História Rainha Clara - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Princesa
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Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Capítulo 3 - Estamos perdidos!


Fanfic / Fanfiction Rainha Clara - Capítulo 4 - Capítulo 3 - Estamos perdidos!

O dia estava propício naquela manhã. As muitas vegetações que passavam pelos vidros do carro durante o trajeto eram exuberantes. O caminho era curto, mas pude notar que assim como eu, Fred também estava animadíssimo com o passeio.

Não trocamos palavra alguma, o que me deixou ainda mais ansiosa. Meus pensamentos sobre o beijo de Fábio, a imagem de Bruno, e os amigos de Laura voltavam a minha mente, mas desapareciam do mesmo modo, dando espaço para os palpites de onde estávamos indo.

Atravessamos a cidade inteira, passando pelos campos, centro da cidade e diversos pontos turísticos. O carro parou perto da floresta, onde havia uma densa quantidade de vegetação, que se estendia quilômetros a frente, por entre as colinas e montes de Cloment.

Cloment é uma pequena cidade/país localizada ao sul da América do sul, e por ser muito pequena, mal pode ser notada no mapa. A floresta cerca todos os arredores de Cloment, a separando do resto do mundo. Segundo lendas, alguns até diziam que Cloment era um mundo encantado por ser o único lugar que ainda era governado por reis e rainhas, mas não passava de mitos.

Lembro-me de papai contar histórias sobre o que havia do outro lado da floresta, onde segundo ele, eu jamais poderia sequer pensar em pisar. Civilizações, Guerras e exércitos, um dia do outro lado era certamente fatal para qualquer morador de Cloment.

Fred estacionou o carro embaixo de uma grande árvore que dava início a entrada das trilhas. A floresta era conhecida por suas trilhas sombrias e ótimos esconderijos para os que não concordam com nossa forma de administrar o reino.

Os anti-monarquistas era pequenos grupos que não concordavam com nossa administração, volta e meia, víamos protestos dos mesmos em plena praça principal com placas e, algumas raras vezes, com tochas e marretas.

Papai sempre me dizia que esses grupos vinham das fronteiras de Cloment, eram rebeldes fugindo de seus países de origem para atacar qualquer cidadão de sua cidade sem pudor. Por isso jamais deveríamos ir até a floresta, o centro de todos esses grupos encontrava-se lá!

Volta e meia algumas das rotas reais encontravam exércitos escondidos com planos e mais planos para uma revolta contra o governo, este era o principal motivo de papai proibir-me de ir até lá. Se ele descobrisse, Fred seria demitido na hora!

Assim que saltou do carro, o mesmo abriu a porta e estendeu a mão ajudando-me a sair. Eu estava encantada com local, nunca havia ido até lá, mas já vira algumas fotos em meu laptop, que não eram em nada comparados com a imensidão verde em minha frente. Pelo meu conhecimento Fred e Camila devem ter inventado algo muito mirabolante para enganar papai e levar-me até lá, pois ele nunca deixaria de livre e espontânea vontade.

Estava perdida em meus pensamentos quando Fred tirou uma imensa mochila de viagem e uma grande caixa do porta-malas, despertando-me no mesmo instante. Cada segundo aumentava ainda mais minha curiosidade.

- Já pode me dizer o que vamos fazer? - indaguei o analisando e ele apenas sorriu.

- Primeiro vamos ao encontro de Camila e lá ela responderá todas as suas perguntas! - Assenti ainda curiosa e ajudei-o a levar a caixa.

A floresta era uma imensidão verde, as trilhas apertadas e compridas faziam-nos perder a noção do tempo, andamos por metros e metros de vegetação. Depois de muitos passos, meus pés já alertando quanto havia andado, paramos. Jurei já ter passado por diversos pontos iguais aquele, mas era apenas impressão. O sol ainda brilhava forte entre a copa das árvores, porém o local era sombrio a cada passo.

Chegando a uma clareira avistei uma grande barraca no centro, a ideia que passara em minha cabeça não fazia o menor sentido e de jeito nenhum daria certo. Fred continuou caminhando em direção à barraca e eu apenas o segui.

