História Ralph - Capítulo 1


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Categorias Detroit: Become Human
Tags Dbh, Detroit: Become Human, Ralph, Wr600
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Palavras 1.286
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olha só quem voltou (mais tarde que eu gostaria, mas ok)

E bem, já vou dizendo que a fanart da capa NÃO é de minha autoria, mas foi ela que me inspirou a fazer essa one, e acho que sem colocar ela de capa não seria a mesma coisa.

Queria agradecer a @dieonline por ser a primeira leitora dessa one e por me encorajar a postar (lê-se ameaçar) sem tua opinião isso não teria saído do rascunho nene <3

Eu ia escrever mais um textão aqui, mas fica pras notas finais

Abram seus corações e sintam <3

Capítulo 1 - Flowers make people happy


Ralph não sabia ao certo o que significava ser belo.

Em seu sistema as memórias perdiam-se, dispersas e confusas, e haviam muitos dados corrompidos.

Lembrava-se de um lindo jardim. Era extenso e diversificado, abrigando muitos tipos de flores, inclusive as rosas, as quais gostava muito. Haviam árvores e canteiros com frutos, e mais ao fundo, a estufa. Nunca esqueceria do lugar que passou o maior tempo da sua existência.

Regava as flores constantemente, podava-as com muita destreza. Fazia seu trabalho com o máximo de eficiência, nunca tomando distrações como opção.

Durante a noite, cuidava da casa, muito atento a qualquer barulho e movimento. Ouvia gritos vindo da casa; por vezes, coisas se quebrando. Brigas. E um choro de súplica.

Não perguntava sobre, não devia e nem tinha curiosidade.

Algum tempo se passou desde que tinha sido comprado, e os humanos não iam mais ao jardim com frequência. Exceto uma garotinha.

Laureline vinha ao jardim todos os dias. Ali brincava, sozinha, caçando borboletas e correndo atrás delas para tentar pegá-las a todo custo. As vezes, ela sentava no banco de mármore branco e ficava observando Ralph trabalhar, balançando os pés no ar, inquieta. Nunca tinha falado com ele até então.

Ralph precisava também ficar sempre de olho na garotinha, zelando por ela.

- Você parece um anjo, sabia? - Ele ouviu uma vez enquanto trabalhava, parando no mesmo momento o que estava fazendo para dar atenção a ela. Ela sorria muito radiante.

- Um anjo? - Ele perguntou, sem compreender, tentando achar alguma resposta em seu programa para aquilo.

- É, tipo... Anjos são bonitos igual você! - Ela respondeu simplesmente, sorrindo de orelha a orelha. Mas Ralph não soube reagir àquilo. Virou o rosto em direção a uma das janelas da casa, olhando para o seu reflexo no vidro. Tinha uma expressão serena no rosto fino, e cabelos louros. Sem falhas. Quase que perfeito, qualquer humano poderia achar, mas ele não compreendia o tamanho daquilo.

- Eu acho rosas muito bonitas. - As palavras pularam de sua boca, e só depois ele foi perceber. A menina assentiu, concordando.

- Flores fazem as pessoas felizes. Sei disso porque mamãe adorava receber flores do papai. Não sei porque ele não trás mais flores pra ela, ele sabe como ela gosta... - A garota começou a andar, com Ralph a acompanhando. Ela falava muito, e o andróide era um bom ouvinte.

Alguma coisa na menina o fascinava, fazendo-o desejar cada vez mais a companhia dela, e ela compartilhava do mesmo sentimento por ele. Todos os dias a partir dali, ela vinha vê-lo para conversar. O assunto raramente morria, porque a garotinha era muito enérgica e nunca parava de falar. A maioria das vezes Ralph apenas a escutava, a não ser quando ela percebia estar falando demais, ou quando queria a opinião dele para algo. Eles se acostumaram, também, a fazerem o dever escolar dela juntos, e com o básico que o andróide tinha programado, tentava ajudá-la. Ralph a viu rir, chorar, sentir medo e até raiva. E sempre estava lá por ela.

A relação forte que Laureline criava pelo andróide não passou despercebida pelo pai, que ofereceu um andróide novo a ela, especialmente para fazer-lhe companhia, como uma criança ou uma babá. Mas a menina recusou.

- Ele disse que você só serve para cuidar do jardim, acredita?! Fiquei tão brava com ele, Ralph... - Ela contou, sentada ao lado do andróide no banco de mármore do jardim, balançando os pés. Ele apenas escutava, processando tudo que ela lhe contava. Um medo surgiu dentro dele. E se algum dia fosse trocado? E se a menina abandonasse ele?


Instabilidade de software


Era algo novo; eu não posso perder você. Não quero ser trocado, por favor, eu não quero te perder.

- E se ele não te deixar mais vir me ver? - Ele perguntou impassível, como se aquilo fosse apenas algo que ele precisasse saber, mas que não lhe causasse preocupação. A menina o olhou sério por um momento; mas depois sorriu.

- Não seja bobo! - Ela deu um empurrãozinho nele, de brincadeira. - Ele nunca faria isso.

