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História Raio de Sol - Capítulo 10


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Notas do Autor


Oiii gente!
Sim, cap de hj ficou um pouco mais grandinho pq não tive mto tempo de dar uma revisada melhor
perdão por isso, mas de qualquer jeito
Aproveitem!!! <3

Capítulo 10 - Aquela era a verdade sobre tudo


-Bom dia, princesa! -Desejou Levy alegremente ao amanhecer. -Seu banho já está pronto. Melhor ir logo agora que está quente.

-Bom dia. -Murmurei me levantando e bocejando imediatamente.

-Trouxemos seu café na cama hoje. -Avistei Cana mais a frente colocando uma bandeja com pães, sucos e frutas em minha mesinha no quarto.

-Não precisava... -Falei sorrindo com o carinho delas. Sei que hoje era um dia especial. Ou pelo menos devia ser. -Vou tomar meu banho, já volto.

Eu me levantei e fui até o banheiro deixando um travesseiro molhado de lágrimas na cama.

Eu esperei anos por esse dia, para que quando ele chegasse eu desejasse que nunca tivesse acontecido.

Ontem a minha marca surgiu e meu noivado foi anunciado. Nossa festa de noivado acontecerá junto com o aniversário de Sting amanhã. Durante a tarde passada eu fui perseguida pela rainha e suas damas de companhia que estavam me paparicando e fazendo perguntas sobre a futura festa de casamento (que deveria acontecer o mais rápido possível) e apenas tive privacidade quando me deitei a noite. Foi quando me permiti entristecer e chorar. Passei metade da noite ensaiando o que eu diria ao Natsu quando o visse e em nenhum momento eu consegui não chorar enquanto pensava no discurso. Imagino o quão será difícil quando eu tiver que falar cara a cara com ele.

Se é que hoje eu terei tempo de ir ver o rosado.

Depois do banho, no qual eu passei um bom tempo na banheira lamentando os últimos acontecimentos, fui me arrumar sem a ajuda das meninas. É de costume que eu as libere assim quando terminam de arrumar o quarto. Mas acredito que elas tenham notado meu travesseiro molhado e saibam que eu quero ficar sozinha agora.

Me troquei colocando um vestido rosa. Arrumei o cabelo em um penteado não muito elaborado, e coloquei minha tiara de princesa nele.

Até então eu só usava tiaras normais. Agora era uma coroa que eu havia reconhecido ser da avó de Sting.

Tomei meu café sozinha em meu quarto até escutar alguém bater na porta.

-Pode entrar! -Falei.

-Bom dia, minha querida. -Disse a rainha assim que abriu a porta. -Sei que está cedo, mas preciso resolver uma coisa bem rápida com você.

-Tudo bem. Pode vir aqui. -A mulher veio em passos lentos e se sentou perto de mim na cama com sua postura impecável.

-Preciso que você escolha duas damas de companhia. Sei que é uma decisão difícil, por hora podem ser apenas duas, mas com o tempo deve aumentar o número.

-Eu já escolhi majestade. Quero Levy e Cana, elas cuidam de mim desde que eu era menor.

-Imaginei que escolheria elas. -A rainha deu um sorriso amável. -Algumas das minhas damas também já me serviram. O importante é a lealdade delas, se confia nas duas não há problema.

-Hoje eu terei muitos compromissos?

-Alguns. Eu sei que você quer ir para aquela fazenda que você e Sting estão construindo, admiro seu amor por seus cavalos. Mas não sei se terá tempo para isso hoje.

-Tudo bem. Eu entendo. -Murmurei cabisbaixa sabendo que teria que passar o dia todo com a angústia de não poder ir falar com o Natsu.

-Talvez você tenha algum tempinho livre e possa ir. Mas terá que ser bem rápido. -Disse a rainha ao ver minha tristeza.

-Obrigada. Gosto muito de lá, é tão fresco e ensolarado, é perfeito para ler.

