História Raio do Céu Azul (ShikaTema) - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Kankuro, Karura, Mirai Sarutobi, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Rock Lee, Shikamaru Nara, Temari
Tags Amor, Drama, Maternidade, Pais, Romance, Shikamaru, Shikatema, Temari
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Palavras 2.323
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura...

Capítulo 2 - Pai, mãe estou grávida


 

Cruzo a soleira deixando meu casaco no cabideiro atrás da porta e meus sapatos na pequena cômoda. Passo meus olhos pela sala de estar, um sofá de três lugares e duas poltronas creme com flores cor de rosas desenhadas, a mesa de centro de vidro com apenas um cinzeiro de cristal ao meio, a televisão desligada e vários porta-retratos de férias ou atividades em família espalhados por todos os cantos. Suspiro. Tudo como sempre foi e sempre será.

                Subo as escadas para o meu quarto, o corredor vazio com cinco portas se estende a frente, o primeiro dos meus pais, o segundo meu, e do outro lado, os quartos de Kankuro e Gaara, o banheiro bem ao final. Abro a pequena porta de madeira, o cheiro forte de incenso invade minhas narinas causando um mal-estar ao meu estômago sensível, ando rápido até a porta branca com algumas figurinhas infantis presas.

                Solto um baixo muxoxo adentrando o pequeno cômodo, ao centro a cama de solteiro coberta com um grosso cobertor felpudo vermelho, dois bidês com dois abajures brancos sobre, um de cada lado da cama, próximo a janela um sofá recheado de almofadas coloridas, mais ao lado uma escrivaninha com meu notebook branco e alguns poucos cadernos da escola e alguns livros não terminados. No outro lado a cômoda branca com um único porta-retrato, minha família inquieta e estranha, as paredes azuis e nuas vão de encontro com as portas cinzentas do armário.

                Meu pai detesta pôsteres e fotos espalhados em um ambiente íntimo e aconchegante como quarto, “um lugar sagrado não deve ser exagerado”, dizia em todas às vezes que tentei por um pôster de uma banda que curtia, ou fotos com amigos da escola. “Fotos são para álbuns”, murmurava, “apenas fotos de família são permitidos”. Reviro os olhos com as lembranças bobas que iam e viam de uma vida regrada.

                - Não foi a escola hoje, minha querida? – minha mãe espia pela porta. Seus cabelos que estão sempre presos, hoje caem soltos pelos ombros.

                - É sábado – murmuro.

                - Ah! Estou perdida no tempo – ri estética.

                - Se saísse um pouco de casa – digo sem humor.

                - Minha filha, cuidar de vocês é a minha sina, meu desejo – sorri – Quando você for mãe... – inicia mais um discurso chato que toda mãe no mundo deve falar. Se ao menos ela soubesse que sou uma aprendiz da vida materna, que estou carregando seu neto ou neta no ventre.

                - Mãe, agradeço tudo que faz por nós, faz minha vida neste mundo ser melhor – digo com sinceridade – Eu te amo – a abraço apertado.

                - Meu amor – corresponde ao abraço afetuoso – vem, me ajude a preparar o jantar.

                - Mãeee... – choramingo.

                - Alguém tem que me ajudar – sussurra – seu pai proibiu Gaara de entrar na cozinha, sabe o que ele pensa sobre estas tarefas.

                - A senhora deveria por um limite no papai – resmungo.

                Ela me dirige um olhar severo.

                - Não resmungue criança – reprende.

                Imagino se ser mãe é assim, causar medo a terceiros apenas com um olhar.

                Ela me arrasta até a cozinha. Suspiro. Está casa parece aquelas casas antigas e sem vida, vemos cor desenhos e formas apenas em papéis de paredes e estofados, o restante não passa de branco, cinza ou marrom. Uma casa morta, para pessoas mortas. Era o que vovô vivia dizendo.

                Não que fossemos infelizes, não somos. Mas minha mente depressiva pelas recém descobertas me faz ver somente o lado ruim de uma vida inteira vivida entre estas paredes. Sinto medo, muito medo da reação de papai, não da opinião ou ação dele como pai, e sim, como reverendo. A família perfeita deverá sempre se sobressair, era um fato. Nem sempre ele fora dessa forma, já foi alguém comum, contudo, a profissão o mudou.

                Mamãe põe a minha frente uma tábua de cortar carne e alguns tomates, seus olhos violetas brilham, seus cabelos loiros areia são, finalmente, presos com um elástico preto.

                - A algo diferente em você, a dias ando te observando – engulo a seco – teu mal-estar não passou, não é? – mães, sabem de tudo e veem tudo. Nunca conseguirei manter um segredo para mim mesma enquanto ela estiver neste mundo.

                - Mais ou menos – minha voz sai falha.

                - Tem algo para me contar? – prendo meu olhar sobre a faca ponderando entre dizer e não dizer.

