História Quixoticelixer - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias My Chemical Romance
Personagens Bob Bryar, Frank Iero, Gerard Way, Mikey Way, Ray Toro
Tags Frerard
Visualizações 85
Palavras 4.892
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oioi!!!
Tudo bem gente?
Então... Me desculpem por demorar tanto pra postar essa coisinha aqui. Juro que queria ter aparecido antes, mas não consegui :(
Porém o que importa é que estamos aqui, não?
Bom, eu fiquei MUITO feliz com todos os favoritos e comentários que só o primeiro capítulo conseguiu. Queria agradecer vocês, demais ❤
Só que agora eu acho que já deu de falar hahahah vou deixar vocês com o segundo capítulo, espero que gostem!
Boa leitura e até lá embaixo. Bjsssss ❤

Capítulo 2 - 2


   Após deixar Frank sozinho no bar, Gerard dirigiu o mais rápido que pode para o local onde Quinn e Brendon o esperavam. Seu pé pesava sobre o acelerador, como se tivesse uma tonelada sobre o pedal, e o carro voava pelas ruas de Nova York como se nada mais importasse senão a sensação do perigo que toda a rapidez trazia. A velocidade era tão alta que o campo de visão de Way não passava de flashes de luzes coloridas e a traseira de carros lentos que ele, com habilidade inimaginável, ultrapassava sem pensar antes, cortava trânsito como se estivesse em uma verdadeira corrida, mas não estava, e por isso recebia tantas buzinas e xingamentos de outros motoristas.


  O tempo para alcançar o barracão aparentemente abandonado foi três vezes menor do que seria caso ele seguisse o bom senso e não corresse como um louco por aí, arriscando a própria vida e dos demais, só que a vida não era umas das coisas mais importantes para ele e, muito menos, quando se tratava da de pessoas que ele nem ao menos conhecia. Acreditava em coisas que não o permitiam se preocupar tanto assim com esses assuntos, em sua mente mantinha uma simples coisa:


  Todos iriam morrer um dia, acreditava que cada um tinha a data exata para partir, então, se ele tivesse que matar alguém, em um acidente ou não, seria porque estava na hora da pessoa deixar esse mundo. Se não fosse Gerard tirando sua vida ela iria morrer de qualquer jeito, no mesmo dia, por causas diferentes. Só que, ironicamente, não acreditava em Deus, tinha uma certa repulsa pela ideia de um homem controlando tudo, que, ao final do seus dias, definiria se você iria para o céu ou para o inferno. Besteira. A única coisa um tanto mística que ele mantinha, como um certo tipo de crença, era de que as coisas tinham uma ordem para acontecer, datas exatas, então ele não se preocupava em planejar muito o futuro, e isso implicava em não controlar a velocidade em que dirigia; se tivesse que morrer, morreria de qualquer forma.


  Destino, talvez, mas não tinha certeza se chamaria as coisas assim. Porque essa palavra o remetia à falta de controle, o que não gostava, e, mesmo acreditando em sua própria teoria de que as coisas aconteceriam se tivessem que acontecer, não podia deixar de apreciar a sensação de mandar, ser grande, independente se de uma maneira superficial e falsa. Fazia sentido? Achava que não. Até porque sempre caía em contradição, tentando fazer coisas para evitar outras, se arrependendo ou não, mas sempre definindo seu futuro. Assim como foi com Frank, mas isso não cabia aos seus pensamentos no momento. De vez em quando se pegava acreditando que deveria achar uma lógica para tudo aquilo dentro de sua cabeça, ter uma tese completa, mas, sempre que tentava, acabava afundando em melancolia e confusão.


  E o que não precisava no momento era melancolia e confusão. Tinha que estar com a mente livre e clara para terminar de traçar seu plano, não cometer erros, e, mais uma vez, se pegava indo contra sua própria filosofia. Planejando, tentando controlar o que aconteceria. Mas não ligava, pensava que não precisava levar tão a sério aquelas coisas, não tinha necessidade de ser tão literal, no fim das contas. Confuso, não sabia mais se acreditava em algo.


