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História Quod Auten Chorus Flores (A Dança das Flores) - Capítulo 24


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, minhas fofuras! Como vão vocês? Estão se cuidando nessa quarentena, não é mesmo?
Já venho para agradecer a vocês pelos lindos e maravilhosos comentários no capítulo anterior e os favoritos na fanfic! Gente, já tem 195 favoritos!! Caraca!!! Falta só CINCO para dar 200! AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH! Muito obrigada a todos!! Seus lindos!!!!
Enfim, venho com mais esse capítulo... Já digo a vocês para se desiludirem se acham que vai ser coisa bonitinha e leve. Portanto, fiquem preparados. Espero que gostem!!!!
Boa leitura!!
PS: A partir de hoje, eu considero, Hermione Jean Granger a escritora oficial de "Harry Potter", umas das sagas e coleções mais famosas do mundo inteiro.
SERIA BOM SE LESSEM AS NOTAS FINAIS!! (caixa alta só para chamar a atenção das suas vistas mesmo, kk)

Capítulo 24 - É uma promessa...


Fanfic / Fanfiction Quod Auten Chorus Flores (A Dança das Flores) - Capítulo 24 - É uma promessa...

Dia 19 de dezembro de 2021:

Um incômodo latejava incessantemente no topo da cabeça do Nikiforov enquanto ia sendo retirado, lentamente, de seu sono. Os membros do corpo estavam excessivamente dormentes e pareciam desconectados dos nervos, de tão refratários que estavam aos comandos para movimento. Vozes taciturnas e sussurradas planavam à sua volta, em burburinhos embaralhados de conversas e lamentações desconexas, o que incentivava mais ainda sua mente a ir acordando, gradativamente, até, finalmente, conseguir começar a recuperar um resquício de força.

As pálpebras tremeram, parecendo chumbos, até, devagar, abrirem-se por completo. Piscou algumas vezes, sentindo o sono se esvaindo em seus sentidos e, com os olhos azuis repletos de confusão, e o raciocínio ainda entorpecido, começou a compreender que encarava um tipo de teto muito mal construído, de tábuas soltas...

Parou uns segundos, fitando paralisado o lugar, como se esperasse, de forma inconsciente, que o retardamento e a exaustão fossem dissipados.

Céus, que cansaço, era o que repetia para si mesmo.

Foi pego em meio ao seu transe por uma aproximação exterior:

- Velho!

A voz de seu primo lhe chamou e, ainda tomada pelo torpor, sua cabeça virou, distraída, para a direita, onde viu a fisionomia do jovem Yurio Plisetsky, que caiu de joelhos ao seu lado, tendo choque e alívio delineando seu semblante.

– Finalmente... – o rapaz negou com a cabeça, desacreditado, ao franzir a testa – Você acordou! Pelas barbas de Merlin, eu já estava ficando sem paciência, caramba! Como você...

Ele está muito machucado, detectou a mente lenta do Nikiforov, sem prestar atenção às palavras que o outro continuava a lhe dizer de maneira desenfreada: com curativos espalhados pelo rosto, abaixo dos maltratados cabelos louros, uma atadura enorme envolvendo o ombro e o torso nu acobertado por um tecido sobre as costas. Todavia, Viktor foi atraído pelo brilho vivo e verde que tomava conta dos olhos de seu primo, a revelarem sua cor de modo claro e limpo, sem qualquer sombra. Estranhou... Isso revelava que algo não estava normal...

Então, de supetão, arregalou os olhos de uma vez e acordou bruscamente de seu transe, no momento em que se deu conta dessa grande constatação. Sem sombras neles?!, admirou-se.

- Yurio!... – com voz rouca, Viktor apoiou as mãos sob si, mas logo guinchou dolorido pela pontada de dor que queimou por seus braços, além da que trespassava por sua cabeça.

- Para! Para! Calma! – o primo rapidamente amparou-o pelos ombros, segurando-o no lugar, com a face exasperada – Credo, você tá acabado, besta! Não faça esforço brusco!

Acabado?, pensou, em meio às pontadas de dor que o alfinetavam. Como assim?

Piscando fortemente, em uma tentativa de espantar a dor, provocou uma respiração profunda e, confuso, varreu à volta com a vista, tendo o semblante a se transtornar cada vez mais e mais, enquanto constatava fileiras e fileiras de corpos imóveis sobre panos cinzentos. Espalhados pelo lugar, sentados ao chão, ou sobre destroços de madeiras – ou, até mesmo, apoiados aos pilares –, inúmeros bruxos feridos apareceram em seu campo de visão: e pôde, dentre eles, reconhecer a enfermeira Rose e sua assistente Nina, cuidando de muitos, tendo, inclusive, alguns dos guardiões ao lado delas, ajudando na tarefa.

Logo, avistou seu avô conversando com Harry Potter e a ministra, ao lado de representantes do Ministério. Draco tratava, com sua alquimia, a alguns aurores afetados por magia das trevas; Christophe, com uma tipoia no visível braço ferido, conversava com a mãe, visivelmente abalada, por quem era amorosamente abraçado; um auror chorava descontroladamente aos pés de um corpo imóvel, jazido ao chão, enrolado em um manto.

- O quê?... – desorientado, olhou para si mesmo, e viu ataduras de “pele” de salamandra cobrindo seu torso nu, com a canela da perna direita envolta por um curativo grande – Onde estamos? – levou a mão esquerda à cabeça, sentindo bandagens que cobriam parte de sua testa e o topo do crânio.

Yurio apertou os lábios, observando atentamente o primo.

- Aqui é a mansão, Viktor. – soltou direto e claro – Estamos na sala central.

O rapaz parou na hora e encarou o primo, atônito.

- O quê?... – franziu a testa, indignado, antes de olhar de novo à volta e perceber, mesmo que não quisesse aceitar, detalhes sutis das paredes de cobras com espirais douradas e da grande entrada, agora destruída, tampada por um longo e grande forro no alto – O que aconteceu aqui? – voltou-se para o primo, sentindo-se desorientado.

Yurio suspirou profundamente, com uma seriedade incomum e estranha, como se buscasse o controle que naturalmente não tinha, antes de se sentar de pernas cruzadas ao seu lado, fitando-o fixamente.

- Fomos atacados. – soltou, sem rodeios, fazendo com que a respiração se suspendesse no peito do Nikiforov – Assim que começamos o culto, os Comensais atacaram a mansão com o poder de acesso da Likho... – pareceu tentar medir a velocidade da fala, pois viu que o horror tomava o rosto do primo – Tivemos que suspender o ritual e levar você para um lugar seguro. Lutamos com os Comensais, e você tinha até começado a acordar... e o Yuuri...

Viktor sentiu o aperto sufocar seu coração ao ouvir o nome do Katsuki.

- Onde ele está?! – falou, com ansiedade eufórica, e mirou todos a sua volta, procurando os cabelos negros e o rosto doce do amado – Eu quero vê-lo...

- Viktor... – ele começou, mas parou quando o Nikiforov apoiou uma mão no chão para se erguer, e logo precisou segurar os ombros do primo, empurrando-o para que permanecesse sentado – Não se levanta, droga!

- Cadê o Yuuri?! – exclamou, sem se importar em chamar atenção, sua expressão tomada de temor e súplica, e, de alguma forma, sentiu que algo havia acontecido a seu namorado – O-onde ele está?...

O jovem Plisetsky afastou a cabeça com espanto, pois não conseguia acreditar naquela reação de lamúria e dor a tomar as linhas do rosto do primo. Parecia que o próprio Viktor também não conseguia se entender, afinal, ambos o conheciam o suficiente para saber que nunca reagiria daquela forma sensível e contida. O esperado era uma notória agressividade, com atitudes de “dane-se tudo” e gritos furiosos a exigirem que o respondessem. O que havia acontecido?

