História Raposinho - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Fluffy, Para A Minha Raposinha, Raposinho, Sugamin, Transmorfos, Yoonmin
Visualizações 141
Palavras 5.329
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Fluffy, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Vamos todos ouvir Epiphany, sim? 24/7, é o que esse hino merece 🧡

Espero que gostem do capítulo, planetinhas, boa leitura!

Capítulo 4 - Raposas


— O que você está fazendo aqui, garotinha? — Yoona ouviu a voz ecoando atrás de si, rapidamente se virando em direção à ela, contente de ver alguém e não estar mais sozinha na floresta.

— Eu me perdi, estava procurando pelo meu irmão — respondeu envergonhada, abaixando a cabeça e esperando que aquele rapaz pudesse a ajudar.

— Quem é o seu irmão? — ele perguntou se aproximando, levantando o rosto dela com o dedo e acariciando a sua bochecha. Ela era linda e completamente delicada, ainda nova demais.

— Min Yoongi, conhece? — perguntou esperançosa, não entendendo o sorriso que apareceu no rosto do outro, mas pensando que deveria significar algo bom, talvez ele apenas não fosse acostumado a sorrir. — Eu sou Yoona, você poderia me ajudar?

— Claro, pequena — ele respondeu, e ela abriu um enorme e contente sorriso, feliz por não estar mais sozinha na floresta e ainda ter mais uma pessoa para ajudar.

— Qual seu nome?

— Jeon Jungkook, mas pode me chamar como quiser.

Neste exato minuto, em outro lugar da floresta, completamente sem saber o que acontecia em casa, Yoongi acordou e lentamente abriu os olhos, sentia-se completamente sonolento e com uma preguiça de se levantar que há muito tempo não experienciava. Era difícil para si querer continuar deitado na sua cama fria, com responsabilidades gritando em seu ouvido, contudo, ali ele estava livre para passar a manhã toda na cama sem preocupação ou remorso algum.

Olhou para o lugar já bastante iluminado e sorriu, era um casebre realmente ajeitado, bonito e infinitamente mais confortável do que parecia à primeira vista. Realmente, ele não se incomodaria de acordar todos os dias em um lugar como aquele, sentindo o aconchego que sentia e a vontade de voltar a dormir por mais algumas boas horas.

Mexeu-se na cama a procura de outra posição tão confortável quanto a que estava no momento e sentiu o peso de alguém contra si, sorrindo ao ver a pequena raposa aninhada contra o seu peito. Ela era o motivo do conforto que sentia, era o calor que emanava dela e a sensação de proteção que sentia sempre que o animal estava ao seu lado. Com a movimentação que fizera, ela quase despertou do sono, bufando ainda longe da total consciência, mas ainda assim incomodada o bastante para reclamar.

Yoongi realmente poderia acordar ali, daquele exato jeito, para o resto de sua vida e ser completamente feliz. Acabou se ajeitando na posição que estava anteriormente e ficando daquele modo, acariciando o pelo da raposa e sorrindo como um bobo contente. O animal colado a si era, na sua opinião, o mais belo de todos, ele tinha uma personalidade única que ainda o surpreendia e que o encantava totalmente, quase como se tivesse sido hipnotizado.

Alguns vários minutos depois a raposa começou a despertar, abrindo os olhos preguiçosamente e abrindo um enorme bocejo que imediatamente foi copiado por Yoongi. Como se acordasse de um sonho, o animal saiu rapidamente de cima do outro e ficou posicionado na cama, lugar de onde não queria ter saído, mas que não era nem perto de tão confortável quanto estar sobre o outro.

— Essa definitivamente foi a melhor noite de sono que tive em anos — Yoongi contou, a voz rouca pelo tempo sem uso e arrastada pela preguiça. Ele se moveu, achando uma posição confortável deitado de lado e deu batidinhas no colchão bem próximo a si, querendo que o animal se aproximasse novamente. — Vamos dormir mais um pouco?

Aquele era um pedido basicamente inegável para aquela manhã preguiçosa, até mesmo os pássaros estavam mais silenciosos, o clima ameno e gostoso, o vento não fazia barulho, e ambos continuavam sonolentos, prontos para aproveitar aquele momento. Portanto, a raposa apenas se aproximou dele, deitando-se e encaixando sua cabeça no vão do pescoço do rapaz que apenas sorriu a abraçando e se deixando levar pelo sono que rapidamente retornava.

