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História Ravena - Capítulo 7


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Capítulo 7 - A verdade dói para quem tem coisas a esconder


Estávamos em um treino comum no campo, mas as coisas não estavam tão comuns, havia muitas pessoas olhando o treino de cima da ponte o que não estava me agradando nada.

-O que foi Ravena, está parecendo apreensiva – Aki comentou chegando ao meu lado.

-Aquilo – olhei para as pessoas – não é bom.

-Agora temos admiradores! – Endo estava empolgado – precisamos continuar treinando técnicas especiais!

De repente o carro da nariz em pé desceu com tudo o enorme vão e caiu bem no meio do campo. Se um dia eu fosse ter um motorista queria aquele cara.

-Está proibido o treino de técnicas especiais – ela desceu do carro com toda a autoridade que aquele uniforme oferecia.

-Mas Natsume...

-Como ganharemos o torneio sem treinar nenhuma técnica especial? – Endo havia ficado furioso.

-Por acaso viu isso? – ela apontou para a ponte.

Levantei do banco e fui até eles, mas Goenji chegou mais rápido do que eu e falou o que eu iria falar:

-São nossos admiradores – Endo se adiantou.

-Não é o que você pensa – ele falou – são espiões que vem de outras escolas eles querem ver nossas habilidades para se prepararem.

-O que?

-Exato – todos olhavam para mim – alguns alunos são treinados para fazerem esse tipo de trabalho nas escolas.

-O que?

-Mas não podemos ficar sem treinar as técnicas especiais! – Endo se desesperou.

-Temos que treinar tudo, passes, fintas, as técnicas não são tudo – Goenji falou colocando a mão sobre o ombro de Endo.

-Seria bom ter um lugar fechado para treinar, assim ninguém nos veria.

-Onde arrumaríamos um lugar assim?

-Não sei, mas tínhamos que arrumar!

Olhei a nariz em pé, ela escondia alguma coisa, provavelmente tinha alguma ideia de algum lugar.

-É por isso que o Instituto é tão bom – falei – o campo deles é dentro da escola.

-Dentro? – perguntaram juntos.

-Isso mesmo – falei – a escola é totalmente fechada inclusive o campo.

-E como sabe? – Goenji estreitou os olhos.

-Fui conhecer a escola, meu pai queria que eu estudasse lá, mas é como um calabouço.

-Deve ser por isso que aqueles caras do instituto são tão chatos – Someoka comentou.

-Concordo.

No dia seguinte as coisas estavam piores com a questão dos fotógrafos e espiões, quando cheguei a campo o clima estava bem sinistro. Dois caras de ternos estavam conversando com Endo.

-O que está acontecendo? – perguntei para Someoka que estava mais afastado da confusão.

-Eles são nosso próximo adversário.

-Colégio cinza – Haruna apareceu ao meu lado.

-Não entendo porque não demonstram suas técnicas, nós já a analisamos.

-Que?

-Além disso as chances de vocês ganharem são mínimas, venceremos facilmente pernas de pau.

-Retire o que disse! – Endo ficou furioso.

-Não vai se intrometer dessa vez? – Someoka apesar da fala calma estava bem nervoso com a discussão.

-Isso não é normal – comentei.

Afastei-me dele e andei até ficar atrás de Goenji para poder falar com ele sem dar muito alarde. Algumas coisas deveriam ser comentadas com as pessoas certas.

-Eles são estranhos.

-Estavam nos espionando.

-Não é isso, repare no jeito que falam...

-Parecem robôs?

-Isso mesmo – cruzei os braços – alguma coisa não está cheirando bem.

-O que pretende fazer a respeito? Endo acabou de chama-los para um desafio.

-Vou apenas olhar.

-Ei você – o careca de cinza apontou para mim.

-Eu? – senti o estomago gelar.

-Já nos conhecemos? Você é familiar, mas não a tenho em meu banco de dados.

-Banco de dados? – perguntei para mim mesma e depois ergui a voz para responde-lo – olha careca esquisito, não me lembro de ter conhecido alguém como você.

-O que quis dizer com careca esquisito?

