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História Rainha Vermelha - Capítulo 7


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Notas do Autor


“Ele me olha, ele me olha, ele me olha” repetia para si mesma.
Tinha a sensação viva do seu olhar e isso ardia a sua pele.
Concentrou-se em expulsar o inconveniente de sua casa e fez então uma anotação mental de repreende-lo assim que terminasse.
Porém, assim que virou seus calcanhares e o mirou, afogou-se e não desejou voltar à terra.

Capítulo 7 - Medos e Olhares


Fanfic / Fanfiction Rainha Vermelha - Capítulo 7 - Medos e Olhares

- Dona Julieta, lembrando que as 15h tem a reunião para recepcionar o seu segurança que chega hoje- disse Meredith, uma das assistentes de Julieta, enquanto assistia sua chefe sair num rompante porta a fora.

A verdade é que Julieta não estava em um dos seus melhores dias, dificilmente os tinha, mas nessa noite a ansiedade novamente a visitava e trazia consigo febre, enjoos e tonturas.

A rainha não sabia ao certo que doença ela carregava consigo todos esses anos, acreditava que havia sido amaldiçoada e que seu fardo era ser infeliz até sua morte, quiçá, depois dela. O fato é que toda pressão que impuseram nela, inclusive ela mesma, desencadeou num cansaço emocional que estava quase transbordando. Afinal o que estava faltando para ela ser feliz?

O que mais desejava se realizou, não de um dia para o outro, mas depois de tudo que passou finalmente se tornou a mulher que sempre sonhara ser.

Assim que saíra de sua casa tratou de sumir da vista de todos. Sua fazenda se localizava próxima a uma floresta, e era para lá que ela ia todas as vezes que o bicho papão aparecia. Sabia o caminho de cór, qualquer um que ali entrasse se perderia, mas ela não, havia decorado cada caminho, cada passagem até chegar ao seu ponto mágico.

Depois de longos minutos caminhando, deixou-se relaxar assim que ouvira o forte barulho das águas da cachoeira, e como sempre fazia, sentou-se à pedra, descalçou os pés e deixou que a água os massageassem.

Era inevitável não lembrar de sua mãe. Quando criança, dona Edna costumava contar a história de uma princesa órfã que vivia perto de uma floresta, e que a noite essa mesma floresta brilhava, e a pequena princesa, curiosa do que tinha por lá, numa noite fugiu de casa e adentrou naquele grande lugar com árvores enormes e descobriu diversos seres mágicos e conheceu uma fada, que passou a ser sua madrinha.

Parece até brincadeira, mas as vezes Julieta jurava ouvir vozes vindo desse lugar, mesmo sabendo que ninguém se atreveria entrar ali.

Sempre que Julieta lembra de sua mãe, ela se pergunta se deveria voltar para casa, vai ver era isso que faltava, sua mãe ali do seu lado. Mas tinha medo, medo de não conseguir ajudá-la, de acabar ficando presa naquele inferno com seu pai, e pior! Medo de não encontrar sua mãe com vida. Era tanto medo que ela novamente se fechava numa bolha que cada vez se apertava mais.

Reunindo todos esses pensamentos e os juntando com o medo do futuro, ela chorou, chorou tanto que suas lágrimas poderiam encher o Rio a sua frente, chorou calada, sozinha, chorou longe de tudo e de todos. Era assim que ela via a vida, sozinha, distante e pesada como uma nuvem carregada.

***

- Dona Julieta, onde estava todo esse tempo?- dizia Meredith assim que observará sua patroa adentrar pela porta. Mas Julieta a ignorou e continuou caminhando em direção ao seu escritório. - não pode sumir desse jeito, ficamos preocupados- disse assim que Julieta entrou em seu escritório

- Eu posso fazer o que eu quiser- disse Julieta impaciente e por fim fechando a porta na cara de sua funcionária

Meredith já devia estar acostumada com os espinhos de sua patroa. Julieta não é dessas mulheres que tomam chá e conversam sobre a última moda. Meredith sabia que Julieta sofria, porém por mais que ela tentasse criar um certo vínculo, a bolha que Julieta criara a sua volta parecia ser impenetrável.

***

Era muito diferente de todos os lugares que já tinha ido. Aurélio observava pela janela a cor cinza dos prédios de São Paulo serem substituídos pelo verde das árvores e Campos do vale do café. Pensava em como tinha sido a sua vida antes disso e que agora poderia recomeçar. Não teria mais a influência direta de sua família e todas aquelas lembranças assustadoras.

Pensou em Ana Lívia e na tristeza que ela causara. Tudo seria diferente agora, não seria o mesmo de antes, não cairia mais nessa farsa que é o amor.

Sentiu o ar mais puro entrando em seus pulmões e o vento fresco mover seus fios meio caramelos.

- Chegamos antes do previsto, Sr.Cavalcante- disse o motorista

Agradeceu a Deus, quem sabe assim conseguia descansar o corpo da viagem e se preparar para a reunião que teria com Julieta Sampaio. Pensou na empresária, achava incrível a posição que se encontrava, sendo ela mulher, é bem difícil chegar onde chegou. Mas diferente de todos, Aurélio não deduziu que ela tenha se vendido.