Quando acordou novamente, Yoongi estava sozinho na cama, demorando alguns instantes para realmente perceber o que havia acontecido e onde estava até que finalmente despertou. Sentou-se na cama já sentindo falta da raposa em seus braços e ainda se sentindo pronto para voltar a dormir, mas querendo levantar para ir ao banheiro.

Forçou-se para cima e na hora sentiu a dor de ter apoiado seu pé machucado no chão, deixou um gemido de dor escapar por entre seus lábios e voltou a se sentar para esperar que o latejar diminuísse. Foi nesse momento em que Jimin apareceu novamente no casebre, com um enorme sorriso nos lábios e com frutas em seus braços. Deixou tudo sobre a mesa e, ainda mantendo aquele sorriso, se aproximou de Yoongi.

— Como está? Como foi a noite?

— A noite foi ótima, dormi muito bem — decidiu ocultar o fato de que dormira abraçado com uma raposa na cama do rapaz ruivo, ele não precisava saber daquele detalhe, seria seu pequeno segredo. — Mas machuquei o pé tentando levantar agora — sorriu amarelo para o outro, envergonhado e ainda sentindo o leve latejar em seu pé.

— Yoongi! — ralhou com ele cruzando os braços em frente ao peito, completamente desgostoso com aquela informação e escondendo a preocupação que apertava seu coração. — Você não pode se forçar assim!

 — Eu esqueci que estava machucado, ainda estava dormindo, acho — respondeu dando de ombros, olhando para o chão sem coragem de encarar o outro. — Precisava ir ao banheiro.

Jimin respirou fundo e soltou o ar lentamente, olhava pra Yoongi, que ainda estava de cabeça baixa, e sentia seu coração acelerar, queria apenas sorrir e abraçá-lo, ficar aninhado com ele por mais horas e horas, apenas aproveitando o momento e o calor confortável que emanava do corpo dele. Contudo, sabia que naquela forma não seria possível. Acabou apenas se aproximando lentamente dele, esticando a mão para que ele se levantasse, agora com a sua ajuda e com atenção para não se machucar.

— Vem — disse baixinho, atraindo a atenção do outro. — Vou te ajudar a sair daqui de dentro.

— Obrigado, Jimin — respondeu sorrindo e aceitando a mão que lhe fora estendida.

Yoongi usou da ajuda para ficar de pé sem apoiar o pé machucado no chão, ficando em frente ao outro. Eles demoraram se encarando, próximos, observando detalhes que normalmente não observavam e sentindo as bochechas esquentarem enquanto um via o outro também ficar corado.

Jimin foi o primeiro a despertar do torpor, colocando-se ao lado de Yoongi e segurando em sua cintura enquanto ele apoiava o braço em seus ombros para que saíssem de dentro do casebre. Apesar daquele contato ser curto e ter apenas o objetivo de apenas ajudar o rapaz, o ruivo ainda gostava de ver como seu braço ficava segurando a cintura dele e como eles pareciam encaixar.

Era um pensamento agora bastante recorrente seu, pouco a pouco ele aprendera a confiar em Yoongi, a não sentir medo de estar perto de um humano, a gostar de sua companhia e também relembrou como gostosos são os toques e carinhos que há tanto tempo não recebia.

Sozinho ele pensava em como aquilo era apenas um pensamento provocado pelo tempo que passara isolado e de como era bom, depois de tantos anos, ter um contato humano. Ainda assim, ele queria sentir mais daquilo, mais abraços, mais toques e mais conversas, queria sentir o que viu que seus pais sentiam um pelo outro, queria os beijos e o carinho, queria o amor e, principalmente, queria que tudo fosse ao lado de Yoongi.

Não tinha nem ideia se ele estaria desposto a ter um relacionamento consigo, mesmo que soubesse que ele não tinha ninguém que o interessasse romanticamente na aldeia. Era estranho o que sentia e ainda não estava completamente certo de como lidar com tudo aquilo que era tão novo para si, mas estava decidido a tentar aos poucos. Primeiro a amizade e depois algo a mais.

