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História Quod Auten Chorus Flores (A Dança das Flores) - Capítulo 23


Escrita por:


Notas do Autor


Bom, é isso.
Por favor, me perdoem. 😭😱🙏🙏🙏🙏😭😱🙏🙏🙏🙏😭😱
Vocês vão entender o por que disso... 😬😬😬😬
Boa leitura!

Capítulo 23 - Quod Auten Chorus Flores!


Fanfic / Fanfiction Quod Auten Chorus Flores (A Dança das Flores) - Capítulo 23 - Quod Auten Chorus Flores!

Dia 18 de dezembro de 2021:

Com um estalo alto ao desaparatarem, Yuuri soltou o braço do comensal e se afastou de ré, a passos velozes, o que o fez tropeçar em algo que não viu, caindo para trás, sentado à neve. Desorientado, apoiou as mãos e baixou a cabeça, porém, seu coração foi tomado por horror quando avistou o causador de sua queda: embaixo de suas pernas, sob seus joelhos, o cadáver de uma auror estava estirado, já coberto por uma fina camada de neve. De barriga para cima e com olhos vazios, arregalados para o céu cinzento, a bruxa já trazia a pele do rosto completamente endurecida.

Seu pavor aumentou quando a reconheceu. Era a destemida auror que acompanhara a ele e a seus amigos até o térreo. Agora, estava tomada de obscuridade e ainda envolvida por uma magia opressora, que, até então, contorcia-se em seu pescoço, afundado e esmagado, com a morte velando-a em uma imagem macabra.

- Bem-vindo ao mundo dos mortos... – disse a voz grave e sombria do Asmodeus, dando um passo lateral ao olhá-lo, como a uma presa emboscada, ao tempo em que estalos de um chiado de predador ecoavam do vulto da Likho, perto do mestre – Bruxo da luz... – a voz soou debochada.

Yuuri, assustado, prontificou-se, de pé, enquanto os olhava. As mãos permaneciam abertas, prontas para algum ataque, mas não conseguiu conter um olhar ao redor, buscando ver onde estavam. Identificou que era um lugar alto e aberto, com o céu coberto por nuvens cinzas e o chão tomado pela neve, tendo, mais abaixo, inúmeros cadáveres espalhados.

- Onde estamos? – questionou, aflito, e, ao olhar para seu lado direito, encontrou um cômodo de paredes e teto abobadado completamente em ruínas, com mais cadáveres trajados em uniformes dos aurores espalhados.

- No telhado da mansão. – respondeu o homem, levando uma mão preenchida de tatuagens ao capuz de sua capa e puxando-a para trás – Não conhece nem mesmo a casa onde está morando? Que deselegante...

Sua cabeça completamente lisa, sem qualquer fio de cabelo, revelaram o quão pálido e marcado o bruxo das trevas era, com símbolos traçados na pele do crânio até perto dos olhos.

Asmodeus fechou os olhos ao suspirar fundo, passando a mão esquerda na calva. Yuuri pôde perceber que, do lado direito da cabeça, a tatuagem de uma cabeça de touro, sinistra, resplandecia em sua pele, enquanto que, do lado esquerdo, era a cabeça de uma ovelha. E observou, pendurado ao seu pescoço, o colar sobre o peito, no qual se destacava uma pedra verde cheia de escuridão.

Será que é um artefato das trevas?, pensou consigo. Ou...

A recordação da enfermaria veio à sua mente:

 

“- Mas por quê, então, ela está atacando todo mundo, e só agora? – lembrou de ter perguntado a todos dentro da ala hospitalar.

- Deve estar sendo comandada. – a Minerva havia respondido – Se realmente for Likho, alguém deve ter conseguido, de algum jeito, controlar seu espírito e ordená-lo a caçar e capturar bruxos e trouxas.

- Eles...?

- Os Comensais da Morte. – Têmis afirmou.”

 

Será que aquele era o objeto que controlava a Likho?, questionou-se, espantado. Isso explica o motivo de ter escuridão dentro do pingente.

Determinado, Yuuri permaneceu imóvel, vendo a quietude segura do homem à sua frente em uma casualidade tenebrosa, podendo, em meio aos uivos do vento que passavam por eles, ouvir gritos de feitiços e de pavor que ocorriam abaixo deles e ao redor da mansão.