-Você parece ter síndrome de Asperge – cheguei perto dele – conhece a palavra metáfora ou figura de linguagem?

-Ele tinha razão, são todos idiotas – o outro falou.

-Ele quem? – encarei o cara do lado.

Ficaram apenas me olhando por um tempo sem dizer nada.

-Não podemos dizer.

-Mas posso adivinhar? – cheguei mais perto deles, perto o suficiente para que quando eu dissesse o nome do desgraçado apenas os dois ouvissem – por acaso seria Kageyama? Ou será que foi o fantoche? O Kidou?

-Ele é uma pessoa, não um fantoche – o careca perguntou – você também tem esses dados?

-Não – sorri – mas pretendo adquiri-los.

Fui saindo de campo, precisava encontrar aquele idiota de óculos.

-Aonde vai? – Someoka estava correndo atrás de mim e me fez parar.

-Vou resolver uma coisa.

-Ravena, você não engana ninguém, o que falou com eles?

-Não posso contar no momento, quando resolver tudo prometo dar explicações, agora estou atrasada.

-Atrasada?

-Para bater a cara de um ser humano na parede.

-Ravena!

Ele me gritou mais já era tarde, a pressão do sangue na cabeça e meus passos rápidos não me deixavam sequer fingir que não estava nervosa, eu iria achar aqueles cabelos enrolados nem que fosse ao final do mundo perto de um arco-íris com um duende dançando em volta de um pote de ouro.

Peguei meu celular enquanto corria e liguei para ele, mas caiu na caixa postal, ainda sim deixei meu recado:

-Escuta aqui seu nariz de pinguim, vou esfregar sua cara no asfalto quando te encontrar está entendendo?

Depois de correr grande parte do trajeto parei para respirar um pouco, havia voltado a minha forma, mas me cansava com facilidade, ainda sim a raiva que eu estava me motivava a continuar correndo, e não demorei muito para estar em frente ao instituto.

Quando tentei entrar fui informada que Kidou não estava na escola, a raiva aumentou ainda mais, a sorte, minha não dele, é que quando estava saindo ele estava chegando com sua jaqueta vermelha ridícula.

-Ouvi seu recado – ele riu – emocionante como sempre.

O agarrei pelo colarinho e o prensei contra o primeiro poste que achei, olhei no fundo dos olhos dele, apesar dos óculos os via bem.

-Acha que copiar todos os dados da Raimon vai acabar com eles?

-Tenho certeza.

O empurrei novamente.

-Sabe o que sou capaz de fazer certo?

-Não, na verdade não sei.

-Yuko Kidou, marque minhas palavras, nenhuma ameaça do seu líder patético se compara ao que: Ravena Kageyama pode fazer.

-Está me ameaçando? – ele continuou rindo – e nem estou fazendo nada.

-Não – sorri também – não é uma ameaça é uma promessa. O que são coisas diferentes.

-Claro, e tudo isso é para proteger Goenji o seu amor não resolvido.

O soltei, porque no fundo enquanto eu queria estar chorando por fora eu gargalhava enlouquecidamente, até mesmo ele se assustou com a reação.

-Acho incrível como vocês são burros e acreditam em tudo que meu pai fala – continuei rindo – se dizem tão inteligentes e são tão cegos!

-Não sei por que fala assim, você é igual.

-Sou? – fingi pensar – é talvez mais que o sangue dele esteja presente em mim. Por isso eu tomaria cuidado se fosse você.

-Ao contrário Ravena, se a Raimon ganhar sabe que coisas ruins podem acontecer e que antes da final iremos barra-la.

-Kidou, se esse colégio de clones ganhar acho bom guardar um pouco de seu DNA para te clonarem também, porque o original pode ser que fique impossibilitado de atender solicitações.

-Você se acha a tal, mas não é nada Ravena, não passa de uma mentirosa. Sempre arrumando desculpas para seus amigos e até agora eles nem sabem que você era do instituto.

-Cala a boca.

-A verdade dói para quem tem coisas a esconder.

-Mandei calar a boca.

-Mais um aviso – ele estava quase dentro da escola – se disser alguma coisa, o líder falou que cuidará pessoalmente para que todos saibam do seu passado e, sinceramente, até eu estou curioso.