  Só que, por que estava pensando nisso enquanto, com o carro já parado na vasta área de estacionamento, ele deveria estar entrando para tratar de assuntos mais importantes?


  Seguiu para a entrada do local, ainda respirando fundo, toda a velocidade não havia sido o suficiente para deixá-lo calmo, mas, talvez, dependendo do decorrer da reunião seu humor poderia melhorar muito, principalmente se soubesse que tudo daria certo.


  A porta se abriu antes mesmo que tocasse nela, do outro lado viu as feições do amigo, Brendon, um pouco irritadas pelo seu atraso. Urie havia escutado a aproximação típica do carro do de cabelos platinados e agradeceu aos deuses por ele finalmente ter chego, o barulho do motor sendo desligado foi música para seus ouvidos, não aguentava mais ter que acalmar Allman por conta do outro não estar ali. Concedeu a passagem para Way, que, como cumprimento, o abraçou rapidamente, tapinhas nas costas e toda aquela baboseira de “como você está?”, “Obrigado pelas coisas mais cedo”, e mais aquela conversa fiada que não chegava a ser uma conversa de verdade, apenas educação. Mas okay, não se importava se era cortesia ou não, estavam lá para tratar de negócios, não da amizade deles.


  Brendon era uma das pessoas com que Gerard mais gostava de conversar, eles sempre se divertiam muito, riam até que não aguentassem mais. As personalidades tão diferentes tornavam as conversas amenas e boas, leves, assim como as características de Urie, sempre bem humorado e gentil. Costumavam se encontrar para passarem umas horas juntos todo mês, beber e conversar até não aguentar mais, geralmente quando o de cabelos platinados também precisava repor o seu estoque de remédios.


  Urie seria o que geralmente as pessoas, anos atrás quando a sociedade se mantinha em ordem, chamavam de farmacêutico. Tinha de todo e qualquer tipo de remédio, vendia qualquer coisa, até mesmo fabricava alguns de seus produtos. Ninguém sabia exatamente como ele chegou ali, com tanto conhecimento de química e bioquímica, mas era muito bom com o que fazia, e, por isso, ganhava muitos clientes e, consequentemente, dinheiro também. E por causa dos negócios que a sua amizade com Gerard surgiu. Sendo o único em Nova York que tinha remédios para asma, começaram a negociar, e então, quando se deram conta, já acabavam com uma garrafa de whisky e riam que nem idiotas sobre assuntos quaisquer.


  – Ande logo, Way, Quinn está arrancando os cabelos lá atrás! – riu por mais que quisesse chorar. Urie realmente não aguentava mais a situação anterior onde tinha que escutar o outro acompanhante reclamando sem parar, mas, no fundo, também temia por uma briga que poderia começar. Não queria, de jeito algum, estar entre os dois caso as coisas esquentassem e, consequentemente, como o fluir natural das coisas, explodissem.


  – Finalmente! Achei que não viria mais – a acidez na frase não foi algo muito inteligente de ser utilizado, o falso loiro, Quinn, sabia disso, mas, por um instante, esqueceu que deveria tomar cuidado com as palavras. Não queria arranjar briga, não agora, por mais que parecesse o contrário, por isso ele diria que seu “deslize educacional” foi causado por fatores fora de seu alcance como o que ele chamaria de “minha personalidade forte junto a alguma coisa ligada a posição da lua no instante em que eu nasci”. Não que realmente importasse, ele apenas se concentraria em não ultrapassar os limites da paciência de Gerard – Mas que bom que veio, não poderíamos perder essa oportunidade – o sorriso que se mostrou em seus lábios ao final da frase foi gentil, pareceu até mesmo programado, afinal queria ser um pouco mais legal do que a princípio. Estava tentando se redimir e parecer um pouco menos irritado, não se importava com o orgulho, não agora, apenas queria fazer aquilo que tinha se comprometido há muito tempo.


