História Rainha lupina - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Lobisomens, Sobrenatural, Vampiros
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Palavras 2.841
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Perdendo O Controle


Fanfic / Fanfiction Rainha lupina - Capítulo 3 - Perdendo O Controle

Clary estava sentada à uma mesa de plástico, logo na parte traseira da mansão, tinha uma vista bela do jardim e das nuvens que salpicavam o céu, como o risco de transformação da a lua de sangue era somente durante a noite, ela ficava livre de dia, não que isso fizesse alguma diferença na situação atual, Clary passou a noite inteira sem pregar os olhos, imaginando dezenas de motivações diferentes para aquela estranha exigência que o suposto sequestrador lhe fez, tentou juntar os fatos e desenvolver teorias encima disso, mas nada se encaixava, não era nenhuma novidade que aquele sujeito era motivado por alguma razão bem mais complexa do que se poderia imaginar, ou talvez, fosse só um maluco mesmo, por que essas coisas só acontecem comigo? Praguejou, caindo com o rosto sobre a mesa, dobrando os braços e fazendo uma espécie de travesseiro com eles enquanto os seus longos cabelos negros se esparramavam como cascatas, fechou os olhos por um momento, só então percebendo o quanto estava cansada, uma sensação tão boa preenchia o seu corpo em ondas de relaxamento, as pestanas pareciam pesar uma tonelada, porém, para traze-la de volta a realidade, a lembrança da voz de Julie lhe veio a mente, desesperada, pastosa, em seguida, aquele diabólico falatório, que mais parecia a voz de um demônio, suavizando-se ao fim do diálogo, sentindo uma inquietação sufocante, ela caiu em um cochilo, enquanto sua mente era bombardeada por pensamentos aleatórios e expectativas a respeito daquele indesejado encontro, sendo despertada bruscamente pelo rugido diabólico de sua própria transformação...

_Clary?_ na verdade era apenas a voz de Konor a chama-la, ela abriu os olhos, erguendo-se devagar, parecia pior ainda no momento, sua cabeça doía e os olhos ardiam com a insônia

_oi_ respondeu bruscamente, irracionalmente irritada com a situação, mesmo que o rapaz não tivesse culpa alguma, muito pelo contrário

_ah, b-bem, eu vi você dormindo aqui, achei que ... Ér, ficar no sol pode acabar fazendo pra sua ... Pele_ ele até perdia o rumo das palavras, era sem dúvidas um bobo apaixonado, isso estava tão na cara que chegava a ser engraçado

_certo..._ ela colocou as mãos sobre a mesa e esticou as pernas, empurrando a cadeira em que estava, assim se colocando de pé _obrigada por me acordar, se eu ficasse aqui iria ficar parecendo um pimentão mesmo_ deu um leve sorriso, tentando ser o mais gentil que a sua situação tornava possível

_que nada_ ele apoiou uma das mãos sobre a mesa, desviou o olhar para o outro lado, deixando claro a sua timidez, nesse momento, Clary abriu a boca para se despedir, quando ele iniciou _você... Gosta de ficar sozinha por aqui, né?

_é ... eu gosto sim, é ótimo pra pôr os pensamentos no lugar_ Clary contornou a mesa, caminhando um pouco até passar pelo corpo de Konor, dês de que se lembrava, o garoto sempre esteve ali, ele e o seu irmão mais velho eram amigos de longa data, embora vivessem se engarfiando, não havia nada que um não fizesse pelo outro, e isso, a história deles já provou

_ah, isso é bom, eu também gosto de ficar sozinho as ... As vezes.

_serio? Você sempre está com o meu irmão

_q-quando não estou com ele, estou sozinho_ enchendo a cara no Wolf beer 

_ah, entendo_ ela sorriu, deu alguns passos em direção a entrada de sua casa _então, até mais tarde. 