Teria que conquistá-lo, teria que fazer com que o rapaz sentisse por si o que sentia por ele depois de meses de convivência, e esse era mais um problema. Jimin era um transmorfo de raposa, mais especificamente a raposa que vivia arranjando problemas com Jungkook e ainda aquela que Yoongi ia visitar sempre sorridente e animado por ver. Contudo, o rapaz não sabia sobre esse seu segredo, e o transmorfo tinha muito medo de sua reação, considerando suas experiências anteriores.

— Você já ouviu falar sobre transmorfos? — Jimin perguntou no meio daquela tarde, estavam conversando sobre coisas aleatórias, sentados sobre uma pedra que havia perto dali. Decidiu que realmente falaria sobre aquele assunto, mesmo que isso o deixasse extremamente nervoso.

— Já, mas somente as histórias que a minha mãe contava quando eu era pequeno — respondeu dando de ombros, meio confuso por terem mudado o assunto tão repentinamente, ainda mais para algo tão fantasioso e impossível. — Eu morria de medo deles.

— Sério? — perguntou surpreso, inclinando a cabeça para o lado e o olhando atentamente. Ele realmente lembrava a raposa, com seus grandes olhos questionadores e seu jeito único, mesmo que fosse impossível que eles fossem o mesmo ser ou que fossem parentes. — Por quê?

— Bom... Talvez porque essa era a função das histórias, não? — respondeu confuso, imaginando se teriam ouvido histórias diferentes quando crianças. — Nunca fui muito amigo da ideia de monstros que trocam entre uma forma humana e uma animal. Ainda mais considerando que eles iam atrás de crianças para sequestrá-las fingindo que eram animais fofos e depois usando elas para... Bom... Meus pais nunca contaram para quê eles sequestravam as crianças, mas eu já tinha medo o bastante só com isso.

— Isso é um absurdo! — Jimin esbravejou completamente revoltado com aquilo, com aquela história falsa. — Nenhum transmorfo nunca sequestrou criança nenhuma!

— Então ouvimos histórias diferentes — respondeu com os olhos levemente arregalados, não esperando aquela reação do ruivo.

— Definitivamente! — respondeu irritado, bufando em seguida. Contudo, logo toda a raiva que sentia deu espaço para a tristeza de ver como Yoongi imaginava que aqueles seres eram; de ver o que Yoongi imaginava que ele era, um monstro.

Jimin sentiu uma imensa vontade de chorar por, mais uma vez, ouvir que transmorfos são monstros. Claro que sabia que o rapaz não fazia por mal, era difícil ter uma imagem diferente sendo que ele crescera ouvindo histórias horríveis sobre transmorfos. Respirou fundo e decidiu que mudaria a mente dele, faria a imagem que ele tinha mudar até que o rapaz o aceitasse e pudesse se apaixonar pelo transmorfo em todas as suas formas.

 — Eles não são monstros — falou respirando fundo, tentando conter as lágrimas que se formaram em seus olhos. — Eles... Eles são pessoas, com medos, com angústias, como qualquer pessoa. Eles também amam e sentem do mesmo jeito que você. E eles também sentem falta da família deles, do contato, de viver — falou com a sua voz sumindo cada vez mais, até que o silêncio reinasse sobre eles mais uma vez.

Jimin não queria chorar ali, na frente de Yoongi, lembrando-se de sua família que há tanto tempo tinha o deixado e de todas as coisas que ouviu quando algumas pessoas descobriram que era um transmorfo. Apesar de ter aceitado que nunca teria muitos amigos e talvez nem mesmo um único, queria manter suas pequenas esperanças, e ele era a maior delas.

— Eu não queria te magoar! — Yoongi falou apressadamente assim que viu a primeira lágrima escorrer pelo rosto do outro. Esticou-se na pedra, segurou a mão do rapaz e começou a fazer um pequeno carinho nela, seu sorriso parecia nervoso, e isso fez com que algo aquecesse o peito de Jimin. Ele se importa, era tudo o que passava na cabeça do transmorfo que sorriu e usou a mão livre para limpar as poucas lágrimas que haviam escapado. — Eu sei que minha relação com essas coisas não é a melhor, mas eu cresci ouvindo histórias ruins sobre eles para ter medo de sair de casa sozinho durante a noite. Talvez se você me contar as histórias que você ouviu, que devem ser diferentes, eu possa mudar minha mente.