  Para ele, palavras e promessas valiam muito mais do que qualquer orgulho. Ou quase isso…


  – Eu não seria louco! – sim, Gerard seria sim, mas ninguém precisava saber disso. Way ignorou o fato de que há meia hora estava totalmente disposto a não dar as caras na reunião ao falar. Queria esconder qualquer coisa que o lembrasse de Iero no momento, e isso incluía seu quase erro, preferia inventar qualquer desculpa e o faria, não se importava muito com a sinceridade, isso poderia ser deixado para depois – Mas, então… Contem-me, que chance tão inusitada é essa? –  como um passe de mágica um copo com três pedras de gelo e uma quantidade boa de whisky surgiu em sua mão. Reuniões eram assim, com casualidade extrema, assuntos sérios, planejamento e álcool. Tudo o que Gerard precisava para se sentir melhor, controle, conversa e embriaguez; isso sem contar a satisfação por finalmente estar chegando ao seu objetivo.


  – Eles quatro vão ficar sozinhos, o resto da equipe vai, sei lá, entregar um carregamento fora da cidade, não entendi ao certo, mas tenho certeza de que não vão estar lá  – essa explicação breve dada por Allman foi o suficiente para fazer um grande e satisfeito sorriso nascer nos lábios de Gerard. Como poderia ser melhor? A princípio apenas queria encontrar o grupo reduzido, o que era difícil já que se separavam tão raramente, mas, agora, ter só seus principais alvos era perfeito, nada poderia dar errado, estava certo disso – Podemos invadir durante a madrugada, quando eles estiverem dormindo, e atacar. Assim como fizeram com você…


  “Oh sim, assim como fizeram comigo, obrigada por lembrar, loiro filho da puta”. Way quase verbalizou esse breve pensamento que passou por sua mente, como um raio, forte, mas que brevemente o deixou. Queria vingança, pensava nisso dia e noite desde o acontecimento, não se deixava esquecer, porém odiava lembrar de toda a ação desnecessária no antigo local onde ele e seu grupo moravam, lembrar daquilo o fazia borbulhar de raiva, mas, acima de tudo, doía como um inferno ter aquelas imagens de volta à mente, e apenas ele sabia o motivo das lembranças serem tão dolorosas.


  Lembrava de como tudo começou, perfeitamente, era como um filme em sua mente.


  Levantara-se da cama ao escutar risadas vindas do quarto ao lado do seu, estava bravo pois achava que o vizinho, Frank, estava, como sempre, fazendo barulho para o irritar. Porém quando chegou ao cômodo teve a surpresa e o desprazer de perceber que não, não era isso, obviamente já que Iero estava deitado no chão quase desacordado, sangue escorrendo por seu nariz, alguns ferimentos por todo o rosto e feições que demonstravam muita dor. E, para piorar, se encontrava no meio de uma crise de asma. Ao redor do garoto estavam Patrick, Pete, Andy e Joe; eles riam descontroladamente, desumanos, e continuavam a distribuir chutes leves no baixinho já exausto daquilo, desejando que o deixassem em paz logo.


  Meio sem saber o que fazer, o de cabelos platinados gritou para que os outro viessem logo o ajudar e, no mesmo instante, partiu para cima de Pete Wentz como se não houvesse nada no mundo com poder capaz de o fazer parar. Então, a partir daí tudo virou um pandemônio, caos completo, socos iam e vinham, Ray e Mikey se envolveram também furiosos com o que encontraram, lutaram com unhas e dentes para, no final das contas, ficarem exaustos e acabados. Fracos, foram chamados de fracos, só que ninguém, ao tomar essa afirmação como verdade, lembrou que eles haviam sido despertos repentinamente, ainda estavam sonolentos demais para brigarem bem… Mas, de um jeito ou de outro, acabaram muito machucados, toda a confusão encontrando seu fim quando Patrick tirou do cós de sua calça uma arma, apontando para Frank, exigindo que os deixassem ir. “Só assim ninguém vai morrer”, Andy ressaltou, um sorriso debochado nos lábios, satisfeito em ver aqueles que julgavam tão fortes assim, submissos, acabados, acatando aquelas ordens, principalmente por Gerard, pode jurar que viu sua superioridade e orgulho esvaindo por todos aqueles machucados recentes.


