História Rascunhos da Vida 2: Canções e Conflitos - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Tags Lgbt, Musical, Romance Adolescente
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Palavras 1.357
Terminada Não
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Música recomendada:
Blanck Space - Taylor Swift (Cover de Alex Goot, Alex G e KHS)

Capítulo 6 - Perdidos


Fanfic / Fanfiction Rascunhos da Vida 2: Canções e Conflitos - Capítulo 6 - Perdidos

[...]

"So it's gonna be forever

Or it's gonna go down in flames

You can tell me when it's over

If the high was worth the pain"


"Got a long list of ex-lovers

They'll tell you I'm insane

'Cause you know I love the players

And you love the game"


Tomo fôlego e imagino meus dedos queimando nas cordas da guitarra.


"Cause we're young and we're reckless

We'll take this way too far

It'll leave you breathless

Or with a nasty scar"


"Got a long list of ex-lovers

They'll tell you I'm insane

But I've got a blank space, baby

And I'll write your name."


Julie vibra e aplaude.

- Uou! Sei que digo isso em todo ensaio mas... Uou, gente! Fica bem melhor quando vocês dois não competem entre si!

- Acho que tem razão.

Direciono um olhar otimista para Violet, que provavelmente interpretou como ironia e empina o nariz.

- Se já acabamos por hoje, estou indo.

Sem esperar resposta, ela se retira, entra no carro e parte para sua mansão distante. Muito errado desejar que o motorista caia no sono durante o percurso?

O próximo a sair é Dylan, se despedindo gentilmente. Julie avisa que vai ao banheiro e ficamos apenas Halo e eu na garagem. Ele força uma tosse.

- Então... deve ser bem chato eu aparecer na sua casa sempre que precisamos conversar.

- É, sinceramente é sim.

- Aqui. - Me entrega um pequeno pedaço de papel dobrado. - Manda mensagem se quiser.

- Tá bom, valeu. Até amanhã.

- Até.

Em passos suaves e despreocupados, o estranho contudo não mais tão misterioso Halo, vagueia sob os últimos raios solares do dia. O prédio abandonado que ele disse morar seria o mesmo que passamos perto naquela noite?

Um grito estridente interrompe meus questionamentos. Viro para a porta e encontro Julie cobrindo a boca com as ambas mãos. Os olhos arregalados e brilhando.

- Quer me matar de susto?!

- Eu sabia! - Aponta para minha cara.

- Sabia o quê, criatura?

- Não se faz de tonto! Vi ele te entregando o número de celular! Estão namorando!

- Continua insistindo nisso? Você tem problemas graves, menina.

- Andrew e Halo sentados numa árvore... - Cantarola.

- Cala a boca, só estou fazendo o que você não fez: manter os manés na linha.

- Ah, querido, pra cima de mim?! E por que não pediu o número dos outros também?

- Porque Dylan mora a cinco metros daqui e eu não ligaria para Violet nem que minha vida dependesse disso.

- Negar apenas comprova que aí tem coisa! E aquele abraço, ontem? - Diz enquanto a empurro para fora. - Ah, tive uma idéia! Encontro duplo! Halo, você...

- Pra casa, sua romântica obsessiva!

Ela mostra a língua, acena e segue pela calçada, ainda rindo e cantando. Que palhaçada, se o amor costuma deixar as pessoas loucas assim, eu dispenso.


***


"Olá? Hã, é o Andrew. Apenas conferindo o número"

"Oi. É o Halo"

Certo... uma boa iniciativa. É o bastante.

"Ok, tchau"

"Um minuto, tem algo que gostaria de te alertar"

"Fala"

"Trevor é mimado e insano, acostumado brincar de intimidar. Agora é bem capaz de ficarem no seu pé também"

"E o que eles podem fazer? Jogar ovos na minha varanda?"

"Isso. Ou causar um incêndio, vandalizar seu jardim, raptar sua mascote..."

"Como é que é?!"

"Relaxa, se não descobrirem qual sua casa, ficará seguro"

"Entendo... vou evitar aquele bendito beco"

Ouço leves ruídos. Jordan possui o hábito de bater na porta mesmo estando aberta, é uma mania que admiro.

- Hey...

- Oi, chegou cedo.

- Sim, seu pai e eu vamos jantar fora.

- Ah, é verdade. Marlon mencionou isso...

Lentamente adentra no quarto e para diante do meu antigo mural de fotos. Certeza que está fitando uma fotografia específica.

- Ouvi vocês tocando na garagem hoje. São realmente muito bons.

- Sério? Pensei que não aprovasse...

Apreensivo com o rumo da discussão, ele fica calado alguns segundos.

- Não é que eu não apoie seu hobby, Andrew, mas...

- Se preocupa com meu futuro, eu sei. Pai, não pretendo seguir carreira musical.

Exibindo a típica expressão cansada, Jordan solta um suspiro.

- Só... faça o que preferir. - Recomenda. - Não se esqueça da pizza na geladeira.

- Ok. Divirtam-se e cuidado com a bebida.