- Eu não terei escolha. – disse mais para si do que para ser ouvido, carregando uma expressão impassível – Eu os pararei nem que seja até o meu último suspiro.

As pálpebras do bruxo das trevas se abriram no mesmo instante, criando uma série de chiados vindo da Likho, que rondava o mestre.

- Que assim não seja. – respondeu ele, deixando evidente ter ouvido o desabafo do jovem.

Repentinamente, um mergulho veloz do não-ser voou em direção ao Katsuki, que, preparado, levou as mãos cerradas para frente do estômago e, com os dedos tensionados, expandiu a magia prateada dos nove patronos como uma explosão, a partir de seu peito.

Aproveitando o afastamento imediato da Likho e a aparente quietude sinistra do Asmodeus, Yuuri apontou as palmas para o chão, subindo-as progressivamente, até o alto, e mentalizou sua concentração para as laterais do teto, criando uma barreira de luz, magicamente, com a água que vinha da neve que derretia. Subindo-as em um paredão abobadado, fechou-as em um topo com metros de altura sobre suas cabeças.

No mesmo instante, Likho se remexeu, visivelmente agoniada com aquela manifestação.

- Yuuri!

Desesperado, o rosto do jovem franziu em aflição ao ouvir a voz de seu amado Viktor e segurou-se para não ser afetado por aquela magia de dominação do não-ser. Estava perturbado e não podia se desestabilizar, para não desfazer a proteção que acabara de criar.

- Eu não vou te ouvir! – gritou bem alto, negando rude com a cabeça.

- Filho, me salve! – o clamor estridente de seu pai soou.

- Yuuri! – as vozes de sua irmã e mão gritaram em lamúria – Socorro!

- Nos salve! – os gritos eram de Yurio e Christophe.

Em meio aos berros de seus amigos, guinchos torturados dos animais, bem como de tantas outras pessoas que amava, que clamavam e o chamavam, em apelos agoniados, por seu nome, quase se desesperou, ainda que soubesse, lá no fundo, que tudo era fruto de sua imaginação.  Então, caiu de joelhos, conseguindo não desestabilizar a proteção, com as mãos a tremerem e os dentes trincados, na tentativa de se conter.

Fitou, com compulsão, uma aura obscura começar a modular o vulto da Likho, revelando seu corpo emagrecido de membros expostos em ossos, com braços finos e alongados em garras afiadas. Seu horrendo rosto trazia um único olho no centro da testa, além de um buraco fundo no pescoço, que lhe aumentava o aspecto horrendo.

O Katsuki arrepiou-se diante do que viu.

- Para! – gritou Yuuri, sem perceber que as lágrimas lhe escorriam pelo rosto.

- Tantos que ama, tantos que zela... – palavras frias e sem emoção saíram do comensal, os olhos frios sobre Yuuri – Por que perde seu tempo se preocupando com pessoas que não lhe compensam?

- Eu... – teimou, firmando um pé no chão ao se obrigar a levantar – Não vou... te escutar.

- Desista, bruxo da luz! – interrompeu ele, mirando-o com superioridade – Nada é páreo para Likho.

- Eu sou! – diante de tais palavras, um brilho vermelho subiu aos olhos castanhos do lufano e o encheu de fervor.

E com isso, sentindo o plano a sua volta começar a quase ser dominado pela escuridão do não-ser, Yuuri ergueu os braços e começou a executar rápidos movimentos circulares, com as mãos acima da cabeça. Liberando uma ventania poderosa de magia ao unir, em sua alma, todas as lembranças e essências dos nove guardiões com as suas próprias, cercou-os ali dentro enquanto criava ventos fortes sobre si mesmo, retardando-os.

Com seu poder puro e luminoso, em meio aos agora fraquejados feitiços do Asmodeus, que estavam errando o alvo, uma enorme forma prateada foi surgindo às costas da horlux e crescendo com grande esplendor. Era uma grande figura mística de dragão oriental, que foi se transformando acima de sua cabeça, evidenciando o corpo de uma imensa serpente, com garras de águia a crescerem de suas quatro patas de tigre, bem como um par de dentes caninos, além de chifres de veado e orelhas de boi a surgirem em seu rosto reptiliano. Era, então, o patrono de Yuuri, que naquele instante olhava para os inimigos que estavam bem abaixo de si, exibindo imperiosamente sua magnificência sobre as trevas.