  É, Gerard Way realmente odiava essa memória. Odiava a lembrança de se sentir humilhado e tantas demais que voltavam todas as vezes que essa cena passava como um filme dentro de sua mente.


  – Ahn… Caras? – muito tempo calado, era isso o que os outros dois estavam pensando de Brendon no momento em que o mesmo decidiu quebrar aquela linha de raciocínio. Parecia e estava receoso com o que falaria em seguida, não sabia que reação esperar e tinha medo de receber algo muito negativo em troca  – Me desculpem, mas não vou com vocês… Eu estou aqui para o que precisarem, mas não quero entrar, não quero ter relação nenhuma com qualquer morte que possa acontecer… – ele falou, esperando, do fundo de seu coração, que não tivessem que discutir aquilo de novo. Estar envolvido em mortes não seria bom para os negócios, seu trabalho era justamente ir contra isso, manter pessoas vivas e sará-las, não o contrário. Se recusava a fazer o contrário.


  – Okay, Brendon, já falamos sobre isso. Não precisa se explicar de novo… Na verdade acho até mesmo que você está certo, é melhor não comprometer seus negócios, mesmo que eu acredite que não haverá nenhuma morte – Gerard estava sendo compreensivo, calmo, concordando com Urie. Ninguém esperava por isso, muito menos o moreno, imaginava que receberia alguma advertência ou xingo por estar se colocando fora do plano, e não apenas palavras amigáveis, principalmente quando ele sabia que eles eram vindas da boca de Way que, mesmo sempre se mostrando um bom amigo, não lidava muito bem com negações e imposições que iam contra suas vontades. A fala trouxe expressões aliviadas para o rosto de Bendon, mas, bom… Elas logo sumiram. “Então, temos um problema, eu também não vou poder ir… Tenho que resolver alguns negócios em Paris… Vou começar a viagem assim que sair daqui…”, sumiram justamente por conta da voz de Quinn assumindo essa forma, anunciando tão calmamente o que foi como a faísca para acender o pavio curto de Gerard que no mesmo instante, já em um tom gritado, começou:– Puta merda! Eu não acredito nisso!  – parou para tentar respirar, controlar a raiva que crescia junto com o volume de sua voz. Ele não acreditava no que estava ouvindo, não se importava se sua reação estava sendo exagerada demais para aquilo, sabia que poderia tentar se controlar mais, pensar antes de atacar os dois amigos com palavras, mas não conseguia manter essa pose por muito tempo quando pensava que os dois iriam o deixar seguir aquilo sozinho por mais que tivessem jurado que estariam junto a ele em cada passo desse plano maluco de vingança – Querem saber de algo?! Foda-se, eu não ligo! Vou fazer tudo sozinho…


  Foram esquecidos copo de Whisky, amizades, até mesmo a irritação com Frank; Gerard apenas se pôs subitamente em pé e começou a andar para fora do galpão sujo, não era obrigado a aguentar aquilo e manter o bom humor, tinha muita coisa preenchendo sua cabeça enquanto ele se ocupava de ir até o carro estacionado e ligar o motor no intuito de ir para o hotel e dormir até onde conseguisse, mas a principal delas era: “Como eu vou fazer tudo sozinho?”.


  •°•°•°•°•°


  Na manhã seguinte, acordou ainda preocupado e, consequentemente, mal-humorado. Segunda vez seguida… Assim ficava difícil viver em sociedade, Gerard pensava, suspirando, ainda deitado em sua grande e macia cama. Queria parar nesse instante para  sempre, assim talvez relaxaria, mas o mundo não pararia por suas vontades.