Yurio analisou-o cuidadosamente, preocupado, refletindo se seria por conta de sua sonolência.

- Ele está bem. – explanou, devagar e com calma, ponderando as palavras, com pesar, ao dizer: – ...Mas ele não está acordado.

Viktor franziu a testa, claramente confuso, pois sentiu, pelo tom, que não era algo bom.

- Como... assim?

Repuxando, com dor, as linhas expressivas da face, seu primo entreabriu a boca ao suspirar fundo e dizer:

- Viktor, Yuuri está em coma.

           

* * *

 

Viktor não estava se importando com as insuportáveis pontadas na canela enquanto atravessava, com mancadas leves, a extensa sala central em direção à saída arruinada, atrás do seu primo. Era visível a agitação de todos, enquanto o olhavam caminhar, com murmúrios incrédulos e espantosos por o verem de pé. Quem melhor o conhecia voltava a atenção sobre o antebraço esquerdo do rapaz, desnudo por conta da atadura em seus ombros, afinal, não mais havia nele a horrenda marca de cobra. Existia, ainda, a mudança no semblante do sonserino, que mantinha um visível controle de emoções, tomado por um ar assustadoramente neutro e congelado.

Mas Viktor só conseguia prestar atenção à sua respiração suspensa e ao bater pesado de seu coração, por conta da expectativa e do medo do que o esperava.

Nikolai, a alguns metros de distância, observou os netos passarem por ele, e igualmente o fitou, ainda que o rapaz não percebesse, de tão mergulhado que estava em seu estado soturno, bem como nas sensações temerosas que aumentavam dentro de si a cada passo que avançava.

Yurio chegou a uma entrada coberta por um pano e a abriu, permitindo que ambos passassem por uma fresta.

A paisagem invernosa do lado de fora se mesclava à neve e ao frio. A entrada principal, completamente em ruínas, expunha a destruição por meio dos destroços, afastados para o lado para dar passagem. A parede estava completamente destruída e, ao olhar para cima e para os lados, encontrou as escadarias quase sem degraus e nenhuma sustentação, parecendo que iriam cair a qualquer instante. À direita, para a sala oeste, a sala inspirada na sua casa comunal encontrava-se com as paredes demolidas e os móveis queimados, com uma parte do chão aberta por explosão.

“Viktor...” – ouviu uma voz gentil sussurrar, como uma sutil brisa, dentro de sua mente.

Então, cochichos baixos de várias direções começaram a rondar suavemente seus ouvidos em conversas desconexas e palavras agradáveis. Não conseguia entender de onde vinham, mas eram muito mais agradáveis que as tentações de Voldemort em sua mente.

Nesse mesmo instante, um movimento no seu campo de visão lhe chamou a atenção. E, ao focar a vista, encontrou Hiroko, com um grosso casaco até os joelhos, adentrar o hall destruído, ao lado de outras duas aurores.

- Sra. Katsuki. – pronunciou, brando, o Yurio.

A mulher ergueu a cabeça, e um sorriso fraco veio aos lábios de sua face ao ver Nikiforov.

- Com licença. – ela respondeu às bruxas ao seu lado, antes de se afastar e caminhar até os dois – Vi-chan... – um tom frágil de alegria e carinho adornou o apelido dito e, ao chegar perto, abraçou-o por um breve instante, sendo retribuída de leve, até que se afastarem e ela pousou as mãos em seus ombros – Que bom que acordou, querido.

Viktor pôde ver, ao ser observado por ela, que olheiras fundas cobriam seus olhos castanhos e uma tristeza cobria sua face. Era visível o abatimento que envolvia toda a sua aura.

- Oi... – tentou sorrir, ainda que sentia ser em vão.

- Estou levando Viktor para ver ele. – Yurio se pronunciou, ganhando a atenção de ambos – A senhora concorda?

Um sorriso de lábios fechados veio ao rosto materno ao assentir com a cabeça.

- Com certeza. – voltou a mirar o Nikiforov, e seus dedos fizeram um leve carinho nos ombros do rapaz – Tenho tanta coisa para fazer e preciso ajudar o avô de vocês junto ao departamento... Céus... – sacudiu de leve a cabeça, interrompendo-se, antes de dizer, simplesmente: – Tenho certeza que Yuuri ficará muito feliz.

“Viktor...” – ouviu novamente.

- Agradeço, Sra. Katsuki. – Viktor sorriu timidamente.

Em resposta, apenas um movimento de cabeça foi feito por ela, antes de afastar as mãos e rumar para a abertura da sala central, sumindo da vista deles.

Yurio guiou-o para a entrada da sala de jantar, parando diante de outro pano que marcava a abertura. Olhou Viktor por sobre o ombro, antes de estender a mão e abrir uma passagem.

“Viktor...” – a voz sussurrou uma vez mais, agora mais audível.

Deparou-se com inúmeras variedades de mandalas rústicas e sinos dos ventos pendurados pelo ambiente, e que, diante de sua chegada, tilintaram a soar junto à voz que novamente o chamava. A grande mesa retangular com as cadeiras não se encontrava mais dentro do cômodo e, ao invés disso, viam-se potes e potes de conservas, remédios, comidas e estoques guardados junto às paredes intactas e o teto firme. Porém, o que ganhou a maior atenção do rapaz foi, ao varrer os olhos pela sala encontrar, ao fim do cômodo, um corpo coberto, deitado sobre um colchão.

“Viktor...” – a voz veio junto ao vento que saía do fundo da sala, o qual fez os pequenos sinos novamente tilintarem.

Com o choque da realidade abatendo seu corpo e uma avalanche de sensações profundas pulsando em seu peito, deu um passo hesitante na direção, carregando um transtorno mudo. Em passos vacilados de demorada reação, caminhou até o local, atravessando a sala com os olhos arregalados. Quando se aproximou o suficiente, não aguentou o tremor e a fraqueza que o dominaram e caiu de joelhos ao chão, diante do reconhecimento do rosto de seu amado.

Um manto grosso e grande cobria toda a sua estrutura física e deixava somente a cabeça e o pescoço à vista. Yuuri não mudara nada. O tom de sua pele facial e o pescoço continuavam com o mesmo tom de vida que possuía, nem aspecto de magreza doentia se encontrava nele. As pálpebras estavam cerradas e a respiração, profunda e serena, dava-lhe a sensação de que apenas dormia um leve sono calmo, diferentemente da letargia profunda e inatingível na qual se encontrava.

Nikiforov analisava cada linha de expressão daquela face tão amada, tentando enxergar as vibrações de sua alma.

- ...O que aconteceu com ele?

No momento em que se pronunciou, suas palavras soaram em ecos a seus ouvidos, como se ressoassem dentro de uma caverna profunda. Ao mesmo tempo em que se assustou, sentiu uma emoção desconhecida de alegria alheia apoderar seu coração.

Yurio, que o acompanhara mais de longe, distante, soltou um suspiro fundo diante da pergunta e iniciou:

- Quando os comensais chegaram, eu e Chris levamos vocês dois para um esconderijo na casa. Mas acontece que Yuuri ouviu a Likho atacando a mansão e deixou você e a horcrux com a gente... Só que... Um deles sabia. De alguma forma, um dos comensais soube da porcaria do esconderijo e nos encontrou. Eu e Chris tentamos te proteger, pois você ainda estava afetado pela poção, mas Chris acabou sendo ferido e fomos capturados... O nosso elfo, Ginji, estava com a gente, e conseguiu nos aparatar com a horcrux... Mas os comensais te puxaram antes de conseguirmos levar você junto.

Compreensão de dor alheia arrebataram seu coração e, sem entender o motivo, sentiu vontade de chorar e dizer que estava tudo bem ao Yurio. Todavia, percebeu que o que sentia não vinha de si. O que é que está acontecendo comigo?