Antes mesmo que chegássemos ao local, Camila saltou da mesma com um sorriso estonteante. Ela usava um vestido branco de alcinha e babado, e era coberto de flores de diversos tons, seu cabelo estava amarrado em um coque, estava belíssima!

- Vocês demoraram! Fiquei sozinha aqui um tempão - disse sorrindo assim que saltou da barraca e foi caminhando até Fred.

- Oh linda, desculpe, é que minha princesa aqui acordou depois do horário previsto! - Fred respondeu e eu ri sentindo minhas bochechas corarem com seu comentário.

- Bom pelo menos agora estamos todos aqui. - ela não tirava o lindo sorriso dos lábios.

- Afinal, o que vamos fazer? - falei quebrando o silêncio, com receio de ouvir a resposta. Ela então abriu um sorriso malicioso e disse: - Não é óbvio? Vamos acampar!

Depois de chegar à floresta senti a felicidade transbordando-me, e agora com a notícia de Camila ela só aumentara. Mesmo sabendo que papai ficaria enraivecido só de saber que havíamos chegado perto da floresta, meu coração estava tranquilo de estar ali com meus melhores amigos e sabia que enquanto estivesse ao lado deles, jamais me aconteceria nada.

Camila abriu com cuidado a imensa mochila nas costas de Fred e retirou um objeto amarelo. A princípio achei ser uma caixa, mas depois consegui ver que era um grande pano, uma lona.

Os dois prenderam a lona nas árvores formando um teto, caso chovesse. Estenderam uma toalha xadrez em cima da grama e puseram vários comes em cima. Havia bolos, salgados, frutas, doces, bolachas, etc. Sentamos em volta e apreciamos as delicias a nossa frente. Camila havia feito bolo de limão e suco de maçã, eu estava realizada!

Fred e Camila sentaram um ao lado do outro, e conforme fomos degustando as especiarias percebi algo diferente nos dois. O jeito que Fred olhava para Camila, era com sentimento, parecia que estavam escondendo algo de mim ou que estava nascendo algo tão bonito entre eles. Deixava-me feliz saber que meus "irmãos" poderiam ter algum afeto, por mínimo que fosse.

Mas uma coisa me deixava preocupada, Camila não olhava para ele do mesmo modo, de sua parte era amor, porém amor de amigo. Parecia estar com medo, talvez até estivesse, pois nunca conversei sobre a vida amorosa dela. Como eu era egoísta, fazia-a me ouvir por horas e nem por um segundo parava para ouvi-la.

Enquanto observava os dois e criava mil teorias em minha mente, eles sorriam um para o outro e conversavam sobre os afazeres do castelo. Fred comentou sobre um jogo de vôlei que os guardas organizavam todas as terças e quintas atrás da estufa, segundo ele a parte mais divertida vinha após, com um grande happy hour na cozinha.

Camila também citou que em suas horas vagas, conversava com algumas criadas na ala C. Elas trocavam informações sobre os membros reais e admiravam os guardas entrando em seus quartos após o jogo de vôlei. Fred sorria animado ouvindo Camila falar. Estava claro que Fred estava apaixonado por Camila, mas será que ela estava por ele? Seria meu trabalho descobrir!

Ao decorrer da tarde, nos divertimos na cachoeira que ficava a alguns metros da clareira. Camila e eu fomos primeiro e depois ela revezou com Fred, para cuidar de nossos pertences. Não colocamos roupas de banho, apenas vestimos algumas peças velhas e surradas que Camila havia trazido. Ela havia pensado em tudo.

A água encontrada na cachoeira era azul como os olhos de Camila, era como o céu, quando de encontro a água misturava-se no mais puro azul. Eu costumava dizer que Camila deveria se cuidar mais, usar maquiagem às vezes, ou até mesmo roupas curtas, mas neste dia ela me mostrou uma Camila que eu não conhecia. A Camila que eu ficara encantada de explorar, com uma personalidade admirável e doce.