-Que bom que você está se juntando a nossa família. -A rainha disse gentilmente. Apesar de seu tom eu não aceitei aquilo como um elogio. Se eu só estava entrando na família agora, esse tempo eu fui o que? Apenas um fardo que deveria algum dia virar uma princesa ou algo parecido?

Ela se retirou assim que terminou de conversar comigo.

Como a rainha tinha dito eu realmente tinha alguns compromissos. Que pareciam durar séculos.

Mesmo só tendo noivado na tarde passada já estava tendo que tomar algumas decisões sobre o casamento. Durante toda manhã eu não cheguei nem a saber onde o Sting estava. Apenas nos encontramos na hora do almoço.

-O que você fez hoje? -Perguntei educadamente quando já estávamos na mesa.

-Estou ensaiando para o aniversário e para cerimônia. É tudo uma tremenda chatice.

-Eu passei a manhã escolhendo tecidos, organizando mesas, aliás que cor deveria ser o tema do nosso casamento? -Sting me olhou assustado mostrando que não havia se acostumado com a ideia do casamento ainda.

-Hum... Eu gosto de verde. Mas pode ser azul, é uma cor que nós dois gostamos.

-Tudo bem. Será azul então. -Confirmei voltando para o meu prato para comer.

-Você chegou a ver sua marca?

-A-ainda não. -Respondi. Eu estava evitando vê-la porque não tinha gostado da ideia de tê-la.

-Ela é vermelha. Muito bonita. Mas eu pensava que seria verde ou azul, são as cores que eu gosto.

-Hum... A cor varia de acordo com os sentimentos. Vermelho deve significar paixão ou algo assim.

Não importava a cor. Eu não estava apaixonada por Sting. Eu já senti isso por ele, mas apenas em minha adolescência. Agora já não tinha os mesmos sentimentos.

-O que vai fazer após o almoço? -Perguntou o loiro voltando a prestar atenção em sua comida.

-Até agora não me falaram nada. Talvez eu consiga sair um pouco.

-Eu não vou ter um tempo livre tão cedo. -Lamentou ele. -Temos que ficar juntos alguma hora.

-Quem sabe amanhã...

Depois disso eu e Sting nos separamos novamente. Ele foi para sua pré-cerimônia e eu para meu ensaio de valsa.

Não tive esperanças de poder sair tão cedo. Até o sol se por.

A governanta de Sting, Minerva, disse que depois daquela pequena reunião sobre minha futura coroação eu não teria nenhum compromisso até a hora do jantar.

Dito e feito. Assim que a reunião terminou eu peguei um dos cavalos do pequeno estábulo real que não eram muito usados, e tentei sair sem chamar muita atenção. Era comum me verem saindo para passear fora do castelo então acreditei que não teria problema.

O cavalo que eu peguei era um pouco lento. Mas foi o bastante para que eu chegasse a fazenda em menos de uma hora.

Diferente das outras vezes eu não avistei Natsu de primeira quando cheguei. Desci do cavalo e fui com ele até o cercado notando a falta da minha querida Amália. Será algo havia acontecido?

-Lucy! -Uma mulher me chamou por trás. Achei a voz familiar, mas só a reconheci quando me virei.

-Juvia! Quanto tempo! -A azulada logo veio me dar um abraço. -Eu adorei os vestidos que fez para mim. Você me conhece bem demais.

-Que bom, querida. -Disse ela se soltando de mim.

-O que faz aqui?

-Ah, eu meio que estou me envolvendo com um rapaz que trabalha aqui. Ele disse que te conhece um pouco.

-Boa noite princesa! -Desejou Gray se aproximando.

-Ah, esse é o rapaz. -Sussurrei para que apenas Juvia ouvisse. Ela corou um pouco e se aproximou de lado do garoto.

-Natsu não está. Ele foi ver a mãe na cidade. -Informou Gray já sabendo quem eu procurava.

-E Amália?

-Aquela égua escura? Ela está trocando as ferraduras.

-Hum... Bom, eu preciso ver o Natsu. Me empresta seu chale Juvia?

-Ah, claro. -Ela tirou o pano roxo do rosto e me entregou.