Yurio continuou:

- Os comensais começaram a fazer um culto no meio da batalha, para trazer a alma de Voldemort para dentro de você e, de alguma forma, estavam conseguindo mandar a sua direto para o limbo. Tentamos impedir, mas eles eram muitos... Nosso esforço era como se fosse nada! Foi, então, que Yuuri apareceu e conseguiu destruir a proteção deles. Ele foi até você e impediu a sua alma de ir. Mas... Com isso... A alma do Voldemort...

Viktor volveu a atenção por sobre o ombro e encontrou seu primo de cabeça baixa, com o rosto franzido.

- Ele encadeou o Voldemort dentro de si mesmo...

Os olhos do Nikiforov se arregalaram diante de tais palavras, enquanto percebia seu primo apertar as mãos às barras do manto que o cobria e crispar os lábios ao soltar um grunhido, visivelmente na tentativa de conter sua ira.

– Ele nos protegeu e purificou todos os comensais com a magia dele... E-ele acabou com a guerra e se sacrificou para nos salvar... E n-não pudemos fazer nada... Nada, cara! Eu sinto muito...

Horrorizado, Viktor sentiu um aperto no peito e seus olhos arderem.

“Viktor...”

Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto, enquanto mirava seu primo, declaradamente magoado pela dor da realidade e da culpa. Mas, apesar dessa tristeza, sentiu sobre eles uma aura de carinho e amor, rondando-os, como a criar um manto invisível. Percebeu ser uma energia poderosa e pura que vinha direto do Yuuri.

“Viktor...” – o chamado veio mais claro e meigo, em meio ao tilintar dos sinos dos ventos soando pela sala.

Estático, quase desacreditado, distinguiu que era a voz do Katsuki. Volveu a cabeça para ele, observando seu semblante sereno, e teve um pressentimento em seu peito, como se algo se escondesse em seu corpo. A sensação ruim se expandia.

Aproximou as mãos agoniadas do cobertor e, com cautela, baixou-o cuidadosamente. O jovem estava com uma camisa de moletom escura a lhe cobrir o talhe. Como se tomado de uma intuição estranha, ergueu a barra da vestimenta. Assombrado, constatou o que o inquietava: uma grande e sinistra cobra se enroscava, com obscuras manchas nebulosas, envolvendo seu corpo sinuosamente pelo tronco, parecendo quase um ser vivo a contorná-lo, como se o cingisse em captura. A horrível imagem, que tão bem conhecia, em maligna glória se abraçava a seu torso em uma tatuagem detestável e repugnante. Era essa a dolorosa confirmação de que a alma de Voldemort estava, real e completamente, acondicionada dentro dele, encapsulada por seu espírito de luz.

Não suportando a contemplação, Viktor cobriu-o novamente e, horrorizado, pôs-se a imaginar o sofrimento pelo qual seu amado passava, enquanto tinha dentro de si – na mente e corpo –, sozinho, a alma de Voldemort, com a tarefa de o conter. Ponderou que medo e sofrimento deveriam estar a atormentá-lo e, diante disso, começou a se culpar mortificadamente, deixando um choro baixinho e incontido caírem por seu rosto, enquanto um silêncio triste pairava entre ele e o primo.

Compungido, tomou a mão do Katsuki:

- Y-Yuuri... – chamou, contendo os arfares, e sentiu um calor vir do corpo dele, o que acabou por acalmá-lo – Yuuri, eu estou aqui... – murmurou, envolvendo seus dedos com mais força – E-eu estou aqui, Yuuri, eu estou aqui... – soluçando, curvou o tronco para frente, quase a tocá-lo – E-estou estou aqui... Estou aqui com você...

Seus lábios, em meio aos soluços incontroláveis, murmuravam sem cessar aquelas palavras, repetidamente, dizendo carinhos e calmarias que desejaria que ele ouvisse. Queria, ao menos, tirar um pouco do medo e da solidão que o Yuuri estaria sentindo... Tirar um pouco da dor que acreditava atormentar seu amado, trazendo, preso dentro de si, a perturbadora alma do maior Bruxo das Trevas.

Seu pranto, apesar de baixo e contido, era doloroso. Não soube por quanto tempo aquela agonia durou, com as lágrimas e os soluços lhe subindo à garganta. Só se deu conta da sua realidade quando uma mão grande e quente, intimamente conhecida, pousou em seu ombro.

- Ele está vivo, Vitya. – a voz grave de seu avô, com um tom de cansaço, soou junto a si, e percebeu que seu corpo estava ajoelhado a seu lado, tendo, por apoio, a bengala – Ele está bem. E vivo.

- Ele n-não está bem... – retrucou, sem sair de sua posição debruçada, apertando com mais força suas mãos às do Katsuki – Ele está preso com V-Voldemort... E e-ele não vai parar de perturbar o Yuuri...

- Yuuri é forte, Vitya. Ele tem muito poder e força para ficar bem, nós dois sabemos disso. Você não tem culpa de nada. – esfregou a mão na região das costas dele, sentindo as compulsões do choro no neto sob seu toque – Tudo o que ele fez foi por você... Tenho certeza de que ele está feliz com sua presença, agora, e por saber que você está bem, então... Não se culpe.

Fungando fortemente, Nikiforov ergueu a cabeça, sem se importar com a provável cara inchada, e, com os olhos embaçados de lágrimas, volveu-se para o lado, encontrando o semblante enrugado e atarracado de seu avô, com os belos olhos esmeraldinos, iguais aos de Yurio, encarando-o com preocupação e afeto, e igualmente livres das sombras que antes conseguia lhes ver. Ele parecia exausto, e o rapaz sentiu como se o homem de alta idade à sua frente houvesse envelhecido anos de vida em horas.

- Por que eu consigo ouvir Yuuri me chamando? - murmurou, em seriedade absorta – E por que ouço nossas vozes ecoando no meu ouvido? Como se eu estivesse... – considerou, e terminou: – ...ouvindo por duas pessoas?

Um feixe de espanto e confusão cintilou pelos olhos misteriosos do seu avô. Contudo, mesmo com a disfarçada reação espontânea dele, Viktor detectou uma mistura mística de fascínio diante da revelação.

- Venha. – disse em resposta, erguendo-se com a ajuda, novamente, de sua bengala – Vamos ver os outros. Deixemos Yuuri descansar.

Uma sensação de aperto e incerteza vieram a seu peito e sua garganta se comprimiu, amargamente. Voltou a atenção ao namorado, com suas mãos ainda a apertarem as suas, e pressionou o maxilar, nervoso. Porém, como se em resposta, sentiu emoções de tranquilidade e conforto chegarem-se, confortando-o, como se dissessem que estava tudo bem. Vinham não sabia de onde, mas se faziam quentes dentro de seu corpo, comunicando-se com sua alma. Por isso, resignado, suspirou e, devagar, baixou a cabeça e deitou um suave beijo à testa do amado, buscando transpassar-lhe amor e ternura, apesar de ainda deixar escaparem algumas lágrimas.

- Eu volto logo, meu amor... – murmurou, com feição convicta, sentindo que, com suas palavras, uma onda de calmaria e apego recíproco cobriram corpo e mente do Katsuki, sendo o bastante a convencer Viktor a desfazer as mãos dadas, delicadamente, e se afastar.

O avô lhe estendeu um casaco que trazia e Viktor vestiu-o com dificuldade, voltando, ainda, a se cobrir com o manto que já carregava. Ao fim, acompanhou, com passos ainda trôpegos, a seu avô e seu primo – igualmente vestido por um casaco trazido pelo avô – para fora da sala.

