História RAIO DE SOL (Lauren G!P) - Capítulo 28


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Categorias Camila Cabello
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui, Personagens Originais
Tags Camila, Camren, Lauren, Laureng!p
Visualizações 175
Palavras 3.385
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


1/2 cumprindo com o combinado

Capítulo 28 - Camila


Fanfic / Fanfiction RAIO DE SOL (Lauren G!P) - Capítulo 28 - Camila

    — Pensei que não fosse mais vir. — Falei, tentando soar calma.
    A verdade era que meu coração batia frenético à espera dela.
    — Não te deixaria esperando nem que o mundo acabasse.
    Era um absurdo eu sabia, mas confiava que ela faria exatamente o que dissera. Laur parecia uma mulher capaz de transformar o impossível em possível.
    — Eles já estão lá? — perguntei, enquanto subia com um pouco de esforço o degrau da caminhonete.
    Aquele negócio era alto demais e eu consideravelmente baixinha para isso.
    — Estão.
    — Posso colocar minha carteira no porta-luvas?
    — Claro. — Ela respondeu, já manobrando.
    Minha mão tocou uma pequena caixa e minha curiosidade falou mais alto, mesmo eu sabendo que era falta de educação eu querer olhar no porta-luvas de outra pessoa. Essas coisas eram praticamente sagradas e as vezes Laur poderia não querer olhares curiosos ali.
    Ignorei meus pensamentos, não faria mal nenhum olhar e ela estava ao meu lado, se achasse ruim era só falar.
    Tirei a caixinha, sentindo o peso considerável na minha mão.
    Como se atraído pelo meu gesto, ela tirou os olhos rapidamente da estrada e notou o que eu segurava. Deu de ombros e comentou, calmamente. — Tenho que andar preparada, nunca se sabe o que pode acontecer.
    Abri a caixinha e notei uma pequena pistola ali, guardada carinhosamente, em meio à espuma de proteção.
    Não sabia o que pensar quanto a isso, mas admitia que em Ventura nem tudo era coisa boa e se ela não usasse a arma para fins negativos, não teria mal nenhum em querer se manter protegida, certo?
    — Não precisa ficar pensando besteira. É só algo que meu pai insiste que eu tenho que carregar, ele é meio paranoico com essas coisas.
    Eu sabia. Mas não era a coisa mais normal do mundo entrar no carro da mulher que gostava e encontrar algo assim. Nada normal. Se fosse, o mundo estaria mesmo perdido. E eu admitia que só não abria a porta e me deixava cair, rolando que nem uma doida pela estrada, porque a conhecia há muito tempo e sabia que sua índole não era nem um pouco ruim.
    Bem mais fácil eu ser malvada, do que Laur. Muito mais fácil.
    — Entendo.
    — Nunca usei, é praticamente de enfeite.
    Eu dei risada, típico dela achar que precisava arrumar uma desculpa.
    — Não precisa se desculpar, Laur.
    Ela sorriu, um sorriso longe de alcançar os olhos. Laur estava preocupada e eu não sabia a menor ideia do motivo.
    — Mila, me promete uma coisa?
    — O que? — perguntei, curiosa.
    — Se alguém tentar fazer algo comigo, não se mete, eu resolvo.
    Por que ela estava dizendo isso? Não fazia o menor sentido.
    — Por que?
    — Nada, só pra avisar.
    — O fazendeiro corno?
    — Acho que sim. Tudo tá muito quieto, o assunto muito abafado e eu sei por experiência própria que o silêncio pode ser um alerta para o perigo à frente.
    — Tem outra arma? — Ela me olhou assustada e eu achei isso engraçado. Era só uma pergunta.
    — O que raios acha que eu sou? Uma mercenária?
    — Não, sua idiota! Foi só pra saber!
    — Quando eu acho que você vai dizer algo comum, sempre solta essas coisas imprevisíveis.
    — Entenda como um dom.
    — Com certeza é.
    — O que você fez durante todo esse tempo? — Ela sabia o que eu estava perguntando e notei o exato momento em que sua expressão mudou de preocupada para relaxada.
    — O mesmo de sempre, com a diferença que eu tentava te esquecer durante todos os minutos.
    Sua resposta me pegou de surpresa e antes que eu pudesse me repreender, um sorriso satisfeito enfeitava meus lábios. Não por saber do calvário dela, mas por saber que mesmo depois de tudo, Laur continuara pensando em mim, assim como eu nela.