-Você vai pra cidade sozinha? -Perguntou Gray.

-Eu preciso. Vai ficar tudo bem, só não me dedurem.

Aos poucos eu fui me afastando e nem pude ouvir mais os dois. Subi rapidamente no cavalo e cavalguei pelo caminho até a cidade. Durante o trajeto tentei lembrar de como chegar até a casa do Natsu. Eu tinha uma vaga noção disso pela primeira e única vez que eu fui lá.

-Tudo bem garoto. Isso vai ser meio difícil. -Comecei a conversar com o cavalo ao chegar perto da civilização. -Você vai ter que ficar um tempo aqui sozinho. -Expliquei descendo do animal. -Vai ter que ficar com algumas coisas importantes minhas. Tome cuidado, tá bom? Eu volto o mais rápido que puder.

Em meio a essa conversa coloquei minha tiara e o brasão real que eu havia retirado dele em seu bolsinho no canto da sela.  

-Fique quietinho. -Ele relinchou baixinho com o carinho que eu dei em sua cabeça.

Coloquei o chale e parti para aquele espaço movimentado. Andaria até chegar naquele lugar onde havia me perdido e de lá iria até a casa de Natsu.

O trajeto me lembrou meu primeiro beijo com o rosado. Ele me perseguiu no meio da chuva por aquelas ruas, depois me embrulhou em seus braços e me deu o melhor beijo da minha vida. E pensar que eu não poderei o beijar mais...

Pensei que não chegaria a casa do rosado. Virei várias vezes e já nem estava reconhecendo as ruas em que eu estava até finalmente ver a pequena casa não muito bem estruturada marrom com a porta da frente levemente aberta. Meu suspiro de alívio foi alto.

Em passos rápidos eu fui até a porta. Antes que eu pudesse bater ou abrir direito Grandeeney apareceu. Ela estava com um chale azul e uma cesta, parecia estar pronta para sair.

-O que faz aqui? -Perguntou secamente.

-Eu preciso falar com o Natsu.

-Ele não está. Por favor, volte para sua casa.

-É muita importante... Preciso vê-lo. -Implorei com o tom da voz baixo.

-Natsu está com a Lisanna e é com quem ele deve ficar. A senhorita tem um noivo, não devia estar com ele?

-Sim. Mas preciso me despedir do meu Natsu primeiro. -Sussurrei com a cabeça abaixada. Não queria que ela visse meus olhos encherem de lágrimas. Grandeeney ficou alguns segundos em silêncio como se estivesse processando o que eu disse.

-Não demore. Ele está no quarto. O do lado esquerdo do banheiro.

-Obrigada. -Agradeci rapidamente. Fui até o quarto que ela disse que o rosado estaria. Foi com muito peso no coração que abri aquela porta.

-Lucy! -Natsu deu um sorriso perfeito quando me viu. Ele logo levantou e veio até mim para me abraçar. -Desculpe por não avisar que eu estava vindo aqui. Foi de última hora.

-Ah... -Suspirei sentindo seu calor. -Natsu, temos que conversar.

O sorriso dele se desmanchou no mesmo segundo.

-O que foi?

-Venha. -Pedi para que nós dois nos sentássemos na cama. Ficamos um do lado do outro. -Natsu, a minha marca apareceu. Eu sou oficialmente a noiva do Sting agora.

.

.

.

Segundos em silêncio se seguiram. Natsu me olhava espantado e eu não ousei dizer nada porque estava triste também.

-C-como?

-Eu sei que não faz sentido. -Falei sentindo as lágrimas retornarem. -Eu nem tenho visto Sting direito... Eu te amo. Eu tenho certeza disso. Eu amo você. Mas não podemos ir contra coroa, seria muito perigoso... P-precisamos nos afastar...

-Eu tinha certeza... -Murmurou ele olhando para os próprios pés no chão. -Pela primeira vez na minha vida eu me imaginava... casando... construindo uma família...

-Me perdoa meu amor, a culpa é minha. -Eu me aproximei mais um pouco e encostei nossos rostos.