Fiquei encarando ele até entrar, eu precisava aprender a me controlar, ou as coisas fugiriam demais do meu controle e isso não seria bom.

*

Estávamos no clube de futebol analisando o inimigo por um computador, queria muito poder falar, mas ainda sim o receio da minha vida vir à tona era bem grande, eu tinha medo de que não me quisessem mais por perto. Se eu pudesse eu mesma não iria mais me querer por perto a julgar pelo que já havia feito.

-Ei pessoal – Aki chegou – a Natsume quer falar com vocês.

-O que aquela magrela chata quer? – eu estava irritada demais por causa de tudo e não consegui evitar o comentário, depois que todos me olharam estranho me toquei do que havia falado – desculpe.

Fomos até uma parte esquecida da escola que ficava no meio do mato com apenas duas portas, de repente entre as duas portas apareceu a nariz empinada.

-Que bom que já estão todos aqui. Vamos entrem.

O lugar era extremamente fechado, era um local de treinamento. A nariz tinha dito que era o salão relâmpago onde os super onze haviam treinado, então o vovô não estava ficando caduco com aquelas histórias dele.

Endo ficou muito empolgado:

-Obrigado Natsume!

-Só estou fazendo isso porque não quero que o nosso time perca o campeonato e seja motivo de risada.

Cutuquei Someoka para ele entender que eu estava ganhando a posta, mas o que recebi foi uma cara feia e sem risadas.

-Está bem, o que eu fiz?

-Ainda pergunta?

-Não tenho bola de cristal! – mas eu já sabia do que se tratava.

-Ravena não consigo confiar em você! Cheia de segredinhos e mistérios.

Suspirei, nem eu confiava em mim.

-Está bem. O que quer saber?

-Onde foi ontem? Levamos uma surra dos caras que copiaram o furacão de fogo e você nem estava lá!

-Aqueles caras foram treinados pelo meu pai – menti – fui falar com ele para ver se conseguia pedir para ele os tirar de cima da gente, mas não deu certo.

-E por que não disse nada? Não vamos te deixar de lado se seu pai é técnico de outra equipe!

-Eu queria falar quando tudo se resolvesse, mas não deu certo. Pensei que ficariam decepcionados.

-Você é nossa amiga, nós entendemos que o que você faz é apenas para nos ajudar.

Ele me abraçou forte e eu sorri.

-Está bem, chega de segredos agora.

-É assim que se fala!

A questão era simples, eu sempre mentia mal no começo para que quando precisasse mentir de verdade eu pudesse sair ilesa, sem medo, não gostava daquilo, mas era necessário ao menos em algumas partes.

-Vamos treinar!

-Meninas vamos sair, apenas eles ficam.

-Não posso treinar também? – perguntei e todos olharam para mim.

-Não sei se...

-Se estiver se sentindo bem – Endo a interrompeu – por mim sem problemas, você pode nos ajudar com suas técnicas.

-Está bem – Natsume deu de ombros.

-Preciso extravasar uma pequena raiva acumulada – pisquei para Someoka.

As meninas saíram e depois a nariz falou pelo microfone que a porta só se abriria quando passássemos para a outra parte de treinamento. Posicionei-me junto com eles para praticar, a coisa seria bem puxada.

Quando não estávamos aguentando mais “conseguimos superar nossas habilidades” e a porta se abriu, mas não conseguíamos nem nos levantar.

-Eu vou pegar a caixa de primeiro socorros – Haruna saiu correndo.

-Sobrevivemos ao treino dos super onze! – Endo estava empolgada.

-Tem razão Endo, não será em vão todo esse esforço – Goenji concordou.

-Lembra-se do que eu disse – falei ofegante - dificulte as coisas...

-E o difícil ficará fácil – Goenji sorriu para mim – até que funciona.

-Vamos descobrir isso no dia do jogo!

-Não contem mais comigo aqui – Domon reclamou.

Arregalei os olhos como se tivesse visto um fantasma, só poderia ser ele quem estava espionando a gente. Eu iria conversar muito sério com ele, mas depois de me recuperar...



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