“Ela deve ter uma inteligência tamanha”

***

Já passava do meio dia quando finalmente o carro estacionava na propriedade de Julieta. Aurélio desceu do automóvel e se fez surpreso com tamanha beleza do local.

- pois não? Deve ser o Sr.Cavalcante – Juca, um dos empregados de Julieta, avistou o carro chegando e tratou de recepciona-los.

- Sou sim, mas me chame só de Aurélio- disse o cumprimentando

- Sou Juca, trabalho cuidando das baias. Quer ajuda com as malas?-

- se não for incômodo-

- imagina! Venham, pedirei que Mercedes prepare um café-

- Vejo que chegou antes do previsto – disse Meredith assim que os viu entrando na casa – Juca, o quarto dele fica à esquerda do de Julieta-  direcionou o funcionário aonde ir e se voltou a Aurélio

- Eu sou Meredith, assistente de Julieta- estendeu a mão a ele e o mesmo depositou um beijo casto

- prazer em conhecê-la, Senhora –

- Senhora não, Senhorita-

BINGO!

- me desculpe, não sabia que uma moça tão bela poderia estar solteira- disse a fitando dos pés a cabeça

- por opção minha, Sr Cavalcante – entrou no jogo – espero que goste de sua nova casa –

- estou gostando de tudo que vi até agora- lançou-lhe um sorriso sedutor que fez com que as bochechas da mulher enrubescessem.

- tenho que voltar ao trabalho, fique a vontade. O almoço já será servido, avisarei a Dona Julieta sobre sua chegada- retribuiu o sorriso e o deixou.

Aurélio olhou a sua volta e se encantou com a arquitetura do lugar, percebeu a delicadeza em cada detalhe e a força nas cores quentes. Em suas paredes grandes pinturas clássicas e românticas, nas mesas, lindas combinações de flores, as rosas vermelhas sempre em evidência. Subindo as escadas, ele observou os corrimãos, tudo impecável como se estivesse passeando por um castelo.  

Seu quarto se localizava próximo ao de Julieta, pois como seria seu segurança, estar próximo facilitaria caso ela precisasse. Era fácil perceber a personalidade de sua patroa em apenas observar a sua casa, Aurélio sempre foi muito ligado a cores, graças a seu dom de pintura, isso permitiu que ele percebesse as coisas de outro jeito. Parando no corredor olhou para a porta do quarto de Julieta, era o maior de todos, isso mostrava ego, a porta da cor vermelho vivo com detalhes em dourado e as maçanetas, admirou esse pequeno detalhe que lhe chamou atenção, elas tinham o formato de rosas. Ressaltava desejos intensos.

Definitivamente sua curiosidade para conhecer sua nova chefe aumentou.

***

Julieta estava concentrada em algumas papeladas que precisavam ser entregues urgente para o prefeito do Vale, se tratavam das autorizações para serem iniciadas as obras da ferrovia de Darcy. Todos os matérias e equipamentos já chegaram ao vale e precisavam começar rapidamente, já que os cafezais de Julieta já estavam quase em exaustão sem poder ser transportado.

Enquanto a estação não está pronta, ela utiliza seu pequeno meio de transporte e envia para pequenas empresas nos estados vizinhos, isso ajuda a não obter uma superprodução. Foi interrompida dos seus afazeres por batidas na porta, meio impaciente ela retirou os óculos, dera um breve suspiro e mandou entrar.

- Julieta, o almoço já será servido- avisou Meredith

- mande Mercedes separar o meu, comerei mais tarde-

- Mas Julieta, o Sr. Cavalcante já chegou, precisa recebê-lo –

- Eu estou cheia de trabalho, não posso fazer nada se ele chegou adiantado, irei recebê-lo as 15h como fora marcado. Agora me de licença, eu preciso de privacidade- disse já pondo seus óculos novamente

- Então... o que direi a ele?-

- faça companhia a ele até o horário da reunião. Anda! Meu dia hoje está péssimo, não queira piorá-lo – se irritou com os olhares insistentes

- tá bom, me desculpe- tratou de deixá-la só

***

- Julieta não pode estar presente, está cheia de afazeres, mas ela irá recebê-lo no horário marcado- disse Meredith sentando a mesa

- não imaginei que ela fosse ser tão ocupada- sentando-se ao lado de Meredith Aurélio tenta puxar algum assunto

- A Rainha do café? Jura? Não passou nem um pouco pela sua cabeça que ela seria super ocupada? – debochou a assistente

- talvez eu não tenha pensado direito- Um silêncio tomou o ambiente por alguns minutos, apenas as mastigações eram ouvidas – aqui é sempre assim? Tão quieto?-

- na maioria das vezes sim, mas agradeça, porque quando não se tem silêncio aqui, você vai desejar a morte- assim que a mulher terminará de falar, alguém se faz presente na sala de jantar

- parece que cheguei na hora certa- disse Olegario se sentando a mesa, a frente dos dois

- me desculpe, Srt. Meredith. Ele foi entrando, não consegui impedir- disse uma das empregadas