-Você vai... se casar?

-Sim. -Respondi com pesar. Natsu começou a olhar para os lados desesperado, sem entender o que estava acontecendo direito.

-Não... Não, eu não acredito. -Ele pegou minhas mãos e as beijou. -Eu te amo demais. Não é possível que alguém te ame mais do que eu, eu não...

-Me perdoa, fui eu que comecei com tudo isso. -Lamentei sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto.

-Mas eu me apaixonei primeiro. -Disse ele começando a chorar também. Natsu encostou nossas testas e passou a beijar minhas mãos delicadamente enquanto minhas lágrimas escorriam devagar.

-Você deve ficar com a Lisanna. Ela é tão doce e bonita... Tudo que você merece.

-É, ela eu mereço. Quem eu não mereço é você e mesmo assim ainda te quero demais. -Ele passou a mão em meu rosto me acariciando com o polegar. Eu logo me esfreguei contra sua mão totalmente encantada com seus carinhos.

-Lisanna é perfeita. Eu sou muito intrometida e mimada.

-Aos meus olhos você é perfeita meu amor.

-Eu sou? -Repeti sorrindo.

-A mais perfeita de todas. Eu te amo muito. Se o melhor pra você é se afastar então... Eu não vou impedir.

-É o melhor para nossa segurança. Não para mim. O melhor para mim é ficar aqui. Esse é o meu lugar... -Murmurei fechando os olhos e sentindo a pele de Natsu contra a minha.

-Eu sei. Não acho que posso amar alguém como te amo agora... -Disse esfregando o nariz em meu rosto. Aos poucos ele veio até minha boca e me beijou. O que seria nosso último beijo.

Ele tirou meu cabelo do rosto durante o beijo e me puxou contra ele. Eu fui rapidamente e logo me sentei em seu colo sabendo que aquele seria nosso último toque. Ao terminar o beijo, encostamos nossas testas ofegantes.

-Hum... Natsu... -Gemi baixinho. Ele puxou uma corrente do pescoço. Uma que eu nem havia reparado antes pois ficava muito bem escondida por baixo da camisa.

-Fique com isso. Eu tenho desde que eu era pequeno. -Disse ele pondo a corrente em minha mão. Era simples, feita de um elástico preto e forte com um pequeno N em prata como pingente.

-Natsu... Não posso aceitar.

-É pra você se lembrar de mim. Fique, por favor. -Implorou ele empurrando a minha mão com o colar para mais perto de mim.

-Eu nunca esqueceria o único homem que eu amei. -Respondi o dando um selinho rápido. Que foi seguido por outro. E mais outro até eu enlaçar seu pescoço novamente e o beijar com saudade.

Natsu beijou a ponta do meu nariz. Depois minha bochecha, minha testa, o canto da minha boca, foi assim até que já tivesse beijado todo meu rosto.

-Sabe, nós podíamos fugir... -Sugeriu com algumas lágrimas escorrendo pelo rosto junto com as minhas. Eu dei uma risada fraca.

-Eu não posso fazer isso com o Sting, Natsu. Ele foi minha única família por anos. De qualquer jeito isso seria muito arriscado.

-Eu sei. Eu meio que entendendo. -Murmurou esfregando o rosto contra o meu. Apenas um mês juntos e eu não sabia mais viver sem o Natsu.

-Eu preciso ir Natsu.

-Agora? -Perguntou ele assustado. -Você acabou de chegar!

-Eu não devia estar aqui. Preciso voltar logo.

-Pensei que teria mais tempo com você... -Ele levou a mão até minha nuca e acariciou ali. Eu estranhamente senti quando ele tocou minha marca. Senti um arrepio forte na barriga.

-Me perdoe querido. Acho que quanto mais rápido eu for, mais rápido tudo acaba.

Me separei dele devagar. As suas mãos insistiam em me segurar e me puxar levemente contra ele, mas eu fui mais forte naquele momento. Me levantei e fiquei em pé no chão vendo Natsu sentado com as pernas abertas, lugar onde eu devia estar.