— Tudo bem — respondeu sorrindo amplamente, entrelaçando seus dedos com os de Yoongi e gostando de ver como suas ficavam bonitas juntas. — Já ouviu a história do garoto coelho? — perguntou risonho, já se lembrando do conto engraçadinho que sua mãe lhe contava quando criança.

— Não, como é a história do garoto coelho?

— Em uma pequena aldeia com transmorfos de diversos animais havia um pequeno coelho, um garotinho animado que sempre queria brincar e buscar aventuras. Um dia ele estava saltitando distraído por aí como o coelhinho fofo que era, até que então um enorme gavião o pegou — Jimin contava dando ênfase às palavras que sua mãe dava e fazendo expressões assim como ela costumava fazer. — Para se defender da ave, ele se transformou em humano novamente.

Yoongi ouvia a história maravilhado, não pelo conteúdo e menos ainda pelas palavras que ouvia, mas completamente encantado com o modo que o rapaz ruivo a contava. Ele não conseguia desviar os olhos dele que interpretava, sorria e fazia bicos, gesticulando a cada coisa que dizia, para destacar tudo o que falava, era lindo, ele era lindo.

Era algo que Yoongi não podia mais negar, havia aceitado como gostava de ver Jimin falando e como ele era encantador aos seus olhos. Ele tinha um jeito único que parecia até mesmo inocente, mesmo que ele se provasse extremamente esperto e cauteloso para que se enganasse por ingenuidade.

Do mesmo modo que aconteceu consigo e a raposa, Yoongi sentira-se hipnotizado por Jimin. Estava decidido a melhorar e voltar para casa como devia, mas com toda a certeza voltaria a visitá-lo várias e várias vezes, mesmo que não tivesse certeza de como conciliaria seu tempo para ver o rapaz e a raposa e não ficar tanto tempo fora de casa, mas daria um jeito, por ele.

— Foi assim que ele descobriu que o gavião também era um transmorfo, uma criança como ele, mas que tinha sido abandonado pelos pais e estava completamente faminto — contou fazendo um pequeno bico chateado pela história, dando ainda mais força para tudo o que falava. — O coelhinho o levou para casa e contou para seus pais o que havia acontecido, eles então adotaram o transmorfo de gavião como o próprio filho, e as duas crianças acabaram desenvolvendo a amizade mais bela da aldeia e mais improvável da natureza.

— Isso foi fofo — falou quando percebeu que a história tinha acabado. — Não tanto quando você, mas foi fofo.

Jimin soltou uma pequena risada, completamente envergonhado, escondendo o rosto com a mão e virando a cabeça para que o outro não visse a sua reação. Ainda assim, Yoongi sabia que havia o pego desprevenido e o deixado envergonhado, acabou se sentindo satisfeito com a reação dele e abriu um enorme sorriso.

— Tem mais histórias? — Yoongi perguntou depois de alguns minutos em silêncio, finalmente atraindo a atenção do ruivo.

Jimin encheu-se de felicidade enquanto começava a contar as histórias que ouvira de sua mãe quando era criança, sobre outras crianças que também eram transmorfos e viviam as mais diversas aventuras, em lugares onde eles podiam ser quem eram, mudando sua forma sem serem chamados de monstros. Lugares esses que ele nunca conhecera.

Yoongi prestava atenção como conseguia, mas seu maior foco era nos lábios que se moviam formando aquelas palavras de uma história simples de criança. Jimin tinha um brilho no olhar, um sorriso gigantesco e um jeito fofo de tentar dar ênfase em tudo o que falava. Aquelas histórias pareciam importantes para o ruivo e, por causa disso, se forçou a ouvi-las.

— São histórias fofas — disse depois que Jimin terminou mais uma de suas histórias. — Eu preferia ter ouvido essas quando criança, elas acabam bem, e os transmorfos parecem pessoas legais.

— Eles são pessoas como qualquer outro, Yoongi — disse rindo e revirando os olhos, mas se sentindo tão feliz que poderia sair correndo e pulando de alegria pela floresta na forma de raposa.

— Todas as histórias são felizes? — perguntou, arrependendo-se imediatamente ao ver como a expressão de Jimin se tornou mais séria. Buscou a mão dele para entrelaçar com a sua e sorriu triste para ele que parecia completamente abalado. — Não precisa falar sobre essas, vamos continuar com as felizes.

