1. Spirit Fanfics >
  2. Raposa rosa >
  3. Capítulo único

História Raposa rosa - Capítulo 1


Escrita por: Sabinefran00

Notas do Autor


Escolhi China porque nessa época tava meio difícil para o Japão as coisas então se encaixava mais com a história.
Espero que gostem! Leiam minha outras fics se gostarem desta!

Capítulo 1 - Capítulo único


  - Você se lembra? Sasuke....- Digo pensativa.   

Primavera 1962 – China.

Mesmo naquele ano ainda havia reflexos das consequências da primeira guerra mundial, a China tentava crescer economicamente no mundo, se tornando um pouco mais flexível com estrangeiros. Nessa mesma época uma empresa francesa decidira construir uma espécie de resort na região Yunnan, o local fazia fronteira com a Tailândia, tendo assim uma cultura rica e diversificada. Mas não apenas por isso, sua bela paisagem montanhosa e templos antigos abandonados, tornavam Yunnan única o que poderia chamar o turismo, não apenas o nacional como também o mundial.

Visando isso, um engenheiro fora contratado para conduzir as obras de um resort, esse homem era Sasuke Uchiha. Vindo dos Estados unidos porém de ascendência japonesa, Sasuke era jovem mas detinha muita experiência em projetos como aquele, portanto, a empresa que o contratara, esperava que ele trouxesse o afresco da juventude que aquela região antiga precisava.

 A construção estaria situada numa região próxima à antiga cidade de Ligiang, o local por acaso era meu território. Com o início das obras eu fui altamente prejudicada, uma vez que minhas presas se foram e o que antes eu chamava de lar se transformara em um completo caos. Então, eu comecei à sabota-los, destruía algo ali, quebrava outro lá e iniciei ataques aos operários, para afugenta-los, bem como, devido à fome, tornei alguns minha refeição.

Eu esperava que com tudo isso, as obras parassem e eu pudesse ter finalmente paz, mas não foi isso que aconteceu, Sasuke determinado à prosseguir com a empreitada, ignorou tudo isso, pedindo para aumentar a segurança em torno do local das obras, liberando os funcionários mais cedo e usando materiais mais difíceis de quebrar, tudo que eu havia feito tinha sido para nada.

Minha raiva por ele só crescia, assim decidi que matando-o teria finalmente a solução dos meus problemas, entrei em seu escritório ao anoitecer e tentei rasgar seu pescoço enquanto dormia, mas quando me aproximei, percebi que o mesmo estava chorando enquanto dormia e por conta disso, por um segundo, eu hesitei. Isso deu tempo para alguns funcionários, que ainda estavam no local, percebessem minha presença e assim tentassem me capturar e, possivelmente, matar.

Após me chutarem e socarem enquanto eu estava amarrada sem poder me defender, eles decidem que me matariam, uma vez que, todos os operários da obra eram moradores locais portanto, sabiam o que uma raposa rosa e com nove caudas era. Quando já estavam à um passo de concluir o que planejaram, Sasuke intercedeu, como consequência machucara o braço.

-  O que estão fazendo?! É apenas um animal!! Parem com isso! – Sasuke grita.

- Você não sabe porque é estrangeiro! Isso é um demônio! Uma Huli jing!  - O homem que segurava a espada que, teoricamente, cortaria a minha cabeça,  grita. – Elas devem ser mortas!!

- Eu não vou permitir que matem um animal indefeso por conta de superstição! – Sasuke grita puxando a espada do homem.

- Indefeso?! Pegamos essa raposa com o seu pescoço entre os dentes! Ela ia te matar se não tivéssemos impedido!! Ela tem que ser morta. – Outro homem grita.

De fato, eu pretendia matá-lo e ainda naquele momento, essa era a minha maior vontade, tudo era sua culpa. Se tivesse desistido nos primeiros ataques, não teria me arriscado tanto e não estaria nessa situação. Contudo, se ele decidisse deixar os outros prosseguirem eu não o julgaria, afinal, assim como ele era para mim, eu era um problema.

- Não! Ela deve estar com fome! Não me lembro de aqui ser território de raposas mas nós devemos tê-la assustado...- Ele agacha pegando uma faca do bolso, num primeiro momento acredito que seria golpeada, o que faz eu rosnar em sua direção mas ao invés disso, me desamarra. – Vá, pode ir. Eu não vou machucar você.

Ele sorria para mim gentilmente, na época, eu não fui capaz de entender o porque dele fazer aquilo, eu havia tentado matá-lo e o atrapalhei inúmeras vezes, então, por quê?  Eu sentia tanta dor, ferida, com fome e exausta, antes que eu pudesse correr perco as forças e, parcialmente, minha consciência.