-Adeus, Natsu. Eu realmente te amei. E ainda te amo, muito.

-Adeus Luce. Você foi a única garota que eu amei na minha vida. -Ele pegou minha mão de leve. -Espero que seja... muito feliz.

-Te desejo o mesmo.

E finalmente desencostei dele. Sai daquele quarto sabendo que nenhum de nós seria 100% feliz sem o outro.

Eu passei rapidamente pela sala onde a mãe de Natsu estava. Já não estava segurando nenhuma lágrima e chorava livremente até me permitindo soluçar.

-Menina! -Grandeeney me chamou na porta quando eu já havia saído. -O que foi?

-Eu... Eu não me sinto bem... -Falei com dificuldade pelo choro.

-Voltei aqui. Sente e beba um copo da água, depois pode voltar.

-Não! Não quero causar mais problemas... Eu preciso ir agora, prometo que nunca mais eu volto...

A mulher suspirou mostrando estar impaciente.

-Tudo bem. Não precisa entrar então. -Disse ela saindo da casa comigo e fechando a porta atrás de si. Ela foi até o pequeno muro de pedras que tinha em sua casa e se sentou ali. -Venha, me conte o que aconteceu criança.

Levantei meu olhar cheio amargura. Meu nariz já devia estar vermelho e meus olhos do mesmo tom. Não tinha como me humilhar mais na frente dela.

Com um suspiro, eu me aproximei dela me sentei ao seu lado.

-Natsu e eu não estamos mais juntos. Sei que é o que você queria, então está tudo bem.

-Claro que está. Eu estou muito feliz com isso, mas você não está. Pensei que esse negócio de marca fosse sobre amor eterno e essas coisas, como pode estar atrás do meu filho?

-Eu também não sei. -Admiti olhando para os meus pés. -Eu estou predestinada para o Sting desde o meu primeiro ano de idade. Mas não o amo. Quem eu amo é o Natsu, ás vezes duvido desses sentimentos, mas o que eu sinto por ele é tão forte... -Reclamei chorando e segurando forte as minhas mãos em meu colo. -O amo na mesma intensidade em que esse amor é proibido...

Grandeeney ficou alguns segundos quieta após isso. Apenas se ouvia meus soluços naquele momento.

-Você já tem a marca?

-Tenho. -Confirmei puxando o meu cabelo para o lado para que ela visse. -Apareceu ontem. Logo quando Natsu e eu decidimos lutar por nós dois.

Ela passou os dedos em minha nuca suavemente.

-Eu sinto muito por você estar infeliz agora. Mas com o tempo acredito que vai aprender o amor verdadeiro... Sei que sente que ama o Natsu agora, mas sua ligação é com o príncipe.

-Você acha que meus sentimentos são falsos? Que eu não amo o Natsu? -Perguntei sem afronta. Realmente aquela era uma dúvida que ecoava em minha cabeça desde meu primeiro beijo com o rosado.

-Você é muito jovem ainda. Tem muito o que aprender sobre o amor. -Explicou ela tirando as mãos de mim.

-Conheço garotas que dariam tudo para serem prometidas ao herdeiro do trono. Só eu mesmo pra querer jogar tudo isso fora. -Falei tentando animar a mim mesma.

-Você for prometida ao herdeiro? -Perguntou ela surpresa.

-Sim. Sting é o herdeiro. -Respondi como se fosse o óbvio. No mesmo segundo ela pareceu se assustar mais. -O que foi?

-E-eu... Não sabia... Nem os seus pais...

-Meus pais?

-Seus pais! -Ela gritou como se tivesse percebido algo. -Era isso! Por isso eles estavam vindo!

-Do que está falando? -Eu logo desci do murinho e fiquei em pé em sua frente. -Você tinha dito que não conhecia meus pais!

-Não pensei que eu precisaria dizer um dia. -Disse ela aparentando estar nervosa.

-Dizer o que?