    — Eu terminei de escrever meu livro e li bastante.
    — O livro com alguém igual a mim.
    — Para de ser convencida, ele só é parecido. Ou como queira dizer, para ficar mais elegante, inspirado em você.
    — Fiz umas anotações. Escreveu alguns absurdos que eu não falo nem ferrando.
    Anotações? Aquilo devia ser interessante. Imaginar a sua cara, lendo as passagens que eram praticamente iguais à nossa vida, deveria ter me feito gargalhar. Principalmente com as cenas cômicas, que eu sabia muito bem que Laur xingaria até a minha quinta geração.
    — Foi de propósito.
    — Pois eu escrevi o propósito com o qual eu faria aquilo, ou melhor, com o qual eu não faria. Ainda não terminei minhas observações, mas assim que terminar te mostro, pra poder melhorar no próximo.
    — Quem disse que eu quero melhorar? E não sabia que tinha comprado esse.
    — Se não quer, problema seu. E bom, não comprei, quem me emprestou foi o Rodrigo, pra tentar abrir meus olhos e me chutar atrás de você.
    — Ele conseguiu?
    — Está aqui, não está?
    Ignorei sua pergunta, respondendo com outra, muito mais confortável para mim.
    — Ele não ficou bravo por riscar o livro dele?
    — Ainda não sabe e estava contando com a opção de você autografar outro exatamente igual pra eu poder devolver no lugar. Se importaria?
    Pensei um pouco, pelo menos fingi pensar, porque na verdade, me olhando daquela forma, Laur teria o que quisesse de mim. Era uma mulher decidida, mas ter meu coração praticamente nas suas mãos me deixava bem suscetível ao seu charme.
    — Claro que não.
    — Que bom, porque acho que ele ficaria bravo.
    — O que achou?
    — Do livro?
    Confirmei com um balançar de cabeça, temendo a sua opinião, mas desejando-a de qualquer forma. O personagem tinha sido completamente inspirado nela e se ela não gostasse, seria um tremendo de um trabalho mal feito.
    — Eu gostei, achei uma linha diferente dos outros.
    Ela respondeu e notei a sua falha. Há algum tempo Laur tinha me dito que lera somente um livro meu, mas falando daquela forma, parecia mais que ela tinha lido todos eles. Não saberia meu padrão se não o tivesse feito.
    — Leu todos, não leu?
    — Me pegou. Fiquei curiosa.
    Não precisava ter lido todos para matar a curiosidade, mas eu não comentaria isso com ela, feliz demais por notar que Laur já me procurava antes mesmo de saber que eu voltaria.
    — Se você escrevesse, eu também ficaria curiosa.
    — Eu escrever? Só em outra vida, estou muito bem com as coisas do jeito que estão.
    E ela fazia as coisas muito bem, eu sabia.
    Laur estacionou na frente do clube, demorando um tempo para descer, e vindo até meu lado para abrir a porta. Não tinha feito isso na hora que foi me buscar na fazenda, mas eu suspeitava que era por estar nervosa demais para pensar em outra coisa que não respirar.
    Me sentia da mesma forma.
    Ela segurou a minha cintura e desceu, sem o menor esforço. Seu toque deixando um rastro de calor onde sua mão roçava o tecido da minha camiseta. Ficar no clube nem me parecia assim tão bom, preferia mil vezes aproveitar a noite e madrugada na casa dela. Mil vezes, se não mais.
    — Sei o que está pensando e logo a gente vai embora.
    Ela só podia ler mentes.
    — Vamos fazer disso um hábito? Temos que aproveitar um pouco, não é?
    — Então, não me olhe como se fosse me chupar aqui no meio do estacionamento, diacho! E meu conceito de aproveitar incluem muitas coisas, sendo que esse lugar, é
o último deles.
    — Teremos um bom tempo para aproveitar.
    — Agora sim falou minha língua.
    Sorri abertamente. Era bem mais fácil lidar com essa mulher ao invés da sarcástica que encontrara no início.
    Laur segurou minha mão e nos arrastou clube adentro, ignorando completamente os olhares de cobiça que as mulheres lançavam na sua direção. Seu foco estava em mim e como eu poderia desejar outra coisa na vida?
    — Até que enfim chegaram! — Rodrigo levantou e falou alto, nos cumprimentando, sentando novamente logo em seguida.