E de fato não fez. Mas sempre que Laureline precisava deixar o andróide, as dúvidas tomavam conta dele, e o medo dentro de si crescia. Muitos "e se" invadiam seu programa, e isso o fazia sentir-se perdido.

Nunca tinha experimentado desses sentimentos.

Espere, sentimentos?

Alguma coisa estava errada, e Ralph sabia que tinha o dever de relatar o problema a seus donos, para que fosse consertado. Mas seu medo de talvez precisar resetar o sistema e perder todas as memórias com Laureline, o fez desistir.

O tempo passou.

Enquanto vigiava a casa de noite, Ralph presenciava de longe mais uma briga da família, gritos que vinham de dentro da casa.

Falavam de Laureline.

O pai da menina estava enciumado. Não entendia o porque da menina querer passar tanto tempo com um monte de sucata, e como ele mesmo dizia, nem um nome uma máquina como aquela merecia.

Estava com raiva, ciúme, e tinha bebido. Bateu na esposa. Saiu enfurecido de casa.

Laureline tentou segui-lo, desesperada.

- Pai! Pai, por favor... - Ela dizia entre soluços. Sabia onde o homem estava indo.

- Fica na merda da casa ou vai sobrar pra você! - Ele berrou, saindo pela porta dos fundos que dava pro jardim, a batendo com força logo em seguida.

Ralph desejou com todas suas forças que Laureline ficasse na casa, e lá ela ficou, escutando os xingamentos do pai contra o andróide, o barulho de metal contra metal chocando-se, ele usava algo pesado e de ferro, pelos sons que a menina distinguia.

Mas nenhuma súplica ou gemido de dor pôde ser ouvido. Da boca de Ralph, não saiu um único ruído, não importava o quando apanhasse. Ele também não tentou, em momento nenhum, se defender do homem.

Laureline chorou. A mãe tentava consolá-la, mas de nada adiantava.

Abrupto, seu pai entrou na casa.


Venha. Venha ver a aberração que ele é.


Ela não hesitou. Correu para fora da casa, e com os olhos brilhando pelas lágrimas, olhou para todos os lados naquele jardim escuro até encontrar Ralph.

Ele estava encolhido em meio às roseiras que tanto cuidava, espinhos perfurando sua pele de silicone. Estava escuro demais para Laureline enxergar, então ela foi chegando mais perto.

- Não venha ver Ralph. Ralph está muito machucado.

- Ralph? Sua voz... - Ela então afastou as roseiras, mesmo que cortassem suas pequenas mãos com os espinhos, e o viu. Ele exalava medo, e agora, ela também.

Um corte profundo se estendia por todo o rosto dele, um buraco negro com fiações soltas, e havia muito sangue na cor azul que sujava sua pele e cabelos louros. Não se parecia mais em nada com o anjo de Laureline.

A menina pôs as mãos sobre a boca, chocada.

- É isso que ele é de verdade. - Seu pai sibilou ao pé do ouvido. - Essa coisa.

Ralph estendeu a mão, uma expressão de dor no rosto. A menina automaticamente se afastou, com medo, balançando a cabeça em negativo. 

- Laureline... Ralph sente muito... Ralph não quis que isso acontecesse... - Mas ela estava horrorizada.

- Você não é o Ralph. Não é. - Lágrimas escorreram pelos olhos do andróide.

- Ralph não vai machucar você... Por favor...

O pai dela a pegou pelos ombros, para guiá-la para longe dali, e sem resistir, ela foi. Ralph foi deixado a míngua, na noite fria e escura, sozinho, machucado.

Ele não entendia porque Laureline não podia mais gostar dele. Ou porque tinha medo dele.

Passou a noite toda perdendo cada vez mais tírio, com peças danificadas, até o amanhecer. Só aí ele percebeu que se não agisse, eles o levariam para ser jogado fora como lixo.

Então, deixou a casa. O jardim que tanto cuidou, por tantos anos.

Havia uma pergunta que ele sempre quis fazer a garotinha, mas que sempre ficou presa na garganta.

Agora ele jamais saberia a resposta.



" Laureline...
você alguma vez já viu um anjo? "

Notas Finais


Eu vi essa imagem da capa e só consegui pensar em como o modelo WR600 é tão lindo que se parece um anjo, um deus grego, sei lá, mas muito divino. Mas aí outro pensamento invadiu minha mente: essa pele, em tese, é só a casca do Ralph. Me faz pensar que as vezes deixamos nos levar pela beleza, e se esquecemos de ver o que alguém é por dentro, q é o que realmente importa. Claro q não é errado achar o Ralph bonito e pa, mas ele em si não é assim, entendem?

Enfim, já falei demais.

Gostou? Pode clicar no coraçãozinho e me mostrar isso, viu?

Me conta, o que vc pensa sobre o Ralph?

Leia minhas outras histórias >>>

Leo
https://www.spiritfanfiction.com/historia/leo-13820211
RK900:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/rk900-13770774

E é isso aí

Até a próxima (que não demore a vir, amém)


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