  Era exatamente nesse momentos que odiava a sensação de impotência. Impotente pelo fato de não poder descansar o suficiente até estar bem novamente, impotente pela percepção de que simplesmente o mundo não estava ao seu controle, e sim ele a controle do mundo.


  Levantou-se no intuito de tirar esses pensamentos de sua cabeça e começar o dia, apertou os olhos quando, já pronto, abriu a porta e escutou as tão conhecida vozes soando pela casa. Merda! Apenas queria um pouco de paz… Por que era tão difícil?


  Sem sua resposta ele andou em encontro aos companheiros, passou pelo grande corredor cheio de portas, todas elas abertas, mostrando que sim, ele estava atrasado demais para suas próprias medidas. Chegou por fim na área aberta e ampla em que mantinham a cozinha, o ar tinha cheiro de café, foram muitos passos até lá para seu estado ainda meio desacordado, uma vertigem o atingiu repentinamente, tudo ficou preto, mas a escuridão sumiu tão rápido quanto surgiu.


  – Bom dia – ele resmungou baixo sem realmente desejar um bom dia, dentro de sua mente, na verdade, falava: “Bom dia para quem? Está tudo uma merda!”. Mas, como sempre, prezando pela inexistência de conflitos, ele se manteve calado, afinal, ele mesmo quem começou com aquele papinho idiota de “bom dia”.


  Todos responderam, menos Frank, que tinha as feições fechadas.


  Iero estava bravo com Gerard, claro! Estava puto pelo outro tê-lo deixado para trás na noite anterior. Mesmo sabendo que provocou, ainda não conseguia colocar em sua cabeça que, quando separou seus lábios do homem que beijara no bar deu de cara com o vazio. Onde era para encontrar aquele verde-oliva tão marcante apenas deparou-se com um banco desocupado, e com rapidez inexplicável, já se arrependendo de ter tentado, no meio daquela ideia ridícula, o deixar enciumado.


  Tentou inutilmente não olhar para Way enquanto se lembrava da frustração de sair correndo até o exterior do bar e ter a cena do carro tão conhecido acelerando ao máximo em direção a rua. Rapidamente seus olhos passaram pelo o de cabelos platinados que deixava o celular carregando perto a uma mesa próxima, mas desviou o seu foco para a xícara de café assim que o outro ameaçou a pegá-lo olhando para si. Achava que evitando qualquer contato, até mesmo visual, evitaria uma briga que sempre estava iminente. Estava cansado demais para discutir, além de ter demorado uma hora de caminhada até o hotel ainda teve que aguentar todo o nervosismo e medo de estar a pé e sozinho nas ruas de Nova York. Era uma coisa muito perigosa e burra de se fazer para um ser pequeno como ele, e tinha conhecimento disso, então, ao chegar em casa, seus músculos doíam pelos minutos de tensão que se passaram. Nem o banho demorado que tomou no intuito de relaxar melhorou muito as coisas, ainda assim acordou cheio de dores e uma torcicolo fodida de manhã.


  Mas, um pouco afastado de toda a tensão entre os dois, Ray observava o celular do amigo de longe. A tela não parava de acender no aviso de novas mensagens que eram prontamente ignoradas por Gerard, e isso era muito, muito estranho para ele. Tinha algo errado, disso Toro sabia, apenas restava descobrir o que era, mas, de algum modo, tinha a impressão de que não precisava esperar muito que tudo se explicaria.


  E, enquanto esperava por isso acontecer, observou Frank. O mais baixo tinha a cabeça baixa, olhos perdidos… Um flash de memória assimilou esse Iero recente com o que Ray havia encontrado, cansado e perdido nas calçadas há mais ou menos dois anos. Lembrou-se que no mesmo instante sentiu empatia pelo rapaz e decidiu que iria o ajudar, algumas horas de conversa depois e sacos de salgadinho a solução chegou, iria levar Iero para a casa, ele parecia ser uma boa pessoa, e, pelo o que conversaram, era bastante inteligente, sendo assim, poderia ser útil. E claramente ignorou qualquer possibilidade que existia de Frank ser perigoso, não achava que um ser humano daquele tamanho pudesse fazer alguma coisa sozinho contra todo o grupo.