    Laur e eu sentamos na sua frente, vendo Mag ao seu lado, bebendo e olhando para a minha mão na dela, intrigada. Como se perguntasse com o olhar, se finalmente tudo estava certo. Ela provavelmente não aguentava mais a minha depressão pelo celular.
    — Laur, eu preciso te agradecer, já não aguentava mais a Mila reclamando! — Ela deixou escapar e eu a fuzilei com o olhar.
    — Ela ficou reclamando? — Ela olhou dela para mim, com um sorriso triunfante, do tipo que sabia ter me marcado a ponto de não conseguir mais esquecer nossos momentos.
    Mag acabara de enterrar meu orgulho a vários metros de profundidade.
    Como se não bastasse ela já ser convencida o suficiente.
    — Muuuuuito! Do tipo muito mesmo! Mas ela não tocava muito no seu nome... — Mag tentou consertar a burrada que tinha feito, mas agora já era.
    Laur me pressionaria até que eu admitisse ter sentido a sua falta tanto quanto ela sentira a minha.
    — Não tocava, não é? Imagina se tocasse. — Ela sorriu e continuou me olhando, de forma irritante.
    Se eu pudesse, atiraria um copo na sua cabeça só para tirar essa presunção do seu rosto.
    — O que vão fazer agora? — Mag perguntou e eu queria mais do que nunca calá- la e fingir que não a conhecia.
    Não se perguntava uma coisa dessas para ferrar a amiga, era golpe baixo. Era a mesma coisa que eu perguntar em que pé ela e Rodrigo estavam. Mas claro que eu não seria tão indelicada quanto ela. Merecia, mas eu não seria.
    — Temos tempo pra decidir. — Laur disse e deu de ombros, parando uma das garçonetes para pedir um suco, como se não tivesse acabado de não dar a menor importância para o nosso futuro.
    — Mila vai ficar? — Mag perguntou e ela respondeu com um aceno, o que a fez olhar para mim, que fiz o mesmo que ela.
    Não viera de tão longe em tão pouco tempo para querer voltar. O máximo que eu faria era pegar minhas coisas, meu carro e o resto decidiria depois.
    Parecia não ter tanta importância.
    — Ah, que maravilha! Alguém pra poder conversar comigo!
    — Eu trabalho também! — argumentei, senão ela me colocaria para costurar as suas encomendas.
    Sem o menor remorso, inclusive.
    — Você pode levar seu notebook na loja e eu te ajudo com ideias.
    Mag me ajudando com ideias? Por Deus, já conseguia até ter uma noção da loucura que meus personagens teriam se eu a deixasse me influenciar no processo de escrita.
    — Me arrepiei com isso. — Murmurei, desgostosa.
    Ela sorriu com a minha agonia, atitude de uma ótima amiga, com certeza.
    — Está vendo! É um sinal!
    — Sinal de que tudo vai descer ladeira abaixo, como a lama da chuva. — Laur comentou no meu ouvido, baixo, e eu caí na gargalhada.
    Era exatamente naquilo que eu pensava.
    — Do que vocês tão rindo aí? — Ela perguntou, desconfiada.
    — Nada, Mag, só tava contando umas piadinhas sujas pra Mila. — Ela respondeu calmo e eu a olhei brava.
    Não precisava me jogar na linha de fogo só para tirar o dela da reta.
    — Não vão beber? — Ela perguntou, assim que a garçonete trouxe dois copos de suco.
    — Não, temos uma coisa mais interessante a fazer e não quero o álcool atrapalhando.
    Dei uma cotovelada na sua barriga e a senti pular, derrubando um pouco de suco na calça. Definitivamente, não era para ficar contando o que faríamos para as pessoas. Eu odiava de verdade essa mania sua e a forma como ela fazia disso nada menos do que normal.
    — E não é verdade?
    — Mas ninguém precisa saber! — falei baixo entredentes.
    — Certo, certo!
    — É nossa vez, vamos Mag? — Rodrigo chamou minha amiga assim que ouviram
o aviso sobre o concurso pelos alto-falantes.
    Deixando eu e Laur sozinhas. Sozinhas.
    Sua mão subindo pela minha coxa não era apenas fruto da minha cabeça, até porque os arrepios eram mais do que reais, inclusive meus olhos de espanto, tentando descobrir se mais alguém além da gente sabia que aquilo estava acontecendo.
    O clube pelo visto lotava mais no sábado do que na sexta. Na última vez estava cheio, mas dessa estava ainda mais.
    — Laur! — A repreendi e ela sorriu, maliciosa.
    Até parece que não me provocaria no meio de todo mundo.
    Laur era um perigo. Das bravas.