— Acho que você deveria ouvir uma triste para entender realmente como é a vida de um transmorfo e ver que não são eles os monstros.

— Apenas se você se sentir bem com isso — falou preocupado, não gostava de ver o olhar triste de Jimin e queria evitar que ele se chateasse sem necessidade. Yoongi preferia continuar ouvindo apenas as histórias fofas de vários transmorfos, aprendendo sobre eles e conhecendo um lado deles de um jeito que nunca os imaginou. — Podemos falar mais sobre eles outro dia.

— Está tudo bem, realmente — disse com um sorriso claramente triste, mordendo os lábios e engolindo a saliva que havia se acumulado em sua boca.

Jimin respirou fundo, se preparando para contar a história seguinte. Aquela, ao contrário de todas as outras que tinha contado até aquele momento, era verdadeira, e ele sabia de cada detalhe dela, afinal, era a sua própria história. Não contaria isso para Yoongi, apenas narraria como se fosse sobre outra pessoa e esperaria que ele absorvesse toda a informação, até que estivesse pronto para saber quem era o transmorfo daquela triste história.

— Era uma vez — Jimin riu levemente pelo jeito que começou a sua história, não era algo divertido e nem mágico como as histórias que gostava de ouvir, mas não queria sentir toda a dor que sentia de lembrar tudo o que acontecera consigo. — Um casal de transmorfos de raposa que viviam em uma vila com vários iguais a eles, eram duas pessoas muito felizes e se amavam imensuravelmente, ainda assim sentiam que faltava algo para que pudessem ser completamente felizes, e foi nessa época que começaram a planejar o nascimento de um filho.

“Contudo, transmorfos nunca foram bem vistos por humanos, e a vila deles foi atacada por um grupo que nunca foi identificado. Todos os transmorfos naquele lugar eram pacíficos, não sabiam usar armas, não sabiam lutar e foram facilmente mortos. Muitos tentaram fugir, deixando tudo o que tinham para trás, buscando sobreviver ao massacre. O casal foi um dos poucos que conseguiram.”

“Durante um tempo eles tentaram sobreviver na floresta sozinhos, apenas na forma de raposa, caçando e procurando um lugar para ficar. Contudo, com a chegada do inverno e a falta de um abrigo eles começaram a pensar em alternativas, acabando na forma humana em uma cidade pequena que acharam depois de muito tempo andando. Lá eles conseguiram uma casinha que servia à um homem poderoso da região, tendo então abrigo e um emprego. Era exaustivo e massacrante, eles não poderiam se transformar, mas pelo menos estavam seguros.”

“Alguns anos se passaram, e eles estavam bem na vida que tinham, não eram nem de perto tão felizes quanto um dia foram, todavia, seu amor era mais forte que nunca. Foi nessa época em que a mulher engravidou e, depois de nove meses, eles tinham um filho em seus braços, um pequeno transmorfo de raposa.”

“A gestação ocorrera tranquilamente, contudo, o pequeno nascera na forma de raposa o que era realmente incomum quando a mãe não se transformara uma vez sequer enquanto estava gravida. Eles tiveram que esconder a pequena raposa do senhor da casa até que o pequeno mudasse de forma sozinho, em seu próprio tempo.”

“O pequeno filhote era inconsequente e não tinha total noção dos riscos de se transformar, portanto, vivia saindo para correr pelos campos na forma de raposa, sempre se escondendo para se transformar e tomando os cuidados que sua mãe mandava. Isso funcionou muito bem por anos, mas eles começaram a ter medo de que alguém visse e decidiram que deveriam se mudar de lá.”

“Isso apenas atrasou o inevitável para a maioria dos transmorfos. Eles passaram a viver em uma casinha abandonada no meio de uma floresta, tinham uma vida boa até que, por descuido, um caçador viu o pequeno transmorfo se transformar na frente da casa e fez o que todos os humanos deveriam fazer, tentou se livrar da praga que eles eram.”

“Somente o pai e o pequeno transmorfo conseguiram fugir com vida. Eles se esconderam na floresta e juntos construíram um pequeno casebre para viverem. Contudo — de tristeza — o pai adoeceu sem a mãe, morrendo um ano depois dela e deixando o filho completamente sozinho, no meio da floresta, com medo de todos e se culpando por tudo.”