  

  Quando chegaram no lugar que na época Ray vivia, já com Gerard, Mikey e Bob, apenas o primeiro destes estava presente. O platinado ardeu em fúria quando viu o baixinho ao lado do amigo, repentinamente a palavra “amigo” parecia não mais existir entre os dois. Toro foi puxado para um dos quartos com brutalidade e escutou tantos palavrões saindo da boca do outro que não achava possível que alguém conseguisse formular frases tão chulas assim. Fez questão de, depois de escutar tudo, saber detalhe por detalhe de toda aquela implicância que o platinado repentinamente mostrou contra o garoto que ele havia levado, com as melhores intenções, para casa. Visto que o que escutou foi uma revelação e tanto, nunca poderia imaginar algo assim, se pegou surpreso, porém isso não faria a decisão de Ray, manter Frank abrigado sobre o mesmo teto que Way, mudar.


  Aos poucos essa memória foi sumindo e dando espaço de novo para o presente onde Iero não mais parecia perdido, na verdade, olhava duvidoso para o próprio celular que tocava ao seu lado. O observou pegar o aparelho e atender com uma calma que, aos poucos, foi sumindo e cedendo espaço para a raiva que era percebida por qualquer um que ousasse olhar para suas feições que iam tomando traços duros. Ray, além de perceber essas mudanças no amigo, também soube que estava na hora de descobrir o porquê de Gerard não parar de receber mensagens. Bastava apenas Frank explodir para que todos soubessem, e isso com certeza não demoraria muito para acontecer já que as despedidas já eram ouvidas por Ray.


  E Frank explodiu, se levantando e andando em passos duros até Gerard, logo gritando:


  – Mas que porra é essa, Gerard?! Você estava mesmo pensando em fazer essa merda?! – Dentro de si ele não acreditava no que tinha escutado, não queria acreditar, mas o voz do outro lado da linha era tão verdadeira que não poderia desconfiar. E isso ainda nem era o que mais o irritava, a voz dissimulada de Way que era pior, ela em conjunto com uma simples pergunta, “Fazer o que, Frank?”, Que fizeram os olhos do moreno revirarem e sua vontade de gritar crescer – Poupe-me desse teatrinho, Gerard! Você sabe sim do que estou falando! – Frank estava certo em gritar essas palavras, o homem de cabelos platinados já tinha entendido todo o escândalo, no momento em que começou, mas realmente não sentia vontade de envolver os outros naquilo. Por pouco tempo, milésimos de segundo, achou que Iero iria deixar esse assunto para trás ao que seu irmão perguntou calmamente o que estava acontecendo, em seguida pedindo para que se acalmassem. No entanto não surtiu efeito algum no mais novo da equipe que a cada segundo bufava mais alto, irritado – O que está acontecendo?! Pergunte para o seu irmão… E também tenta entender o porquê dele continuar com aquele plano idiota sendo que todo mundo votou contra ele!


  A bomba explodiu, é claro.


  Na casa as coisas aconteciam dessa forma, alguém propunha algo, eles votavam e o projeto continuava se fosse aprovado, senão era esquecido. E esse em especial foi derrotado por unanimidade, o único a ficar a favor dele foi Gerard que não se deu por satisfeito e continuou com ele pelas costas de todos. Seu grande erro.


  – Isso é verdade, Gerard? – surpreso, Ray começou. Até o momento achava que estava totalmente fora de cogitação se vingar, sendo assim seu coração quase parou por um instante. Se sentiu imediatamente traído, assim como todos os presentes no cômodo que tentavam processar a nova informação – É verdade? – ele repetiu, respirando fundo para manter a calma, ainda desacreditado, desejando que não fosse verdade.