Ao passarem pela abertura e voltarem a fechá-la com o pano, o velho Plisetsky guiou-os pelo hall arruinado até um ponto distante da entrada destruída da sala central, o que os pôs bem mais perto da ventania que passava. Porém, era notório o bem-estar que o frio provocava aos três, o que resultava da descendência russa da qual advinham.

- O que mais quer saber? – o ancião questionou ao neto mais velho, posicionando-se de frente para os dois e tendo as mãos sobre a cabeça de cobra da bengala – O que Yurochka te contou?

- O básico... – com voz rouca, entreolhou o primo, num diálogo silencioso – O principal.

- Então, está a par de tudo. – assentiu, pesaroso – Certo.

- Quantos... – ele parou, antes de puxar ar, e prosseguiu: – Quantos perdemos?

Nikolai apertou os lábios, com um ar soturno a lhe tomar pesadamente a expressão.

- Até agora encontramos cinquenta e quatro feridos e cinquenta cadáveres, sendo a maior parte deles provocado pela Likho. – suspirou fundo, vendo Viktor baixar os olhos, com expressão contraída – O que mais provocou nos nossos foi ferimentos e inconsciência.

- Yurio me contou que ele e os outros me levaram para um esconderijo. Mas qual?

- Na sala oeste. – apontou para o cômodo, especificamente para o buraco explodido ao chão – Havia uma passagem secreta dali para um sótão invisível do lado de fora. Eu coloquei a localização do sótão nas mãos do Yurochka. – olhou o neto mais novo, que retribuiu o olhar, emudecido – Contei a ele faz uns dois anos. Acreditei que, se acontecesse alguma coisa com a casa, ele e você poderiam se proteger e ficarem seguros. Não podia contar a você por conta do Voldemort, e... Bem, depois, com a vinda do Christophe e do Yuuri, eles poderiam ir com vocês, mas... parece que eu subestimei o nosso inimigo. – expirou, frustrado – Parece que um deles sabia do esconderijo.

- Eu desconfio que foi o Cirilo. – pronunciou Yurio, ganhando a atenção dos dois – Aquele paspalho já estava no seu pé desde que você entrou em Hogwarts. E, do jeito que ele é, não duvido que ele tenha ido a fundo para pesquisar alguma coisa em nossa casa quando entrou para o grupo dos Comensais da Morte.

- Falando nele, o que houve com Cirilo e Anya? – questionou o rapaz, com uma curiosidade contida – Não tivemos mais notícias deles desde então. – tanta coisa em tão poucos meses, que houvera se esquecido completamente de que seu primo distante e a “namorada” dele existiam.

- Por já ser maior de idade, Cirilo Sandro foi mandado para Azkaban, detido em prisão perpétua por conta da lista extensa de homicídios que descobriram dele. – disse – E a jovem... Bem, ela foi expulsa de Hogwarts, e, também por ter cometido homicídio, e estar a menos de um mês do aniversário de dezessete anos, está também lá, presa.

Assentiu, digerindo as informações.

- E... o que houve com a Likho? – soltou, e sem saber o porquê, um calafrio subiu à sua espinha – Yuuri a derrotou?

- Não encontramos vestígios do não-ser, então, cremos que sim. – concordou o avô, austero – Mas achamos os restos do bruxo que a controlava. O que pode significar que, com ele morto, a Likho também tenha sido destruída.

- Quem? – perguntou.

- Asmodeus Odinevich. – respondeu Yurio, ganhando a atenção do primo, que o encarou, desentendido – Ué, Viktor! Esqueceu que ele era um dos assassinos, “colegas” do seu... quer dizer: do Astaroth Nikiforov?

- Merda! Verdade. – as pálpebras se fecharam pesadamente sobre os olhos azuis do rapaz, por cansaço e frustração.

Não era como se eles não soubessem. Quando Viktor foi crescendo e tomando consciência das críticas e olhares que recebia e, principalmente, dos comentários alheios que diziam o quão parecido era com Astaroth Nikiforov, acabou por pesquisar em jornais antigos à procura de fotos e notícias. E, em um deles, encontrou informações sobre um dos capangas do grupo revivido de Comensais da Morte, que era um bruxo chamado Asmodeus Odinevich. Esse, igualmente temido pelos cidadãos mágicos, subitamente sumiu do mapa depois que Mirian morrera e Astaroth fora enviado para Azkaban, onde morreu em sua imunda cela.

- Então, se ele morreu, a Likho também foi destruída, certo? – mas ao dizer tais palavras, arqueou uma sobrancelha, achando-as muito sem sentido e ilógicas – Não... Yuuri não o mataria. Então...

- Ele purificou. Não matou. – respondeu o jovem Yurio.

- Como assim “purificou”? – inquiriu, impaciente – Você já tinha me falado isso. Mas, como assim? O que isso quer dizer?

- Yuuri usou o poder dos patronos para purificar todas as almas dos Comensais que estavam aqui. – Nikolai explicou ao neto – Ele desencadeou uma magia de luz que fez com que conseguisse limpar as almas dos maus antes que essas fossem levadas, desintegrando seus corpos em seguida.

- Como sabem que ele limpou as almas deles?

- Porque, quando encontramos os cadáveres, nenhum deles tinha mais a marca negra no braço. – retrucou Yurio, fazendo com que Viktor arregalasse os olhos, pego pelo choque da revelação – Você se lembra, correto? Há anos, quando o Potter derrotou Voldemort, as marcas negras não sumiram, mas sim, viraram cicatrizes. Mas, depois que ele começou a retornar, elas voltaram aos corpos de origem. E, agora, simplesmente, com a alma do Voldemort ainda aqui, entre nós, os Comensais, do nada, estão sem a marca de comunicação das trevas? – revirou os olhos, puxando o ar, pelo fôlego usado – Além disso, estávamos lá ontem com todos... nós vimos quando aconteceu o que o Yuuri fez.

Viktor apertou os lábios, exalando profundamente. Semicerrou os olhos e apertou o maxilar, austero.

- Ele, ainda sim, pensou em tudo e todos... – exasperou-se, rindo fraco, com uma pontada de angústia e carinho – Mesmo nos seus últimos segundos, ele quis salvar as almas de bruxos das trevas, dos maus...

Negando com a cabeça, ergueu o rosto e fitou, taciturno, o avô e o primo.

- Para onde iremos? – mudou de assunto – Já que aqui não temos mais opção...

- Eu conversei com os outros sobre isso. – Nicolai explanou – Draco ofereceu-nos sua casa, para ficarmos lá até tudo ser consertado aqui. E, com a situação atual do Yuuri... Bem, ele será realocado para lá, e a Hiroko e a jovem Mari também irão conosco.

Certo alívio veio ao peito do rapaz ao pensar que não seria afastado do amado. Mas um pensamento nada agradável veio à sua mente:

- E-e nossos animais? – ao perguntar, já esperava pelo pior, sentindo a boca amargar – O que aconteceu com eles? Makkachin? Valúte e...

- Eles estão bem. – alegou Nikolai, rapidamente.

- Antes do Yuuri ir atrás da Likho, ele mandou Ginji levar nossos animais para a mansão dos Malfoy. – respondeu Yurio – Eles estão lá, e seguros. E os elfos e demovois foram para Hogwarts, até tudo se resolver.

Viktor apertou os lábios, exalando profundamente. Voltou a semicerrar os olhos e apertar o maxilar, assentindo, e tendo o medo a se esvair do coração.

- Agradeço por me explicarem. – respondeu e, ao reabrir as pálpebras, sabia ter o peito repleto de dor, expostas nos sulcos fundos da testa – Mas agora, peço licença. Preciso de um tempo sozinho.

Sem esperar resposta alguma, Viktor lhes deu as costas e caminhou lento em direção à entrada da sala central, sentindo que a perna se recuperava. Agradeceu internamente por nenhum dos dois o ter impedido ou seguido.