                Volto meu olhar a ela, talvez ela seja a única que possa neste momento me ajudar com papai, mas antes que eu abra a boca para falar, ele surge a porta com um sorriso de orelha a orelha, deposita sua pasta rapidamente sobre a mesa, aperta minha bochecha e se põe ao lado de mamãe me olhando com seus olhos castanhos curiosos, os cabelos castanhos avermelhados estão com resquícios de neve que aos poucos se derrete. Eles me lembram um casal jovem de namorados, contudo, já são mais de vinte anos de casados.

                - Minhas meninas – sorri – o que Temari tem para contar? – questiona depois de dar um rápido selinho em minha mãe.

                - Nada – volto afoita a atenção para os tomates, picando-os um seguido do outro.

                - Filha, teremos um convidado para o jantar – sorri largo mudando de assunto – se tudo correr bem, será seu noivo – corto a ponta do dedo com a faca. Corro para a pia e ligo a torneira.

                - Filha, você está bem? – minha mãe vem em meu socorro.

                Prendo o olhar no sangue vermelho escuro que aos poucos começa a verter se misturando a água, inerte aos alardes em meu redor. Casar? De repente não me parecia uma má ideia, retirando é claro, o fato simples de...

                - Estou grávida! – solto de uma única vez com a pouca coragem que juntei, não teria meu filho criado por um fanático, a vida desta criança seria diferente da minha, comum, como a de todos.

                - Que tipo de brincadeira é essa? – mesmo tentando manter a seriedade em sua expressão, podia ver a decepção estampada em seus olhos.

                E pela primeira vez na vida eu soube o que é morrer, morrer ao decepcionar alguém que é importante para mim. Por mais que reclame dele, ele continua sendo meu pai, que me deu a vida, que me criou. Fecho a boca temerosa, olho para baixo, o sangue que deveria agora estar correndo, cessa.

                - Temari, não se brinca com uma coisa dessas, meu amor – mamãe tenta apaziguar a situação enquanto desliga a torneira e procura por um curativo.

                - Não estou brincando – sussurro para mim mesma.

                - O que disse? – meu pai volta a questionar.

                - Que não estou brincando – digo mais alto – pai, mãe, eu estou grávida.

                - Grávida?! – ri sem humor – Isso só pode ser um pesadelo. Quem é o pai? É algum namorado seu que não quis nos apresentar? Um aproveitador? – as perguntas jorravam de sua boca uma atrás da outra sem parar.

                - Pai – o interrompo – Eu não sei quem é o pai.

                - Está me dizendo que minha princesinha, minha única filha, dormiu com vários homens na rua? É isso mesmo?

                - Pai – murmuro com lágrimas nos olhos – E-Eu... – minha boca seca, não há mais nada o que dizer, a vergonha que sinto neste momento é tão grande, não consigo olhar em seus olhos – Eu sinto muito.

                Um alto estalo ecoa pelo cômodo, minha face lateja, um zumbido baixo cobre minha audição. O olho assustada, por mais que eu fosse desobediente e travessa, ele jamais ergueu um dedo para mim. Ele olha para a própria mão levantada, as esferas castanhas são encobertas pela vermelhidão em seu redor.

                - Rasa! – minha mãe o reprende.

                - Você me enoja! – diz entre dentes – Não merece carregar o nome desta família.

                - Pai...

                - Não, não me chame mais de pai, de agora em diante somos estranhos, EU NÃO TENHO MAIS FILHA – grita – uma vagabunda...

                - Rasa, está indo longe demais!

                - SE CALE, KARURA! ESSA GURIA NÃO MERECE TER MEU NOME OU MEU SANGUE – vocifera.

                - Tem razão – digo – não mereço pertencer a essa família, ela é perfeita demais, é podre demais. Não mereço ser tua filha? Tu não mereces ter uma filha como eu. Um homem como senhor, tão egocêntrico, egoísta, só vê o que quer, mata sua família à mingua – minha face volta a latejar.

                - Saia desta casa, te quero na rua antes do meu jantar, com a minha família.

                - Se minha filha sair, eu também irei, Rasa e levarei meus filhos – ameaça.

                - Vá, quero ver se sobrevive sem mim.

                - Parece que meu marido esqueceu com quem casou – me pega pela mão e sobe as escadarias.

                Tento controlar o choro, mais é impossível, nunca vi minha mãe erguer a voz com Rasa, ela sempre fora tão gentil e doce, uma paciência invejável. Abre a porta do meu quarto e me puxa para dentro. Caminha até o armário e pega duas malas. Volta até a porta.

                - Gaara, Kankurou! – chama-os – seu pai está de cabeça quente – se desculpa por ele – deveria ter me dito antes, eu poderia tê-lo preparado melhor...

                - Mãe – interrompo – eu ou a senhora contando, não faria diferença alguma. Ele teria a mesma reação e faria a mesma coisa. Naquele momento ele não estava sendo meu pai, mas o reverendo.

