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História Rasga-Mortalha - Capítulo 1



Notas do Autor


Espero que gostem.

Capítulo 1 - Capítulo Único


 Após incontáveis dias no mar, o navio da primeira divisão do Barba Branca havia ancorado perto de uma pequena ilhota do novo mundo. 

  Os homens compartilhavam saquê e algumas comidas, como aperitivos. Tudo estava indo bem para o bando inteiro, até mesmo a saúde de Newgate parecia estar melhor. 

  A noite estava um tanto quanto maviosa naquela ilha de verão. O céu escuro como asas de graúna estava enfeitado com aquelas diversas esferas flamejantes conhecidas como estrelas, a lua minguante reinava plenamente o céu daquela noite. 

  Marco estava sentado no corrimão do navio. Suas pernas cruzadas formigavam levemente pelo tanto tempo que estava naquela posição. A garrafa de rum gelado em sua mão parecia menos convidativa após beber seis da mesma, o abacaxi feito na brasa com açúcar e canela acompanhado de mel estava melhor do que toda aquela bebedeira. 

 O mar estava calmo, nem mesmo suas pequenas ondas conseguiam fazer cócegas no enorme navio de apoio; as luzes do pequeno vilarejo estavam apagadas, porém o cheiro de grama misturava com o odor marítimo agradava sutilmente Marco. 

  A música alta de seus companheiros não lhe causava nenhum tipo de sensação, e muito menos os cidadãos simples vila — estava perdido em seus pensamentos. A brisa morna beijava sua epiderme exposta com o símbolo de Barba Branca. 

 Tudo estava tão tranquilo que nem se sentiam como grandes procurados da Marinha e governo mundial. 

  Os olhos escuros do médico dos piratas do Barba Branca vagueavam pela linha do horizonte, como se algo pudesse aparecer repentinamente. Porém nada aconteceu. 

  Nenhum sinal de piratas inimigos ou qualquer outro perigo —  soava como uma folga de tantos combates —, mesmo assim a mente de Marco não sossegava, era como se sua cabeça entrasse em consenso com seu coração: ambos em agonia por algo que não existia. 

  Tudo parecia a crer que aquilo era a paz antes da chegada do furacão. 

  O homem de pequenos cachos loiros fechou seus olhos cansados e buscou o ar em seus pulmões. Talvez o tanto de tempo atrelado em seu trabalho havia o feito ficar paranóico sem motivo. Ao abrir novamente suas pálpebras e notar que todos seus companheiros e subordinados estavam bem, decidiu se retirar, indo ao seu quarto, não antes sem terminar aquela garrafa de rum em apenas um longo gole. 

  Assim que virou as costas um som lhe fez sair do transe levemente alcoólico, não conseguia dizer quanto tempo não escutava aquele piado. Sua epiderme arrepiou-se como tivesse uma carga elétrica correndo por todo seu corpo.

 "Rasga mortalha", as palavras saíram sussurradas de seus inchados e secos lábios. 

 Seus olhos ergueram até o mastro do navio mais próximo de si, e ali estava ela, a coruja de penugem branca com detalhes em marrom e bege. Seus enormes olhos o observavam. Marco deu um pequeno passo para trás, deste modo poderia vê-la melhor. 

 Os homens que cantavam entre bebidas mal notaram o animal ali, encarando-os na calada da noite. 

Após alguns segundos em silêncio, soltou novamente seu piado, o fazendo se arrepiar. Lembrava-se muito bem da lenda daquela ave, quanto mais o medo que sentiu ao escutar pela primeira vez sobre ela. 

 "Cuidado com a rasga mortalha, minha criança, essa coruja é portadora do mau agouro e da morte. Se piar em frente ou em cima de sua casa, deve-se preparar para o pior", dizia aquela velha senhora de sua vila natal. 

 A coruja de cor clara piou novamente. Desta vez, o som saiu mais dolorido do que os outros, como se ela quisesse lhe dizer algo. 

Seu coração se apertou mais do que costume, talvez pelo medo nostálgico que lhe atingiu com suas lembranças, ou por quaisquer outros motivos. 

 Então a ave abriu suas enormes asas e voou através da escuridão da noite, mas não sem antes dar um rasante na cabeça de Marco, que ficou perplexo com a atitude da coruja. 

  Poucos minutos após conseguir se recuperar do susto, o comandante da primeira divisão soltou um suspiro cansado e falou consigo mesmo. "É apenas uma superstição boba". 

 Ele observou o céu estrelado e a noite serena que os abrigava, percebendo que não havia perigo, e levou aquilo consigo. Precisava descansar. 

  Do mesmo modo que Marco ficou pensativo antes do cansaço lhe consumir, trazendo-lhe seu sono, algo de ruim acontecia dentro do navio principal de seu pai. Algo que mudaria o rumo do mundo em poucos meses, talvez dias. 

 Rasga mortalha apenas cumpriu seu dever aquela noite: havia deixado a notícia que o caos iria se instaurar na vida daqueles homens em poucos dias.


Notas Finais


Projeto de One Piece: @ProjectWanted

Capa por: @uwu_queen

Betagem por: @soursweety


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