-Bom, seu pai... -Começou ela. Grandeeney me olhou um pouco hesitante, mas a esse ponto eu não a deixaria sair sem uma explicação. -Seu pai e eu éramos amigos. Muito amigos. Eu também era amiga da sua mãe, mas seu pai e eu crescemos juntos.

-E você nunca iria me contar? E o meu pai? Ele nunca nem mencionou você!

-Eu não queria que ele mencionasse. Não queria ser lembrada por ninguém depois que eu fui embora.

-Eu não entendo... Por que você foi embora? E o que quis dizer com “por isso que eles estavam vindo”?

-Olha querida, há um motivo para ninguém ter te dito isso até hoje...

-Eu quero saber! -A interrompi irritada. -O que isso tem a ver com Sting e eu?

-Bom... Sting talvez não seja o verdadeiro herdeiro do trono.

-Como é?!

-Eu me esqueci totalmente dessa baboseira de marca e daquela cerimônia da coroa até voltar para cá e perceber o erro que havia cometido. De qualquer jeito, algum dia descobririam que Sting não é o herdeiro.

-Da onde você tirou uma maluquice dessas? -Perguntei sem acreditar em uma palavra dela, mesmo fazendo sentido o porquê de eu não amar Sting.

-Eu me apaixonei uma vez quando tinha sua idade. Um amor impossível pelo príncipe Acnologia. Até o dia em que ele finalmente reparou em mim quando eu gargalhei de um tombo que ele levou ao cair de um cavalo. Ele me achou muito atrevida, mas gostou de mim.

-Calma ai, está me dizendo que você e o rei tiveram... Um caso?

-Algo assim...

Meu Deus. Aquilo não fazia sentido algum, mas não deixava de me surpreender.

-Mas e a rainha?

-Ele não me amava de verdade. Assim como você e Natsu, criamos uma fantasia boba de que éramos alma gêmeas até o dia em que a condessa chegou. Depois disso eu o via raramente e ficamos distantes. Um dia, repentinamente, foi anunciado o noivado dos dois e que ela a tinha marca dele. A marca que eu pensava ser minha.

Suas palavras pesavam sem seu coração. Isso era notável pelo seu rosto entristecido e olhos sem brilho.

-Eu fiquei... Desolada. Desesperada porque já tinha tudo planejado com ele. Seu pai e sua mãe eram os únicos que sabiam, eles ficaram extremamente irritados. No fim eu decidi que seria bom eu me mudar por um tempo para esquecer tudo. Não aguentava ver o homem que eu amava com outra. Foi quando Jude pediu Layla em casamento que eu fui embora para interior.

-Mas porque eu nunca ouvi nada sobre você?

-Tudo piorou meses após eu me mudar. Eu descobri que estava... grávida.

-G-grávida?

Agora eu encontrava um pequeno sentido em tudo. Os papeis de adoção de Igneel, eram porque Natsu não era filho dele. Era de... Acnologia.

-Natsu é filho de Acnologia??? Está brincando, não é? -Perguntei desesperada. Como podia Natsu ser o herdeiro e ter andado tão longe de seu castelo por anos?

-Eu queria muito que fosse uma brincadeira. Quando descobri a gravidez pedi para que Jude não falasse nada de mim para ninguém, não queria ser encontrada. Já pensou o que fariam comigo e meu bebê? Natsu é um bastardo da família real! Esse tipo de criança não vive muito tempo.

-M-mas e a coroa?

-Eu não estava preocupada com isso. Nunca me lembrei até chegar aqui e ver que o príncipe estava próximo da cerimônia da coroa. De qualquer jeito, tudo melhorou depois que Igneel apareceu. Ele foi o único homem que amei de verdade. Criou Natsu como seu filho e nunca fez muitas perguntas sobre meu passado.

-Ele sabia que Natsu era um príncipe?

-Eu só o disse em seu leito de morte... Ele me fez prometer que contaria ao Natsu. Mas não consigo. Nem ao menos me perdoo por ter escondido isso tudo dele por anos. -Explicou ela suspirando alto e levantando a cabeça em direção ao céu.