A máscara sobre o rosto do comensal voou com a ventania provocada pela incorporação do patrono, revelando um tatuado e assombrado rosto, mas que buscou recuperar sua sisudez e voltou-se ferozmente para o Katsuki.

- Crucius! – exclamou, furioso, e um lampejo vermelho saiu de sua varinha em direção ao bruxo.

Yuuri, porém, com apenas um movimento de mão, repeliu a maldição facilmente para o lado.

Pegue-os, guiou mentalmente seu iluminado ser.

O grande patrono corpóreo imergiu no ar logo ao lado do corpo da horlux, torcendo seu corpo de serpente no ar, e cortou o espaço em direção a Asmodeus e Likho. Essa, tentou se afastar para longe, mas o dragão prateado foi mais rápido e, em segundos, cercou-a com seu extenso corpo, envolvendo-a em espiral até o topo, deixando tão somente sua cabeça à vista. Agora, nem mesmo uma aparatação do não-ser era possível diante de tanta emanação de luz pura e feliz, o que lhe subtraía guinchos tortuosos de agonia enquanto era envolvida pela magia de luz. Gradativamente, Likho, em compulsões espasmódicas, foi se tornando somente fumaça, encolhendo-se dentro do dragão e, enfim, transformou-se em um pequeno ponto caído ao chão.

O espetáculo foi assistido por Asmodeus, que trincava os dentes e cerrando os olhos, como se sentisse a dor que o não-ser gritava. Quando Likho foi, finalmente, vencida, o bruxo tentou ainda mais uma vez retrucar:

- Confringo!

- Chega! – novamente, o jovem repeliu com suas mãos – Você perdeu. Se renda e venha...

Então, subitamente, lembranças vindas de onde antes estava Likho preencheram a mente do lufano. Ele viu um garoto sorridente chamando pela mãe, que estava brincando no campo com a criança. Ambos estavam muito felizes, com o amor maternal notório a os envolver. Yuuri entendeu, no exato instante, que essas recordações vinham da alma perturbada do não-ser... quer dizer... de Mary.

Olhando para o lugar onde ela estava há um minuto, vislumbrou, a poucos metros, um pequeno objeto de madeira jazido em meio à neve. Naquele momento, seu patrono corpóreo de dragão, bem como o paredão de magia que os cercava, estava se desfazendo em luzes prateadas que voltavam como brisa para o interior de seu corpo, readentrando-se em sua alma.

- Não!

Saindo do estado inerte de observação curiosa, Yuuri percebeu que o comensal soltava grunhidos de dor enquanto arrancava, com desespero, o colar com pingente de pedra que trazia ao pescoço, jogando-o ao chão. O material, de repente, começara a se queimar, desintegrando-se diante deles. Enquanto avaliava o que acontecia, o lufano houvera se distraído e, por isso, não percebeu as intenções do bruxo das trevas, até o momento em que o ouviu gritar:

- Fogomaldito!

 Assustado, contemplou as labaredas de fogo que nasceram da ponta da varinha inimiga, apontada em sua direção e, em instantes, vultos de fogo intenso começaram a se condensar em silhuetas grandes. Pela rapidez com que o feitiço foi feito, além de o haver pegado distraído, Yuuri soube que não poderia impedir a maligna magia. Sua reação foi, então, estender a mão:

- Accio!

Conjurou o objeto que vira ao chão, onde Likho antes estava, e, ao tê-lo em suas mãos, deu as costas ao comensal e começou a correr apressadamente para longe, conseguindo ver, por sobre o ombro, contornos de quimeras de fogo movendo-se a seu encalço. As chamas do feitiço das trevas destruíam o teto liso da mansão enquanto se deslocavam atrás dele. Foi quando avistou a beirada do telhado se aproximando e sentiu o coração aumentar de adrenalina. Não pensou duas vezes: assim que chegou ao limite, impulsionou os pés ao chão e curvou o corpo para frente no instante em que mergulhava no ar.

A explosão do fogo às suas costas queimava fortemente. Enquanto caía, via o tapete de neve que cobria a grama a metros de distância, ao tempo em que sentia o vento bater de encontro a seu rosto. Porém, antes de sentir o corpo bater ao chão, foi surpreendido por um vulto que chegou voando e o amparou no ar, agarrando-o por um de seus braços.

- Te peguei! – gritou Thiago, contente, diminuindo a velocidade – Está vivo, cara?!