Mergulhamos juntas na cachoeira. Diferente de mim, Camila sabia nadar como ninguém, já eu mal sabia mergulhar sem morrer afogada. A fauna local era incrível, os pássaros voavam quase sobre nossas cabeças, formando um lindo arco íris de aves. A Flora não perdia em nada, era encantadora.

Camila contou-me sobre quando vinha até a floresta com sua irmã mais nova e subia em todas as árvores a procura de comida. As duas gostavam de brincar de sobrevivência, então fingiam estar perdidas para procurar mantimentos.

- Mas sua mãe deixava vocês virem sozinhas para a floresta? Quero dizer, é perigoso... - digo um pouco receosa e a mesma sorri.

- Quando você não é da realeza, as coisas não funcionam dessa forma. - Ela ri um pouco e volta a falar - Meu pai sempre fora muito rígido com nós. Gostava que aprendêssemos as coisas básicas de sobrevivência caso precisássemos! Muitas vezes, minha mãe nem tinha consciência que ele havia nos deixado aqui. Por isso, após a morte de minha mãe, eu e Fernanda nos mudamos para o castelo para que ele não nos achasse! Kim entendeu nossa história e nos deu o melhor trabalho de nossas vidas, sou extremamente grata a ele.

Sorrio com suas palavras e seguro sua mão. Nem sempre Camila fora minha criada, ela começara a trabalhar com meu pai quando eu tinha 10 anos, e Fernanda era a criada de Vinícius. As duas sempre foram prestativas e amorosas, então meu pai deu a elas os cargos mais importantes do castelo. Criadas de seus dois filhos.

Observamos a natureza a nossa volta por alguns minutos e Camila resolveu voltar para o acampamento para dar lugar a Fred. Quando foi a vez dele, enquanto estava na água observei ele se aproximar e mergulhar. Parecia um pato, nunca havia visto alguém gostar tanto de água quanto ele. O analisei por um tempo e depois de muitos mergulhos ele nadou até mim.

- O que está achando do nosso passeio ao paraíso? - ele indagou parando submerso a minha frente.

- Está tudo perfeito. Pela primeira vez posso ser eu mesma, sem me preocupar com câmeras ou pessoas me observando! É incrível ser alguém normal. - disse radiante e ele abriu um imenso sorriso. - É sim Clarinha, é sim!

Com cuidado ele nadou até meu lado e parou com os braços pousados em uma pedra e o corpo ainda submerso.

- Eu não poderia estar mais realizado! Estou com as duas pessoas que eu mais amo no lugar mais bonito que já visitei, passando a melhor tarde de minha vida! O que eu poderia querer mais? - disse sorrindo com os olhos fechados e por fim me fitou e eu retribui o sorriso.

- A muito tempo eu não me divertia tanto! Obrigado por essa surpresa, eu amei muito! - respondi sorrindo e por um momento uma grande ideia veio em minha mente, então respirei fundo e indaguei - Mas e você e Camila? Está rolando algo? - ele corou intensamente no mesmo instante.

- Er... E... Er... Eu... Na... K... - Soltei uma gargalhada enquanto ele gaguejava nervoso.

- Que fofo Fred! Porque não ficou com ela ainda? - Suas bochechas pareciam dois tomates maduros de tão vermelhas e ele mal olhava em meus olhos. - Relaxa, não precisa responder agora, mas não pense que irei desistir da resposta... - falei tentando amenizar a situação e notei que sua expressão suavizou-se um pouco.

Peguei um pouco de água em minhas mãos e joguei em Fred tentando o distrair de minha pergunta, o que deu certo. Com um sorriso travesso o mesmo puxou-me pela cintura para dentro da água. Eu só conseguia rir e mergulhar junto com ele.

Percebi que ele não falaria nada sobre ela, então resolvi esquecer o assunto por ora e curtir o finalzinho da tarde com Fred naquele nosso pequeno paraíso particular. Curtimos a cachoeira da melhor forma possível, havia esquecido como era bom estar ao lado de Fred sem preocupações.

O sol estava se pondo quando eu e Fred chegamos à clareira novamente. Camila já havia armado outra barraca um pouco menor ao lado da dela. Ela era inteiramente rosa, com mini diamantes pregados na porta, imaginei que fosse minha. O que consequentemente queria dizer que Camila e Fred dormiriam juntos.