Jimin não percebera exatamente quando suas lágrimas começaram a escorrer por seu rosto sem a sua permissão, mas tentou secá-las assim que as sentiu pingando em suas mãos. Odiava lembrar-se de seus pais e de como eles morreram, ainda sentia tanta falta deles que era impossível não se abalar. Além disso, tinha o remorso. Mesmo que seu pai tivesse garantido que não era sua culpa até mesmo no seu último suspiro, ele não conseguia não pensar em como as coisas poderiam ser diferentes caso não tivesse se transformado em frente à casa, se apenas tivesse esperado um pouco mais.

Yoongi o abraçou com toda a força que tinha, tentando confortá-lo e sentindo seus próprios olhos se encherem de lágrimas pela história que havia acabado de ouvir. Não conseguia imaginar a dor de ser caçado apenas por ser quem era, por algo que não podia mudar, mesmo que fosse alguém bom e que nunca fizera nada de mais e, principalmente, não imaginava como seria perder ambos os pais de tal modo.

Sentia que para Jimin aquela não era apenas uma história aleatória contada por alguém e replicada por ele, não, aquela história era íntima demais e carregava tristeza de alguém que havia a vivido. Contudo, não queria questioná-lo sobre isso. Não queria saber se ele era um transmorfo de raposa ou não, iria focar no que tinha certeza e, agora, o que sabia era apenas que ele estava sozinho naquela floresta e precisava de todo o apoio do mundo. E Yoongi seria isso para ele.

Jimin chorou por alguns minutos no ombro do rapaz que o abraçava, prendendo ele em seus braços e segurando sua roupa presa entre seus dedos, molhando seu ombro e sentindo um peso sair de si junto das lágrimas. Nunca tinha contado aquilo para ninguém, afinal, nunca tivera uma conversa com nenhum humano depois que seus pais morreram e nunca mais soube de nenhum transmorfo que sobrevivera. Ainda assim, sentia-se bem por poder, depois de tanto tempo, verbalizar tudo o que havia acontecido consigo e com a sua família.

O toque quente de Yoongi o trazia segurança, o carinho delicado que ele o fazia em seus cabelos o acalmava e a presença dele o enchia de esperanças. Sentimentos que há anos não sentia e que nunca pensou serem possíveis de se sentir novamente, apesar de toda dor que sentia, havia ali uma perspectiva que nunca teve antes.

Depois de um tempo Jimin finalmente parou de chorar, mas em momento algum quis se afastar do corpo quente do outro, deixando o silêncio os embalar acompanhado pelos barulhos baixos da floresta. Havia afrouxado seu aperto nas roupas de Yoongi e começado a devolver o carinho que recebia com toques sutis, gostaria que um momento como aquele acontecesse novamente, mas que fosse feliz e que os carinhos fossem apenas por carinho e não para consolo.

— Você está bem? — Yoongi perguntou depois de um longo tempo. Afastou o rosto para ver Jimin, limpando o rastro das lágrimas que ficaram na bochecha dele e deixando um beijo no topo de sua cabeça.

Apesar de não compreender totalmente o que sentia, sabia que queria proteger Jimin de todas as suas tristezas e queria poder fazê-lo feliz. Sua ação de limpar as lágrimas do rosto dele e beijar sua cabeça era algo que sempre fazia com Yoona, contudo, o que sentia por Jimin era totalmente diferente e completamente novo para si. Deixou mais um beijo na bochecha dele, que ainda tentava regularizar a respiração e então encostou seu próprio rosto contra o do outro, retomando os carinhos.

— Sim, estou, desculpe por isso — respondeu com a voz baixinha, que apenas foi ouvida pela proximidade deles. Acabou se afastando do abraço, sentindo o frio do anoitecer o envolver e a tristeza parecer difícil demais de se lidar sozinho. — Eu não falava sobre essa história há anos e ela é muito especial para mim.

— Não precisa se desculpar, Jimin — retrucou segurando a mão dele. Ainda não estava pronto para deixar o toque entre eles acabar. — Estou feliz de poder te amparar depois de ouvi-lo. Você não está mais sozinho.