_sabe, eu tava pensando aqui..._ começou ruim _a gente podia... Qualquer dia desses..._ piorou ainda mais, quer dizer, Smiths não era exatamente feio, embora a sua expressão fechada fosse um pouco assustadora às vezes, ele simplesmente não era o tipo que atraía Clary, assim como nenhum dos machos musculosos e mulherengos de sua alcatéia, que se atiravam como balas de canhão em sua direção, aquilo tudo era de certa forma irritante, mesmo assim, serviu de grande ajuda para que ela aprendesse as formas educadas de se dispensar alguém, visando causar o menor estrago possível no ego do indivíduo, algo que viria a calhar no momento em questão

_olha, Konor..._ viu quando o rosto dele se retesou, com a tensão e expectativa do momento, simplesmente não conseguiu continuar 

_você, sair comigo, o que me diz?_ ele foi direto ao ponto, se atrapalhando um pouco, como já era de costume

_desculpa, mas não vai dar_ viu o desespero tomar conta da expressão dele, uma pena, era um fato que estava tomando coragem para fazer esse pedido a muito tempo, receber um não logo de cara era um balde de água fria

_ah, certo, certo, tudo bem_ abriu um sorriso nervoso, tentando inutilmente disfarçar o tremor de suas mãos, as escondendo atrás do corpo, em uma posição tão estranha que até teria sido engraçada, se não fosse a gravidade da situação _eu... vou indo então, desculpa por incomodar.

_Kon

_não, tá tudo bem, sério_ a última palavra saiu tão trêmula que se afinou um pouco, um silêncio se fez depois disso, a culpa apertou o peito de Clary, imaginou que talvez devesse ter aceitado, e talvez, no encontro, ir aos poucos esclarecendo que não tinha interesse, mas no fundo, sabia que isso só tornaria as coisas ainda mais difíceis, era muita crueldade iluminar alguém com uma falsa esperança _eu vou indo nessa, até ..._ deu um asceno e se afastou dali, deixando Clary sozinha, se sentindo mal por ele, por um curto momento, esqueceu do maior problema ali, Julie

                          ****

Mathew rabiscava em um caderno de capa mole, algumas figuras geométricas que lembravam flores, embora não tivesse a menor habilidade com lápis, assim criando algo torto e feio sempre que tentava, sua cabeça estava em outra coisa, não conseguia parar de pensar no ocorrido de mais cedo, aquele estranho homem lhe fazendo perguntas e o seu sexto sentido querendo lhe avisar alguma coisa, o que era estranho, aquele indivíduo tinha pouco mais de 1,65 de altura, em seu rosto, a ausência total de barba, o tom de voz e o olhar intimidador que usou, lembraram um hamster fofo tentando parecer assustador, mas não, havia algo a mais nisso tudo, aquilo da carne, uma garota que sempre comprava essa mesma coisa desapareceu, e um cara chegou logo em seguida fazendo perguntas sobre ela, e olha só que conhecidência, levou apenas um monte de carne também, sua primeira ideia foi que eles faziam parte de algum culto satânico ou ocultista, não era uma hipótese tão louca, dada a situação. O barulho do sino mais uma vez lhe chamou atenção, ao olhar, viu que Miranda adentrava no local, cabelos negros com as pontas pintadas de vermelhas, roupas escuras e batom vermelho extravagante

_fala aí Mathew_ o comprimentou, se aproximando do balcão, o que o fez pegar o seu celular ao lado, vendo que já eram três horas da tarde, Joy ainda não havia chegado, aquilo era estranho

_e aí Mir_ ele saiu de trás do balcão, dando espaço para que ela entrasse, Miranda era a pessoa que cuidava do mercado no segundo turno, quando nem ele nem Joyce estavam por lá

_cadê a J.J?_

_foi ao banco hoje cedo, deve ter pegado uma fila daquelas_ ele pegou a sua jaqueta no torno, a vestiu em dois movimentos e começou a caminhar em direção a saída, ao olhar para o céu através da vidraça da porta, viu que o mesmo estava coberto de nuvens escuras, a aparência que dava era de cinco da tarde _ih, acho que hoje vai chover.

_serio? Estava fazendo sol agora pouco_ Mir pareceu um pouco surpresa, mas nada digno de lhe chamar atenção, o clima era assim mesmo, principalmente nessa época do ano

_é ..._ Mathew abriu a porta, parando por um momento, a lembrança daquele indivíduo lhe veio a mente, sentiu aquela sensação ruim de novo, como se uma cobra se movesse pelas suas costas, subindo até a altura da nuca, ele olhou por cima dos ombros, vendo que sua parceira de trabalho já estava muito bem acomodada atrás do balcão, pensou por um momento _escuta...

_sim?

_tem uma garota que costuma vir aqui, uma loira_ ele pensou por um momento nas palavras

_Loira? Eu acho que vem um monte né?

_não, essa é diferente, ela tem os olhos muito claros, e sempre compra carne.