Abriu passagem pelo pano, que fazia as vezes de porta, e atravessou a abertura. As conversas baixas reverberavam pelo cômodo. Todos pareciam ocupados demais para lhe notar, agora que sabiam que houvera acordado e que, de certo modo, parecia estar bem. Agradecendo internamente pelas atividades que lhes exigia concentração, Viktor transpôs a sala, devagar, varrendo com o olhar a tudo que podia: Yakov conversando com Luna e Neville; Gina Potter abraçada ao marido, ambos se confortando; Ronald Weasley sentado, sobre uma das tábuas ao chão, ao lado do irmão Jorge Weasley, que parecia trazer uma expressão mais solta e leve que os demais, ainda que com certo pesar. Mas Christophe não se encontrava mais ali.

Enquanto refletia a ausência do amigo, virou o rosto para o outro lado da sala e se deu conta da fileira extensa de corpos dispostos ao chão, a qual vira há pouco. Todavia, naquele momento medimagos começaram a os passar para macas, a fim de os retirar dali. Por isso, pode ter o triste vislumbre de quem eram alguns deles.

“Até agora encontramos cinquenta e quatro feridos e cinquenta cadáveres, sendo a maior parte deles provocado pela Likho”, lembrou-se das palavras de seu avô.

Aqueles eram os corpos dos falecidos, constatou.

A passos mansos, e o coração soturno, seus pés iniciaram uma andança lenta e muda até os cadáveres. Os olhos lôbregos vagando sobre eles, observando alguns com membros arrancados, com sangue nas roupas, feridas abertas e profundas sobre o torso ou cabeça, e, outros poucos, com nenhum dano visível no corpo, mas somente a palidez da morte a os acobertar. Então, com aperto na garganta e horrorizado, percebeu que a maioria das vítimas trazia os pescoços esmagados, com buracos escuros feitos por garras e, abatido, reconheceu Têmis Sullivan, a grande e poderosa chefe auror, com a pele do rosto sugada em sua vitalidade.

Isso... foi a Likho?, questionou-se, sentindo um calafrio medonho descer pelo corpo, apertando os dedos no manto sobre os ombros. As vítimas desaparecidas... Será que elas também foram mortas dessa... Se Yuuri não tivesse se salvado... Ele teria..., fechou os olhos com força, tentando desviar o foco dos pensamentos. Nem quis terminar a linha de raciocínio. Recolheu os ombros ao segurar com as mãos as barras do manto e virou o corpo, erguendo a vista para frente.

Foi, então, a uns metros de sua distância, que seus olhos recaíram sobre uma fisionomia feminina, que reconheceu no mesmo instante ser a Minako Okukawa, que, com a expressão séria, manuseava um pano limpo sobre um corpo, inchado pela hemorragia, depositado junto aos outros mortos e, igualmente, com manchas escurecidas pelo corpo... um corpo moreno que lhe pareceu muito familiar, ainda que pálido.

Juntando sutilmente as sobrancelhas, Viktor apertou um pouco mais os olhos, tentando identificar o corpo e o rosto do sujeito morto. Foi, então, que em um arregalar de olhos e embrulho de estômago, sentiu o enjoo subir-lhe no momento em que identificou o cadáver: cabelos longos e castanhos, pele morena, corpo bem alto e porte estrutural, rosto quadrado e firme, barba... Era Simon Valentino!

A garganta ressecou subitamente e um sofrimento profundo veio-lhe ao peito. Valentino... Não, não podia ser... Yuuri era tão amigo dele, ele não poderia... Céus, não pode ser! Não pode ser ele...

Engolindo em seco, Viktor endireitou os ombros, e obrigou suas pernas a se moverem. A cada passo, via melhor os atos singelos e cuidadosos da mulher que o limpava. Ela estava com a cabeça baixa e os olhos muitos focados na tarefa para perceber a aproximação do rapaz, o que deu tempo a ele de perscrutar, em silencioso horror inexpressivo, que o braço e a perna direita do bruxo haviam sido decepados, e um buraco grande e escurecido, como carne podre, afundava seu peito, logo acima do coração. Pôde ver, ainda, uma bacia ao lado da bruxa, que retirava em conjurações mudas o sangue acumulado e seco proveniente do abdômen, das cochas e dos cotovelos...

Puxando profundamente o ar e contendo o incômodo que a imagem lhe provocava, pronunciou-se, ao parar diante dela:

- Sra. Okukawa.

Em vagarosa reação, ela subiu o rosto e revelou uma expressão inexorável, mas revelando que seus castanhos olhos indicavam a dor contida. Suas roupas estavam sujas e levemente queimadas, transparecendo que também lutara.

- Olá, Nikiforov. – cumprimentou, soturna.

Com a mão que segurava a varinha, a mulher fez um gesto mudo que indicava que ele poderia permanecer ali com ela. Então, devagar, Viktor foi se agachando, até ficar com a ponta dos pés arqueados ao chão e os cotovelos descansados sobre os joelhos totalmente dobrados, enquanto Okukawa retornava à tarefa, sem pronunciar mais nada. Ele observou de cima a baixo o torso do bruxo, exposto até a cintura, e a evidência da depressão que indicava a ausência da perna direita.

- ...O que aconteceu com ele? – murmurou, sem a olhar.

Minako o mirou de esguelha, a face inalterada, e voltou a fitar o corpo antes de lhe responder, com voz cansada:

- Um dos comensais lançou um feitiço das trevas nele. – disse ela, em um suspirar – Encontramos seu corpo na sala oeste, junto a alguns aurores... – a angústia marcou sutilmente a voz dela, e Viktor a fitou por perceber tal tom – Pelo estado e condição, compreendemos que os aurores que o protegiam foram todos mortos e, depois, ele. A causa da morte do Simon foi, tudo indica, um artériuns...

Um amargor veio à boca do rapaz ao ouvir aquela denominação. Em seus recentes estudos, no sétimo ano em Hogwarts, na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, Yakov Feltsman lhes dera uma conceituação sobre alguns feitiços das trevas e, um deles, havia sido esse. Artériuns era uma conjuração capaz de materializar uma única lâmina obscura e dissipar artérias e cortar membros do corpo do alvo, em uma morte dolorosa e lenta. Por isso, ambos não precisaram dizer em voz que sabiam que Simon Valentino tivera uma perda de sentidos agoniante e tortuosa antes de morrer.

Um olhar triste e taciturno veio a seus olhos ao fitar a expressão sem vida do bruxo.

Como Yuuri lidaria com isso?..., indagou consigo, arrasado.

Em resposta, um sentimento de compreensão e ternura não natural veio-lhe à alma, unido a uma sensação de conforto, que mais parecia um abraço. O rapaz identificou, na mesma hora, ser do Yuuri, como se ele já soubesse o que havia acontecido ao bondoso bruxo.

Estranho... Bom e estranho... Viktor não sabia como, mas, de alguma forma, parece que o Katsuki estava conseguindo se comunicar com ele...

Como guardião da horlux, Valentino provavelmente conseguiu conversar com Yuuri em seus últimos instantes..., cogitou, em pensamentos. Mas isso não recai a mim... Como Yuuri poderia estar conversando comigo? Nem o meu avô pôde me dar uma resposta...

De repente, a imagem de uma pessoa cintilou em sua mente e tal pensamento, nada agradável, atordoou-o, fazendo-o temeroso por alguns segundos.

- ...E a filha dele? – soltou a pergunta, aflito – A Líria.

Minako apertou os lábios, franzindo a testa em sulcos fundos ao fechar os olhos, pesarosa. Era realmente incomum ver aquela bruxa, tão naturalmente alegre e vivaz, tomada por uma aflição que não iria passar tão cedo. Na verdade, parece que ela, também, já sofria com tais pensamentos sobre a menina, filha daquele que era seu amigo.