Com a última luminosidade do dia montamos uma fogueira para nos aquecermos. Vestimos nossos pijamas e sentamos em volta da mesma apreciando a linda noite que agora chegara. Eu nunca usava calças, apenas vestido, então estranhei usar o pijama lilás de seda que Camila havia trazido. Ela estava com um Baby Doll amarelo com bolinhas brancas e Fred com uma camiseta vermelha surrada e uma bermuda de moletom cinza.

Ao decorrer da noite, cantamos, rimos, contamos histórias, brincamos de mímica e por fim pegando no sono. Pedi para Camila que não cantasse naquele dia, já que a mesma estava cansada, então me retirei para minha barraca. Lá dentro havia um colchão, dois travesseiros e um super cobertor com fios de ouro, meu favorito.

Assim que deitei com a cabeça nos travesseiros, peguei no sono. Em meus sonhos só pensava em Fábio, e em como eu olharia para a cara dele depois daquilo, do beijo. Bruno de vez em quando aparecia também, mas logo sumia, não sabia mais o que fazer, queria tirar Fábio da cabeça, queria resolver o problema com ele, mas tudo que poderia fazer agora era dormir. Estava em um paraíso, não iria estragar minha surpresa por causa dele.

Não me lembro bem quanto eu dormi, mas no meio da noite, senti meu estômago implorar por algo para satisfazê-lo. Então em passos cuidadosos deixei a barraca em busca de algum alimento. Assim que coloquei o nariz para fora, avistei Fred dormindo ao lado da fogueira em um saco de dormir.

Imediatamente me vem um pensamento e lembro-me que os dois não dormiram juntos e minha expressão muda de imediato. Estava shippando eles já, Fremila, Cared, ambos os nomes eram ótimos. Rio internamente de minhas suposições e fecho a barraca com cuidado para não acordar Fred, porém sem êxito, pois o mesmo arregala os olhos ao me ver.

- O que está fazendo aqui fora essa hora? - ele indaga levantando-se em prontidão.

- Estou com fome - respondo caminhando até ele com as mãos sob o estômago.

Espere aqui! - Fred caminhou com cuidado até a caixa de comidas que se encontrava do outro lado da Clareira junto com as lanternas.

Sentei-me em uma das almofadas sob a luz da fogueira enquanto esperava-o voltar. As copas das árvores cobriam quase toda a vista do céu, mas ainda sim podia avistar as estrelas e a lua acima de minha cabeça.

Depois de alguns minutos, avisto Fred voltando com as mãos vazias e uma expressão triste - Fomos roubados! Por ursos! - ele diz assim que chega a minha frente. Meu estômago se contorce ao ouvir suas palavras.

- Teremos que arranjar comida de algum jeito, nem que a gente entre floresta adentro catando plantas e frutas - digo levantando-me com as mãos apertadas contra barriga e sua expressão não muda.

- Mas querida, essa floresta é perigosa, não posso arriscar! - Suas palavras saem quase inaudíveis e ele fita o chão desolado. Então uma ideia insana brota em minha mente.

- Você é um covarde! - Digo e sem pensar duas vezes corro por entre as árvores quase saltitando sobre o vento.

Nunca me sentira daquele jeito. Não sabia como explicar, mas eu sentia que nada poderia me segurar. Que pela primeira vez na vida, eu estava livre! Fred estava logo atrás de mim, tentando alcançar-me a todo custo. Ao longe ouvia seus gritos pedindo-me para parar, mas eu corria cada vez mais.

O tempo parecia não passar, mas eu sabia que já fazia no mínimo meia hora que estava correndo, então parei. Fred chegou segundos depois exausto e encostou-se em uma árvore ofegante.

- Meu deus, você corre em! - ri de suas palavras e respondi um pouco ofegante também.

- Você é que é um molen... - não termino a frase, pois percebo algo terrível. Meus olhos percorrem nossa volta e não vejo o caminho por onde viemos. A conclusão vem como um soco no estômago... Estamos perdidos!



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