- Deixem! Eu cuido dela. – Posso ouvir sua voz enquanto sinto ser erguida do chão.

--

Acordo assustada sem saber onde estava, olho em volta e vejo o que parecia ser uma cozinha, como também percebo que estava deitada em um travesseiro macio, havia um pouco de carne de carneiro e algumas frutas próximas à mim. Ao olhar o local dos ferimentos vejo que estavam enfaixados, não sentia mais dor, ninguém naquele local faria isso por mim, sabiam o que eu era. Então quem teria cuidado de mim? Eu realmente me fazia essa pergunta, por mais óbvia que a resposta pudesse ser.

- Oh, você acordou...- Sasuke aparece na porta, rosno para ele, era por sua culpa que eu estava naquela situação. – Desculpe se te assustei, eu cuidei dos seus ferimentos, tive por muitos anos um gato então eu sei fazer um pouco esse tipo de coisa. Pode ir embora quando quiser, peguei essas carnes para você, deve estar faminta.

Ele sai me deixando sozinha, ao perceber que não havia perigo, me alimento e opto por permanecer naquela casa até estar totalmente recuperada. Com o passar dos dias, aquele homem trocava diariamente minhas ataduras, inicialmente, eu admito que não aceitei isso bem, mas sua gentileza, doçura e carinho para comigo me amoleceram, então o que era para ser apenas minha recuperação se tornou, um mês, três meses, um ano.

Eu o amava, nunca nenhum humano, em meus mil anos de existência, me tratara da mesma maneira que ele, minha mãe fora morta por humanos, minha avó também e assim por diante, cresci aprendendo a odiar e à teme-los mas Sasuke me olhava com carinho, sendo que para ele eu era apenas uma raposa desgarrada, que um dia ele teria que dizer adeus. Aquilo para mim não era mais o suficiente, eu queria que ele me amasse da mesma maneira que o amava, que me visse como uma mulher e não como seu bichinho de estimação, mas eu temia que ao revelar minha forma humana aqueles olhares gentis de transformassem em ódio.

Então, passei à me destransformar, assumindo minha forma humana apenas enquanto ele dormia, acariciava seu rosto e seus cabelos, almejando pelo dia em que pudesse ser vista da mesma forma que o via. Mas esse dia nunca chegaria, pois em poucos dias Sasuke partiria para os Estados unidos, sua terra natal e eu nunca voltaria a vê-lo, já que as obras haviam terminado.  

Convivendo com Sasuke, pude finalmente entender porque naquele fatídico dia, o mesmo chorava enquanto dormia. À alguns anos ele perdera seu irmão em um acidente de carro, seu nome era Itachi, o tal gato que ele havia mencionado era a única coisa que sobrara de seu precioso irmão mais velho. O vi chorar outras vezes, mas com o tempo, suas lágrimas foram sumindo até que se sessaram, ao menos como raposa consegui fazer algo de bom para ele.

Mas um dia tudo mudou entre nós...

- Eu amo tanto você...eu nunca vou te esquecer...- Digo acariciando seu rosto, sentia lágrimas escorrerem dos meus olhos. – Vou sentir sua falta, só queria que você pudesse ter me visto como humana.

Me assusto ao sentir sua mão repousar sobre a minha. – Mas eu já vi várias vezes...- Ele diz abrindo os olhos.

- S-Sasuke?! – Me afasto surpresa. – Como assim?

- Eu já sei a algum tempo...sempre tive o sono leve, então um dia eu acordei com os seus carinhos em meu rosto. — Diz ao levantar-se do sofá em que dormia todas as noite. — Não nego que fiquei assustado, então fingi que ainda estava dormindo, mas você me disse seu nome, sua história, o que você passou e principalmente o quanto me amava mas que não poderíamos ficar juntos...

— Você...— Tomba sua cabeça para baixo, parecendo pensativo, desvia por um breve instante seu olhar do meu, enquanto o fito incrécula.

— Eu não queria te forçar a me revelar nada então decidi fingir que não sabia, tive medo de você se sentir pressionada e fugir. — Ele solta uma risada anasalada. —...mas eu parto amanhã e não quero ir embora sem que você saiba a verdade...

— Sasuke...

Me fita com os seus olhos tom de ônix, parecendo um pouco hesitante, como se quisesse achar as palavras certas. – Nesse tempo que eu estive fingindo que não sabia que você possuía forma humana, eu...me apaixonei, pelo seu jeito carinhoso de ser, pelo seu olhar, que sempre me instiga, pela sua voz, por absolutamente tudo em você.

- Por que disse isso só agora?! Seu idiota!! — Abraço-o chorosa.