- Está com a Yuuko, nossa irmã. – disse, sisuda, movendo com mais lentidão o pano nos ombros do morto – Líria está com ela, no Japão, que é onde Yuuko mora. Conversamos a respeito e decidimos que, depois que resolvêssemos as coisas aqui, decidiríamos sobre a guarda da menina...

- Eles não tinham familiares?

- Não. – negou – Bem, só de familiares distantes, mas... Digamos que foram cortados os vínculos por conta das crenças ridículas de sangue nobre por parte desses conhecidos.

Viktor compreendeu o que ela quis dizer. Essa ideia de igualdade entre as linhagens sanguíneas – sejam de bruxos de famílias nobres, ou de trouxas, ou de mestiços – estava ainda muito recente. Iniciou somente quando o ministro anterior, Kingsley, tomou o poder, e estava sendo continuada por Hermione Weasley. Com certeza, havia acontecido alguma rixa na família Valentino sobre esses novos conceitos – ele não duvidava de que viesse desde os avós do Simon e Ellen Valentino’s –, promovendo a desconexão.

- Onde vão enterrá-lo, então?

- Não. – negou ela, ganhando uma atenção confusa do rapaz – Mas nós iremos cremar o corpo dele, como era o seu desejo... Estou limpando justamente para fazermos, daqui a pouco, o funeral à beira da Costa Jurássica. Ellen está ocupada... – lançou um olhar de canto para a sala, e quando Viktor o seguiu, encontrou a enfermeira Ellen Rose tratando de um auror ferido, que estava sem uma perna – Então, decidi fazer por mim mesma o trabalho de cuidar dele.

Ele apenas soltou um grunhido de concordância, anuindo ao fitar o vazio, o foco em pensamentos.

- O que vai acontecer com os outros corpos?

Minako voltou os olhos por sobre o ombro do rapaz, como se analisasse a fileira de cadáveres dos aurores atrás dele.

- Vão ser entregues às famílias ou terão o destino decidido pelo Ministério.

Viktor franziu a testa, apertando os lábios. Tantas vidas, tantos aurores..., lamentou. Mortos diante do objetivo de nos proteger dos Comensais. E, agora, seriam entregues às famílias que, esperançosamente, esperavam por notícias deles...

Por um instante, a dor que oprimia seu peito pareceu estar sendo compartilhada, a uma pulsação, com Yuuri.

- Mas e você? – a mulher questionou de repente, fazendo-o acordar de seus devaneios, e a encarar, arqueando uma sobrancelha interrogativa – Como você está, Nikiforov?

Um torcido sorriso fraquejou um canto de seus lábios.

- Não melhor do que antes, tenho certeza. – respondeu, com certo humor grave.

- Tá. Entendi. É uma pergunta sem sentido, eu sei. – concordou ela, anuindo – Sei lá. Às vezes, as pessoas gostam de sentir que estão sendo ouvidas. Pensei que fosse uma delas e quisesse desabafar.

- Não, obrigado. – disse, educado – E você?

- Também não. Esqueça. – ela deu de ombros, a expressão sisuda - Agradeço.

- Nikiforov! – ambos foram interrompidos de sua conversa pelo chamado e, quando o rapaz olhou por sobre o ombro, encontrou a fisionomia de Thiago Sirius Potter parado, em pé, a seu lado, encarando-o de cima – Posso dar uma palavrinha com você?

Viktor olhou-o com o semblante desinteressado, ao tempo em que notava o quão acabada sua roupa estava e, curiosamente, perceber o saco de pano que trazia em uma das mãos. Mas ao ver a cara de impaciente do grifinório, suspirou, exasperado, e, sem dizer nada, impulsionou-se para se erguer, acompanhou-o para longe de Okukawa, a quem dirigiu uma murmurada despedida.

Quando estavam afastados o suficiente para não serem importunados por alguém, Viktor virou-se para ele:

- O que é? – perguntou, aborrecido.

Ainda que Viktor tivesse consciência que Yuuri o tenha perdoado, quando o Potter veio pedir desculpas a ambos e tudo o mais, o sonserino não estava com paciência para ficar conversando com um dos caras que mais lhe aborrecia na escola – depois de Jean Jacques e de Cirilo, é claro.

- Puxa, que delicadeza a sua... – respondeu o Potter, com certa ironia marota.

Viktor manteve a expressão impassível e franzida e os braços cruzados, o que fez o grifinório revirar os olhos, suspirando.

- Tá bom, tá bom! Não o chamei para conversinha... Eu só queria entregar isto. – estendeu o saco de pano que carregava, o que provocou um alternar do olhar do Nikiforov entre o objeto e seu rosto, inquiridor – Anda, pega! – balançou o saco, de leve – Não tem fogos espontâneos*, relaxa.

Entortando uma sobrancelha para a terrível tentativa desnecessária de comédia do outro, Viktor desdobrou os braços e capturou o objeto maleável. Contudo, quando abriu a boca do pano e baixou o tecido, encontrou, no interior, e para a sua confusão, um colar com uma gloriosa pedra oval de ônix encrustada em um pingente de madeira, em um cordão de fibras de árvore.

- Isso estava com o Katsuki quando estávamos voando. – o grifinório esclareceu, ao ver a incompreensão na face alva do outro – Eu havia acabado de o pegar no telhado da mansão, durante a luta, quando o vi com isso. Mas ele deixou cair depois que soube que precisava ir até você e... – ergueu os ombros, olhando para o lado – Bem, ele me falou que era um amuleto. Imagino que isso deva ser importante para vocês, não? – olhou novamente para o sonserino, que puxava o objeto de madeira do saco e fitava atentamente o adereço – Queria te entregar pessoalmente, já que poderia ter algum valor emocional para você.

Nikiforov sentiu uma aura de magia protetora pulsar daquele colar, sabendo que provinha, principalmente, da pedra negra no meio do pingente. Era uma sensação de conforto e amor, ainda que não a sentisse exalar e transpassar por seu corpo. Parecia estar realmente concentrada na ônix. Ainda que não entendesse o que significava, volveu um olhar agradecido para o jovem Potter, que o fitava com uma seriedade incomum, e assentiu, meio desconfortável:

- Obrigado.

Um sorriso curto cintilou no rosto do rapaz, em resposta, antes de ele anuir e dar-lhe as costas, rumando para a saída do recinto.

Os olhos cerúleos do sonserino retornaram ao objeto em sua palma. Guardou o saco de pano na calça e segurou o colar com ambas as mãos, traçando os dedos pelo material bem trabalhado da madeira e sobre a negra pedra polida. Sentiu que sensações de carinho e afeto exalavam de seu coração enquanto fazia esse gesto e entendeu que, com certeza, tratava-se de um artefato mágico. Yuuri conhecia aquele objeto, mas... Ele nunca o havia visto com ele antes... O que será que aquilo significava?

Você poderia me dizer, Yuuri?, perguntou internamente. Poderia me dar uma pista?

 

***

 

A tarde já se preparava para a aproximação de seu fim quando todos os cadáveres foram retirados da sala central e levados por carruagens voadoras contratadas pela ministra, especificamente, para aquele tipo de situação. Com os corpos transportados, os aurores, intactos ou feridos, também se foram. Os únicos que permaneceram na propriedade foram os membros da Guarda da Luz, que, ao ajudarem a Okukawa a arrumar o corpo de Valentino dentro de uma roupa simples, depositaram-no sobre uma maca, com inúmeros lírios de diversas cores a cobri-lo. Após ser levado para dentro de uma carroça simples – carruagem disfarçada em um transporte trouxa – , puderam dar início ao funeral.