O transmorfo não conseguiu conter o sorriso e as lagrimas que se acumularam em seus olhos quando se jogou sobre Yoongi para abraçá-lo novamente. Eles ficaram daquele modo por um tempo até que lentamente se afastaram, ambos sorrindo, ambos olhando no fundo dos olhos do outro e ambos com o coração completamente descompassado.

— Já está tarde, vamos voltar para o casebre, comer algo e dormir, sim? — Jimin disse se levantando e ajudando o outro a fazer o mesmo. — O clima está bom essa noite, não está abafado.

— A propósito, onde você dormiu noite passada? — Yoongi perguntou genuinamente curioso, olhando para o rapaz que o ajudava a andar em direção ao casebre e o vendo engolir e abrir um sorriso nervoso.

— Eu tenho alguns segredos — disse soltando uma risada desconfortável, sem conseguir imaginar nenhuma desculpa e sabendo que seria estranho demais contar que era ele a raposa que dormia com o rapaz durante a noite.

Acabaram jantando em silêncio e terminando de se arrumarem para dormir daquele mesmo modo. Era estranho ficarem daquele modo depois de terem passado a tarde inteira conversando sobre tantas coisas, mas também era difícil para eles reagirem com tudo o que estavam sentindo.

Jimin havia aberto mais do seu coração do que esperava fazer naquele dia, havia relembrado toda a sua história e ainda tivera, pela primeira vez, esperança. Mesmo que não esperasse que nada acontecesse de um dia para o outro, estava radiante com a ideia de Yoongi devolver seus sentimentos, pensava nos momentos que teriam juntos, nos toques, nos beijos, e tudo apenas servia para deixar seu coração mais descompassado ainda. Estava sentindo o que era viver o seu primeiro amor.

Yoongi, por sua vez, vira muito mais de Jimin naquela tarde do que imaginou. Embora não acreditasse que ele fosse um transmorfo – simplesmente por achar que eles não existiam –, sabia que a história dele era aquela embora ainda não soubesse bem o motivo dos pais dele terem sido perseguidos. Queria estar ali por ele e o apoiar daquele momento em diante, não queria mais o ver sozinho e triste. Estava sentindo o que era viver o seu primeiro amor, mesmo que ainda não tivesse percebido.

Contudo, ainda havia o segredo que Jimin escondia e que começara a incomodar Yoongi. Não conseguia deixar de imaginar diversas possibilidades para o rapaz desaparecer durante as noites, sentia-se enciumado de algumas ideias mesmo que não soubesse que era ciúme o que sentia. Apenas queria poder estar ao lado do rapaz e aproveitar de sua presença tão boa, sem preocupações e aproveitando do calor bom que emanava dele quando estavam próximos.

 — Jimin? — chamou quando seus pensamentos estavam se tornando insuportáveis, o rapaz estava terminando de guardar os pratos enquanto Yoongi o observava sentando à mesa.

— O que foi? — perguntou inclinando a cabeça e olhando atentamente para o outro. Ele realmente lembrava a raposa e talvez isso não fosse tão impossível assim, mas Yoongi preferia continuar ignorando esses pensamentos.

— Você tem alguém? Tipo, um amigo muito próximo, um conhecido que o interesse, um namorado talvez? — perguntou gesticulando nervosamente, parando apenas quando ouviu a gargalhada do outro.

— Eu moro sozinho aqui há anos, inclusive nem tenho certeza de quantos mais — falou quando conseguiu parar de rir, aproximando-se de Yoongi que mantinha uma expressão séria e realmente descontente. — Você é a primeira pessoa que eu deixo se aproximar de mim, e eu estou bem feliz por isso.

— Eu também — respondeu com um sorriso igual ao do rapaz à sua frente.

Apoiando-se na mesa para levantar, Yoongi o abraçou, apenas porque podia e porque queria sentir o corpo quente dele contra o seu mais uma vez naquele dia. Abraçar Jimin era realmente muito bom e o enchia de uma felicidade que pouco a pouco aprendia a sentir. Começando a pensar que talvez o que havia entre eles pudesse ser mais que uma amizade e esperando que para o outro fosse assim também.

— Obrigado, Jimin, por tudo.

— Eu que tenho que agradecer — retrucou, afundando ainda mais seu rosto no pescoço dele e passando seu nariz ali na forma de um pequeno carinho. Ele tinha um cheiro tão gostoso que Jimin não queria se afastar dali nunca. — Você foi uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos anos.