    — Por que a gente veio pra cá pra começo de conversa? — Ela sussurrou no meu ouvido e sua voz correu por todo o meu corpo, deixando-o completamente desejoso.
    — Por causa dos nossos amigos?
    — Ah, eles podem se virar... Se a gente sair agora, ainda dá tempo de andar perto do lago, estender uma toalha no meio da escuridão e fazer coisas muito mais interessantes.
    Eu consegui imaginar o cenário completo, até mesmo todas as sensações e só pensava no quanto queria aquilo. No quanto precisava daquilo.
    — Depois não vai dar?
    — Acho que a lua nesse horário é muito mais bonita, e as estrelas... Estarão lá nos esperando.
    Eu a amava. Tinha certeza.
    Não era uma paixão, ou algo levado pelo desejo. Eu amava Laur, sua obsessão pelas estrelas. Amava tudo dela, até mesmo quando ela tirava suas horas para me irritar, ou quando ela se infiltrava nos meus sonhos e fazia absurdos para me ver sorrir.
    — O que está esperando?
    Falei, brincando e senti quando ela se levantou bruscamente, me levando para fora do lugar, totalmente apressada. Achava que nunca ficaríamos até que os shows terminassem, porque Laur nunca deixava. Mas eu não reclamaria, teríamos ainda muitas oportunidades.
    Nesse momento, eu só queria ela me amando, venerando como tinha feito nas outras vezes.
    Ela me levantou rapidamente, assim que chegamos na Dodge e subiu apressada, saindo como uma louca, segurando seu chapéu antes que ele voasse com o vento forte que passava pela janela aberta.
    Aquela cena teria sido engraçada se eu não sentisse a mesma necessidade me dominando.
    Alguém buzinou no sentido contrário, provavelmente, um conhecido e Laur acenou com a mão em resposta.
    Eu gargalhei.
    Ela nervosa era engraçado.
    — Por que tá rindo?
    — Você está nervosa...
    — Diacho! Não tô não!
    Gargalhei ainda mais alto, enquanto Laur passava pela cidade e seguia para a estrada que levava para a sua casa. Rápido demais para quem não estava no mínimo nervosa e ansiosa.
    — Não tem problema em admitir que não consegue mais ficar um tempo sem me ter. — falei, provocativa, notando o sorriso lascivo que se abria no seu rosto.
    O chapéu tapando seus olhos e provocando uma sombra maravilhosa nos seus lábios. Aquela era com certeza a visão do pecado encarnado. Um pecado que me faria perder a linha e me afogar mais e mais na fonte de prazer que ela prometia.
    Laur freou com tudo, me fazendo ir para a frente com o solavanco, olhando diretamente à nossa frente. Segui seus olhos e notei um carro parado, atravessando a estrada e bloqueando qualquer movimentação, propositalmente.
    Assim que paramos completamente, sem sair da caminhonete, um homem abriu a porta e saiu com uma arma apontando diretamente para o motorista, sem conseguir saber que eu estava ali por causa do insufilme forte no para-brisa.
    Olhei para a Laur e ela olhou para mim, o medo claro nos seus olhos. Mas não era medo por ela, era medo por mim.
    — Mila, abaixa, ele não tá te vendo. — Ela sussurrou, e eu fiquei sem saber o que fazer, se abaixar ou continuar na mesma posição, prestes a enfrentar qualquer coisa por ela.
    — Não. — Puxei a manga da camisa dela, tentando impedir que descesse.
    — Se ele vier aqui, vai te ver.
    Sua preocupação era eu. Mesmo que a arma estivesse apontada diretamente para ela, através do vidro negro.
    Laur desceu rápido e fechou a porta, eu notei apavorada enquanto ela erguia as mãos e seguia desarmado na direção do homem, que apontava a arma para o peito dela. Não sabia o que a pessoa queria, mas ser rápida não era uma delas, queria humilhação, queria uma amostra de como era ser rebaixado.
    Ah, merda.
    Merda.
    Laur acabaria morrendo por algo que ela não tinha culpa e eu não deixaria isso acontecer. Nem que eu não a amasse.
    Abri o porta-luvas cuidadosamente, sem querer fazer barulho, sabendo que Laur tinha se arriscado e ido sem a arma porque o seu medo era o homem se apressar e me ver, matando nós duas.
    Ela se arriscara por minha causa. Minha causa.