Não houve regalias. Nem roupas negras e específicas para a ocasião. Também nada de glamour ostentou a cerimônia, que marcava a vida perdida de um bruxo tão amado e igualmente tão bondoso. O dia os favorecia com a ausência de uma tempestade de inverno, então, o seguimento ocorreu sem interrupções. Era simplório e tomado de um pesar e saudade emudecidos, com as lembranças carinhosas do amigo a lhes rodear a mente, enquanto alguns puxavam a carroça, com magia, através da estrada, e outros, à frente, retiravam a neve acumulada no caminho.

Hiroko e Minako acompanhavam o cortejo de dentro do transporte, ao lado do corpo, enquanto os demais guardiões caminhavam ao lado da locomoção, estando quatro de cada lado, simbolizando a união que promovia a proteção da horlux, bem como a grande dor que a perda igualmente lhes causava.

Sob um céu cinzento e invernoso, seguiram por uma trilha simples, bem conhecida pelos moradores oficiais da mansão Plisetsky. Nikolai, à frente de todos, guiava-os.

Após alguns minutos de caminhada, com o fim de dia nublado e a escuridão promovida pela chegada da noite, rumaram à beirada de uma elevação que dava vista direto para o oceano. Ao chegarem perto da inclinação de terra, alguns conjuraram feitiços de proteção contra a aparição de trouxas e, ainda, para que o som fosse abafado ou interrompido, caso alguém se aproximasse. Alguns puseram-se a tirar as tábuas da carroça e torna-la uma pira alta, sobre a qual depositaram, com magia cautelosa, a maca de madeira bem ao centro. Trazidos por encantamento, mais lírios foram postos ao redor do corpo de Valentino.

As lágrimas estavam nos rostos de todos. Uniram-se na parte lateral da pira, com Nikolai à frente. Seus netos, Hiroko e McGonagall posicionaram-se perto o suficiente do velho Plisetsky como se cuidassem dele, que, suspirando, apoiava-se na bengala, bem diante do corpo.

- Como o grande amigo e bruxo que ele foi, até os seus últimos segundos de vida, decidimos conceder seu desejo. Queimaremos seu corpo e suas cinzas serão levadas pelo vento, tornando-se parte da natureza. “Nós viemos do mundo e, ao fim, retornaremos a ele”, como ele bem dizia.

Ergueu a varinha, para o céu infinito, e, em seguida, todas as demais varinhas seguiam o mesmo gesto.

- Até os seus últimos instantes... – apertou a boca e, ao fechar os olhos, uma lágrima escorreu pelo seu rosto – ele foi leal à Guarda da Luz. Sacrificou sua vida e colocou sua magia sempre a favor do bem, contra o mal. Foi um honrado guardião da horlux. Foi, também, um pai amoroso e um marido apaixonado... E... Foi um grande amigo... Faremos com que sua missão e a sua vida sejam lembradas para sempre. Valentino, que seu exemplo fique marcado na eternidade.

As pontas de todas as varinhas cintilaram luzes brancas. Nikolai e Hiroko se entreolharam. Ela assentiu, muda, e baixando gradativamente a varinha, apontou para a construção de madeira, com a expressão dura e triste, pronunciando, soturna:

- Descanse em paz, meu amigo... E obrigada...

Em labaredas finas, espirais de fogo saíram de sua varinha, pairando em direção à pira, até chegarem às frestas das madeiras e tocarem a palha que estava no interior. As chamas criaram vida e começaram a queimar, profusamente, a base da construção, subindo sem demora. A inflamação cobriu o corpo jazido em meio aos lírios, envolvendo-o e consumindo-o completamente. Em poucos segundos, o fogo chegou ao alto e o calor irradiou o início da noite, também tomada pelo aroma dos lírios.

Quando tudo se queimou e as cinzas se juntaram ao fundo da pira, Hiroko, com a magia da levitação, elevou-as ao ar e, sob os olhos de todos, planou-as em direção ao mar. Dispersadas pelo vento forte que todos já sentiam, as cinzas foram levadas para longe e sumiram no horizonte, em dançantes e perfumados movimentos, tragadas pela noite e registradas pelas estrelas, que também pareciam chorar.

Com a cerimônia finalizada, os membros foram se dispersando, alguns se abraçando e outros se despedindo. Os demais retornaram à mansão, para tomarem as carruagens voadoras que lhe esperavam. Os professores acompanharam a diretora e a enfermeira de volta à escola; a ministra e os Potter se foram, junto à sua família; Hiroko, Minako e Mari permaneceram, em companhia de Yurio, Draco e Nikolai.

- Me deem só cinco minutos. – Viktor falou ao avô e ao primo, enfiando as mãos nos bolsos da casaca. Estava com uma outra pretensão em mente.

Antes que qualquer um deles pudesse dizer alguma coisa, o rapaz aparatou. Quando desaparatou, sua vista mirava a beira de uma elevação de terra que dava, logo abaixo, para uma praia coberta de neve. Encontrava-se a quilômetros de distância de onde estava anteriormente, todavia, ainda na Costa Jurássica. Precisava da solidão.

Com um simples cachecol verde, que conseguira emprestado, enroscado ao pescoço, e uma casaca longa e negra até os joelhos, a lhe cobrir camisa e calça, sentiu o peito estufar quando um suspiro subiu fundo. Quedou os cílios e deixou a sensação do vento bater em seu rosto, agraciando-lhe a alma. O som das ondas do oceano acalmava seus sentidos – isso era algo que sentia desde sempre.

Como estava com saudade daqui...

Lançando uma mirada precavida para trás e constatando que não havia uma única alma viva por ali, rumou para a esquerda, para um lance de escadas de madeira que descia em uma curva até a praia. Nela, justamente, encontrava-se um lindo arco formado por uma camada de calcário vertical, que avançava ao mar: a Durdle Door.

Durdle Door era uma das atrações do condado Dorset, e se tratava de uma privilegiada paisagem feita pela natureza. Sendo um dos grandes destaques na Costa Jurássica e bastante conhecida tanto por bruxos quanto por trouxas, localizava-se bem no Canal da Mancha. Ainda que o lugar, especificamente, fosse propriedade de uma família do condado, visitas de turistas eram totalmente permitidas e, por isso, seu avô sempre lhes levou para lá. Caminhavam a enorme distância até o lugar e passavam a tarde ali, aproveitando o calor do verão e a vista que a paisagem lhes propiciava.

Em passadas lentas pelos degraus, Viktor finalmente chegou ao pé da escadaria, com o grande arco a poucos metros, e as sutis ondas que batiam à beirada da praia quase tocando seus sapatos. Baixando a vista para enxergar a úmida areia e os pequenos estalos das pedrinhas mescladas à neve, estreitou os olhos azuis para olhar adiante e pôde ver o horizonte cinzento e nublado pintando a paisagem. Os ventos frios cortavam, em sons relaxantes, as ondas e criavam movimentos turbulentos no mar, o que impedia a calmaria acontecer durante o inverno.

Teve a impressão, ainda que leve, que conseguia perceber conversas confusas que proviam do fundo das águas. Estranho...

Como tinha lembranças boas daquele lugar: brincadeiras bobas com seu primo, aventuras imaginárias e divertidas com o Chris, e, também, da sua solidão enquanto se sentava na areia, simplesmente, para fitar o grande oceano diante de si... Não fazia ideia do porquê, mas sempre, sempre, quando mirava aquelas águas, sua mente se deixava levar pelos movimentos e pelo som das ondas, que cortavam a calmaria, e pelo cheiro salgado da água... Parecia que sua alma – que sua vida! – torna-se mais humana. E, em todos esses anos, temendo Voldemort e sentindo o medo de ser possuído completamente pelas trevas, fizera daquele lugar um refúgio, onde seu espírito, tão perturbado pelos receios, parecia encontrar paz. Ainda que o Lago Negro – no qual estava mergulhada sua casa comunal, em Hogwarts – pudesse lhe acalmar, não poderia se comparar ao bem-estar inexplicável que aquela praia lhe trazia.