_ah, tá falando da Julie? Eu conheço ela_ Miranda confirmou _espera, o que tem ela?

_ela..._ ferrou, o que ele iria dizer? Que tinha um satanista procurando por ela? Que ela fazia parte de alguma coisa ocultista? Raios, ele não fazia ideia do que estava acontecendo, mas se Mir sabia pelo menos um pouco mais que ele sobre essa tal de Julie, ela sem dúvidas seria amolada por aquele cara, Mathew jogou a batata quente na mão de sua parceira no momento em que disse que só ficava lá até às três da tarde, se o outro não fosse burro, saberia logo de cara que tinha outra pessoa pra ficar depois desse horário _passou um cara procurando por ela mais cedo_ concluiu que não precisava entrar em detalhes, bastava falar o que aconteceu, e guardar suas teorias para si

_um cara?_ a expressão dela se retesou, olhou para Mathew como se estivesse prestes a golpea-lo _e o que você disse pra ele?

_hum? Disse que ela vinha aqui ... Mas que só trabalho até às três, então, é provável que você também veja ele.

_oh ... Tá, tudo bem_ sorriu, fingindo que não havia problema algum nisso, porém, parecia tensa, por algum motivo, Mathew sentia isso, era quase palpável

_bom, se cuida_ se despediu, saindo do mercado e fechando a porta atrás de si, logo em seguida, foi pela avenida em direção a sua casa.

A noite caiu como um véu, trazendo a escuridão ao horizonte e as luzes artificiais de volta à cidade, Clary caminhava em uma avenida lotada de automóveis pelas ruas e pessoas apressadas nas calçadas, ela esbarrava em todos os tipos de indivíduos se espremendo e abrindo passagem entre eles, que só não a xingavam por ela ser extremamente bonita, no momento, utilizava uma blusa negra de mangas cumpridas, que cobriam parte de suas mãos, um curto short jeans que descia até acima da metade das coxas, e um par de sandálias gladiadoras de couro, veio a se arrepender dessa escolha quando o frio noturno bateu entre suas pernas, a fazendo se arrepiar, bem, pelo menos a transformação de lobisomen não era algo a se preocupar, os céus estavam nublados e a transformação não ocorreria assim, o que era estranho de se imaginar, era necessário que a lua banhasse a terra para que ela atingisse a forma, quando chegasse a hora, independente de estar debaixo do chão ou não, porém, bastava uma nuvem escura cobrindo a lua, e já se tornava impossível que ocorresse

_olha por onde anda_ finalmente a primeira reclamação, um homem alto, usando um elegante terno de executivo