Quando se deu conta, estava pendurado ao ar pelo jovem Potter, que pilotava em cima de uma vassoura, seu braço sendo segurado firmemente pelas mãos firmes e fortes do jogador grifinório.

- Potter! – exclamou, surpreso e feliz.

- Sobe aí, cara!

Yuuri assentiu, sôfrego, e, com a ajuda do Thiago Sirius, subiu à garupa.

- Valeu! – falou alto.

Foram ambos arrebatados pelo vento quando a vassoura cortou o ar para longe da mansão e, após o medo que sentiu, percebeu que suas pernas bambearem ao se ver em uma altura tão considerável, mas logo tentou descartar o pavor e se agarrou firme ao Thiago.

Quando voltou a cabeça para trás, arquejou alto ao ver, ao longe, o teto da mansão ser engolido cada vez mais e mais pelo fogomaldito, de modo a destruir completamente o telhado e levar consigo a construção imperiosa da propriedade. E mesmo que pudesse ver muitos aurores por perto tentando amenizar a intensidade do fogo, chegando a terem algum sucesso, temeu pelo perigo dos membros da Guarda.

“Guardiões!” – alertou-os pela mente – “Retirada! Avise a todos para saírem da mansão! O fogomaldito está destruindo tudo!”

“Certo!” – as vozes de alguns responderam.

- O que é isso? – Thiago perguntou, de repente.

Yuuri o encarou, confuso. Mas quando seguiu o olhar desentendido do grifinório para suas mãos, encontrou um rústico colar de madeira escura e alisada, com um cordão feito de casca de árvore presa a um lindo pingente de mesmo material, com uma linda pedra ônix encrustada ao meio.

Agora, que podia realmente olhar, ficou fascinado.

- É... um amuleto. – disse, simplesmente, sentindo que realmente o era.

Foi nesse instante que seus olhos se arregalaram ao se dar conta da verdade que segurava. Esse amuleto... é a Likho!, constatou, maravilhado. Likho se transformou em um artefato mágico protetor, em um amuleto! Igual ao conto do papai...

E, diante de tal constatação, soube o que teria que fazer para salvar seu amado.

“Salve o Viktor!” – o alerta do Valentino ecoou em sua mente, acordando-o do devaneio – “Salve o Viktor, Yuuri...”

De repente, uma sensação estranha começou a surgir em seu coração. Sentia que, de pouco em pouco, a essência de uma alma abandonava a sua alma, enfraquecida ao ir perdendo a vida. Yuuri entrou em desespero ao cogitar o que aquilo significava e percebeu que a agonia era imensa.

“Valentino?” – respondeu, aflito, sentindo o aperto da emoção comprimi-lo, ao tempo em que os olhos ardiam com as lágrimas que os inundavam – “O que houve? Onde você está? Fique bem, eu...”

“Não venha! Eles o encontraram, Yuuri...” – a voz se tornava mais baixa, débil – “Eles o estão levando... Por favor, salve o Viktor...”

Uma lágrima angustiada escorreu de seus olhos ao sentir os últimos resquícios de uma consciência mágica, com lembranças de sua filha, memórias dos últimos dias e da sua falecida esposa... Foram sumindo de seu espírito, levadas para longe de sua mente, ao tempo em que seu coração se esvaziava dos pensamentos felizes daquele bruxo tão bom, daquele homem cheio de amor e sonhos iluminados. E Yuuri soube que seu velho e grande amigo estava morrendo mas, ainda em seus poucos segundos de lucidez e vida, tentava se comunicar com ele para que salvasse uma outra vida. Sentiu a conexão do patrono dele perdendo-se, evaporando-se e partindo de sua alma.

Seu rosto se franziu ao soltar um soluço contido na garganta, seus braços começaram a tremer.

“Por favor, não vá...” – tentou dizer.

“Chegou minha hora...” – soou doce e cheio de carinho – "Por favor, cuidem da minha filha... Adeus... Yuuri.” – e assim, o último suspiro de sua aura do patrono mágico extinguiu-se de seu peito, sendo levado pelo vento, para longe daquele mundo e de sua alma.

Lutando contra o sofrimento que veio e a desesperança de perder outras pessoas que amava, enfiou o amuleto dentro de sua calça e pronunciou-se, tomado pelas emoções:

- Potter! Vá para a frente da mansão!

- Certo!

Em um mergulho para baixo, Yuuri segurou-se firme no piloto ao cortarem o ar com a vassoura.