E, além dali, foi somente Yuuri que conseguiu lhe trazer essa mesma sensação, como se em todo ele houvesse uma praia de ondas encantadas. Seu abraço o fazia se sentir vivo... Houvera desejado levar o Katsuki até ali e lhe mostrar o lugar. Imaginava, em segredo, o que poderia lhe proporcionar a união dessas duas magias: a do lugar e a de quem amava. Mas a oportunidade não chegou e, novamente, ele estava ali, sozinho.

 

“A lembrança bela e agradável de um dos seus momentos com seu amado Yuuri fluíram à sua mente:

- Que lugar é esse?

- Qual? – Viktor, que tocava ao piano, na sala oeste, virou a vista por sobre o ombro e viu o Katsuki caminhar em sua direção, com um porta-foto em mãos.

- Aqui. – apontou para a fotografia, onde a imagem de dois garotos, Yurio, em seus pleno seis anos, e Viktor, em seus oito anos, corriam em círculos na elevação de terra, que dava vista para o arco de pedra que descia e avançava ao mar.

- Ah! É o Durdle Door. – falou Nikiforov, pegando a fotografia em mãos e voltando um sorriso angelical ao namorado, afastando-se para o lado a fim de dar espaço no banco a ele – É uma atração do nosso condado que os moradores e turistas admiram muito. Vovô sempre nos levou para lá, desde pequenos. Aliás, foi ele quem tirou essa foto da gente.

- Que lugar lindo... – Yuuri sentou no espaço proposto, a cabeça curvada para a fotografia, quase deitada ao ombro do sonserino – Nem imaginei que existisse um lugar assim aqui.

Viktor, de esguelha, admirou a face de seu amado, ao seu lado, com seus belos olhos achocolatados e brilhantes, totalmente livres de toda as sombras que havia em todas as outras pessoas. Sentia que a cada vez que o observava, mais o amava, mais apreciava sua alma.

- Eu te levo para ver! Quando tudo isso acabar, vamos nós dois até lá!

- Promete? – Katsuki brincou, carinhoso, inclinando-se para perto e roubando-lhe um singelo beijo – Seria maravilhoso estar ali com você.

- É uma promessa.”

 

Viktor apertou seus lábios em uma linha reta ao sentir o amargor de tal lembrança e baixou a vista ao chão. Yuuri agora estava em coma, enclausurando a alma de Voldemort em si mesmo e, no momento, deixando todos a se questionarem o que seria dali em diante, o que poderia ser feito.

Tantas e tantas promessas eles se fizeram. Tantos sonhos trocaram, tantos medos expressaram e tantos momentos lindos compartilharam, para... Não! Não poderia ter sido tudo em vão! Poderia?, sua mente teimou. Não pode ser esse o seu fim, Yuuri! Certo? Ficar preso pelo resto de sua vida até que parta desse mundo e leve Voldemort consigo... Não pode ser! Não posso aceitar isso!

Com as mãos enluvadas se contraindo nos bolsos da casaca, a palma direita sentiu o contato com algo sólido, entre seus dedos. Recordou-se do que era, retirou a mão do fundo do tecido e trouxe para o frio da noite o amuleto de madeira que houvera recebido. Tocando com cautela a madeira, mirou atentamente a pedra do amuleto, e a mesma sensação de proteção pareceu pulsar da ônix.

Tem que ter uma esperança..., sua alma suplicou.

“Viktor...” - o sussurro veio do vento, em meio às ondas.

Apertando os olhos, o rapaz pressionou o colar entre os dedos e ergueu a cabeça, fitando irresoluto o horizonte escuro.

- Yuuri... – sussurrou de volta – Eu não sei se você pode me ouvir, e eu nem sei se é você quem me chama... Ou se essas vozes são de almas, de animais, ou de qualquer outra coisa, mas... Saiba que eu vou encontrar uma maneira de acabar com Voldemort e trazer você de volta. – seus olhos arderam, e franziu a testa, concentrando-se no que sentia – Não sei como, e nem quando, mas eu juro, com toda a certeza do mundo, que eu trarei você de volta, não importa o que tenha acontecido.

Um vento particularmente mais forte e agradavelmente mais frio, vindo do mar, bateu em sua face, como se o quisesse tocar em resposta, e, cerrando as pálpebras, sentiu o conforto que isso lhe trouxe, com uma esperança lhe inundando.

- É uma promessa...

E as mesmas estrelas que há pouco choravam, agora, pareciam lhe sorrir.


Notas Finais


Eu chorei mais de quatro vezes: duas escrevendo ela, e mais outras duas formatando para publicar aqui... Me senti mal por ter escrito algo tão perverso assim, mas era necessário. Não me matem, e espero que continuem gostando da fanfic, kk!

Bom, bora para as curiosidades:
1. Voldemort e as marcas negras: então, há muito e MUITO tempo (meses, quase um ano) eu descobri, em meio as minhas pesquisas para escrever a fanfic QACF, que a J.K Rowling (agora, oficialmente, Hermione Jean Granger) falou que, após a morte de Voldemort nas coleções/saga, as Marcas Negras perderam seu poder e se tornaram cicatrizes nos braços dos Comensais da Morte e dos bruxos que a carregavam, exatamente como escrevi aqui do Yurio explicando. Portanto, isso não é invenção minha. Mas, acabei por pegar isso e acrescentar mais essa loucura, de que Yuuri Katsuki as purificou com sua magia e tudo mais. Entenderam? (se ficou muito confuso, me digam nos comentários para explicar melhor ou editar as "Notas Finais" desse capítulo, kk)

2. Arteriuns: foi uma magia das trevas que descobri enquanto estudava sobre feitiços do mundo de Harry Potter. Eu encontrei esse feitiço no post de uma conta chamada "Kalil", do app "Amino" (vou deixar o link aqui: https://aminoapps.com/c/potter-amino-em-portugues/page/blog/feiticos-das-artes-das-trevas/0vmx_65TkuJ8Lqnw4JDqLgr0r6JKDbEr5o ) Não sei se esse feitiço é original dela ou se é uma informação extra dos livros de Harry Potter (não consegui descobrir), mas, em qualquer dos casos, dou créditos ao autor que inventou esse feitiços e suas propriedades. Muito bom mesmo!!!

3. Fogos espontâneos: é um mecanismo criado pelos gêmeos Fred e Jorge Weasley para a loja "Gemialidades Weasley". Esse aparato tem o efeito de caos e o preço deles depende do pacote que você comprar. Coloquei aqui com a intenção de também fazer uma referência das invenções desses dois gêmeos loucos mesmo.

4. Durdle Door: esse lugar de fato existe, e as informações que coloquei no capítulo sobre o lugar foram através de muita pesquisa. Se você for na internet, vai encontrar fotos de lá. Muito lindo! (Caso uma informação sequer do lugar estiver confusa ou errada, eu aceito críticas - concretas -, rsrs.)

Explicação longa, né? rsrs! Ótima? Trasgo? Alguma dúvida? Aceito comentários - se desejar colocar - que deixará o coração da escritora aqui cheia de alegria e com muitos sorrisos! Vou responder a todos, e podem ser críticas concretas também, kk. Espero que tenham gostado, que estejam bem, e que estejam se cuidando. Caso tenham ficado bem na bad com esse final, vão ver algo divertido ou engraçado para descontraírem. Busquem ficar bem!
Beijos de luz, e até o próximo capítulo!! 😘💫😘💫😘💫


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