    A caixinha era pesada nas minhas mãos, mas não me prendi a esse detalhe, destravei-a e o metal frio entrou em contato com a minha pele, um metal que carregaria sangue ou morte, eu não sabia dizer. Só sabia que eu seria capaz de qualquer coisa para poder salvá-la. Era minha mulher, que tinha me protegido como sua mulher.
    E tínhamos a vantagem da minha surpresa.
    O homem mandou Laur ir à sua frente e ele se virou de costas para a caminhonete, completamente concentrado no caminho que faziam. Puxei a maçaneta da porta, torcendo para que ela não fizesse tanto barulho e que o som da natureza à nossa volta, os sapos coaxando, grilos cantando e até mesmo das cobras chiando pudessem abafar a minha manobra arriscada.
    Eu nunca sentira tanta coragem na vida, mas naquele instante me sentia uma verdadeira super-heroína.
    Desci e quando meus pés encostaram no chão, o homem se virou para mim, prestes a apontar a arma, puxei o gatilho mirando na sua perna, ou em qualquer outra parte que eu conseguisse acertar. A minha sorte era que meu pai adorava espingarda de chumbinho e me ensinara a mirar com ela, com uma dedicação invejável, não era a mesma coisa, mas já ajudava.
    Quando a arma fez barulho, eu já não sabia se tinha sido a minha ou a dele. Os segundos passando mais rápidos do que eu acreditava ser possível. O medo se tornando palpável e deixando a atmosfera pesada à nossa volta.
    Uma pessoa caiu.
    Com o vermelho manchando a sua calça, uma mancha vermelho brilhante.
    O barulho oco da sua queda, sendo ecoado em mim, como uma lembrança da consequência dos meus atos.
    Laur se levantou e olhou para trás, arregalando os olhos assim que notou o que eu fizera.
    Soltei a arma no chão, entorpecida, aterrorizada com o que eu acabara de fazer.
    Eu tinha atirado em um homem. Meu Deus, eu atirei em um homem.
    Levei as mãos à boca, em choque, sem saber o que fazer, congelada no lugar, a verdade caindo como um manto de escuridão em mim.
    Laur correu na minha direção e me segurou, antes que eu desabasse no chão, frágil e afetada. Chorando copiosamente, sentindo as minhas mãos tremerem com o nervoso e adrenalina. Sentindo algo em mim se corromper com a má ação.
    — Mila, fica calma. Meu Deus, Mila, por que fez isso? — Ela perguntou e eu podia jurar que notava o mesmo desespero na minha voz sendo espelhado pela sua.
    Eu não conseguia conversar, não agora.
    Me virei e apoiei meu rosto no seu peito, sentindo o calor me confortar, enquanto tudo em mim parecia tremer.
    — Devia ter deixado as coisas acontecerem... Ficaria bem.
    Ela não entendia que eu não ficaria bem sem ela? Como raios ela acha que eu ficaria se a visse sendo executada na minha frente, por tentar me salvar?
    — Não... fi-fi-ficaria.. — falei soluçando.
    O medo me dominando. Me fazendo fechar os olhos, temendo a escuridão, que me puxava mais e mais.
    O corpo da Laur caído na estrada, uma imagem que não acontecera, mas que me deixara em choque a ponto de fazer qualquer coisa para salvá-la.
    — E... Agora? — perguntei.
    Eu tinha atirado em um homem. Não havia como fugir disso.
    — Eu vou ligar pra polícia.
    — Mas, eu atirei em alguém. — Os soluços pareciam fazer tudo sair distorcido.
    — Não foi você. Fui eu. Eu atirei. — Laur pegou a arma a limpou e deixou em cima do capô da caminhonete.
    A olhei preocupada.
    — Eu me virei, sem ele saber que eu estava armada, e atirei na perna. Você ficou na caminhonete, o insufilme a protegeu e o homem não sabia que estava ali. Fiz isso pra ele focar em mim e não em você, desprotegida.
    — Por que?
    — Porque você não precisa passar por toda essa merda por ter me salvado. Eu quem devia ter feito isso.
    — Mas você fez...
    Laur me salvou quando desceu da caminhonete na coragem, só para o homem não chegar mais perto e acabar me vendo.
    — Não, você fez... Agora senta aí e descansa um pouco. — Ela me subiu pela cintura até a cabine e pegou o celular, ligando para a polícia.
    Será que acreditariam na versão dela?
    Respirei fundo e esperei.
    Sem conseguir acreditar no que tinha feito.

 


Notas Finais


Até daqui a pouco com o próximo capítulo


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