- Me desculpa, eu esperava que você me contasse por si mesma, mas o tempo acabou. – Ele me abraça de volta, deslocando um pouco do cabelo que estava sobre meu pescoço e depositando um beijo em sua curva. – Eu nunca achei que fosse dizer isso algum dia mas eu te amo.

Afasto meu rosto de seu ombro, trocamos olhares por alguns segundos, até que decidimos aproximar nossos lábios. Quando sua boca se colou à minha eu tive certeza que não amaria ninguém assim novamente. Sua língua me pediu passagem, o que eu concedi, a suavidade passeava pela minha boca, meu coração batia acelerado durante todo o tempo e a úmidade do nosso beijo arrepia a minha pele, sinto um certo relaxamento me alcançar quando abro os olhos e vejo que estava tendo as mesmas reações que eu.

Sasuke, pousa suas mão sobre meus ombros, deslocando um pouco do quimono que eu usava, com a pele desnuda, ele passeava seus dedos pelo meu corpo, trafegando um caminho do meu pescoço até minha mão esquerda, ao entrelaçar nossos dedos, sinto sua mão gelada se esquentar na minha. Nossos lábios se separam, ele deposita um beijo em minha testa e então segue para meu pescoço, clavícula e peito, me olha hesitante como se quisesse saber se pode toca-los, confirmo com a cabeça, dando-lhe um sorriso como um sinal para que continuasse.

Sinto o molhado do seu beijo tocar a pele e em cada ato uma sensação diferente me era provocada, de insegurança até felicidade, minha respiração se tornava mais difícil à medida que ele prosseguia pelo meu tronco, a ansiedade me dominava. Tal experiência nunca tivera antes, quando Sasuke alcança minha intimidade, sinto insegurança.

- Não tape o rosto, eu quero olhá-la mais...- Ele diz me fitando-me ardentemente para em seguida afundar o rosto entre minhas pernas.

Seguro firme o lençol com uma das mãos enquanto a outra trava-se nos cabelos negros à minha frente, sua língua mapeava todo o meu interior, a viscosidade me dava arrepios de prazer, até que, um pouco depois que começara, sinto como se uma descarga elétrica se propaga-se pelo meu corpo ao ponto de perder o seu controle, estava embriagada por  tamanha sensação, minha mente fica em branco por alguns segundos. Permanecendo ofegante e, ligeiramente, confusa pelo o que acabara de acontecer, estava certa que eu nunca me sentira tão bem em toda a minha vida.

- Posso? – Sasuke se ergue sobre mim, tirando a única peça de roupa que usava.

- Sim. – Respondo um pouco nervosa.

Ele acaricia meu rosto me beijando docemente, enquanto pressionava meu centro, aperto os travesseiros ao sentir uma dor bem forte subir, sentio-o dentro de mim logo depois. Nos amamos durante toda a madrugada, ao terminarmos Sasuke me abraça e dorme em meu peito. Pela manhã eu parti antes que ele acordasse, me doeria vê-lo ir embora então preferi partir antes.

Naquela manhã seu avião decolou e dentro dele o homem que eu amava, mas aquela não foi a nossa última noite, uns anos se passaram e Sasuke voltara para mim permanecendo ao meu lado até seu último suspiro, com cerca de noventa anos de idade, ele me deixou para sempre, porém nosso amor, história, bem como, os frutos dela, serão eternos.

Tempo atual.

O dia ensolarado contrastava com a brisa refrescante que balançava meus cabelos, trazendo um ar relaxante à aquele enorme campo, as flores de cerejeira voavam revoltas procurando um rumo no enorme céu azul e tudo que eu podia pensar era no quanto você gostaria de estar vendo isso novamente. De alguma forma, o mundo era um antes de te conhecer, se transformou enquanto esteve comigo e depois que você se foi, nunca mais voltou a ser o mesmo, sinto sua falta todos os dias, da maneira como você era metódico com as coisas mais banais, o sorriso acanhado mas não menos radiante, a voz rouca que arrepiava a pele, todas as vezes que sussurrava em meu ouvidos.

Acho que na realidade, não fora o mundo que mudou e sim, eu, odiava os humanos até você aparecer com a sua gentileza e doçura, ainda me lembro do dia que nos encontramos pela primeira vez e pensar que já fazem quase sessenta anos que isso aconteceu.

- Parece que eu nunca me preparei para te perder...mesmo vendo os sinais do tempo em seu rosto...para mim passou muito rápido. – Choro ao depositar as flores sobre a sua lápide. – Hoje faz dois anos que você se foi...mas senti como se fosse muito mais.

- Mãe, temos que ir.

- Eu sei, vamos! – Me levanto assumindo minha forma original indo rumo ao horizonte, ao lado da linda filha que me dera.

 


Notas Finais


Feedbacks são bem vindos!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...