_desculpe_ Clary seguiu, envergonhada, era difícil caminhar por ali, ela não tinha nenhum costume de sair para o meio das pessoas, na verdade, sempre foi a protegida de sua família, e o contato que tinha com humanos era o mínimo possível, apesar da internet ter lhe possibilitado uma série de informações sobre estes seres, sabia o básico, sem transformações ou poderes, força tão baixa que chegava a ser inútil, um nível quase palpável de ambição e egoísmo, não que os lupinos fossem muito diferentes nesse quesito, mas sempre ouviu dizer que os primatas a levaram a um novo nível, tomaram o mundo dos seus ancestrais no passado, como diria o seu irmão: só usando da malandragem. Ela saiu daquela avenida entrando em um beco, um atalho para o seu destino, mesmo que ainda fossem oito horas da noite nesse momento, preferia estar de prontidão, além do mais, teve que fugir de casa logo cedo, seu pai não concordaria em tirá-la do seu quarto prisão por motivo algum, e todos os seguranças tinham ordens de tranca-la assim que caía a noite, fosse ela a favor disso ou não, Clary se sentou em um banco de concreto que encontrou em uma calçada assim que deixou o beco escuro e fedorento pra trás, ouvindo o barulho abafado das pessoas apressadas e buzinas nervosas na outra rua, ela se perguntava como conseguiam fazer dessa correria suas rotinas, ou se tinham alguma outra opção, apoiou os antebraços acima das belas coxas, observando as suas mãos, os dedos longos e a pele delicada, metade das palmas cobertas pelas barras das mangas, ainda sentia um estranho frio em suas pernas, mas já não incomodava tanto, por um momento Clary olhou ao seu redor, estava em uma rua um pouco mais simples, não passavam carros, ou pessoas, via ao longe, nas avenidas dos dois lados o movimento, mas nenhum no local onde estava, as casas também não eram tão chamativas, algumas eram bonitas, mas isso era tudo, sem muros enormes, sem interfones, sem jardins extravagantes, era praticamente um outro mundo, muito diferente do que estava acostumada, depois de esperar por uma hora, mudando de posição constantemente naquele banco e vendo os olhares confusos ou maravilhados das poucas pessoas passaram ali nesse meio tempo, ela finalmente se pôs de pé e caminhou, com as pernas meio bambas, Pitsthurt, o local onde ela estava anteriormente era a terceira avenida, segundo sua pesquisa rápida, a quarta avenida estaria logo após um beco do outro lado da pacata rua em que estava repousando, Clary seguiu o caminho, até chegar na suposta passagem, cruzou ela sentindo o odor dos latões de lixo, algo como laranjas podres. Ao outro lado, o sinal que precisava, um grande ônibus, sem rodas, a lataria enferrujada e as janelas que não estavam quebradas, estavam cheias de poeira e cocô de pombos, saber que acertou o caminho não lhe proporcionou exatamente uma sensação de alívio, ela ainda estava naquela situação, ainda teria que ficar frente a frente com um sequestrador, que sem dúvidas era uma criatura mágica, quase como se tivesse percebido sua aproximação, alguém saiu de trás daquela lata velha, era muito alto, os ombros largos deviam ter o dobro dos de um homem normal, usava de um sobretudo esverdeado com grandes lapelas, um chapéu em sua cabeça lhe cobria quase todo o rosto, possibilitando que visse somente a parte inferior, não havia barba, os lábios tão finos que a sua boca era apenas uma linha que cortava o rosto, pelo pouco que se dava pra ver, não era alguém velho, bem, quando se tratava de vampiros era realmente impossível saber, as criaturas viviam por séculos, sem envelhecer, quando morriam, estavam com a mesma aparência, como alguém que tinha de trinta a trinta e cinco anos, mas claro, aquele podia não ser um vampiro, talvez fosse um médium, os famosos bruxos humanos, mas era difícil acreditar que um deles tivesse motivos para se meter com os lupinos, visto que a guerra deles era contra os sanguessugas

_eu disse que você daria um jeito de vir, parece que eu estava certo_ ele foi o primeiro a falar, fazendo com que Clary parasse o seu movimento ali mesmo, aquela figura a sua frente lhe passava uma sensação ruim, medo, desespero, aquela voz, era como se falasse dentro de sua cabeça

_onde ela está? Eu quero ver ela_ exigiu a lupina, nesse momento, repensou o plano idiota que tinha em mente quando se enfiou naquela rua, mata-lo assim que tivesse a certeza que a sua amiga estava bem, claro que não seria tão fácil, sequestradores desse nível, não deixavam brechas, e nunca davam as caras a não ser que tivessem certeza de sua proteção, mas não havia nenhuma outra opção, havia?

_e você verá..._ o homem deu alguns passos pra trás, tomando uma certa distância do ônibus, largado no canto da rua, logo ao lado de um terreno baldio _por que não vem dar uma olhada?

Um pouco hesitante, ela se aproximou, chegando até o local onde ele estava, mas quando fez menção de ir até ele, o mesmo ergueu uma das mãos a frente do corpo, pedindo em sinal para que ela ficasse onde estava, nesse momento, com a mente mais calma, pôde sentir claramente o cheiro de Julie, tão forte como nunca, ela estava logo ao seu lado, seguindo a essência, Clary olhou por uma das janelas do ônibus, e deus, lá estava ela, com as mãos amarradas pra trás, a boca vendada por um tecido branco, tão apertado que criara feridas nos cantos dos lábios, estava inconsciente, mas viva

_oh meu Deus, Julie!

_sua atividade cerebral está excelente Clary, era isso que eu queria_ ele disse, sua voz animada, soava um tanto pervertida, aquilo era assustador e frustrante, a lua estava de volta, surgindo por entre as nuvens

_eu vou ... Eu vou..._ uma dor forte partiu o peito de Clary, parecia que cada músculo do seu corpo se dobrava por baixo da pele, ela caiu aos chãos bolando em agonia enquanto soltava grunhidos estranhos, que foram aos poucos mudando, até se tornarem bestiais

_você vai, sem dúvidas, você vai!_ o rugido que se seguiu, foi ouvido a centenas de metros de distância, grosso, selvagem, voraz...



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