-Por isso você não queria ninguém da realeza perto dele... E por isso meu pai não gostava da família real, ele sabia o que tinham feito com você... -Murmurei para mim mesma. A cada vez tudo estava se encaixando melhor e eu apenas me assustava. -Meu pai... -Ela voltou a olhar para mim. -Ele te chamava de raio de sol também?

-Ah... -Suspirou ela sorrindo. -Seu pai sempre foi meio bobo com apelidos. 

-Ele dizia que minha madrinha era ruiva. Um raio de sol.

Grandeeney tirou o pequeno sorriso do rosto e me olhou de olhos arregalados.

-Madrinha?

-Acho que você é a minha madrinha. Pensei que nunca te conheceria...

Por poucos segundos eu me esqueci totalmente do drama de Sting não ser o herdeiro. Grandeeney era a minha madrinha. De algum modo, era minha família.

-Eu... Eu não sabia disso... -Sussurrou ela. -Seu pai não teve tempo de me dizer isso. Aquele idiota.... -Disse com lágrimas nos olhos, mas um sorriso lindo no rosto.

Sem medo, eu parti para cima dela num abraço apertado. Ela retribuiu rapidamente e meu sentimento de felicidade foi imenso.

-Me desculpe meu amor, eu tenho te tratado tão mal e você é minha afilhada... -Pela sua voz eu percebi que ela estava chorando.

-Tudo bem. Você estava com medo pelo seu filho, é coisa de mãe.

-Agora sei porque seus pais estavam vindo me visitar. Eles queriam me convidar para ser sua madrinha, e também haviam descoberto assim como eu agora que você era prometida ao herdeiro, não ao Sting. Infelizmente eles nunca chegaram...

Eu me soltei dela rapidamente.

-O acidente da carruagem...

-Eles estavam vindo me ver. Me escreveram dizendo que tinham uma coisa importante para dizer e que seria arriscado falar por carta. Sinto muito querida...

-Não foi sua culpa. -Sussurrei voltando a segurar a mão dela. -Mas se Natsu é o filho mais velho de Acnologia, então a minha marca...

-É do Natsu. Você dois estão ligados. -Completou ela.

Um alívio enorme percorreu o meu corpo junto com uma grande dose de alegria que saiu pelos meus olhos. Meu Deus, hoje eu estou chorando de mais...

-Eu sabia! Eu sabia, Natsu sabia... Eu o amo... -Comemorei sorrindo. Grandeeney me olhava com carinho, finalmente ela estava me aprovando. -Isso o explica porque eu o amo sendo que o conheço a pouco tempo.

-Sinto muito por nunca ter dito isso. Esse tempo todo, vocês devem ter sofrido bastante...

-Tudo compensou no final. Anos sem entender meus próprios sentimentos, agora eu tenho todo o amor de Natsu e de meus amigos comigo.

-Tem o meu amor também raio de sol. Somos família agora.

-Eu sei. -Afirmei alegre e pulando em seus braços de novo. Era isso. Eu estava com a minha família! -Você tem que dizer ao Natsu, Grandeeney... A cerimônia da coroa é essa semana...

-Sim. Eu preciso contar. Eu prometi a Igneel... -Disse ela. -Por isso concordei em vir para cá. Para tomar coragem e dizer a ele. Mas sinto que só piorei tudo.

-Natsu te ama de qualquer jeito. Quanto mais você demora, pior será a reação dele quando descobrir.

Ela deu um suspiro longo. Deixei-a quieta a vendo recuperar o fôlego e se livrar da cara de choro.

-Vou contar. Agora mesmo. Não posso fazer vocês dois sofrerem mais. -Ela se levantou decidida e foi em direção a porta.

-Vou espera-los aqui.

Não me importava mais com o horário do castelo. Aquilo era mais importante.

Agora, se Acnologia foi capaz de abandonar Grandeeney daquele jeito, o que faria com Natsu se descobrisse que seu querido filho não era ser herdeiro?


Notas Finais


Foi muita bomba de uma vez só ou ta tranquilo? rsrs
Nos vemos no final da semana q vem meus amores!
Bjsss


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