                - Filha – ela desvia o olhar envergonhada – vamos guardar suas coisas, nosso antigo apartamento está vazio, você vai para lá até apaziguarmos a situação.

                - Obrigada mãe – como sempre, ela continuaria nesta casa e com ele, porque ela o ama, não importa o erro que ele cometa, desde que não fira sua dignidade.

                - O que estão fazendo? – Kanurou pergunta sonolento.

                - Me ajude a fazer as malas da sua irmã. Onde está Gaara? – vai e volta do armário carregada com uma pilha de roupas.

                - Foi para a casa da vovó, como faz nos fins de semana – dá ombros.

                - Me ajude aqui.

                Mesmo sem entender, ele a ajuda sem questionar uma vez sequer, pego mais duas malas pequenas e junto meus objetos pessoais, vou até a porta principal, recolho meus casacos e sapatos que estavam por ali. Por sorte, não o encontrei em nenhum segundo que precisei sair das paredes daquele quarto. O lugar que vivi desde o nascimento. Mamãe conta que antes de mim, viviam em um apartamento mais próximo ao centro da cidade, Kanurou e Gaara nasceram lá, mas ao se descobrir grávida de mim, ela decidiu que estava na hora de se mudar, e assim, viemos parar nesta casa, em um distrito mais afastado e familiar.

                Desço a escada lentamente, carregando um álbum velho e surrado de quando era criança e uma mochila pendurada no ombro. Deposito-os sobre a mesa ao lado da escada, ponho meus all star brancos e um casaco de lã batido preto. Me despeço em silêncio das boas memórias que tive ali. Junto minhas coisas e saio dando um último adeus a quem eu fui e um olá a quem serei a partir de agora.

                Kankurou me espera com a porta do passageiro aberta, assim que entro ele fecha e senta a frente junto com mamãe que dirigirá até nosso destino.

                - Vai ficar tudo bem – minha mãe sorri gentilmente antes de dar partida no carro.

                - O que aconteceu? – Kankurou finalmente questiona.

                - Sua irmã está grávida – diz sem desviar os olhos da pista.

                Kanurou assovia alto escorando-se ainda mais contra o banco de couro preto, mas se mantém calado, sem questionar ou julgar.

 

                [...]

 

                Estaciona o carro em frente a um prédio antigo de tijolos maciços pintados por um vermelho quase marrom. Abro a porta e sem muita vontade o desço, pego minha mochila e o álbum e adentro o prédio seguido pelos demais carregados com o restante das malas. O saguão surge logo a frente depois de uma enorme porta de vidro, por dentro, um belo saguão, o piso de granito creme dá um ar mais sofisticado, o que me impressiona, as luzes fluorescentes estão todas acesas.

                Um homem grisalho surge a entrada com um enorme sorriso de orelha a orelha.

                - Karura! – abre os braços em sua direção.

                - Hisoka! – corresponde o gesto.

                - Está retornando? – acena de cabeça para mim e meu irmão.

                - Apenas vim trazer minha filha – sorri – ela ficará aqui por um tempo, sabe como são os jovens.

                - Ah, claro! Seja bem-vinda, menina – sorrio tímida.

                - Precisamos subir – ela se apressa, nos empurrando em direção ao elevador.

                Solto um longo e pesado suspiro. De filha caçula e “quase protegida”, passei a ser a menosprezada, esquecida. Um erro, um erro, apenas um pode destruir toda uma vida. Ninguém jamais elogiará seus acertos, seu bom trabalho, mas cometa um erro e as críticas brotaram de todos os lados, dedos apontados, olhares tortos.              

                O leve soar do elevador nos avisa que chegamos ao nosso destino, dou uma pequena olhada em direção aos espelhos antes de penetrar pelo corredor longo, o chão de granito marrom bem encerado, paredes cremes e portas caramelo. Paramos em frente a quinta porta, e diferente do lado de fora, dentro encontramos uma variedade quase extraordinária de cores, muito diferente de casa, quer dizer, minha antiga casa.

                Logo atrás da porta de entrada a um pequeno armário integrado com alguns cabides e prateleiras. Retiro meus sapatos e os sigo pelo pequeno corredor. O assoalho de madeira segue até o enorme tapete felpudo azul turquesa, mesma cor que cobre todas as paredes existentes, um enorme sofá branco posicionado ao meio da sala de star coberto por diversas almofadas coloridas, duas poltronas de mesma cor, uma de cada lado; próximo a enorme janela um painel preto e uma enorme televisão.

                Giro sobre os calcanhares encantada com a diferença exorbitante desta casa para com a nossa.

                - Gaara? – estranho mamãe o chamar sabendo que aos fins de semana ele vai até a casa da vovó que mora não muito longe daqui.

                - Por que Gaara estaria aqui? – sussurro para Kankuro.

                - Bem, Temari, aparentemente nossa família só é perfeita aos olhos do papai.

 

             


Notas Finais


Continua...


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