- Olegario, você sabe muito bem que Julieta proibiu sua entrada nesta casa- se levantou e se pôs a expulsa-lo – saia daqui agora- disse apontando para a saída

- Julieta faz isso para se fazer de difícil- disse o homem e por fim reparou no outro a sua frente – Você deve ser o soldadinho de chumbo- disse arrogante

- Meu nome é Aurélio Cavalcante e eu exijo respeito- disse firme

- hum... disse a Julieta que não precisava disso, eu teria o prazer de ser o segurança particular da Rainha-

- Olegario, se ponha daqui para fora!- Meredith já estava vermelha de raiva

- Que pena que seu pedido não tenha sido realizado e como esse trabalho é meu, eu espero que você não queira ser o primeiro que eu iria ter que chutar para fora da casa de Julieta Sampaio- disse se pondo de pé e adquirindo a postura séria

- tente!- disse ficando em pé de frente à Aurélio o olhando firme

- ele não precisa!- disse uma voz grave atrás de Meredith e todos se direcionaram a ela

- Eu admiro a sua coragem de voltar a está casa- continuou Julieta – fui gentil em te demitir e o por para fora daqui, eu poderia ter feito pior –

- eu vim pois preciso falar algo importante com você- disse Olegario

- Não lhe dou intimidade, não tenho nada para falar e nem para ouvir de você, saia daqui andando ou morto!-

Mal ouvia o que estava acontecendo, desde o momento que aquela figura imponente chegou, Aurélio paralisou, seu olhar se prendeu ao rosto cuja as bochechas estavam vermelhas de pura raiva, e ao corpo onde as mãos gesticulavam ligeiramente para que não perdesse a paciência e batesse no rosto do inconveniente a sua frente.

Cavalcante se sentiu como os piratas que deixavam a morte levá-los para o fundo do mar, pois a morte tinha um voz bela e sedutora que os hipnotizavam, nunca entendia como os piratas se enganavam, mas agora ele sabia.

A tinha imaginado de todos os jeitos e formas, mas nunca passou por sua cabeça que ela seria tão jovem e bela. Seus cabelos presos em um coque bagunçado e nele brilhava uma grande mecha branca que a trazia mais charme. Em seu pequeno corpo um longo vestido vermelho com detalhes transparentes e brilhosos (deu para perceber qual era sua cor favorita). Em sua boca um vermelho sangue, como este que corria por suas veias e estavam quase em estado de ebulição de tão quente. Queria poder observá-la por mais tempo, mas sairá do transe assim que aquele olhar se direcionou a ele.

- Sr. Cavalcante, me desculpe por isso. Acho que já consegue ver com que pessoas vai lidar – disse Julieta

- Não precisa se desculpar e garanto que farei de tudo para que ninguém a incomode-

- Eu sei que fará... Bom, não conseguirei me concentrar novamente, então já que estou aqui... Meredith, pode pedir que Mercedes traga o meu almoço?- disse assentando em seu lugar na grande mesa

- Sim, Senhora-

Aurélio um pouco desconcertado, sem saber como deveria agir, decidiu seguir os passos dela e também se sentou em seu lugar.

- também lhe devo desculpas por não te receber direito, hoje o meu dia está cheio. Mas espero que já esteja acomodado em seu quarto...-

 - fui muito bem recebido por seus funcionários, não se preocupe, eu entendo que esteja tão atarefada, afinal, não se tornou a Rainha do Café atoa- sem nenhum pudor expressou seu pensamento

Julieta até poderia se sentir meio invadida por esse comentário, mas gostou da sinceridade e do pensando dele, a maioria dos pensamentos sempre deduzem que fora fácil chegar na posição em que ela se encontra.

- me desculpe pelo comentário, fui um pouco invasivo-

- não, de jeito nenhum, o Senhor não foi invasivo- aquele simples comentário a trouxe um pouco de paz num dia que estava tempestuoso e ela não sabia o porquê.

Mercedes e Meredith chegaram com a comida de Julieta e o silêncio novamente se fez.

***

Depois do almoço, Julieta novamente se trancou em seu escritório e tratou de terminar o mais rápido possível com todo trabalho, precisava ocupar a sua mente. Pois, não sabia como, mas aquele homem a desconcertou, mais precisamente os olhos as desconcertaram.

Como pode alguém possuir o mar inteiro nos olhos? Eram tão brilhantes que mais pareciam diamantes. E estão fixos nela, isso a assustava, era como se pudessem desvendar todos os seus pensamentos. Como se a deixassem nua.

Enquanto expulsava Olegario de sua casa, sentia o olhar dele passeando por cada pedacinho dela, e ela já tinha em sua língua todas as palavras que iria usar para o repreender por esse ato, mas quando olhou para ele, se perdeu naquele mar, e esqueceu totalmente do que iria dizer. O modo como ele a observava a deixava intrigada, estava curiosa em saber o que se passava em sua cabeça. Já o conhecia por foto, mas o ver pessoalmente fora muito diferente.

Ela nunca tinha visto olhos tão lindos quanto os dele.


Notas Finais


Espero que gostem e não deixem de comentar
Desculpe qualquer erro
❤️❤️❤️❤️❤️❤️


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