Corpos sem vida e destruição generalizada passavam aos borrões a metros de distância deles, enquanto voavam pelo céu tomado de nuvens escurecidas e trovões, contornando toda a lateral da mansão arruinada. Yuuri, com olhos de águia, procurava algum vislumbre de Nikiforov.

Um grito ensurdecedor tomou conta dos céus. Com um aperto horrível no peito, Yuuri seguiu a direção do ruído e sentiu o terror lhe tomar ao ver um cercado de inúmeros Comensais, protegidos igualmente por outros aliados, no momento em que eram atacados por aurores desesperados. Eles estavam com Viktor e executavam um culto desconhecido. O rapaz se encontrava prostrado de joelhos, ao chão, e uma magia verde tomava seu corpo, fazendo-o gritar vigorosamente aos quatro ventos, no meio do círculo humano, com os ecos de duas vozes saindo dele, ao mesmo tempo.

- Me leve até ele! – Yuuri apontou.

- Segura firme! – avisou Thiago.

Dessa vez, Katsuki sentiu que iria cair da vassoura se não tivesse se agarrado bem ao corpo do amigo ao rasgarem o ar com a velocidade que alcançaram. Quando rasparam o chão perto dos aurores e membros da Guarda, Yuuri pulou da vassoura e começou a correr por entre eles a toda celeridade.

- Katsuki! – McGonagall gritou ao vê-lo passar.

- Me ajudem a passar! – exclamou de volta, sem olhar para trás.

Gritos de feitiços protetores e de ataques soaram às suas costas, e pode ver uma chuvarada de luzes virem, em seguida, voando sobre sua cabeça em direção ao inimigo, que cada vez mais se acumulava à sua frente.

Os Comensais, vendo sua chegada, começaram a alertar aos mais próximos e a conjurar magias amaldiçoadas e imperdoáveis em direção ao bruxo da luz. Mas o jovem movia suas mãos sem peso algum, rebatendo luzes verdes e vermelhas e, com isso, lançando os bruxos das trevas para longe do seu caminho, em ondas de magia prateada. Por sua vez, o desespero em seu peito alimentava suas pernas a correrem mais e mais, arrancando o fôlego de seus pulmões ao pôr tudo de si, com o objetivo de salvar o seu amado, que estava sendo dominado pelas trevas, pela alma do Voldemort.

Passando pelo círculo de Comensais da Morte que executavam o culto maligno, Yuuri enxergou a alma obscura de Voldemort, advinda do limbo, subir aos céus, em direção ao Nikiforov, que se encontrava ajoelhado e com a cabeça voltada para cima, como se esperasse ser subjugado de vez.

Um grito escapou do Katsuki, e as lágrimas voltaram a escorrer de seus olhos diante da cena e da compreensão do que estava para acontecer: o bruxo das trevas estava pronto para possuir, de vez, o corpo do Viktor. Decidido, estendeu sua mão esquerda, criando uma intensa esfera de luz, que saiu de sua palma e foi rumo ao espectro perturbado do Voldemort – que planava acima do rapaz –, envolvendo-o, com uma magia fulgurante, em uma espécie de esfera, que o impedia de prosseguir com seu intento de dominar o outro, arrancando dele a alma e tomando de vez seu corpo.

Ao chegar junto a ele, Yuuri caiu de joelhos e agarrou, com a mão direita, o antebraço tatuado do amado, tomado de escuridão. Com a palma esquerda voltada para o alto, clamou palavras que lhe eram estranhas, porém, conhecidas de sua alma iluminada:

- Quod Auten Chorus Flores!

No momento em que as pronunciou, sua mente foi arrebatada por um clarão e seus olhos foram completamente tomados por uma luz prateada, fazendo suas pupilas sumirem. Uma explosão de magia nasceu de seu peito, enquanto pétalas brilhantes de cerejeira surgiam da luz cintilante, rodeando o casal em uma esfera impenetrável e luminescente. As flores rosadas, que surgiam cada vez mais da magia manifestada, voavam pelos jardins e alcançavam os arredores da mansão, como se dançassem pelos ares com graça e suavidade. Aos aurores e aos membros da Guarda da Luz, o feitiço elemental abraçava, formando esferas de proteção. Mas, quanto aos Comensais da Morte, prendia-os, grudando em seus corpos e desmanchando sua matéria terrena até que lhes restassem somente as cinzas; purificando, todavia, suas almas trevosas e transmutando-as em espíritos libertados em luz.