  – Sim, é verdade! – anunciou Gerard, igualmente bravo, desejando pela milésima vez no dia não ter acordado nessa fatídica manhã. Tudo estava dando errado, desta forma até mesmo o inferno seria mais confortável, ou pelo menos assim pensava. Sua cabeça doía, mas continuava a falar – Satisfeito?! – era sua personalidade o impedindo de agir corretamente, não deveria ter utilizado tanto sarcasmo, não deveria ter sido tão ácido, muito menos soltando a risada amargurada que veio depois, porém para ele foi impossível, ainda mais quando escutou Bob perguntando, indignado, que merda estava acontecendo, exigindo uma explicação para aquela decisão que Way havia tomado. E foi isso que o fez perder a cabeça, porque sim, tinha todos os motivos para fazer o que fazia e, depois de tanto escutar desaprovações vindas dos outros seis, decidiu em um momento de loucura que não iria mais guardar para si – Vocês não entendem, não é? Eu não posso, repito, não posso perder o respeito que conquistei até hoje por conta do que vocês pensam! – na pequena pausa que tomou para respirar, Frank tentou se pronunciar, ainda gritando por estar ainda bravo com o outro, não se importava com orgulho ou respeito, apenas pensava na confiança de todos ali que Gerard havia quebrado. Todavia ele apenas tentou, pois quem tanto o irritava voltara a falar, voz firme, ainda mantendo em mente que contaria seus motivos para continuar mesmo sem o apoio alheio – Nenhum de vocês sabe quanta merda eu e Mikey passamos para chegar aqui… Não sabem como foi difícil sobreviver depois que nossos pais morreram – lembrar desse tempo já fazia com que o platinado estremecesse por completo, toda a violência que presenciou, tudo que passou por tanto tempo, teve que parar para recobrar o fôlego e a estabilidade mais uma vez antes de continuar – Eu ainda era um adolescente e tive que cuidar de Mikey sozinho! A gente dormiu em uma casa abandonada, quase sem teto, porque eu não tinha coragem de entrar pra esse mundo! Ele quase morreu… E agora que eu finalmente não vejo ameaça a cada passo que dou não posso deixar que meu nome volte para o fundo do poço, ou que riam de mim novamente!


  – Gerard, se acalma... – Bob falou, tentando realmente fazer com que o líder parasse de tremer dos pés a cabeça. Nunca, em anos que o conhecia, tinha o visto ele em tal estado, chegava a ser assustador, por isso sentia que deveria tentar fazer algo para que ele, ao menos, ficasse menos nervoso – A gente te entende, mas…


  – Não, vocês não entendem! – gritou, mais uma vez, Way mais velho – Vocês só estão aqui por causa de brigas idiotas que tiveram com seus pais! Nunca passaram fome porque são herdeiros das maiores redes de criminosos do estado… Não têm o menor direito de falarem que entendem! – as mãos trêmulas passaram por seu cabelo, agora a cabeça doía mais do que quando acordara. Decidiu, então, encerrar o assunto e ir para o seu quarto, dormir, talvez – Eu já disse, não vou deixar eles levarem meu nome pro lixo. Se não querem vir comigo, eu não me importo, faço tudo sozinho, mas me façam um favor, apenas não tentem me atrapalhar.


  Tendo soltado sua última sentença, ele se virou e começou a andar até o quarto. Perdera o interesse por tudo naquela sala, nem mais para seu café ligava, apenas queria desaparecer por algumas horas. Mexer naquelas lembranças sempre fazia com que ele se sentisse mal, imprestável por quase deixar que o irmão morresse de fome anos atrás, incapaz de qualquer coisa por mérito próprio, ainda mais porque lembrava-se de como as coisas apenas começaram a dar certo quando foi para Nova York, não passavam mais por tantos problemas pois finalmente criou coragem de saquear casas e outros pequenos estabelecimentos, mas, ainda assim, toda a precariedade só passou quando encontraram Ray e, ao lado dele, conseguiram crescer, serem respeitados.


