele tinha que falar com ela, isso depois de testemunhar seja lá o que for que acabou de testemunhar

Ela voou, sem saber se estava enraivecida, acanhada ou apaixonada.

Como Boomer era capaz de fazer isso? Como a faz sentir essas coisas lá do outro lado do estacionamento, apenas olhando?

...

 

Boomer não queria mais acreditar que sua existência é ruim. Ele achou que estava diferente, até agora. Bubbles está apreensiva. Não queria isso para sua amiga.

Brick arrumou um trabalho para o trio de vilões.

Isso que ele sempre foi. Um vilão. Por que seria diferente, depois de todo esse tempo? E não deveria ser.

Boomer aprendeu que a vida é preciosa. Deveria ser cuidada. E isso é ela. Bubbles. Quer protegê-la da verdade. Se ela se machucar, o que ele vai fazer?

Brick recebeu um telefonema. Precisava ser feito e ele entendia o porquê.

Sabia que Brick não estava fazendo isso pela bondade, e sim pelo dinheiro. Nenhuma outra pessoa poderia fazer este trabalho sujo e imundo. Humanos localizavam os monstros, conseguiam o endereço e o horário. Como eles sabiam? O seu líder não contou, apenas disse que eles deveriam eliminá-los.

Era de noite quando viram o dito monstro em uma velha ferroviária de Nova York. Suas roupas estavam manchadas de sangue seco e uma camada de sangue recente e vibrante que cintilava no tecido da camisa e jeans. Sua pele estava aberta em incontáveis feridas.

“Você é os vermes que andam matando meus parceiros?” Ele disse, e ele soava como um rapaz normal, não um monstro. Balançou a cabeça, dando um riso seco. “Não deviam ter vindo aqui, eu vou matar vocês.”

Nenhum dos três irmãos abriu a boca, somente absorviam informações do ambiente e expectativa de uma batalha.

Boomer suspirou, quando a coisa atacou, não foi difícil para eles desviarem de seus golpes mortais. A criatura tinha o poder de teletransporte, o garoto loiro foi informado, e com seus super sentidos, escutou ele se aproximando e bloqueou com os braços. Nem fodendo que isso era humano. A casca – o recipiente que é humano.

Ele se afastou, dando espaço para o irmão psicótico.

Butch gostou de desferir golpes de seus punhos brilhando em um verde perigoso, acertando simultâneos ataques consecutivos em toda região do corpo. Ficou chamuscada e cheia de novos cortes abertos. A coisa cuspiu sangue e riu. E a coisa usava um humano para seus propósitos. O demônio possuiu o corpo de um adolescente de dezessete anos, chamado Kylan, desparecido há mais de um ano. Ele provavelmente, com toda certeza, já estava morto. Seu corpo fedia a podridão.

 “Eu sinto muito.” O desordeiro azul sussurrou, engolindo o caroço que subia em sua garganta. Mas não iria sentir quando o queimassem.

“Eu quero experimentar! Que poder incrível!” O monstro rugiu, abrindo a boca. Butch sabia o que estava por vir. Sentia uma agonia do que presenciava, uma grande nuvem negra serpenteando em direção dos meninos e o desordeiro ativou seu escudo. Ele estava aqui apenas por isso, que idiotice; para evitar que fossem possuídos.

Como uma cobra fatal, aquilo foi voltando ao corpo que servia como casca para se materializar, não sendo capaz de replicar a forma do ser humano; sem isso eles não conseguiam andar pela terra.

Boomer hesitou quando Brick ordenou Butch abaixar o escudo. Tinha que ser rápido e não deixar a fumaça voltar completamente ao corpo.

“Boomer!” Seu líder urrou. “Isso daí não quer nada, apenas morte e destruição. Faça logo.”

Tarde demais, pois a casca sorriu sinistramente antes de dizer.

“Pode demorar séculos, porém, mais cedo ou mais tarde o inferno vai queimar sua humanidade. Cada um de vocês.” O monstro disse com triunfo, vendo o medo por trás dos olhos dos garotos. “Todo inferno, cada alma se transforma em uma coisa. Transforma você em nós.” E riu.

Aquilo fez o desordeiro azul arregalar os olhos e trincar os dentes, cerrados, sua raiva fervia.

Um zumbido súbito abalou o local, seguido de uma zombaria de Butch. Boomer fez uma navalha elétrica que vibrou no ar com ambas as mãos, enterrando no rosto do garoto. Sangue jorrou em seu rosto bonito, uma bagunça pegajosa e repulsiva. A fumaça negra tentou sair e foi nessa hora que Brick agiu, lançando seu fogo dourado que fez a fumaça ser consumida em pleno ar como um papel sendo queimado lentamente.

Brick poderia simplesmente atacar sozinho, não pretendia empurrar seus irmãos para isso, mas precisava de ajuda. Eles queriam os três Meninos Desordeiros.

Boomer olhou para o rosto do garoto que estava diante dele, sua lâmina fez um baita de um estrago, pleno em carne viva enquanto o loiro se inclinava com a cabeça, aquele sentimento distorcido presente em seu rosto. Boomer estava emanando ondas de energia negativa. Muito sangue. Sangue se acumulava em uma poça sob seus tênis.

Uma linha familiar de edifícios subia para o céu, visível acima do poço escuro em que eles estavam agora, e a lua os cumprimentou.

Cada veia em seu corpo parecia pulsar e parecia que o sangue estava correndo para sua garganta. Ele não podia dizer o que era sombra e o que era vermelho escuro, o que era luar e o que era osso. O corpo apenas caiu em um baque oco.

“Ele não existe mais?” Perguntou.

“Não.” Brick respondeu. “Vamos levar o corpo para os malditos caras de preto.”

“Eles são tipo o MIB anti capiroto?” Butch fez piada, rindo. Brick deu um soco no rosto do irmão.

A sombra mudou, e a lua, já lançando uma palidez estranha sobre todos eles, iluminou o cadáver. Vermelho escuro e branco ao luar.

Boomer não vomitou como da primeira vez, pois ele permaneceu firme e forte.

Todo o sofrimento que durou décadas. Causar dano físico, prejuízo a isso para reparar algo – um dano, uma afronta por causa dessas coisas. Era um ato de punição e castigo. O desordeiro pode castigar e causar sofrimento a eles.

O que dizer para ela? É melhor não saber o problema em que estava. Não quer deixá-la perplexa com o que ele viu e com o que viveu. Não precisa ser parte disso. Ele não quer que seja e não precisa disso. Ela não precisa dele.

Bubbles, você não precisa de mim.

Deixou isso afundar por um minuto em sua mente.


Notas Finais


Todos tocam instrumentos, alguns cantam. Aqui não vai ser nenhum musical, mas como a música é algo muito importante pra mim, irei encaixar na fanfic. Quem não ama música?! Todos amam.
Agradeço aos comentários e favoritos. Eu amo muito quando recebo notificações e eu até grito de alegria ♥
Então, o que acharam? Gostou? Sugestões?
Deixe um pequeno comentário que me faz muito feliz!!
Até em breve.
Bjuus.


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