Dentro da esfera central, onde os dois amantes se encontravam, Yuuri, guiado pelo poder dos patronos, levou sua mão esquerda estendida para o peito do Viktor e, com a ponta dos dedos, puxou a pequena parte fragmentada da alma do Voldemort de dentro dele. Usando sua mão direita, levou a palma para o próprio peito e puxou uma pequena parte de seu espírito iluminado, depositando-o dentro do outro e, assim, guardando em sua palma a parte que houvera retirado dele.

Com uma das mãos agora livre e o Nikiforov paralisado na posição, ainda desacordado, Yuuri avaliou o fragmento de alma em sua palma; em seguida, olhou para a perturbada e sombria imagem que pairava acima deles, e observou que ambas as partes obscuras se contorciam, igualmente em agonia, como órgãos vivos, das quais saíam guinchos sibilosos, desumanos e sombrios. Então, como horlux, invocou os patronos que trazia em si, entretanto, como somente oito deles se manifestaram, já que Valentino havia morrido, não havia como purificar aquela alma partida tão tomada e devorada pelas trevas e pela escuridão, pois seu poder maligno precisava de uma completude de luz.

Assim, entendendo o que precisava de fazer e sabendo que trazia, em sua palma e sobre eles, a personificação do mal, aceitou seu destino. Inspirando fundo, murmurou, resignado:

- Eu me entrego...

Fechando os olhos, puxou, com um movimento de mãos, a parte da alma sombria que o sobrevoava e a juntou à que estava em sua palma, tornando-as uma só composição. Depois, decidido, levou-as para dentro de si, inserindo-as em seu corpo e juntando-as a seu espírito puro. No mesmo instante, sentiu que uma turbulência aflitiva tomava seu corpo e mente, e uma dor excruciante queimava em seu peito. Estremeceu. Sentiu que a consciência começava a deixá-lo e só teve a última reação de apoiar uma mão no ombro do Nikiforov e, com a outra, puxar a cabeça dele para si, pois percebeu que começava a acordar. Quando volveu sua própria vista para frente, seus olhos perceberam a escuridão que antes havia nos olhos do seu amado irem embora, e o azul-celeste do mar inundarem completamente suas íris desorientadas e sonolentas.

Yuuri soube, então, que sua missão havia se cumprido.

- Eu te escolho mil vezes... – sussurrou, fraco, sentindo em seus próprios olhos um pedaço de escuridão tomar lugar – Eu confio em você...

Com essas últimas palavras, um sorriso leve desenhou-se em seus lábios antes que caísse no penhasco profundo dos sonhos. Os sentidos do mundo à sua volta o abandonarem enquanto fechava os olhos, com seu corpo despencando para trás.

Gritos de agonia e lembranças sombrias da nova alma que morava dentro de seu corpo arrebataram por sua mente e corpo. Recordações e flashbacks de memórias passaram como vultos por seus olhos: rostos, conversas, lugares, vivências, dores, prazeres, sonhos e vidas roubadas... Em milésimos de segundos indefiníveis, Yuuri soube, por completo, a vida do maior e temido lorde das trevas e, concebendo o perigo que passava, enclausurou a alma do Voldemort dentro da sua, guardando-a. Isso o fez cair em um adormecimento profundo e impenetrável, como um coma, como o sono da morte. Mas, para ele, estava tudo bem, porque, agora, Voldemort não seria capaz de perturbar a Viktor e a mais ninguém... Ele, a horlux, o guardava do mundo.


Notas Finais


Não, gente, esse não é o fim! Calma, pelo amor à Merlin, calma! Não me matem!
Eu prometo que vocês não irão se arrepender se continuarem a ler! É uma promessa! KKKKK
Bom, é isso! Alguma dúvida? Espero que tenham gostado!
Ótima? Trasgo? Deixe seu comentário, se assim desejar, que lerei e responderei a todos! Quando vocês comentam, é um carinho e amor muito grande que sinto no peito, além de saberem, claro, se vocês estão gostando ou não, do que acham, e tals. Enfim! Espero que estejam se cuidando nessa quarentena, hein?
Bebam muita água;
cuidem da sua saúde mental;
e façam coisas (dentro do possível) que os deixem bem.
Beijos de luz, e até o próximo capítulo! Sayonara!


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