  Por outro lado, exatamente atrás de si, Frank sentiu o peito apertar, em sua mente juntou algumas peças de um quebra cabeça que pra ele não fazia sentido algum. No mesmo instante soltou, impensado, algo que nunca pensou que fosse dizer: “Eu vou com você”.


  Gerard virou-se, surpreso, totalmente sem palavras, confuso. E os outros três homens seguiram Iero na escolha, decidiram que também acompanhariam o líder, independente de acharem aquilo uma boa ideia… Fazer o que? Haviam se comovido, não conseguiriam deixar aquelas palavras, junto aos sentimentos do Way mais velho, de lado. Ele não fez nada a mais do que sorrir, totalmente sincero, confirmar e seguir seu caminho, desacreditado do que acabara de acontecer.


  E Frank foi atrás dele, tinha sido o primeiro a se posicionar a favor de tudo aquilo, a falar que iria, mas realmente não concordava, sentia algo estranho em relação a tudo aquilo. Entrou no quarto do outro sem pedir permissão antes, o encontrou perto da cama, ainda de pé, e logo foi recepcionado por um olhar curioso.


   – Gerard… – não sabia ao certo como começar, porém, o outro o incentivando com aquele resmungo tão característico fez com que as palavras voassem de sua boca – Eu não acho que seja uma boa ideia… – estava com medo de falar aquilo, e com razão, afinal. no mesmo instante o mais alto foi em sua direção, as feições novamente duras. “Eu não te obriguei a falar que ia comigo, então porque o fez se nem sequer realmente quer me ajudar?”, a pergunta em si não parecia tão ameaçadora, mas o tom que Way usou para a pronunciar fez Frank se arrepiar, de medo e outras demais sensações. Por pouco não perdeu a fala e desfaleceu lá mesmo – Eu quero te ajudar! Mas eu tenho um mau pressentimento sobre isso, e…


  – Mau pressentimento?! Oh, dê-me licença, Frank – era falta de educação interromper alguém assim? Com certeza, mas não era como se Gerard ligasse, ainda mais quando o outro soou baixo a sua frente, “Por favor, Gerard, me escuta”. Não tinha paciência para aquilo – Vamos lá então, me explica, Iero. Estou esperando!


  Não existia explicação para a sensação dentro de Frank, muito menos ele conseguiria expor isso em palavras coerentes, ainda mais quando o corpo do outro estava tão próximo do seu, fazendo-o perder qualquer linha de raciocínio. Tentava pensar, mas seu cérebro não focava em nada que não fosse a respiração do homem de cabelos platinados batendo em sua face, tão quente quanto poderia ser, fazendo com que todos os seus sentidos se embaralhassem. Perdeu o controle do próprio corpo, os joelhos fraquejavam pelo calor que o outro transmitia, e, quando seus olhos trombaram com aquele verde-oliva perdeu qualquer fio de consciência que ainda restava dentro de si, travou, perdido naquela imensidão, sem nem ao menos conseguir piscar, principalmente pelo o outro estar lhe olhando com intensidade ainda maior. Mas por fim seus olhos acabaram se fechando, por mais surpreso que estivesse, e ele se entregou a aquela nova informação que ainda tentava processar:


  Gerard, repentinamente, havia o beijado. 


Notas Finais


Entaooo bbs, o que acharam?
Bastante coisa aconteceu no cap, vocês sabem um pouco mais do que se passa com o G, o porquê do "encontro misterioso" e tudo mais. Até mesmo sabem o porquê dele ser meio babaca, cheio de querer poder...
Eu não me acho muito boa escrevendo brigas e discussões, por isso eu acho que todas elas tão meio ruins, mas espero que estejam aceitáveis :')
E acabou com o beijo do otp rsrsrs... Esperem até o próximo capítulo ;)
Acho que é isso... Espero que tenham gostado!
Até o próximo (eu posso demorar mas não abandono a história), bjssss ❤


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...