Yoongi o apertou ainda mais fortemente em seus braços, sentindo como seu coração apertou triste por ele e, ao mesmo tempo, como se sentiu contente por ser alguém importante para ele. Trocaram alguns carinhos e pouco a pouco foram relaxando, o sono chegando e a posição sendo cansativa até o momento em que finalmente se separaram.

— Já está tarde e você deveria ir dormir — Jimin avisou se afastando, olhando para o pé de Yoongi que não apoiava no chão. — Como está o tornozelo?

— Melhorando, logo poderei andar sem preocupação alguma.

— Isso é bom.

Embora Jimin quisesse que Yoongi se recuperasse e sorrisse verdadeiramente para ele, não queria ver o dia em que ele estaria totalmente bem e fosse embora de seus cuidados e de sua atenção constante. Já havia se acostumado com a presença dele ali, seria realmente estranho não o ter mais por perto, a casa ficaria um silêncio absurdo e a falta que sentiria seria ainda mais difícil de lidar do que era antes dele ter se machucado.

Ajudou o rapaz a se deitar e refez o curativo que já estava soltando-se. Eles conversaram mais um pouco antes de Jimin bocejar completamente cansado e sentir seus olhos pesarem, poderia simplesmente se deitar ali e dormir, mas ainda tinha medo de machucar Yoongi caso dividissem a cama enquanto estava na forma humana.

Despediu-se desejando boa noite e andou para fora do casebre, transformou-se e imediatamente bocejou, estava extremamente cansado e não via a hora de estar deitado dormindo, aquele dia e todo aquele choro haviam acabado consigo. Entrou na casa outra vez e rapidamente pulou na cama, aninhando-se contra Yoongi e preparando-se para finalmente dormir.

— Você sumiu o dia todo, raposinho — Yoongi disse com a voz sonolenta, ajeitando o animal contra si e quase dormindo também. — Eu queria que Jimin estivesse aqui também, seria bom dormir com ele.

Estava sonolento demais para pensar no que falava e, além disso, a raposa não contaria para ninguém os seus pensamentos mais verdadeiros que vinham enquanto estava como sono demais para contê-los. Jimin, por sua vez, perdeu completamente o sono que sentia ao ouvir aquilo, levantando totalmente suas orelhas grandes, pronto para ouvir o que ele tinha para dizer.

— Ele é tão... Não sei, nenhuma palavra parece boa o bastante para ele, ele é simplesmente ótimo, e eu queria poder ficar mais tempo com ele — disse suspirando em seguida. Parecia errado para Jimin ouvir o que o outro falava de si, mas era impossível querer se afastar naquele momento. — Digo, você poderia dormir no nosso meio.

Jimin queria rir, mas apenas abaixou a cabeça, relaxando as orelhas e se afundando no corpo de Yoongi. Enquanto aproveitava do calor gostoso dele e se perdia no seu cheiro natural que era tão bom, pensou em como era sortudo, afinal, a primeira pessoa por quem desenvolveu sentimentos também gostava de si. Isso era realmente muito mais do que o garotinho que perdera os pais por serem transmorfos um dia esperou.

Agora, apenas tinha que convencer Yoongi que transmorfos não eram monstros e contar para ele que era um deles. Isso tinha tudo para dar errado, mas ainda assim esperava que ele reagisse bem como vinha reagindo a tudo que lhe acontecera até então. De qualquer forma, pensaria nisso de manhã e, assim, dormiu tranquilamente nos braços do outro mais uma vez.


Notas Finais


Agora vocês conhecem mais do meu amado raposinho, além disso, você viram que sentimentos começam a surgir? 🧡
Tem muito amor por vir ainda 🧡

Vamos conversando!
Twitter: https://twitter.com/jupiter_imnida
Gato curioso: https://curiouscat.me/jupiter_imnida
Instagram: https://www.instagram.com/jupiter_imnida/

Estou bem emotiva com Epiphany, realmente, a voz do Jin, a música como um todo... eu poderia passar horas falando sobre isso, mas vou apenas trazer algumas frases da música para o nosso momento amor de hoje.

MOMENTO AMOR: Eu sou quem eu deveria amar nesse mundo, com imperfeições e, por causa disso, tão belo. Então eu me amo. Ame-se.


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