- Hunf, quem é o adulto aqui? - Ele sorri e fecha a porta.

Meu outro pai aparece trinta segundos depois, ajeitando o casaco.

- Andrew tranque as janelas! Não use o fogão, aqueça a...

- Pizza no microondas. - Reviro os olhos. - Pai, eu tenho quase dezoito anos. 

- Bom, então... não dê uma super festa de arrasar o quarteirão! Tchau, filho, cama antes das onze!

A empolgação dele me faz gargalhar, como pode ficar eufórico após mais de vinte anos juntos?

Parando pra pensar, Marlon e Julie são parecidos. Se apaixonar é realmente tão maravilhoso e importante quanto creem? Dificilmente. Há assuntos mais urgentes que necessitam de atenção, namorar é... um extra, legal porém dispensável. Emprego não.

Argh, droga! Que sacanagem nos obrigarem a escolher o que queremos fazer pelo resto da vida tão rápido, talvez eu necessite de mais tempo refletindo...

Huh, que tal uma viagem? Sozinho, descobrindo, explorando... O vovô sempre manda um cheque demasiado generoso de aniversário, é perfeito!

Sento na mesa do computador e digito nomes de lugares. Florestas profundas, cidades grandes, campos, aldeias, montanhas nevadas, praias, etc. Caramba, são tantas possibilidades.

- Duvido que conseguirei permissão para ir à Islândia...

Meu estômago ronca. Olho para o relógio e percebo que fiquei praticamente três horas pesquisando destinos exóticos. Levanto da cadeira com as costas doendo e desço para a cozinha.

- Laika! - Chamo. - Vem jantar!

Nada, nem um latido.

- Laika?

Deve estar cochilando em algum canto. Torno a subir as escadas e verifico cada cômodo.

- Laika!

Corro para o hall, o medo surgindo. Não, não... Esqueci de travar a portinha de cachorros! Merda, eu sou um estúpido!

Saio e dou a volta no quintal. É inútil, ela sumiu! Será... será que os Darker... não! Para o bem deles, é melhor que não tenham encostado um dedo nela!

- Laika! - Grito a plenos pulmões.

- Andrew? - Dylan aparece, fechando a porta de sua casa. - O que aconteceu?

Hesito, meu humor automaticamente mudando para indiferente. Ah, que se dane, estou desesperado!

- Você viu minha cachorra de estimação? Pequena, pelagem branca com uma mancha marrom ao redor do olho esquerdo...

- Não, desculpe.

Coloca a mão na pequena cerca de madeira que separa nossas residências. Desanimado, aceno com a cabeça e avanço pela rua silenciosa.

- Espera! - Diz. - Vou procurar com você.

- Não precisa, ela não pode ter ido longe.

- Está quase anoitecendo, a encontraremos mais depressa se formos os dois.

Salta habilmente sobre a cerca, determinado. Droga, ele é uma das últimas pessoas no mundo que eu aceitaria ajuda, entretanto não é o momento de ser orgulhoso.

- Tudo bem. Obrigado, Dylan.

E assim rodamos o bairro todo repetidas vezes, vasculhando arbustos, quintais alheios e terrenos baldios.

Nenhum rastro de Laika.

- Que inferno! E se tiver sido atropelada?!

- Não se preocupe, nós vamos encontrá-la.

Sem descanso, prosseguimos a busca caminhando com pressa, cansados e arfando. De repente Dylan começa a rir.

- Qual é a graça? - Pergunto.

- Lembra quando roubamos os bolinhos da senhora Vilma, fujimos e nos escondemos para comer todos?

Involuntariamente, um sorriso me escapa.

- Aham. Você assumiu a culpa mas óbvio que ninguém acreditou. Levei a maior bronca, além da a dor de barriga...

- Você sempre foi o mais corajoso, And. Seus planos eram fantásticos.

Ele acabou de dizer "And"? Por que decidiu revirar essas recordações esquecidas justo agora? Irritante.

- Pois é, bons tempos... que acabaram.

- Acabaram? O que faz pensar isso?

A raiva, até então contida, rompe dentro de mim. Esse idiota está provocando?

- Talvez o fato de você me ignorar desde o dia em que voltou pro país.

- Ignorar? And, eu...

- É Andrew! And se perdeu no passado. - Exclamo. - E não tenho tempo pra isso.

Eu o empurro e sigo na direção oposta a dele, cancelando a parceria.

- Cai fora. - Exijo.

Contudo, a voz de Dylan, estranhamente firme e ousada, discorda.

- Não, And. De novo não.

Sinto os ombros sendo agarrados e o corpo girando com ferocidade. Admito que foi um pouco apavorante.

Sou forçado a encará-lo de frente.

- Que porra...!

Ele segura meu pescoço e me beija.

!?!?!?

Um tsunami de surpresa, incredulidade e... excitação, colide contra a barreira que com tanto esforço ergui entre nós.

Nossas bocas se afastam. Milhares de dúvidas presas na garganta. Dylan, por sua vez, sorri envergonhado e ofegante.

- Andrew, eu te amo.

E investe num segundo beijo.



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